segunda-feira, 20 de abril de 2009

Denúncias e lágrimas no Congresso



Ex-empregado afirma que o senador Gerson Camata, do PMDB, recebeu propina de da famosa empreiteira Odebrecht e apresentou prestações de contas falsas para justificar gastos inexistentes. Camata nega tudo e diz que o traidor Andrade está sob tratamento psiquiátrico.

Pelo quadro que hoje apresentou, por certo o sen a dor também precisa terapia; de preferência, penal.
"Para negócio assim, que é só maldade, qualquer traição é honestidade." Sheakspeare
Sen a dor comissionado pela empreiteira da corrupção
Já o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o de puta do Fernando Gabeira (PV-RJ) admitem ter participado da farra de passagens aéreas. Em nota, Temer reconhece que inúmeras viagens "de familiares e terceiros" foram pagas pelo Congresso. O recordista é o de puta do Dagoberto Nogueira Filho (PDT-MS).Entre janeiro de 2007 e outubro de 2008, o parlamentar realizou 40 viagens internacionais usando a cota de passagens, que, na realidade, é destinada a vôos dos parlamentares para seus estados de origem. .Léo Alcântara, filho do ex-governador Lúcio Alcântara, e Marcelo Teixeira realizaram 35 passeios às custas de nosotros.
Questionado sobre a informação de que teria usado passagens da Câmara para viajar com a mulher a Paris, o corregedor da Casa, ACM Neto (DEM-BA), diz que "isso pode ter acontecido", informa o "Painel" da Folha
, 22/4/2009.
Segundo levantamento do GLOBO, eles também têm gastos altos de verba indenizatória com hotel, comida e locomoção.
Dos "politizados" estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina embarcam muitos turistas. Os mais contumazes:

Rio Grande do Sul
Afonso Hamm (PP) - 19
Ruy Pauletty (PSDB) - 15
Vieira da Cunha (PDT) - 14
Adão Pretto (PT) - 8
Darcísio Perondi (PMDB) - 7
Tarcísio Zimermmann (PT) - 7
Enio Bacci (PDT) - 6
Paulo Roberto (PTB) - 6
Cláudio Diaz (PSDB) - 5
Germano Bonow (DEM) - 4
José Otávio Germano (PP) - 4
Pompeo de Mattos (PDT) - 4

Santa Catarina
Fernando Coruja (PPS) - 19
Nelson Goetten (PR) - 14
Djalma Berger (PSB) - 8
João Matos (PMDB) - 8
Ângela Amin (PP) - 6
Edinho Bez (PMDB) - 4
Paulo Bornhausen (DEM) - 4

O de puta do Ruy Paulleti (PSDB/RS) gosta de passear em Miami, Buenos Aires e Paris, mas não descarta Londres e Milão, de onde é oriundi.
O avião da alegria tem partidas diárias, com fiéis passageiros arrebatados alhures: Arnaldo F. de Sá (PTB-SP), 29; J. Tatto (PT-SP), 28; P. Fernandes (PTB-MA), 28; G. Hilton (PP-MG), 27; Vic P. Franco (DEM-PA), 27; A. Gomes (PMDB-CE), 24; E. Lopes (PSB-RJ), 24; E. Rabelo (PP-CE), 24; P. H. Lustosa (PMDB-CE), 24; M. Negromonte (PP-BA), 23; J. C. Bacelar (PR-BA), 22; L. Sampaio (PPS-RJ), 22; M. Trindade (PR-BA), 20; Rebecca Garcia (PP-AM), 20; R. Balestra (PP-GO); 20. Vic Pires Franco disse que concedeu tickets à própria mulher, Valéria, ex-vice-governadora do Pará; os filhos, os namorados das filhas e um casal de amigos, do qual é compadre.
"A gente fica até envergonhado, porque entra numa vala comum que me revolta" - disse ele..
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Estudo da ONG Transparência Brasil
mostra que 66% de tudo que foi produzido no Senado desde 2003 e na Câmara, desde 2007, não têm relevância para o ordenamento jurídico e, por conseqüência, para a população brasileira. Aliás, ao contrário, impõem-lhe pesados fardos, em proveito corporativo.
.A Casa tampouco fiscaliza o Executivo. O flamante sen a dor Arthur Virgílio (PSDB-AM) fez 858 homenagens desde 2003. Entre elas, por exemplo, o tucano ofereceu, em agosto de 2008, voto de estímulo ao músico conterrâneo Geovani Andrade,
prestes a lançar o CD de estréia “Infinito”.

Esse estado de coisas, que coloca em risco a legitimidade do Poder Legislativo, tem origem na cooptação a que esse Poder se entrega ao Executivo. O loteamento administrativo entre os partidos tem a função de neutralizá-los. Eles deixam de legislar e fiscalizar o Executivo, pois essa é a contrapartida do negócio que se acerta.
ABRAMO, CLAUDIO WEBER, diretor da Transparência Brasil.
A soma dos benefícios e mordomias dos deputados resulta em conta salgada. Coisa de R$ 6,8 milhões por ano. No Senado, o espeto é ainda maior: R$ 33,8 milhões.
Os membros do Tribunal de Contas, entidade que faz de conta que controla as contas públicas, também colhem o ensejo e oferecem gasto médio de cerca de 80 mil reais por ano por integrante, só em passagens grátis, fora dezenas de outras retiradas.

Sejam sinceros: o que há de original para ser dito sobre o comportamento patife de boa parte dos políticos?
'Não dá para as pessoas ficarem definindo o que é ético e o que não é', respondeu outro dia o mi nistro Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional
http://oglobo.globo.com/pais/noblat
Os ganhos mensais dos parlamentares são compostos da seguinte maneira:
1. subsídio mensal: R$ 16.512,09
2. verba de gabinete, usada para contratar funcionários, cabos eleitorais e apadrinhados: R$ 60.000,00
3. Auxílio moradia: R$ 3 mil, para os parlamentares que não ocupem apartamento funcional;
4. verba indenizatória: R$ 15 mil, que devem ser usados em despesas de aluguel, manutenção de escritório, alimentação, serviços de consultoria e pesquisa, contratação de segurança, assinatura de publicações, TV a cabo, Internet, transporte e hospedagem do parlamentar e de seus assessores, entre outras;
5. cota postal e telefônica: de cerca de R$ 4 mil para os deputados e de cerca de R$ 5 mil para os líderes, vice-líderes, integrantes da Mesa e presidentes de comissões permanentes.
6. passagens aérea: quatro mensais de ida e volta aos estados e uma de ida e volta ao Rio de Janeiro.
7. verba para gráfica: R$ 6 mil por ano, para a impressão de discursos, projetos, pareceres, cartões pessoais de apresentação, folhas padronizadas e textos que contenham legislação ou material de interesse público;
8. cota de gasolina: apenas para os senadores.
Cada deputado e senador custa ao bolso do contribuinte cerca de R$ 100 mil por mês. Mas suas Excelências só pagam imposto de renda sobre R$ 16.512,09.
Nesta conta, naturalmente, não está incluída a verda do mensalão, de valor ignorado, mas ainda em vigor.

Somando tudo, é uma bolada e tanto. Mas o problema nem é esse, é o fato de que essa bolada pode ser usada a bel prazer de cada um, rolando solta. E tome de nota fria! E tome de duplicação de gasto! E tome de desfaçatez!
CATANHÊDE, ELIANE, Folha de São Paulo, 22/4/2009
O sen a dor Camata ainda tem outra mamata: por ser casado com uma de puta da, o artista fatura duplo auxílio moradia, em que pese ambos naturalmente morarem em apenas uma. Não é caso isolado. Existem vários parlamentares que moram em duplas, e assim racham a verba, claramente desvirtuando o espírito que a justifica.
Um esquema de venda de bilhetes aéreos bancados com verba pública opera paralelamente à farra das passagens, na qual congressistas distribuem sua cota para familiares e amigos viajarem a turismo, informa reportagem de Silvio Navarro
Folha de São Paulo, 24/04/2009
Se tudo isso não for falta de decoro parlamentar, pode me tirar o tubo. Todos os parlamentares envolvidos se enquadram, perfeitamente, em processos de cassação.
"A classe política brasileira faz piquenique na beira do precipício."
Lucia Hippolito, O Globo, 20/4/2009
Essa tal democracia começa da dar saudades da ditadura.
Para homenagear a distinta classe, apresento
uma composição que lhe é bem compatível.
* * *

As grandes nações não são jamais arruinadas pela prodigalidade e mau emprego dos capitais privados, embora, às vezes, o sejam pelos públicos. Na maior parte dos países, a totalidade ou a quase totalidade das receitas públicas é empregada na manutenção de indivíduos não produtivos [...] Toda essa gente, dado que nada produz, tem de ser mantida pelo produto do trabalho de outros homens.
SMITH, ADAM, Inquérito Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações vol.I, 1999: 599.
A CARÊNCIA DE ALTIVEZ não preocupa o corrupto. Para alcançar o invejado status que supõe glorioso, não titubeia abandonar a trilha da virtude. O covarde age à traição. Vale-se de ordinárias fraudes, vulgares falsidades. Mistura-se na multidão, na corporação ou no partido, para perpetrar suas más intenções. E caso se depare com algum opositor, vale qualquer recurso para superá-lo, ou liquidá-lo. Engana-se em buscar desse modo o esplendor. Só alcança fracasso, ao invés do êxito que desesperadamente almeja. E ainda que logre atingir a meta, sempre se decepciona miseravelmente com a felicidade que acredita poder nela saborear. Jamais presume que a cada virtude e a cada vício a natureza oferece precisamente a recompensa ou o castigo mais adequado para encorajar uma e refrear a outra.
Em flagrante, nega, mas chora, copiosamente.

*A ministra demissionária da Casa Civil, Erenice Guerra, deixou o Palácio do Planalto por volta das 14h desta quinta-feira (16/9/2010). Chorando, se despediu de assessores, recolheu parte de seus objetos pessoais no gabinete e prometeu aos seus subordinados rebater todas as acusações e processar aqueles que considera que denegriram sua imagem. Sua equipe passou o dia encaixotando os demais pertences.
A honra de sua elevada posição aparece tanto a seus próprios olhos quanto aos demais, corrompida e maculada pela baixeza dos meios pelos quais ascendeu. É digno de pena. É o que tencionam as lágrimas, quando cai a máscara.
Até chegar o instante fatal, jamais cogita ser pego em flagrante. Como rato, procura a primeira sombra para esconder sua pouca vergonha, mas lembra-se do que fez, e essa lembrança lhe diz que outros também lembrarão. À toa invoca os obscuros poderes do esquecimento. Seja na venal e vil adulação dos parceiros, no meio de eventuais inocentes e mais que tolas aclamações populares, ou nos ninhos dos sabidões, é secretamente perseguido pela retaliadora fúria do remorso.
Enquanto a glória parece lhe abraçar, o traíra tem sua imaginação aviltada. E vê a negra e podre realidade avançar em sua direção, pronta a atacá-lo também pelas costas, justamente de acordo com seu predileto intento. Não raro, tem razão. É que Maquiavel, o diretor da peça, programou-a sem variação, reservando um final melancólico, senão trágico, ao seu astro principal, para deleite da platéia.

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