quarta-feira, 21 de abril de 2010

A seleção canina


Os cães são um objeto de estudo fantástico, porque têm uma das maiores variações de fenótipos (características manifestas) entre os mamíferos. AKEY, Joshua, Universidade de Washington.
A enorme quantidade de fenótipos se deve a surpreendente formação e atuação dos seus genótipos.
Há grandiosidade nesse modo de ver a vida, com suas diversas forças, tendo surgido a partir de umas poucas formas de vida ou de uma única; e que, enquanto este planeta tem orbitado de acordo com as leis fixas da gravidade, de um início tão simples infinitas formas mais belas e maravilhosas evoluíram, e continuam a evoluir. DARWIN, Charles, para encerrar a Origem das Espécies e tal.
HAECKEL (cit. MIRANDA, Pontes de: 188) via em DARWIN "der Kopernikus der organishen Welt”. Nosso COPÉRNICO, todavia, foi completo revolucionário. DARWIN era copiador compulsivo, “contumaz colador”, como se diz no primário. Fora trair WALLACE, e servir-se de HOBBES, BACON, GALILEU, DESCARTES, NEWTON, LAMARCK, MALTHUS, mesmo de HEGEL, e por tabela até PLATÃO, seu avô ERASMUS (THUILLIER: 198.) já apontara o elevado propósito espartano da seleção darwineana: “A causa final da confrontação entre machos parece ser esta: o animal mais forte e mais ativo deve propagar a espécie, que desta maneira é melhorada.”
É verdade que a Grande Fome Irlandesa e a emigração em massa iria reduzir a população da vizinha pela metade, enquanto uma epidemia de cólera ceifava a vida de 2.000 pessoas por semana, nas cercanias do Tâmisa. Como se não bastasse, os britânicos partiram à Guerra da Criméia, e depois começavam a enfrentar a primeira forte rebelião indiana. A Austrália promovia a primeira corrida ao ouro, este sim, um material que nunca é o bastante para ninguém. A indiada americana pagava o pato.  Tudo consagrava a certeza matemática do patrício e gurú, o reverendo (!) T. MALTHUS (cit. DOWNS: 63). Ao Grande Arquiteto cabia introduzir a peste; e aos homens, à sua imagem e semelhança, cabia escravizar e matar. No lustro irlandês, DARWIN (cit. CARVALHO, E.M.M.: 21) surgiu com o desdobramento: “Da guerra da natureza, da fome, da morte, forma-se o mais nobre objeto que somos capazes de conceber: a produção de animais superiores.”  HITLER acreditou e revendeu a balela.
DARWIN admitia a evolução de algumas espécies em detrimento de outras; porém supunha a generalidade, o planeta, o cosmos, o meio-ambiente submetidos à mais rígida condição - as leis fixas da gravidade. Pois elas é que foram revogadas! "Nem a física de Newton nem a biologia de Darwin disseram muito que possa contribuir para um quadro coerente de nos mesmos dentro do Universo." (FEYNMAN, Richard P., cit. GLEICK, J.: 182)
"A teoria da evolução, de Darwin, de mutação acidental e de sobrevivência dos mais capazes, inevitavelmente tem se mostrado inadequada para responder a um grande número de observações biológicas." (FERGUNSON, M. 149.)
O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado.
Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial como ele próprio.

NIETZSCHE, F., O livro do filosofo: 41
Ao turista do Beagle a vida se submeteria à natureza morta newtoniana, imutável, o que de plano se mostra surreal. Sua disposição dialética vedava qualquer reprodução sintética, muito menos assimétrica. Por ela um ser dotado de inteligência não seria mais capaz do que suas circunstâncias. O cachorro prova que é. Ele é que seleciona, e até mesmo altera o ambiente que lhe convém: grande parte da sociedade da época de DARWIN girava em seu louvor, concedendo-lhe prêmios, condecorações e estadias cinco estrelas. Atualmente, um complexo sistema de pessoal e instrumentos gravitam em torno da espécie!
De acordo com o psicólogo e pesquisador Stanley Coren, PhD, da University of British Columbia, os cães podem compreender mais de 150 palavras e intencionalmente enganar outros cães e pessoas. Eles aprendem a localização de itens variados, as vias de melhor acesso em um ambiente (o caminho mais rápido para chegar em uma cadeira), como operar os mecanismos (tais como fechos e máquinas simples) e do significado das palavras e conceitos simbólicos (às vezes simplesmente por ouvir as pessoas falarem e vendo suas ações).
Estudar os cães pode esclarecer o pano de fundo das doenças humanas. ELLEGREN, Hans, Universidade de Uppsala, Suécia.
Mais do que nossas mazelas patológicas, a dedicação pode auxiliar na reversão do sofisma socrático, no fito da cura fundamental, da extirpação da "doença" greco-romana, célula-tronco da esquizofrenia ocidental.
O universo é constituído de uma multiplicidade de sistemas ‘abertos’, todos em incessante interação com seu ambiente. BEN-DOV: 149


A visão da evolução como uma crônica competição sangrenta entre indivíduos e as espécies, um desvirtuamento popular da noção de Darwin da 'sobrevivência dos mais aptos', dissolve-se diante de uma nova visão de cooperação contínua, forte interação e dependência mútua entre as formas de vida. A vida não conquistou o globo pelo combate, mas por um entrelaçamento. As formas de vida multiplicaram-se e tornaram-se complexas cooptando outras, e não apenas matando-as. SAGAN, D., cit. DAWKING, R.: 288
Produzem o DNA duas ondas combinadas, não antagônicas, é fundamental o friso, que informam o descendente de acordo com a maneira mais propícia, vantajosa, ou adequada, menos sacrificosa, enfim, às atividades que lhes serão pertinentes. A maior variação de informações, portanto de evolução, ou mutação, como quiser, pode ser aferida entre os cães. Sabemos que "o melhor amigo" morava nas estepes, afastado da espécie humana. Seja lá por iniciativa de qual lado, o certo é que aos poucos as duas "civilizações" foram se aproximando, por vantagens recíprocas. O amigo era ótimo na caça, no pastoreio, na guarda; e o homem, pródigo em produzir seu alimento.
Historicamente, o temor e a aversão ao contato com humanos era uma boa estratégia para os lobos selvagens, mas devido a esta atitude gastavam muita energia fugindo e não conseguiam alimentos de maneira tão eficaz quanto os mais ousados. Os lobos ousados sobreviviam melhor, reproduziam-se e tinham mais ninhadas. O grupo de lobos que permaneceu mais próximo dos homens seguiu um caminho evolutivo diferente. Esse grupo não precisava ser tão rápido ou criativo quanto seus ancestrais. Na verdade, ser pequeno era melhor porque animais menores precisam de menos comida. A característica principal para sobreviver nesse grupo era ser tolerante com os humanos. Esse processo foi conduzido pela seleção natural.
HARRIS, Hannah, HowStuffWorks - Como funcionam os cachorros. http://casa.hsw.uol.com.br/cachorro.htm (30 /9/ 2008)
Poderíamos atribuir inteligência a um animal? Óbvio; pelo menos a ponto de distinguir o que melhor lhe parece.
"Uma lesma que dispara 'dardos de amor' no acasalamento, um sapo sem pulmões e o inseto mais comprido do mundo estão entre as novas espécies de animais descobertas pelo grupo ambientalista WWF na ilha de Bornéu." (BBC, 23/4/2010)  Amor também, à despeito de nunca terem ouvido falar de cristianismo? Aí é demais.
Os chilenos têm um novo herói. Uma câmera de vigilância de uma estrada de Santiago gravou imagens de um cão andando entre carros em alta velocidade para puxar o corpo de outro cão que morreu atropelado.
Estadão, 8/12/2008
Seleção natural, sim, mas elaborada de acordo com o interesse específico dos agentes, não restrita às condições impostas pela natureza.
Não é a adaptação bem sucedida a um dado ambiente que constitui o mais notável formador da vida, mas a teia de processos ecológicos em um sistema ambiental que forma os padrões psicológicos e comportamentais, os quais podem apoiar-se na genética. A evolução acontece não como resposta às exigências da sobrevivência, mas como um jogo criativo e necessidade cooperativa de um universo todo ele evolutivo.LEMKOW, A. F.: 183
A ordem é multiforme: “Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade.” (TOFFLER, A. & TOFFLER, H. : 20)
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Toda vida emerge e é mantida na consciência.
O universo inteiro é expressão da consciência.
A realidade do universo é um oceano ilimitado de consciência em movimento.
MAHARISHI MAHESH YOGI

Ao compararem o genoma humano com de outros primatas, os pesquisadores fundados no reino do Príncipe dos Botânicos, CARL LINNAEUS (1741), sugerem modo evolucionário independente de função adaptativa. Para usar o chavão de POPPER, o processo de Conversão gênica enviesada apurado pelos cientistas da Universidade de Uppsala falseia a tradicional fórmula darwinista.
Antigamente se falava em instinto; a meu ver, todavia, a inteligência se espraia por tudo, mercê da interligação atômica, a Gaia, para JAMES LOVELOCK. O que garante a liderança do ser humano é a dotação excepcional de memória, nem sempre utilizada, mas sempre ao seu dispor. E memória é a informação presente sobre observação passada, consciente ou inconsciente, mas não esquecida, ou perdida, ou atrofiada. É a primordial tarefa do DNA. Pois o cachorro me parece dotado de uma excepcional inteligência. Em alguns campos, e, como vimos, até na solidariedade, sua inteligência supera a do seu amigo, ainda que jamais possa comandá-lo - os signos, a linguagem desenvolvida asseguram ao homem a proeminência. Mas os cães tem avantajadas capacidades de atenção e assimilação, portanto com altos potenciais de memória e mutação, fatores que lhes ensejam notáveis progressos, versatilidades logradas em imbatível agilidade. O pesquisador KENTH SVARTBEG, da Universidade de Estocolmo, assinala que elas se sucedem ao longo de poucas gerações.
"Houve mudanças consideráveis que alteraram o comportamento e as habilidades mentais de raças com pedigree e de cães reprodutores, bem como as suas características físicas."
A quantidade de raças reproduzidas a partir da original no curto lapso beira a estrondosa cifra dos 400.

Informações humanas compõem DNAs caninos
Segundo o Laboratório CEPAV/SP (www.cepav.com.br) o DNA não identifica a raça do animal. A deficiência se deve ao intérprete, não ao veículo.
No mais abrangente estudo já feito sobre o DNA dos cães, pesquisadores vasculharam o código genético de 275 animais de dez raças diferentes e identificaram alguns genes responsáveis por sua aparência. Os resultados, publicados na revista científica Nature, tem base em registro arquelógico indicador da forte ligação entre os cães e a civilização. Segundo os pesquisadores, os especiais quadúpedes surgiram dentro do Crescente Fértil - grande parte do atual Iraque, Síria, Líbia e Jordânia –, mesma área onde apareceram também os primeiros gatos e muitos outros animais, além de ser o berço da agricultura. O resultado do trabalho, descrito em um estudo publicado na revista “PNAS”, mostra as marcas da interferência humana no DNA dos cachorros. Relata-nos ROBERT WAYNE, professor de biologia evolutiva da Universidade da Califórnia, e coordenador do estudo:
"A revelação é importante porque é o mesmo lugar onde se desenvolveu a civilização, e os cachorros foram parte disso."

No estudo, publicado na revista científica Genome Research, os cientistas isolaram parte do DNA dos dachshunds e, em particular, o gene NPHP4, que havia tido uma parte 'apagada' em animais afetados. O gene está associado a uma combinação de deficiências nos rins e fígados em seres humanos, disse o coordenador do estudo, o pesquisador Frode Lingaas, da Escola Norueguesa de Ciências Veterinárias. 'Nos cães dachshunds, encontramos uma mutação que afeta apenas os olhos, sugerindo que este gene pode estar relacionado a pacientes humanos com doenças oftalmológicas'.
BBC - www.cmdv.com.br
KATHRYN M. MEURS, (www.animalia.pt - 5/6/2009) cardiologista veterinária da Washington State University, descobriu um gene mutante na raça Boxer, causador de doença cardíaca em humanos e animais - a cardiomiopatia arritmogénica ventricular direita ou ARVC (arrhythmogenic right ventricular cardiomyopathy).
KENTH SVARTBEG examinou cerca de 13 mil cães para avaliar características de sociabilidade e curiosidade, constatando mudanças comportamentais em 31 raças diferentes. Ele descobriu que aqueles animais criados de acordo com a aparência - sobretudo os bichinhos que integram shows de exibição de raças - demonstram níveis reduzidos das suas qualidades mais elementares. Os cães com aparência mais atraente tinham comportamento introvertido e personalidade difícil. Concentrado nesses aspectos, SVARTBEG declarou que essas novas características atendiam as expectativas dos seus "proprietários". Cães 'copiam' bocejo dos donos, diz estudo português
O Pastor Alemão participante de concursos de beleza é o mais clássico exemplo de "despersonalização", em função do "proprietário". O campeiro chega a ponto de atrofiar geneticamente suas pernas trazeiras para manter o tronco levemente na vertical, assim dar a querida impressão de potência e melhor capacidade de vigilância.
Resta investigar se nosso DNA não contém traços de lobos, e cachorros, e gatos, e outros bichos mais, como bois, cavalos, galinhas e porcos, além dos signos de macacos e papagaios. A julgar por muitos de nossos governantes, a sentença pode ser afirmativa. Especialistas concordariam:

É muito provável que as mutações reguladoras como a que encontramos nos cavalos brancos constituam uma classe majoritária, explicando-se assim as diferenças entre raças de animais domésticos bem como as que existem entre algumas espécies, por exemplo, entre humanos e chimpazés. ANDERSSON, Leaf, Uppsala University - Nature Genetics, 20/7/2008
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Um comentário:

  1. Bem interessante o texto.
    Médico Veterinário Paulo Deslandes

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