sexta-feira, 8 de junho de 2012

O desespero da equipe econômica - III

O homem de sistema costuma se achar muito sábio em seu próprio juízo; e ele está, com freqüência, tão enamorado da suposta beleza do seu próprio plano ideal de governo que não tolera qualquer desvio, por menor que seja, em qualquer parte dele. Ele atua com o intuito de implantá-lo completamente e em todos os detalhes, sem prestar atenção seja nos grandes interesses, seja nos fortes preconceitos que podem se opor a ele. Ele parece imaginar-se capaz de dispor os diferentes membros de uma grande sociedade com a mesma facilidade com que a mão dispõe sobre as peças de xadrez. SMITH, Adam An Inquiry into Nature and the Causes of the Wealth of Nations, 1776: 233 
A política econômica tem atendido a emergências, quando deveria ter um rumo; ameaça com arsenal de medidas quando deveria implementar reformas que tirassem do caminho os obstáculos ao crescimento; distribui favores quando deveria melhorar o ambiente de negócios... O BNDES pensa estar fazendo política industrial despejando volumes extravagantes dos recursos no projeto de formação de grandes conglomerados. Tudo isso dá a impressão de que há um projeto. Não há. Falta projeto
BNDES: financiamento à Delta apesar da ficha suja
Com a ajuda de Lula, Collor finalmente conseguiu chegar ao cofre da Petrobras
Economista e diretor do BRICLab, Marcos Troyjo, ao “O Estado de S. Paulo”: “O Brasil precisa de um plano” 
Pobres terão direito a linha de telefone fixo mais barato - Globo TV
Tarifas bancárias têm alta de até 41% em um ano, aponta Procon
Nunca o brasileiro deveu tanto. Entre cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos, imóveis - incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) -, a dívida das famílias atingiu no fim do ano passado R$ 555 bilhões. O valor é quase 40% da renda anual da população, que engloba a massa nacional de rendimentos do trabalho e os benefícios pagos pela Previdência Social. Estadão, 15/2/2010.
Um milhão de patrões têm dívidas trabalhistas
O orçamento das classes médias está fortemente comprometido com mais despesas com serviços, sobretudo tarifas de celular e de TV por assinatura; ensino; condução; viagens; academia; refeições fora de casa; etc. Empurrá-las a mais endividamento tem tudo para ser o contrário do que vinha sendo tentado - ou seja, tem tudo para ser uma política macroimprudencial. Dilma turbina o pibinho 
Governo sofre as dores da hipertrofia  O país anda de través em círculo, raso e sem solução. Fogo no circo 
O principal problema desse novo pacote não é o especial desvelo com que trata a indústria de veículos e deixa os demais setores ao deus-dará. É a estratégia de tentar compensar a relativa desaceleração interna com mais consumo apoiado no crédito - e não com mais investimento.Dilma turbina o pibinho
"A presidente esgotou a troca de figurinos. Como uma atriz que tem de representar vários papéis, não tem mais o que vestir de novo". (‘Governo? Que governo?’, um artigo de Marco Antonio Villa) 
A ineficácia de medidas paliativas (Valor Econômico, 8/6/2012)
Dilma não pode dizer que é vítima de 'herança maldita'; "A presidente poderia renunciar a esta péssima herança deixada por Lula: atribuir dificuldades objetivas enfrentadas pelo governo a uma espécie de urucubaca ou de macumba feita pelos ‘inimigos’ Quem são ‘eles’, soberana?" (Inquieta com a crise, Dilma culpa essa gente que transforma marolinha em tsunami e antecipa o julgamento dos mensaleiros)
Investimentos públicos não decolam e emperram crescimento do PIB  S. Exa. berra para todo lado, culpa todo mundo - o Euro, o Dólar, os governos anteriores, a mediocridade dos ministros mal-feitos, o Congresso, a "Base Aliada", o UK que não entrega as Malvinas aos argentinos.  Insensatez em marcha na política econômica -
A indústria nacional está sendo "esmagada", de um lado, pelas pressões externas — advindas de uma China que avança sobre os mercados globais e de um câmbio apreciado que reduz a competitividade do produto brasileiro– e, de outro, pela elevação dos salários — decorrente das opções políticas que privilegiam a redução da pobreza e um maior poder aquisitivo da população, pelas vias da valorização salarial e dos programas de transferência de renda. De fato, esse processo ocorreu no país nos últimos anos, agravado pela enxurrada de dólares injetados a partir da emissão de moeda pelos EUA, no que se convencionou chamar de "guerra cambial". O resultado foi uma apreciação do câmbio que onerou o setor industrial e prejudicou a capacidade do produto brasileiro de competir no mercado global. Nesse sentido, as políticas federais de depreciação cambial aliviam um pouco a indústria nacional, mas são insuficientes para propiciar um salto no setor. Crise e cenários para o Brasil, por José Dirceu
Os juros estão caindo e subindo Folha de S.Paulo
Economia através de fractais* Entre a teoria dos quanta, que sustenta o edifício científico da idade atômica e o pensamento dos economistas e filósofos, marxistas e tecnocratas, parece terem decorrido séculos. Já não falam a mesma língua. Já não têm nem uma idéia comum. KRAEMER, Eri, La grand mutation; cit. Goytisolo: 69  
Querer aplicar a modalidade de desenvolvimento praticada em 1930  é insistir subir a serra na mais alta velocidade de um fordeco. No meio da pitoresca viagem, ele ferve, e funde o motor. Hoje, felizmente, possuímos padrões despreendidos da falsa dicotomia entre a esquerda e a direita, ambas maquiavélicamente estendidas no fito de dominação total.  O preço é o mais caro do mundo, não só ao povo, como aopróprio governante, o primeiro a se precipitar pelo despenhadeiro.
Brasil volta a cair em ranking de competitividade"Uma economia só pode crescer de maneira global se as empresas individuais que a formam crescerem. Portanto, qualquer teoria do crescimento deveria estar embasada na atividade e no comportamento das empresas individuais." (ORMEROD, P., 2000: 216) "Onde existe crescimento econômico, estão também emergindo mais formas de governo de livre mercado - uma aceitação do fato de que as pessoas, e não a determinação política, criam a oportunidade econômica." (NAISBITT, J., Paradoxo global: 265)
Dilma, preste atenção: discurso não resolve crises (Editorial Estadão, 8/6/2912): "O governo vai lançar mão dos instrumentos necessários para estimular os investimentos e sustentar o crescimento do consumo. Quem aposta na crise, como (fez) há quatro anos, vai perder de novo", profetizou Dilma, na solenidade do Dia Mundial do Meio Ambiente. Repetiu a bravata feita pelo presidente Lula em 2009, que disse que quem apostasse que a crise internacional iniciada no ano anterior quebraria o Brasil acabaria "quebrando a cara". O País, disse Dilma, tem um "arsenal de providências" que podem ser colocadas em prática. "Sistematicamente, tomaremos medidas para expandir o investimento público, estimular o investimento privado e o consumo das famílias."
Mas só agora, de frente com o formidável iceberg, o arsenal vai ser aplicado? BC diz que corte de juros deve ter 'parcimônia'
Os economistas vêem o mundo como uma máquina. Uma máquina complicadíssima, talvez, cujo funcionamento pode ser entendido se juntarmos cuidadosa e meticulosamente as partes que a compõem. O comportamento do sistema como um todo pode ser deduzido de uma simples soma desses componentes. Uma alavanca puxada em certa parte da máquina, com uma certa força, provocará resultados regulares e previsíveis em outra parte da máquina.  ORMEROD, Paul:48.
Banco Central acredita que inflação vai perder força no decorrer do ano  Tal qual a Argentina, tomada pelo vírus patrimonialismo-populista  já por duas décadas, o câncer em nosso organismo também se proliferou sem a menor resistência, justamente pela ignorância da mais completa lição de economia, esta formulada nos primórdios da democracia:.
Estou profundamente convencido de que qualquer sistema regular, permanente, administrativo, cuja finalidade seja assistir as necessidades do pobre, fará nascer mais misérias do que as que pode sanar, depravará a população que deseja assistir e consolar, reduzirá com o tempo os ricos simplesmente ao papel de funcionários dos pobres, acabará com as fontes da poupança, parará a acumulação de capitais, deterá o progresso do comércio, entorpecerá a atividade e a indústria humanas e terminará por conduzir a uma revolução violenta no Estado, quando o número dos que recebem esmola for quase do tamanho dos que a pagam e quando o indigente, não conseguindo tirar dos ricos empobrecidos o necessário para satisfazer suas necessidades, achará mais fácil espoliá-los de uma vez por todas de seus bens do que solicitar seus auxílios. TOCQUEVILLE, A., cit. RODRIGUEZ, R,V. 56
A orquestra do Brazilianic continua exuberante, mas os  atores e  a platéia começam a abandonar o recinto. Bloco do PR e PTB deixa reuniões da base aliada no Senado
Os brasileiros somos craques em maquiar. Desde 1810, viemos nos profissionalizando em ludibriar olhares ingleses, com a estratégia de gerar visibilidade sem necessariamente atingir grau algum de efetividade. O problema é que, como se sabe, muitas vezes o feitiço vira contra o feiticeiro. E, hoje, é o próprio brasileiro que sofre com a tradição política de valorizar apenas aquilo que gera repercussão, trazendo benefícios imediatos, sem perspectiva alguma de médio ou longo prazo.  Essas práticas perniciosas podem, contudo, perder suas forças à medida que a população for se desgarrando da ingenuidade dos ingleses, que assistiram, por quase um século, aos brasileiros fingindo combater o tráfico negreiro. João Montenegroh http://www.consciencia.net/para-ingles-ver/
Na água, na rua não há ar-condicionado, nem calefação, não senhor.  "O rei está nu. Na verdade, é a rainha que está nua. Ninguém, em sã consciência, pode dizer que o governo Dilma Rousseff vai bem. A divulgação da taxa de crescimento do País no ano passado ─ 2,7% ─ foi uma espécie de pá de cal." (‘Governo? Que governo?’, um artigo de Marco Antonio Villa)
E como no final das contas não é senão u'a máquina cuja existência e manutenção dependem da vitalidade circundante que a mantenha, o Estado, depois de sugar a medula da sociedade, ficará héctico, esquelético, morto com essa morte ferrugenta da máquina, muito mais cadavérica que a do organismo vivo.  ORTEGA Y GASSET, , Rebelião das Massa
Tenho a impressão que nada mais pode evitar a gigantesca catarse,  que espero salutar, saneadora, a "destruição criativa" mancionada por Schumpeter. Restar-nos-á cumprir o andor de choro e ranger de dentes, com o corpo pelos ombros e o sangue do país escorrendo em cachoeira, ladeira abaixo. 
Na mosca, mais uma vez. Infelizmente:
Chegou o momento de admitir: estourou a bolha de otimismo e crescimento que estávamos vivendo. O fundo do poço pode esconder um poço mais profundo ainda.  (Carlos Heinen, presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Caxias do Sul, Presidente da CIC alerta para a gravidade do momento econômico Economia em alerta 11/06/2012) 
Banco Central não consegue segurar o dólar e moeda fecha o dia a R$ 2,05 
Mesmo com juro reduzido e novas medidas de estímulo, economia brasileira ainda não reage (13/6/2012)
Estado exporta 17% menos em maio em relação ao mesmo período do ano passado
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Um comentário:

  1. Processo eleitoral para os representantes da sociedade civil nos Colegiados Setoriais

    Após a publicação da Portaria nº 51, de 02 de maio de 2012, iniciou-se em 14 de maio de 2012, o processo eleitoral para os representantes da sociedade civil nos Colegiados Setoriais das áreas técnico-artísticas e de patrimônio cultural com representação no Conselho Nacional de Política Cultural - CNPC, que deverão indicar seus representantes para o Plenário do Conselho.
    As etapas do Processo Eleitoral são as seguintes:
    - De 14 de maio a 24 de junho: cadastramento de eleitores que participarão dos Fóruns Estaduais Setoriais e registro de candidaturas aos Fóruns Nacionais Setoriais.
    - De 25 a 6 de julho: validação das inscrições pelas Comissões Eleitorais Setoriais;
    - Até 13 de julho: interposição e julgamento de recursos;
    - A partir de 21 de julho: divulgação e debates de propostas dos Candidatos a delegados estaduais;
    - De 28 de julho a 19 de agosto: eleição de delegados estaduais;
    - 19 e 20 de setembro: Realização dos Fóruns Nacionais Setoriais.
    Para a fase de cadastramento, o Ministério da Cultura disponibilizou na internet um formulário que receberá as inscrições dos participantes das áreas que elegerão seus Colegiados Setoriais. Esta fase, que se encerra em 24 de junho de 2012, é particularmente importante, pois dela depende o sucesso de todo o processo. Somente aqueles que se cadastrarem poderão participar como eleitores ou como candidatos nos Fóruns Estaduais e Fóruns Nacionais Setoriais. É também uma etapa de grande mobilização de todos os segmentos culturais em todo o Brasil.
    Para que essa mobilização seja bem sucedida, divulgamos o divulgar o link da plataforma de cadastramento que se encontra disponibilizada no site do Ministério da Cultura no endereço http://www.cultura.gov.br/setoriais/

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