quinta-feira, 24 de abril de 2008

O "espanto" da Gravidade


O que é gravidade? Por que você cai depois de dar um pulo? Por que os rios correm da parte mais alta para a mais baixa? É porque existe uma força invisível chamada gravidade. Ela faz com que objetos sejam atraídos uns pelos outros, dependendo da massa (quantidade de matéria) que os constitui. Quanto maior a massa, maior a atração. A Terra é tão grade que sua poderosa gravidade é capaz de atrair todas as coisas, mantendo-as sobre sua superfície. www.escolas.trendnet.com.br/liceu_
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O fato de os planetas não se moverem em linha reta, mas percorrerem uma órbita fechada ao redor do Sol, indica que sobre eles age uma força. O mesmo se pode dizer dos satélites que giram em torno dos planetas, como é o caso da Lua. Sobre ela deve agir uma força que encurva continuamente sua trajetória. www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fisica/lei-da-gravitacao-universal-1.php
POIS NÃO É BEM ASSIM. Não existe nenhuma força; por isso ela não é visível, nem detectada.
O Sol não age diretamente sobre a Terra. O que atrai a Terra não é um “fenômeno gravitacional de uma força agindo sobre um corpo”. Segundo a relatividade geral, o Sol age sobre o espaço-tempo, sobre esse meio continuo e entendido como um fluido material que tudo permeia entre o Sol e a Terra. O Sol, sua massa, atua sobre o espaço-tempo que vai então promover mudanças, ondulações, nessa estrutura espaço-tempo. Como consequência da agitação desse meio, ela provoca sobre a Terra mudanças induzidas pelas oscilações do espaço-tempo geradas pela ação do Sol. OLIVEIRA, Luiz Alberto,  físico do ICRA/CBPF.
Newton calculou a coincidência, mas jamais pode estipular de onde vinha tal capacidade, muito menos como a suposta força era capaz de agir a grande distâncias. Não existe a hipótese de atração/repulsão, esta dialética empilhada desde os tempos de Platão. O mecanicismo primata perde feio diante da correção e da beleza da formulação de Einstein.-
A sutileza
Repare na gravura: nela não aparece nenhuma força, não porque não se pode exprimi-la, mas por que não é nada disso. É o declive do espaço, a retração provocada pela presença do corpo  maior que conduz o menor para junto de si.
Largue uma rolha grande numa banheira, e outra menor. Verá que, vagarosamente, a menor se juntará a maior por uma única razão: a maior causa uma depressão na água, de modo que a menor escorrega em sua direção.
Suponha um navio em movimento. O que acontece com a água? Ela se abre, na medida que passa o corpo do transatlântico. Qualquer massa que circundar a passagem, fatalmente tenderá a ir para baixo do casco, muitos colando nele. Haja trabalho de limpeza nos cascos das embarcações. Nenhuma tem força magnética, ou atrativa qualquer.
Pense numa rede de um trapezista. Ele deita no meio. Largue uma bola na ponta. Ela correrá, imediatamente, ao corpo do circense. É o caminho mais natural, mais fácil para ela percorrer.
Agora lembre como a Terra percorre o espaço: além do circuito solar, ela gira sobre si mesmo, estabelecendo uma espécie de sutil redemoinho, desse modo formando a ao seu redor a clássica figura de um redemoinho d'água. Por isso a gravidade assola todo o espaço que circunda a Terra, e não apenas nas laterais, como acontecem com navios, por exemplo.
Nada depende de força, mas de massa, e posição. Na verdade é até uma questão filosófica, de caráter ético: o espaço respeita a presença do corpo, e por isso se retrai. Eis porque se diz que a presença do corpo "deforma" sua circunstância. Isso, definitivamente nada tem de força, mas de sutileza.
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As provas
Em 1919, o Brasil, precisamente Sobral, Ceará, atraiu grande excursão da comunidade científica internacional. A plêiade ansiava confirmar uma hipótese jamais pensada: a luz, sem peso e sem massa, curva-se diante da gravidade. Ao tangenciar o Sol, o Mercúrio varia sua trajetória. O fato observado no eclipse consagrou Einstein, e arrasou a improvável concepção científica empilhada desde Platão, mas especialmente desde Copérnico, Galileu, Kepler, Bacon, Descartes e Newton.
O periélio da órbita de Mercúrio apresenta uma precessão de 43 segundos de arco por século, um fenômeno explicado somente no século XX pela Teoria da Relatividade Geral formulada por Albert Einstein Sua aparência é brilhosa quando observado da Terra, tendo uma magnitude aparente que varia de −2,3 a 5,7, embora não seja facilmente observado pois sua separação angular do Sol é de apenas 28,3º. Uma vez que Mercúrio normalmente se perde no intenso brilho solar, exceto em eclipses solares, só pode ser observado a olho nu durante o crepúsculo matutino ou vespertino.
Cincoenta anos depois, os “terráqueos” obtiveram mais provas: antes do recebimento das mensagens das duas sondas enviadas a Marte, os sinais de rádio se distorceram quando cruzavam as cercanias do Sol. A trajetória dos sinais, mais longa que na linha reta, alterou, embora minimamente, a contagem do tempo de viagem e confirmou, pela enésima vez, a correção da Teoria da Relatividade.
London, UK, 7/11/1919
Extra, Extra: Fabric of the Universe
O conceito científico do tecido do universo tem de mudar. A recém-confirmada teoria de Einstein exigirá uma nova filosofia do universo, uma filosofia que vai varrer quase tudo o que se tem aceito até agora. (Editorial)
"Todo o mundo sabe que Einstein fez algo assombroso, mas poucos sabem, ao certo, o que foi que ele fez." (O maior cientista do Século XX: o Homem eo gênio; in TRATTNER: 112 ).
O fato que leva objetos a se deslocarem com velocidade e direções variáveis se deve, quase sempre, por intervenção da ação gravitacional, ação esta acontecida pela presença e pelos movimentos dos corpos no âmbito do espaço sideral, e não por sua atração magnética. Descreve-nos Asimov:
Einstein elaborou um conjunto de equações para demonstrar que se não houvesse matéria em parte alguma, nem gravitação, um corpo em movimento se deslocaria em linha reta. Havendo matéria, o espaço circundante se deformaria e o corpo em movimento seguiria uma trajetória curva. (1)
O verbo de Asimov pode ser conjugado no presente, mas tudo era verdadeiramente espantoso:
“A súmula do pensamento einsteniano produz vertigens numa pessoa comum. Não que seja muito difícil, mas pelo que tem de estranho”. (2)
A revista Times chegou pedir a seus leitores “para não se sentirem ofendidos pelo fato de apenas doze pessoas poderem compreender a teoria do subidamente famoso doutor Einstein”. (3)
Jornais de todo o mundo noticiavam as façanhas. As pessoas comuns não entendiam direito o que se passava, qual a diferença, o que, afinal, significaria uma luz passar um pouco aqui ou ali. Mas o reverenciavam. Sabiam que ali estava um gênio.
Por muitos anos a Relatividade Geral foi considerada difícil e obscura, mesmo para cientistas, sequer cogitada pelo leigo. Uma geração inteira de físicos e matemáticos não teve clara compreensão. Pela “estranheza”, a assimilação da comunidade científica obedeceu a rito exigente e demorado:
O pensamento de Einstein sobre as grandes questões do momento foi sendo parcialmente captado, em pequenas porções, às vezes mesmo em parcas gotas. Mas o resultado foi alcançado. Einstein não é mais o pensador isolado e solitário. Suas idéias e opiniões circulam. O eremita volta de sua tebaida e espalha suas palavras entre os homens do século. (4)
A expansão do Universo
As palavras do eremita reanimaram a cosmologia. O matemático Alexander Friedmann contemplou a possibilidade de um universo instável, provavelmente em expansão. Hubble estendeu-lhe a prova, abrindo-se o caminho para a já famosa tese desenvolvida a partir de então, o Big-Bang, ao espanto do próprio Einstein:
Em 1924 o astrônomo norteamericano Edwin Hubble verificou experimentalmente a proposição de Friedmann, segundo a qual as galáxias se afastam a uma velocidade crescente e o universo encontra-se em expansão. Einstein finalmente se rendeu à evidência e qualificou sua primeira hipótese de 'o maior disparate de minha vida'. (5)
Se essas dúvidas assaltavam até o mundo de Einstein, o que poderia sobrar aos domínios mais distantes, onde brilham as estrelas jurídicas, econômicas e sociais? Assim, mesmo passado o século, não nos admiramos pelo seu total desconhecimento, ainda mais se expresso por áridas fórmulas. Bastavam os complicados e estéreis teoremas colegiais. A esmagadora maioria dos habitantes de nosso planeta desconhecem, até hoje, o significado de E=mc2, mas o mestre só simplificou:
O ganho da massa de um corpo em movimento em alta velocidade fez Einstein concluir que energia (E) e massa (m) de um corpo são equivalentes. Ele estabeleceu uma fórmula para relacioná-las - a tão conhecida E=mc2, onde c é a velocidade da luz. Dada a magnitude de c, fica evidente que uma pequena quantidade de massa equivale a uma grande quantidade de energia. Esta é a base da energia nuclear. (6)
Resta adequarmos nosso obtuso pensamento, levado por diletantes, à realidade provada, isto não só no campo da Física, mas de resto a todas disciplinas. Atè mesmo a teologia busca ardentemente seu conforto na plataforma da racionalidade.

Do carisma
Se levarmos ao campo das ciências humanas, tais parâmetros simplesmente destroem mitos cultivados por séculos, entre os quais os conceitos de força do pensamento positivo, poder da atração, personalidade e carisma. Na verdade esas manifestações são generosidades do espaço circunstancial, e jamais podem ser obtidas pela exclusiva força ou vontade do agente. O agente sempre será ele e suas circunstâncias. Se não as salva, não se salvará. Portanto, de certo modo o que lhe circunda é o mais importante. A órbita do eletron é que condiciona o núcleo.


Notas
1. Asimov, Isaac, Para Compreender a Relatividade, in Trattner, Ernest B., p.127.
2. Idem, p. 42.
3. Cit. em Pais, Abraham, Sutil é o Senhor: a ciência e a vida de Albert Einstein, p. 367.
4. Almeida, Miguel Ozorio de, Ensaios, críticas e perfis: a ação humana e social de Einstein, Moreira, Ildeu de Castro e Videira, Antonio Augusto Passos Organizadores, Einstein e o Brasil, p. 42.
5. Einstein, Albert, cit. Trattner, Ernest B., p. 103.
6. Einstein, Albert, A natureza do Universo - Teoria Quântica e Relatividade; cit. revista Isto É, julho de 1995
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