domingo, 2 de agosto de 2009

A física moderna e o fim do materialismo


Com base num profundo e abrangente estudo da ciência, Lênin provou que os métodos do materialismo dialético, tal qual formulados por Marx e Engels, eram inteiramente confirmados pelo desenvolvimento do pensamento científico em geral e pela ciência natural em particular. TROTSKI,  cit. FADIMAN, Clifton org., :318
O pensamento de Einstein sobre as grandes questões do momento foi sendo parcialmente captado, em pequenas porções, às vezes mesmo em parcas gotas. Mas o resultado foi alcançado. Einstein não é mais o pensador isolado e solitário. Suas idéias e opiniões circulam. O eremita volta de sua tebaida e espalha suas palavras entre os homens do século. ALMEIDA, M. O., de, Ensaios, críticas e perfis: a ação humana e social de Einstein; MOREIRA, Ildeu de Castro e VIDEIRA, Antonio Augusto Passos Organizadores, Einstein e o Brasil: 42
Sintetizando, posso dizer que a conclusão fundamental dos estudiosos do campo quântico é que a matéria-prima do mundo não é material, as coisas essenciais do universo são não-coisas. Toda a nossa tecnologia baseia-se nesse fato, que faz cair pode terra a atual superstição do materialismo. CHOPRA, D., Criando Prosperidade-A Consciência da Riqueza no Campo de todas as Possibilidades: 19
Crise existencial
Vivemos à base de idéias, de morais, de sociologias, de filosofias e de uma psicologia que pertencem ao século XIX. Somos os nossos próprios bisavós
BERGIER, Jacques e PAWELS, Louis, O despertar dos mágicos: 31
Não podemos esperar resultados diferentes se fizermos sempre o mesmo. A crise é a maior bênção que pode acontecer às pessoas e aos países. Ela provoca salto ao progresso, a superá-la. A criatividade nasce da angústia assim como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise supera-se a si mesmo sem ter sido superado. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência.
O problema das pessoas e dos países é a dificuldade para encontrar as saídas e as soluções. Sem crises não há desafios, sem desafios a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crises não há méritos. É na crise que aflora o melhor de cada um, porque sem crise o vento é uma carícia. Falar da crise é promove-la e calar-se durante a crise é exaltar o conformismo. Em vez disto, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez c
om a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la.
Se é difícil olhar, por um instante, para o semblante da morte que ameaça paralizar o nosso braço, mais difícil ainda é resistir, durante toda uma vida, aos prejuízos e rotinas que ameaçam asfixiar a nossa inteligência. OS VALORES MORAIS - O Homem medíocre, de José Ingenieros
O materialismo religioso
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu. BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 20
O vigário polonês COPÉRNICO (cit. CHÂTELET, F.: 49)  revendeu o bilhete premiado:
E no meio repousa o Sol. Com efeito, quem poderia no templo esplêndido colocar essa luminária num melhor lugar do que aquele donde pode iluminar tudo ao mesmo tempo? Em verdade, não foi impropriamente que alguns lhe chamaram a pupila do mundo, outros o Espírito, outros ainda o seu reitor.
Passado um século veio outro religioso a confirmar a certeza que levou os Trinta Tiranos de Atenas ao cume da Acrópole|: Deus ordenara o mundo como um relógio, perfeitamente engrenado. Ele calculara com precisão as forças de atração e repulsão entre os corpos celestes para lhes estabelecer a gravidade, e assim manter a regularidade do trenzinho  tão engenhosamente montado  à Sua própria distração. O preço por este blend de ingenuidade e esperteza  é o mais caro que pode pagar a civilização:

As teorias de Newton lançaram-nos em um curso que desembocou no materialismo que ora domina a cultura ocidental. Esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. BERMAN, MORRIS, cit. GOSWAMI: 31
Ninguém deu conta de onde nem como se operavam as forças; bastava crer em Deus."Newton vai mudando os dados, em suas várias edições sob sua supervisão, de modo a encaixar cada vez melhor a teoria. Físicos contemporâneos demonstraram a manipulação no limite da desonestidade." (LENTIN, J.P., Penso, logo me engano : grandes gênios, pequenas trapaças; Veja: 20/3/1996)
Apesar dos arranjos, não houve maiores questionamentos; isto é, exceto na Royal Society, a maternidade da democracia. Shaftesbury (em carta a Thomas Poole, cit. Brett: 109) discordava frontalmente do grande Newton, algo que nem Locke ousou: :"Newton era um mero materialista. Em seu sistema o espírito é sempre passivo, espectador ocioso de um mundo externo há motivos para suspeitar que qualquer sistema que se baseie na passividade de espírito deve ser falso como sistema." Tendo em vista, contudo, tratar-se de ciências humanas, não havia a prova matemática para por fim à pretensão. Ora sabemos. Ensina BERTRAND RUSSELL (As consequências filosóficas da Relatividade; cit. FADIMAN: 26): "Os corpos se movem como o fazem porque esse é o mais fácil movimento possível na região de espaço-tempo em que se encontram, não porque forças 'agem' sobre eles." O “ser” da matéria não se separa de sua atividade. O campo gravitacional age sobre o corpo para lhe informar por onde e como ele deve seguir; por sua vez, a matéria gera campos gravitacionais no EspaçoTempo e ele se curva.

Na verdade, nem o corpúsculo, nem o campo é a coisa fundamental. Ambos, em igual medida, são aspectos da matéria. São as duas formas fundamentais e primárias da matéria como tal. A estrutura da partícula é um reflexo de suas interações.TELLES JR. G., O Direito Quântico: 56
Ambos trocam energia e naturalmente se confundem.

A ordem implicada tem sua base no holomovimento, que é vasto, rico, e em um estado de fluxo infindável de envolvimento e desdobramento, cuja maioria das leis é vagamente conhecida, e que pode ser até incogniscível em sua totalidade. Logo, ela não pode ser apreendida como algo sólido, tangível, e estável aos nossos sentidos (ou aos nossos instrumentos).
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 192
BRIAN GREENE (cit. ISAACSON, W.: 235) descreve:

Espaço e tempo tornam-se jogadores do cosmos em expansão. Eles ganham vida. A matéria aqui faz o espaço se curvar ali, o queleva a matéria aqui ase mover, o que leva lá o espaço a se deformar, e assim por diante. A relatividade geral dá uma coreografia para a ciranda cósmica do espaço, tempo, matéria e energia.
A interação é total: “A massa de um corpo é a medida de seu conteúdo de energia.” (EINSTEIN, A., cit. JAMMER: 154)
Aquelas ciências humanas, no afã de se verem econhecidas em suas cientificidades, adotaram os critérios da mater corrente, edificadas naquela estrutura presumidamente correta, agora só lhes resta sucumbir junto às próprias bases que lhes projetaram:"As pesquisas atuais que se desenvolvem em setores da Filosofia, da Psicologia, da Lingüística, e mesmo da História e Arte, convergem todas para a mesma sugestão: o paradigma tradicional está, de algum modo, equivocado." (KUHN, T.:156)

Entre a teoria dos quanta, que sustenta o edifício científico da idade atômica e o pensamento dos economistas e filósofos, marxistas e tecnocratas, parece terem decorrido séculos. Já não falam a mesma língua. Já não têm nem uma idéia comum.KRAEMER, Eric La grand mutation cit. GOYTISOLO: 69
MIster cair na real: "O materialismo do século XIX morreu por falta de matéria - que ironia!- pois a ciência do século vinte reduziu a tal matéria a energia. E=mc2. Energia é massa multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz. (ROHDEN, H., cit. MONTEIRO: 9)
EINSTEIN (in New York World Telegram, 19/9/1933) era coerente:

Sou democrata convicto. É por isso que não vou à Rússia, embora já tenha recebido convites bastante cordiais. Minha viagem a Moscou certamente seria explorada pelos dirigentes soviáticos em benefício de seus próprios objetivos políticos. Ora, sou adversário do bolchevismo tanto quanto do fascismo. Sou contra todas as ditaduras.
"Einstein, apesar de sua falta de simpatia pela Inglaterra, ainda prefere que a Inglaterra vença ao invés da Alemanha; a Inglaterra saberia melhor como deixar o resto do mundo viver." (De um artigo não publicado, sobre tolerância; 1934; CALAPRICE: 216)
Deixou-nos esse relato o pacifista ROMAIN ROLLAND, em 1915, portanto no curso da I Guerra. Na II, EINSTEIN já residia nos EUA.
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Die Frage, die meinen Kopf entsprang,
hat Brasilien sonniger Himmel beantwortet
A questão, que minha mente formulou,

foi respondida pelo radiante céu do Brasil
ALBERT EINSTEIN


As dúvidas foram encerradas.
Enfim foi descoberto:
a luz pode ser curvada
E Einstein de glórias coberto.


"O conceito científico do tecido do universo tem de mudar. A recém-confirmada teoria de Einstein exigirá uma nova filosofia do universo, uma filosofia que vai varrer quase tudo o que se tem aceito até agora." ( "Fabric of the Universe"; The Times de Londres, editorial de 7/11/1919)
Os luminares do Brasil 
Quase mil livros e artigos sobre a relatividade tinham sido publicados quando o incomparável cientista desembarcou em nosso país. De 4 a 12 de maio de 1925, o quarto n. 400 do tradicional Hotel Glória abrigou a personalidade do século. O alemão realizou conferências sobre a Teoria da Relatividade justamente no Clube de Engenharia, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e na Academia Brasileira de Ciências. Tudo em vão:

Esses primeiros contatos, porém, não foram intelectualmente proveitosos pois a platéia ainda conhecia pouco as teorias expostas por Einstein, envolvendo física quântica e a própria Teoria da Relatividade, e olhavam com desconfiança e ceticismo tais idéias 'extravagantes' para a época. LIMA, Márcia Tait, A genialidade não relativa de Einstein, Cienc. Cult. vol.57 no.2. - São Paulo Abr./Jun 2005
Mais de meio século da efeméride, ainda não havia nada de novo no parco front:

Lia-se Marx, Weber, Dobb, Mannheim, Lukács, Heller e, em 1968, muito Marcuse. Também Gramsci começava a ser estudado. De início, no curso de História das Idéias, foram introduzidos os seus escritos sobre Maquiavel, mas nos anos 70, tornou-se um dos autores mais trabalhados, a ponto de, no princípio dos anos 80, ter sido tema de tese de livre-docência de um dos professores da Cadeira. Nos cursos de Instituições Políticas Brasileiras discutia-se desde as questões referentes ao escravismo, ao feudalismo e ao capitalismo na formação do estado brasileiro, debate que foi uma constante durante certo período, até os aspectos mais atuais do país, ou seja, a revolução brasileira, o populismo e o autoritarismo. Caio Prado e Celso Furtado eram leituras obrigatórias. QUIRINO, Célia, Departamento de Pós-graduação em Ciências Políticas da USP
O principal propósito da minha apresentação é provar aos senhores que não se está ensinando ciência alguma no Brasil! Não consigo entender como alguém pode ser educado neste sistema de autopropagação, no qual as pessoas passam nas provas e ensinam os outros a passar nas provas, mas ninguém sabe nada.  FEYNMAN, Richard P, O Senhor está brincando, sr. Feynman?
Agora passado século, presumo que haja melhor emprego do tempo. Quem sabe alguma academia não se modernizou um pouco, pelo menos?
Parece-me ainda mais urgente informar o pessoal do chão-de-fábrica; principalmente seus eleitores.


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