quarta-feira, 8 de julho de 2009

Carma Ocidental. 53. O atraso da A.L.


Acabamos por nos tornar um laboratório de ilusões falidas. Nossa maior virtude é a criatividade; no entanto, não temos feito muito mais do que viver doutrinas requentadas e guerras alheias, herdeiros de um Cristóvão Colombo desventurado, que nos encontrou casualmente quando estava à procura das Índias. Gabriel Garcia Marques* 

"Olha isso. Maravilhoso!", disse o irônico Obama. 
Luís da Silva ainda presenteou com as camisetas da CBF os presidentes do México, China, Índia e África do Sul, reunidos na Cúpula G8. Tamanha sandice não é digna de um jardineiro muito além de um jardim? 

Hoje o país vive dificuldades de outra sorte. Com um presidente constitucionalmente legítimo e politicamente trõpego, o hiato entre ricos e pobres (sem mencionar miseráveis e desempregados) e a exacerbação do corporativismo como forma privilegiada de associar participação e distribuição. Espera-se que o Brasil e a América Latina consigam associar progresso e liberdade, recuperando, sem traumas, parte do atraso civilizatório em que se encontram. Mas é de toda conveniência examinar prognósticos que, pelo contrário, antecipam para a região uma permanente subalternidade, numa civilização de segunda classe. Prof. Wanderley G. dos Santos, Não ao fracasso, in Veja 25 anos - Reflexoes para o futuro
Os prognósticos, infelizmente, são calcados em dados concretos, em fatos reais oriundos de teorias e estratégias igualmente de segunda classe.
O crescimento de grupos criminosos dedicados ao assalto, à venda de drogas, ao furto de automóveis e ao assassinato, entre outros delitos, transformou as ruas das principais cidades da América Latina em espaços cercados pelo medo.
O Globo, 22/8/2009

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Muitos dos terroristas de ontem são hoje presidentes ou ministros na América do Sul.
Vereadora chilena Lucía Pinochet Hiriart, filha mais velha do ditador chileno Augusto Pinochet 1915-2006. - Folha de S.Paulo, 2/11/2008
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Lawrence Harrison, do Massachuchetts Institute of Tecnology e Stephen Haber da Universidade de Stanford (The Pan-American Dream, cit. Toledo, José Roberto, O Pesadelo Americano, Folha de São Paulo, 10 de agosto de 1997) recomendara buscar os motivos do atraso sócio-econômico de nosso continente nos próprios países e não fora deles. Ambos também concluem que a tradição ibero-católica é particularmente inclinada ao autoritarismo, à injustiça e contrária ao livre mercado:
Há diferenças óbvias entre os países latino-americanos, mas as semelhanças são marcantes, por exemplo, com respeito as tradições de autoritarismo e envolvimento militar na política, de injustiça social e de sistemas econômicos 'mercantilistas' ou 'corporativistas' que tanto contribuíram para essa injustiça. No estadismo ibérico o cidadão acredita que o Estado - e não ele mesmo - deve resolver os problemas de sua vida. O simples complemento desta representação consiste em pensar que também o Estado (nacional ou outro) - e não o próprio cidadão - é responsável pelos malogros.
O prof. Seymor Lipset (O Homem Político, p. 84) oferece equivalente parecer:
“A estrutura social e econômica que a América Latina herdou da Península Ibérica impediu-a de seguir o exemplo das antigas colônias inglêsas e suas repúblicas nunca desenvolveram os símbolos e a aura de legitimidade.”
Mendoza, Montaner e Vargas Llosa (O manual do perfeito idiota latinoamericano: 127) também destacam como o sistema institucional proposto causou o empobrecimento:
A riqueza entre nós não provinha, como no caso dos primitivos colonos da Nova Inglaterra, do esforço, do trabalho, da poupança e de uma ética rigorosa, mas de pilhagem santificada pelo reconhecimento ou pela prebenda oficial. Desde então, entre nós, o Estado tutelar era o gerador de privilégios.
Nas palavras de Haber (How Latin America Fall Behind, cit. Toledo, José Roberto, Autoritarismo, pobreza e atraso, Folha de São Paulo, 11/8/1997: 5) deduz-se que o “positivismo” caboclo é ícone do atraso:
A premissa da coletânea de ensaios organizada por Haber é a de que os EUA abriram uma dianteira em relação aos vizinhos latinos durante o século passado principalmente por causa de leis e meios de transporte mais favoráveis a formação do mercado interno.
Uma expressão comovente desta verdade foi pronunciada sob a forma de uma mensagem ao povo americano pelo proeminente intelectual de esquerda mexicano Carlos Fuentes (The Argument of Latin America: Words for the North Americans, em Whither Latin America? New York: Monthly Review Press, 1963, págs. 10-12):
Vocês tiveram quatro séculos de desenvolvimento ininterrupto sob a estrutura capitalista. Nós tivemos quatro séculos de subdesenvolvimento sob a estrutura feudal. . . . Vocês tiveram sua própria origem na revolução capitalista. . . . Vocês começaram do zero, uma sociedade virgem, totalmente equiparada aos tempos modernos, sem lastro feudal algum. Ao contrário, nós fomos fundados como um apêndice da ordem feudal decadente da Idade Média; nós herdamos sua estrutura obsoleta, absorvemos seus vícios e os convertemos em instituições situadas as margens da revolução do mundo moderno. . . . Nós viemos da . . . escravidão pelo . . . latifúndio [extensões enormes de terra sob propriedade de um único dono], a negação dos direitos políticos, econômicos ou culturais das massas, uma espácie de alfândega impedindo a entrada de idéias modernas. . . . Vocês têm que entender que o drama da América Latina origina-se da persistência das estruturas feudais sobre quatro séculos de miséria e estagnação, enquanto vocês estavam no centro da revolução industrial e estavam exercendo a democracia liberal.
Pois enquanto a Nova Inglaterra partia à policultura, extraia-se, furtava-se ouro mexicano, prata peruana e boliviana. No colosso do norte, trabalho livre em pequenas colônias.
Na América do Sul, capitanias hereditárias no Brasil, mais servidões, escravidões indígenas ou africanas em todos:
Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristão, porque eles, segundo parece, não têm nem entendem nenhuma crença. E, portanto, se os degradados que aqui hão de ficar aprenderem bem sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa fé...
Carta de Pero Vaz de Caminha, cit. Faraco & Mora, Para gostar de escrever. - São Paulo: Ática, 2002
A História é pródiga em aquilatar a consistência de tamanha santidade.
O cleptomaníaco Perón (Perón y el justicialismo) deu a tudo razão:
A diferencia de los otros, el movimiento justicialista era ideológicamente cristiano, y tanto lo era, que por diez años consecutivos el clero argentino, desde su más alta jerarquía, hasta el más humilde cura de campaña, apoyó al Peronismo, ta nto en sus campañas electorales como durante su gestión partidista en el gobierno
Dessarte quedamo-nos nocauteados eternamente, serviçais dos reinos de Espanha, Portugal e da Matriz, em função das circunstâncias institucionais e religiosas impingidas, no fito de aprisionar nosso ignorante e inocente povo. Fomos e somos alvos de uma "economia" e política maquiavélica, sanguessuga, exploradora, não da propalada genética de índole preguiçosa:
O clima e o temperamento, mesmo quando são uma causa física primordial do caráter de um povo, são submetidos a uma causa posterior e secundária ainda mais enérgica, a ação do governo e das leis que tem a faculdade de violentar as ações, criar hábitos novos e contrários aos antigos, e, por esse meio, mudar o caráter das nações, coisa de que a história da vários exemplos. (Volney, Tableau du Climat et du sol des Etats-Unis, Eclaircissements, art. IV, em Euvres, F. Didot, 1843, p. 709; cit. em Gusdorf, G. As Revoluções da França e da América: 104)

As Veias Abertas da América Latina, detectadas pelo sociólogo uruguaio Eduardo Galeano, conquanto brado superado, também deixam à mostra algumas conseqüências do desinteresse pelas coisas que nos são à cerca, algo que, no termo usado por marxistas e freudianos, traduz-se por “alienação”.
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E lá vamos nós,
sempre marchando.

As grandes nações não são jamais arruinadas pela prodigalidade e mau emprego dos capitais privados, embora, às vezes, o sejam pelos públicos. Na maior parte dos países, a totalidade ou a quase totalidade das receitas públicas é empregada na manutenção de indivíduos não produtivos [...] Toda essa gente, dado que nada produz, tem de ser mantida pelo produto do trabalho de outros homens.
Smith, Adam, Inquérito Sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações vol.I, 1999: 599.
Pois foi esta ligação, a transferência de responsabilidade na escolha de nosso próprio destino que a história não perdoou. E por causa deste comodismo, continuamos atrelados, abdicando sonhos pessoais pelo abstrato nacional, em torno da “segurança”, ou no pleito da "justiça social ".
Tudo depende, portanto, de se fazer com que os súditos acreditem que o governo é bom e justo, e de os cidadãos sentirem-se felizes em obedecer às suas ordens - daí todo conjunto de medidas draconianas, aniquiladoras de toda liberdade de pensamento, sugeridas por Platão tanto na República quanto nas Leis, a fim de produzir e conservar nos súditos essa crença.
KELSEN, H.: 501
A alienação dos governos e a anemia popular enseja que nossas veias sejam sugadas, ora não mais pela somente pela externidade, mas pela prevalência da corrupção, que nada tem a ver com outros hemisférios, senão que vírus criado e instalado no próprio ser:
A Fundação José Sarney - entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República - desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.
Estadão, 9/7/2009
Se você observar a Chicago dos anos 1930, vai entender o que quero dizer: lá também havia corrupção e não havia Justiça. Eu fui a favelas em que não aparecia polícia desde 2003. Há mil favelas no Rio. Eu acho que a situação do tráfico não é vista como uma calamidade nacional. E, no meu ponto de vista, é o que o Rio é: uma calamidade nacional. Há gangues fora de controle em muitos territórios. O que as diferencia das guerrilhas do passado é que antes havia ideal político. Eles não lutam ou arriscam suas vidas para mudar a sociedade. Eles arriscam suas vidas para vestir um Emporio Armani. Isso é uma perversão da normalidade. O Estado se mostra disforme e corrupto quando aceita fazer contato com eles. A polícia se torna assassina ou vira milícia, o que também é um tipo de máfia. E os juízes, o que fazem? Depois de um tempo, você se adapta e se acostuma com essa deformação. Não é apenas no Rio. Eu já vi isso em outros lugares. E não é apenas um problema brasileiro, é um problema que ocorre na América Latina. O Estado não está funcionando, e os criminosos sabem disso. Os criminosos estão se tornando mais fortes, perderam todo o respeito pelas leis e pela sociedade.
ANDERSON, JON LEE, para New Yorker, in O Globo, 8/7/2009
Veja:
O modelo ditatorial da América Latina
Chávez-de-braço na América do Sul
Brasil e vizinhos se preparam para guerra
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*Ilusões para o Século 21, Folha de São Paulo, 14/3/1999.


Servidores estaduais exigem impeachment da Governadora RS

A senhora Yeda Crusius vem sendo pilhada numa sequência impressionante de condenáveis ações, nelas se incluindo desvios de formidáveis cifras, e eventualmente até mesmo participação na morte de seu ex-embaixador lotado em Brasília.
A viúva declarou que seu marido sofria pressões antes de um depoimento que faria em troca de delação premiada. Magda declarou que tinha conhecimento da simulação da compra da casa da Governadora, por preço inferior. Em entrevista de hoje na rádio Guaíba, ela afirmou que Marcelo tinha receio de ser assassinado:
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"A proposta era para ele se declarar alcoólatra, e com isso poder sair ileso do país, devidamente recompensado, assemelhando-se a bandidagem nordestina."
Ontem a governadora esteva em busca de apoio no Distrito Federal.
Ela, o ex-presidente Cardoso, o senador Sérgio Guerra, o deputado federal José Aníbal, e outros integrantes do psdb, estiveram reunidos com José Sarney, na manhã de ontem, na presidência da Casa. Depois ela foi ter com Eduardo Alckmin, seu advogado, no hangar privado Ícaro, no aeroporto internacional de Brasília, antes de deixar a cidade rumo a Porto Alegre.
Questionada sobre a nova crise que enfrenta no governo, o pivot contornou:
— Vou falar quando vocês falarem menos.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio Grande do Sul avalia com tristeza e apreensão o momento em que vive o Estado.
O psdb cerca a família de Marcelo, para que contraponha as palavras da viúva.
José Serra, todavia, não apoia a governadora, que logra se manter graças a um apoio suprapartidário igualmente bastante suspeito. O fato é inédito do Rio Grande do Sul, tradicional reduto de políticos austeros e respeitosos. O Estado foi berço positivista, e por isso aturou vários impostores como inquilinos do Piratini, mas em nenhum caso houve tanta manifestação de repulsa.
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A população, em sua ampla maioria, cerca de 65% dos gaúchos, esperam o reestabelecimento do estado de direito. Caras-pintadas já saíram às ruas, mas foram reprimidos por forte reação militar, levado á cabo pela Brigada oficial..
Nesta tarde foi a vez dos próprios servidores, inclusive da justiça, bem conhecedores da promiscuidade reinante, que exigem, através da reunião de vários sindicatos e associações, a renúncia ou o afastamento da paulista que ascendeu o poder riograndense.
"A governadora envergonha o povo gaúcho."
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A Procuradoria da Assembléia Legislativa protocolou o requerimento.
O trâmite: análise pela Procuradoria, e remessa à Comissão de Constituição e Justiça.
Não há prazo ao epílogo..
O PSOL já havia encaminhado um pedido de impeachment. O então presidente da Assembleia, Alceu Moreira (pmdb), mandou arquivar. A Casa, que era para ser a melhor representação do povo, e por isso parlamentar, leva o comando ditatorial.
O Sen a dor Pedro Simon (pmdb) pleiteia um desfecho judicial. Eu, por uma solução hondureña.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A vez do Ministro da Economia da Argentina renunciar

Para que a boiada passe incólume no rio, lá se foi mais um boi-de- piranha.
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Carlos Fernández foi obrigado a renunciar ao cargo, assim como o chefe-de-gabinete de ministros, Sergio Massa..
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O naufrágio do governo da senhora Cristina Kirchner fora perfeitamente prognosticado:

Para o escritor peruano Mario Vargas Llosa a presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner é um desastre total, e a Argentina está conhecendo a pior forma de peronismo: populismo e anarquia.
Corriere della Sera, 20/3/2009

Cristina Kirchner está levando a pecuária argentina à bancarrota. Estima-se que em 2011 os argentinos farão churrasco com carne importada.

www.claudiohumberto.com.br, 16/5/2009
O sinal vermelho, a confirmação da inépcia veio pela perda das eleições ao Congresso, há dez dias.
Recentemente já foram sacrificados a ministra da Saúde do país, Graciela Ocaña, culpada pela dissiminação da gripe suína; e na semana passada, o secretário dos Transportes, Ricardo Jaime, sabe-se lá qual motivo.
Para não pensar no pior, o que parece flagrante é o interesse do marido da presidente, o senhor Néstor Kirchner.
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No horizonte das próximas eleições precipita-se o já tradicional estilo corrupto/populista do partido fundado por Péron, ainda que o próprio Kirchner tenha já proporcionado seu fiasco, quando ficou em segundo lugar nas eleições de Buenos Aires, perdendo para o principal candidato da oposição, Francisco De Narváez. O fato lhe custou a perda da presidência"justicialista".


O
O Ministério da Economia será exercido por Amado Boudou, à direita, titular da poderosa Anses (Administração Nacional de Seguridade Social), secundado pelo novo chefe-de-gabinete Aníbal Fernández, à esquerda.
Boudou participou da juventude da UCeDé, na década de '90.

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Na época o novo ministro também primava por empresariar espetáculos musicais em Mar del Plata, uma tarefa que "incluía elegir al artista, contratarlo, contratar el espacio, conseguir sponsors, realizar la publicidad y promoción y los temas operativos".
Em funções públicas Boudou ingressou na Anses em 1998, exercendo o cargo de gerente de presupuesto y control.
A mudança, no entanto, foi considerada 'puramente cosmética' pelos partidos da oposição e analistas políticos. Os homens mais controvertidos do governo não foram afetados pela mudança ministerial. Eles são o ministro do Planejamento Federal e Obras Públicas, Julio De Vido (envolvido em vários casos de corrupção e responsável por polêmicos negócios comerciais com a Venezuela do presidente Hugo Chávez), e o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno (responsável pela manipulação das estatísticas de inflação, pobreza e PIB e defensor do congelamento de preços. O senador Gerardo Morales, um dos líderes do Acordo Cívico e Social, a principal coalizão da oposição, criticou a designação de Boudou: "Ele precisa prestar contas dos obscuros usos dos fundos do sistema previdenciário" durante a campanha eleitoral.
Estadão, 8/7/2009



O Carma Ocidental - 52. A importância do diabo


Aí está a fera que, com sua afiada cauda, trespassa as montanhas e derruba as muralhas e as armas; aí está a que corrompe o mundo inteiro. ALIGHIERI, Dante, A divina comédia: 63
Mais de dois mil anos já se passaram desde o dia em que Platão ocupava o centro do universo espiritual da Grécia e em que todos os olhares convergiam para a sua Academia, e ainda hoje se continua a definir o caráter da filosofia, seja ela qual for, pela sua relação com aquele filósofo.
JAEGER, Werner. Paidéia. A formação do homem grego: 581
Belzebú é típica e eficaz criação da interesseira mitologia .
No homem primitivo era o medo, acima de quaisquer outras emoções, que o levava à religião. Esta religião do medo – medo da fome, de animais selvagens, de doenças e da morte – revelava-se através de atos e sacrifícios destinados a obter o amparo e o favor de uma divindade antropomórfica, de cujos desejos e ações dependiam aqueles temerosos sucessos. EINSTEIN, A., cit. GABERDIAN, H. GORDON: 314
O arranjo ora toma o rótulo de "filosofia", ora de "ciência", até Teologia, como se tivese alguma lógica no absurdo, e dessartes se mantém convincente
Contemporaneamente o mito vai se identificando com a ideologia política: é que o processo mitológico sempre coloca suas crenças a serviço de uma ideologia. Barthes, coincidindo com este entendimento, afirma que através do mito consegue-se transformar a história em ideologia. WARAT, Luiz Alberto, Mitos e Teorias na Interpretação da Lei: 128
O fantasma foi elaborado como estátua - com todos os detalhes complementares, e por vários ângulos coincidentes.
Não foram nem Montaigne, nem Locke, nem Bayle, nem Spinoza, nem Hobbes, nem Lorde Shaftesbury, nem o Senhor Collins, nem o Senhor Tolland, etc., que trouxeram à pátria o facho da discórdia; foram, na maioria das vezes, os teólogos que, tendo primeiramente tido a ambição de serem chefes de seita, bem depressa ambicionaram ser chefes de partido. Que digo! todos os livros dos filósofos modernos em conjunto não farão tanto barulho no mundo quanto outrora a disputa dos Franciscanos sobre a forma da manga e do capucho. VOLTAIRE, «13.ª carta», Cartas Filosóficas, Lisboa, Editorial Fragmentos, 1993: 55
A artimanha remonta àquela Grécia. :“Assim Platão constantemente estabelece o contraste nos seus diálogos.” (DEWEY, J.: 43). A platéia autoalimentada consagra a performance. O carma vem revigorado por inumeráveis gerações, num crescente uniforme, malgrado vivermos na Era do Conhecimento.
E como se desce, desse mundo de ironia e razão e veridicidade, ao reinado do sábio de Platão, cujos poderes mágicos o elevam muito acima dos homens comuns, embora não tão alto que dispense o uso de mentiras ou despreze o triste mercado de cada curandeiro, a venda de feitiços, de encantamento e criadores de raça, em troca de poder sobre seus concidadãos! PEREIRA, J.C., Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper: 153.

Diz-se que religião não se discute. Concordo. Viver é melhor que sonhar. Não fosse a implicação direta com todas as leis, com a História Geral, e com a insanidade mundial, não me preocuparia nem discernir essa raíz. Pela teimosia GIORDANO BRUNO morreu imolado. SPINOZA demonstrou a irracionalidade cristã, e naturalmente foi excomungado. NIETZSHE se meteu a enfrentá-la. Foi internado como louco. Nada vale desgaste. Foi por isso que COPÉRNICO & GALILEU, ficaram quietos. O curioso é que DARWIN & MARX até hoje se tem como heróis.
.GORE VIDAL (cit. MENDOZA, P. A.,  207) junta-se ao diagnóstico. O renomado autor atribui o desastre das Américas Central e do Sul ao espírito de um rei católico,
totalmente beato e totalmente não inteligente de nome Felipe Segundo, seguido de um estúpido regime que suprimiu culturas regionais, florescentes naturais, preenchendo o vazio de sua falta com os piores elementos da cultura arcaica, de mausoléu.
O cleptomaníaco Coronel JUAN DOMINGOS PERÓN (Perón y el justicialismo) deu a tudo razão:
A diferencia de los otros, el movimiento justicialista era ideológicamente cristiano, y tanto lo era, que por diez años consecutivos el clero argentino, desde su más alta jerarquía, hasta el más humilde cura de campaña, apoyó al Peronismo, ta nto en sus campañas electorales como durante su gestión partidista en el gobierno
Mercê de tanto descalabro, e não menores desventuras, urge enfrentar a chicana.
Durante o século IV a.C., verificou-se, no mundo grego, uma revivescência da vida religiosa. Segundo alguns historiadores, um dos factores que concorreram para esse fenômeno foi a linha política adotada pelos tiranos: para garantir seu papel de líderes populares e para enfraquecer a antiga aristocracia, os tiranos favoreciam a expansão de cultos populares ou estrangeiros. Dentre estes cultos, um teve enorme difusão: o Orfismo (de Orfeu), originário da Trácia, e que era uma religião essencialmente esotérica. Os seguidores desta doutrina acreditavam na imortalidade da alma, ou seja, enquanto o corpo se degenerava, a sua alma migrava para outro corpo, por várias vezes, a fim de efetivar sua purificação.
Wikipédia
A principal característica de Deus seria sua infinita inteligência, conjugada com não menor bondade. No entanto, o primeiro ato da estratégia grega foi demonstrar que ele era justo. Desse modo, pouco importava a compreensão divina, mas sim sua sanção - justamente o contrário. O desígnio do trabalho vem do próprio latim, tripaliare, significando uma tortura através de um instrumento chamado tripalium:
“Na concepção cristã, o trabalho representava o pagamento do pecado, um ato de expiação que sugere necessidade, aflição e miséria.” (ROHMANN, C: 122)
“Para os católicos, o trabalho é uma sentença condenatória, como reafirma a Rerum Novarum, em 1891.” ( DE MASI, D.: 47)
Esta encíclica foi a ponte fascista. GAETAN PIROU (Introduction a l'etude de Economie Politique, Paris, : 280, cit. HUGON, P., História das Idéias Econômicas: 352) tentou explicar o execrável liame:
“O catolicismo considera a corporação um meio de assegurar a ordem sem matar a liberdade, escapando, a um tempo, da anarquia liberal e da coerção socialista”.
Não é frequente o caso em que a manipulação ideológica da religião com fins políticos é o catalisador real de tensões e divisões e, às vezes, da violência na sociedade?
PAPA BENTO XVI, Folha de São Paulo, 9/5/2009
MUSSOLINI agradeceu, e montou o teatro solicitado.
O castigo à ADÃO & EVA enseja volumosa obra crítica, mas o núcleo, o leitmotiv é flagrante.
No Paraíso não havia discordância, que dirá algum confronto:.

Na língua dos pássaros uma expressão tinge a seguinte.
Se é vermelha tinge a outra de vermelho.
Se é alva tinge a outra dos lírios da manhã.
É língua muito transitiva a dos pássaros.
Não carece de conjunções nem de abotoaduras.
Se comunica por encantamentos,
E por não ser contaminada de contradições
A linguagem dos pássaros
Só produz gorgeios.
Depois da maçã, vestimos preto-e-branco, de listas horizontais, e numerado.

Então veio, parece, um sábio astuto,
o primeiro inventor do medo aos deuses...
Forjou um conto, altamente sedutora doutrina,
em que a verdade se ocultava
sob os véus de mendaz sabedoria.
Disse onde moram os terríveis deuses das alturas,
em cúpulas gigantes, de onde ruge o trovão,
e aterradores relâmpagos do raio aos olhos cegam.
Cingiu assim os homens com seus atilhos de pavor
rodeando-os de deuses em esplêndidos sólios,
encantou-os com seus feitiços, e os intimidou –
e a desordem mudou-se em lei e ordem.
CRÍTIAS,
tio de PLATÃO, e líder dos Trinta Tiranos
Sem a venenosa não haveria religião. Mas ninguém faturaria:

A criação de necessidades repressivas tornou-se há muito parte do trabalho socialmente necessário; necessário no sentido de que, sem ele, o modo de produção estabelecido não poderia ser mantido. Não estão em jogo problemas de psicologia nem de estética, mas a base material da dominação ideológica.
MARCUSE, apud. MAAR, 1998: 69
"Os padres Fábio de Mello e Marcelo Rossi lideram o ranking dos que mais venderam CDs em 2008, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Discos." (Folha de São Paulo,16/4/2009)
E lá vem a estorinha do Paraíso, a demonstrar que fomos nós, e não ele, os culpados pela separação.

O mundo barroco pode ser descrito também como um grande teatro, onde cada homem deve ocupar o seu lugar. O mais belo dos teatros é o centro do mundo católico romano: a praça de São Pedro em Roma. A literatura, as artes, a filosofia giram em torno de Deus, de suas exigências e da salvação.
JAPIASSÚ, H., 1997: 81
A perfídia tem o primaz objeto: justificar a presença dos "religantes":
"As Cruzadas não diziam respeito apenas à libertação do Santo Sepulcro, mas antes a saber qual dos dois venceria na terra." (SAID, EDWARD, Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente: 180)
"Uma ilusão geral constitui uma força social, que serve potentemente para cimentar a unidade e a organização política de um povo, como de uma inteira civilização." (Scritti politici - Teorica dei governi-elementi di scienza política, vol.II, 633; cit. RÊGO, W.D.L.: 88)
Mesmo os ateus estão de acordo acerca de que não há coisa que mais mantenha os Estados e as Repúblicas do que a religião, e que esse é o principal fundamento do poderio dos monarcas, da execução das leis, da obediência aos súditos, da reverência dos magistrados, do temor de proceder mal e da amizade mútua para com cada qual; cumpre tomar todo o cuidado para que uma coisa tão sagrada não seja desprezada ou posta em dúvida por disputas; pois deste ponto depende a ruína das Repúblicas.
BODIN, JEHAN, cit. CHEVALLIER, Tomo I: 55
Na verdade, jamais houve qualquer legislador que tenha outorgado a seu povo leis de carácter extraordinário sem apelar para a divindade, pois sem isso estas leis não seriam aceitas... O governante sábio sempre recorre aos deuses. MAQUIAVEL, N., Comentários sobre a primeira década de Tito Lívio. Brasília : Editora UnB, 1994: 58; tb. cit. BOBBIO, 2002: 164
O florentino  considerava a religião e sobretudo o temor a Deus, eram essenciais ‘para comandar os exércitos, para estimular a plebe a manter os homens bons, para fazer os reis se envergonharem.’ Escrevia ele também que o culto divino e o temor a Deus são necessários sobretudo nas repúblicas: ‘e como a observância do culto divino é origem da grandeza das repúblicas, também o desprezo daquele é origem da ruína destas. Porque onde falta o temor a Deus, convém ou que aquele reino desabe, ou que seja sustentado pelo temor a um príncipe que supra os defeitos da religião.’.
MAQUIAVEL foi apenas um clone. Cabe a PLATÃO a primazia da separação. Primeiro, cingiu o corpo da alma, com isso objetivando em primeiro plano nos desconectar da divindade apregoada, como se isso fosse óbvio, e por isso possível. Eis a razão primaz da religião, que significa religar: antes, mister desligar.

A interpretação religiosa assenta nessa mesma ambiguidade: una est religio in rituum varietate, proclama Ficino, que, na Teologia Platônica – título revelador – desenvolve o acordo entre o platonismo e o cristianismo. ‘Eis a razão porque, quem quer que leia seriamente as obras de Platão, nelas encontrará, evidentemente, tudo, mas em particular essas duas verdades eternas: o culto reconhecido de um deus conhecido e a divindade das almas, onde reside toda a compreensão das coisas, toda a regra de vida e toda a felicidade. E tanto o mais que, sobre estes problemas, a maneira de pensar de Platão é tal que, de entre outros filósofos, foi a ele que Agostinho escolheu para modelo, como sendo o mais próximo da verdade cristã, afirmando que, com pequenas alterações, os platônicos seriam cristãos.’
Ora, se Deus existe, obrigatoriamente tem o privilégio da compreensão infinita. Portanto, de plano bem poderia tudo entender, sem necessidade de pagar para ver. Não chego a tanto, mas Sir BERTRAND RUSSELL (No que acredito: 21) detonou:
“Se houvesse um Deus, ele (ou ela, aquilo, ou eles) deveria ser julgado por crimes contra a humanidade.”
Admiro RICHARD DAWKINS, que anda por Paraty, mas que ainda não li: Deus é um delírio. (Companhia das Letras: 2007) Mas se não é, nem vem ao caso, a não ser para nos alertar sobre a necessidade de nos livrarmos da fé: ela nada mais é do que uma flagrante manifestação de preconceito, ainda que possa ser tomado genuinamente virtuoso.
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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Carma Ocidental - 51. Édipo, ou luta pelo poder?


Nós gostamos das delimitações, das classificações, das hierarquias, das identidades claras. O essencial do esforço ocidental é afinal de contas nos traçados de fronteiras. Trata-se sempre, para nós, de esclarecer os contornos de uma idéia, de um objeto, de um projeto, de uma ato. Nós nos esforçamos de estabilizar esses contornos e de operar escolhas. Por exemplo: entre o verdadeiro e o falso, o justo e o injusto, o homem e a natureza, os fiéis e os infiéis. O movimento profundo, na Ásia, é exatamente o contrário: trata-se de apagar as barreiras, as distinções, de dissolver ou de afastar o sujeito fechado, o conceito que resiste, as aparentes contradições que bloqueiam o movimento. Último objetivo: a fusão com o Todo, a inserção imediata em um real fluido e movediço. Chegar a esse estado onde todas as fronteiras param ou se apagam, viver nessa indistinção suprema, tal seria a sabedoria. www.expressaototal.blogspot.com/2008/
Se alguém disser que o Sol circunda a Terra, facilmente poderá provar- basta acompanhar o nascente. Quase do mesmo modo, NEWTON demonstrou como agem as forças gravitacionais. Todavia, desde a mais tenra idade já somos alertados: não é a estrela maior que viaja, e sim nosso enfeitiçado planeta que a contorna. E ainda que poucos saibam, não são forças que regem a natureza gravitacional, mas apenas relações de massa, espaço e tempo. Até o limiar do XX isso era inimaginável. Os pés naTerra indicavam a certeza do rumo. "As imutáveis leis da História descritas por Marx, a luta desesperada pela sobrevivência de Darwin e as tempestuosas forças da sombria psiquê de Freud devem, em alguma medida, sua inspiração à teoria física de Newton." (Zohar, Danah, e Marshall, I.: 16)
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Disponho heurística coincidende. A provisória hipótese, elaborada com matrizes empíricas, até pode ser polêmica, mas não totalmente desprovida de razão. Admito a ousadia; porém ela não é carente de sentido, de argumentos, de ligações.
A cogitação não é aplicável a todo mundo - não possui o caráter universal tão apreciado pela ciência. Haverá enorme contingente que escapa do critério. Como salvaguarda, todavia, considere, pelo mesmo falsear, que o Complexo de Édipo também não pode ser aferido indistintamente, como se fosse uma regra imperiosa, inquebrantável, a toda gente.
Via-de-regra, e infelizmente, nossa "ciência" e por extensão nosso comportamento derivam da ágora, flagrantes através da política (poder, ou propriedade), da religião (mistificação), & da tècne (instrumento).
Freud buscou inspiração na cultura Grega, pois a doutrina platônica com certeza o impressionou em seu curso de Filosofia. As partes da alma de Platão correspondem ao Id, ao Superego e ao Ego da sua teoria que atribui funções físicas para as partes ou órgãos da mente (1923 - 'O Ego e o Id'). No centro do 'Id', determinando toda a vida psíquica, constatou o que chamou Complexo de Édipo, isto é, o desejo incestuoso pela mãe, e uma rivalidade com o pai. Segundo ele, é esse o desejo fundamental que organiza a totalidade da vida psíquica e determina o sentido de nossas vidas.
COBRA, Rubem Queiroz - www.cobra.pages.nom.br/ecp-psicanalise.html
O estabelecimento do liame identifica o leitmotiv. No caso em tela, o objeto de conquista é o próprio filho. A mãe, reage: o que é dela, ninguém tasca. Nem o pai!
O gênio irriquieto e ambicioso dos europeus... impaciente para empregar os novos instrumentos do seu poderio.
FOURIER, JEAN-BABTISTE-JOSEPH, Descritiption de l'Égypte, prefácio.
Por tanto venerar os musculosos guerreiros é que PLATÃO e seus cometas desenharam esta base filosófica até hoje praticamente incólume, impregnando com seus parcos propósitos quase todas as ciências e políticas adotadas pela civilização ocidental. Levam o mundo à Marte, justo por não amar-te. “Hegel, como Heráclito, acredita ser a guerra o pai e a mãe de todas as coisas.”(POPPER, K.: 44)


A questão da propriedade


O amor é filho de dois deuses: a carência e a astúcia.
SÓCRATES

Contrastes do amor e do direito: ponto culminante, sacrifício para o mundo.
NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 36
O filho muda a vida do casal, e nada pode ser previamente estipulado. O que era a vie-en-rose passa por vários matizes: a famosa depressão pós-parto, ansiedade pelo cuidado com o novo ente querido, a responsabilidade pelo sustento, a divisão das atenções, enfim, não há quem não passe por momentos de atribulações, completamente imprevisíveis. Os instantes nevrálgicos se sobrepõem às esperanças, e o sexo frágil se torna ainda mais fragilizado. Junto com as festas pelo rebento se sobressaem apreensões e com elas inéditos pensamentos.
A mãe carrega no ventre a propriedade exclusiva, mas ao nascer outros se aproximam com idênticos direitos. Entre esses, o pai se mostra a maior ameaça, naturalmente. Nada mais oportuno do que bem colorir a ameaça: “Para falar em termos fisiológicos: na luta com o animal, torná-lo doente é talvez o único meio de enfraquecê-lo.” (Idem, Crepúsculo dos ìdolos, ou como filosofar a marteladas: 54) No caso em tela, o protagonista é o pai. O novo quadro toma maior vulto, e de certo modo confirma a primária angústia materna, no primeiro desacordo do casal, este sim, inevitável.
"Na Idade Média, a dialética torna-se disputatio, isto é, um confronto de opiniões.” ( ABRÃO, B.: 353) Com o inimigo à vista, resta o resguardo pelo proselitismo amoroso, no aliciamento emocional. Apenas sob um viés ela logra salvar: "Tudo é duplo no homem, tudo se joga entre o tempo e a eternidade. Só o amor (...) pode rasgar o reino da necessidade." (CHÂTELET, F.: 43)
Numa eventual separação, quem ficará com sua a guarda?
Em qualquer decisão a situação se agrava.
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O preço pago por EINSTEIN
Para corroborar a ilação, mais uma vez trago a experiência, desta feita por demais dolorosa, do honroso copiloto:

Eu carreguei esses meninos no colo inúmeras vezes, dia e noite, leveio-os para passear de carrinho, brinquei com eles, e me diverti ao seu lado. Eles costumavam gritar de alegria quando eu chegava; o menor grita até hoje, pois é muito pequeno para entender a situação. agora, eles partirão para sempre, e a imagem do pai fica prejudicada. EINSTEIN, ALBERT, cit. ISAACSON, WALTER, : 202
Neste caso, pelo menos, parece flagrante que os meninos não hostilizavam o pai por nenhum complexo, mas por um mau-juízo levado à cabo por força das circunstâncias.
Depois disso a guerra contra Mileva se ampliou, apenas por causa financeira, ou seja, de novo pelo poder, às custas dos inocentes. Ela envenenou completamente os filhos contra ele. O resultado não poderia ser mais nefasto: o menor, Eduard, acabou internado em um hospício.
EVELYN EINSTEIN (cit. BRIAN, D: 275) neta do Grande Relativo, inquieta adolescente filha adotiva de HANS ALBERT, foi visitá-lo. Ficou horrorizada:
Ele tinha uma cela particular, um quartinho sem janela no porão. A porta dava para um corredor. Tinha mobília e luz elétrica, mas era escuro e úmido. No entanto, ele estava acostumado. Acostumava-se com tudo. Era um ser humano institucionalizado quando o conheci. Não poderia viver do lado de fora. Acho que quanto menos informado mais fácil era controlá-lo. Ele me contou que trabalhava no jardim, mas não gostava. Disse que era muito importante, porque quando os russos invadissem a Suíça, matariam todos os que não trabalhassem. Eu perguntei porque ele dizia isso e ele explicou que o [pessoal do] hospital tinha lhe contado para convencê-lo a trabalhar no jardim.
BRIAN (p. 433) completa: "Disseram a Evelyn que Eduard ouvia vozes imaginárias e ficava violento, mas nada disso aconteceu em sua presença.”
Eduard, junto à mãe, Mileva Marice ao irmão, Hans Albert
EEduard deixou a vida precocemente, recluso pelas lúgubres paredes como esquizofrênico, enquanto hoje se sabe, por vários depoimentos, a precária condição mental da própria mãe, constantemente depressiva.
.No flagelo de EINSTEIN, o ato se consumou de maneira mais radical. Contudo, ainda que uma incompatibilidade não precipite a separação, a simples ameaça já torna a mãe atenta, e pretensamente prudente. Pois se o bebê é hóspede exclusivo da mãe, desde a concepção; se ele se vale do seio materno, da mão, do carinho, do afeto, da ternura, de tudo o mais que só uma mãe pode dar, não há dúvidas que o pai pode parecer a maior ameaça à usurpação.

Os graves danos
Nas sociedades, cabe a mãe, por várias razões, doar a maior parte do tempo que dispuser ao conforto do filho, e de fato, por natureza, sói ser mais amorosa. O pai, na costumeira luta pela sobrevivência do núcleo, afasta-se do acompanhamento mais intenso. Nas rupturas de diálogo, tão somente, ainda que por curtos períodos, coisas comuns a quaisquer casais, desde a mais tenra idade o filho não hesitará em dar razão à mãe, suposta e geralmente mesmo, a parte mais fraca; e tirará, por via de imperiosa consequência, a razão do pai.

E se pai ainda conservar um caráter mais enérgico, até mesmo com fins educativos? Pronto: a mãe ao defender o rebento do malvado, acusa a injustiça cometida. Automaticamente ela estimula a revolta do "Édipo".
Criança requer mimo e proteção, mas caso excessivos, constituem um risco para o desenvolvimento, à fragilização da personalidade.
Devemos, então, considerar FREUD um libertador de traumas, ou um rasteiro opressor?
Ao início de novo ciclo, pois, desaparecem resistências. O método ortodoxo-psicanalítico é visto como 'um grande embuste no qual somente ingênuos ou fanáticos praticam, por respeito religioso ao seu fundador, ou por interesses materiais pouco dignos'. MEZAN, RENATO, Cada disciplina com seu objeto. - Folha de São Paulo, 21/11/1993, caderno 6: 5
Conheci uma maquiavélica senhora. Fingia flertar com qualquer um. Os flagrantes revoltavam o consorte, naturalmente, mas era coisa que só ele via. Como ela passava todo o tempo livre com o filho, era trivial concluir que o pai foi alcunhado como ciumento, um ciúme doentio, condenável, fruto exclusivo de suja imaginação.
Sutilmente, por certo quase sempre de modo inconsciente, e por isso inconsequente, vai a mãe aos poucos minando a confiança do menor à fidelidade do pai, até a fé em sua higidez mental.
O pai como inimigo, ou traidor da família, assegura o monopólio da mãe. Eis o depoimento de ninguém menos do que EINSTEIN (cit. ISAACSON, W. : 226):
"A causa foi o medo da mãe que os pequenos se tornassem dependentes demais de mim."
Eis o dilema do marisco:

O marxismo e a psicanálise freudiana expressam os dois lados de um mesmo 'fato', duas perspectivas de uma mesma realidade, a realidade do indivíduo 'cindido', explorado e alienado. PISANI, M. MELLO, Revista Mal-estar e subjetividade . - Fortaleza, CE, março/2004
Para o reforço do combate, não raras vezes se aliam os avos maternos, ávidos em competir com os paternos.
E como se desce, desse mundo de ironia e razão e veridicidade, ao reinado do sábio de Platão, cujos poderes mágicos o elevam muito acima dos homens comuns, embora não tão alto que dispense o uso de mentiras ou despreze o triste mercado de cada curandeiro, a venda de feitiços, de encantamento e criadores de raça, em troca de poder sobre seus concidadãos! PEREIRA, J.C., Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper: 153
Eis como o tal complexo, visto "natural", "compreendido" por hipócritas, pode ser completamente antinatural, levado à cabo pela faina do poder, o carma de nossa civilização:
O racionalismo priva de energia tudo aquilo que os homens mais amam: o sonho, a fantasia, o vago, a fé, a afirmação gratuita. Acrescentemos que isso é essencialmente inumano: o racionalista persegue seu raciocínio, não se importando em saber se ofende os interesses da família, da amizade, do amor, do Estado, da sociedade, da humanidade. Na realidade, o racionalista é um monstro. A humanidade se afirma nas suas religiões mais vitais atirando-lhes na cara o seu ódio. BENDA, JULIEN, cit. BOBBIO, NORBERTO, Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea: 56.
O resultado dessa formidável sapiência se vê alhures:"A estimativa é de que atualmente haja 35,6 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo. Este número deve subir para 65,7 milhões até 2030 e 115,4 milhões até 2050." BBC-Brasil, 21/9/2010
A falha metodológica freudiana: o "racionalismo" cartesiano
Talvez o ramo mais afetado pela epistemologia cartesiana seja aquele dedicado à pesquisar os segredos da mente. Em primeiro plano, a Psicologia, evoluída a partir de meado do XIX. A novel e vistosa cátedra naturalmente também almejava obter a carteira de identidade da comunidade científica. O rigorismo quantificado passou a ter a única importância à aferição da inteligência. A geometria analítica poderia traduzir as operações de pensamento. E as ciências humanas, agora as “mentais”, ficavam mais uma vez privadas de seu sujeito e de seu objeto. Em nome do racionalismo, apelos simétricos.
Eis como pode ser bem fracionada, à ponto da esquizofrenia, a mente em precária formação, cingida entre o bem da mãe, e o mal projetado do pai; entre a razão maternal, e a emocionalidade paterna.
"A crença fundamental dos metafísicos é a crença na oposição de valores." (NIETZSCHE, F., Além do bem e do mal: 10)
“A cisão é a fonte da exigência da filosofia”, diz Hegel no Differenzschrift.( cit. CÌCERO, A.: 73)
HEGEL (Conferências e escritos filosóficos de Martin Heidegger; Hegel e os gregos: 20) não titubeou homenagear o ídolo: "Com Descartes cruzamos propriamente o umbral de nossa filosofia independente. Aqui, podemos dizer, estamos em casa e podemos, como o navegante após longo périplo por mar proceloso, exclamar ‘terra’!
Não seria preferível HEGEL permanecer no mar?
Bem se pode entender, contudo, o viés esteriotipado da Coruja Prussiana:

Quando Hegel estudava o destino do sujeito racional sobre a linha do saber, ele não dispunha mais do que de um racionalismo linear, de um racionalismo que se temporalizava sobre a linha histórica de sua cultura, realizando movimentos sucessivos de diversas dialéticas e sínteses. BACHELARD, G.: 57
O preço se faz incomensurável. Popper (cit. Oliva, Alberto, Popper, Da atitude crítica à sociedade aberta. - Pereira, Julio Cesar R., Organizador, textos de Oliva, Alberto; Caponi, Gustavo A.; Carvalho, Maria Cecilia M.; Barros, Roque Spencer Maciel de: 92) não poupou críticas à ilusão vendida:

A psicanálise é uma metafísica psicológica interessante, mas jamais foi uma ciência. O que impede suas teorias de serem científicas é que não excluem qualquer comportamento físico possível. Mas qual era seu método de argumentar? Freud dava exemplos: analisava-os e mostrava que se encaixavam em sua teoria, ou que sua teoria podia ser descrita como sendo uma generalização dos casos analisados. Por vezes apelava aos seus leitores para que suspendessem suas críticas, e indicava que iria responder a todas as críticas sensatas em ocasiões posteriores.
A primeira desintegração se elabora no interior da criança, dividida e vista como composta por corpo e alma, esta em princípio divina, mas que poderia tomar o rumo do inferno, se capitulasse frente aquele mundano e limitado, contraste que leva diretamente ao confronto, e a consequente doença de todo organismo.
O dualismo cartesiano, ao criar a bifurcação mente-matéria, observador-observado, sujeiro-objeto, moldou o pensamento ocidental, poucos filósofos discordando dele, cujos mais notórios foram Spinoza e Schopenhauer. No século XX essa discordância se acentuou. GOTTSCHALL: 189
O mesmo se sucede com as questões relativas à mente, ao cérebro e ao corpo, em relação as quais o erro de Descartes continua a prevalecer. Para muitos, as idéias de Descartes são consideradas evidentes por si mesmas, sem necessitar de nenhuma reavaliação. DAMÁSIO, ANTÔNIO : 113.
O movimento profundo, na Ásia, é exatamente o contrário: trata-se de apagar as barreiras, as distinções, de dissolver ou de afastar o sujeito fechado, o conceito que resiste, as aparentes contradições que bloqueiam o movimento. Último objetivo: a fusão com o Todo, a inserção imediata em um real fluido e movediço. Chegar a esse estado onde todas as fronteiras param ou se apagam, viver nessa indistinção suprema, tal seria a sabedoria.
www.expressaototal.blogspot.com
Em nosso modo, infelizmente, resta a prevalência do carma, desde o berço:
Na Grécia, berço das artes e dos erros e onde se levou tão longe a grandeza e a estupidez do espírito humano, raciocinavam sobre a alma como nós.
VOLTAIRE, «13.ª carta», Cartas Filosóficas.
Em 1932 FREUD (cit. ALVES, RUBEM, Rubem, Filosofia da Ciência: 110) teve a coragem de enviar uma carta a EINSTEIN, logo para quem, com a sugestão:
“Não será verdade que cada ciência, no fim, se reduz a um certo tipo de mitologia?"
ULISSES CAPOZOLI (Cem anos no divã do doutor Sigmund Freud, O Estado de São Paulo, 29/10/1995) compara e questiona:
“Ao contrário dos trabalhos de Einstein, no entanto, que ganham consistência com o tempo, as perspectivas da psicanálise não parecem tão evidentes. No seu centenário, a psicanálise divisa seu próprio fim?”
EINSTEIN prognosticou o Nobel de Literatura, não da ciência, que seria abiscoitado pelo coitado do charuto.
O famoso complexo se esvai na observação de MALINOWSKI (cit. MERQUIOR, J.G, As Idéias e as Formas: 182) sobre os costumes nativos das ilhas Tobriand - o triângulo envolve o filho, a mãe e, em vez do pai, um tio materno, que nem coabita com sua irmã.

O superego é um juiz malévolo, como seu inconsciente é um carcereiro obtuso: velando sempre tão zelosamente sobre seu segredo, ele acaba por designar o local onde se esconde. Sob o pretexto de liberar os complexos, as pessoas se enredam cada vez mais nos assuntos sociais, familiares. BACHELARD, GASTON, cit. QUILLET, PIERRE: 61
Como relembra Renato Mezan, usando as palavras famosas, felizmente “não se pode enganar todo mundo todo o tempo.” (29)
Hegel, Platão, Hobbes, Descartes, Rousseau, Darwin, Bentham, Mill, Comte, Sorel, Marx e Freud abordaram a ciência por ângulos de aproximação e desenvolvimento invertidos: quanto mais acreditavam em suas verdades, mais longe delas ficaram. Foram à “Marte", justo por não amar-te, acompanhados de milhões que ainda embarcam, por ingenuidade, imitação, interesse, mas geralmente desinteresse, justificativa, desespero ou comodidade, nesta nave onírica de perfídia sideral.
“Freud forneceu-nos a metade doente da psicologia e devemos agora preencher a metade saudável”.(Maslow, A., Toward a Psycology of Being, Van Nostrand, Reinhold, 1962: 5)
Livrai as criancinhas do banco dos réus, please.
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Sobre a Bibliografia da Nav 's ALL


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ministro da Economia de Portugal renuncia

Pinho bancou o engraçadinho.
Perdeu o cargo..
Ao simular chifres com os indicadores, apontando na direção do líder da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares, o ministro provocou a revolta da bancada comunista.
.A vã atitude motivou um pedido de desculpas do primeiro-ministro, José Sócrates, qualificando-lhe "injustificável".,..
.“Trataram-me de mentiroso, reagi mal, mas a culpa é toda minha”, resumiu esta noite o ex-ministro, referindo-se ao incidente na Assembleia da República que levou à sua demissão.

O Econ. Manuel António Gomes de Almeida de Pinho é Doutor em Economia pela Universidade de Paris X. Tem 54 anos. O Mané tomou a decisão de renunciar após um telefonema para a sua mulher, quando relatou o sucedido.

Outra coisa engraçada, que bem reflete o atraso daquela comuna, é a presença de deputados comunistas. Se E=MC2, e parece que é, o materialismo não tem, sequer, objeto. Resta avisar aquele pessoal.

Templo romano,
localizado em Evora
O sistema político português é quadrilátero: o Presidente da República (Chefe de Estado – poder moderador, com algum poder executivo), a Assembleia da RepúblicaGoverno (poder executivo) e os Tribunais (poder judicial). Vigora no país um regime semipresidencialista, que ao longo das várias revisões constitucionais vem retirando poder ao Presidente da República. (Parlamento – poder legislativo). O Governo é chefiado pelo Primeiro-Ministro, por regra líder do partido mais votado em cada eleição legislativa, e é convidado, nessa forma, pelo Presidente da República para formar governo. É o Primeiro-Ministro quem nomeia os restantes ministros.


O carma ocidental - 50 Complexo de Édipo, ou dos pais?


E como se desce, desse mundo de ironia e razão e veridicidade, ao reinado do sábio de Platão, cujos poderes mágicos o elevam muito acima dos homens comuns, embora não tão alto que dispense o uso de mentiras ou despreze o triste mercado de cada curandeiro, a venda de feitiços, de encantamento e criadores de raça, em troca de poder sobre seus concidadãos!  PEREIRA, J.C., Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper: 153.
A artimanha foi desmantelada; mas o intenso marketing, a presunção edipiana permanece no senso comum. PLATÃO deu as cartas. O mundo ainda se vem de roldão: "As imutáveis leis da História descritas por Marx, a luta desesperada pela sobrevivência de Darwin e as tempestuosas forças da sombria psiquê de Freud devem, em alguma medida, sua inspiração à teoria física de Newton." (ZOHAR, D. e MARSHALL, I.: 16) Uso essas coincidências para propor outra dimensão, um Entwurf, como dizia EINSTEIN nos seus primórdios. Tal ousadia possui carga polêmica, mas contém alguma razão. "A história das ciências emergirá então como a mais reversível de todas as histórias. Ao descobrir o verdadeiro, o homem de ciência barra a passagem de um irracional." ( BACHELARD, GASTON, cit. QUILLET, PIERRE, Introdução ao Pensamento de Bachelard: 45)
O heurístico esboço vem fundamentado com apreciações colhidas de modo dedutivo, mas também indutivo, no fito de temperar o empirismo e a pesquisa com a imaginação.
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Freud baseou-se na tragédia de Sófocles(496-406 a.C.), Édipo Rei, para formular o conceito do Complexo de Édipo, a preferência velada do filho pela mãe, acompanhada de uma aversão clara pelo pai. Na peça (e na mitologia grega), Édipo matou seu pai Laio e desposou a própria mãe, Jocasta. Após descobrir que Jocasta era sua mãe, Édipo fura os seus olhos e Jocasta comete suicídio. O complexo de Édipo é um conceito fundamental para a psicanálise, entendido por esta como sendo universal e, portanto, característico de todos os seres humanos. O complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade. Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai, mas esta idéia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas. Uma vez que o ser humano não pode ser concebido sem um pai ou uma mãe (ainda que nunca venha a conhecer uma destas partes ou as duas), a relação que existe nesta tríade é, segundo a psicanálise, a essência do conflito do ser humano. (Wikipédia)
Pois nosso carma é seguir essa "civilização" greco-romana: "Na Grécia, berço das artes e dos erros e onde se levou tão longe a grandeza e a estupidez do espírito humano, raciocinavam sobre a alma como nós." (VOLTAIRE, «13.ª carta», Cartas Filosóficas.)
E o pior: graças à faina platônica estamos envoltos não só em seus aspectos epistemológicos, mas, como no caso em tela, até mesmo vendo ciência no que era apenas mitológico. "Platão sentia todo o encanto do mito. Tinha sido dotado com uma imaginação poderosa, o que o capacitava a se tornar um dos maiores criadores de mito da história humana." (CASSIRER, E.: 96) Haja centauros!
De PARMÊNIDES (540-450 a.C.) PLATÃO contrabandeou as alegorias metafísicas ao  ilusionismo; de PITÁGORAS, (VI a.C.) a geometria e a matemática, no fito dedimensionar a justiça;  e por fundamento, a doutrina órfica, a presunção da alma, entendida celestial e pior, separada do corpo, este mundano. Timeu é o grande esteio do simbolismo cristão. Assim crescia a chicana dialética: o fato, a suposição e a resposta, conflito estimulado por distinções polares, paradoxais e enfraquecidas mutuamente, mas desse modo receptiva à introdução da vontade do amo.
A faina de PLATÂO era o poder, o dominio. Em Teeteto ele compara a filosofia grega como um campo de batalha, no qual se digladiam dois exércitos, incessantemente. É impossível afastar o mal, ele diz, porque sempre haverá alguma coisa para se opor ao bem. A premissa encaminha a razão do Estado: a administração da justiça. Como o Estado é um ente imaginário, cabe ao sábio governar, e os ignorantes segui-lo. Ou seja, a dialética entre o bem e o mal, entre o corpo e a alma, entre o individuo e a sociedade, é a ponte pela qual aporta o aspirante ao poder.
Freud se apoia em transmissões imateriais de geração em geração, da mais antiga Pré-História até os dias de hoje. É assim com o complexo de Édipo, a morte do pai, o banquete canibal... Para ele, tudo isso seria inexplicavelmente inscrito e transmitido no inconsciente de cada um de nós. Para Freud, esse mundo superior do inconsciente filogenético prova a verdade de um mundo superior. Daí o porquê de ser uma religião
O célebre DAVID BOHM,, (Totalidade e ordem implicada: 20 ter-lhe-ia aniquilado:
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu 
A tarefa coube a R.D.LANG, (cit. CAPRA, F., Sabedoria Incomum, Conversas com pessoas notáveis: 93.
Ele possuía seu aparato mental, suas estruturas psíquicas, seus objetos internos, suas forças - mas não tinha a menor idéia de como dois desses aparatos mentais, cada um com sua própria constelação de objetos internos, poderiam se relacionar. Para Freud, eles interagiam de maneira meramente mecânica, como duas bolas de bilhar. Ele não concebia a experiência partilhada pelos seres humanos. 
De Rousseau a Freud, o homem rolou todos os abismos e, rolando, incapaz de se reter, convencido aos poucos de toda sua negrura interior, perverteu todos os caminhos, comprometeu todos seus atos, justificou todas as acusações futuras e passadas. Para falar em termos fisiológicos: na luta com o animal, torná-lo doente é talvez o único meio de enfraquecê-lo.” (NIETZSCHE, F., Crepúsculo dos ìdolos, ou como filosofar a marteladas: 54) E para atingir o mercado sem ser rotulada como ciência abstrata, presumivelmente discutível, a Psicanálise, como a esmagadora maioria dos ramos científicos, logrou o sucesso através do interminável cabo grego:
A influência do neoplatonismo, doutrina filosófica criada por Plotino (205/270) no século III, não se restringiu ao cristianismo (Santo Agostinho, John Scotus Erigena). Na Idade Média influenciou ainda a filosofia judaica, a filosofia dos árabes e, mais recententemente, o filósofo alemão G.W.F. Hegel (1770/1831) e os platonistas de Cambridge (séc. XVII). www.greciantiga.org
As teorias de Newton lançaram-nos em um curso que desembocou no materialismo que ora domina a cultura ocidental. Esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. BERMAN, MORRIS, cit. GOSWAMI: 31
Forte conceito emitiu o prêmio Nobel de Medicina (1980) Sir PETER MEDAWAR (1): “A psicanálise é aparentada com o mesmerismo e a frenologia: contém núcleos isolados de verdade, mas é falsa na teoria geral”. E detona o edifício de FREUD:“É o mais estupendo embuste intelectual do século XX”.
Bem, não é necessário mais destituí-lo, Trato de oferecer as razões que demonstrarão: antes do famoso complexo ser infantil, é uma introjeção encetada justamente pela luta pelo poder, mas entre os pais, cujo objeto é o próprio filho. "Existem relatos históricos escabrosos sobre violência sexual contra crianças. Sigmund Freud não apenas tinha amplo conhecimento dos fatos, como sabia que seu próprio pai, Jacob, violentava regularmente seu irmão e sua irmã. (BETTONI, J. , Pedofilia, Freud explica? . - Kronika, Porto Alegre, edição 24: 4Custo a acreditar. Presumo que nenhum relator tenha testemunhado tais crueldades.
Se alguém disser que o Sol circunda a Terra, facilmente poderá provar- basta acompanhar o nascente.   NEWTON demonstrou como agem as forças gravitacionais. Todavia, desde a mais tenra idade já somos alertados: não é a estrela maior que viaja, e sim nosso enfeitiçado planeta que a contorna. E ainda que poucos saibam, não são forças que regem a natureza gravitacional, mas apenas relações de massa, espaço e tempo.  Pois assim como não é o Sol o viandante, nem, há forças contrapostas, pode não ser o complexo aventado que se realiza.
O filho muda a vida do casal, e nada pode ser previamente estipulado. O que era a vie-en-rose passa por vários matizes: a famosa depressão pós-parto, ansiedade pelo cuidado com o novo ente querido, a responsabilidade pelo sustento, a divisão das atenções, um certo ciúme, enfim, não há quem não passe por momentos de atribulações, completamente imprevisíveis. Os instantes nevrálgicos se sobrepõem às esperanças, e o sexo frágil se torna ainda mais fragilizado. Junto com as festas pelo rebento se sobressaem apreensões e com elas inéditos pensamentos.
No caso em tela, o objeto de conquista avista-se no próprio filho. A luta pela "propriedade" gera a cisão, incita à esquizofrenia no pequenino. Quando grávida, a mãe tem o novo ente como bem exclusivo, mas ao nascer outros se aproximam com idênticos direitos. Entre esses, o pai se mostra a primeira e sempre maior ameaça, naturalmente. EINSTEIN pagou caro pelas intrigas da esposa, MILEVA MARIC. Assim se manifestou o primogênito HANS ALBERT, (cit. ISAACSON, W.: 225)  "Se você continuar sendo duro com ela, não quero mais ir com você."
O Grande Relativo (idem: 226) pode bem identificar a fonte: "Meu querido menino tem sido afastado de mim há anos por minha mulher, que tem uma vocação vingativa... A causa foi o medo da mãe de que os pequenos se tornassem dependentes demais de mim."
O resultado da insanidade foi o filho EDUARD internado em um hospital psiquiátrico, de onde nunca mais saiu. Deixou a vida precocemente, recluso pelas lúgubres paredes como esquizofrênico. Hoje se conhece a precária condição mental da própria mãe, constantemente depressiva. Arrisco, pois: o complexo nada mais é do que reflexo de disputa desenfreada pelo poder, a rigor mais evidente nos adultos, e muito menos no lúdico infantil. o Dinamarquês e brasileira disputam filho após fim do casamento
O racionalismo priva de energia tudo aquilo que os homens mais amam: o sonho, a fantasia, o vago, a fé, a afirmação gratuita. Acrescentemos que isso é essencialmente inumano: o racionalista persegue seu raciocínio, não se importando em saber se ofende os interesses da família, da amizade, do amor, do Estado, da sociedade, da humanidade. Na realidade, o racionalista é um monstro. BENDA, JULIEN, cit. BOBBIO, NORBERTO, Os intelectuais e o poder: dúvidas e opções dos homens de cultura na sociedade contemporânea: 56.
Ao longo desse belo 2 de julho, data magna da folclórica Bahia, irei tecendo os fios que ligam minha formulação,  Por enquanto, livrai as criancinhas do banco dos réus, please. Até amanhã.
Disputa por filha causou morte de executivo da Yoki, diz defesa
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Notas
1. The Hope of Progress, London, 1972, cit. Johnson, Paul: 4. Também em Crews, Frederick, O gênio da retórica. - Folha de São Paulo, 22/10/2000, p. 18. Crew ainda relata: “Peter Medawar ficou famoso ao condenar esse sistema como um estupendo conto-do-vigário intelectual."
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Leia o seguimento:
Carma Ocidental - 51. Édipo & dominação