segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O espanto do Quarentinha

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Seu Quarentinhaaa!, inesquecível Agente Potente 968: Pom Tia!!!!!
Bom.
, algum meteoro lhe picou?
Não. Estou em missão de partida. Gosto de ser rápido e objetivo, só.
Venha conhecer 009 e TriPulantes, em missão de nosso resgate.
Deixa eu ver... Mas a maioria eu já conheço! Gente que me foi
antepassada! Isso é o que tua gente ainda não assimilou?

Não vem ao caso.
Como não? Além de emails e as manchetes sanguinárias, o que mais lêem?
Gostamos de novelas. Em todos canais, ao mesmo tempo, passam novelas.
Mas para que tantos canais, se todos passam a mesma coisa?
Canais são para faturar. Se o mar da novela é o que dá peixe, que mal tem para lá acorrerem todos os pescadores? Ademais, povo alienado não enche o saco.
Xi, o dia será duro.
Fale-me do antecessor.
Dizem, ficava no muro.
Procede tamanho rumor?
Trouxe bastante mega? Dá para escrever uma enciclopédia. Melhor apontar o que quer saber.
Ao encerrar minha visita preciso levar um relatório. A imaginação, passados 40 anos do Quartier Latin, chegou no poder?
Sim, mestre, e como, não viu? A espada foi aposentada. Féliz tratou da armada. Comprou um moderno portaviões, pero usado. Uns dizem besteira. Boas línguas admitem a pechincha: a Copa do Mundo, a da bobeira.
Você achou melhor trocar o caneco por um elefante-branco?Nada nos foi perguntado. Na ocasião se dizia que o Funil não tinha dinheiro para ficar aí importando veículos.
Péra. Se não tinha dinheiro, porque importou o veículo mais caro do mundo?
É que o colosso veio de lambuja. A Tansa havia largado sete bombas atômicas na Amnésia, que ela diz que é dela. Imagine se não fosse. O mundo se revoltou. Era o momento certo de adquiri-lo. Mas para automóveis, o país não tinha dinheiro não.
O Funil nunca comprou carros. Até Bangladesh tem importados. Quem paga o preço, e alto imposto, são os cidadãos, não o país. Ninguém tinha dinheiro?
Neste país existe muita gente trabalhadora, e de sucesso. Mas a desculpa foi essa. E pegou bem. Ninguém nunca de nada reclamou. A Geme e a Four compraram caixas de champagne. Nem os arautos que estreitavam os laços do comércio internacional protestaram. Não tiveram tempo, os coitados. Afogaram-se direto na estupenda marola que só a maldade pode fazer.
A pista aquática poderia tê-los socorrido, hehe.
Brincas com a tristeza.
Quero alegria.
Alegria é o que mais tem. A baita nave custar só um caneco não lhe parece excelente negócio? No seu tempo não tinha isso, sabemos. Graças justamente à sua inspiração, todavia, desfraldamos imediatamente a nova bandeira. A imaginação chegou ao poder, pelas agências de publicidade: Pra frente, Funil! Deu certo, Funil Tricampeão.
O sempre-na-moda Féliz inovou: a agência criou o Avança Funil. Só não se sabe para onde. O dono da agência sabia, e ensinou Féliz.
Adiantou alguma coisa?
A arrecadação se multiplicou, sem piedade.
Isso bem fazia o Tirano de Siracusa. Não é nenhuma novidade.
Concordo que tenha faltado um pouco de imaginação, mas tinha que instituir o mensalão, já à reeleição. Os fins justificam os meios.

Mas bah tchê, índio véio! Ainda com essa em cartaz? Em 1689 os ingleses liquidaram com tal metonímia. Pelo visto falta mesmo muita imaginação.
Não mesmo. A Nação ficou sem lanche, mas o Funil deslanchou. Milhões de dólares circulam em malas e cuecas por vários aeroportos. E as notas de cem reais continuam voando, soltas, com total liberdade. Ninguém sente falta.
Mas qual é o paradigma que norteia a sumidade?O lugar da espada pode ser ocupado pelo dinheiro, ou pelo amor. Também o conhecimento pode ser apto. Ao amor, temos as catedrais. Féliz preferiu trabalhar bem o dinheiro. Teve muita imaginação, e fez.
Ai! Carrapato não tem pai. General recebe instrução militar, e sabe bem usar a espada. Do amor, entendem os embaixadores da Divindade. Féliz tinha formação, ou informação sobre as peculiaridades econômicas, ou sobre as conseqüências sociais da manipulação monetária em tão larga escala?
Nada, mas não vem ao caso. E, afinal, o frango a 1 deu goleada em tudo que é campo. Outra coisa: o pessoal teve que aguentar 20 anos aquele Brucutú. Era hora da onça beber água. Féliz colheu o ensejo. Dobrou a Constituição em seu favor. E como bom socio logo, fez o dinheiro circular entre os sócios.
Foi um golpe, uma falta de respeito com os constituintes. Algum deles foi consultado?
Vários. Aderiram. Mudaram de opinião. Diziam que só mortos não mudam. O passe estava ensinado, mas não foi armado, digo com armas de fogo. Não pode ser chamado de golpe. Ademais, quem não saiu forrado?
Poder-se-ia taxá-los corruptos ou birutas?
Mas o que é isso? Só trouxeram progresso. Um fato que ninguém reparou: a PIFA aderiu ao mensalão. Imaginação exclusivamente cabocla. A Copa 2014 será no Funil. Agora nossa meta é a Olimpíada de 2016. Povo distraído é mais fácil de ser subtraído. Por último, um episódio que não é mera coincidência: a eleição do Misto Redentor como vedette do mundo. Não é mesmo uma maravilha? E você acha que tais preciosidades são frutos do amor? Ão, ão, ão, pro nosso pão, o mensalão!
Só pode ser gozação.
Você não pode querer ser sempre sério. Isso é para motorista de carro-fúnebre. Preferimos alguém independente, um nome que valha já no próprio nome: Caco Valério!Quack! Este o vi em órbita.
Deveria tê-lo abordado. Com ele não mais se precisa de espada, tampouco de amor. Deixa a imaginação de lado. Ele tem os conhecidos, portanto, conhecimento. É um verdadeiro carrinho de supermercado. Com ele compramos tudo, especialmente deputado.
Três cruzes! Mas só compram? Nada vendem?
Para vender, era por outro departamento. Na promoção de Natal, Maléfico vendeu quase tudo.
E o que fizeram com tanto dinheiro?
Dinheiro é para estar bem guardado, ao máximo que se puder. Então mandamos às Caymmais. Dante levou tudo.
Divina Comédia! Que falta de imaginação!
Não é verdade. Imaginação era com Féliz. E mais do que imaginação, realização! Sonhava levar a Ma. Mute para subir na Muralha da China. Pronto, visitou todas as cortes. Curtiu safaris, praias, recepções de gala. Escreveu um livro sobre suas viagens. Cara de imaginação estava aí. Mula só teve o trabalho de lhe seguir. É mula lá e nós aqui.
Mas na Bobonne, Saint Boban dès Près e Saint Bedel clamavam por imaginação ao poder, não imaginação para poder!
Dá quase no mesmo. Tanto que o povo nem reclama.
Teu povo ainda vive?
Quando Féliz assumiu, os produtores tinham que entregar o frango por centavos. O povo encheu o tanque. Parecia saber do longo período de carestia, abstinência, miséria, e decadência ao qual estaria submetido. Zé Gallo salvou o prato de todos. Entregou algumas galinhas, digo frangos, por um farto banquete. A Tansa ficou com o caneco; mas nós, com o portaviões, o maior filet-mignon do mundo, novo Colosso dos Verdes Mares de Iracema. O que quer mais?
Os frangos eram poucos, mas dava para comê-los. E o filet do colosso, ao que serve?
Se não tivesse aviões, concordo que teria pouca serventia. Então enviamos convite ao sucessor de Chirac para que continuássemos o negócio. Ele ficou agradecido e nos empurrou algumas dúzias de caças que estavam atrapalhando, e helicópteros, e equipamentos, e um monte de quero-queros. De nossa parte, encomendamos mais uns dois ou três submarinos nucleares. Pra frente Funil! Avança Funil! Funil, um país de todos!Se é de todos, é uma Casa da Mãe Joana, para não dizer de tolerância. Ademais, Pra frente do quê? Avança no quê, ou para onde? Se não tiver guerra, vão provocar uma? Neste caso há apenas dois contendores: os uais. Não se metam com a Tina ou com a Goela. Mas se vão invadir os mais fracos, porque não o fazem de carro, em turismo? É mais barato, conserva a amizade, e evita despesa de hospital.
Não provocaremos nada. Se queremos a paz, temos que nos preparar para a guerra.
Funil em guerra faz-me rir. Acha que alguém vai trocar a praia pelos sete-palmos das trincheiras?
Se não conseguirmos, podemos transformar o colosso numa pista de rave em alto-mar. Que me diz?
Tenho uma idéia melhor. Que tal uma quadra para escolas-de-samba em tournèe internacional?
Idéia genial! Atrairá a atenção mundial. A mídia abrirá manchetes. O turismo irá explodir!
Só quero ver quando a Mangueira entrar.
Senti a maldade.
Se sentiu, aja! Tenho que aplacar a fúria dos meus românticos contemporâneos.
Vou passar a noite procurando algo do agrado, excelência. Até amanhã, sr. Embaixador.
Esqueça. Traga-me um disco do Jeca Pacotinho. Avisarei minha turma que 008 se prepara para a Copa do 014 e a Olimpíada do 016. Até lá, tem tempo. No 018 retorno. Segurem-se. Estarei fazendo 50 anos. Serei o Cincoentinha, bem claro. Não me venham com Fifty-fifty.

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