quarta-feira, 26 de março de 2008

Sobre a Moderna Economia

A cultura de massa gera mediocridade e ignorância.
José Ortega Y Gasset *
Na concepção orgânica, a definição mais apropriada do justo é a platônica. Por ela a sociedade deve desempenhar a função não necessariamente predisposta pela mente de seus cidadãos, mas obrigatoriamente pelo que o governo dispõe..
Na concepção individualista, ao contrário, justo é que cada um seja tratado de modo que possa satisfazer as próprias necessidades e atingir os próprios fins, os quais, por regra, devem conduzir à felicidade, um fim individual, pessoal por excelência. -Se a unidade for satisfeita, evidentemente o coletivo espelhará tal realidade. O contrário, todavia, não procede.
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O cientista-humano Carl Rogers, em 1976, prognosticou a vitória do novo tipo que despontava naquela Califórnia da Contracultura, quando legisladores e cidadãos delineavam a rede sob a égide da “autodeterminação.” O estoicismo, que agradara tanto a Kant quanto a Smith, pautou semelhantes conselhos:
Os homens deveriam limitar as suas necessidades e depender menos das coisas. Cada cidadão deveria agir livremente e desatar os laços que o prendem ao Estado e se transformar em cidadão do mundo. A atenção dos homens deve se voltar às leis de virtude e não aos costumes e leis impostas pelo Estado. O retorno ao primitivo estado de natureza é essencial.
(Nader: 112).
Modernos religiosos concordam; Trevisan (p. 51) os representa: “O centro do universo é o homem-indivíduo e não o homem sociedade nem o homem-massa, muito menos o homem-número”.
Ferguson (p. 210) igualmente é enfática:
"O poder de descentralização deriva do fluxo de novas idéias, imagens e energia para todas as partes do organismo político. Concentrações de poder são tão antinaturais e fatais como um coágulo de sangue ou um fio elétrico desencapado."
Ela sugere a concepção correspondente à era info:
Disse Platão certa vez que a raça humana não se livraria de seus males até que os filósofos se tornassem reis, ou os reis se tornassem filósofos. Talvez haja uma outra opção, à medida que um crescente número de pessoas assuma a liderança de suas próprias vidas. Essas pessoas se tornam seu próprio poder central. Como diz um provérbio escandinavo: "Em cada um de nós existe um rei. Procure-o e ele aparecerá’.
A descentralização é imprescindível, na obviedade:
"A manutenção da organização na natureza não é - e não pode ser - realizada por uma gestão centralizada, a ordem só pode ser mantida por uma auto-organização." (Biebracher, C. K., Nicolis, G., Schuster, cits. Prigogine: 75).
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A Economia do XXI, o da maioridade:
Ao destacar os limites de um liberalismo que tangencia, mas nunca incorpora devidamente, o socialismo, Perry Anderson deposita suas esperanças em um marxismo renovado, capaz de aprofundar, em seu projeto de socialismo, os valores e as instituições da democracia liberal. (Afinidades seletivas; Seleção e apresentação, Emir Sader; tradução, Paulo Cesar Castanheira. - São Paulo : Boitempo, 2002; cit. Musse, Ricardo, Um marxismo renovado; Folha de São Paulo. 9/11/2002.)
John Holland (cit. Gleiser, I.: 202/3) revela o modus operandi da New Age:
Descentralização - O que acontece na economia é resultado da interação de muitos agentes atuando em paralelo. As ações de um agente em particular serão resultado de sua expectativa em relação ao que os outros agentes irão fazer. Os agentes antecipam e co-criam o mundo à sua volta.
Ausência de um controlador central - Não há uma entidade global que controla as interações ou que tenha conhecimento da estrutura global do sistema. O controle é feito pelo processo de cooperação e competição entre os agentes e medido pela presença de instituições e regras.
Organização hierárquica flexível - A economia tem vários níveis de organização e interação. Unidades em um certo nível - comportamentos, ações, estratégias, produtos - servem de base para a construção de unidades em níveis superiores. A organização global é mais do que hierárquica, com interações entre os diversos níveis se misturando e criando uma complexa rede de relacionamentos e canais de comunicação.
Adaptação contínua - Comportamentos, ações, estratégias e produtos são revisados continuamente à medida que os agentes ganham experiência - o sistema está em constante adaptação. O elemento surpresa e a chance permitem que o sistema tenha muitas soluções e aproveite novas oportunidades. Eventualmente, uma destas soluções será a escolhida, mas não necessariamente será a melhor.
Novidade perpétua - Nichos são continuamente criados por novos mercados, novas tecnologias, novos comportamentos e novas instituições. O próprio ato de se preencher um nicho já cria novos nichos. O resultado é um sistema onde sempre aparecem novidades. Inovações são desenvolvidas, levando a produtos mais avançados que, por sua vez, demandam mais inovações.
Dinâmica fora do equilíbrio - Como novos nichos e novas possibilidades estão sempre sendo criados, a economia opera fora de uma situação de equilíbrio global, ou seja, sempre há espaço para melhora. Apesar de estar fora do equilíbrio, o sistema possui regras que limitam seu comportamento, evitando que este se torne caótico durante o processo de adaptação e evolução.
Como administrar tudo isso, ainda mais sob chicote?
O Indivíduo Soberano, de Wiliam Rees-Moog e James Dale Davidson (Cit. Grunewaldt, Vitor, Novo Bretton Woods ou Um Novo Feudalismo, Jornal do Comércio, 15/5/1997: 4), destaca o colapso do Estado nacional, substituído por “associações de mercadores e indivíduos plenos de faculdades semi-soberanas”, praticamente o mesmo diagnóstico de Naisbitt:
"Quanto mais as economias mundiais se integram, menos importantes são as economias dos países e mais importantes são as contribuições econômicas dos indivíduos e das empresas particulares." (Naisbitt: 264).
Isso é duro para sociólogos comteanos, economistas keynesianos e principalmente aos do chão-de-fábrica, mas fazer o quê? Em muito pior situação ficaram os papas, depois de Copérnico. .

Aprecie, ainda:

A Economia como Ecossistema
Economia Quântica
A Economia através de Fractais*
Da Escola Austríaca de Economia
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Nota
* A Rebelião das Massas, 1929; cit. Rohmann, C.: 299.

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