quinta-feira, 19 de junho de 2008

O beco da estagflação



Define-se como situação de recessão, ou seja, diminuição das actividades econômicas e aumento dos índices de desemprego, além da inflação. A palavra tem origem durante a crise económica que assolou o mundo durante a década de 1970, de um lado por superaquecimento das economias dos 'países desenvolvidos', a partir da excessiva expansão de procura agregada, o que levou a pressões inflacionistas; do outro, pela redução da oferta agregada, a partir das restrições impostas pelos países produtores de petróleo, perdas de safras e redução das actividades em sectores que dependem do petróleo como matéria-prima, ou simplesmente como complemento, levando ao desemprego."(wikipédia)
Vejamos outro exemplo de vagueza e ambiguidade:

Estagflação é um termo criado nos anos 70 para definir uma situação em que se verifica a coexistência de elevado desemprego de factores (estagnação) e de elevadas taxas de inflação. A explicação para uma situação deste tipo encontra-se no facto do processo inflacionário ser caracterizado por alguma inércia, ou seja, a partir do momento em que é despoletado o processo inflacionário verifica-se uma resistência para que este termine.
INÚMEROS SITES conceituam estagflação mais ou menos dessa forma. No caso da Wiki, a vagueza terminológica de "procura agregada" e "oferta agregada" pouco elucida. De fato a estagflação pode levar ao desemprego, mas apenas nisto concordamos.
O adicional do preço do petróleo foi um álibi, apenas, para livrar a responsabilidade do timoneiro. Não contém aquele produto, como nenhum outro específico, a capacidade de inviabilizar o processo econômico, posto este ser infinitamente mais amplo.
O mesmo vale para a propalada crise imobiliária americana*, e até à anunciada crise de alimentos. Ainda que reunidos, e importantes, não passam de três vetores, apenas, em centenas. Os anúncios visam apenas encobrir outros interesses, não refletindo a realidade, ou pelo menos a expondo de modo parcial. Por fim, admitindo a prevalência, esses fenômenos tem causa. Não nascem de modo espontâneo. O vírus que desencadeia o aumento de preços e refreia a produção procede de um único porto.** Mais compreensível é a abordagem do Prof. Alcides Domingues Leite Junior:
A estagflação, que pode ser considerado o pior dos mundos, era uma novidade na época. Durante décadas a teoria econômica indicava que havia uma necessária correlação direta entre inflação e crescimento econômico. Quando a economia estava superaquecida, com índice de desemprego muito baixo a inflação crescia, e quando a economia recuava para o nível de recessão, com aumento do desemprego, a inflação cedia. Pela primeira vez, então, os Estados Unidos enfrentaram uma situação inusitada. Crescimento da inflação com aumento do desemprego. Isto ocorria devido à necessidade de aumento das taxas de juros, reflexo do encarecimento do dinheiro no mercado internacional, somado ao forte choque de oferta do petróleo, que era, e ainda é, o principal insumo das economias desenvolvidas.
www.relatoriobancario.com.br/noticias/noticias
O mundo passava a perceber que manipulações monetárias não tornam ninguém mais rico. Mas o que ocorre, afinal? O que ocasiona este novel fenômeno? Seria apenas o valor elevado do preço do petróleo? Quem sabe dos alimentos? Neste caso não estaríamos exatamente à mercê deste fantasma?

Forte razão à estagflação

Certo dia, Vossa Excelência, o senhor criará um imposto para uso disso.
Michael Faraday, ao chanceler britânico, sobre o uso da eletricidade; cit. Zeilenger, Anton, A face oculta da natureza, p. 131
Tirante alguns remanescentes socialistas, nenhum governo se ocupa da produção; ela está à cargo da iniciativa privada. É o sistema produtivo que enseja a riqueza necessária para o lastro da moeda. Se a produção padece, a moeda, naturalmente, adoece, perde o valor. De outra parte, a escassez de dinheiro leva ao crash, fórmula já adotada, com êxito, nos EUA da fatídica década de 1929: a falta de circulação monetária arrastou a produção até à inércia, consubstanciada pela incidência de crescentes custos sociais e criação de impostos das mais variadas rubricas.
Nestes casos, ora somos campeões mundiais.
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 A volúpias só pode levar todo mundo ao precipício:
As empresas de capital aberto, em especial, estão gastando grandes somas com advogados tributaristas para se resguardarem no que se refere ao pagamento de impostos. Não podemos sonegar impostos, mas também não queremos pagar a mais. Por isso, temos de recorrer a verdadeiros cientistas em tributos, de tão complicada que é a legislação.
Tantos motivos inclinam profissionais a reclames:
Desde 1990, por 'Planos do Governo', as empresas brasileiras foram arrastadas em um processo de descontinuidade e endividamento fiscal e financeiro, que perdura até hoje: Plano Collor (1990) pelo confisco do capital de giro e abertura brusca e desorganizada do mercado interno aos produtos internacionais, com menores preços graças a baixa carga tributária. Plano Real (1994), pela política recessiva, com elevação de juros a patamares falimentares, aumento de já gigantesca carga fiscal e 'criação' de multas confiscatórias e do famigerado juro Selic. Agonizando em dívidas, vê o passivo da sua empresa multiplicar-se 300% ao ano, enquanto o lucro não ultrapassa 5% no mesmo período. Cobrando impiedosamente, Estado e Bancos vão expropriando tudo: lucro, capital, patrimônio. Estamos em regime de Ditadura fiscal e bancária, onde não há respeito pelas leis e Constituição Federal. Princípios como capacidade contributiva, juros legais, do não confisco e do sigilo bancário são violados.
(Muller, Heitor José, País vive o caos tributário, Jornal do Comércio, 9/12/1996.)
A burocracia, o avanço fiscal e previdenciário a todos empobrecem. Celso C. Giacometti, Presidente da Arthur Andersen (Ponto de Vista, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, n. 2 - Outubro de 94) mediu a incidência:
Os encargos sociais obrigatórios para as indústrias também são, no Brasil, os mais elevados do planeta: 37,4% de encargos diretos, contra 10,3% no bloco asiático e do Pacifico, 27% na Europa e América do Norte e 19,2% na América Latina. O empregado brasileiro custa para a empresa praticamente o dobro do que ele recebe como salário.
Para Ricard Epstein (cit. Pipes, R., p. 283), isso é compreensível:
Com um imposto, o governo toma a propriedade no sentido mais restrito do termo, acabando com a propriedade e a posse daquilo que esteve uma vez em mãos dos particulares. A taxação é antes de mais nada uma apropriação indébita da propriedade privada.
Não é novidade. O tal tirano de Siracusa, Dionísio (405-367), "aluno" de Platão, "taxava tão pesadamente os cidadãos que, segundo Aristóteles, chegava a confiscar toda a propriedade deles." (Idem, p.281)
Há mais de duzentos anos atrás, um cidadão escocês disse (e predisse) como agem (e como agiriam) governos desenfreados:
“Não existe arte que os governantes aprendem mais rapidamente uns com os outros do que aumentar impostos” (Smith, Adam, cit. Pioneiro, 17/10/1996)
De que vale tanta escola?

O ilusionista de Cambridge
Para sair do crash que ele mesmo contribuiu, John Maynard Keynes ensinou que se o governo espalhasse dinheiro à produção, ainda que sem lastro, o girar da moeda em rotação mais elevada na mesma proporção traria o progresso, que por sua vez imediatamente cobriria o saque. A tese é ousada, mas factível, tanto que a comunidade internacional adotou freneticamente o golpe genial. Todavia, a equalização, a quantidade de dinheiro colocada como alavanca é facilmente desvirtuada, proporcionando subversões e corrupções de todos calibres, de modo que a economia logo se enfraquece, e a produção padece. Keynes foi abandonado justamente pela incidência da estagflação no lugar da recessão, ou seja, pela drenagem de moeda desconectada da produção para financiar os gastos escolhidos pelo político titular do poder. Esses gastos se consubstanciaram de modo elevado com a produçãõ de benesses sociais, eleitoreiras, inflacionando todas as moedas da década de trinta. Para sair do brete nada melhor do que uma guerra. E foi por ela, exclusivamente, que os EUA puderam escapulir da notável armadilha. Os despojos cobriram a emissão monetária em larga escala. Ademais, como é uma moeda internacionalizada, ninguém mais sabe ao certo quantidade de dólares que circula no mundo, muito menos se teria correspondência com a produção que lhe enseja.
Todos os outros países, contudo, que adotaram a artimanha keynesiana, colheram os mesmos resultados - a produção diminuiu em trocada ficção. A lírica Itália,  a pouco franca  França, e a arrazoada Alemanha,  reerguidas com Adenauer e e Breton Woods, cumpriram rigorosamente duas décadas para recuperarem a malfadada aventura inflacionária, cumprindo, pois, este imenso período de estagflação..
* * *
A estagflação se torna preponderante por ação do governo, e jamais pela alteração de preços do comércio, ainda mais internacional, e setorial. Ela se desenvolve através dos mecanismos de financiamento social, seja pela construção de obras de infraestrutura, ou concessão de bolsas, auxílios, etc. etc, gastos governamentais sem o menor cunho de investimento. Ou seja - pior do que a inflação, que se lança mão para catapultar a economia, a estagflação é a inteferência do Estado sem nenhuma justificativa. Inflaciona o meio, sem incrementar a produção. Os primeiros preços que lhe acompanham, naturalmente, são os administrados, os prefixados pelo próprio governo, conjugados com aumentos de impostos, na vã tentativa de enxugar o leite derramado.O remédio prolonga a estada na UTI: em seguida a majoração atinge os insumos, daí aos alimentos, para se espraiar de modo incontrolável por toda sociedade. Pela ignorância geral, o receio e o traumatismo das desastrosas experiências, a economia passa a conjugar vozes dissonantes, acompanhadas por intrumentistas que tocam de ouvido.
Daqui de cima a Nav's ALL pode ver o despenhadeiro.
Quem sabe um pequeno grito não ecoe na ponte de comando do hermético Banco Central?

Veja:

Da Escola Austríaca de Economia

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Notas
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A atual crise americana
** "Para evitar levar a culpa pelas conseqüências nefastas da inflação, o governo e seus seguidores recorrem a um truque semântico. Eles tentam mudar o significado dos termos. Eles chamam de "inflação" aquilo que é justamente a conseqüência inevitável da inflação: o aumento dos preços. Eles ficam ansiosos para relegar ao esquecimento o fato de que esse aumento dos preços é produzido justamente pelo aumento da quantidade de dinheiro e de substitutos monetários na economia. E eles nunca mencionam esse aumento. Eles culpam as empresas e os empresários por esse aumento do custo de vida. Esse é o caso clássico do ladrão gritando 'pega ladrão!'. O governo, que é quem produziu a inflação ao multiplicar a oferta monetária, incrimina os produtores e os mercadores, e se jacta de ser o grande paladino dos preços baixos." (Ludwig von Mises, www.mises.org.br)



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