segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Introito: a crise nas montadoras de automóveis


Todo o sistema de política que se esforce, seja por extraordinários incentivos, para destinar a uma espécie particular de indústria uma parte do capital da sociedade maior do que naturalmente atrairia, seja por extraordinárias restrições, para afastar de uma espécie particular de indústria parte do capital que do contrário nela se teria empregado, na realidade subverte o grande propósito que deveria promover. O Sr. Smith investigou, com grande engenhosidade, que circunstâncias, na Europa moderna, contribuíram para perturbar essa ordem da natureza e, sobretudo para encorajar a atividade nas cidades, à custa daquela do campo STEWART, Dugald, in SMITH, A.,Teoria dos Sentimentos Morais, LXIV
A propalada crise que assola o mundo contemporâneo induz julgar que qualquer redução de mercado provenha da anomalia, dessa estrepulia financeira.
Em três anos, 320 mil carros brasileiros deixaram de circular pelas ruas de vários países que antes importavam modelos fabricados no País. Dólar desvalorizado, custos altos e mais recentemente a crise global estancaram as exportações das montadoras, que chegaram a vender ao exterior 35% da produção. Este ano, o índice não deve passar de 13%, provocando dificuldades à escala produtiva. Estadão, 22/3/2009
O diagnóstico é obtuso. Primeiro que o dólar não se desvalorizou. E frente ao Euro até se valorizou. O Real é que está supérvalorizado, mercê da escassez, da circulação estrangulada pelos depósitos compulsórios somados aos juros mais altos do mundo, e aos impostos mais caros do globo. Mas foquemos a produção. A  queda na demanda de automóveis coincide com a saturação do produto em todas as faixas, offside da capacidade aquisitiva.
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Malthus anunciou o colapso pela falta de alimentos. A produção cresceria, no máximo, de modo aritmético; mas a reprodução humana dar-se-ia more geométrico. Guerras e epidemias elidiriam a desventura da fome, abreviando a estada de muitos na Terra; entretanto, haveria o encontro de contas, instante que não daria conta de saciar tantos multiplicados.. Marx colheu o ensejo e anunciou o fim do capitalismo, ameaça adicional que pairou sobre o sofrido povo da década dos gangsters. O New Deal suplantou a mazela por interferir de modo acentuado na Economia, no sistema social e trabalhista, mas foram os despojos alemães e japoneses que cobriram as benemerências.
Novamente nos vemos em apuros com o mais tradicional sistema. Malgrado não poucos enriquecerem com a desgraça alheia, por isso precipitando o descalabro, seguramente a atual crise americana não terá o efeito catastrófico causado no passado. Todas as nações estão envolvidas nesta teia criada pelas caranguejeiras rainhas. O que importará serão as soluções gerais, não setoriais; tampouco meramente nacionais.
Trata-se de grave erro reiterar pela intervenção dos Estados nas relações econômicas, A origem não é política, nem social, Existem inúmeras atividades per se decadentes, dado à exaustão.Dinossauros são fadados à extinção.

Se Malthus anteviu um colapso social, e Marx o material, tendo  ouso predizer o fim dessas geringonças Se continuarmos despejando carros no mundo, os da década de 2020 virão com beliches, e minicozinha. Até lá cada vez mais dificil abrir as portas.
A ficha começa a cair: Muitos carros, pouco espaço - 14 de maio de 2012


A revista Exame de 16/4/2009 junta-se  a consagrar nosso vaticínio:
Detroit é hoje um símbolo trágico de como a decadência de uma economia transfigura a vida de uma cidade. Encravada no estado americano de Michigan, Detroit é o lar das três maiores montadoras americanas - GM, Chrysler e Ford. Graças à prosperidade delas durante décadas, Detroit ganhou os apelidos de Motor City e Motown, atraiu mais de 1 milhão de trabalhadores e se transformou, na década de 50, na cidade com a maior renda per capita dos Estados Unidos. Mas as chamadas Big Three vivem dias de profunda decadência - e Detroit as acompanhou nessa trajetória. A paisagem é de desolação. Há milhares de casas e prédios abandonados ou em ruínas. Os índices de violência urbana estão entre os maiores dos Estados Unidos e o desemprego é de 12% da população economicamente ativa. A cidade dos carros - de onde saíram ícones como Cadillac, Pontiac e Chevrolet - é uma triste sombra do que foi no passado. A Detroit de 2009 simboliza o fim de uma era de esplendor e erros da indústria automobilística.
Sabíamos disso. Entre todas as razões, ainda cabe mais uma:
O Mundo Corporativo é um monstro que se autodestrói porque lhe falta uma estrutura mais ampla de Significado, de Valores e Propósitos fundamentais. Há uma profunda relação entre a crise da sociedade moderna e o baixo desenvolvimento da nossa Inteligência Espiritual.
ZOHAR, D., cit. www.professorjuacy.com.br
Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos;
nossa inteligência, empedernidos e cruéis.
Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade.
Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura.
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
CHAPLIN, Charlie, O Grande Ditador, último discurso..


Dedico esta véspera de Natal, dia comemorado à espiritualidade, mas no qual se mira a matéria, que é o presente, e o primeiro presente desejado pelo menino sói vir sobre rodas, detenho-me, dizia, no fetiche do automóvel, e na flagrante impossibilidade de sua presença, cada vez mais evidente.
Tentarei elaborar o estudo, razões e especulações, em quadra de médios approaches. Em seguida, o intento se voltará em conjecturas de soluções mais compatíveis com o planeta, com o Universo, e com a própria humanidade que os conduz.

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* Porque viaja na proa do tempo, a Nav's All detecta mais cedo. Um ano depois deste artigo, os alemães experimentam a dura realidade :
Mais de 90 mil postos de trabalho na indústria automobilística estão em risco, apesar da ajuda estatal. O término do programa que prevê um bônus para o sucateamento de veículos deverá aumentar o número de falências ao longo de todos os processos da cadeia de valor acrescentado, segundo publica o Die Welt. Deutsche Welle, 28/8/2009

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