quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ter ou Ser

FRANCAMENTE não entendo a razão do Estado ser Ministro da Educação. Ao Leviathan o que importa é a obediência, não a consciência. Ora, o tempo do relho já foi.
Mas também não compreendo a razão dos religiosos ministrarem o conhecimento. O que sabem, senão arremedos metafísicos?
Ambos os páteos são gradeados. Tais ministérios nada educam. Apenas formam. Deixam o povo bem alinhado. Colocam-no na ordem para o progresso, mas ninguém pode dizer para onde, nem para quem.
Na pior das hipóteses, mas muito lembrada, formam tontos, de propósito. Dizem que o propósito é manter todos nas cordas. Neste caso, os mentores devem gostar de bonecas infláveis.
Os que se supõem norteados, referem-se ao progresso material. Esta seria a função do Estado. Entretanto, será mesmo o progresso material a via adequada ao portal da felicidade? Depende. O Império Romano foi o mais rico da História. No entanto, felizmente, desabou.
Quando uma cultura possui uma identidade limitada, própria dos estados, enfatiza-se a obtenção de lucros, a competição implacável, o imperialismo econômico, o nacionalismo extremado, o conflito, a violência, o medo. Ora, a cultura da Nova Era requer uma visão mais abrangente, que inclua e respeite a presença do ator, além dos objetos. Nesta cultura a ênfase recai no servir, e não na ganância; na cooperação, e não na competição. Ela abre os corações, e não apenas os mercados.
Não raros acadêmicos fazem cruzeiros sobre os cursos, e não encontram sua vocação. Ora, em rios não nascem miraguaias. Vocações são oceânicas, abrangentes. São vitais. A ninguém deveria ser lícito alienar sua breve existência numa engrenagem. Ouçamos um Nobel, e de Economia Amartya Sen:
Uma concepção adequada de desenvolvimento deve ir muito além da acumulação de riqueza e do crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à renda. Sem desconsiderar a importância do desenvolvimento econômico, precisamos enxergar muito além dele.
Se para o alimento necessitarmos de cálculo e pensamento, não quero fazer a rima. Somos piores que quadrúpedes. A vida não se resume em sobreviver. Aliás, ninguém sobrevive. O "ter" deveria ser banido do dicionário. Somos, apenas, breves possuidores. Ninguém deve se iludir.
Educação não pode ser restrita à matéria; portanto, não é função do Estado.
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Se a educação não pode ser ministrada em função de ter, seria então pertinente apenas ao ser?
Talvez mal menor, mas há de se reparar a lição de Ortega: somos nós e nossas circunstâncias. Se não as salvarmos, não nos salvamos.
A educação deve ser para melhorar, presume-se. Ela jamais acaba. É da evolução. Não se pode ter o privilégio da estagnação, sob pena de retrocesso. Lembro de novo o exemplo mais fulgurante. Quando o Império desabou, mudou de nome. Passou a Vaticano. Pronto. Novo exército à serviço da educação, desta feita do amor, não da guerra. Como o estado evolutivo somente é aferido diante do momento que precede a mutação, qualquer coisa era melhor do que a espada. E lá se foi o homem, na espiral da presunção.
Quando a peste assolava uma região da Idade Média, os sacerdotes reuniam os habitantes nas igrejas. Supunham que o povo unido jamais seria vencido. Quanto mais vozes integrassem o coro da oração, mais forte e eficaz seria o apelo, irresistível. Como conseqüência, a praga se propagava com extraordinária rapidez. Eis, portanto, um exemplo de amor sem conhecimento. Não há responsabilidade. Não serve.
* * *
A educação poderia ser de exclusiva responsabilidade dos pais, até a barba no rebento. Neste caso, o bastão passa de um a um, cada qual com suas peculiaridades e carências. É o maior e mais eficiente marketing-de-rede possível.
Se um pai não estiver presente, ou sem tempo disponível ao filho, (quack!) ou não tiver capacidade, (2 quacks!) pode-se propor o internamento em comunidades de pais, mas pais verdadeiros, não frades. Os batinados, sem filhos, nada tem a perder; portanto, pouco tem a preservar. Que se restrinjam aos devaneios. No sótão tem bastante alimento.
Se a família não suportar, sequer, contribuir com o que cria, a criatura deve passar à égide da comunidade, onde contrairá alguma dívida, quiçá apenas de gratidão, em troca do amparo.
Com a barba por fazer, o moleque estará apto para tomar as rédeas. Poderá adequá-las, naturalmente, aos pedregulhos espraiados ao largo de sua ventura. A educação não se restringe à formação. Seja em casa, na academia ou alhures, só estará formado quando for enformado. Até lá, tem tempo para se apefeiçoar. Para tanto, basta usar o meio primordial ministrado na primeira-infância: a leitura.
Nem ter, nem ser. Esses verbos são apenas intrumentos da dialética.
Conhecer; compartir e usufruir: eis a matéria-prima da ética, interação que se aprimora até a despedida, até nos transformarmos em energia pura.
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Na foto, o vizinho do Mário, o TriPulante Norberto Bobbio. Ele teve, e foi, por longo tempo; mas muito sabia.

3 comentários:

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