quarta-feira, 9 de abril de 2008

Fascismo nas Américas

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Na América Central
A América Central, mesmo antes da ascensão de Fidel em Cuba, tinha na Guatemala escaramuças ditas socialistas. Enquanto recomeçava a guerra fria com a eclosão da guerra quente coreana, o presidente eleito Arbenz timbrou seu tempo com o traço comunista. Sua “reforma agrária” levou à expropriação da United Fruit Co. Em 54, o chefe dos exilados Castillo Armas, auxiliado por Somoza, da Nicarágua, invade a Guatemala através de Honduras. Depois, todos liquidaram a Nicarágua.
No México, como no Brasil, o regime federalista chegou a ser tentado. Tocqueville pode retratar:
Os habitantes do México, querendo adotar o sistema federativo, tomaram por modelo e copiaram quase inteiramente a constituição federal dos anglo-americanos, seus vizinhos. Mas, ao transportarem para seu país a letra da lei, não puderam transportar ao mesmo tempo o espírito que a vivifica. Vimo-los, então, se embaraçar o tempo todo entre as engrenagens de seu duplo governo. A soberania dos Estados e da União, saindo do círculo que a constituição traçara, penetraram cada dia uma na outra. Atualmente ainda, o México se vê incessantemente arrastado da anarquia ao despotismo militar e do despotismo militar à anarquia.” (1)
A linha de vida do Haiti veio bastante trágica. (2) Papa Doc e seu filho Baby a espoliaram sem resquício de piedade. Ali o subdesenvolvimento é um dos mais acentuados do mundo, muito devendo-se a esses criminosos totalitarismos impostos sob o pretexto de serem anticomunistas.
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América do Sul

O filme que anda em cartaz na Venezuela no original é em preto-e-branco, única coisa que muda. Como agora, nosso vizinho se viu saqueado, rasgado, vilipendiado e corrompido quando o sistema político foi colocado no serviço do tarado general Marcos Evangelista Pérez Jiménez. (O intelectual Chávez I, na foto.)
Os usurpadores se locupletaram à vontade, na extração e manipulação da riqueza negra:
“Acabo de voltar da Venezuela. Lé o grosso da economia é dirigida pelo governo. Nacionalizou as companhias de petróleo. O maior banco é dirigido pelos sindicatos e subsidiado pelo governo. Numerosas outras indústrias são empresas públicas. E o que foi que aconteceu? Depois de ajudar a OPEP e de ganhar bilhões de dólares, a Venezuela está atolada em dívidas.” (3)
Como ora se trata mesmo enrêdo, já sabemos, de antemão, o epílogo que se repetirá, para desespero daquele pacífico povo.
Equador e Bolívia destacaram-se com nove golpes cada um; Paraguai e Argentina em sete ocasiões substituíram o estado democrático por ordenamentos jurídico-centralizadores capazes de suportar seus príncipes. Na Colômbia, o general larápio Rojas Pinilla se refastelou à vontade. No Perú, um de seus artífices, de novo General, chamava-se Velasco Alvarado. A orquestra peruana saiu a tocar os crimes marciais:
Com um agudo sentido de dignidade nacional, estabeleceram uma ditadura que expropriou jornais, amordaçou sindicatos, reduziu o poder judiciário a uma farsa, encarcerou e exilou opositores e levou a cabo uma política econômica socialista bem lubrificada por uma retórica populista e castrense. Alguns gestos de sublime sabor patriótico distinguem esse período particularmente comovedor da cruzada vernacular: a abolição oficial do Natal e o desterro do inimigo mais temível da Pátria: o pato Donald.” (4)
Também agarrado no Perú, veio a figura “heróica” do “asiático de coração americano” a fraudar eleições e a demolir qualquer manifestação democrática ou determinação jurídico-legislativa que não lhe atendesse.
O Paraguai, sempre atrasado, quando Getúlio Vargas se suicidava, recebia seu General, Stroessner. Tornou-se um dos ditadores de maior período de exercício da América, quiçá perdendo apenas para Castro. Acabou vindo morar conosco, em Brasília.
Muito antes da experiência paraguaia, o barco positivista aportara em Buenos Aires, não sem grandes resistências:
“A vigência do positivismo evolucionista aparece ainda forte em 1925, irritando Ortega Y Gasset, que constata a presença 'dessa momia de Spencer' nas cátedras de filosofia da Universidade de Buenos Aires.” (5)
A terra dos Perón & Kirchner merece special approuch.
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Notas
1. Tocqueville, A, A Democracia na América, p. 187.
2. Depestre, R., Haiti, Encyclopédia Universalis, 1970, cit. Gusdorf, Georges,, p. 252.
3. Toffler, Alvin, Previsões e Premissa, p. 105.
4. Mendoza, Plinio Apuleyo, Montaner, Carlos Alberto, Llosa, Alvaro Vargas, p. 268/269
5. Ortega Y Gasset; Spencer, H., cits. Lovisolo, Hugo, Einstein: Uma viagem, Duas Visitas, publicado em Estudos Históricos, p. 55-65; também em Moreira, Ildeu de Castro e Videira, Antonio Augusto Passos , p. 240.

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