sábado, 6 de dezembro de 2008

A passagem do Tempo

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O tempo esvai-se logo e deves bem gozá-lo.
A ordem e a disciplina ensinam a utilizá-lo.
Aconselho-te, então, meu muito caro amigo,
A primeiro estudar lógica comigo
Teu espírito estará por fim bem amestrado
Em botas espanholas muitíssimo ajustado;
E assim já poderá deslizar, num momento,
Nas estradas suaves de todo pensamento
Não andarás indeciso a torto e a direito,
Erradio, a vagar, sem o menor proveito.*
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Para não ficar a ver navios, ou dentes de outras gentes, quando almoço sozinho além do milho debulho letras. Não são poucos os que se admiram. Há quem julgue falta de educação. Concordo; só não sei com quem. Outro quer saber o que leio. Lisonjeia-me o interesse. Ao mostrar o título, todavia, vem fatídica resposta: “Legal, pena que não tenho tempo!” Engraçado é que passamos pelo mesmo tempo. Para aquele, entretanto, é escasso. Não dá para fazer nada além do essencial. Raro, o tempo lhe custa mais caro. Acho um barato.
Ninguém tem tempo. Você tem, ainda bem. Eu também. Quanto mais gasto meu tempo, maior ele fica. Utilizo o meu, ora o seu, todavia gratifico. Porto tempos adicionais, cedidos gentilmente pelos grandes cientistas da civilização. São interessantes; mais ainda, prazerosos.
"Ela se renova, assim como as gerações, graças a uma atividade que constitui o melhor jogo do 'homo ludens': A ciência é, no mais estrito e melhor dos sentidos, uma gloriosa diversão." (BARZUN, Jacques, cit. BERSTEIN, Jeremy, Observación de la Ciencia; trad. Lorenzo Aldrete. México: Fondo de Cultura Económica, 1988: 11)  A ciência amplia a consciência; portanto, o tempo. Há célebres tapeadores, muitos velhacos, mas quando os descubro, também encurto o trajeto, com incomparável  satisfação. Meu tempo assim se multiplica por mil.. Ando até meio farto de tanto tempo. Tenho para dar e vender.
Quem diz que não tem tempo, não vê futuro. Take it easy, acabo com a agonia. Na mesa ainda vem sobremesa; mas se de regime, melhor abstenção. Não poucas vezes é mais prudente parar do que continuar rumo à inflação. Retrocedendo, obterá mais tempo:
Não é curto o tempo que temos, mas dele muito que perdemos. A vida é suficientemente longa e com genorosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido. SÊNECA, Sobre a Brevidade da Vida
À criança, sempre aflita, tudo demora a passar. A natureza é sábia. As múltiplas transformações tem que ser em lento compasso, à assimilação. Bebês não perdem tempo brincando. Adultos, tem a ganhar: basta não frequentar a academia - ela permanece fora da realidade; difícil é o retorno. Brincar rende mais que sonhar.
O velho marcado por câncer é felizardo. Muitos morrem na meia-idade. Outro tanto, ainda jovens. Rick nos deixou precocemente. O acidente o imolou. Nossa tristeza é tão sem fim quanto a própria eternidade. A ele e aos caros ausentes dedico o cruzeiro.

* * *
Getúlio tapeava o povo. Sua consciência lhe abreviou a estada, mas o entulho vigora. Lembro-me do imortal Mário Quintana: "O passado é um intrometido porque está sempre presente." Você faz bem em se intrometer, Passarinho; mas há os que merecem esquecimento. Esses passarão.
O tempo permanece aberto. Se você não bem usá-lo, outro lhe usurpará. Use o presente, considere o passado, mas conte com o futuro. Para não perder detalhes, não corra. A pressa traz a morte depressa. Prudente câmera lenta.
Tempo é dinheiro?
O homem ocidental civilizado vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas- de-uva. E pelo simples fato de que, se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria contnuado a explorar os trabalhadores, o relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina.WOODCOCK, A ditadura do relógio, In A rejeição da política, 1972 - http://lovedbdb.com/nudemenClock/index2.html
No fito de pretensamente melhorar nossa estada na Terra, a linha do tempo marca o compasso das gentes como gado embretado. Tudo mentira, e fatal, como sói acontecer.
A órbita planetária nos remete a um parque de diversões. Estações climáticas corroboram a infantil noção do carrossel.
Ao operador, e para quem usa o brinquedo, o tempo acarreta dinheiro ganho, ou gasto.. Mas se a Terra e nossa vida se restringem no incessante circular, nada faz sentido: seríamos meros passageiros do gigantesco disco-voador sem destino? Digo, de trem-voador, pela falta de mobilidade lateral? Não vai levar!.
O ponteiro do relógio não imita a cabeça de um cão correndo atrás do próprio rabo? Convenhamos: para quem isso é negócio? Obviamente a retrógada postura sequer pressupõe onde vai dar. Prometem o céu. Como papel, o celeste aceita tudo..Vá lá. A Nova Era é que não suporta mais as primárias e limitadas dialéticas:
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"O fato de o tempo ser próprio de cada corpo, não uma ordem cósmica única, envolve mudanças nas noções de substância e causa." (RUSSEL, cit. FADIMAN: 165)
E lá se vai o sofístico apelo trabalhista:
"Como o valor do trabalho depende cada vez mais do conhecimento, não podemos mais vender ou padronizar o tempo de trabalho como se ele fosse igual para todos."(TOFFLER, A.: 86)
Ciao Mussolini:

Uma coisa é certa, a hora uniforme do relógio não é mais pertinente para a medida do trabalho. Essa inadequação há muito era flagrante para a atividade dos artistas e dos intelectuais, mas hoje se estende progressivamente ao conjunto das atividades. Compreende-se porque a redução do tempo de trabalho não pode ser uma solução a longo prazo para o problema do desemprego: ela pereniza, com um sistema de medida, uma concepção de trabalho e uma organização da produção condenadas pela evolução da economia e da sociedade. Só se pode medir – e portanto remunerar – legitimamente um trabalho por hora quando se trata de uma força de trabalho-potencial (já determinado, pura execução) que se realiza. Um saber alimentado, uma competência virtual que se atualiza, é uma resolução inventiva de um problema numa situação nova. Como avaliar a reserva de inteligência? Certamente não pelo diploma. Como medir a qualidade em contexto? Não será usando um relógio. No domínio do trabalho, como alhures, a virtualização nos faz viver a passagem de uma economia das substâncias a uma economia dos acontecimentos. Quando irão as instituições e as mentalidades acolher conceitos adequados? Como aplicar os sistemas de medida que acompanham esta mutação?
LÈVY, PIERRE: 61
Por enquanto, milhões cultivam a ansiedade. Sentem-se atrasados, cansados, stressados, resultado da enorme pressão do tempo. E tome buzina, grita nas filas. Em véspera de Natal, cruzes. O fim-do-ano já está aí!!! É gente fechando, animal xingando:
"Sai da frente que atrás vem gente!"
“Tempo é dinheiro!”.
Sim, pode ser. Mas com tempo, porque a pressa pelo dinheiro? E sem tempo, como fazer dinheiro? Francamente!
"Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro!"
Já ouvi essa outra aberração. Tal conceito deve ter vindo da Bobonne. Lá ensinavam maravilhas ao pessoal de cá. Houve um especial. Retornou à Pátria empertigado. Como chegava da Europa, bem vestido, de fatiota, ninguém percebeu a lorota. Deram-lhe a chave do cofre. O bon-vivant confirma o ditado, mas tem outro que deve ter esquecido:
"Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe!"
Aguardo.
Quando se aposentar, não faça como o tipo, que não sabe o que fazer com o tempo furtado de todos lá atrás. Não se perturbe. Se nada se dispuser a fazer, também nada há de perder, e não precisa tomar de ninguém. Orienta-nos Lao-Tzè:
"Pela não-ação tudo pode ser feito."
Goethe, Miefistófoles, Heisenberg e mesmo Sêneca que me desculpem, mas cogito da hipótese amarela. Se porventura nesse meio-tempo alguém necessitar qualquer auxílio, por favor, acuse. Boa-vontade não me falta.

O banco do “ú” também deve conhecer nosso precursor asiático. O estabelecimento não tem disponibilidade de tempo. De dinheiro, está farto. Ita demora no mínimo dez dias para abrir uma conta, na melhor das hipóteses. Na pior, não abre. Pela não-ação, fica com um dinheirão.

Nos EUA, a Nextcard limpa seu nome, histórico de crédito, e ainda aprova seu cartão em 35 segundos. É gente que faz; contudo, não falta quem reclame da demora.
A Bolsa opera com horário, mas aceita after-market. Não deveria fechar. Deus teve o privilégio de descansar no sétimo, depois de usar seis para criar o Universo, mas no céu o cair do Sol encerra o dia. Não temos tal regalia. No mundo ele nunca se põe. Se estamos no último dia da semana, o Japão já está no primeiro, de novo.
Os astrônomos determinaram um segundo extra ao ano que finda (Folha de São Paulo,10/12/2008). Isso é timidez. O Brasil troca tres mil e seiscentos, de uma vez, por conta do verão. "Neste país" basta um decreto para obrigar até o cuco. Não sei do galo. Como informá-lo? Meu relógio, todavia, não se mexe, não. Nele quem manda sou eu. No do povo, mandava o finado Zé Bedeu.
Certos segmentos não fecham. Acompanham nossos corações. Hospitais, bombeiros, postos, rádios e táxis amparam a comunidade sem parar. A Internet é oásis. Estou para ver a cidade 24 horas. Não haveria insônia, nem garçon de cara feia.
Cadência marcial

Era uma enorme cebola de ouro, suíço, pedras preciosas nos ponteiros, o tampo em filigranas, uma jóia, uma antigüidade, uma relíquia, uma preciosidade. FESTER, Ribeiro, O relógio do avô. In O mar tem várias cores. - São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1979
Como convém ao mito. O efeito da "filosofia" grega é o domínio. Ao contraste, o efeito da filosofia oriental é o usufruto. Não por acaso, ainda que por paradoxo, a religião ocidental tudo fragmentou, despedaçou. Corpo e alma. céu, inferno, e, por fim, esquerda e direita. Não sobrou sequer o tempo, dividido em quarto sobre quarto, ad infinitum, mas desse modo tornando tudo totalmente limitado, e supostamente sem retorno.

Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental. Preparou a mente humana para a idéia de progresso, para o conceito de tempo profundo, para a surpreendente descoberta dos geólogos de que a evolução humana é apenas um episódio recente e curto na história da Terra. Preparou o caminho para a evolução de Darwin, que fala de nossa união com criaturas mais primitivas através dos tempos. Em resumo, o advento da idéia de tempo linear e da evolução intelectual desencadeada por essa idéia corroborou a ciência moderna e a promessa de melhoria da vida na Terra. COVENEY: 22
Falam de nossa união com criaturas mais primitivas, através dos tempos. Quantos seriam? E se for apenas uma?  A seleção natural  fala que somos evolução dos macaquinhos, mas eles mais equipados do que gente, porque tem até rabo, que ainda não temos!  E estes parentes, seriam descendentes do quê? Para desespero do Cap. Fritz Roy, Darwin (cit. THUILLER: 199),  curtiu o cruzeiro por longo tempo, e de graça; depois esperou, por dezenas de anos, a chegada de Wallace. Só então apresentou "seu" trabalho, por sinal, idêntico. Nada perdeu, só ganhou. No casar, contudo, sim:
“O casamento acarreta uma terrível perda de tempo!”

Proust foi em busca do tempo perdido. Na sepultura deve ter achado.

Não são poucos os que perdem o avião. Outros, o cinema, e até o bonde da história. Às vezes passa o cavalo encilhado, sem montaria. Diz-se que ao lento recai o vento.
Na falta de outro parâmetro, a marcha vem batida no cronograma: rush da manhã, do almoço, da happy hour. Ela nem pode durar a unidade; senão, o incauto leva um rolo de massa na cabeça. Em casa, depois do jantar, todos na TV. Acompanham a novela de enredo invariável, e de horário impecável. Ela é tão forte que desloca até o Maracanã lotado para mais tarde. A torcida que espere o beijo.
Hora-extra? Milagre leva vantagem. Só não atrase o pagamento. Ele custará muito mais caro, principalmente por aqui. Coisa de “apenas” uns 200% ao ano.
E se o atraso recair na audiência, justiça não vem ao caso. Pronto: lá se foi o capital!
Trabalhar à noite oara a justiça merece mais. porém vôo noturno à capital tem desconto. Durma-se com um barulho desses!

Quem tem tempo não carece. Quem não tem, pega a primeira condução que aparece, comumente ônibus. Se parado ficasse, ainda assim poderia ser mais rápido: era só estar no saguão do aeroporto.

Mesmo dentro do ônibus há discrepâncias de tempo: um vai dormindo, e o tempo lhe passa sem sentir. Ao preocupado, o tempo varia. Para quem visita a namorada, o ônibus não chega nunca! Apreciando boa música, ainda mais se acompanhado, tudo finda muito rápido.

O tempo e o vento
O tempo é a quarta dimensão. A passagem do tempo é uma ilusão. Temos essa ilusão de um mundo em mutação, tridimensional, embora nada mude na união quadridimensional do espaço e do tempo da teoria da relatividade de Einstein. Se a vida fosse um filme, a realidade física seria o DVD inteiro: quadros passados e futuros existem tanto quanto o presente[ M. Bunge (1958). On multi-dimensional time. British J. Phil. Sci. 9: 39.].
O tempo flui em taxas diferentes. Cabe ao agente definir a dilatação temporal. Sua ausência, à inconsciência recai  contração espacial.
O tempo é elástico até para quem dorme. O rico sonha, e assim tem tempo dobrado. O carente, pesadelo. É sofrido, ninguém quer, mas o tempo também para ele se expande. Se ao acordar nada lembram, lá se foi o tempo em vão.

Quem possui a mulher nota 10, junto a ela o tempo voa. Ao marido de mulher feia, feriado é interminável.

A Hora do Brasil demora mais do que noventa minutos de futebol, vai dizer que não. Mas quando o placard assinala um a zero, maldito relógio que não anda!
E o que dizer do caranguejo, que anda para trás? Pode-se dizer que seu futuro está no passado?
Se o trem percorre ao norte, numa velocidade de cem, e alguém dentro dele atirar uma bola ao sul, na velocidade de cincoenta, pergunto: a bola estará se dirigindo para o norte ou para o sul? Ela percorre o futuro, ou se dirige ao passado? Boa essa não? Posso responder facilmente. Qualquer resposta pode ser correta. Depende, apenas, do ponto do observador. Para quem atira a bola, ela se dirige para o passado. Para quem aprecia da plataforma, ela viaja ao futuro.
O tempo por tudo é relativo. Quando um carro anda a 180 km por hora, é incrível. No entanto, se ficasse parado daria quase no mesmo: é que a Terra por onde ele anda viaja a 180, mas a 180 mil km. por hora ao redor do Sol, que por sua vez viaja sei-lá a quantas, na expansão do Universo.
De presente
Ao deixarmos a estação, ela fica no passado. Mas ela continua existindo, de modo que é presente. E pelo fato do trem percorrer o circuito e para lá voltar, a estação também está no futuro.
S
e o espaço não desaparece, porque o tempo que lhe acompanha seria diferente? Eles são tão complementares quanto corrimão de escada rolante. E o que dizer dos objetos e animais, e plantas, e as gentes, e tudo mais neles inseridos?
Desde o momento que comecei a cogitar tudo isso, tenho claro na mente: não é pelo fato do ator sair do palco, ou mesmo da história, que se deve supor seu falecimento. Ele pode, e certamente estará nos bastidores, curtindo sua própria atuação... e a cara dos espectadores!

Quem despreza dois dias especiais - o de ontem, e o de amanhã - de certo modo está certo; contudo, é recurso à metonímia  Se não pudermos contar com esses dias, nenhuma conta jamais adiantará.

Quando você caminha, coloca um pé no futuro. O outro, fica no passado. Seu corpo faz o presente. O viaduto une as duas margens, ao mesmo tempo. Era o que preconizava Nietzsche: o ser como uma ponte.
Assim se vê a eternidade. E assim caminha a humanidade.
Corpos celestiais e o TempoEspaço são hologramáticos Somos uma gota no oceano**. O que acontece com o oceano, acontece na gota. Quando ela cai, sente o oceano:
A partícula ao se propagar pelo espaço emite um campo que informa esse seu movimento no sentido de um 'abre-alas que eu quero passar' (como se fosse um empurrar a distância). Literalmente falando, ela empurra a distância tudo o que está a sua frente, e certamente receberá uma reação dinâmica conveniente (o que pode até mesmo provocar uma reflexão total) (Adroaldo Mesquita Filho, Debates 'Ciencialist 2003' a respeito de uma Nova Teoria a propor as bases para o entendimento da Natureza Íntima da Matéria www.ecientificocultural.com/ECC2/Dialogos/-
"Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)

O conceito de um mundo sutilmente interligado, um oceano cósmico no qual estamos intimamente ligados uns aos outros e à natureza, assimilado por nosso intelecto e abraçado por nosso coração, poderá talvez inspirar novos modos de pensar e de agir que transformem o espectro de uma derrocada global no triunfo de uma renovação global – uma renovação para uma era mais humana e sustentável. (Idem: 205)
Se entendermos o tempo como deslocamento no e do espaço, ao mesmo tempo, como de fato é, fica mais fácil perceber: tudo é presente, exceto nosso corpo, que passa. Passado e futuro, pois, reduzem-se a meras e arbitrárias demarcações, projetadas na necessidade do homem de dar sentido à própria existência. Esta demarcação é ilusória; mas nossa presença, não.
Um buraco-negro, todavia, pode tirar tudo de cena; e o monstro anda por perto:
"Astrônomos alemães confirmaram que há um buraco negro gigantesco no centro da Via Láctea, a galáxia onde fica o planeta Terra." (O Globo, 10/12/2008)
O malvado translada o passado para a dimensão que quer, sabe-se lá qual é. O elemento escuro, claro, é voltado para si. Presume o tôlo que tudo deva existir em sua função. Neste caso, como em quase todos, quem tudo quer, tudo perde. Se a escuridão escutasse José Ortega Y Gasset, far-se-ia super-nova:
"Somos nós e nossas circunstâncias. Se não as salvarmos, não nos salvamos."
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Toque, toque.
Era (de certo modo ainda é) o previsível (e monótono) tique-taque que orientava as previsões: "A confecção de relógios, por exemplo, é certamente delicado e trabalhoso, de tal modo que as suas rodas parecem imitar as órbitas celestes ou o movimento contínuo e ordenado do pulso dos animais." (BACON, F.: 67 )
Sir
Newton (Principia, II, art. 37) aproveitou a carona:

O espaço absoluto, em sua própria natureza, sem levar em conta qualquer coisa que lhe seja externa, permanece sempre inalterado e imóvel... O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, de si mesmo e por sua própria natureza, flui uniformemente, sem depender de qualquer coisa externa.
Lêdo engano, o mais crasso dos equívocos:

O verdadeiro tempo (o que Bergson chama de 'duração') consiste propriamente na experiência vivencial da própria vida, e, por conseguinte, radicalmente intuitiva. Entretanto, para a maioria de nós, esse tempo verdadeiro foi inapelavelmente deslocado pelo ritmo do tempo marcado pelo relógio. Aquilo que constitui fundamentalmente o fluxo vital de experiência torna-se então um gabarito externo, arbitrariamente graduado, a que nossa existência é subordinada - e sentir o tempo de qualquer outra maneira torna-se 'místico ou louco'. Se a sensação do tempo pode ser assim coisificada, porque não haverá de ser tudo o mais? Por que não inventarmos máquinas que coisifiquem o pensamento, a criatividade, a tomada de decisões, o julgamento moral? ROSZAK, T.:230
Há quem pense que a história acabou. Não foi bem isso que Fukuyama quis dizer. O passado é definido, mas ainda assim pode ser mutante: de novo, depende da interpretação. E o futuro é infinito:

Pois o chamado ‘fim da história’ nada mais é do que a emancipação da multiplicidade dos horizontes de sentido. Um desses desafios é o de repensar o pensamento científico, libertando-o de sua ganga positivista, de sua mania contábil, a fim de instalar em seu seio a argumentação filosófica capaz de regular as relações do conhecimento científico com as demais modalidades de pensamento e ação. Outro, não menos importante, é o de pensar a modernidade. Porque esta não é um momento datado da história, definindo uma época. É o nome de uma ruptura, de uma crise relativamente à tradição. Estamos diante de uma nova episteme: da indeterminação, da descontinuidade, do deslocamento, do pluralismo (teórico e ético), da proliferação dos projetos e modelos, da ampliação de todas as perspectivas e do tempo da criatividade. JAPIASSÚ: 10
O ultrapositivista Pontes de Miranda (cit. MOREIRA: 103) superou os próprios preconceitos, e conclamou:

O princípio da relatividade deve ser mais geral ainda - devemos procurar a diferença de tempo nas realizações biológicas e sociais, - o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas para conseguir tais fórmulas muito terá que lutar o espírito humano contra os preconceitos que o rodeiam e contra as obscuridades da matéria que irá estudar.
Futuro do Universo pode estar influenciando o presenteNão há, portanto, a flecha do tempo. Sua descontinuidade é manifesta nos instantes e nas diversidades vividas. Ele é produto e signo das diferenças: "Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)
Bem que na Idade Média os clérigos apregoavam que o tempo pertencia a Deus. Não deveria, sequer, ser medido. Vai ver, estavam mesmo mais certos do que a turma de Copérnico, Galileu, Bacon, Descartes e Newton, e inúmeros debilóides que lhes sucederam. Passamos por séculos terrificantes, arrasadores, em nome do mecanicismo extremado. Meu co-piloto acabou com essa cadência encadeada. O tempo não é estático, uniforme. A simples presença da massa distorce o espaço, e com ele o tempo. Dessarte, são por essência relativos. Depende da composição/disposição de cada corpo, e até de sua velocidade, que por sua vez também incide no próprio objeto gerador, que é o espaço. O tempo, pois, não é tão toscamente engrenado como o relógio. Isso é apenas uma convenção, lavrada quando a vela era a rainha da noite.

* * *
Arcos dos tempos
O inferno da Divina Comédia castigava o vidente com corda no pescoço, e cabeça voltada para trás. Tal preocupação ora se faz desprovida de sentido: previsões são impossíveis. Nem satélites, telescópios, ou bolas de cristal; tampouco computadores ou qualquer tipo de gente pode descrever o que o será que virá. O tempo se define a cada instante, pela natureza e por cada um de nós, na unidade cósmica.


Atrás fica o porto. O vento enfuna as velas.
Acolá se estende o tenebroso mar.
Meus marinheiros,
Companheiros de batalhas e vigílias...
... Vinde amigos:
Inda é tempo de buscar um mundo novo.
EINSTEIN, A., Arquitetos de Idéias; cit. TRATTNER, apresent.
Boas Festas!
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NOTAS
* Werner Heisenberg rememora as palavras de Miefistófeles ao jovem estudante, in
Fausto, de W. Goethe.

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Suíços confirmam a tese:
Emitindo pares de fótons - partículas de luz - ao longo de uma fibra óptica estendida entre as cidades suíças de Satingny e Jussy, cientistas do Grupo de Física Aplicada da Universidade de Genebra determinaram que um fóton, chegando a um extremo da linha, é capaz de reagir instantaneamente a uma manipulação realizada no parceiro que foi para o lado oposto, a 18 km de distância. Os pesquisadores calcularam que, se essa reação for resultado de uma comunicação entre as partículas, o sinal teria de viajar a, no mínimo,
10.000 vezes a velocidade da luz. 'Trata-se de uma violação do espírito, se não da letra', da Teoria da Relatividade de Einstein, que diz que nada pode viajar mais depressa que a luz, diz o físico Terence Rudolph, do Imperial College London, em comentário ao experimento suíço. Tanto a descrição da experiência quanto o comentário de Rudolph estão publicados na edição desta semana da revista Nature. O efeito utilizado pela equipe suíça é conhecido pelos cientistas como 'emaranhamento quântico', e ocorre quando duas partículas são preparadas de tal forma que qualquer alteração numa delas afeta a outra instantaneamente, não importa a distância que as separa. A velocidade de 10.000 vezes a da luz, determinada pelos físicos de Genebra, é o limite mínimo para que o sinal seja 'instantâneo'. 'Sabemos que as partículas que representam os bits quânticos, ou q-bits, precisam adquirir, durante o processamento da informação, certo grau de emaranhamento para que a computação quântica seja mais eficiente que computação clássica', explica o físico brasileiro Marcio Cornelio, atualmente na Unicamp. Cientistas acreditam que computadores quânticos serão capazes de realizar cálculos muito mais rapidamente que computadores normais, ou clássicos, além de resolver problemas que estão fora do alcance das máquinas atuais. O emaranhamento não viola a 'letra' da relatividade porque, por si só, o fenômeno não permite a transmissão de sinais de comunicação mais depressa que a luz - não seria possível, por exemplo, usar partículas emaranhadas para criar um telefone celular instantâneo. 'O emaranhamento não pode ser usado para comunicar unidades de informação escolhidas por uma pessoa, exatamente porque os eventos correlacionados por ele são aleatórios, fora do controle humano. Se os eventos fossem determinísticos, seria possível usar o fenômeno para comunicação clássica mais rápida que a luz', o que violaria a relatividade, diz Gisin. Mas se as partículas não trocam sinais entre si, como o emaranhamento quântico é possível? Como uma partícula 'sabe' que sua parceira, a quilômetros de distância, foi manipulada? Eu diria que as partículas simplesmente estão correlacionadas', diz Cornelio. 'Como não é possível transmitir informação usando apenas partículas emaranhadas, não há necessidade de uma 'saber' o estado da outra e vice versa. Existe apenas uma correlação estranha, que não pode ser descrita pela física clássica'. Partículas 'conversam' a 10.000 vezes a velocidade da luz.'
(Partículas 'conversam' a 10.000 vezes a velocidade da luz
, - Estadão, 13/8/ 2008.)

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FONTES

BACON, Francis, Novo Organum ou Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza. Tradução e notas de José Aluysio Reis de Andrade, São Paulo: Ed. Nova Cultural, 1997.

COVENEY, Peter e HIGHFIELD, Roger, A Flecha do Tempo. Tradução J. E. Smith Caldas. - São Paulo: Ed. Siciliano, 1993.

FADIMAN, Clifton org., O Tesouro da Enciclopédia Britânica - O Melhor do Pensamento Humano desde 1768. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges, 2. Ed. - Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1994.

JAPIASSÚ, Hilton, Um Desafio à Filosofia: Pensar-se nos Dias de Hoje. São Paulo: Editora Letras & Letras, 1997.

HEISENBERG, Werner, A parte e o todo. Tradução de Vera Ribeiro; revisão da tradução Luciana Muniz e Antônio Augusto Passos Videira; revisão técnica de Ildeu de Castro Moreira - Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

MOREIRA, Ildeu de Castro e VIDEIRA, Antonio Augusto Passos Organizadores, Einstein e o Brasil. - Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1995.

NAISBITT, John, Paradoxo Global. Tradução de Ivo Korytowski. - Rio de Janeiro: Ed. Campus, 1994.

NIETZSCHE, Friederich Wilhelm Assim falava Zaratustra (Livro para toda a gente e para ninguém); Apêndices de autoria de Elizabeth Förster-Nietzsche; tradução de José Mendes de Souza. - 5 edição. - São Paulo: Edições e publicações Brasil editora S.A., 1961.

PELLANDA, Nize Maria Campos e PELLANDA, Eduardo Campos org., Ciberespaço: um hipertexto com Pierre Lévy. - Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2000.

ROSZAK, Theodore, A Contracultura. Tradução de Donaldson M. Garschagen. - Rio de Janeiro: Ed. Vozes, 1972.

THUILLIER, Pierre, De Arquimedes a Einstein: a face oculta da invenção científica. Tradução de Maria Inês Duque-Estrada; revisão técnica César Benjamim. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1994.

TOFFLER, Alvin e TOFFLER, Heidi, A Riqueza Revolucionária. Trad. Maiza Prande Bernardello e Luiz Fernando Martins Esteves. - São Paulo: Futura, 2007.






sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um energúmeno?*

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Mas em nossa época, a tirania das vastas organizações-máquina, governadas desde cima por homens que nada sabem e a quem nada importa se as vidas daqueles que controlam estão matando a individualidade e a liberdade de pensamento e forçando os homens, cada vez mais, a se amoldarem a um padrão uniforme.
RUSSEL, Bertrand, 2001:20
Onde está Wally? virou best-seller no tempo de Collor. FHC impressiona. Jamais supus que a inteligência pudesse ser alocada assim, de modo tão vil e sorrateiro, no intuito de estrangular o parque produtivo, e com ele todas as famílias, por década. O de hoje tenho um misto de pena, mas nem tanto assim. Misericórdia com falso malandro? Que lástima pode ocorrer com inequívoca cara de borracho?
Como pilotos cujos instrumentos de
navegação às vezes falham, os líderes
fazem vôos cegos com alarmante freqüência.
CLEMENS, JOHN K.: 106
Quem não ouve bobagens, mormente em entrevistas esportivas? Um agradeceu o pessoal da Skol ter mandado as Brahma. Outro removeu os azulejos da casa, pois defendia o Internacional. Mas nada, absolutamente nenhum se compara ao energúmeno que temos que suportar, em prol de um hipócrita estado de direito, no qual se a vítima sacar o revólver contra o assaltante imediatamente é preso, porque o porte-de-arma é contra lei. Delegados estão no xilindró, promotores remanejados, de putados repartem muambas, e as milícias descem o cacête no povo.
Stanislaw Ponte Preta torna-se cada vez mais glorificado. Se vivo, Sérgio Porto obteria uma afluência de Guiness ao FEBEAPÁ - Festival de Besteira que Assola o País:

"Imagine se um de vocês fosse médico e atendesse um paciente doente. O que você falaria para ele? Olha companheiro, você tem um problema, mas a medicina já avançou demais, a ciência já avançou demais, nós vamos dar tal remédio, você vai se recuperar? Ou você diria: Sifu? Vocês diriam isso para um paciente de vocês? Vocês não falariam."

O que faz é lembrar a orquestra do Titanic. O cara está muito além do jardim:

"Me sinto um Dom Quixote... O problema é que o mundo tem um PIB de US$ 65 trilhões, enquanto o PIB do mercado (financeiro) tinha US$ 650 trilhões. Essa diferença desapareceu. Será que este dinheiro todo que desapareceu está nas Ilhas Cayman? Se fosse, a ilha já teria afundado. Meus neurônios não conseguem entender".
Folha de São Paulo, 4/12/2009

Por certo a excelência palestrante, sofista profissional, enrolador-mor, não conhece o romance da Triste Figura; mas Cayman, parece que sim. E de pibs, o que interessa é quanto rende:
A carga tributária brasileira bateu novo recorde histórico em 2007 e chegou a 35,31% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo números divulgados hoje pela Receita Federal.
Estadão, 14/12/2008
.
Quanto às leis físicas que emite em tom de blague, não se trata de peso ou leveza, mas de leviandade, pouco caso com a gravidade. Poderia ao menos supor que cédulas não afundam, porque produto de madeira, de modo que podem ser empilhadas em torres de papel, e de fato assim "enobrecem" aquele reduto mantido para o torpe fim, que ele demonstra tão bem conhecer. Todavia, se numa manifestação de falsa modéstia confessa possuir fracos neurônios, coisa impossível, porque não são elementos mecânicos, e sim eletrônicos, talvez extintos, então, se algum dia presente, a ciência logo poderá confortá-lo:
Células-tronco gerando neurônios seria tudo o que se deseja para substituir células em degeneração no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer, acidentes vasculares cerebrais, traumatismos e outras doenças.
(Coluna Cem Bilhões de Neurônios, publicada na última sexta-feira pelo
Neurocientista Roberto Lent, professor da UFRJ. arquivo)

Enquanto isso, que tal perguntar a algum secretário ainda hígido, em vez de andar por aí distribuindo atestados de idiota:

O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) é direto quando indagado se os bancos privados estão escondendo dinheiro por causa da crise: 'Claro que estão! O que eles fizeram? Fogueira com o dinheiro? Isso deve estar todo entesourado'
Folha de São Paulo
, 23/11/2008

Pois onde mais podem estar os tesouros, esses artigos prediletos dos piratas do Caribe? Boa parte do nosso sumiu na noite de 15 de novembro de 1995, pelo portão de Congonhas. No baú, ou melhor, no container aéreo viajaram exatos 30 bilhões de reais, 80% de todas as notas de cem, subtraídas dos correntistas dos bancos Nacional, Econômico, Bamerindus, Banespa, Banco do Brasil, Banrisul, Banerj, Noroeste, e Banestado. Até então fora o maior golpe do mundo. A atual crise americana é xerox ampliado. A Exa. bem conhece nossa chaga, mas não age, não repatria a enormidade mercê de acordo suprapartidário, liame costurado pelo coringa Valério. Por isso Dantas e tantos se põem imunes e mudos, uns condenados "para inglês ver", muitos arquivados no armário dos esqueletos, e não menos absolvidos por conselhos de comparsas.

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse nesta quinta-feira que a falta de crédito no mercado impede o governo de exigir das empresas a manutenção dos empregos.
Jornal do Comércio, RS, 5/12/2008

Ninguém de seu governo tem poder de gerenciar sequer a moeda, muito menos diminuir a taxa de juros, recolocá-la em padrão civilizado? Vero. O Banco Central, agente comercial está entregue à outra grei**, como entregue está o ministério de segurança, que se sobrepõe ao da justiça. O Supremo Tribunal Federal foi graciosamente capturado, e com ele todo o sistema judiciário da Nação. Como nunca vi nenhum filme no qual bandidos tenham final feliz, dou milho aos pombos.

O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado. Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial quanto ele próprio.
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 41

A julgar pelos discursos, temos que contratar urgentemente profissionais da saúde:

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira que o Brasil não deve usar os 'mesmos remédios' dos demais países contra a crise financeira internacional. 'A crise atinge os países de maneira diferente; devemos ter o cuidado de não prescrevermos os mesmos remédios', disse ele, durante seminário sobre os impactos da crise no risco-Brasil, na capital paulista. 'Devemos lembrar que remédios têm efeito colaterais. E que devemos tomar o remédio mais preciso possível para o nosso problema'.
SP, 15/12/2008

Pois ainda tem outro fundamento, até mais decisivo, que o recruta guindado à capitão, ou melhor, a paramédico, já demonstrou sobejamente ignorar, até porque gerenciamento monetário não é de fato afeto ao chão-de-fábrica, embora estejam ao alcance de colaboracionistas internacionais: Não cabe ao Estado a gestão do desenvolvimento da Nação. Ele existe apenas no fito de permiti-lo. Quando o Estado se põe de loco motiva, tal qual tanto anseia o proselitismo, ele poderá escolher entre a inflação, e a estagflação, para posterior invasão. Não creio que se chegue ao ponto de invadir os vizinhos vigaristas, ainda que mereçam, na faina de sanar as insanidades monetaristas e os atos desvirtuados do banco que era para ser nacional, mas virou internacional do desenvolvimento econômico. Ainda assim, depois de recriar o New Deal, ou o Estado Novo teríamos que enfrentar e ganhar alguma guerra, para com os despojos lacrar os furos. Em que pese a sagacidade do gaudério da defesa, convenhamos, tal risco é por demais elevado. Mas pode ser iminente:

Afinal, o que não aprende o homem, quando o elefante,
submetido a treinamento, vira acrobata, o urso fica saltador
e o asno dá-se em espetáculo?
ERASMO DE ROTERDÃ, De Pueris: 53
Ah, Itamar, você que pariu Matheus, porque não o embala?

________________

*Origem grega, de ergon. Significa trabalho, tarefa, mas é usado à pessoa que busca executar muitas variedades de trabalhos ou serviços, e por esse motivo acaba não se aprofundando em nenhum deles... No gosto popular simboliza uma pessoa atrapalhada, desastrada, do tipo que não consegue fazer nada direito. (Wikipédia)

** Na mosca:

"O presidente nunca questionou a autonomia da instituição. Engoliu decisões das quais discordava." Folha de São Paulo, 7/12/2008

"Na última quarta-feira (3), Lula se reuniu com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e fez pressão por uma queda da Selic." Idem, 9/12/2008.

Em seguida, os bancos foram autorizados a majorarem o "produto":

"Os juros médios cobrados no cheque especial subiram para 9,33% ao mês (a.m.) em dezembro, a maior taxa desde junho de 2003 (9,43%). Esse foi o segundo mês consecutivo que a taxa ficou acima dos 9% --em novembro foi 9,24% a.m.--, segundo pesquisa da Fundação Procon-SP divulgada nesta quarta-feira. Ao ano, a taxa média do cheque especial ficou em 191,75%. (Folha de São Paulo, 10/12/2008)

"Logo logo, quando eu deixar a presidência, quero voltar a freqüentar os estádios para ver o Corinthians da arquibancada." (Luís Inácio da Silva, Folha de São Paulo, 24/12/2008)

Não é, de fato, surrealista?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Perícia médica: um mercado em ascensão"

Conclui-se pela interpretação de que a Medicina do Trabalho não atende aos postulados éticos e científicos que se requer historicamente da medicina e de suas especialidades médicas, entendendo aquela como prática subserviente a outras variáveis, hegemônicas e não científicas. Além disto, remete o debate às contradições conceituais que envolvem a construção da área de saúde do trabalhador no Brasil. (Vasconcellos, Luiz Carlos Fadel de; Pignati, Wanderlei Antonio, Medicina do Trabalho: subciência ou subserviência? Uma abordagem epistemológica)
I Jornada Médico-Jurídica do Rio Grande do Sul e a VI Jornada Médico-Jurídico da Federação Nacional dos Médicos acontecem nas dependências do hotel mais luxuoso da capital gaúcha. Convidado por integrante da área, nesta manhã acompanhei alguma palestras interdisciplinares. Uma delas dava conta da exaustão da turma de Hipócrates em cumprir as determinações legais, variantes a cada instante, desde as cores dos receituários, a observações éticas, as quais, por dispostas, deixam de sê-las, para se tornarem obrigações. Para arrepiar os cabelos, a segunda se intitulou "Perícia Médica: um mercado em ascensão"
O tema começou com inventário das "IMDENIZAÇÕES", assim mesmo, em garrafais, com o "M". É muita inperícia. O disparate passou em branco, e desse modo consentido, por certo graças à magnanimidade do auditório.
Encarregou-se de apresentar as "boas novas" uma das patentes dessa indústria sem chaminé, na qualificação de "juíza da quarta região do trabalho". S. Exa. veio imbuída do alto propósito de aliciar os médicos presentes, presumivelmente sem nada para fazer, à grei judiciária. Relatou que as perícias estão entregues aos engenheiros, até mesmo aquelas ultraespecialidades que identificam os solenes direitos de insalubridade e periculosidade, esses valores constantemente sonegados pelos malvados patrões. Dessarte, a burocrata brindou a platéia com seus abalizados comentários, enaltecendo as cifras que cabem aos ouvintes. A magistrada, porém, teceu a ressalva:
Quando há acordos, os quais os empregados jamais deveriam aceitar,
embora para a justiça sejam ideais, por desafogarem a pauta, os médicos
também participam, concedendo reduções nos honorários pelos serviços
prestados. Cada um perdendo um pouco, todos ficam satisfeitos.
Trata-se de uma metonímia. O princípio é comercial, mas o sofisma é flagrante. Não se trata de mero comércio, mas de Direito. E, principalmente, do exercício pelo qual o profissional sacrifica no mínimo um terço da vida em estudos. Ele não está vendendo mercadoria, pela qual tem lucro certo, por isso pode reduzi-lo.
Não obstante, o objeto diverge, como distintos são os intentos. Apenas uma parte invariavelmente arca com toda a festa, seja mais ou menos barata, mais ou menos reduzida. Este pagão jamais sai contente. Embora as quantias muitas vezes sejam insignificantes perto da pujança empresarial, mas nem sempre, especialmente com pequenas empresas, esta parte se sente ludibriada, espoliada, extorquida, e de fato tudo isso sói acontecer. Não são todas as partes que saem satisfeitas, não. Apenas aquelas que recebem. Quem mandou ser empregador; portanto capitalista?
Mas dentro da ressalva à classe médica sobre a redução dos honorários, cabem atos compensatórios: o perito contribuinte à rápida solução do litígio é contemplado com várias outras designações, onde pode cobrar tabela cheia, e, quem sabe, até um pouco mais, no fito de enfrentar o "prejuízo" original.
Eis como o aparato trata não só os afazeres médicos, como quaisquer outros: objetos de comércio. E o fato é tão flagrante, e por isso até inconsciente, que o apêlo se dá, justamente, através do aceno de "crescente mercado", como se as atividades médicas, ou a justiça imposta aos digladiantes fossem restritos a cálculos contábeis, simples "mercadorias"; e o "direito", um mero transportador.
O resultado de tão douta apresentação foi o esvaziamento contínuo do salão..
Das leis de trabalho

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Detalhes das Jornadas:
http://www.agadimes.org.br/programacao_agadimes.asp


* Desculpe se você está entre os milhões atingidos pela crise, crise de safadeza governamental, que respinga em todos nós. Ainda assim lhe asseguro a obviedade: o dinheiro, a remuneração é apenas uma conseqüência do trabalho, não seu objetivo. E como todo trabalho, ainda que voluntário (e a rigor todos o são), merece sua recompensa, ainda mais se dedicado à elevada tarefa de salvar vidas, permita-me a sugestão: como amostra-grátis, ofereça seus préstimos à entidades sociais, por exemplo. Fatalmente lhe recairão oportunidades, ainda que não esteja na cata. A propósito, pesquise, pesquise muito. Seus anos de faculdade o levaram para longe da realidade. A especialização, por focar seu objeto, olvida o periférico, responsável direto por todos momentos. Nenhum ser humano é máquina. Não pode ser suscetível de divisão. Portanto, o verdadeiro perito tem visão holística, não microscópica. Boa sorte.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O Brasil e o protecionismo

O mundo está cheio de injustiças, e aqueles que lucram com a injustiça estão numa posição de administrar as recompensas e os castigos.  RUSSELL, B., Ensaios céticos: 111
Quando comprar e vender é controlado por legislações, as primeiras coisas que são compradas e vendidas são os legisladores. 
P. J. O'ROUKE 
O protecionismo não se resume a aumento de tarifas ou controle de importações. Ele inclui qualquer tipo de intervenção governamental que afete artificialmente o mercado em favor de empresas domésticas. Os pacotes de estímulo e os vultosos empréstimos governamentais são também medidas de proteção. Eles melhoram condições de competição das empresas beneficiadas, tanto no mercado doméstico quanto em terceiros mercados. Quanto mais forte o Tesouro, maior será o impacto comercial. AZEVÊDO, Roberto, http://desempregozero.org/2009/02/16/chefe-da-delegacao-brasileira-na-omc-denuncia-protecionismo-sofisticado-o-nacionalismo-esta-a-um-passo-da-xenofobia-isso-so-aprofunda-a-crise/
Protecionismo brasileiro preocupa América Latina Prática é o pior inimigo para as economias da região, afirma diretor do FMI
União Europeia acusa governo brasileiro de subsidiar indústria

O resultado final é que o protecionismo não é apenas uma tolice, mas uma tolice perigosa, destruidora de toda a prosperidade econômica. Nós não somos, e creio que nunca fomos, um mundo de fazendeiros auto-suficientes. A economia de mercado é uma vasta rede entrelaçada pelo mundo afora, na qual cada indivíduo, cada região, cada país, produz aquilo que ele faz melhor, com maior eficiência relativa, e então troca esse produto pelos bens e serviços de outros. Sem a divisão do trabalho e o comércio baseado nessa divisão, o mundo inteiro iria passar fome. Restrições coercivas nas trocas - tais como o protecionismo - mutilam, dificultam e destroem o comércio, que é a fonte de vida e prosperidade. O protecionismo é simplesmente um pretexto para que consumidores, bem como a prosperidade geral, sejam prejudicados apenas para garantir privilégios especiais e permanentes para um grupo menos eficiente de produtores, às custas de empresas mais competentes e às custas dos próprios consumidores. Mas é também um tipo de salva-guarda peculiarmente destruidor, porque ele permanentemente amarra o comércio, sob o manto do patriotismo. ROTHBARD, M.  www.mises.org.br..
O que o Estado tira dos ricos, guarda para si e o que tira dos pobres, também. Seus beneficiários são poucos; uma oligarquia de empresários superprotegidos de qualquer concorrência, que deve sua fortuna a mercados cativos, a barreiras alfandegárias, a licenças outorgadas pelo burocrata a leis que o favorecem; uma oligarquia de políticos clientelistas para quem o Estado cumpre o mesmo papel que a teta da vaca para o bezerro; uma oligarquia sindical ligada a empresas estatais, geralmente monopolizadoras, que lhes concedem ruinosos e leoninos acordos coletivos; e, obviamente, burocratas parasitas crescidos à sombra desse corrupto Estado benfeitor. MENDOZA, P. A., MONTANER, Carlos Alberto, LLOSA, Alvaro Vargas: 120
Na parca avaliação de Brasília, Mr. Obama revigorará o protecionismo: "Dois fatores conjunturais justificam essa expectativa: a crise financeira e a tendência de maioria democrata no Congresso americano." A conclusão é por demais precipitada; contudo, qualquer procissão tende a se encorpar:
A intervenção deve-se dar de maneira mais ou menos permanente, principalmente sob a forma de uma política de manipulação monetária com o objetivo de atuar sobre três elementos variáveis, acima indicados, elementos esses dos quais depende o volume de emprego e da produção. CUNLIFFE, Marcus, The Intellectuals in the USA: 29; cit. LIPSET, Seymour Martin: 357
"Acreditamos que o novo presidente dos Estados Unidos protegerá a indústria própria acima da promoção de novos acordos de livre-comércio, o que afetará negativamente as exportações da Ásia e Tailândia." (APISARTHANARAX, Prakit, presidente da Prakit Holdings, empresa de consultoria. Terra, 6/11/2008)
Desse modo todos nos insurgimos contra a abjeta prática. Industriais já vem acusando os golpes: "Há um paredão tarifário. Se exportamos uma matéria-prima, a alíquota para entrar na China é zerada, mas se o produto é industrializado, o imposto sobe para 30, 40%". (CAVALCANTI, Carlos Antônio, vice-presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp)
Pois o imposto cobrado pelo automóvel asiático, por exemplo, torna-lhe pelo triplo do preço. Outros produtos sequer com custos alfandegários é permitido o ingresso! Protecionismo… contra brasileiros  - Alexandre Barros critica o aumento de impostos sobre as importações.
Reclamamos das exigências dos EUA sobre o suco de laranja, (uma taxação deveras preocupante) e outros produtos agrícolas: e reivindicamos o fim dos subsídios. Temos razão. A interferência do Estado prejudica as relações comerciais; por conseguinte, sociais e culturais. Em outras palavras, são obstáculos ao desenvolvimento de todos os países, sejam os envolvidos diretamente ou não.  

O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios concedidos pelo governo americano aos produtores de algodão. O Brasil ganhou o direito de retaliar os produtores dos EUA e reaqueceu as discussões da rodada de Doha. As tarifas impostas pelos EUA e pela Europa não refletem a idéia de mercado livre e dificultam o acesso dos produtos do setor primário dos países em desenvolvimento a novos mercados.  [BBC]
Se a conduta é abominável, devemos adotar o mesmo método como represália? Lembro-me da exigência de vistos americanos. Mais infantil, impossível. Os EUA tem razão em controlar suas fronteiras, mercê de serem os mais ricos do mundo. Mas e nós, por causa disso, vamos complicar suas visitas? Será que os americanos falsificariam os documentos só para se mudarem ao Brasil?
O discurso oficial de repúdio a subsídios não é nem "para inglês ver". Tratam de tergiversações, no exclusivo intuito de impressionar, quando não tenta ludibriar o próprio cidadão brasileiro, tanto quanto o BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Social, mas das nações estrangeiras:

Equador é 2º maior beneficiário de empréstimos do BNDEs na AL.
Dívida que Quito ameaça não honrar soma US$ 243 milhões
Decorre de um contrato assinado em abril de 2000, sob FHC

Há 4 meses, governo de Raf
ael Correa ‘confirmou’ a dívida
A chefe do Escritório de Representação do Brasil em Ramallah, Lígia Maria Scherer, entregou hoje à Autoridade Nacional Palestina uma doação de US$ 10 milhões do governo brasileiro para projetos de desenvolvimento nas áreas de saúde, educação e agricultura na Cisjordânia.. Segundo o ministro do Planejamento da ANP, Samir Abdullah, as verbas serão destinadas à construção de duas novas escolas no distrito de Hebron, além da reforma de laboratórios de informática e da criação de centros vocacionais na região. Entre os projetos financiados pelo Brasil estão ainda a criação de fazendas de criação de peixe na Cisjordânia e a expansão de um hospitais em Hebron e de um laboratório de análises clinicas em Ramallah.

CARACAS, Venezuela, 22 Mai 2009 (AFP) - Hugo Chávez, negocia um empréstimo de 10 bilhões de dólares com o brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), revelou o próprio líder venezuelano nesta quinta-feira. Segundo Chávez, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, está na Venezuela para analisar os "mecanismos" destes projetos comuns de "desenvolvimento". "Coutinho me disse que o Brasil está disposto a financiar projetos aqui por até 10 bilhões de dólares.
Há que ver os mecanismos", explicou Chávez, citando o setor petroquímico venezuelano como uma prioridade nestas negociações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva "é um grande companheiro e sempre disse que até onde for possível, o Brasil vai ajudar na industrialização da Venezuela", destacou Chávez."O Brasil importa milhões de toneladas de ureia por ano, da África e do Oriente Médio, e nós, no futuro, poderemos produzir isto e ser uma potência petroquímica mundial. A Venezuela vai ser uma potência", garantiu Chávez, que viaja na próxima semana ao Brasil para se reunir com Lula, dentro dos encontros trimestrais entre os dois líderes.
É evidente que são motivos escusos os promotores desses desatinos. Provavelmente seja mesmo a faina do tal conselho de segurança. Vai ver querem vender os aviões tucanos. Seria bom venderem todos, mesmo, de uma vez, o mais longe possível. O presidente Silva nega recursos aos metrôs do Rio, São Paulo, Porto Alegre e Brasília, financia o de Caracas. O protecionismo brasileiro sói proteger estrangeiros:
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou que contará com a assessoria da Caixa Econômica Federal para a construção de uma rede bancária pública e na criação de um sistema de financiamento de casas populares na Venezuela. O acordo deve ser assinado na terça-feira, em Salvador, na Bahia, onde Chávez se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da agenda comercial bilateral e de temas de integração regional. BBC-Brasil, 26/5/2009

A China fez o negócio da China e o Brasil papel de otário, no empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras em troca de 200 mil barris/dia de petróleo por dez anos. Especialista respeitado, John Forman, ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, fez as contas: a China pagará US$ 2.739.726,02 por 200 mil barris/dia. Cada barril, hoje cotado em US$ 28,37 (valia US$ 138 há um ano), sairá pela merreca de US$ 13,70.
www.claudiohumberto.com.br - 28/05/2009
O Brasil mantém uma trôpega e reduzida representação diplomática com a China. Pessoal prefere o circuito Elizabeth Arden - Londres, Paris, Nova York. Nossos ministros não visitam aquela potência. Não há diplomata brasileiro que domine a língua. Negociamos de forma mole e somos engolidos pela dureza chinesa. É por isso que as promessas pomposas de grandes investimentos chineses no Brasil feitas na passagem de Lula pelo país em 2004 nunca se concretizaram. A China investe mais em países como Nigéria, Sudão e Argélia do que no Brasil..
Especialistas, chineses e brasileiros, afirmam que o Brasil não sabe negociar com os chineses. Enquanto Pequim é fria e calculista como manda a diplomacia econômica eficiente, o Itamaraty parece letárgico, ideológico e emotivo, tendo deixado a recusa (política) chinesa em apoiar a postulação brasileira de se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU contaminar as relações comerciais. MALBERGIER, S., Folha de São Paulo, 21/5/2009

Brasil fica para  trás no jogo chinês 

Essa de participar do conselho de segurança não encontra a menor racionalidade. O país está mergulhado numa escala criminal sem precedentes, e se põe querer pautar a segurança do mundo? Qual seria o real motivo? Apenas capricho,  para acomodar o insaciável?
A Petrobrás abriga os interesses de seus executivos, que por acaso não são os mesmos do povo brasileiro:
BRASÍLIA - Uma investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que a Petrobras, protegida por um regulamento próprio, tem usado com frequência contratos turbinados por termos aditivos que elevam custos de obras e serviços da estatal. Mesmo quando não há aditivos, há estouros de orçamento de mais de 50% dos valores iniciais programados. É o que acontece com um gasoduto e uma plataforma, orçados em R$ 1,8 bilhão, cujo custo já chega a R$ 3,6 bilhões. Estado de São Paulo, 28/5/2009

River culpa patrocínio brasileiro por maldição do rebaixamento

Em nossa terra serviam várias petroleiras multinacionais, em regime de concorrência apenas na distribuição, posto que o subsolo é definido como pátrio, prerrogativa da União. Apenas com esta diminuta atividade as multi carreavam enorme gama de tecnologia, informação e cultura aos tupiniquins. Mercê do acesso a interminável capital, a verde-amarela acabou adquirindo todos os postos de distribuição, além de algumas distribuidoras. Desse modo divide o mercado com meia dúzia de nanicas regionais. O monopólio lhe dá o direito de estabelecer o preço que quer.Ela não titubeia, e toca o maior do mundo; e depois, sai a jogar dinheiro pelo ladrão, a patrocinar equipes estrangeiras, como o River, da muy amiga, Argentina,  e até a equipes de Fórmula 1 adversárias dos brasileiros que no circo labutam.
Afora isso, a empresa está sendo obrigada a fazer políticas de boa vizinhança de alto custo com a Bolívia, com a Argentina e com a Venezuela, também em prejuízo dos seus resultados. E agora, chega a advertência de que ela precisa baixar seus custos e melhorar sua eficiência.É freio na Petrobrás
O petróleo é nosso, sim, uma pena. Se não fosse, por certo pagaríamos muito menos. O mesmo se dá com o dinheiro. O real é nosso, mas pagamos o maior aluguel do mundo por seu uso. . Com ele o governo compra dólares, assim impedindo que a moeda norteamericana se desvalorize, onde já se viu! Tio Sam agradece a preferência. O freguês é o cara. Vários bancos nacionais foram liquidados na calada da noite, e os ativos foram doados a europeus, no raiar do dia. Salvadores! O mesmo ocorreu com o sistema Telebrás. Nunca foi tão fácil para a Invencível Armada aportar em um país.
As iniciativas de nosso governo contém a mais absoluta gravidade. Elas dilapidam de modo quase irrecuperável todas nossas reservas colocando-se protecionista em larga escala, de tudo que é jeito:
A Organização Mundial do Comércio (OMC) cobra uma liberalização do mercado nacional, a redução das taxas de juros e levanta suspeitas sobre os programas de incentivo à exportação do Brasil. Ontem, a OMC iniciou sua sabatina da política comercial do Brasil, o que se transformou em uma avaliação de todo o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O recado foi claro: nos últimos anos, o Brasil elevou a proteção e, agora, a liberalização do mercado precisa ganhar novo ímpeto diante da recessão. A participação do Brasil no comércio mundial aumentou de 1,05% para apenas 1,16% em cinco anos. A OMC ainda ataca os picos tarifários, além do aumento do número de medidas antidumping, 63 sobretaxas contra produtos. Na prática, o que a OMC pede é que o País não proteja apenas setores ineficientes, já que o impacto seria negativo para a competitividade. A União Europeia fez questão de atacar esse ponto e pediu explicações do Brasil, além de solicitar que o governo tenha cuidado em expandir o Proex para não violar as regras da OMC. A OMC ainda alerta para o controle na prática da Petrobras no setor de energia no País. A entidade aponta que, pela lei, o setor seria aberto a estrangeiros. Mas, na prática, tudo passa pela Petrobras, que é quem acaba estabelecendo preço. A construção de novas plataformas de exploração ainda estão sendo feitas com exigências de que seja usado material e empresas locais. Nem no setor agrícola a OMC poupa advertências ao Brasil.
Além de tudo, as proteções são desvirtuadas. Como vimos no exterior, por aqui também sóem proteger parques fabris dominados por estrangeiros. O caso mais exuberante resplandece na indústria automobilística. Desde o advento de JK, O Amigo da Onça? ficamos proibidos, por décadas, de usufruirmos dos avanços tecnológicos, especialmente dos automóveis. Restaram-nos carros produzidos em décadas anteriores, que as francesas, as alemãs e a italiana desovavam por aqui. Na eleição de Collor as montadoras se eximiram da contribuição antecipada. O eleito se vingou, abrindo os portões do quintal. De modo abrupto surgiram milhares de novos empregos. Resplandeceram comerciantes internacionais. As montadoras aprenderam a lição, e financiaram a campanha do novo pretendente. Ganho o cavalo-do-comissário, elas se postaram a auferir o fabuloso spread: ora em diante, apenas poderiam comercializar produtos os que aqui construíssem alguma cabeça-de-ponte, ao infortúnio daqueles milhares de que se lançaram na empreitada.
"O Brasil não tem dinheiro para importar automóveis", dizia o professor de socio logia. Mas não era o país o comprador, e sim alguns de seus bravos e produtivos cidadãos.  O resultado disso foi a vinda  em massa de inúmeros fabricantes para instalarem galpões no Brasil. O que colhemos em apenas dez anos? Meia dúzia já encerraram a aventura, e agora até mesmo as coqueluches mundiais  ameaçam desistir:  Toyota para fábrica na 6ª; sindicato quer evitar cortes na Honda
 Não obstante, para adquirir o colosso dos verdes-mares de Iracema, alcunhado São Paulo sem consulta à Santa Sé, o gênio da Sorbonne tinha. E quando aportaram dezenas de caças, submarino e dúzias de tanques húngaros, desembarcados no porto de Montevidéu, a pujança econômica da produção brasileira.se tornou ainda mais patente. Em quanto importaram essas corretagens?
De todo modo, o Brasil tem dinheiro para jogar direto na garganta profunda dos novos investidores de campanha, desta feita do atual presidente. O liame com as multinacionais de empregados brasileiros continua frutificando:
O presidente Lula da Silva e o governador de São Paulo, José Serra, deram um belo presente à indústria automobilística em tempos de crise. Juntos, colocaram R$ 8 bilhões para os bancos das montadoras a fim de facilitar empréstimos para aquisições. Na mídia, já tem montadora falando do 'subsídio' dos governos federal e estadual.
Neste ramo não há nenhuma indústria nacional, em que pese operários canarinhos. E o subsídio não é do governo federal, muito menos do estadual. Eles nada produzem. O subsídio é fruto de seu trabalho, meu caro, obrigado a cedê-lo ao mosqueteiro, para que ele sacie a insaciável fome de seus patrocinadores de campanha. Infelizmente os contratantes vem obtendo pleno êxito: Brasil e Ferrari contribuíram para alta do lucro da Fiat.
* * *
Estamos sofrendo a intolerável concorrência de um rival estrangeiro que, ao que parece, se beneficia de condições muito superiores às nossas para a produção de luz, com a qual ele inunda completamente o nosso mercado nacional a um preço fabulosamente baixo. No momento em que ele surge, as nossas vendas cessam, todos os consumidores recorrem a ele, e um ramo da indústria francesa, cujas ramificações são inumeráveis, é subitamente atingido pela mais completa estagnação. Este rival, que vem a ser ninguém menos que o sol, faz-nos uma concorrência tão impiedosa, que suspeitamos ser incitado pela pérfida Inglaterra (boa diplomacia nos tempos que correm!), visto que tem por aquela esnobe ilha uma condescendência que se dispensa de ter para conosco. Pedimos-vos encarecidamente, pois, a gentileza de criardes uma lei que ordene o fechamento de todas as janelas, clarabóias, frestas, gelosias, portadas, cortinas, persianas, postigos e olhos-de-boi; numa palavra, de todas as aberturas, buracos, fendas e fissuras pelas quais a luz do sol tem o costume de penetrar nas casas, para prejuízo das meritórias indústrias de que nos orgulhamos de ter dotado o país - um país que, por gratidão, não poderia abandonar-nos hoje a uma luta tão desigual .BASTIAT, Frédéric
Por causa da liberdade de consumo propiciada pela Internet, a indústria farmacêutica foi atrás do governo para pedir ainda mais ajuda.  Juntos, ambos se empenharam em tomar medidas severas e assim eliminar todos os remédios "falsos" — isto é, remédios verdadeiros que conseguiam contornar as leis de patentes e suas restrições, bem como os ofertantes monopolistas privilegiados pela lei de patentes.  Tanto para o governo quanto para a indústria farmacêutica, as pessoas não deveriam ter a permissão de obter remédios controlados sem a aprovação de médicos — caso contrário, toda uma indústria fraudulenta poderia entrar em colapso.  Assim, as duas quadrilhas se uniram e instituíram um sistema de guildas medievais operando em plena era digital. Como o estado garante o monopólio das grandes empresas farmacêuticas
O dúbio discurso também lastreia o paralelo. Assim como pelo preço dos carros aqui montados pagamos o dobro do que é vendido nos EUA,  o petróleo que dizem que é nosso produz a gasolina mais cara do mundo. Seu preço está 80% acima do verificado nos Estados Unidos, segundo uma pesquisa feita pelo professor de economia Alcides Leite, colaborador do Radar Econômico. E a pobre Venezuela, esta amparada por nosso suor, bem, cobra simplesmente dez vezes menos do que o preço pago pelo consumidor brasileiro. É verdade que nem tudo toca à caixa-preta da Petrobrás. Metade do disso é imposto que pagamos para consumir o que nos pertence.
Mercê do monopólio estatal, as empresas multinacionais diminuíram drasticamente seus investimentos, praticamente corridas daqui. Não há concorrência. A filha do fascista Getúlio é hegemônica, e quer o mundo, e reclama, nem que seja para intermediar o produto que lhe é estranho:

Bali (Indonésia) 8/12/2007 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou hoje a lista de produtos ambientais que teriam tarifas comerciais eliminadas, proposta pelos Estados Unidos e pela União Européia. O etanol não está entre os 43 produtos. 'E uma aberração não incluir o etanol. Não tem uma explicação racional. É praticamente consenso que o etanol, e os biocombustíveis em geral, melhoram muito a situação em relação às emissões de CO2',afirmou. Uma das respostas para o 'injustificável', segundo o ministro, é o fato de a lista não incluir produtos agrícolas, apenas industriais. '[A rodada ] Doha não diferencia industrial de agrícola, só fala em produtos ambientais. Isso só pode ser alegado por razões protecionistas'. Atualmente, nos Estados Unidos o etanol é taxado em 2,5%, mas está sujeito a barreiras tarifárias de US$ 0,50 por barril, o que de acordo com Amorim, 'inviabiliza' a competividade e a entrada do produto no país. A lista, que segundo o ministro, já passou por uma reformulação para retirar itens, que ele classificou como 'absurdos' - como barcos a vela e cadeados - inclui painéis solares e equipamentos para geração de energia eólica, mas deixa de fora insumos para construção de usinas de etanol. 'Colocaram na lista produtos que interessem atendam a interesses deles', disse.
Como tudo que tem se passado por aqui, a retórica pretende suplantar a realidade. Desta feita, contudo, o inglês vê. E desmascara:
China, Rússia, Brasil e Índia mantêm políticas Buy National, que restringem significativamente a participação das empresas dos EUA nas suas aquisições. Os Estados Unidos não têm obrigação de deixar nenhum país participar nas compras governamentais a não ser que esse país tenha concordado em permitir acesso recíproco e justo para os fornecedores americanos nas aquisições deles.
Ron Kirk, Secretário de Comércio Exterior; Folha, 13/3/2009
A política comercial do governo de Lula da Silva passa por sua última grande avaliação internacional a contar de hoje, quando será cobrado por países ricos e emergentes para que reduza suas tarifas de importação. Alguns itens passaram a sofrer uma taxação de 35%, uma elevação substancial em relação aos 26% de taxa que eram cobrados. Em 2004, a OMC sugeriu que o Brasil acelerasse a liberalização de seu mercado para crescer a taxas mais altas. Desde então, o que ocorreu foi o contrário. Em 2004, o governo do ex-presidente George W. Bush criticou a falta de abertura do País no setor de serviços financeiros, telecomunicações e ainda apontou a manutenção de barreiras no Brasil para seus produtos industriais. Para muitos países, o número de medidas antidumping adotadas pelo Brasil também é elevado: 63 sobretaxas estariam em vigor contra produtos estrangeiros de 22 países. Só o governo do presidente americano Barack Obama enviou inúmeras páginas com perguntas. A Casa Branca pede explicações sobre licenças à importação e mesmo o acesso ao mercado brasileiro para o setor de serviços, como o de telecomunicações. Mas nas centenas de questões levantadas, uma chamava a atenção: as críticas contra o sistema tributário, considerado como uma verdadeira barreira para países com interesse no mercado nacional. Algumas das perguntas alertam para a complexidade da carga de impostos, como um elemento que estaria dificultando o acesso de empresas e produtos estrangeiros ao País.
Jornal do Comércio
, RS, 9/3/2009
Vale lembrar:
"O governo não é capaz de tornar o homem mais rico,
mas pode empobrecê-lo." (Mises, L., Uma Crítica ao Intervencionismo: 21)
Brasil cai seis postos em ranking global de competitividade.


A taxa de juros campeã do mundo restringe o advento de novos empreendedores nacionais. Mais uma vez, o "protecionismo" é invertido:

Cobrando impiedosamente, Estado e Bancos vão expropriando tudo: lucro, capital, patrimônio. Estamos em regime de Ditadura fiscal e bancária, onde não há respeito pelas leis e Constituição Federal. Princípios como capacidade contributiva, juros legais, do não confisco e do sigilo bancário são violados. MULLER, Heitor José, País vive o caos tributário, Jornal do Comércio, 9/12/1996.
Como se não bastasse ainda permanece outra nefasta incidência que elide a competitividade de nossa produção:
Os encargos sociais obrigatórios para as indústrias também são, no Brasil, os mais elevados do planeta: 37,4% de encargos diretos, contra 10,3% no bloco asiático e do Pacifico, 27% na Europa e América do Norte e 19,2% na América Latina. O empregado brasileiro custa para a empresa praticamente o dobro do que ele recebe como salário. GIACOMETTI, Celso C. Presidente da Arthur Andersen, in Ponto de Vista, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, n. 2 - Outubro de 94.
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O chefe do departamento de Relações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores do Brasi, sr. Evandro de Sampaio Didonet, aponta o instante favorável às negociações entre Brasil-União Européia:
O câmbio é um exemplo. A crise nos colocou em uma posição cambial que nos favorece em negociações comerciais. Um outro fator positivo é que, em uma situação de crise, há uma consciência maior da necessidade de ações conjuntas.
O resumo dessa ópera é que, no campo da previsão econômica, tudo ainda se passa no mundo da chutometria. E não deixa de ser engraçado observar o estilo com que os argumentos que pretensamente sustentam os chutes são articulados para lhes dar um ar de ciência exata. Jornalista-economista José Paulo Kupfe. Estadão, 21/12/2010
O câmbio nada tem a ver com a crise, mas com política de emissão monetária, que é interna, e depende, exclusivamente, da vontade do emissor. Ademais, se a moeda se desvaloriza, impede a importação. Portanto, desvaforece o comércio internacional.  Caso se valorize, por enxugamentos de todos os calibres, entre os quais taxa de juros e altos impostos, a exportação fica dificultada. Em qualquer caso o governo em nada protege o cidadão, tampouco a produção.  O que requer ser favorável não é o câmbio, mas a estabilidade da moeda, que não pode ser atingida de modo artificial, por artimanhas e manipulalções.
O verdadeiro protecionismo só pode ser abolido quando as alfândegas forem fechadas. Utópico? Nem tanto. A comunidade européia já tomou a medida, há alguns anos, ao gáudio de seus governos e cidadãos. Entre nosotros, parece o contrário: a disputa com o Prata justifica o incremento de barreiras. Mesmo no otimista Itamaraty, o fiasco do encontro entre os presidentes Lula e Cristina Kirchner, da Argentina, marcado para o próximo dia 20, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é considerado inevitável. Na retaliação ficamos retaliados. O motivo vem das empresas patrocinadoras políticas. O galinheiro lhes pertence, por investimento antecipado.

A razão da corrupção

Sobre o Protecionismo

Sobre a construção de 1 milhão de casas
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Tres meses passados, e OMC ratifica totalmente o óbvio diagnóstico da Nav's ALL:
Genebra, 9/3/2009: O Brasil deveria reduzir sua proteção tarifária, ser mais previsível em seus investimentos estrangeiros e melhorar suas políticas de concorrência, segundo o mais recente exame de políticas comerciais do país, feito pela OMC (Organização Mundial do Comércio). Por outro lado, sugere "a redução dos juros consolidados, para encurtar a distância entre essas taxas e as tarifas aplicadas, o que aumentaria a previsibilidade do regime comercial". A aceitação de novos compromissos no âmbito do acordo permitirá ao Brasil aumentar a previsibilidade de seus investimentos." O texto lembra que o governo brasileiro assinou acordos bilaterais de investimentos com vários países, mas que nenhum deles está em vigor. "A adoção de medidas para reduzir a complexidade do sistema tributário e eliminar suas distorções poderia redundar em grandes benefícios econômicos", diz a OMC. Os especialistas da organização também fazem referência ao regime de contratações públicas em vigor no país, segundo o qual quando uma licitação é aberta ganha quem oferece o melhor preço. "Porém, na prática, mais de 40% dos contratos são assinados sob o amparo de algum tipo de isenção" em relação aos "requisitos da licitação", ressalta o relatório. O texto também critica o elevado custo do crédito no Brasil. Sobre as trocas com o Mercosul, o texto diz que equivalem a 10% do comércio de mercadorias do país.

(Brasil deve reduzir tarifas e melhorar concorrência, diz OMC. Folha de São Paulo, 9/3/2009)
Na mosca!