domingo, 24 de outubro de 2010

O advento da Ética

Os antigos gregos pareciam exigir de seus aristocratas não só uma origem nobre, mas também um caráter nobre.
THOMAS, Henry
Então veio, parece, um sábio astuto,
o primeiro inventor do medo aos deuses...
Forjou um conto, altamente sedutora doutrina,
em que a verdade se ocultava
sob os véus de mendaz sabedoria.
Disse onde moram os terríveis deuses das alturas,
em cúpulas gigantes, de onde ruge o trovão,
e aterradores relâmpagos do raio aos olhos cegam.
Cingiu assim os homens com seus atilhos de pavor
rodeando-os de deuses em esplêndidos sólios,
encantou-os com seus feitiços, e os intimidou –
e a desordem mudou-se em lei e ordem.

SÓCRATES ensinou PLATÃO  (Fédon, 66).e o mundo a pensar, antes de tudo, em si mesmo.
Porque todas as guerras nascem do desejo de adquirir haveres e bens. E haveres e bens somos forçados a adquirir por causa do corpo, cujas exigências devem ser satisfeitas.
A dialética engembrada pela dupla foi o artifício que permitiu a ascenção dos Trinta Tiranos sobre a pacífica Athenas, ao gáudio dos astutos. "Ela nos serve apenas para mudar de um sistema para outro.” (ENGELS, cit. QUILLET, P.: 46)
A sintaxe e a semântica do prefixo dial denotam o pragmatismo do adjetivo dual, fundamental à inversão de rumo.
Sim, pois na base da criação da necessidade de aniquilamento está a afirmação de que há um 'nós' e, consequentemente, um 'eles'. Esse processo se dá de forma lenta, cotidiana e concorrem para ele ações no campo da política, da cultura e da religião. Leis que separam e restringem os homens por sua ascendência ou cor, exacerbação de sentimentos nacionalistas e crenças religiosas usadas para a segregação são os caminhos para semear o infortúnio e transformar o medo em ódio.
GÓES, Moacyr, A divisão que segrega, 11/03/2010.
Assim como o alimento se torna primordial em sua falta, diante da dialética haveria de surgir a Ética. Coube a quem melhor conhecera as artimanhas platônicas tentar desfazê-las.  Eis fulgurante o protótipo da má temática;

platão diálogos
Que não adentre quem não queira se manifestar pela linguagem matemática.
PLATÃO
ARISTÓTELES frequentou a escola, e dedicou sua vida tentando elidi-la.  Explica-nos KOYRÉ (1986: 81)
Ocorre que para Aristóteles a geometria era apenas uma ciência abstrata. Por isso, a geometria nunca poderia explicar o real. As suas leis não dominam o mundo físico. O estudo da geometria não precede o da física. Uma ciência do tipo aristotélico não se apoia numa metafísica. Conduz a ela, em vez de partir dela. Uma ciência tipo cartesiana, que postula o valor real do matematismo, que constrói uma física geométrica, não pode dispensar uma metafísica. E tem mesmo que começar por ela. Descartes sabia-o. E Platão, que fora o primeiro a esboçar uma ciência desse tipo, sabia-o igualmente.
 O trato com o semelhante, e não com suas coisas é que deveria pautar as atenções de todo o mundo. E a ciência capaz de determiná-la, "a maior dentre todas as artes", deveria ser a Política, até porque todas as ações dos cidadãos e do Estado estão subordinadas às decisões políticas, assim como todas as outras artes também são a elas subordinadas.
Na verdade, era isto que Shelley percebia já nos primeiros dias da Revolução Industrial, quando proclamou que na defesa da poesia devemos invocar ‘luz e fogo daquelas regiões eternas onde a faculdade do cálculo, de vôo rasteiro, jamais se atreva a guindar-se’.
O pensamento de ARISTÓTELES vem exposto nas obras: Ética à Nicômaco, Ética à Eudemo e a Grande Ética.  Ela foi considerada como preâmbulo da política por se referir ao indivíduo, enquanto a Política considera o homem na sua dimensão social. Como a Justiça e o Direito PLATÃO endereçou ao Estado formular, para ARISTÓTELES dispôs a Ética como precedente ao próprio Direito. Em sua falta é inconcebível o Direito, tampouco Justiça. Frente à dialética, ARISTÓTELES tomou fama por condenar quaisquer excessos, sendo o meio termo é uma forma digna de louvor - ou seja - no caso em tela, a mescla entre o poder do Estado e do Cidadão.
A República de Roma ascendeu pelo cunho  aristotélico,  mas ao cabo retornaram as concepções platônicas, mais práticas e melhor entendidas pelo vulgo, e  mais interessantes aos condutores, fato que levou a hegemonia da força sobre a sabedoria, da arma sobre a inteligência, do Império Romano sobre todo mundo. A quem a tanto relutasse, ou preferisse, poderia novamente contar com a solução socrática:
"Coloquei a vida num declive: basta um empurrãozinho. Prestai um pouco de atenção e vereis como é breve e ligeiro o caminho que leva a liberdade." (SÊNECA, Sobre a Providência Divina)
A eficácia da administração da Justiça pelos homens se via confirmada pela entidade imperecível, inatacável por coletiva, articulada como Estado, o Deus Terreno. Cabiam aos sábios governantes estipular a lei, e aplicar a justiça de acordo com ela. A composição surtiu notáveis efeitos, desde a formidável engenharia dos aquedutos, circos e prédios oficiais, como a impressionante sequência de conquistas de territórios, o subjugo de um número infinito de escravos e vencidos, e a implantação de suas implacáveis leis em cada ponto alcançado. Como todo artifício tem algum prazo de validade, o arranjo pretensamente científico, na verdade apenas tecnológico de organização social, acabou dando com os burros n'água.
Com o surgimento dos imperadores romanos o curso dos tempos se torna ainda mais tormentoso e os homens interiormente ainda mais inquietos e angustiados. E chegamos então a um ponto, verdadeira e secularmente crítico, de profunda decadência, quando, subitamente, aparece a figura de Cristo, anunciando-se como a luz do inundo, a ressurreição e a vida. O Cristianismo, ainda jovem, entra em cena e aos poucos arranca, à Filosofia, a direção do homem. HIRSCHEBERGER, Johannes, História da Filosofia na Antiguidade.
Desse modo, e infelizmente, os burros foram salvos, à desgraça de judeus, franceses, ingleses, índios, negros, e centenas de genocídios, pelo mundo afora.
ARISTÓTELES é considerado pioneiro formulador da Ética. Particularmente, todavia, reputo a DEMÓCRITO, dono de uma intuição capaz de conceber a existência do átomo como elemento primordial. 
O que caracteriza os primeiros estudos sobre a sociedade é, precisamente, um ponto de vista finalista e normativo: finalista, isto é, tendo unicamente em consideração o ideal a realizar, a investigação do que deve ser a 'melhor' organização social e política; normativo, quer dizer, a preocupação imediata de estabelecer normas, regras de ação para a vida coletiva. É este, particularmente, o ponto de vista dos filósofos. Bastará recordar, quanto à antiguidade, a República e as Leis de Platão, a Política de Aristóteles...
CUVILLIER, A., Introdução à Sociologia – OS PROBLEMAS SOCIOLÓGICOS
O rudimentar conceito atômico de DEMÓCRITO, embora não preciso, veio encontrar o amparo científico em nosso tempo, corroborando a Ética como pauta da evolução do Universo, e não apenas restrita ao ser humano e sua interatividade social. Os movimentos, as rotações, a gravidade, galáxias e microorganismos são pautados por sistemas de relações, não por jogo de forças. Por isso arrisco afirmar que DEMÓCRITO logrou a dimensão mais abrangente, a ponto de ter inffluenciado as disposições do próprio ARISTÓTELES. Tentarei delinear com os parcos dados disponíveis um quadro sobre a Ética  do precursor atômico. Tudo o que se sabe vem de esparsas citações e comentáriosde outros autores,  fragmentos de suas teorias, mas muito menos se sabia sobre ADÃO e EVA, e, no entanto, rendeu dois fabulosos volumes, e incontáveis palimpsestos. Realizamos  a importante escala da NAV'S  para colher. A Epistemologia e a Ética de Demócrito

Um comentário:

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