sábado, 29 de março de 2008

O casamento

-E como se desce, desse mundo de ironia e razão e veridicidade, ao reinado do sábio de Platão, cujos poderes mágicos o elevam muito acima dos homens comuns, embora não tão alto que dispense o uso de mentiras ou despreze o triste mercado de cada curandeiro, a venda de feitiços, de encantamento e criadores de raça, em troca de poder sobre seus concidadãos! J.C.Pereira (1)

Se há alguém com direito a mentir, este só pode ser o governante da cidade; mais nenhum outro deve gozar desse privilégio. Platão (2)
 A RELIGIÃO se vale das alegorias. Belzebú é seu filho, seu sparring. Sem ele não há luta, não sai espetáculo:“O dualismo teve sua primeira expressão na oposição entre o bem e o mal que servia de base ao mito da criação da religião de Zoroastro, fundada por volta de 1000 a.C. A batalha entre o bem e o mal, Deus e Satanás, aparecem em muitas tradições religiosas. O dualismo implica polaridade e conflito, e não sincretismo.” (3) A alienação assim vara o EspaçoTempo: "Em conseqüência, tanto o platonismo quanto o cristianismo distanciam os seres humanos do meio que os rodeia. A natureza e a experiência eram encaradas como o mundo das modificações perturbadoras, o mundo do erro e do caos. Para o cristianismo, a dúvida e a incerteza são obra do diabo." (4)
Einstein, apesar de toda religiosidade não poucas vezes expressada, soube bem compreender: “No homem primitivo era o medo, acima de quaisquer outras emoções, que o levava à religião. Esta religião do medo – medo da fome, de animais selvagens, de doenças e da morte – revelava-se através de atos e sacrifícios destinados a obter o amparo e o favor de uma divindade antropomórfica, de cujos desejos e ações dependiam aqueles temerosos sucessos. Como o entendimento do homem primitivo sobre as relações de causa e efeito era pobremente desenvolvido, essa religião do medo criou uma tradição transmitida, de geração a geração, por uma casta especial de sacerdotes que se postara como mediadora entre o povo e as entidades temidas. Essa hegemonia concentrou o poder nas mãos de uma classe privilegiada, que exercia as funções clericais como autoridade secular a fim de assegurar seu poderio. Nesse ínterim se verificava a associação dos governantes políticos à casta clerical, na defesa dos interesses comuns.” (5)
Ora até na TV, essas núpcias produzem formidável prole.
Notas
1. Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper, p. 172.
2. Idem, p. 153.
3. Diggins, J.P., p. 27.
4. Zohar, D., 2000, p. 188.
5. Einstein, A., cit. Garbedian, H. Gordon, p. 314

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