quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O anacronismo das políticas sociais



O
À parte as doutrinas particulares de pensadores individuais, existe no mundo uma forte e crescente inclinação a estender em forma extrema o poder da sociedade sobre o indivíduo, tanto por meio da força da opinião como pela legislativa. Ora bem, como todas as mudanças que se operam no mundo têm por efeito o aumento da força social e a diminuição do poder individual, este desbordamento não é um mal que tenda a desaparecer espontaneamente, mas, ao contrário, tende a fazer-se cada vez mais formidável. A disposição dos homens, seja como soberanos, seja como concidadãos, a impor aos demais como regra de conduta sua opinião e seus gostos, se acha tão energicamente sustentada por alguns dos melhores e alguns dos piores sentimentos inerentes à natureza humana, que quase nunca se reprime senão quando lhe falta poder. E como o poder não parece achar-se em via de declinar, mas de crescer, devemos esperar, a menos que uma forte barreira de convicção moral não se eleve contra o mal, devemos esperar, digo, que nas condições presentes do mundo esta disposição nada fará senão aumentar  MILL, John S. La liberté, trad. Dupont-White: 131.
Porque deslocando-nos sobre sua superfície numa direção qualquer, temos a impressão de que viajamos em linha reta. A realidade, como se sabe, é outra; e a prova é que se nos continuássemos a viajar na mesma direção, acabaríamos fazendo o circuito da Terra e regressando ao ponto de partida. EINSTEIN, A., cit. TRATTNER, Einstein por ele mesmo - A vida do grande cientista: 43
Estado de bem-estar era um ardil político: uma criação artificial do Estado, pelo Estado, para o Estado e seus funcionários. É um eco irônico da democracia de Lincoln de, por e para ‘o povo’. Quando seus bem escondidos, porém crescentes excessos e abusos no governo central e local foram revelados recentemente, havia se passado um século de defesa falaciosa.
SELDON: 60
A situação é deprimente: termos técnicos da economia e o senso comum estão bloqueando todas as rotas de fuga para escaparmos desse declínio. E temo que os governantes permaneçam imóveis por anos e anos enquanto parabenizam a si mesmos pela solidez das medidas propostas.
KRUGMAN, Paul, Motivos para se desesperar.

O modelo de bem-estar social europeu está em xeque, ainda que Obama queira seguir no mesmo caminho. Por isso o Tea Party gera tanta revolta. Os social-democratas gostariam de crer que é possível viver eternamente no conto de fadas. Estão apavorados com a idéia de que finalmente a fatura dos anos de farra irresponsável chegou. Com juros.
A pauta macroeconômica não era ensinada nas faculdades de Direito na época de Obama, e talvez nem atualmente. O que o futuro presidente tomava ciência era do sucesso e popularidade de Roosevelt, e de Kennedy, e isso lhe parece suficiente. Claro que a tanto é mister adular o eleitorado com medidas paternalistas. "O welfare state não se originou de um projeto socialista, mas tornou-se cada vez mais atraído para a órbita do socialismo, pelo menos o de tipo reformista." (GIDDENS, 1996:170)  
Então Roosevelt, influenciado por Felix Frankfurter, pela Sociedade Socialista Intercongregada e por outros, fabianos e comunistas, maquinou uma revolução que colocou o país na senda que leva ao socialismo e, numa perspectiva mais distante, ao comunismo. Foi, contudo, a emenda do imposto de renda, levado em 1909, no Congresso americano, o início do socialismo. Então, o New Deal não foi uma revolução. Seu programa coletivista tivera antecedentes - recentes - com Herbert Hoover, durante a depressão; mais remotos, no coletivismo de guerra e no planejamento central que governaram os EUA durante a Primeira Guerra Mundial ROTHBARD, 41
Naquela que o recente Nobel de Economia se consagra, todavia, é óbvio a exigência da calculadora. Por decisiva, a macroeconomia recebe carga desmedida, uma preponderância avassaladora do numerário.
A ciência econômica, no ultimo século, se entregou totalmente ao positivismo científico, ao utilitarismo; e, com a avalanche keynesiana, virou uma completa conversa de loucos travestida de ciência. Um amontoado de equações (há quem diga que a economia hoje é apenas um braço da matemática) que não querem dizer coisa alguma, e que servem apenas para apresentar um verniz científico para respaldar políticos que querem gastar cada vez mais e mais. No meio acadêmico, produz-se em massa teses que ninguém lê e que pessoas comuns jamais entenderiam. Ciência Sombria? Ciência feliz!
A teoria econômica veio a ser uma ampla empresa de terrorismo intelectual, cujo aspecto pseudo-científico serve, na realidade, de coerção para excluir todos os verdadeiros problemas da sociedade contemporânea. Seu exagerado profissionalismo, herdado de sua mitologia científica, e todo o aparato matemático que a rodeia, servem para mascarar seu objetivo ideológico, que transforma sua disciplina numa máquina para estabelecer as leis das relações de força que existem na sociedade, numa civilização materialista e produtivista, orientada totalmente para a acumulação de bens materiais. Seu dinamismo serve, na realidade, para legitimar a posse do poder em mãos daqueles que dominam o aparato produtivo, quer seja a tecnocracia, nos países ocidentais, ou a burocracia planificadora, nos países socialistas. GUILLAUME,  Marc & ATTALI, Jacques, cits.GOYTISOLO,  J. V. : 94.
O que é apenas instrumento, diapasão e consequência da produção, pela cátedra assume o foro de objeto supremo, e por isso, exclusivo. "A família e a nação são biológicas; o truste e o sindicato são econômicos." (RUSSELL, B., Ensaios céticos: 210) Eis o motivo do impasse: "Na verdade os interesses dos banqueiros têm sido contrários aos dos industriais: a deflação que convém aos banqueiros paralisou a indústria britânica." (Idem,  2002: 68)
"Uma concepção adequada de desenvolvimento deve ir muito além da acumulação de riqueza e do crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à renda. Sem desconsiderar a importância do desenvolvimento econômico, precisamos enxergar muito além dele." (Nobel de Economia SEN, A.; 28) No sentimento do confesso desesperado, contudo, não há tempo nem espaço para ocupação filosófica, sempre discutível. A matemáticos a Filosofia lhes parece até mesmo confusa. Ela "bloqueia rotas de fuga." afirma categóricamente a sumidade. A pergunta que se impõe é a seguinte: além de Krugman e dos ladrões, a quem mais apetece fugir?
Assim, a economia, a ciência social matemáticamente mais avançada, é também a ciência social e humanamente mais fechada, pois se abstrai das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas, ecológicas, etc., inseparáveis das atividades econômicas. Por isso, os seus experts são cada vez mais incapazes de prever e de predizer o desenvolvimento econômico, mesmo a curto prazo. MORIN. Edgard, Compreender não é preciso; cit. MARTINS E SILVA: 30
A Guerra da Secessão tornou os Estados Unidos da América no Eua. Os estados perderam seus rumos, em prol do únco programa da totalidade ética - bélico, é claro: duas guerras mundiais, e sei-lá quantas menores. Coube a F. Hayek, Prêmio Nobel de 1974, reintroduzir a melhor tradição britânica àquela gente perturbada, há rigor, desde a Guerra da Secessão. Foi apenas recentemente, então, no raiar dos '80 que a Escola de Chicago emparelhou com a Austríaca para oferecer um mapa de retorno à cabeceira perdida. As universidades norteamericanas tocaram seus pós-graduações para aprofundar as pesquisas, em alternativa aos procedimentos em nada econômicos receitados por Marx & Keynes.
Com o descrédito de economias inflacionárias, o crédito internacional mudou. Keynes e seu vulgarizado keynesianismo, em moda em 45, foi desacreditado. F.A. Hayek e a Escola Austríaca, e Milton Friedmann e a Escola de Chicago viraram moda. Adam Smith, adaptado por Alfred Marshall, começou a parecer mais relevante que Marx, enquanto adaptado por Lênin. JOHNSON: 615
Em setembro de 1987, vinte cientistas se reuniram no Instituto Santa Fé para discutir A Economia como Sistema Complexo Adaptativo. Dez eram economistas teóricos, convidados por ninguém menos que Kenneth Arrow, um dos economistas mais importantes do século XX e que em 1972 dividiu o prêmio Nobel de economia com Sir John Hicks . Além de sua contribuição com Debreu para a prova matemática da existência do equilíbrio geral, Arrow também provou que a escolha social, ou de decisão social, não é necessariamente racional por poder transgredir o princípio da transitividade. Arrow percebeu que, antes dele, economistas como Adam Smith, Schumpeter, Hicks, Marshall, Friederich Hayek e outros haviam entendido as implicações de fenômenos complexos para a economia, mas não possuíam o instrumental necessário para estudá-los formalmente. Evidenciava-se claramente que as utopias coletivistas nos reduziam a condições de absoluta servidão, ainda mais submissos do que animais inferiores. Em seguida os russos perceberam a artimanha pela qual foram envoltos, e o mundo assistiu a especacular e surpreendente implosão do muro soviético. Os Bush, entretanto, colocaram tudo a perder. E lá se veio um Eua neofascista, e os vagões rodopiando sem parar:
Menos de dois anos passados após o triunfo de Obama, a democracia nos EUA se vê confrontada por difíceis desafios que, na verdade, já estavam evidentes antes dos estragos causados pelos oito anos da era Bush - estragos que foram agravados por suas consequências... hoje é uma nação em relativo declínio, num mundo em que os novos atores emergentes não comungam os valores liberais nos quais se fundam a democracia americana. SOTERO, P., A América no espelho - Estadão, 13/9/2010
Infelizmente, com o passar do tempo, o intervencionismo estatal norte-americano foi se fazendo mais e mais presente, a ponto de aquele país hoje estar mais parecido com uma social-democracia, muito em parte devido à ação de grupos sindicais, formais ou informais, de trabalhadores e patronais, de tal forma que as recentes crises econômicas e o seu lento crescimento econômico retratam este estado de coisas. PIRES, Klauber, www.imil.org.br,
A conjuntura dos emergentes transforma-se e abre janelas ao desenvolvimento, mas essas janelas parecem estar viradas para o quintal dos fundos, para o passado. Afinal, as circunstâncias atuais podem não perdurar e punir, no futuro, países menos criteriosos nas suas políticas industriais. Ironicamente, a frase de lorde Keynes resiste: desse jeito, “no longo prazo, estaremos todos mortos”, ou, então, condenados a um eterno retorno. “Empoderamento desenvolvimentista”
Essa descrição se aplica à atual recessão econômica nos EUA e na Europa, bem como aos esforços de se revertê-la por meio do uso de "políticas fiscais" e de "pacotes de estímulos". O significado desses termos é 'mais gastos governamentais" e 'menos impostos voltados especificamente para estimular o consumismo'. Isso inclui dar dinheiro de restituição de imposto de renda para pessoas que não pagam imposto de renda e as quais compreensivelmente, justamente por causa de sua baixa renda, saíram correndo às compras, consumindo mais à medida que mais dinheiro foi lhes sendo repassado pelo governo Explicando alguns conceitos básicos de economia por George Reisman,
Embora seja muito difícil para qualquer pessoa de bom senso entender como é possível que aumentos absurdos de gastos públicos ou endividamentos constantes e progressivos possam ser sadios ou benéficos, o que se vê atualmente é o mais absoluto desprezo às virtudes da prudência e da parcimônia, tão caras aos economistas clássicos. , O "Zeitgeist" Keynesiano
A alavanca das frustradas tentativas de manutenção de padrões de vida irrealistas em meio à guerra mundial por empregos é o evangelho do brilhante Keynes, o manual de combate às crises das sociedades em declínio, que imaginam ter apenas problemas de curto prazo. Paulo Guedes A linguagem do declínio.
As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável. SKIDELSKI: 140
É o que se sucede na Grécia de governo auto-denominado socialista. Por lá ninguém se entende mais - pessoal só fala grego. O proselitismo e corrupção decorrente acenderam o estopim da crise monetária européia..
O Euro contém DNA espartano, platônico, com função programada à competição. "E agora se encontram trancados em uma sala de espelhos, da qual não conseguem escapar. É a jaula do euro, em que entraram por ambições geopolíticas de enfrentamento aos americanos." (Paulo Guedes, Hora da verdade)
A crise mundial é uma crise de poder, protagonizada pelos burocratas e políticos que comandam Não é uma crise da sociedade, que não é livre na escolha dos burocratas ... Os burocratas são, no mundo inteiro, uma classe em permanente expansão, criando funções, cargos, exigências, o que torna a máquina estatal cada vez mais pesada para a sociedade. Grande parte da crise mundial decorre dessa multiplicação burocrática, que transforma o Estado em carga tão onerosa sobre o povo que este mal pode sustentá-lo com seu trabalho e seus tributos. Ora, a crise financeira mundial – que é, fundamentalmente, uma crise da insensatez de todos os governos, por não controlarem o nível de sua dívida pública. Prof. MARTINS, Yves Gandra, Anatomia do poder e a crise mundial
Anima-nos constatar que líderes globais se chamem Cameron, Sarkozy, Obama, Berlusconi, Merkel, etc. etc.? ... Sim, o mundo é cada vez mais medíocre, para não dizer incompetente. Inepto em geral, e mesmo na inépcia, desigual . A desigualdade global.
O estilo '30 até reanimou os sobreviventes do dèbacle de 29, mas agora não dá mais para atar elefante em barbante, muito menos prender cachorro com linguiça:
Esse mesmo problema afligiu a economia americana durante a Grande Depressão. Porém, naquela época, o planejamento central havia acabado de ser imposto. Agora é diferente: o velho planejamento centralizado está destruindo a economia americana dia após dia, mesmo sem nenhuma alteração dramática na legislação. Como o governo está destruindo a economia americana
O planejamento em escala abrangente é uma impossibilidade epistêmica.
GRAY, J., cit. GIDDENS, A.: 80
"As corporações centralizadas e autoritárias têm fracassado pela mesma razão que levou ao fracasso os estados centralizados e autoritários: elas não conseguem lidar com os requisitos informacionais do mundo cada vez mais complexo que habitam. " (FUKUYAMA, F., 2002: 205)
Não pretendamos que as coisas mudem se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor bênção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar superado... A verdadeira crise é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la ALBERT EINSTEIN
A China bem soube mudar. Ora ela ensina:
Jin Liqun, presidente do Conselho do China Investment Corp – o fundo soberano da China (US$ 400 bilhões de patrimônio) –, entende que os atuais problemas da Europa se devem “às desgastadas políticas de assistência social”. Ele acha que “as leis trabalhistas geram preguiça em vez de trabalhadores”. Soberania atropelada Celso Ming
Num futuro próximo, a China desembocará na sociedade perfeita, onde reinará a justiça distributiva e todos receberão o que pedem, segundo as próprias necessidades, e então a utopia coletivista igualitária se tornará realidade. Mário Vargas Llosa
Give me your tired, your poor, Your huddled masses yearning to breathe free, The wretched refuse of your teeming shore. Send these, the homeless, tempest-tost to me, I lift my lamp beside the golden door! *
Poderia The Lady Liberty, pelo menos, readotar os venerados preceitos, isto é, reencaminhar a Nação à exitosa freeway lavrada pelos seus cientistas políticos e economistas clássicos, desta feita ainda super-sinalizada no prêt-à-porter da Escola Austríaca, e mais ainda, consubstanciado pela ciência de ponta? Ou veremos novamente a simploriedade do Capitalismo condenado?Mas e daí? Já que o materialismo não tem objeto, um neofascismo ou new deal evidentemente é inviável, muito menos em comunismo, quem sabe um tsunami hippie?
A macropolítica, a macrocultura, a macroeconomia dependem da micropolítica, da microcultura, da microeconomia (em termos de seu respectivo âmbito, quantitativo ou extensivo), e aquelas não podem absorver estas sem sofrer as conseqüências que, ao fazê-lo, provocaria. A vida é interação das partes no todo. GOYTISOLO: 74
A teoria do caos não só fornece uma explicação para as flutuações de uma economia de mercado, mas também demonstra que o Estado não tem o conhecimento necessário para adotar as medidas anticíclicas corretas. Na medida em que é extremamente baixa a probabilidade de se alcançar um estado final desejado em um mundo caótico, é difícil enxergar como o governo poderia especificar uma política para atingir esse objetivo, a não ser por acaso. (Rosser, J.B. Jr., Chaos Theory and New Keynesian Economics, The Manchester School, Vol. 58, n. 3: 265-291, 1990; cit. Parker e Stacey: 95).
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*" Envie-me seus fatigados, seus pobres, Suas massas encurraladas, ansiosas por respirar liberdade, O miserável refúgiado das suas costas cheias. Envie esses, o desabrigado, o aturdido para mim, Eu levanto minha lâmpada ao lado da porta de ouro ! "

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