quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Da socio logia e da eco nomia


O poder excessivo do setor financeiro é o motivo pelo qual o mundo chegou à crise atual.
RUSSELL, B., O moderno Midas, 1930:2002: 69

As considerações econômicas são meramente aquelas pelas quais conciliamos e ajustamos nossos diferentes propósitos, nenhum dos quais, em última instância, é econômico (exceto os do avarento ou do homem para quem ganhar dinheiro se tornou um fim em si mesmo).
Prêmio Nobel de Economia 1998, SEN, Amartya : 328
Não viso melindrar profissionais, quem sou eu, mas ouso confrontar suas cátedras. De certo modo é do que venho me ocupando, ao longo de toda a jornada. Merece plano preponderante, porque ainda mais falsa, de mero cunho ideológico, metafísico, mas principalmente interessada apenas em si própria, a academia pela qual fui facilmente seduzido, ainda na tenra idade. Refiro-me ao protótipo da picardia platônica, o templo do direito, alvo enquadrado já na Introdução ao conceito de Justiça
Por ora, todavia, são aquelas duas vertentes, e entre elas a última, esta que anda reinando soberana pela face da Terra, encantando as ovelhinhas por flautas mágicas, e lasers celestiais, tudo precedido pelas trombetas do apocalipse. Ambas tratam o ser humano à granel, como rebanho; isto é, como objeto. E, como tal, não só pretensamente manipulável, como recomendável que assim seja conduzido. Não vão a lugar nenhum:
"Uma economia só pode crescer de maneira global se as empresas individuais que a formam crescerem. Portanto, qualquer teoria do crescimento deveria estar embasada na atividade e no comportamento das empresas individuais. " (ORMEROD, Paul, 2000: 216 )
* * *
Ao indigente e ao considerado rico só existe uma equação: se algum produzir mais do que gastar, sobrarão recursos. Eis o conceito de riqueza. A pergunta que se impõe: seria necessário estudar seis anos de colégio, mais uns quatro antes do vestibular, mais uns cinco na faculdade, e ainda mais uns quatro em pós-graduações, mestrados, e doutorados para se inteirar de tão elementar arimética?
Se quisermos efeitos diabólicos, sim, haja visto a deliberação da crise.

Na verdade, os interesses dos banqueiros têm sido
contrários aos dos industriais: a deflação que convém
aos banqueiros paralisou a indústria britânica.
Bertrand Russel.
A microimaginação da macroeconomia só sabe apelar à diabruras e metonímias. A cavada depressão serviu aos ardilosos pilares do New Deal , sustentáculos de inúmeros travestis econômicos, introdutores do Fascismo no Brasil:
"Essa perda da compreensão dos fatores que determinam tanto o valor do dinheiro como os efeitos dos eventos monetários sobre o valor de bens específicos é um dos principais danos que a avalanche keynesiana causou ao entendimento do processo econômico.
HAYEK, F. 1986: 73
A população foi conduzida ao caminho da estagflação:
As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável.
SKIDELSKY: 140
A esterelidade da economia posso resumi-la: ela trata justamente de sua razão; não da produção.
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A outra é a socio logia. É a campeã em dominar gente como gado. O próprio leitmotiv a intitula.
Seu exército nada produz, mas procura se associar. Sócia sem capital; e, pior, almeja tudo conduzir. Seu êxito provém de elementar constatação: um peixe não traça percurso previsível; mas no cardume, fica mais fácil de se antepor, e até guiá-lo, como faz o bôto. De ciência, nada contém; mas como estratégia, a muitos convém. Pelo conto de Augusto Comte o ser humano é reduzido a féria de pescador.
Do corte epistemológico:
Como disse Ortega Y Gasset, "o homem que descobre uma nova verdade científica precisou, anteriormente, despedaçar em átomos tudo o que aprendera, e chega à nova verdade com as mãos sujas de sangue do massacre de mil superficialidades."
Concordo plenamente.
Deu pra ti, Sociologia! Vá acompanhada daquela outra muleta. Ambas carecem de objeto;.
Ou então, que se apliquem aos animais e às plantas, para não verem jogado fora a
enorme quantidade de quinquilharias e artifícios embutidos em suas parcas mochilas:
A justificação da democracia, ou seja, a principal razão que nos permite defender a democracia como melhor forma de governo ou a menos ruim, está precisamente no pressuposto de que o indivíduo singular, o indivíduo como pessoa moral e racional, é o melhor juiz do seu próprio interesse.
(BOBBIO, N, Teoria Geral da Política: a Filosofia Política e as Lições dos Clássicos: 424
-
Tudo flui na obviedade: "A manutenção da organização na natureza não é - e não pode ser - realizada por uma gestão centralizada, a ordem só pode ser mantida por uma auto-organização." (BIEBRACHER, C. K.,; NICOLIS, G., SCHUSTER, R., cits. PRIGOGINE, I.: 75)
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terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bolsa de valores, brinquedo de iô-iô

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Como há um homicídio a esclarecer, é inevitável que as autoridades
policiais escarafunchem todos os aspectos da história, mas isso não
significa
que o grande público deva participar de tudo e acompanhar
'on line' cada novo
desdobramento das investigações...
Entretanto, os limites do decoro foram quebrados pela perversa
combinação de uma imprensa ávida por
sensacionalismo com
declarações irresponsáveis de autoridades policiais e judiciárias.

SCHWARTZMAN, Hélio, Editorialista da Folha de São Paulo, em 17/4/2008

O consciente jornalista se referia ao horrível crime sofrido pela menina paulista, atirada pela janela. A imprensa mobilizou toda a Nação, e com isso mostrou a pujança da sua capacidade de penetração popular, de seus assuntos permanecerem na crista da onda, nas rodas de chopp. Povo envolvido, ibope crescido, sucesso garantido. O grande predicado é desviar a atenção da massa para um rumo geralmente estéril, de finalidade inatingível. Caso alguém demonstre o "espanto" da Gravidade não se deve a nenhuma força, que não é nenhuma atração que mantém os corpos sobre a face da Terra, ou não acreditarão, ou ninguém dará bola. Tanto faz, diria o gajo. Pois alguém já demonstrou; no entanto, o que vende é a lei da atração!
A lei da atração jornalística é emocionar o leitor. Servem histórias de gente que saiu do tanque para assumir um levante. De cego que pode viver sem ver, mas não sem trabalhar.
Os autores do episódio se encontram presos, negados todos habeas corpus, ao arrepio da lei, do direito e da justiça, mas isso nem vem ao caso. A turba está contente. Contente? Com o que?
O maior golpe do mundo atinge diretamente todas as famílias brasileiras, já há mais de dez anos, e ocasiona todas as mazelas sociais e criminais desde então. Todavia, não emociona quanto aquele drama especial. Mais umas três ou quatro crianças seguiram a mesma viagem, por certo graças à propagação da primeira, mas, como àquela à Lua, já não rende mais audiência, não é mais novidade, de modo que apenas pequenos rodapés poderiam ser compatíveis com os raros anúncios comerciais que se serviriam do prato. Dessartes, fica claro e patente que não se trata de sede de justiça, mas do uso dessa ilusão para tomar dinheiro da gente, assim posta a Lamber sabão.
* * *
O poder excessivo do setor financeiro é o
motivo pelo qual o mundo chegou à crise atual.
(RUSSELL, Bertrand
, O Moderno Midas, 1930/2002: 69.)
Durante as espetaculares quedas das bolsas de valores, e o estardalhaço de todos os jornais do globo, via-se governantes absolutamente sorridentes, e banqueiros reunidos em grandes efemérides. Como são manifestações psicológicas, aventamos algumas hipótese pelas quais poderiam estar radiantes, em que pese o pânico da população ser de tal monta que as últimas semanas acusam centenas de suicídios.
A especulação é péssima para a produção; exceto à gráfica. Nunca se vendeu tanto jornal; e com ele, o astro que do palco reluz, o economista.
“Não é de causar espanto que a economia seja, com freqüência, chamada de 'triste ciência!'”
(PILZER, Paul Zane, Deus quer que você enriqueça - A teologia da economia: 35)

Desde março deste ano venho sendo taxativo, sem margem à dúvida. Sempre afirmei que esta crise era fictícia, provocada pelos bancos em regime de gangsters, ou seja, em formação de quadrilha, ou, ainda, por combinação. Fazem das bolsas brinquedos de iô-iôs. Desta feita os estabelecimentos se fizeram de mortos para ganharem sapatos novos. Só a encomenda dos sapatos já foi suficiente para os bancos reapresentarem suas fortunas abruptamente retiradas daquelas cidadelas, e as bolsas readquirirem a pujança.
As empresas, aquelas que os jornais diariamente computavam as dantescas perdas de trilhões, terão que refazer os cálculos imediatamente.
Três grandes grupos, os que comandam todo o rebanho, em um mês lucraram mais do que em vários anos reunidos. O primeiro deles é coincidentemente o mais rico, e também o mais cruel. Neste ponto dão completa razão aos marxistas. Em regime lésbico, a crueldade e a riqueza dão-se as mãos para tripudiarem milhões de pessoas. Elas corrompem os governos antes mesmo deles assumirem. Como as apostas são equânimes, por irrisórias, nem precisa ser vencedor o cavalo-do-comissário. O lucro é garantido; e maior, se for potrilho, matungo ou pangaré:
Os grandes banqueiros e industriais emergiram nessa época. Firmas de Wall Street - como Belmont, Lazard e Morgan - com apenas 15 anos de existência, ocupavam lugar de destaque na economia.
GLEISER, I.: 21
Ao placê concorrem esses governos previamente subornados, cuja classe, mercê da democracia, vem do povo; portanto, da escassez, de modo que o brilho do ouro, como a luz à maripôsa, lhes encanta, até a queda fatal. Por último os intermediários, os bobos-da-corte, que por pratos de comida não hesitam em distrair o rebanho com truques, enquanto seus mandantes saboreiam o farto banquete no salão superior.
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sábado, 11 de outubro de 2008

A deliberação da crise

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A hipótese pode ser considerada ousada; mas não desprovida
de sentido, tampouco carente de argumentos, de ligações.
Esta crise americana, ora tornada de contorno quase global,
pode ser fruto de uma articulação deliberada, maquiavélica,
como tantas!
Ao investigar algumas conexões epistemológicas,
também nos deparamos com relações deveras comprometedoras.

=
Torna-se communis opinio que quem detém o poder e deve continuamente resguardar-se de inimigos externos e internos tem o direito de mentir, mais precisamente de ‘simular’, isto é, de não fazer aparecer aquilo que existe, e de ‘dissimular’, isto é, de fazer aparecer aquilo que não existe.
BOBBIO, Norberto: 372
Bush
Tirante os "investidores de campanha", ninguém confia no gajo; nem mesmo os correligionários.
As entidades financeiras, duas maiores montadoras de automóveis, acostumadas desde berço a subornar governos alhures, e um consórcio petrolífero oriundo do Texas lhe deram cobertura à eleição por muitos considerada fraudulenta. O canadense Neil Young gravou todo um álbum, Living with War, pleiteando o impeachment. Finalmente o tempo de Bush se escoa. A despedida do cowboy (e de seu partido) é iminente.
* * *
O causador como salvador
Por isso, um príncipe cauteloso deve conceber um modo pelo qual os seus cidadãos,
sempre e em qualquer situação, percebam que ele e o Estado lhes são indispensáveis.
Só então aqueles ser-lhe-ão sempre fiéis.
MAQUIAVEL, Nicolau, O Príncipe, D' ELIA, Antônio: 15.
No dantesco episódio de 11 de setembro, de manhã cedo, já estavam à postos poderosas lentes, localizadas por vários ângulos, tvs de todos os tipos, e máquinas fotográficas, numa coincidência impressionante. Por certo foram os "acidentes aéreos" mais bem documentados de todos os tempos.* Em que pese a fugacidade do episódio, eles foram captados em seus mínimos detalhes, desde a aproximação das aeronaves. Apenas a aterrisagem no Pentágono, nas proximidades da área de pouso dos helicópteros, portanto presumivelmente escolhida a dedo, até hoje permanece mal detalhada, e nem um pouco explicada.
Por isso a importância de jornais como o New York Times, que serve
ao establishment americano, assim como o Pravda servia ao governo
da União Soviética. Ele oferece aquilo em que os donos do país, e das
grandes corporações, desejam que acreditemos.

ROSSETI, Econ. José Paschoal: 69
Logo foi apresentado o culpado, um elemento de características normais, como milhões de seres humanos, envolto por turbante e longa barba, fáceis de serem removidos, para lhe misturar na multidão. Sua fisionomia não apresentava nenhum traço de megalomaníaco, ou qualquer sinal de fanatismo, como todos que se põe na classe. Ao contrário, veio à tela um ser dotado de uma tranquilidade imprópria de criminosos, através de uma estranha emissora, cujo sinal nunca mais apareceu, e tampouco foi incomodada para confessar o paradeiro de seu astro. Todavia, ali estava o álibi para bombardear vários países, ameaçar outros tantos, saqueá-los do petróleo, e ainda por cima seqüestrar e assassinar um ditador, para que não abrisse a boca, certamente.
"Desde 2001, diversos vídeos foram apresentados aos americanos dizendo-se que eram atribuídos a Bin Laden. Acontece que muitos desacreditam que seja realmente ele." [4]
31 de Janeiro - CNN divulga fragmentos da Al-Jazeera (Outubro de 2001) com Laden:
"A batalha já se moveu para o interior da América do Norte. Continuaremos com esta luta até a vitória ou até que nos reencontremos com Deus".
Com um fervor patriótico e união nacional nunca vistos desde a
II Guerra Mundial,
os Estados Unidos vão ao contra-ataque ao terror.
Veja, 26/12/2001.
Alguém poderia acreditar que uma defesa de Deus tenha motivado o magnífico ataque?
Como essa não colava tanto assim, vieram com outra: em 27 de Dezembro a tal Al-Jazeera divulga:
"O terrorismo contra os Estados Unidos é louvável porque está destinado a responder à injustiça e a forçar os Estados Unidos a deixar de apoiar Israel, que nos mata".
Em 2004 Bin por certo estava mesmo era interessado nas eleições americanas, especialmente na reeleição.
29 de Outubro:
Osama Bin Laden acusa o presidente George W. Bush de negligência, ou seja, incita-lhe para intensificar o combate. A tanto, "ameaça" com mais atentados.
Na semana do pleito norteamericano o gaiato voltou à TV no horário político, exatamente em 2 de Novembro 2004 para "confessar" ser o mandante dos atentados, desse modo dando razão aos desmandos de Bush.
* * *
O "plano" Cohen foi a mais notável farsa, mas convenceu o povo brasileiro da justiça fascistóide de Getúlio Vargas. Igualmente não foram nazistas que torpedearam nossos navios - eles eram parceiros -
mas a catimba serviu para declararmos guerra àqueles até então venerados.
Vou direto; e cogito a crueldade: Bin Laden sequer existe!
Recém no mês findo Bush completou a trilogia da drenagem financeira em favor dos apoiadores, desta feita destinando vultosa cifra àquelas duas montadoras, sabe-se lá por quais condições.
* * *
A nuvem de fumaça das bolsas de "valores"
O homem bom também quer ser verdadeiro e crê na verdade de
todas as coisas. Não só da sociedade, mas também do mundo...
De fato, por que razão o mundo deveria enganá-lo?
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 55
Em todos os países há milhões de instituições geradoras do Produto Interno Bruto; porém, apenas um reduto desses negócios de ações. Nele operações de varejo são irrisórias, frente ao magnífico volume gerado e regulado pelos bancos. Todos eles trabalham no compasso de suas associações, em sintonia com os governos. Basta guardar seus instrumentos na caixa-forte que, não havendo oferta, qualquer preço desaba.
Os negócios são apenas promessas, jamais cumpridas, por variarem a cada segundo. Fora do reduto, e de poucos incautos, ninguém está a perder. É uma metonímia irresponsável, uma falácia dizer que as empresas sofrem perdas irreparáveis. Basta os bancos voltarem com o dinheiro que esconderam, e os preços imediatamente se reestabelecerão. O efeito que ora produzem visa apenas o estouro da boiada, para o cowboy laçar o boi que lhe apraz:
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: 'Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado'
Folha de São Paulo, 23/11/2008
Arrisco a supor: antes do fim-do-mês, pelo som da cotovia, o gado espalhado já estará reunido, para novo vibrante rodeio.
* * *
Do estopim da crise
O FBI investiga denúncias de fraude nos gigantes financeiros
Lehman Brothers, Fannie Mae e Freddie Mac,
e na seguradora AIG.
A apuração inicial foi ampliada e agora inclui 26 companhias cotadas
em Wall Street.
(
Invertia, 23/0/2008)
Apenas os dois bancos, e a entidade fictícia de seguro de crédito, posto nada segurar,
seriam fortes à bancarrota geral, daí ao tsunami mundial? Essa é dura. É de amargar.

Da História
A idéia da política como espetáculo nada tem de novo.
BOBBIO Norberto, Teoria Geral da Política: a Filosofia Política e as Lições dos Clássicos: 403
Marx propugnou pela união proletária e ela foi realizada. Pois se a classe operária podia se unir, por que razão os dirigentes não? Assim é que para se contrapor à ameaça da Internacional Socialista, com muito mais facilidade reinaria o Internacional Nacionalismo. Na justificativa de reverter o propalado declínio do Ocidente, o nazismo americano e assemelhados se instalaram em todos os países ocidentais, africanos e orientais.
"
O PSD alemão foi imitado pelos franceses, belgas e italianos. Os movimentos trabalhistas holandês, escandinavo, suíço e americano seguiram os passos do movimento alemão."
(SCHWARTZ, J., O Momento Criativo - Mito e Alienação na Ciência Moderna: 130)

Nem tanto imitado, senão que orquestrado:
O espraiar fascista - O fascismo nas Américas - Fascismo na Ásia -
O fascismo americano -
Canhões, ao ritmo de castanholas -
A introdução do fascismo no Brasil - Vargas & Sal azar -
A introdução do fascismo na Argentina
- O fascismo cubano*
0
O movimento foi rigorosamente calculado, especialmente o esteio econômico, essencial ao proselitismo sobre assalariados. À escrita, mister o quadro-negro, o plano da Depressão :
Estamos hoje no meio da maior catástrofe econômica – a maior catástrofe devida quase inteiramente a causas econômicas – do mundo moderno. Sustenta-se em Moscou a idéia de que é a crise final, culminante no capitalismo e que nossa ordem existente da sociedade não sobreviverá a ela.
KEYNES, J.M., cit. STRATHERN: 224-
Com o susto e a desgraça geral, Keynes soube aumentar seu patrimônio pessoal: de 16.315 libras, chegou a 411.238 - equivalentes a 10 milhões de libras em valores atuais - quando morreu. (STRATHERN: 35)
Estamos explicados?
* * *
Se a guinada provocara o desastre, a emergência requeria nova medida de exceção:
Aumentos rápidos da quantidade de moeda provocam inflação. Quedas acentuadas provocam recessão. Esta é uma proposição igualmente bem documentada... A grande retração de 1929-33 levou Franklin Delano Roosevelt à Casa Branca e armou o palco para o programa de compra de prata da década de 1930.
FRIEDMAN, Milton
: 242
O desvio do padrão ouro foi aceito como uma medida genial, que a todos contemplava:
Os grandes banqueiros e industriais emergiram nessa época. Firmas de Wall Street - como Belmont, Lazard e Morgan - com apenas 15 anos de existência, ocupavam lugar de destaque na economia. Os tempos modernos da legislação para as práticas de comércio começaram em 1934.
GLEISER, I.: 21
Com dinheiro à vontade, emitido ao bel prazer, e sem controle legislativo, foram instituídos os tais direitos sociais, assim aliciando e acalmando a classe operária, com o auxílio dos pelegos:
Inspirados por essas certezas keynesianas, desenvolvimentistas e social-democráticas -
já amplamente consensuais - Estados Unidos, Itália, Espanha, França e Inglaterra,
além de vários países latino-americanos, entre os quais o Brasil, apertaram o gatilho
e dispararam políticas desenvolvimentistas, trabalhistas e sociais.
MASCARENHAS, Eduardo: 130

O ardil do New Deal - A introdução de Keynes no Brasil - Perón, Keynes e a corrupção
*
Uma restrição fora colocada sobre o caráter de Keynes:
- Mr. Keynes, o senhor não acha que seu expediente, a longo prazo, ocasionará a inflação?
- A longo prazo estaremos todos mortos! disse o gay de Bloomsbury.
* * *
O ímpeto de Hitler pode ser analisado por vários aspectos. Uns dão maior importância à questão racial; outros, à ideológica. Há quem atribua como retaliação aos remotos agressores: Napoleão de fato dizimou aqueles pacatos alemães. Este foi o leitmotiv para Hegel suplicar pela reunião germânica. O rebanho e a alcatéia Muitos entendem que Hitler queria vingança pela arbitragem da I Guerra. Outros tantos, por questões de expansão territorial. Não lembro de ninguém cogitar a crueldade inflingida aos judeus por causa de suas contas bancárias. Para mim é a hipótese mais racional; por isso, mais relevante. A suposta vaidade, ou a preocupação ideológica foi apenas pano-de-fundo, cortina-de-fumaça para encobrir as reais intenções desses, e de todos os invasores: a cobiça do alheio. Hitler taxava a França, justamente de Vaca Leiteira. O Führer precisava dar lastro às emissões desmedidas do marco que alavancaram o vertiginoso progresso nazista, a fim de não repetir o descalabro recente, quando o povo alemão precisava dispor de carrinhos-de-mão para levar dinheiro à compra do pão. Igual preocupação coube a Mussolini com a lira, e a Roosevelt, com o dólar.
A II Guerra tudo sepultou. Por um lado, os despojos deram lastro ao dinheiro antecipadamente impresso; e os perdedores tiveram suas moedas totalmente alteradas, de modo que ninguém cogitou a grande falcatrua que imperou naquela década de trinta.
Mas o que convém ressaltar, e bem sublinhar, é que foram todos os governos, em conjunto com os bancos, que constituíram a exitosa combinação.
* * *
Da atualidade
As grandes nações não são jamais arruinadas pela prodigalidade e mau emprego dos capitais privados, embora, às vezes, o sejam pelos públicos. Na maior parte dos países, a totalidade ou a quase totalidade das receitas públicas é empregada na manutenção de indivíduos não produtivos [...] Toda essa gente, dado que nada produz, tem de ser mantida pelo produto do trabalho de outros homens.
SMITH, Adam,
Inquérito sobre a natureza e as causas da riqueza das nações: 599
O desvio financeiro foi medido em trilhão. Pois bem. Pode tamanha monta ser guardada embaixo de colchão? É óbvio que a cifra dorme em alguma caixa-forte, de novo. No entanto, retorna o grande álibi para os governos emitirem à vontade, distribuindo dinheiro como querem, num reboliço jamais visto, porém ingenuamente consentido, mercê do pânico previamente provocado, elemento que torna tudo irracional, portanto normal!
E não se diga que esta verba se encontra espalhada na sociedade, porque se por ventura assim fosse, seria o melhor meio de evitar qualquer recessão: o dinheiro em circulação!
Na queda do muro desapareceu o maior inimigo fascista. Seja na Rússia, na Itália, na Espanha, na França, na América Latina de ponta a ponta, para não falar no exemplo maior, tudo se encontra dominado por caricaturas democráticas, cujo maior disfarce são as eleições, e provavelmente nenhuma honesta.
* * *
Do Brasil
A democracia fala de um governo comandado pelo povo e sujeito às suas leis; na realidade, entretanto, os regimes democráticos são dominados por elites que planejam maneiras de moldar e dobrar a lei a seu favor... Esse objetivo pressupõe controle, direto ou indireto, conforme as circunstâncias, dos recursos econômicos do país.
PIPES, R., 2001: 251
A profundidade e gravidade da crise tornaram indispensável a intervenção
do Estado em larga escala, como no caso dos Estados Unidos, no Reino Unido
e em vários outros países desenvolvidos.
Guido Mantega, Ministro da Fazenda do Brasil; Estadão, 11/10/2008
O golpe é muito assemelhado com o logrado no Brasil, de 1995: os banqueiros limparam as contas de seus correntistas, e jogaram a culpa na variação cambial proporcionada pela moeda lastreada!
As relações entre banqueiros e políticos beira à promiscuidade, e confusão.(O fim do Duce, mas não do fascismo) Assim como os meios de comunicação, especialmente as rádios são concessões do Estado, e por isso podem ser endereçada às mãos dos políticos, que dominam a maioria das freqüências, muitos bancos nasceram pelos mesmos pais. Magalhães Pinto foi Governador de Minas, depois dono do banco Nacional, que por sua vez ainda recebeu a participação de um filho de FHC. Ângelo Calmon de Sá, do Econômico, era Ministro da ditadura militar. E por aí vai. Se fizer uma pesquisa mais apurada, por certo teremos um grande afluência. Por isso nem é tão difícil descaradamente os bancos descumprirem a constituição, e jamais serem punidos por isso; ao contrário, A subversão do Direito ensejou que ela fosse dobrada para atendê-los, e desse modo os "financistas" podem, de modo oficial e legal, cobrarem os juros mais caros do planeta.
Não obstante, o PROER, o maior golpe do mundo* ensejou que trinta por cento do dinheiro nacional fosse drenado para cobrir o grande saque simultâneo efetuado nas contas dos correntistas dos bancos do Brasil (oito bilhões) Nacional (oito bilhões) Econômico (oito bilhões) Bamerindus (quatro bilhões) Banestado (três bilhões) Banespa (três vilhões) Banerj (três bilhões) Banrisul (dois bilhões) Noroeste (1,5 bilhão) e mais alguns de menor expressão. Coincidentemente, os bancos oficiais eram geridos por integrantes da grei político-partidária que dominava a Nação.
Os patrimônios privados foram dilapidados em prol de estrangeiros. Hoje temos muitos executivos daquele Banco Central à testa desses intermediários. O contrário também ocorre, sendo o exemplo mais fulgurante o atual presidente do Banco Central, um elemento que até então servia os interesses de um banco americano, jamais tendo exercido alguma função pública. Ora se tem filiado, e desse modo o sistema financeiro permanece comandado por seu partido, malgrado o rechaço das urnas. Evidentemente trata-se de um acordo suprapartidário, em prol de todos partidários.
O poder excessivo do setor financeiro é o motivo
pelo qual o mundo chegou à crise atual.
(RUSSELL, Bertrand
, O Moderno Midas, 1930/2002: 69)
Se existe um segmento descompromissado com a sociedade e acima de qualquer lei, não há dúvidas que ninguém tira o galardão dos bancos.
O proprietário de imóvel no valor de cem mil reais poderá alugá-lo, se encontrar um pretendente, por cerca de mil reais por mês. Os bancos "alugam" o mesmo valor por quinze vezes mais. Pode haver uma maior discrepância?
Abrem a hora que querem; e fecham quando querem. Embora o dinheiro seja essencial à comunidade, nenhum trabalha em sábado e domingo. Difamam inadimplentes, ao arrepio das leis penais. Seus carros tem preferência nas ruas, e seus agentes podem estar armados até os dentes. É o único estabelecimento da praça no qual para nele ingressar é procedida completa revista no cidadão, todos a priori suspeitos, como se aqueles meros papeluchos fossem mais importantes do que jóias, e até do que a própria comida. No entanto, são os próprios que mantém sucursais em paraísos fiscais, e geralmente no Caribe, célebre pela concentração dos antigos piratas, ora infestado de contas originadas em corrupção, especialmente da América Latina.
Na automação diminuíram o pessoal, e destinaram ao varejo das casas lotéricas o atendimento de menor rentabilidade. De tão relapsos, os municípios se obrigam a instituírem "leis" ao atendimento bancário, vê se pode! E o pior, algum respeita? Cobram para "administrar" o dinheiro a eles confiados, e também para dar informações. Utilizam os dados confidenciais da Receita Federal, e até o próprio número que identifica os contribuintes. Leis e processos de execução são alterados para atendê-los. Tudo isso é possível graças à promiscuidade reinante**, que se evidencia especialmente nas contribuições de campanha, cujo maior flagrante foi lavrado na famosa pasta-cor-de-rosa, na eleição de FHC. Por coincidência, mas não por acaso, entre aqueles "investidores" figuravam todos os bancos que "quebrariam" um ano depois.
___________
*A TV incrementou o sucesso com Jack Bauer, o agente antiterrorismo vivido por Kiefer Sutherland na série 24 Horas. O programa, que estreou no ano do 11 de Setembro ganhou sua maior consagração no Emmy, o Oscar da TV nos Estados Unidos. Em nome da urgência do combate ao terror, Bauer passava por cima dos manuais de conduta e adotava uma ética própria ao quadro da guerra ao terror: não hesitava em torturar suspeitos e volta e meia aparecia em conchavos com o presidente.
O episódio mudou o foco da inspiração de vários outros grandes autores de língua inglesa, como o britânico Ian McEwan, cujo Sábado se passa em um dia de protestos contra a Guerra do Iraque em Londres, e o americano Philip Roth, que em Complô contra a América cria uma história alternativa dos Estados Unidos, sombreada pela ameaça do governo Bush e de seu Patriot Act à liberdade individual.
**
BRASÍLIA - "O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, criticou nesta terça-feira, 28, as medidas do governo para dar liquidez ao mercado, afirmando que elas estão 'ajudando a dar sangue ao vampiro". Ao chegar para o 3º Encontro Nacional da Indústria (ENAI), ele fez críticas à posição dos bancos no Brasil que estão, segundo ele, ajudando a piorar a situação econômica'."
(Estadão, 28/10/2008)
Na mosca!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Preso Marcos Valério

=
A personalidade de maior evidência da política brasileira finalmente foi detido.
Terá muito o que explicar. Quem lhe trouxe ao palco?
Como foi o modus operandi que alterou a constituição, em prol da reeleição?
Estas são as questões prioritárias. De resto, quanto ao mensalão, todo mundo
já sabe como, e quais foram os beneficiados. Segundo a "Veja" de julho/2005,
Marcos Valério exigira R$ 200 milhões do PT, cifra que seria obtida com o fim da
liquidação do banco Econômico, cujos interesses já defendera em contatos
com o governo de FHC. Ultimamente o pilantra atuava junto à Receita Federal,
coletando os nomes inadimplentes, para oferecer seus serviços de arquivamentos.
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Breves considerações sobre Anarquia

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Uma colméia é a perfeita imagem de uma ‘anarquia cósmica’, isto é, uma perfeita ordem e harmonia sem nenhum governo externo; o sem governo (anarquia) se refere a um fator extrínseco, mas o governo (autarquia) está dentro de cada abelha. É a consciência apiária que governa e, por isto, não há necessidade de uma organização externa. ROHDEN, H.: 81
A implantação de um sistema social anárquico, isto é, desprovido de hierarquias, de um ordenamento valorativo, sempre seduziu brilhantes mentes. Não foram, não são, e por certo nunca serão poucos os que se apaixonam pelo tema. Tal anseio encontra respaldo no próprio caráter do ser humano, um animal que por inteligente, pode elaborar suas próprias conjecturas, e por isso não lhe conforta que outra cabeça o comande, nem mesmo alguma semelhante. Concordo. Porém, infelizmente ou não, ocorrem diversos poréns. Faremos uma pequena digressão, antes de tentar demonstrar sua inconveniência científica, e a inviabilidade, não só lastreada na experiência, mas na própria natureza, e na ciência que nos faz compreendê-la.
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O primeiro marcante movimento que quebrou o elo hierárquico, até então calcado na força bruta, foi o cristianismo. O Império Romano já não tinha sustentação, nem pela força, nem pela riqueza, nem pela imensidão que pode amealhar. Roma veio com o cristianismo, manteve e até ampliou espetacularmente o seu alcance, em vigor até hoje!
O condão do amor quebrou a simetria imperialista, mas compôs outra em seu lugar, dando destaque ao maior de todos os ícones.
Anarquia mesmo se sucedeu na famosa Revolução Francesa. O resultado recaiu na segunda e mais dantesca ditadura já presenciada pelo mundo, de tal intensidade que posso estabelecer suas marolas até a Segunda Guerra Mundial.
Antes dela, a Inglaterra de certo modo promoveu a sua quebra hierárquica, porém mais civilizada. Era para inglês ver. Os ingleses se impuseram pelo mundo, sob o crivo de seus reis; portanto, da ordem hierárquica.
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Marx constatou que o mal provinha do dinheiro, e das nações que o instituíram. Indicou o remédio radical: fim das nações, e com ela o fim dos patrões; junto, os fins do comércio e do leito pelo qual transcorria, o dinheiro. Apenas pelo fato de apontar o inédito norte, já se vê que Marx merecia status especial; portanto, hierarquicamente superior, fato que se confirmou na ascendência da Nomenklatura. Não há necessidade de maiores delongas.
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A democracia supôs que o poder sendo do povo, e por ele exercido, trouxesse a igualdade, e portanto, a anarquia, se a entendermos como todos serem indistintos, pelo menos perante a lei, ou na hora do voto. Todavia, não há regime mais hierárquico do que este, que exige que o povo escolha por quem quer ser governado, visto que ela é exercida por representantes. Portanto, mercê da força popular, a hierarquia fica fortalecida, solidificada de tal modo que as gentes nem podem mais voltar atrás, depois da besteira de escolhê-los.
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A ordem hierárquica mais natural, naturalmente provém da numerologia. Ela considera o distintivo matemático: a maioria sobrepuja a minoria, que dirá a individualidade. Quem possui a soma de capital, acompanha-lhe  poder real:  "O poder excessivo do setor financeiro é o motivo pelo qual o mundo chegou à crise atual." (RUSSELL, Bertrand, O Moderno Midas, 1930/2002: 69)
O caos e a anarquia conduzem à ordem; por isso são efêmeros, e de certo modo irreais. A impositura, ou, pior, a impostura conduz à revolta, e dela sobrevém a anarquia, e isso se faz real. Ironicamente, a inaptidão do governo, no brinquedo dos Escravos de Jó, proporciona o maior estouro da boiada já visto pelas últimas gerações.
Como é possível, em face da ampla centralização do poder político e econômico, evitar que a burocracia se torne todo-poderosa e arrogante? Como proteger os direitos do indivíduo e, com isso, assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia? EINSTEIN, A., Escritos da maturidade: artigos sobre ciência, educação, religião, relações sociais, racismo, ciências sociais: 137
Eis o desafio jamais atacado; portanto, nunca solucionado.
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A nossa própria natureza, ao cruzar o EspaçoTempo, oferece uma ordem hierárquica. Embora desprovido de quantificação, de valoração, de ideologia, ou de metafísica: o presente sobrepuja o pretérito, e faz-se ponte ao futuro. Eis uma ordem difícil de se eliminar.
Para tentar identificar o ritmo do BioRitmo há quem prefira reverenciar o passado, algum momento preponderante, não discuto aqui esta certeza, mas constato a disposição hierárquica que a postura dispõe. Por outro lado, existe quem passe a vida plantando, como demagogicamente se referiu o vigarista Guevara, mas neste caso, igualmente, ao relegar ao futuro a possibilidade da plena felicidade, o falso comunista automaticamente escolhe a prioridade; e, como tal, a ordem hierárquica.
Não obstante, em que pese a natureza evoluir de modo aparentemente caótico, há uma espécie de ética que permeia a simbiose entre o espaço e o corpo, o decurso do tempo e a trajetória sideral, de modo que as diferenças, sejam quais forem, se adequam de modo hierárquico.
E a luz das estrelas, ao tangenciar um corpo astrofísico, procede um contorno devido ao efeito gravitacional, de maneira que obedece a imposição do presente.
A diferença fundamental, que deve ser a razão primeira da propositura anárquica, em vez das disposições hierárquicas, muitas vezes confundidas com aristocráticas, ou elitistas, é que a ordem natural não requer nenhuma força; mas a ordem política, social, jurídica e a econômica que nos são impostas, somente podem ser introjetadas, aceitas e praticadas a manu militaire.
Desse modo, não é propriamente pela anarquia que propugnam seus maiores ventiladores, senão que pela ausência de comando, que é quase o mesmo, mas não é o mesmo, e o resultado também é divergente.
Enquanto a ordem hierárquica político-social é garantida pela baioneta ou pelo direito, a ordem sócio-natural provém da opção do agente, tendo em vista a interação:
"Onde quer que vejamos vida, de bactérias a ecossistemas de grande escala, observamos redes com componentes que interagem uns com os outros de maneira tal que toda a rede regula e organiza a si mesma." (CAPRA, F. 1996: 176)
"A superioridade dos sistemas auto-organizadores é ilustrada pelos sistemas biológicos, em que produtos complexos são formados com uma precisão, uma eficiência, uma velocidade sem iguais." (BIEBBRACHER, C., NICOLIS, G. e SCHUSTER; Self Organizations in the Physico-Chemical and Life Sciences; Relatório EUR 16546, European Commission, 1995; cit. PRIGOGINE, I.: 75)
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Seria possível a civilização produzir essa ordem hierárquica natural, assim se adequando à evolução universal?
A resposta é positiva. Muitas civilizações tangenciaram a hipótese, com inegáveis vantagens.
O elemento que mais danificou as relações emergiu com rótulo de defensor. A partir de então, o homem se tornou não lobo do homem, mas escravo do homem que detém o poder.
Antigamente o poder vinha pelas armas. Ora o poder se evidencia pelo dinheiro. Em nosso tempo, parece flagrante que ele será desbancado pelo conhecimento. Cabe a China desferir o tiro de misericórdia àquele agonizante mito pelo qual tantos sinos ainda se dobram.
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A manhã primaveril emerge fascinante. Desculpe o devaneio, se assim entender.
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quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Capitalismo sem capital




O novo Individualismo – a serviço do qual, quer queira, quer não, está o socialismo – será a harmonia perfeita. Será o que o Grego buscou, mas não pôde alcançar completamente, a não ser no plano das Idéias, porque tinham escravos, e os alimentava; será o que a Renascença buscou, mas não pôde alcançar completamente, a não ser no plano da Arte, porque tinham escravos e os entregavam à fome. Será completo e, por meio dele, cada homem atingirá a perfeição. O novo Individualismo é o novo Helenismo. WILDE, O.  86
O tronco gerou capitão, capitulação, decapitação, e vários derivativos, entre os quais a cidade capital e o próprio capitalismo, oriente às relações sociais e produtivas. Fala-se em capital humano, social, intelectual, etc. Todos denotam o elemento mais importante do corpo, do Estado, ou do que se entende por riqueza. Tudo que é capital é único.
Tributa-se para Marx a primazia, a cunhagem do termo à produção, à forma de governo, à ideologia política. Na época o ouro se fazia capital. E o resto, periférico. A convenção levou a humanidade ao descalabro de esquecer a própria comida, para ir atrás do raro metal.
Por levado na prancha dialética, Marx se impressionou especialmente com três autores considerados cientistas, e nem eram assim, tão exatos, embora a pretensão: Malthus, David Ricardo, e Darwin.
Ricardo asseverou que suas propostas se restringiam às limitações da grande ilha, mas o alerta, por mínimo, nem foi considerado. Malthus assegurou que os alimentos cresceriam em proporção aritmética, enquanto a população se multiplicaria de modo geométrico. Tal discrepância levaria a um colapso, a uma guerra de todos contra todos, pelo prato de comida. Se a arena fosse comum, e a força dos contendores equilibrada, talvez Marx achasse justo, e tão natural como a própria morte, que ninguém pode evitar. Hegel, contudo, propugnava a dialética como método de superação de qualquer obstáculo. As atochadas de Darwin lhe confirmavam, mas a sentença do turista do Beagle era absoluta, em nada dúbia: os mais fortes sobreviveriam; os fracos os alimentariam. Esta derradeira constatação escandalizou o barbudo. Se os alimentos cresceriam em proporção aritmética, o ouro nem isso, posto não ser nem mesmo suscetível de multiplicação, fatalmente uma pequena grei dele se apossaria, tornando a todos reféns. Breve intróito sobre Engels & Marx Ora vemos o insólito:
Eu pedi ao Papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois, se todo o domingo o papa der um conselhozinho, quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema. SILVA, L. da, Presidente do Brasil, Estadão, 13/11/2008
Um grupo de bancos italianos apresentou uma solução criativa para um problema antigo: como dar empréstimos para pessoas que não têm bens valiosos para oferecer como garantia. Eles agora aceitam queijos como garantia. Alguns bancos estão aceitando queijos parmesão em troca dos empréstimos e já têm estocados milhares de quilos do valorizado produto. Se os devedores não pagam o empréstimo, os bancos vendem o queijo. (BBC, 14/8/2009)
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Durante a segunda metade do século XIX, a economia sofreu uma influência muito grande do avanço das ciências exatas. Invejosos de seu sucesso e prestígio e cônscios do poder das matemáticas e de sua importância para seu próprio progresso, os economistas voltaram sua análise para essa direção. ORMEROD, Paul, 1996: 50
Keynes efetuou um corte epistemológico, e tornou o ouro apenas um integrante do capital, sem exclusividade. A tacada desmanchou as teorias malthusianas e darwineanas da miséria do Capital marxista. A partir do Lord de Cambridge, todas as ações humanas, passadas, presentes e até futuras poderiam formar o ícone pelo qual toda a humanidade poderia gravitar.
Diferentemente do ouro, contudo, a parafernália não poderia integrar as relações de comércio, tampouco serem avaliadas, valorizadas, ou calibradas, se não houvesse sua representação, e alguém que a monitorasse.
Em que pese a moeda ser por demais conhecida, desde remotos tempos, foi a partir desta década de 1930 que ela assumiu propriamente a importância capital. O dinheiro passou a concentrar todas formas de capitais, e o mundo passou a gravitar por sua representação. Eis o capitalismo alavancado sem capital, ou seja, através de mera gravura.
O poder excessivo do setor financeiro é o
motivo pelo qual o mundo chegou à crise atual.

(RUSSELL, Bertrand
, O Moderno Midas, 1930/2002: 69.)
A sonante tomou importância capital, e, de novo, faz-se no único diapasão pelo qual a humanidade toca a grande sinfonia. Por ser representante, portanto mera ficção, todavia, ele pode ser elástico, e se multiplicar de modo ultrageométrico. Por um lado ele liquida com a restrição marxista; por outro, oferece a melhor oportunidade às metonímias. O ardil do New Deal e os governos fascistóides prevaleceram por essa facilidade. Além do crescente flagelo tributário inflingido à produçâo, todos os sistemas sociais e trabalhistas, proselitistas, eleitoreiros e demagógicos alastraram a corrupção. (Perón, Keynes e a corrupção) E, na sugestão do patrono, todos obtiveram suas catapultas através de fraudes monetaristas. (A introdução de Keynes no Brasil)
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Em menos de século, a civilização é posta em cheque, novamente. Ora se decreta, pela terceira vez, a morte do liberalismo. Desta feita, contudo, o mundo está embretado, sem escolha. O marxismo era um artifício retórico, e o fascismo, fantasia de mentecaptos. Se o liberalismo não serve, que elucubração solucionará?
Um misto dos três? Uma química de dois? Uma equação qualquer, desprovida de proporções?
Que diabos de sistema poderíamos inventar?
Dos três, dois podemos dispensar. Foquemos as funestas experiências. Por elas o político e o econômico se entrelaçam. Tanto esquerda quanto direita veneram o capital. No marxismo, o capital político é meio dividido, mas o econômico se concentra no estado. No fascismo e na democracia, também:
A democracia fala de um governo comandado pelo povo e sujeito às suas leis; na realidade, entretanto, os regimes democráticos são dominados por elites que planejam maneiras de moldar e dobrar a lei a seu favor... Esse objetivo pressupõe controle, direto ou indireto, conforme as circunstâncias, dos recursos econômicos do país.
(PIPES, R., 2001: 251)
"Nem o socialismo nem o Estado do bem-estar social apontam para uma estrada que possa ser percorrida para se construir um futuro coletivo melhor, que incluirá os excluídos." (Thurow: 327) O oportunismo do utilitarismo -
Seja qual for o sistema político, cabe ao Estado, isto é, a plêiade que o detém, a prerrogativa de controlar e distribuir a moeda. Dinheiro x Democracia 3 - o comando financeiro Eis a fulgurante razão que a tudo subverte.
As corporações centralizadas e autoritárias têm fracassado pela mesma razão que levou ao fracasso os estados centralizados e autoritários: elas não conseguem lidar com os requisitos informacionais do mundo cada vez mais complexo que habitam. FUKUYAMA, F., 2002: 205

O que sobra? Algo além da esquerda e da direita.
Jamais o liberalismo foi praticado em algum lugar do mundo; que dirá o neoliberalismo.
Obviamente não se pode decretar a morte de quem sequer nasceu. Nem de modo prematuro.
O sistema liberal tem como maior apelo, e eficácia, e o considero científico, por uma única razão: ele flui pela desconcentração do poder. Naturalmente os intervencionistas não podem concordar. Eles rechaçam o Estado-Mínimo. Todavia, jamais, em algum canto, o Estado foi reduzido a esta envergadura. É o gigante, o Leviathan que tudo controla, da U.R.S.S. ao nazismo; da democracia francesa à corinthiana; do federalismo suíço ao americano:
O poder nos EUA foi mais concentrado do que se costuma imaginar. Quem controlava o Pentágono, a Cia, o Departamento de Estado, o Tesouro e o homem que coordena estes órgãos na Casa Branca, controlava tudo, e tudo isso o sistema controlava.
GALBRAITH, 1989: 197
Dado o advento dos magníficos meios de comunicação, e dos computadores, hoje "usufruímos" ainda maior controle do que ontem! O insaciável Leviathan participa de todas as atividades, em perene atualidade de Thomas Hobbes, seja pelo recolhimento de impostos, seja pela ditadura de regras, mas, principalmente, por concentrar toda a riqueza da Nação, representada pelo dinheiro. A colheita é irracional:
"Limitar o real apenas ao quantificável não é científico, é cientístico - uma perversão da ciência."
(HUSTON, Smith, cit. LEMKOW, Anna: 5
)
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Seria possível, e apropriado a implantação de um preciso regime liberal? Seria conveniente? Qual fórmula o atenderia, não só no campo político, ou eleitoral, mas essencialmente no econômico, núcleo jamais violentado? Seria viavel? E omo se revestiria em benefício comum, e não em mais uma armadilha à satisfação dos predadores? Poderia o liberalismo ensejar a chave à raposa entrar no galinheiro, como apregoava Leonel Brizola? E caso fosse radical, como ora propugno, não estaríamos na borderline da anarquia?
Em primeiro lugar, as galinhas não precisam estar confinadas. É justamente esta característica que atrai a raposa. Se soltas, e alguma for pego em distração, milhares terão escapulido. Caso reunidas no galinheiro, fatalmente nenhuma escapará.
Em segundo lugar, o Universo se expande de forma caótica; porém, curiosamente, é onde se vê menor anarquia. Há uma espécie de ética entre o espaço e os corpos, de modo que tudo se preserva intacto, e estável, em que pese em expansão. Ocorre, todavia e apenas, o vêzo:
Todos sabem que a física newtoniana foi destronada no século XX
pela mecânica quântica e pela relatividade. Mas os traços fundamentais
da lei de Newton sobrevivem, seu determinismo e sua simetria temporal
sobreviveram.
PRIGOGINE, I.,: 19
Se a Física pautou todas as ciências, a ponto de levar a humanidade ao desequilíbrio ecológico, legal, econômico, social e tudo o mais, porque logo agora, passado século de sua emenda, insistimos com as fórmulas daqueles nossos tataravós?
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A difusão de poder, nas esferas política e econômica, em lugar da sua concentração nas mãos de agentes governamentais e capitães de indústria, reduziria enormemente as oportunidades para adquirir-se o hábito do comando, de onde tende a originar-se o desejo de exercer a tirania. RUSSELL, Bertrand, Ideais Políticos: 24
Utópico? Exagero? Nem tanto. Quem diria que os reis divinos rumariam aos céus? Alguém ousaria predizer a dobra da Coroa perante os cidadãos ingleses? Como supor que um exuberante Duce morreria feito carneiro à gaúcha? Quem vaticinaria a queda da fortaleza soviética, ainda mais por absoluta inanição? Por fim, qual Minerva poderia antecipar o descalabro que ora presenciamos, um fenômeno suicida, porque desprovido de adversários?
A difusão dos poderes, especialmente a capacidade de criar e gerir a moeda, será contingência de um longo processo, em evolução contínua; porém, como para qualquer jornada, o primeiro passo é facilmente realizável. Aliás, em tal picada já coexistem vários trilhos:
"A superioridade dos sistemas auto-organizadores é ilustrada pelos sistemas biológicos, em que produtos complexos são formados com uma precisão, uma eficiência, uma velocidade sem iguais." (BIEBBRACHER, C., NICOLIS, G. e SCHUSTER; Self Organizations in the Physico-Chemical and Life Sciences; Relatório EUR 16546, European Commission, 1995; cit. PRIGOGINE, I.: 75)
O físico Rohden (p. 81) explicita:
Uma colméia é a perfeita imagem de uma ‘anarquia cósmica’, isto é, uma perfeita ordem e harmonia sem nenhum governo externo; o sem governo (anarquia) se refere a um fator extrínseco, mas o governo (autarquia) está dentro de cada abelha. É a consciência apiária que governa e, por isto, não há necessidade de uma organização externa.
Bruno Latour (Das Sociedades Animais às Sociedades Humanas; cit. Witkowski: 207) apresenta sua contribuição:
Depois do livro do americano Edward O. Wilson, Sociobiology e dos ensaios do inglês Richard Dawkins, os geneticistas das populações, assim como os especialistas em insetos sociais, procuraram compreender a organização social a partir dos interesses individuais. Não existe o formigueiro; só existem as formigas. Não existe a espécie; só existe o indivíduo. Falar de um sacrifício pelo grupo é, portanto, uma impossibilidade - pelo menos se estudarmos a evolução darwiniana dos caracteres sociais. Era preciso repensar a sociedade animal como a resultante do cálculo dos indivíduos e não mais como um vasto sistema dentro do qual os animais nascem e morrem. Esta revolução entre os animais assemelha-se às revoluções que as ciências políticas conheceram duzentos anos antes.
No livro Bionomics, Michael Rothschild propõe direto:
"A principal diferença entre a economia e um ecossistema é que a economia evolui mais rapidamente do que o ecossistema, mas suas propriedades fundamentais seriam similares." (Gleiser, I.: 77).
Ambos são desprovidos de direção central, de plano; por isso podem se desenvolver de modo espontâneo, apregoado no século XVIII, por Adam Smith, já mencionamos; e no primeiro quarto do século XX, por Hayek, Fridman, Schumpeter, e de resto pelas Escolas de Chicago e da Áustria. Nada de novo; infelizmente, tampouco experimentado.
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Continue em

Da divisão do capital


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Lembrança de especial aniversariante

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A nuvem de fumaça das bolsas de valores

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O que Tio Sam tirará da cartola?


O espetáculo pirotécnico cataliza todas as atenções. Jornais dão corpo ao tobogã, como se determinante não só dos meios produtivos, como da própria civilização. Dizem-se isentos, porque apenas propagadores, retransmissores, não criadores. Não é bem verdade. Muitos tem débitos fiscais; alguns faturam muito com comerciais de empresas públicas. Todos têm muito interesse. A verdade é rara. A fé não pode ser cega. O bilhete pode ser furado. (O rebanho e a alcatéia).O fato, ou sua razão, nunca vem à tona; exceto quando convém.
Por isso a importância de jornais como o New York Times, que serve ao
establishment
americano, assim como o Pravda servia ao governo da União Soviética. Ele oferece aquilo em que os donos do país, e das grandes corporações, desejam que acreditemos.
ROSSETI, Econ. José Paschoal: 69
Por ora, convém distrair o povo, e vender jornais. Nada melhor que estimular a sensação. O decisivo, entretanto, ocorre nos bastidores, na manipulação da maquinaria, na formulação dos bretes. As redações estão repletas de economistas, gente capacitada a avaliar e analisar todos os movimentos. Os meios, contudo, propõem falso dilema, e apresentam opiniões divergentes, "para o cidadão poder julgar a que melhor lhe parece". Keynesianos tem obtido maior destaque, mas os socialistas reclamam da divisão dos prejuízos. Estes estão mais perto da verdade, mas nem isto é possível. Além do montante furtado, a cifra oficial precipitará o infortúnio em escala geométrica, na desvalorização de todos os bens e trabalho das gentes.
O filósofo Noah Chomsky diz que o capitalismo erra ao não calcular os custos de quem não participa das transações financeiras, e por isso entrou em crise. Para Peter Jay, um dos diretores do Bank of England, houve excesso de confiança de investidores no capitalismo e, de agora em diante, não haverá mais tanto otimismo com o sistema. Já Patrick Minford, assessor do governo britânico nos anos 80, acredita que apenas alguns ajustes são necessários na regulação do sistema financeiro para que o capitalismo volte a se fortalecer. Jon Danielsson, economista da London School of Economics, alerta que é preciso evitar que esta crise leve a um excesso de regulamentos. Como vemos, nenhum cogita a procedência do band-aid.
A teoria econômica veio a ser uma ampla empresa de terrorismo intelectual, cujo aspecto pseudo-científico serve, na realidade, de coerção para excluir todos os verdadeiros problemas da sociedade contemporânea. Seu exagerado profissionalismo, herdado de sua mitologia científica, e todo o aparato matemático que a rodeia, servem para mascarar seu objetivo ideológico, que transforma sua disciplina numa máquina para estabelecer as leis das relações de força que existem na sociedade, numa civilização materialista e produtivista, orientada totalmente para a acumulação de bens materiais. Seu dinamismo serve, na realidade, para legitimar a posse do poder em mãos daqueles que dominam o aparato produtivo...ATTALI, Jacques e GUILLAUME, Marc, cits. GOYTISOLO, J.V.:44 
Ouso afirmar: nada disso que se apresenta se constitui capitalismo, exceto se admitirmos o fascismo como ícone capitalista. O que se vê é uma espúria associação entre alguns patrocinadores de campanha, e o cavalo apostado, por fim eleito, aliança que turva o Estado de Direito, as liberdades democráticas, a ética, mas fundamentalmente as disposições penais. O quadro não é de ideologia, mas de polícia!

Não possuo, com de resto poucos terão, os dados exatos desta irresponsável aventura; porém, não é assim tão necessário medir os metros cúbicos da montanha para sabermos que sobrepuja uma gávea.
A bolsa de valores não tem o menor efeito sobre qualquer economia, senão como agente de terror, ou indução a irracional otimismo. Para se ter uma idéia da proporção, o mercado produtivo do Brasil gira aproximadamente 100 bilhões de reais por dia, valores aquilatados a partir da base monetária, sem contar estipulações creditícias, para pagamentos no futuro. A bolsa de valores de São Paulo jamais passou de de um dígito percentual, daquele volume. Atualmente envolve cerca de 4 bilhões ao dia. Os maiores operadores do salão são os bancos, os que detém os 100 bilhões diariamente. É trivial concluir que são estes que fazem o espetáculo, não os cidadãos, nem as poupanças particulares, e tampouco os recursos oriundos diretamente da produçáo. Portanto, a bolsa de valores nada tem a ver nem com a produção, nem com o capitalismo, assim como o jogo do bicho, e os cassinos também não.

A tecnocracia assume uma posição semelhante a do árbitro inteiramente neutro numa disputa atlética. O árbitro é normalmente a figura menos ostensiva entre os participantes do espetáculo. Por que? Porque concentramos a atenção e a lealdade apaixonada nas equipes, que competem dentro de certas regras; inclinamo-nos a ignorar o homem que se coloca acima da disputa e que simplesmente interpreta e faz cumprir as regras. Entretanto, num certo sentido, o árbitro é a figura mais importante do jogo, uma vez que somente ele fixa os limites e as metas da competição e julga os contendores. ROSZAK, T.: 24
Se nenhum governo se ativesse, se não houvesse nenhuma intervenção oficial nas anomalias, por artificiais elas se dispersariam. Nenhum dinheiro, ainda mais quase um trilhão de dólares, some assim, nem passando pelo Triângulo das Bermudas. Eles estão guardados. Foram para o banco, digo para o banco de reservas a fim de que o governo tenha justificativa de lancar mão de outro valor correspondente, assim preenchendo o estupendo vácuo.
No mês seguinte, há o reconhecimento:

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: 'Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado'Folha de São Paulo, 23/11/2008
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Depois de muitas discussões, decreta-se o fim do neoliberalismo, a falência do livre mercado. De fato, ninguém pode ser mesmo livre. Temos que estar todos trancafiados, por trás das grades, senão somos assaltados. Então lá vem o magnífico Leviathan, o
causador como salvador. Sabemos que o herói nada produz, apenas sobrevive do trabalho de todos. Não cria coelho, mas o saca da cartola. Donde vem tão gracioso animal?
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Aprecie:
O cassino das bolsas
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À distração:
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