quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Crise de vergonha

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O presidente do Banco Central, agente comercial, sr. Henrique Meirelles,
afirmou que o prejuízo da
crise financeira alcança US$ 1,4 trilhão.
A "autoridade monetária" participou do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), em SP.
Segundo ela, a perda das ações nas bolsas de valores pelo mundo atinge US$ 33 trilhões.
Se há perdedor, obrigatoriamente tem que haver vencedor, até porque dinheiro não some assim,
ainda mais essa monta.
A forja é evidente brinquedo de iô-iô. Com todo respeito,
S. Exa em vez de ficar aí dando palpite furado, através de contas irreais*, deveria
melhor guardar nossa moeda**. A maior taxa de juros do mundo*** não freia a
Fórmula 1:
..........................................IPC-S: inflação avança em todas as capitais pesquisadas
(Invertia,11/11/2008)*
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com
vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos rapaces.
Pelos seus frutos os conhecereis.

S. Mateus,
7, 15.
Os tecnocratas legitimam A má temática da Economia. Nenhum deles jamais sentou praça na produção,
mas se postam a orquestrá-la. São muito requisitados. Vem à berlinda, e dão entrevistas, e usam
seu alto palavreado economês, travestidos de médicos. Como palavra de doctor não se discute, o
povo vai tomando os xaropes supondo que a inevitável diarréia seja redentora:
Remédios diferentes dependem dos casos de cada um, até porque os remédios têm efeitos colaterais. Os Estados Unidos estão destinando US$ 800 bilhões aos bancos e o efeito colateral disso é o aumento da dívida. Existe um antibiótico para cada tipo de doença. Não adianta tomar todos ao mesmo tempo para resolver um problema. Mesmo em uma epidemia, a condição do paciente é fundamental para se verificar como ele será afetado pela doença.
econ. MEIRELLES, Henrique, p$db, presidente do BC
O "diagnóstico" é tingido por interesses escusos, lógicos e ideológicos:
A teoria econômica veio a ser uma ampla empresa de terrorismo intelectual, cujo aspecto pseudo-científico serve, na realidade, de coerção para excluir todos os verdadeiros problemas da sociedade contemporânea. Seu exagerado profissionalismo, herdado de sua mitologia científica, e todo o aparato matemático que a rodeia, servem para mascarar seu objetivo ideológico, que transforma sua disciplina numa máquina para estabelecer as leis das relações de força que existem na sociedade...
ATTALI, Jacques & GUILLAUME, Marc
Coincidentemente, estréia em Londres no dia 21, e na semana seguinte no Brasil,
o filme
Rede de Mentiras, de Ridley Scott, na protagonização de Leonardo di Caprio.
Será uma película inesquecível. "Além do terror físico, o pior é o terror psicológico."
Para aliviar o terrorismo, neste novembro S.Paulo também assistirá
inédita quantidade de shows e atrações internacionais.
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N.York, 17/11/2008:
A produção industrial nos Estados Unidos se recuperou em outubro, subindo 1,3% em relação ao mês anterior.
* São Paulo, 4/11/2008 - Petrobras, Vale, siderúrgicas e setor financeiro trouxeram a
Bolsa de Valores de São Paulo de volta aos 40 mil pontos, patamar perdido em 15 de outubro.
Desde o dia 27 de outubro, quando fechou aos 29.435 pontos, menor pontuação nos últimos
três anos, o Ibovespa já recuperou 36,8%. Até ontem, o índice registrava alta de 36,8%,
nos últimos sete pregões. (5/11/)

São Paulo, 12/11/2008 - A BM&F-Bovespa, empresa que administra as duas principais Bolsas de Valores do país, apurou lucro líquido de R$ 235,6 milhões no terceiro trimestre deste ano. O crescimento no período foi de 42,6% sobre o trimestre anterior. O lucro por ação entre julho e setembro foi de R$ 0,116.

S. Paulo, 11/11/2008: IBOVESPA sobe 1,5%. Petrobras anuncia lucro líquido de R$ 11 bilhões no terceiro trimestre de 2008, o dobro do mesmo período do ano passado. O lucro acumulado pela Petrobras de janeiro a setembro deste ano é o maior já registrado por uma empresa brasileira.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: 'Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado'
Folha de São Paulo, 23/11/2008
Lucro da Vivo cresceu 204% no terceiro trimestre. (Estadão, 11/11/2008)
O Banco do Brasil registrou um lucro líquido de R$ 1,867 bilhão no terceiro trimestre, um crescimento de 36,9% sobre o mesmo período de 2007.
(Folha SP, 13/11/008)
Outro carro que teve alta nas vendas foi a BMW Série 3, que passou de 118 comercializados em setembro para 130 em outubro. No ano, já são 999 automóveis do modelo comprados. Segundo o presidente da Abeiva, Jörg Henning Dornbusch, a associação vai manter a previsão de fechamento de vendas em 2008 em 32 mil unidades. Para tanto, no último bimestre do ano, as 15 marcas terão de comercializar apenas mais 5 mil unidades.
Os planos de previdência privada no Brasil arrecadaram R$ 23 bilhões de janeiro a setembro de 2008, (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida - Fenaprevi). O volume de captação é 19% maior se comparado aos R$ 19 bilhões do mesmo período do último ano.
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** São Paulo, 11/11/2008: Dólar fecha em alta de 1,5%.
Como o dólar não varia assim, é nossa moeda que perde o valor, sangrando diariamente:
S.Paulo, 12/11/2008 - o dólar fechou em alta de quase 3% frente ao real nesta quarta-feira, 12.

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S. Paulo, 12/11/2008: "A taxa básica de juros no Brasil é várias vezes superior à taxa básica real média do mundo. Não tem que estar nesse patamar. Tem que mudar. Isso exige não apenas mais um problema de discussão se cai 0,25 ponto percentual ou se sobe 0,25 ponto. Temos que romper com o regime de juros no Brasil para trazer para o patamar internacional." (José Alencar, Vice-Presidente do Brasil, ontem, ao chegar no hotel onde se realizará o Seminário Internacional de Planejamento Territorial no Brasil.)
A razão da permanência já por treze anos desta taxa de juros campeã-do-mundo se deve ao

maior golpe do mundo
, perpetrado exitosamente na calada da noite de 15 de novembro de 1995.
S.Paulo, 12/11/2008:
"Os gastos da União com saúde, educação e investimento de 2000 a 2007 corresponderam a 43,8% das despesas com juros no mesmo período, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se forem considerados apenas os gastos com saúde e educação, as despesas com juros equivalem a quase o triplo desse montante. O governo gastou com juros R$ 1,267 trilhões, equivalente a 7% ao ano da média total da renda nacional. Já os gastos com saúde foram de R$ 310,9 bilhões, com educação R$ 149,9 bilhões e com investimentos, R$ 93,8 bilhões.
" Estadão.
Para seu governo, o Brasil tem o terceiro maior índice de mortalidade infantil na América do Sul. A informação consta do Relatório sobre a Situação da População Mundial 2008, divulgado nesta quarta-feira pelo UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).
Para finalizar, o governo do Rio considera nova epidemia de dengue já na entrada do verão.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Crise de criatividade

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A obsessão em dominar a natureza esconde a verdadeira obsessão do homem:
dominar o caos, ou, em outras palavras, ter previsões seguras que evitem a queda
no abismo. Para isso, ele inventou a ciência e tratou logo de criar leis deterministas
que dessem estabilidade aos fenômenos naturais. A física de Aristóteles, a mecânica
de Newton ou a abóbada de Ptolomeu tinham a função primordial de ordenar os
acontecimentos da natureza, explicando suas origens e tentando prever seus movimentos.

PENA, Felipe, Biografias em fractais: múltiplas identidades em redes flexíveis e inesgotáveis.
Revista Fronteiras – estudos midiáticos VI(1):79-89, janeiro/junho 2004.
Dante alerta, na Divina Comédia: o castigo imposto ao "adivinhão" consiste em descer ao inferno amarrado com a cabeça voltada para trás. A reportagem não surte efeito desejado.
As escolas fornecem o condão aos "dominadores", as carteirinhas de habilitação aos condutores. As melhores (en)formam de tal modo que a sociedade presume que os diplomados satisfaçam as expectativas curtidas por décadas. Lêdo engano:
"O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado. Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial quanto ele próprio." (NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 41)
Como se não bastasse, por necessitar da certeza científica as fórmulas acadêmicas provém do passado; portanto, são obsoletas, e inapropriadas:
O mundo em que vivemos é dinâmico, está aberto, em transformação constante. Esta abertura é justamente onde podemos encontrar possibilidade, projeto, construção... Assim, as saídas não estão dadas, não estão definidas de antemão. É preciso inventá-las, é necessário criá-las.
GALLO, Silvio, Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas.
Todavia, munidos de alguns dez, e enfiados no galardão, os plantonistas se põem a diagnosticar o futuro, e de antemão oferecem essas enormidades:
Os economistas vêem o mundo como uma máquina. Uma máquina complicadíssima, talvez, cujo funcionamento pode ser entendido se juntarmos cuidadosa e meticulosamente as partes que a compõem. O comportamento do sistema como um todo pode ser deduzido de uma simples soma desses componentes. Uma alavanca puxada em certa parte da máquina, com uma certa força, provocará resultados regulares e previsíveis em outra parte da máquina.
ORMEROD, Paul:
48
Os ciclos político-econômicos obedecem o padrão:
"Economistas e outros especialistas estão quase sempre submetidos à pressão das 'verdades' e 'teorias' consagradas pelos interesses e preconceitos dominantes.” (BATISTA Jr., Paulo Nogueira, Professor da Fundação Getúlio Vargas, Economia e Ideologia, Folha de São Paulo, 3/4/97)
É trivial identificar uma artimanha. Rara é novidade, nem mesmo no leito da liberdade, mas Joseph Alois Schumpeter (p. 201) (Triesch, 8 de Fevereiro de 1883Taconic, 8 de Janeiro de 1950) estranhava a inércia do cidadão americano, engolido pelos crescentes encargos de rubrica social:
"Nos Estados Unidos, por exemplo, jamais houve resistência real contra a imposição de esmagadores fardos financeiros durante a última década ou contra uma legislação trabalhista que é incompatível com uma administração eficiente da indústria."

E quanto mais a perfídia é utilizada, mais se presume eficaz, de modo que o círculo vicioso se torna perene, por isso flagrante:
"Vivemos à base de idéias, de morais, de sociologias, de filosofias e de uma psicologia que pertencem ao século XIX. Somos os nossos próprios bisavós."(BERGIER, Jacques e PAWELS, Louis, O despertar dos mágicos: 31)
"Até dez ou quinze anos atrás, a maior parte da ciência – não só a teoria econômica, mas também a física e a engenharia – era dirigida por técnicas lineares de análise."*(Ormerod, 1996: 194)
O homem ainda não descobriu que a natural evolução não é produto dialético, necessariamente empírico, como propunha o turista do Beagle, e confirmaria o barbudo de Treveris; tampouco ocorre de modo linear, tal qual apregoava o xará Comte. Ela se dá de modo simultâneo a todos os confins, como atesta o Hubble. Na antiquada má temática, permanecemos presos àquele passado que nos acompanha feito corrimão de escada-rolante. Ora subimos, ora descemos, jogados nos tobogãs:
Mesmo nos Estados Unidos, onde a livre iniciativa encontra sua mais alta expressão, as atividades governamentais e a responsabilidade do Estado em relação ao conjunto da economia vêm registrando sensíveis acréscimos, ampliando-se durante a grande depressão e mantendo-se desde então substancialmente elevado.
UMBREIT, Myron, HUNT, Elgin F. & KINTER, Charles V. Economics - an Introcuction to Principles and Problems, cit. ROSSETII: 347.
Os governantes se postam como cocheiros de uma carruagem cujo cavalo é o cidadão. Desse modo, conforme ele enxerga, ou de acordo com seus interesses, ora o relho desce, ora aperta o buçal. O êxtase do comando, como brinquedo à criança, per se lhes consagra, de maneira que pouco importa o que sente o cavalo, muito menos o ritmo e o destino imprimido. Presumem que podem detê-lo quando quiserem, e acelerá-lo, quando convier:
O homem de sistema costuma se achar muito sábio em seu próprio juízo; e ele está, com freqüência, tão enamorado da suposta beleza do seu próprio plano ideal de governo que não tolera qualquer desvio, por menor que seja, em qualquer parte dele. Ele atua com o intuito de implantá-lo completamente e em todos os detalhes, sem prestar atenção seja nos grandes interesses, seja nos fortes preconceitos que podem se opor a ele. Ele parece imaginar-se capaz de dispor os diferentes membros de uma grande sociedade com a mesma facilidade com que a mão dispõe sobre as peças de xadrez.
SMITH, Adam An Inquiry into Nature and the Causes of the Wealth of Nations, 1776: 233
Quando vê, o cocheiro dá com os burros n'água:
A teoria macroeconômica não tem procurado superar seus outros defeitos mais sérios. Inspirada na errada crença de que deveria imitar os métodos das ciências naturais, especialmente os da física, acabou abstraindo-se das variáveis essenciais, mas não quantificáveis, e tratando uma série de eventos históricos como se fosse repetitiva, determinística e reversível.
SIMPSON: 61.
* * *
A história das descobertas científicas e técnicas
revela-nos quanto o espírito humano carecede idéias
originais e de imaginação criadora.

EINSTEIN, A. Como Vejo o Mundo: 198.
Governantes semialfabetizados e especialistas quiromantes implicam a civilização:
Entre a teoria dos quanta, que sustenta o edifício científico da idade atômica e o pensamento dos economistas e filósofos, marxistas e tecnocratas, parece terem decorrido séculos. Já não falam a mesma língua. Já não têm nem uma idéia comum.
KRAEMER, Eri, La grand mutation; cit. Goytisolo: 69

Se Einstein (cit. PAIS, Abraham, Einstein viveu aqui:143) fosse informado do cronograma, apontaria o notável fulcro:
Quando pensamos no futuro do mundo, visamos sempre o ponto onde ele estará se continuar a seguir o curso que vemos seguir hoje; não prestamos a atenção no fato de que ele não segue em linha reta, mas segue uma curva, e que sua direção muda constantemente. Nas bases do pensamento, encontramos os exemplos mais candentes. São bilhões de neurônios, cada lampejo transmissor encontra receptores, e multiplicadores. Tudo se reflete no ser; portanto, altera sua própria realidade, por incontáveis inferências.
Para consagrar o medieval muita corda ainda é espichada; contudo, ao arrepio dos hóspedes de Belzebú, nem a natureza, tampouco a realidade são suscetíveis de doma:
Quando a mente toma a dianteira do espírito, constrói uma sociedade contra a natureza e persiste em seus conceitos até que apareça a Grande Complexidade proveniente de seus próprios processos. Ela percebe então que já não pode administrar essa realidade, nem quantativamente, nem qualitativamente.
(Random: 208)

Sobre a
moderna Economia

A Economia como Ecossistema

A criatividade dos 60:


sábado, 8 de novembro de 2008

O atômico Obama

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O mais genial dos consultores políticos não seria capaz de inventar nada de
melhor para restaurar a imagem norte-americana depois do governo Bush.
Ele oferece uma redenção aos Estados Unidos. (VAÏSSE, Justin, Brooklyn Institution)
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Com uma família presente em quatro continentes, ele personifica uma
genealogia da espécie humana. (BRUCKNER, Pascal)
Disposto a se regenerar, Tio Sam tirou o coelho mais precioso de sua cartola. Obama chegou arrasador e surpreendente como uma bomba atômica. Os próprios americanos se lançam em decifrá-lo. Se muitos deles sequer tinham ouvido falar no distinto Senador, que dirá o resto do mundo.
* * *
As apreciações que encabeçam este artigo parecem pertinentes, mas igualmente óbvias. Não quero me deter nessas características, já por demais divulgadas; todavia, são raros relatos ou comentários sobre o teor da coletiva. Poucos se detiveram sobre o viés, e ninguém citou o cronograma do elenco, digo, a ordem de apresentação das prioridades. Algumas indagações ocorridas ventilavam hipóteses por demais obsoletas: o novo presidente lançará mão do protecionismo? Vai direcionar investimentos? Em outra palavras: à civilização, acostumada a raciocinar sob dialéticas, não ocorre outra alternativa que não aquela da regulagem do tamanho do Estado, que para uns deve ser mínimo, para outros, mais contundente. Presumem que o eleito, por democrata, irá trilhar o caminho percorrido por seus antecessores. Mercê da crise de 1929, Roosevelt é constantemente lembrado. Aliás, a escassez de imaginação não é prerrogativa dos jornalistas, senão que também dos velhos tecnocratas, ora reunidos (à tôa) no Brasil:
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou neste sábado em São Paulo, durante encontro do G20 financeiro, que a expansão de gastos do setor público deve ser pensada como instrumento para minimizar os impactos da crise econômica global e incentivar o crescimento da economia.
Evidentemente o Estado, tal qual este senhor, nada produz; portanto, estará gastando o que não é dele. Ademais, cá entre nós, por mais paradoxal que à primeira vista pareça, são os governos e os bancos os principais aliados da crise:
Para Michaël Zöller, sociólogo alemão da universidade de Bayreuth, o que se chama de Estado é certamente um sistema de interesses pessoais organizados, uma Nova Classe. Como todos nós, sua ambição é aumentar a remuneração e a autoridade. Como classe, ocupam-se, pois, a desenvolver seus poderes, suas intervenções e sua parte no mercado, isto é, a apropriação pelo setor público dos recursos nacionais, operada através do imposto sobre a sociedade civil.
SORMAN, G. :74.
At last, se o Executivo retornar com o apelo às torpes artimanhas de Keynes, qualquer elemento serviria, até mesmo a senhora Clinton! Não parece haver uma formidável diferença?
* * *
Não são poucos os que testemunham o conhecimento de Obama sobre a história. É de se presumir. Afinal, ele nasceu num recanto amealhado pelo
fascismo americano, o qual desembocou no ardil do New Deal. O ápice se abateu na pergunta sobre consulta a algum antecessor! Ora, advogar experiências passadas para suplantar os novos desafios não parece o cúmulo da falta de imaginação? Então querem descobrir qual será sua equipe econômica, como se ele já não tivesse em mente o método que irá aplicar, e houvesse necessidade de se valer dos contadores, desses que andam por aí alhures ditando os números à civilização. Enquanto uns discutem a eficácia do trem, e propõem o automóvel, outros dizem que o automóvel é egoísta, e propõem a composição. A ninguém ocorre que ambos podem ser dispensados, em troca do avião, por exemplo!
Na ânsia para sair da depressão macroeconômica assume maior relevância a clássica pergunta: o quê será atacado nos primeiros cem dias? Calca-se em pensamento linear, na hipótese da linha férrea, direcional, objetiva, e excludente. Embora os recursos materiais sejam sempre limitados, ainda assim em cem dias dá para acionar todos os vetores, simultâneamente: basta incrementar uma Economia Quântica, que até é mais fácil do que a puxada pela prosaica loco motiva. A tanto ele dispõe da conjugação da maior riqueza e tecnologia com a maior concentração de cientistas de todos os calibres, uma rede de informações que ninguém possui,* e ainda a melhor equipe administrativa que se pode conceber na face da Terra. É mole? Não será uma partida de trem, mas um início de Big Bang, onde a evolução se encaminhará sobre todos os pontos, ao mesmo tempo, e com velocidade espantosa, compatível com a capacidade de sua gente, e com as possibilidades energéticas de nossa Era, momento de tempo real. Naturalmente não será um passe-de-mágica, mas apenas a mudança de rumo já livrará a civilização do despenhadeiro. A partir daí, o que vier, é lucro.
* * *
S.Exa demonstra conhecer a Teoria do Campo. Como o átomo, primeiro se preocupa com o que lhe rodeia; portanto, o que lhe é mais valioso: sua família, suas filhas, desde já sob risco. E qual o prêmio que lhes promete? Uma sociedade numa empresa de telefonia? Uma poupança? Nada disso. (Obama x Lula) Duas preocupações, apenas: não torná-las diferenciadas, por isso lhes submetendo a um colégio comum. E para as horas de lazer, um guaipeca qualquer. A genialidade é irmã gêmea da simplicidade.
Novamente como o átomo, Obama sabe que é ele, o átomo, o ser humano, e não a máquina do Estado, a totalidade orgânica, a responsável pela abundância da energia. De onde tirei tal ilação? Ele foi claro: são as famílias que trabalham duro as que merecem sua atenção. É a classe média que vai ser aliviada dos fardos tributários. Mais do que isso, porém, foi o fato dele se lembrar das cidades, dos prefeitos, e dos estados, dos governadores. Há, entretanto, um sinal amarelo:
A criação de um banco de investimento em infra-estrutura, proposta por Obama durante a campanha, ganhou impulso na crise. O banco teria US$ 60 bilhões para ajudar Estados e cidades a investir em obras como pontes e estradas. Agora, essa proposta pode crescer para US$ 150 bilhões, dentro do pacote de estímulo.
Eis uma grande bobagem. É passeio do capital. Ele sai da produção, passeia no centro e volta à origem? Ou será deslocado para regiões insípidas? Quem sabe colocará, como Roosevelt, a impressora da Casa da Moeda à disposição? Neste caso terá que programar uma guerra, para com osdespojos recompor as reservas reais. Não creio que S. Exa. trilhe o caminho da perfídia. Seria por demais desastroso, não só para si, como ao parque fabril americano, e de resto à comunidade internacional.. Desse modo, tampouco cogito na criação de empregos. Governos nada produzem; portanto, não lhes cabem criar postos de trabalho, mas propiciá-los à produção. Como alcançar tal intento? Simplesmente permitindo que a renda, o capital, gere mais renda a partir de sua cabeceira, provada per se sua eficácia. Suponho que Obama valorize a liberdade na biodiversidade, através da cientificidade federalista, da descentralização de poder. Suas últimas palavras, quiçá as mais importantes, deram conta que o desenvolvimento eclodirá das bases ao vértice, e não o contrário, como sói acontecer, porém jamais exitoso. Certamente ele observará a Relatividade das Leis. Ou seja: aquela conversinha de centralizar os recursos para depois distribuí-los parece estar com os dias contados, tanto quanto a presença do Estado como motor do desenvolvimento. A desenvoltura se faz por todos os pontos, em todas as direções. Quem quiser represá-la, ou mesmo orientá-la, na verdade a estará cerceando:
A manutenção da organização na natureza não é - e não pode ser - realizada por
uma gestão centralizada, a ordem só pode ser mantida por uma auto-organização.

BIEBRACHER, C. K.,; NICOLIS, G., SCHUSTER, R., cits. PRIGOGINE, I.: 75
É bem verdade não falamos especiíficamente da natureza, senão que da política, a qual constantemente solapa a própria natureza. Desse modo sabemos que injunções são flagrantes também de imediato, e o socorro prometido às montadoras e mesmo aos atingidos pela tão propalada e interessante crise atesta, mais uma vez, a prevalência dos "investimentos" de campanha**:
O setor do automóvel é a espinha dorsal da indústria americana e uma parte crítica de nossa tentativa para reduzir nossa dependência do petróleo estrangeiro", continuou o líder eleito. Fiz uma das máximas prioridades da minha equipe de transição trabalhar em outras opções para ajudar que o setor do automóvel se ajuste, combata a crise financeira e tenha sucesso na hora de produzir nos Estados Unidos carros de consumo reduzido.
Barack Obama
Para mim trata-se de grave erro de percepção, além de discriminação com milhares de outras empresas, tão ou mais importantes do que esses objetos que nos rodeiam desde a tenra idade, com nossos brinquedinhos. É manter fábricas de máquinas de escrever, ou de telex. O automóvel tem os dias contados. Se Malthus se equivocou na equação alimentos/crescimento populacional, porque ela não é estanque, a produção de veículos automotores em relação ao espaço necessário está fadado ao colapso, e arrisco, ainda antes de completar uma década. Todavia, reputo os arranhões como impossibilidade da perfeição.
A macropolítica, a macrocultura, a macroeconomia dependem da micropolítica,
da microcultura, da microeconomia (em termos de seu respectivo âmbito,
quantitativo ou extensivo), e aquelas não podem absorver estas sem sofrer as
conseqüências que, ao fazê-lo, provocaria. A vida é interação das partes no todo.
GOYTISOLO, J.V.: : 74
O efeito atômico contaminou todo o planeta, tingindo-lhe com o tom da esperança. Se algo ocorrer de acordo com meu exercício especulativo, ele poderá separar o joio do trigo. Será fácil identificar os vilões, os impostores, os oportunistas que se espalharam alhures a partir da queda do muro; mas também servirá de picada e incentivo à novas e verdadeiras vocações, ora submersas pela presença de príncipes curiosamente maquiavelescos, malgrado esses discípulos acabarem invariavelmente muito mal.
Posso estar enganado, mas merecemos muito mais do que até hoje nos foi imposto. Finalmente contamos com um Almirante à
Nova Era. Merece o voto de confiança, até pelo altivo desempenho. Neste caso, o mútuo interesse, e a Ética*** precederão discussões jurídicas, ou regulamentares; as relações humanas conduzirão as comerciais; e a Economia será levada à cabo pela produção, pelos atratores, e não mais por sua representação, mero capital.
Ao
grande périplo, Obama nas alturas!
__________
*I
ntensifica-se a Internet à relação nacional com o novo governo no site www.change.gov. A estratégia prevê a manutenção de uma base de dados com endereços de e-mail de 10 milhões de pessoas.
** A GM está ultimando a limousine presidencial. O veículo tem os seis metros de comprimento à prova de fuzis, granadas e lança-chamas.
*** "O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, irá introduzir regras para restringir o papel de lobistas durante a transição e durante o seu governo, segundo o coordenador de sua equipe de transição, John Podesta. Em uma entrevista à imprensa, Podesta disse que Obama 'prometeu mudar a maneira como Washington funciona e conter a influência de lobistas'. Podesta disse que Obama irá introduzir 'as regras éticas mais rigorosas e mais abrangentes de qualquer outro processo de transição da história' e prometeu a transferência de poder 'mais aberta e transparente' já realizada. (BBC-Brasil, 12/11/2008).
Na mosca, de novo. Nav's ALL antecipa o futuro para você.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A vista do Hawai‘i

....................................
Pro forma o arquipélago compõe um dos cincoenta estados unidos da América
Por vocação, contudo, não. Havaianos não se ligam em concorrências.*
A pérola foi tomada no apagar das luzes do XIX, na fatídica guinada dos EUA à faina imperialista, no molde bismarckiano. O
Neo-Imperialismo era uma prática completamente desconforme aos ideais dos quakers; entretanto, tendo em vista especialmente a predição marxista, a ambição logo encontrou o amparo social. O país mergulhava na senda fascistóide.
Se fosse para identificar o magnífico recanto com algum continente, não seria o das Américas. Seu povo desconhecia as elucubrações greco-romanas, em especial o cristianismo. Missionários católicos romanos espanhóis e franceses desembarcam pela primeira vez em 1827, mas nunca foram bem recebidos. Em 1831 a pequena população cristã foi convidada a se retirar.
A região se localiza no meio do Pacífico, entre a Ásia e a América. Sua história nos remete aos polinésios. A partir dos anos 60 intensificou-se a luta daquela gente para retornar ao status quo, ao desmembramento da grande potência. Em 1993, o então presidente Bill Clinton aprovou pedido de desculpas pela invasão, pedido evidentemente fajuto, diante da permanência da possessão.
* * *

Os EUA visto do Hawai‘i tem outra coloração. Foi de lá, e não dos EUA, que o novo Presidente o avistou pela vez primeira. Qual o significado disso? Não seria tão importante, se Obama tivesse cooptado aos métodos do império. Embora cristão confesso, por isso dogmático, sua postura, contudo, demonstra o contrário, e permite um exercício de predição, tão ao gosto da Nav's ALL: ele possui toda a capacidade, e ora a oportunidade, de promover o retorno da ética, para suplantar a mera dialética. Destarte, arrisco anunciar: o câmbio será vertiginoso. Dar-se-á não apenas nas relações de comércio, e de resto nas sociais, jurídicas, políticas, financeiras, econômicas e diplomáticas, porque será implementada no núcleo filosófico da civilização ocidental. O fenômeno já acarreta uma recuperação da auto-estima americana, consubstanciada pelo apoio unânime que a comunidade internacional ora oferece. O eleito governará para seus eleitores, certamente, mas desta feita o mundo estará integrado, e não como objeto de conquista:
"Obama gera esperanças universais, um momento mágico. Pode ser o último capítulo da história do racismo nos Estados Unidos e o primeiro de uma nova prosperidade mundial" (LUCAS MENDES, da BBC Brasil, em Nova York)
A onda havaiana oferece energia em profusão, à promover a mais completa ReVerSão.
___________
* HUNA é um termo utilizado desde tempos remotos pelos nativos do Havaí para significar "segredo" ou "conhecimento secreto". (www.centro-aloha.com) Expressa assim uma filosofia de vida cujo objetivo não era manter um conhecimento oculto aos demais, mas realmente compreender as interações com o lado invisível ou oculto de todas as coisas e fazer bom uso disso. Assim, um significado mais abrangente de HUNA é "conhecimento dos segredos da Vida". (www.somostodosum.ig.com) Mana é o termo havaiano para a energia universal, a força da vida conhecida em todas as culturas, o ‘prana’ hindu, o ‘chi’ chinês, o ‘ki’ japonês. (www.beatrizfgundes.com)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A ponte da Ética

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Ora, nossas observações do mundo exterior,
que nos conduzem à física, nos revelam um
universo constituído de uma multiplicidade
de sistemas ‘abertos’, todos em incessante
interação com seu ambiente.
BEN-DOV: 149
O que seria mais espinhoso: o filósofo encadear seu pensamento através da lógica matemática, ou o físico entabular seu argumento utilizando as bases filosóficas?
Ambos estarão em pistas escorregadias; entretanto, ao primeiro o percurso é mais reto, e mais curto. Foi isto que encantou Descartes. Uma dúzia de obras é o suficiente para percorrer todo o trajeto da epistemologia da Física. A recíproca, entretanto, não é verdadeira. Abordagens sobre humanidades primam por várias nuances. E embora muitas vezes antagônicas, rara é totalmente desprovida de racionalidade.
Por não entender os princípios, os filósofos contemporâneos evitam a freeway da física, embora a utilizem através dos precursores que lhes iluminam. Mas os destemidos físicos não temem ingressar na floresta do pensamento. Eles sabem que antes do rigorismo acadêmico, da certeza numérica, persiste um método, uma filosofia que a sustenta, e por isso cada vez mais vemos a gente de vocação numeral estender suas redes pelos mares das palavras. Todavia, estas não poucas vezes são dúbias, e tais peculiaridades enganam as presas.
Einstein ensaiou um raid, acompanhado de Kant e Spinoza. Não sei quem lhe recomendou. Ambos cansam qualquer campeão maratonista. O Grande Relativo desistiu cedo da empreitada.
Foi Thomas Kuhn que assinalou a importância da base filosófica nas estruturas das revoluções científicas. Kuhn percebeu a substancial ruptura com o padrão usado por Copérnico, Galileu, Descartes e Newton,. Einstein e os formuladores da quântica- Planck, Bohr, Schrödinger e Heisenberg, entre os mais citados, construíram hipóteses que não cabiam nas elucubrações metafísicas. A imaginação estava mais perto da verdade do que a realidade até então vendida. Kuhn, entretanto, eximiu -se de vasculhar as fontes daquele delta. Grande parte dos pesquisadores oriundos das exatas, tendo em vista a enorme quantidade de material, colhem algumas amostras, e por elas confirmam o caráter empirista das velhas proposituras. Dessarte, todos os físicos e filósofos anteriores à Relatividade e a Quântica são relegados às prateleiras de museus. Não conheci distinção.
Um crítico dotado de grande sucesso popular é Fritjof Capra. Além do moderno ferramental, o multidisciplinar pesquisador navega nas águas preferidas de Niels Bohr, a complementariedade. Bohr utiliza o símbolo oriental que exprime a união do Ying/Yang. Capra enaltece o Tao, que mal traduzido quer dizer caminho. Contudo, este excepcional articulador apresenta radicalidade dogmática em duas mais notáveis apreciações. A primeira detona John Locke pelo Ensaio do Conhecimento, e por isso não segue adiante. De fato a peregrinação inglesa apela aos sentidos, e pela exclusividade Locke paga o alto preço de não ver sequer apreciadas suas mais preciosas obras, de cunho político-filosófico. Estas estabeleceram as cabeças-de-ponte à moderna democracia, um sistema eminentemente relativista e tão correto que logrou abalar todas as estruturas absolutistas já conhecidas, e mesmo as futuras, hoje unânime diante da dissipação das pernas platônicas, a esquerda e a direita.
A grande epopéia das Luzes incluía no mesmo movimento o justo e o belo. Organizava um afresco tranquilizador da natureza e da sociedade. Os romances de aprendizagem diziam como se conduzir e se comportar. Ora, as indicações foram se desagregando nas sociedades industriais contemporâneas. Como poderiam ter consciência?DESCAMPS, C., As Idéias Filosóficas Contemporâneas na França, p. 27.
Locke propôs um novo paradigma ao exercicio político. Nada havia de empírico. O poder migrava do absoluto, ao encontro da relatividade de cada cidadão. Todavia, por faltar os instrumentos, e por se tratar de gente, não de objeto, só o tempo poderia assegurar a correção da assertiva, mormente por não se coadunar com as proposições cartesianas, ou newtonianas.
Thomas Hobbes por lá nunca mais obteve sucesso, mas a garrafa do Leviathan seria apanhada nas costas da Normandie pelo falso idealista democrático, o atormentado cartesiano J.-J. Rousseau. Enquanto a França derivou por tocentas constituições, a Grã-Bretanha se impôs pela harmonia.
Ao consagrar a ecologia como bem supremo, Capra comete outro arranhão. Desse modo saímos do relativismo, para retornar ao absolutismo. Trocamos a máxima de Platão, que reservou o pedestal ao Estado; e da Igreja, que o desviou ao Celestial; ou até de Marx, que pelo lado contrário consagrou o dinheiro, para endeusarmos a natureza.
Não resta dúvidas que temos uma dependência vital com as questões ecológicas, mas não menor das que ainda cultivamos pelo Estado, pela riqueza, e pelas designações religiosas. Antes de tudo, entretanto, tão ou mais importante do que o cenário, e mesmo o script preliminar, o que prevalece é o desempenho e o motivo do ator. São as relações pessoais que determinam tudo o mais:
Não existe essa verdade absoluta. A mesma paisagem apresenta diferentes aspectos a diferentes pessoas que a vêem de diferentes pontos de observação. É uma coisa para o pedestre, uma coisa totalmente diversa para o motorista e ainda outra coisa diferente para o aviador.Toda experiência é relativa a pessoa exposta a essa experiência particular.
Albert Einstein
Tirando a parafernália grudada no trem da história, podemos divisar o brilhante esteio, compatível com os sonhos individuais, sim, mas coadunados com a esperança geral. A tanto ele requer esse tecido de material muito abstrato, por isso nem tanto considerado. Refiro-me à ética. Esta qualidade pode e deve ser aquilatada no âmbito da Ecologia, do Estado, das ciências, da Filosofia, da Religião, da Economia. Eis a linguagem que a tudo é comum:

Todas as formas de cooperação social legítima são portanto obra de indivíduos que nela consentem voluntariamente; não há poderes nem direitos exercidos legalmente por associações, inclusive pelo Estado, que não sejam direitos já possuídos por cada indivíduo que age sozinho no justo estado de natureza inicial.
RAWLS, J.: 11
Por isso o físico nuclear Richard Feynman (O significado de tudo: reflexões de um cidadão cientista, p. 14) assim abria suas palestras:
“Não há praticamente nada do que vou dizer esta noite que não pudesse já ter sido dito pelos filósofos do século XVII”.
Para encerrá-las, o pesquisador de Los Alamos trocava o “vou dizer” por “eu disse“; e praticamente repetia as concepções de Locke e Smith:
Nenhum governo tem o direito de decidir sobre a verdade dos princípios científicos nem de prescrever de algum modo o caráter das questões a investigar. Também nenhum governo pode determinar o valor estético da criação artística nem limitar as formas de expressão artística ou literária. Nem deve pronunciar-se sobre a validade de doutrinas econômicas, históricas, religiosas ou filosóficas. Em vez disso, tem para com os cidadãos o dever de manter a liberdade, de deixar os cidadãos contribuírem para a continuação da aventura e do desenvolvimento da raça humana. Obrigado.

Aprecie contrapontos:

A falta de ética da Totalidade Ética
A impotência do poder

Complemente sua pesquisa
Numerocracia
A lei como expressão da vontade de poder
O Leviathan afrancesado
Do nivelador
O Triunfo da Doilética
A Má Temática da Igualdade

domingo, 2 de novembro de 2008

Finados e Religião


Neste dia de homenagens aos antepassados, em especial àqueles que tivemos o privilégio de compartir alguns momentos, enviamos nossa repórter Foca Lisa para uma inédita entrevista com o presidente da 7 co., empresa localizada fora do alcance de nossos olhos.
O senhor pode comentar algo confortável sobre a morte, algum sopro que aplaque a dor de tamanha separação?
Por curiosidade, a separação fundamental é promovida justamente por quem tem a bandeira religiosa. Você sabe, religião oriunda de religar, significando promover a religação do ser humano com a Entidade Superior. Isso não é possível; mas tampouco necessário.
Não é correto estabelecer o liame com o Divino?
A rigor nada pode ser desligado, assim como não se pode estar dentro do mar sem estar molhado. A religião é que procura a priori o desligamento, para depois se colocar, oferecer o remédio. Liga o ar-condicionado a pleno, e depois oferece o cobertor.
Como assim?
Ao Superior recai o inferior. É o corte que justifica a presença do adesivo. Eis a primaz preocupação da religião: separar, em vez de unir!
Mas Deus une. Com relação ao casamento, por exemplo, os embaixadores são unânimes: o que Deus une, o homem não separa.
E o que Deus desune, pode o homem juntar?
Deus nada desune!
Lembra da primeira estória contada pelos religiosos? Adão foi expulso do Paraíso. Eis o edito da discriminação. Justo por sermos dotados de inteligência é que podemos evoluir. E tudo o que é conforme a natureza nem nos cabe confrontar. Se o homem não colher a maçã, na maturidade ela se despreende para vir à seus pés. Foi este fenômeno que desconcertou o ex-reverendo Newton. Logo ele arrumou os contrários, os corpos a exercerem atrações uns sobre os outros. Não é assim. A gravidade não é produto de nenhuma força, mas cortesia espacial, em função da presença hegemônica da energia temporalmente solidificada.
Ele mandou Jesus para redimir o pecado.
Então, não é o que digo? Primeiro estabeleceu a ruptura; depois ofereceu sua cola.
O que isso tem a ver com a morte, que é o nosso assunto?
Nascemos num mar sem fim, para usar a terminologia do excepcional navegador. Amyr Klink.

No espaço aparentemente vazio há um nexo, uma vida eterna, que une tudo quanto existe no Universo - tanto animado quanto inanimado - uma onda de vida que flui através de tudo o que existe.
PARAMAHANSA YOGANANDA, Onde Existe Luz.
Nossas impressões já estão indeléveis no EspaçoTempo:

Todo corpo reage a tudo que acontece no universo, de tal sorte que, se alguém pudesse perceber tudo, poderia ler em cada coisa o que está acontecendo em toda parte, e até mesmo o que já aconteceu e o que acontecerá; mas uma alma só consegue compreender dela mesma o que aí se acha representado distintamente. Não pode, de uma vez, explorar todos os seus recônditos, porque eles se estendem ao infinito.
LEIBNIZ, cit. IRA, Progoff, Jung, Sincronicidade e destino humano: 66.- MAGALDI, Ercilia Simone Dalvid
Querer molhar quem está dentro do imenso oceano não lhe parece uma grande bobagem? Como ligar o que jamais se desliga? Todavia, a religião prega o Juízo Final, que corresponde ao momento da morte. Então ela propaga a possibilidade da ruptura. A Bíblia é absolutamente clara ao afirmar que após a morte só nos resta o juízo-final. Ensina também, que o fato de toda e qualquer decisão por Cristo só pode ser tomada em vida, o que, por conseguinte, nos leva a entender de que não existe fundamento teológico para interceder a favor dos mortos. Para o cristianismo vivos e mortos não podem se comunicar de maneira alguma (Lucas 16.10-31). Por isso é que se põem a rezar pedindo proteção "agora e na hora de nossa morte, amém."
A Igreja se refere à morte do corpo.
Este é o ponto nuclear da perfídia. Novamente se cristaliza o vêzo da separação. Para se impor, ela cinge o ser humano em corpo e alma, esta divina; e aquele, mundano. Trago a sacada do ALLmirante:
Matéria sem espírito não tem sentido. Espírito sem matéria não é sentido.
A religião diz que o pecado veda a entrada no Paraíso, mas admite a vida eterna.
Ela dispõe sob suas condições.

A morte cancela a matéria!
Não diria isso. A assertiva é válida apenas ao mundo que enxergamos com nossos parcos sentidos. Para cruzar o EspaçoTempo a energia concentra toda a matéria. Ambas continuam complementares. A razão da cisão já lhe mencionei, mas trago ainda mais alguns depoimentos:
Na Grécia, berço das artes e dos erros e onde se levou tão longe a grandeza e a estupidez do espírito humano, raciocinavam sobre a alma como nós.
VOLTAIRE,
«13.ª carta», Cartas Filosóficas.
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 20
Dessa maneira o interior do homem virou ringue de combate, justificando a presença da justiça, das orientações religiosas. A mesma técnica é empregada especialmente na psicologia e na psiquiatria. Ambas fracionam a mente em compartimentos, e oferecem remédios para recompô-la.
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 17
Vê-se os estilhaços no mundo jurídico, político e até no econômico: de um lado os trabalhadores; do outro, os capitalistas. Pecadores x moralistas. Eis os motivos para a interferência do Estado, em conjunto com a Santa Sé.
Mas a verdade é uma só!
Sim; contudo, sua aparência não. Que cor tem a lua? Depende de onde é apreciada. É das aparências que se valem as alegorias. É pelas aparências que a civilização construiu suas ciências, até a metafísica. O grande inspirador da Bíblia é Platão. Veja que ela é composta toda em dialéticas. Platão é o rei da ilusão. Sua alegoria da caverna quer demonstrar a possibilidade do engano, e com ela ele enganou todo mundo. Pela aparência os religiosos pressupunham que a semana fosse igual aqui e alhures. Por isso não titubearam em ensinar que Deus fizera o Universo em sete dias, e depois fora descansar. De onde ele fez é que ninguém foi capaz de especular. Apenas dizem que do céu. Ora, se Ele habita no céu, a semana por lá terá a mesma duração daqui?
Você quer dizer o que?
A religião desencaminha!
Onde obteremos a certeza, então?
Impossível. A certeza se faz a cada instante, por cada um de nós, de acordo com nossa vontade, ou atenção, mas também depende de nossas circunstâncias, nelas incluídos todos os átomos de todos os tempos! Tudo interage com tudo, mas a incerteza é nossa sina. Não sabemos porque o eletron, diante da presença do simples olhar, muda a trajetória. O elétron não tem olhos, nem ouvidos, nem faro, nem dor, mas ele é "sensível". O átomo capta e emite energia, e por isso é a liga fundamental.
"O choque, a ação de um átomo sobre o outro,pressupõe também a sensação.Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro." (NIETZSCHE, F. , O livro do filósofo: 45)
A partícula ao se propagar pelo espaço emite um campo que informa esse seu movimento no sentido de um 'abre-alas que eu quero passar' (como se fosse um empurrar a distância). Literalmente falando, ela empurra a distância tudo o que está a sua frente, e certamente receberá uma reação dinâmica conveniente (o que pode até mesmo provocar uma reflexão total)
MESQUITA FILHO, Adroaldo, Debates 'Ciencialist 2003' a respeito de uma Nova Teoria a propor as bases para o entendimento da Natureza Íntima da Matéria www.ecientificocultural.com/ECC2
Temos certezas de muitas coisas, especialmente da passagem do tempo. Ele envelhece a gente, até nos tornarmos tão velhos que desaparecemos da face da Terra.
Disse bem. Desaparecemos, mas não da Terra, e sim de nossos olhos, projetados apenas para cruzar delimitado EspaçoTempo. Como um flash de fotografia. Quando ele se apaga, não significa que o personagem da foto tenha desaparecido. Ele apenas fica invisível.
Como identificá-lo sem luz?
Luz é manifestação energética, de tantas.
O ganho da massa de um corpo em movimento em alta velocidade fez Einstein concluir que energia (E) e massa (m) de um corpo são equivalentes. Ele estabeleceu uma fórmula para relacioná-las - a tão conhecida E=mc2, onde c é a velocidade da luz. Dada a magnitude de c, fica evidente que uma pequena quantidade de massa equivale a uma grande quantidade de energia. Esta é a base da energia nuclear. (EINSTEIN, A., A natureza do Universo - Teoria Quântica e Relatividade; cit. revista Isto É, julho de 1995.
Em simples conceito:
"A luz pode ser definida como uma transmissão de energia entre corpos materiais à distância." (BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento: 6)
Ela flui por ondas, como todas as manifestações. O perfume viaja por ondas; a temperatura também. A gravidade realiza ondas de retração. O navegante produz ondas, e por elas podemos constatar sua passagem. Radares detectam ondas. A voz bate em algo para produzir o eco: eis a certeza de que há um corpo à frente.
A teoria quântica dos campos considera tanto a matéria (hadrons e leptons) quanto os condutores de força (bosons mensageiros) como excitações de um campo fundamental de energia mínima não-nula (vácuo).
As manifestações invisíveis aos olhos não precisam ser totalmente ignoradas só pelo prosaico motivo de não podermos enxergá-las. Os mortos permeiam toda nossa vida; portanto, vivem conosco.
Cruz, credo! Mas isso parece aqueles filmes de terror, nos quais fantasmas batem as portas, arrastam correntes, e vem puxar nossas pernas à noite.
Nenhum desses "fenômenos fantasmagóricos" parte de observações, ou mesmo de hipóteses suscetíveis de testes. São apenas alucinações provocadas pelos falsos moralistas que apelam à consciência. Isso faz parte da psicologia da religião: aguça a imaginação, impõe o medo, para clamarmos pelo Salvador.
A matéria é apenas energia solidificada, ou concentrada, se preferir. Destarte nossos olhos podem divisá-la. Veja o verbo que uso: divisá-la. Igualmente provém de dividir. Enxergamos tudo dividido, é isso: par e ímpar, dia e noite, mal e bem, norte e sul, esquerda e direita, número e letra, etc. Todavia, assim como o gêlo, que é sólido, mas líquido em potencial, e arrisco, vapor no estado final, a matéria pode ser visível, mas é invisível por natureza.
Ao invés de separáveis, e antagônicos, os desígneos são prolongamentos complementares. Tanto quanto o corpo é da alma! Então, não temo arriscar:
O corpo submetido ao quadrado
da velocidade da luz se torna alma.
A=Mc2.
.Não parece tudo muito mais simples do que as fórmulas que somos obrigados a deglutir de quadro-negros e de obras babilônicas?  Precisa de prova? Por ora ofereço-lhe uma forte razão:

O conceito de um mundo sutilmente interligado, um oceano cósmico no qual estamos intimamente ligados uns aos outros e à natureza, assimilado por nosso intelecto e abraçado por nosso coração, poderá talvez inspirar novos modos de pensar e de agir que transformem o espectro de uma derrocada global no triunfo de uma renovação global – uma renovação para uma era mais humana e sustentável.
LASZLO: 205
Por enquanto, neste Dia de Finados, saudemos a eternidade. Ela assegura a presença de todos.

A ciência e a filosofia na sala de reuniões

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Não é suficiente ensinar a um homem uma especialidade. Através dela ele pode tornar-se uma espécie de máquina útil mas não uma personalidade desenvolvida harmoniosamente. A sobrecarga necessariamente leva à superficialidade. EINSTEIN, Albert cit. PAIS, Abraham, Einstein viveu aqui: 271
Assim ciência e filosofia não podem mutuamente desconhecer-se... são, uma e outra, emanação da razão e de uma razão que permanece fundamentalmente a mesma nestas duas manifestações. E. MEYERSON, De l’Explication dans les Sciences, Paris, Payot, 1924, t. II,:361.
A CULTURA ASIÁTICA percebe os polos complementares. Confúcio, a vertente do Tao, e o Budismo consagram a integração.
A civilização greco-romana adotou o confronto. O sabre colocou o povo à serviço do Império:
A sociedade grega e romana se fundou baseada no princípio da subordinação do indivíduo à comunidade, do cidadão ao Estado. Como objetivo supremo, ela colocou a segurança da comunidade acima da segurança do indivíduo. Educados, desde a infância, nesse ideal desinteressado, os cidadãos consagravam suas vidas ao serviço público e estavam dispostos a sacrificá-las pelo bem comum; ou, se recuavam ante o supremo sacrifício, sempre o faziam conscientes da baixeza de seu ato, preferindo sua existência pessoal aos interesses do país.
TOYNBEE, Arnold J.:196.
Depois da queda do Império, a simples ameaça do diabo era suficiente para manter o povo nos eixos, a long time ago. Na Idade Média os trabalhos do egípcio Cláudio Ptolomeu (90-168 D.C.), Santo Tomás de Aquino (1250), e por fim o folclore da Divina Comédia, de Durante Aldighieri de Ferrara* reforçaram a Pax Benedictina:
Mesmo os ateus estão de acordo acerca de que não há coisa que mais mantenha os Estados e as Repúblicas do que a religião, e que esse é o principal fundamento do poderio dos monarcas, da execução das leis, da obediência aos súditos, da reverência dos magistrados, do temor de proceder mal e da amizade mútua para com cada qual; cumpre tomar todo o cuidado para que uma coisa tão sagrada não seja desprezada ou posta em dúvida por disputas; pois deste ponto depende a ruína das Repúblicas.
BODIN, Jean, cit. CHEVALIER, Jean Jacques: 55
Seria prudente despir a ciência e a filosofia do rigorismo acadêmico, da obssessão pelo exato, e conseqüente rechaço às probabilidades? Unir-se-iam número e letra, sem constrangimentos?
A resposta é tão positiva quanto E=MC2. Ao mesmo tempo, por outro paradoxo, a tradição assim condena:
Em conseqüência, tanto o platonismo quanto o cristianismo
distanciam os seres humanos do meio que os rodeia.
A natureza e a experiência eram encaradas como o mundo das
modificações perturbadoras, o mundo do erro e do caos.
Para o cristianismo, a dúvida e a incerteza são obra do diabo.
Zohar, D., 2000, p. 188.
Como proceder a síntese sem confronto?
Exceto por raras brilhaturas, o intento nunca interessou. Isso significava o desmanche das dialéticas; o fim da especialização, em favor do conhecimento abrangente; a reaglutinação do corpo e da alma; a desmistificação da matéria, pela inclusão do presumido contrário, a energia. Onde se colocaria a metafísica?
Os
esquimós das exatas preferem a frieza dos números. Os tuaregs das humanas tem dificuldades com eles, e preferem o calor da palavra. Não são poucos os embaixadores que tratam da reunião, mas todos são oriundos ou do deserto, ou das geleiras. Quem teria melhor chance de êxito? Poderiam ambos se sentarem na mesma mesa? Que linguagem lhes seria comum, a ponte pelo qual poderia haver um conclave? Qual origem estaria mais capacitada a entender meio e fim? Qual via usaremos para retornar ao status quo, por exemplo, algum ponto de comércio no qual ambos se despissem dos seus preconceitos, acumulados por séculos? Em que trópico poderiam se abraçar?
Os filósofos costumam vasculhar labirintos, e levam muitos físicos de roldão. Encantam-lhes concepções platônicas, e assim talham seus mais modernos edifícios nessas plantas careadas. É compreensível.
Os físicos já tem muitas contas a ocupar sua cabeça, de maneira que nela é difícil encontrar ainda mais espaço às letras; e por causa disso, pela lógica que estão acostumados a trilhar, supõem que também os livros de filosofia, em especial os mais propalados, também sejam dotados de lógica, e dessa forma alguns poucos mapas já seriam suficientes para embasar as proposituras previamente articuladas em suas mentes. Na verdade buscam na filosofia o apoio às teses que lhes apaixonam:
“Não tenho dificuldades para admitir, identificando o platonismo com matematicismo, o caráter platônico da ciência galileana”. (GEYMONET, Ludovico: 42)
Como há filosofia para tudo, desde o materialismo dialético ao nazismo bestial, sempre encontram a fonte primaz pela qual se julgam seguros para formular seus arrazoados, de modo que a reunião é dispensável, e até inoportuna.
A filosofia está escrita neste grande livro que permanece sempre aberto diante de nossos olhos; mas não podemos entendê-la se não aprendermos primeiro a linguagem e os caracteres em que ela foi escrita. Esta linguagem é a matemática e os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas.
GALILEU, cit. CAPRA, Fritjof, O ponto de mutação: 50
Na matemática não há fatos fora do seu próprio campo que exijam comparação. Por causa dessa certeza, os filósofos de todos os tempos sempre admitiram que a matemática propicia um conhecimento superior e mais confiável do que o reunido em qualquer outro campo do saber.
RUSSELL, B., 2001: 137
A cisão vem ampliada pelos interesse dos filósofos de Estado e das religiões, e por isso se torna não só aos físicos, como a toda a comunicade científica escapulir desse grilhões, mormente se lembrarmos que a maciça maioria das escolas, do pré-primário ao doutorado está à cargo justamente de próceres de governos nacionais, ou do Vaticano. Em ambos os casos a filosofia asiática simplesmente é ignorada, e pelo último taxada até de sacrilégio.
Teríamos como superar o impasse? A postura oriental seria forte ao reestabelecimento da harmonia cognitiva? A julgar pela maioria dos pesquisadores, a resposta permanece negativa:

Analisando aspectos da luta que os primeiros cientistas modernos travaram contra o misticismo,o ocultismo e o orientalismo, e como que refazendo o processo de Galileu, o autor procura renovar o significado e o valor daquela Revolução Científica que permanece nas raízes da civilização moderna.
ROSSI, Paolo, A ciência e a filosofia dos modernos: aspectos da revolução científica. - S.Paulo: UNESP, 1992
Se os das letras só pescam em suas represas, a maioria dos físicos se atém em seus parcos poços. Eric Kraemer, em La grand mutation (cit. Goytisolo: 69) estabeleceu contundente crítica:
Entre a teoria dos quanta, que sustenta o edifício científico da idade atômica e o pensamento dos economistas e filósofos, marxistas e tecnocratas, parece terem decorrido séculos. Já não falam a mesma língua. Já não têm nem uma idéia comum.
A academia lhes confere as devidas condecorações, e isto basta para caírem na festa da ilusão. Raro se desgarra do vêzo da pouca leitura, mas o Zenith está na mão. Contudo, é a interdisciplinaridade é essencial. Ela aponta desde o fim da Torre de Papel à importância da China.
Ao montar o puzzle mais completo se descortina a irreverência da nova ciência, por paradoxo sua inexorável maturidade, tempo de liberdade pela "biodiversidade". É do que nos ocuparemos nos próximos dias.
No raiar de novembro há lembranças dos finados, dessa gente que só pode ser apreciada na modalidade energética, malgrado em vida havermos identificada na forma material. No oriente, a Índia celebra a Festa das Luzes, no fito de balizar o retorno da deusa Lakshmi, símbolo do dinheiro e da prosperidade, resgatada das mãos de Ravana através de Rama e Sita - reencarnações de Vishnu, esta essência universal. Ela só encontra o caminho de volta para casa graças ao povo que ilumina a floresta.
Assim vaticinou John Dewey (p. 205):
"Quando a filosofia vier a cooperar com o curso dos acontecimentos e tornar claro e coerente o significado dos pormenores diários, a ciência e a emoção hão de interpenetrar-se, a prática e a imaginação hão de abraçar-se."
Acendo minhas tochas.