terça-feira, 18 de agosto de 2009

Economia maquiavélica




O poder excessivo do setor financeiro é o  motivo pelo qual o mundo chegou à crise atual. RUSSELL, Bertrand, 1930. O Moderno Midas, 2002: 69.
Quando por negligligência, imperícia, imprudência, ou até por imprevisto se abate indesejável evento, impõe-se que pelo menos extraiamos a lição, a evitar repetição.
Ao contrário, quando a ação ou apenas presunção coincide com algum êxito, eis o motivo para retocá-la, em detrimento de quaisquer outras hipóteses, per se duvidosas, até prova em contrário. Infelizmente mesmo neste caso o resultado pode ser discrepante, e a prova costuma ser imediata - basta ter sido mal avaliado o peso, a intensidade, o número das convergências e as consequências advindas daqueles atos. E como é impossível a quem quer que seja conjecturar a enorme da gama de vetores incidentais que contribuíram ao sucesso ou fracasso de um acontecimento, invocar a mesma estratégia em EspaçoTempo diverso constitui a receita ao mais completo malogro.
Somos inclinados a rechaçar as experiências funestas, e abraçar as exitosas; entretanto, uma atitude passada pode ser vista por dous lados, como dizia MACHADO. O nazismo logrou pleno sucesso; mas serviu de caixão ao seu criador. O New Deal salvou o moral americano, mas restringiu a liberdade, e engessou a economia. Os despojos alemães e japoneses a recompuseram, no mais alto preço de milhões de vidas.
O planejamento em escala abrangente é uma impossibilidade epistêmica. GRAY, J., cit. GIDDENS, A.: 80
Grosso modo, qualquer estrada até pode bem conduzir; todavia, convém uma viagem ad eternum rumo a alguma metafísica, por mais atraente que seja? Alienar-se. e pior, levar a civilização e desprezar o restante do Universo em razão de um ideal preponderante?
As considerações econômicas são meramente aquelas pelas quais conciliamos e ajustamos nossos diferentes propósitos, nenhum dos quais, em última instância, é econômico (exceto os do avarento ou do homem para quem ganhar dinheiro se tornou um fim em si mesmo).
SEN, Amartya: 328
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Tal qual o Renascimento, o Crash de 1929 fornece enorme gama de subsídios a todo mundo.A desventura norteamericana vem sendo fartamente relatada, contada até de pai para filho. Políticos tem obrigação de conhecer todas as facetas do marcante episódio, posto não ter sido nenhum fenômeno sobrenatural, mas forjado às últimas consequências. O mesmo se requer de qualquer economista, sociólogo, historiador. E se o povo perceber, por um rasgo qualquer, seja por transmissão hereditária, ou escolar, poderá avaliar, de antemão, se o boi que lhe apresentam pode ser bom de charrua, e a vaca à reprodução. Pois nada disso tem adiantado. Os políticos enxergam nas crises uma oportunidade de exercerem maior ascendência, e menor resistência; então a provocam:
"Não pode haver dúvida que os nazistas eram o partido da depressão... ganharam proeminência eleitoral apenas em 1930, quando as condições econômicas se deterioraram." (EICHENGREEN, B., & TEMIN, Peter, cits. PARKER, S.: 139)
“O Estado, jornal, expressava que Getúlio, o caudilho, chefe do peronismo brasileiro, fomentava a crise a fim de justificar perante ao povo e as classes armadas, o seu tão acariciado golpe continuista.” (SKIDMORE, Thomas, Brasil, de Getúlio a Castelo: 167)
Os catedráticos, louvando-se cada qual na própria experiência, julgam que ninguém vá proceder com má intenção, e por isso se limitam elencar estatísticas para formular suas bases ideológicas. A colheita, todavia, será sempre parcial, porque instantânea, fotográfica, circunscrita ao EspaçoTempo que lhe é objeto de investigação, e geralmente de acordo com suas idiossincracias.
O tema de todas as ciências históricas é o passado. Elas não podem ensinar algo que seja aplicável a todas as ações humanas, ou seja, aplicado também ao futuro. As ciências naturais também lidam com eventos passados. Toda experiência é uma experiência de algo que já passou; não há experiência de acontecimentos futuros. A informação proporcionada pela experiência histórica não pode ser usada como material para a construção de novas teorias ou para a previsão de acontecimentos futuros (...) Não há possibilidade de estabelecer a posteriori uma teoria de conduta humana e dos eventos sociais. Os postulados do positivismo e escolas metafísicas congêneres são, portanto, ilusórios.
MISES, Ludwig von, Ação Humana - Um Tratado de Economia: 72
Quanto ao povo?
O estudo da sociedade é tão precioso porque o homem é
muito mais ingênuo como a sociedade do que como indivíduo.

NIETZSCHE, F., Vontade de Potência - Parte 2: 276
A crueldade

The bright boys, where are they now?
Fernando, handsome wop who led us.

We´re salesman clerks abd civil engineers
We hang certificates over kitchen sinks
Our toilet wall arestuck with our degrees
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A recessão foi cruelmente tecida ao sabor dos gangsters:
Quando Hoover se tornou presidente em 1929, começou a perceber com muita clareza para onde isso estava indo. Apelidade de 'grande engenheiro' por seu trabalho de viajar pelo mundo da mineração, Hoover era astuto em termos fiscais, um milionário antes de chegar aos trinta anos de idade. Instou o Federal Reserve a desaquecer o mercado de crédito elevando a taxa de descontos, uma medida que teria efetivamente elevado as taxas de juros de todo o país. Seus banqueiros controlavam a poderosa agência nova-iorquina do Federal Reserve, ou seja, tinham participação significativa na definição da política monetária.
PARKER, S.,
O crash de 1929 - As lições que ficaram da grande depressão: 47/8
Friedman mostrou que as autoridades monetárias haviam produzido efeitos indesejados na economia, tais como inflação e depressão devido ao tratamento errôneo da oferta de moeda. Ele culpa o Federal Reserve pela grande depressão da década de 1930, alegando que este, em um primeiro momento, reduziu a oferta de moeda devido ao medo de especulação demasiada no mercado acionário e depois não fez nada de 1930 a 1931, quando houve uma corrida aos bancos.
GLEISER, I.
: 151
"Entre 1930 e 1931, o Fed permitiria que a oferta de moeda encolhesse em um terço. Estava-se permitindo que a moeda, o combustível com que todas economias são operadas, simplesmente fosse drenada para fora do tanque. (PARKER, S.: 83)
"Quando os controladores entraram no sistema, ficou clara que mesmo os bancos de grandes grupos tinham uma gestão vergonhosa, sendo as instituições de Heny Ford um exemplo perfeito." (Idem: 352)
JOHNSON (p.232) sublima:
“Os anos 30 formam uma época de mentiras heróicas."
Por supuesto. Com o susto e a desgraça geral, os corretores forraram o poncho, vários grandes bancos foram criados, políticos, advogados, burocratas e economistas enriqueceram.
O empresário JOSEPH PATRICK "JOE" KENNEDY contabilizou enorme lucro no mercado de ações, negociando seus papéis há poucas semanas, enquanto o preço ainda estava nas alturas.
KEYNES também colheu o ensejo, e aumentou espetacularmente o patrimônio pessoal: de 16.315 libras, quando chegou aos EUA, atingiu a 411.238 - equivalentes a 12 milhões de libras em valores atuais - quando morreu. (STRATHERN: 35)
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A falta de imaginação

Quando os empresários comparam as rentabilidades dos projetos de infraestrutura com as taxas de juros que estão amplamente ligadas à 'preferência por liquidez', eles podem eventualmente renunciar a certos investimentos. A sociedade rica entra então numa depressão cumulativa e crônica, sem prespectiva de reerguimento a longo prazo.
GAZIER, Bernard, A crise de 1929: 101
Desde 1968 a juventude reivindica imaginação ao poder. Tudo em vão. As lideranças do Brasil, um país de todos, preferem apurar os idênticos resultados que antecederam a II Grande Guerra, talvez com vistas a assumir o mundo inteiro.
A carga tributária brasileira bateu novo recorde histórico em 2007 e chegou a 35,31% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo a Receita Federal.
Estadão,
14/12/2008

Os juros para as linhas de crédito do cheque especial para pessoa física tiveram alta, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), em 25/8/2009. A taxa passou de 167% ao ano em junho para 167,3% ao ano em julho.

O total de famílias com alguma conta em atraso passou de 17% para 19% entre os meses de julho e agosto na cidade de São Paulo, aponta pesquisa divulgada em 36/8/2009 pela Fecomercio SP

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que apresentou deflação de 0,32% em agosto/2008. 'Fiquei muito satisfeito com IGP-M de hoje que deu negativo, deu deflação. Invertia
Indice Geral de Preços - 10 (IGP-10) registrou deflação de 0,60% em agosto deste ano, contra variação de -0,35% no mês anterior, segundo informou hoje (18/8/2008) a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) caiu ainda mais em agosto, marcando o terceiro mês seguido de deflação (variação negativa), devido principalmente a uma maior queda dos custos no atacado. O índice caiu 0,6% neste mês, após recuar 0,35% em julho, informou ontem (17/8/2009) a Fundação Getúlio Vargas (FGV).


O Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro, desabou 2,51%, aos 55.218 pontos, na pior jornada desde 22 de junho.

A taxa de inadimplência da pessoa jurídica subiu 26,3% em julho, na comparação com o mesmo mês do ano passado, apontou pesquisa da Serasa Experian, empresa especializada na análise de crédito. Ante junho, a variação foi de 6,6%. Já no acumulado de janeiro a julho, o índice de atraso nos pagamentos chega a 29,7%.

Folha de São Paulo, 24/8/2009

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse considerar 'natural'
um recuo de 9,38% em relação ao mesmo período de 2008. sobre a arrecadação de impostos e contribuições federais. A cifra foi divulgada hoje (20/8/2009). 'Quando há uma queda no PIB como neste ano e também desonerações, que já chegaram a R$ 15 bilhões, é natural que a arrecadação caia', disse Mantega, após o lançamento da 9ª edição do 'Anuário Valor 1.000', organizado pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo.

As firmas de capitais privados tiveram dificuldades na hora de obter créditos dos bancos para completar os acordos de aquisição de companhias.

Hoje o ministro Guido Mantega afirmou que o Brasil terá que esperar mais três ou quatro anos para ver o déficit nominal chegar a zero. O déficit nominal é aquele que considera as receitas menos as despesas do setor público, incluindo os gastos com juros.
O Globo, 21/8/2009


A crise econômica internacional desmistificou a suposta supremacia do mercado e dos modelos importados. Ao mesmo tempo, abriu espaço para que países emergentes, como os nossos, impulsionem as necessárias reformas nas estruturas da governança global.
Presidente do Brasil.
Fonte das citações: www.invertia.com - 17/9/2009
Há quem lhe compreenda, perfeitamente:
Hoje, o subdesenvolvimento pede o superpoder. Como se os Estados do Terceiro Mundo muitas vezes dilacerados por divisões étnicas ou tribais, prejudicadas pelo atraso econômico, tentassem compensar esses obstáculos através de um acréscimo de autoridade política. Como se um poder unificado e concentrado fosse melhor capacitado para impor a unidade nacional e a modernização econômica. Como se o déficit econômico pudesse ser contrabalançado por um excedente político
SCHARTZENBERG, Roger-Gérard, O Estado Espetáculo: 83.
Diante da modesta pretensão de nosso jardineiro muito além do jardim, ainda é oportuno mencionar: o sádico diretor da mais famosa peça programou-a sem variação, reservando ao enredo um final melancólico, de preferência trágico, ao seu astro principal, justamente para deleite da platéia, a que lhe garante a popularidade já por cinco séculos a fio. Prudente parar de reprisá-la:
A bilheteria que um filme faz reverte num adicional que volta para o diretor, para o desenvolvimento do próximo projeto... É um filme que mescla as duas vertentes. A indignação pelo cinismo que parece ter tomado conta do Brasil e essa coisa visceral, de dentro."
Cineasta Hector Babenco, Virei um brasileiro para filmar denúncias'. - Folha de São Paulo, 18/8/2009)
"Esta sucessão de denúncias de privilégios, nepotismo e uso do dinheiro público em atividades privadas, semana após semana, sem que ninguém seja punido, está criando um crime ruim no país, como se estivéssemos vivendo um tempo de fim de feira." (KOTSCHO, Ricardo, http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho)
A  Nav's ALL novamente  antecipou o futuro para você,   "É como em 1968", diz diretor de Conselho Europeu
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* Os brilhantes rapazes, onde estão agora?
Fernando, que comandava todos nós?
Somos balconistas e engenheiros civis.
Penduramos diplomas sobre pias de cozinha.
As paredes de nosso banheiro estão forradas de certificados.

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