quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sra. Dilma, por que não te calas? - 3/3

Só conseguimos sair de uma situação de crise e modificar a situação do Brasil quando combinamos robustez fiscal, ou seja, controle dos gastos públicos com crescimento; quando combinamos controle da inflação com distribuição de renda; quando apostamos no nosso mercado interno e desenvolvemos também uma política de exportações. Presidenta Dilma,  em coletiva no Palácio Moncloa, Espanha
Economia brasileira tem pior crescimento desde o governo Collor
Que renda pode distribuir S.Exa se o Estado nada produz?
Arrecadação cai pelo 5º mês seguido e soma R$ 90,5 bi em outubro
A alavanca das frustradas tentativas de manutenção de padrões de vida irrealistas em meio à guerra mundial por empregos é o evangelho do brilhante Keynes, o manual de combate às crises das sociedades em declínio, que imaginam ter apenas problemas de curto prazo. Paulo Guedes A linguagem do declínio.
"O Brasil gosta de espertos e mandões com cara de pau. O teste, aqui, não é dizer a verdade, é saber mentir." Esboços imprecisos da vida pública Roberto DaMatta
Dona Dilma insiste em "instruir" os presidentes dos 27 países que constituem a União Européia. Tal qual avestruz, que ao esconder a cabeça presume que nenhum predador lhe enxergue, ela entende mesmo ser muito esperta, e a platéia, tola: Todos os fatos desmentem categoricamente a retórica estereotipada, ao tempo em que espelham o grau de inépcia que assola o comando nacional:
Polícia Federal faz busca e apreensão no escritório da Presidência em SP Chefe-de-gabinete da Presidência da República em São Paulo comandava a corrupção. nas agências  de Águas (ANA), de Avião Civil (Anac), e na de Transportes Aquaviários (Antac); ainda na Advocacia-Geral da União, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), no Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Escuridão na política energética  Ações da Eletrobras têm maior queda da história
A política comercial brasileira parece ter pelo menos três patronos: o Barão de Itararé, Stanislaw Ponte Preta e Nelson Rodrigues. É uma mistura do Febeapá, de Ponte Preta (o 'festival de besteiras que assola o País'), com o 'de onde menos se espera, é daí mesmo que não sai nada', de Itararé, gerando as 'lágrimas de esguicho', de Nelson Rodrigues. Política comercial deplorável  
Com protecionismo e crise, país terá pior superávit em 10 anos  O comércio exterior brasileiro terá retrocesso de dez anos em 2012, com superávit abaixo de US$ 20 bilhões, conforme projeções de várias consultorias. A última vez em que a diferença entre exportações e importações ficou abaixo dessa cifra foi em 2002 — o saldo foi de US$ 13,2 bilhões. Para o ano que vem, os resultados comerciais esperados são ainda piores, de no mínimo US$ 12 bilhões, o correspondente a menos da metade do registrado em 2011, de US$ 29,7 bilhões.
O pífio crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,7% em 2011 é resultado da equivocada política econômica do governo.  Esse “pibinho”, aquém das expectativas, é decepcionante para toda a sociedade brasileira.  Como podemos alavancar a economia sendo campeões mundiais em taxa de juros e praticando uma nefasta política de incentivo às importações e à desindustrialização? Paulo Pereira da Silva (Paulinho) – presidente da Força Sindical
No vermelho
Ou S. Exa anda no mundo da lua, ou então supõe que os espanhois lá estejam. Não cogita a palestrante que tão medíocre performance é de conhecimento dos ouvintes? Será mesmo que a intrépida ex-guerrilheira busca liderança internacional, tipo presidenta mundial, na base da mais pura demagogia, daquela que colhe o infortúnio alheio para vender gato por lebre? Mas para tanto não há como prosseguir subestimando as platéias como se todos fossem meros sindicalistas, de chão-de-fábrica, do agreste nordestino, ou "mães dos homens".
A presidente da República está longe de ser a única a dar aulas de 'boa governança', como se diz hoje, aos países ricos – e só a eles, claro, porque dar conselho a país pobre não tem graça nenhuma. O que há em comum entre eles é que pouco ou nada de útil resulta de todo o seu palavrório pelo mundo afora. (10/10/2011‘Aulas para o mundo’, um artigo de J. R. Guzzo)
Impressionante a pretensão, não menor do que a flagrante necessidade de afirmação pessoal, onde quer que esteja. Quê conceito não devem ter os europeus por um povo que elege sucessivos blefes.
Brazil's greatest fear is to be trapped between two choices: for slow growth or high inflation. This is what worries Dilma, as everyone in Brazil calls President Roussef; unfortunately, the only way to avoid the trap may be to make exactly the kind of policy choices (spending cuts, labor market deregulation, privatization) that Dilma's electoral base doesn't like. Brazil: The Country of the Future, Again?*
"O desempenho argentino pode se repetir aqui se continuar a deterioração de nossa política econômica", alerta Alexandre Schwartsman 
Dólar se aproxima de R$ 2,10; Mantega cita alta global e feriados
Dólar atinge R$ 2,11
O Primeiro-ministro espanhol,  Mariano Rajoy  respondeu à freguesa guardando a elegância: "Temos que controlar o deficit público. Não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo. Não há varinha mágica."
Chineses atacam o Brasil por propor debate sobre desequilíbrio cambial- Jamil Chade - Proposta brasileira, considerada 'extremista', é criar tarifa de importação e compensar valorização do real
Países ricos atacam na OMC a redução do IPI no setor automotivo no Brasil
Em longínquo século assim falava Adam Smith:
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade. SMITH, Adam, cit. DOWNS: 56
Passaremos por mais quantas gerações para assimilar o óbvio?
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* O maior dilema do Brasil é  ser preso entre duas opções:  crescimento lento ou inflação alta. Isto é o que preocupa Dilma, como todo mundo no Brasil chama a presidente Roussef, mas, infelizmente, a única maneira de evitar a armadilha pode ser a de fazer exatamente o tipo de escolhas políticas (cortes de gastos, a desregulamentação do mercado de trabalho, a privatização) que a base eleitoral de Dilma não admite. 
Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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“Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sra. Dilma. por que não te calas? - 2/3

As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável. SKIDELSKI: 14  
O Estado de bem-estar era um ardil político: uma criação artificial do Estado, pelo Estado, para o Estado e seus funcionários. É um eco irônico da democracia de Lincoln de, por e para ‘o povo’. Quando seus bem escondidos, porém crescentes, excessos e abusos no governo central e local foram revelados recentemente, havia se passado um século de defesa falaciosa. SELDON: 60  
Dona Dilma insiste em "instruir" os presidentes dos 27 países que constituem a União Européia.. Receita cicuta: “Os estados de bem-estar atualmente são diretamente responsáveis por 2 grandes crises econômicas que dominam o mundo: a crise financeira global e a crise de débito,” (PALMER, Tom, em coletânea de ensaios sobre o bem-estar social de cinco nações. As editoras Atlas e SFL distribuíram 100.000 cópias do livro na América do Norte e 25.000 cópias na Europa.)
O prof. Aristides Hatzis, da University of Athens, mostra justamente a raiz da atual crise grega: o populismo agregado ao estado de bem-estar: "A Grécia é o típico caso de livro-texto de uma geração de ‘direitos insustentáveis."
Essa descrição se aplica à atual recessão econômica nos EUA e na Europa, bem como aos esforços de se revertê-la por meio do uso de "políticas fiscais" e de "pacotes de estímulos". O significado desses termos é 'mais gastos governamentais" e 'menos impostos voltados especificamente para estimular o consumismo'. Isso inclui dar dinheiro de restituição de imposto de renda para pessoas que não pagam imposto de renda e as quais compreensivelmente, justamente por causa de sua baixa renda, saíram correndo às compras, consumindo mais à medida que mais dinheiro foi lhes sendo repassado pelo governo Explicando alguns conceitos básicos de economia por George Reisman,
O jornalista e pesquisador italiano Piercamillo Falasca, enaltece o milagre italiano realizado pelas reformas ao livre mercado na década de 1950,  posteriormente debilitado pelo bem-estar estatal dos últimos anos. 
David Green do Reino Unido, fornece informações históricas do que existiu antes do estado de bem-estar, e como estes governos destruíram  as organizações voluntárias.
O economista sueco Johan Norberg explica o papel das políticas do estado de bem-estar na criação da bolha imobiliária dos EUA, e que levou à crise financeira mundial.
O expert Michael Tanner identifica o crescimento de passivos sem lastro, os gastos em pensões e planos de saúde, aos quais não existe receita que chegue.
Inúmeros ensaios tratam do papel dos programas de bem-estar que aprofundaram e institucionalizaram a pobreza e a política de bem-estar social como um sistema de controle político.
O Brasil, como estamos fartos de saber, está atrasado em quase tudo. Repetimos dramas que não deveriam mais ser vistos com uma insistência que causa vergonha e não os aplausos que conferimos com gosto no teatro. Shakespeare no Brasil Roberto DaMatta
Em nosso sítio quase dobrou o número de ministros e secretários com status de ministros.  A Esplanada abrigava 21 ministros e secretários em 2002;  termina 2012 com 38 titulares e com o 39º ministério, o da Pequena e Micro Empresa, prestes a ser ocupado. À leva ministerial o contingente de servidores passou de 809,9 mil para 984,3 mil. Já os salários, que consumiam R$ 59,5 bilhões em 2002 (ou R$ 115,9 bilhões em valores já corrigidos), chegaram a R$ 154,5 bilhões até agosto deste ano. (Fonte: O Globo)
Para 'Economist', salários de servidores no Brasil são 'roubo' ao contribuinte
Senado ratifica ato que livra do Imposto de Renda 14º e 15º salários dos parlamentares
A Câmara dos Deputados (513 membros) e o Senado (81 membros) reservam para si, no Orçamento 2012, R$ 5,4 bilhões; e o programa de Gestão e Manutenção da Presidência da República, abocanha R$ 4,7 bilhões. (http://www8a.senado.gov.br/dwweb/abreDoc.html?docId=202054).
Dívida Pública sobe em outubro e se aproxima de R$ 2 trilhões Em um mês, DPF subiu 2,04%, Tesouro emitiu R$ 20 bi em títulos públicos
O professor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Roberto Macedo, sugeriu cautela,  acendendo o alerta para o grau de “endividamento” do governo federal.”
Embora seja muito difícil para qualquer pessoa de bom senso entender como é possível que aumentos absurdos de gastos públicos ou endividamentos constantes e progressivos possam ser sadios ou benéficos, o que se vê atualmente é o mais absoluto desprezo às virtudes da prudência e da parcimônia, tão caras aos economistas clássicos. O "Zeitgeist" Keynesiano  
De acordo com Ludwig von Mises ,é preciso enfatizar o fato óbvio de que um governo somente pode gastar ou investir aquilo que tira dos cidadãos, e que os gastos e investimentos adicionais diminuem, na mesma medida, os gastos e os investimentos que seriam feitos pelos cidadãos. Disso, podemos concluir que, sendo o governo um ente que não gera riquezas, ele consequentemente não pode fazer a economia crescer em termos reais. Contrariamente à crença popular, quanto mais o governo gastar, pior será para a saúde da economia e, por conseguinte, para o crescimento econômico. 
O governo tem dificuldade tanto para diagnosticar os problemas (como indica o fiasco econômico de 2011 e 2012) quanto para definir seus objetivos e, portanto, suas estratégias. Nestes dois anos, o País nem cresceu nem conseguiu elevar seu potencial de expansão, mas seus fundamentos macroeconômicos ficaram um pouco piores. Um fiasco superfaturado Rolf Kuntz 
Mesmo com todos os estímulos, o Brasil crescerá pouco este ano. É isso que mais chama atenção na nossa economia. O Banco Central reduziu os juros em 5,25 pontos desde setembro do ano passado. O governo anunciou esta semana que não cumprirá a meta de superávit primário, e a tradução disso é que, ao invés de economizar para pagar dívidas, o Tesouro gastará mais. Segurar para não cair Alvaro Gribel e Valéria Maniero, O Globo
Brasil fica 'na lanterna' do crescimento
Depois de 20 anos, cai em SP a população economicamente ativa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sra. Dilma. por que não te calas? - 1/3

Eu queria dar bom dia pra todas as mulheres aqui. E também pros homens. Afinal de contas, as mulheres são mães de todos os homens. Então tá todo mundo em casa. Presidenta Dilma, em discurseira pelo Nordeste.
E me diga se essa semana não bateu recorde, e se o número de sandices ditas pelas autoridades não ultrapassou os limites. Mais do que isso já poderemos decretar calamidade pública! Enchente de saco! Salvem-nos desses governantes! Artigo de Marli Gonçalves.
Nélson Rodrigues observou que o século XX introduzia o idiota na vida pública.  “O Óbvio Ululante” (1968) já informava: “Os idiotas estão por toda a parte – na política como nas letras, nas finanças como no cinema, no teatro como na pintura (...), liderando povos, fazendo História e fazendo Lendas”. Vero.   Gente com os mais rudimentares conhecimentos passaram a influir e decidir em questões políticas complexas, a partir de slogans e palavras de ordem, a ponto de assumirem até mesmo governos de nações. Montaner e Vatgas Llosa escreveram o best-seller - Manual do perfeito idiota latino-americano.
O festival de besteiras não tem fim (Denis Rosenfield)
A presidenta desponta:
As políticas de ajuste por si próprias não resolvem nada, sem investimento e estímulos ao crescimento. As políticas que estão sendo aplicadas na Europa levarão a uma recessão brutal. O Euro é um projeto inacabado e na realidade hoje não é uma moeda única.
"Não é possível falar da Europa como um todo. As regiões realmente problemáticas são Itália, Espanha e Grécia, onde há níveis surreais de corrupção, clientelismo e ineficácia fiscal. Isso não é a Europa toda." (Francis Fukuyama) Oara, ora, não são justamente comunidades hipercatólicas, greco-romanas?. Sócrates e Platão se divertem no inferno. Só falta a França, já na espreita.
O canto latino-americano ecoa do mesmo buraco-negro:  "No Brasil, os números provam que a existência de corruptos anda de mãos dadas com a regulamentação econômica. O país é o 73º colocado no ranking mundial da percepção popular da corrupção".(Brasil tem baixa liberdade econômica e alta percepção de corrupção )
Folha.com - Poder - Ouça trechos das conversas gravadas pela PF
Nº de ligados ao PCC quase triplica em 6 anos
"Empresários, banqueiros, políticos, advogados manifestam seus receios traçando um quadro de pré-barbárie jurídica." (Inversão de valor, por Dora Kramer)
"Nosso continente está infestado por quadrilhas armadas, narcotraficantes, milícias, sequestradores, assassinos por encomenda e exploradores do tráfico de pessoas."  (Aritmética da violência, por Luiz O. Coimbra)
"Há pouco tempo, levamos um puxão de orelhas da OCDE, acompanhado da ameaça de uma recomendação a empresas dos seus países-membros, no sentido de que suspendessem seus negócios com o Brasil. É de envergonhar. Será preciso que o povo volte às ruas, para cobrar decência de seus representantes?" (Vergonha nacional, por Luiz Garcia)
Então que tipo de moral, que noção de desenvolvimento social tem alguém que preside favelas, ruas e palácios tomados pelo crime organizado, país de esquálido PIB, há lustro em declínio?
"O que as pessoas precisam compreender cada vez mais é que, quanto pior a situação dentro dos presídios, mais violência nós teremos nas ruas. Há uma conexão.",informa a abnegada ministra Maria do Rosário. Mas o que as pessoas tem a ver com a situação dos presídios, tarefa precípua, razão do Leviathan
"As prisões brasileiras estão lotadas de presos, mas são pessoas comuns. Desta vez são pessoas graduadas do ponto de visto político, econômico e social." (Joaquim Barbosa, presidente do STF, sobre o Mensalão)
“Em qualquer lugar do mundo, o crime organizado está sempre dentro do Estado, e não fora”, apontava o deputado carioca Marcelo Freixo, ao relatar a dificuldade na instituição da CPI neste depoimento.
"A conta pode chegar por meio do incremento de gastos com saúde, com assistência básica de sobrevivência às vítimas e também de uma maneira mais cruel, o vergonhoso abandono à própria sorte. Torço por saída mais honrosa." (Entre mortos e feridos)
"... Esses males têm raízes solidamente fincadas na persistência entre nós de um enorme déficit de consciência política sobre o qual é enorme a responsabilidade de um governo que prefere botar a culpa de todos os males nas "elites", onde hoje tem seus principais aliados." (Sobre a era medieval - Editorial)
Específicamente quanto ao criticado desenrolar econômico, o que se passa na cidadela que cabe a S. Exa. resguardar?  
A presidente Dilma Rousseff aproveitou a viagem à Espanha para oferecer aos governantes europeus, mais uma vez, lições de política econômica. Nenhuma autoridade local perguntou à visitante por que a economia brasileira deve crescer tão pouco neste ano - talvez nem 2% -, depois do fiasco dos 2,7% em 2011. Enquanto ela completava suas lições e propunha maior autonomia para o Banco Central Europeu, em Brasília a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, divulgava mais um constrangedor balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  As lições de Tia Dilma Rolf Kuntz
A política econômica tem atendido a emergências, quando deveria ter um rumo; ameaça com arsenal de medidas quando deveria implementar reformas que tirassem do caminho os obstáculos ao crescimento; distribui favores quando deveria melhorar o ambiente de negócios... O BNDES pensa estar fazendo política industrial despejando volumes extravagantes dos recursos no projeto de formação de grandes conglomerados. Tudo isso dá a impressão de que há um projeto. Não há. Falta projeto
Que manual orienta sua assessoria econômica? O que ensinam nossas pouco criativas academias? Nada além do esteréotipo:
O modelo keynesiano acabou sendo totalmente assimilado pela corrente principal do pensamento econômico. Em sua maioria, os economistas tentam hoje fazer uma 'sintonia fina' da economia, aplicando os remédios propostos por Keynes: imprimir dinheiro, aumentar ou baixar as taxas de juros, cortar ou aumentar impostos, e assim por diante. HEDERSEN, HAZEL, cit. CAPRA, F., 1995: 206 
"O governo Dilma imagina que os obstáculos relevantes ao investimento privado fossem apenas o câmbio fora do lugar e os juros escorchantes, suficiente e definitivamente removidos... Este é um governo excessivamente intervencionista. Tão intervencionista que prejudica até mesmo o setor público - como se vê na condução das políticas do petróleo e da energia elétrica." (E os investimentos? Celso Ming)
A distorção mais visível começou com o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), concebido como instrumento de reativação econômica. Lançado em 2009, quando o Brasil já começava a sair da recessão, deveria ter sido extinto em pouco tempo, mas foi prorrogado e continua em vigor. Por meio desse programa, o Tesouro tem transferido recursos ao BNDES, para reforçar sua capacidade de empréstimo. A advertência logo soou: o novo esquema era muito parecido com a famigerada conta movimento, extinta no fim dos anos 80, depois de grandes danos às políticas monetária e fiscal. Confusão entre Tesouro e banco
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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O lucro líquido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recuou 48 por cento no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2011,

Lucro líquido do BNDES cai 21% no terceiro trimestre

Lucro do BNDES cai 21% no terceiro trimestre



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Lucro do BNDES cai 21% no terceiro trimestre

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 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

República privada

Do original A Rês ex-Pública (27/10/2007) 
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O mito final da República é uma mentira útil que se deve contar a essas crianças, a fim de que se submetam à autoridade paterna da ordem estabelecida  KELSEN,  H., 1998: 323
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Datas festivas são apropriadas para serem coloridas com a cor que se quiser.  Das mais devotadas são  7 de setembro & XV de Novembro. Ambas deveriam ser motivo de vergonha, jamais de jactância. A primeira assinala um brado retumbante disparado aqui, do outro lado do Atlântico, contra um pai que finalmente dormia sossegado em sua varanda. E a segunda não passou de simples traição da própria guarda imperial. Reverenciam-se os atos quiçá por distantes, e cercados de intensa divulgação, mas uma publicidade enganosa que certamente não passaria por um órgão de defesa do consumidor se revelados motivo, método e consequências que os rótulos píntados heróicos de antemão esconderam. 
"O fato de, no Brasil, o Estado ter se organizado antes da sociedade, impondo-se sobre esta, teria sufocado processos autônomos de organização cujo resultado se via na debilidade da sociedade civil." (COSTA, V.: 33) 
A República ainda está para ser conquistada, justamente por ter sido usurpada.
Inspirados pelo positivismo francês adotaram na nossa bandeira o lema favorito de Auguste Comte 'Ordem e Progresso' como um ideal a ser seguido. O recado estava claro, Progresso sim mas com o controle das Forças Armadas... A reforma eleitoral aprovada pelos republicanos foi marcada pela exclusão da grande maioria do povo brasileiro. A adoção do preceito de que analfabeto não tem direito a votar marginalizou a maioria da nossa população, especialmente os escravos recentemente alforriados que eram em número de um milhão e meio numa população de dez milhões de habitantes. Além desta exclusão, os republicanos criaram um sistema eleitoral que terminava por estimular a fraude visto que o voto não era secreto e o próprio governo se encarregava de contar os votos. Rapidamente o poder real e concreto resvalou para os coronéis do interior, para os mandões locais que manipulavam os resultados eleitorais visto que controlavam os seus currais eleitorais com mão-de-ferro. Não demorou muito para que o processo eleitoral se tornasse sinônimo de farsa. Um jogo de cartas marcadas onde todos os resultados eram previsíveis de antemão. (Sobre História por conteudo@algosobre.com.br)
Em 1899 um velho militante, desiludido com os rumos do regime, escreveu que a República não tinha sido proclamada naquele mesmo ano, mas somente anunciada. Dez anos depois continuava aguardando a materialização do seu sonho. Era um otimista. Mais de cem anos depois, o que temos é uma República em frangalhos, destroçada. Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. Vivemos numa República bufa. República destroçada
A Constituição
"Não é sem razão que a imprensa norte-americana tenha tratado com descrédito e até humor a nova constituição brasileira, de 1988. Um texto constitucional como o brasileiro, que desce a níveis bem específicos e se prolonga por centenas de artigos é, na tradição americana, uma piada."
A Lei Maior não esconde o desvio de caráter no qual permanecemos submetidos. A digital identifica a voracidade do lobo que invadiu o pavilhão..Apesar de roupa nova, desenhada e costurada por famosos estilistas, ela é mais emendada do que macacão de pobre. Está mais para corvo, do que para colibri. Seu estilista: o famoso estelionatário do Plano Cruzado. Quanto pior o povo estiver, mais fácil espoliá-lo.  O banquete, cujo prato é Zé Carioca ao molho bárbaro, permanece na mesa, à disposição.
Dona de precária técnica jurídica, sequer alguma coerência política, o arremedo constitucional é conseqüência do estupendo golpe cruzado sofrido pela Nação. A parca engrenagem passou a girar justamente quando o executivo brasileiro, não o português, propiciava que o boi magro valesse mais do que o gordo, e o carro usado mais caro do que 0 Km. O único artigo que defendia a Nação, foi considerado enxêrto, por isso maculado de imediato sem a menor cerimônia: a limitação dos juros à taxa de doze por cento ao ano, não ao mês, como sói acontecer nesta terra de símios e aves bicudas. De fato, taxas de juros não devem compor constituições, mas regramentos trabalhistas e sociais, também não. E a divisão de tarefas e prerrogativas oficiais deve ocupar apenas um acento, ou mesmo ir de pé, deixando vagos os demais lugares aos infortunados passageiros. Para completar, o relator não teve escrúpulos em confessar perante a Nação que levou o texto para casa, alterando os artigos que convinha à sua grei. 
Ainda que contenha argumentos sociais e até econômicos, (estes são apenas isso mesmo, argumentos, mas não ações, sequer deliberações), nossa Lei Maior é como um travesti marciano. Perdõe a despudorada comparação. Nada contra travestis, muito menos se de outro planeta, mas o realce é mister: tal corpo é esculpido com traços socialistas, braços fascistas, lábios parlamentaristas, abraços às causas sociais, alcunhada cidadã. Tudo integrado. A gente se desintegra.
Na ocasião caia o muro, de podre. A constituinte colheu o ensejo, e se apresentou com o mais moderno figurino, extraído da bandeira do cidadão, do indivíduo. A função maior, todavia, a defesa do indivíduo, do eleitor, encontra-se ao máximo reduzida. É só bandeira, mesmo. Slogan. Rótulo. Por dentro ela se auto-anula. Invoca extenso rol de composições burocráticas, reservando um diminuto espaço aos estados e menor ainda aos municípios. Apresenta-se democrática, mas deixa as pernas fascistas à mostra. A Cidadã, é uma constituição vilã.
Os feitores tinham a consciência do mal. Pediram expressas desculpas, nas disposições transitórias. Não eram sinceras. Para "reparar" a atrocidade, contrabandearam da Itália, (de novo!) um dispositivo chamado provisório. Mais uma vez enganaram, e continuam, descaradamente. Quase todas as milhares de medidas são permanentes. O país é provisório, porém permanentemente provisório, vê se pode. Também quase todas (aliás não sei de nenhuma que não o seja) são de interesse exclusivo do titular do poder executivo, um disparate consentido na Inglaterra, mas só até 1689, e até ao século XVIII nos Estados Unidos e alhures.
O país da Sorbonne marchou com Napoleão. A Terra que se diz do Galo, como o Brasil, fez um monte de constituições. Todas demonstram o apreço à ficção. Eis a razão do paradoxal lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade: "me engana que eu gosto". É para inglês ver. Ele vê, e ri. Até o vizinho da frente sabe: liberdade, per se, exclui a igualdade, ora pois! Franceses, como de resto latinos, adoram cantos de galo, e de sereia. E, ultimamente até de símios e aves bicudas.
Enquanto nossos compatriotas não possuírem os talentos e as virtudes políticas que distinguem nossos irmãos do Norte, os sistemas inteiramente populares, longe de nos serem favoráveis, receio que virão a ser nossa ruína. SIMON BOLÍVAR, em Carta a um cavalheiro que tinha grande interesse na causa repúblicana na América do Sul, 1815
Pois continuamos atrelados a um Leviathan mais faminto do que qualquer reinado, por isso impondo contratos sociais, positivismos e tal, tudo dentro da "ordem" para haver "progresso", só não se sabe de quem. Alienamos nossas existências ao sabor de medíocres interesses de exércitos partidários, ou melhor, de generais sem farda.
A Medida Provisória é mais eficaz do que qualquer baioneta. Atos institucionais foram meros trombadinhas. Tanto quanto os decretos tão repudiados, a MP é instrumento vil, completamente apartado do princípio da democracia. É avessa à divisão de poder. Como se não bastasse, os líderes das “diretas já” de fato pregaram e cumpriram: enfiaram uma série de golpes por sobre a face do povo que os elegeu. (Se é que de fato os elegeu, posto as eletrônicas não permitirem nenhuma conferência.) Tantas maracutaias impunes só poderiam desaguar no que se vê: nossas leis, já há mais de uma década, espelham votos vendidos, pagos à prestação, em polpudo mensalão.
Nosso texto constitucional prima por tosca caricatura humanista. Pelo espelho se vê o rabo do macaco. Pela frente, o grande bico, para abiscoitar esquálidos.
Volta, Geraldo Vandré. Vem, vamos embora, que esperar não é saber!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A regulamentação da profissão política

Os sábios deverão dirigir; e os ignorantes devem segui-los.
PLATÃO, A República. 

No cantão herdeiro português a situação se inverte:  mesmo sem habilitação os ignorantes há anos estão dirigindo; e os sábios, embarcados feito melancias. Deputado cujo assessor foi pilhado com dólares na cueca assumirá liderança da bancada do PT
O que eles não se conformam é que os pobres não aceitam mais o tal do formador de opinião pública. Eles não se conformam é que os pobres estão conseguindo enxergar com os seus olhos, pensar com a sua cabeça, pensar com sua consciência, andar com as suas pernas e falar com sua boca. Não precisam do tal de formador de opinião pública. Nós somos a opinião pública e nós mesmo nos formamos. Ex-presidente Lula, Folha, 18/9/2010
Pode-se formar a opinião pública ou privada, individual ou coletiva, mas a execução  requer outra prática, de restrita habilidade.
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Esse episódio, como outros recentes, demonstram que estamos perdendo a capacidade de pensar, de refletir. Está faltando inteligência até mesmo entre os homens escolhidos para ajudar o Parlamento a legislar. Em entrevista à televisão sobre as amarras que dificultam o nosso desenvolvimento, o professor José Pastore disse que não temos trabalhadores qualificados, porque o ensino básico é precário, e os alunos não aprendem a pensar. Não aprendendo a pensar, são incapazes de realizar os trabalhos mais elementares. Não só de trabalhadores que pensam estamos necessitados. Precisamos, com urgência, de juristas e de parlamentares que também aprendam os rudimentos da razão lógica – e da ética humanista Um Código sem prumo
Juristas são profissionais. Políticos, contudo, não. Por ironia, de todas as atividades profissionais, apenas a política pode ser exercida sem a menor qualificação. A profissão não é nem reconhecida como tal. 
"Lula é o maior economista do Brasil. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade.” (Economista e Professor Catedrático. Antônio Delfim Netto, principal interessado e responsável direto pelo Ato Institucional N. 5, e ministro de vários ditadores que se sucederam, em primorosa. entrevista para Ag. Estado - www.avozdavitoria.blogspot.com - 31/12/2008)
A partir da reforma, na Universidade passou a ser mínima ou inexistente a discussão politica no meio do movimento estudantil. Se após a redemocratização muitos professores passaram a militar pelo PT, no meio estudantil a discussão passou a ser cada vez mais reduzida. Hoje, na maioria das escolas não federais, não existe discussão politica entre o corpo discente. Na data de hoje, estamos formando alienados politicos em massa. Quando não analfabetos funcionais.
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Da grei emanam as regulamentações para as demais profissões, porém não somente isso, claro. Senado paga gratificação de desempenho a servidores sem avaliar qualidade do serviço..
Como explicar que alguém possa exercer a atividade mais vital à sociedade desprovido de quaisquer compromissos ou responsabilidades? Sarney diz que Senado devolverá pagamentos indevidos
De que modo progride uma nação sem rumo? Empacamos feito mula, mula lá, deserto de idéias onde prevalece a mais velha ideologia, carro-alegórico no qual se esbaldam os maiores falsários do país. "Os programas eleitorais gratuitos vendem uma bela embalagem, mas, de fato, são paupérrimos na discussão das ideias. " (Eleições – papel da imprensa)
Se a juventude (mesmo a relativa juventude)  tem  qualidades naturais, são as de ser portadora de ideias novas, de propor novos hábitos, de implantar mudanças e  de clamar pela renovação. Mas, no Brasil, a nova geração de líderes que desponta no cenário político parece que de novo, só têm mesmo a idade. Vantagem que se perde com o passar do tempo. Fico pasmo. Não vejo partir desses emergentes líderes – que deveriam ser a esperança das novas gerações - qualquer indício de que pretendam renovar o que quer que seja no lodoso quadro em que se pratica a política no País. Não há novas ideias no ar. Aliás, não há nada no ar.
A mídia traz todos os dias o perfil, nomes, slogans e retratos dos candidatos que disputam as eleições pelo país afora. Alguns candidatos fariam até o palhaço Tiririca corar, seja por sua desfaçatez, seja por sua falta de condições de exercer os mandatos pretendidos. A eleição do Tiririca foi um voto de protesto, como se os eleitores dissessem: se me fazem de palhaço, voto no próprio. O mais interessante desse caso é que o próprio Tiririca se viu constrangido com o que encontrou no Congresso. Hoje, basta abrir qualquer jornal para ver candidatos que deixam claro sua incompetência para as funções sem que sequer precisem abrir a boca. Candidato ou eleitor despreparado?
Não há a menor escala de valores, sequer a que distingue o bem do mal,  algum parâmetro á atuação de milhares de edis, prefeitos, deputados, senadores, ministros e presidência da república, enfim, exceto as limitações orçamentárias em linha com promessas ou vontades populares. "A complacência do Senado e da Câmara dos Deputados frente aos indícios de crimes cometidos em massa por muitos de seus integrantes leva a perda de confiança da população nas instituições parlamentares e no processo eleitoral, o que configura uma crise institucional." (www.transparencia.org.br)
No Brasil, o rio que separa o lícito do ilícito não é atravessado por um meio móvel - lanchas, canoas ou a nado. Não! Ele é ligado permanentemente por um meio imóvel: uma ponte maior da que liga o Rio a Niterói. Nessa ponte está o centro do assunto e o começo (ou o fim) da história.Importa ser eleito. Mas, no nosso mundo social e político, quanto mais você rouba, mais é admirado e fica popular. O Brasil gosta de espertos e mandões com cara de pau. O teste, aqui, não é dizer a verdade, é saber mentir. Esboços imprecisos da vida pública Roberto DaMatta
"Pior do que está não fica" garantia Tiririca. Fica sim, a cada dia. A superficialidade se abate sobre as altas patentes, os que tem a missão de organizar e desenvolver o ambiente sócio-político da Nação. Amplia-se a cárie social. A Economia lhes fornece a linha básica, mas ela é quase infantil, de tão simplória. Restrita às quatro operações aplicada em todos os setores, a "triste ciência' enfuna as velas, encantando o comandante; porém, como a bússula não conhece algarismos, e vice-versa, os barcos sóem perseguir cantos-de-sereia, enfeitiçados por uma racionalidade aparentemente incontestável, mas que na verdade lhes guiam aos trágicos desfechos.
Sob o falso pretexto de defender os interesses do povo, esse gigantesco Leviatã consome a renda da população, gere mal os recursos e fecha a economia do país a seus desejos, inibindo investimentos internos ou externos. Com políticas econômicas frágeis e na maioria das vezes mal formuladas (dado o fraco entendimento dos governantes nesse assunto), o crescimento econômico pode se iniciar acelerado, mas ao longo do tempo mostra-se ineficiente e frágil, fadando o país a um atraso monstruoso em relação a regiões mais democráticas. VASCONCELLOS, Daniel, A ameaça do "Estado-pai", O Globo, 27/8/2010 
A política comercial brasileira parece ter pelo menos três patronos: o Barão de Itararé, Stanislaw Ponte Preta e Nelson Rodrigues. É uma mistura do Febeapá, de Ponte Preta (o 'festival de besteiras que assola o País'), com o 'de onde menos se espera, é daí mesmo que não sai nada', de Itararé, gerando as 'lágrimas de esguicho', de Nelson Rodrigues. Política comercial deplorável 
"Mas os governos, aqueles que os assessoram nestas questões, sofrem da ilusão de controle. Não é possível, no estado corrente do conhecimento científico, fazer previsões econômicas de curto prazo com razoável grau de precisão." (ORMEROD, P. 2000: 124)  
Prévia do PIB cai 0,52% em setembro, segundo BC  Nenhuma promessa se confirma, mas tampouco recai ao promitente qualquer obrigação de cumpri-la. 
Pergunta inevitável, diante dos resultados miseráveis produzidos pela política anticíclica: sem esses incentivos, quanto teria encolhido a economia brasileira? E quanto poderá crescer, nos próximos anos, se as ações estratégicas do governo continuarem tão atrapalhadas quanto têm sido? O governo tem dificuldade tanto para diagnosticar os problemas (como indica o fiasco econômico de 2011 e 2012) quanto para definir seus objetivos e, portanto, suas estratégias. Nestes dois anos, o País nem cresceu nem conseguiu elevar seu potencial de expansão, mas seus fundamentos macroeconômicos ficaram um pouco piores. Um fiasco superfaturado Rolf Kuntz 
“Se fosse para cumprir muitos anos em alguma prisão nossa, eu preferiria morrer”, comunicou ao país o senhor Ministro da Justiça! Para internautas, Cardozo ignora responsabilidade ao criticar prisões. Vero. Dos R$ 312,4 milhões reservados no Orçamento da União de 2012 para a melhoria das condições carcerárias apenas R$ 63 milhões foram aplicados.
Segundo o art. 1 ° do Decreto 6.061 de 15 de março de 2007, as atribuições do Ministério da Justiça incluem o “planejamento, coordenação e administração da política penitenciária nacional”. Ao confessar que prefere a morte a uma temporada nos presídios que governa há dois anos (e o PT há dez), José Eduardo Cardozo conferiu a ele próprio e a seu partido um vistoso atestado de incompetência ─ assinado por José Eduardo Cardozo. Deveria ter assinado no minuto seguinte o pedido de demissão. A bala disparada pelo último porquinho de Dilma acertou o pé do ministro da Justiça e matou a candidatura a uma vaga no STF
Este ministro não merece processos civil e criminal pelas inúmeras mortes e balbúrdias em cartaz no Brasil?
A morte no hospital requer apurar a responsabilidade médica; Se cair o edifício, o engenheiro é enquadrado; se por faltar preparo um processo se vai, junto vai o advogado;  e se o dente cair, onde vai parar o dentista?  Ao político, contudo,  não cabem imputações de imprudência, imperícia ou negligência. Não há parâmetro que tipifique sua culpa.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A causa da proliferação da violência

 A corrupção impede que os recursos expropriados da produção cumpram o destino prometido, e esta conclusão não requer nenhum raciocínio. A preocupante anemia nos investimentos (Editoriais)

Além do ato prejudicar a viabilização que justifica o Estado, com isso frustrando a comunidade de receber, pelo menos em parte, os valores gerados às custas de muito sacrifício, a corrupção ainda turva o tecido social, impregnando o descrédito, tornando sua face lisa, e por ela escorregam atores multiplicados. Igualmente não são necessárias maiores explicações para se conceber como as atitudes de escalões superiores são imitadas nas camadas inferiores. A experiência vivida a partir do miraculoso 1995 atesta: o crime, que percorria trajetória "apenas" uniformemente acelerada, em ritmo aritmético, diante da incidência da corrupção tomou velocidade geométrica. Se quem deve dar o exemplo demonstra tamanha capacidade, como supor que aprendizes ajam desconformes? Dessartes o vírus se propaga de modo avassalador, numa avalanche de quase impossível detenção.
O parágrafo integra (O efeito atômico da corrupção lavrado em julho de 2008.
Ano seguinte  a jornalista Ana Lucia Martins Fernandes (O Globo, 15/12/2009) elencou a enorme série das mais nefastas consequências, assim demonstrando que o título atômico não se punha exagerado:
A corrupção é a culpada pela miséria do nosso país, pela falta de hospitais, pela falta de remédios, pela falta de escolas, pela falta de merenda, pela falta de saneamento, pela falta de rodovias, pela falta de cultura, pela violência, pela falta de luz, pela falta de água, pela falta de casas populares, pela falta de emprego, pela falta de investimentos, pela seca no Nordeste, pela miséria no Norte e Nordeste do país, pelas queimadas da Amazônia, pelos garimpos ilegais nas em Roraima, pelas derrubadas ilegais de árvores no país, pelo tráfico de armas, pelo tráfico de drogas, pelo roubo de cargas nas estradas federais, pela entrada de armas e drogas no país pelas nossas fronteiras, pelo sem némero de projetos a serem aprovados no Congresso há anos e que não saem do papel, pela roubalheira do Senado, pelo empreguismo do governo federal, que desde que assumiu quadriplicou o numero de funcionários na folha de pagamento.
Ora pipocam avisos de emergência, confirmando as predisposições.
Segurança é a maior preocupação nacional
A corrupção sempre esteve presente na nossa história, mas cresceu em anos recentes, facilitada pela conciliação entre a burocracia estatal politicamente configurada e o capital. Em qualquer lugar e época a dimensão da corrupção do sistema público sempre foi proporcional ao tamanho do estatismo e é natural que ela tenha campo fértil no Brasil, onde em tudo está presente a mão do Estado provedor, protetor, cliente ou, no mínimo, carimbador do “autorizo” burocrático. Mario Cesar Flores O Estado de S. Paulo, 10/11/2012 
A verdade é que, nas últimas semanas, tem se agravado o problema em número e intensidade, como vem adquirindo marcas inegáveis da alteração de seu caráter; a meu sentir, a violência passou a ser instrumento de uma ação coletiva com particulares objetivos ilícitos. Em outras palavras, se a violência se expandia empiricamente, hoje se assemelha a uma entidade habilitada a atingir seus objetivos, fossem eles quais fossem.   Guerra civil ou epidemia | 
Carga tributária supera a de 17 países ricos e é 67% maior que a média da América Latina
Para 'Economist', salários de servidores no Brasil são 'roubo' ao contribuinte
Magistrados finalmente parecem acordados; porém, até estupefatos ao enquadrar a alguns políticos, o próprio governo, e fortes organizações, ainda não se dão conta da magnitude continental em epígrafe, tampouco que a esmagadora maioria das ações penais que são obrigados a se promunciar possui única raiz, parceira ideal.
Deixa eu ver se eu entendi: o cara monta um esquema para eleger o PT nas eleições mais caras da história, comprando apoio do meião, frauda contrato público pra pagar as contas, é eleito deputado, roda, vira "consultor" de duzentas empresas com (ou querendo ter) contratos com o governo pelos 8 anos seguintes, seu advogado é indicado ao STF e o absolve (junto com boa parte dos ministros que, coincidentemente, foram indicados pelo PT), vai pegar 1 aninho de cadeia e uma multinha menor do que 700 mil pilas e VOCÊS ESTÃO COMEMORANDO A JUSTIÇA SENDO FEITA FINALMENTE, é isso? Flavio Morgenstern
O crime na sociedade é reflexo do anterior - do crime no governo. A corrupção é unevitelinea da criminalidade. Ambas se alimentam mutuamente, assim se multiplicando de modo avassalador, em avalanche de quase impossível detenção. 
Os corruptos tendem para a obesidade e parecem acumular dentro das barrigas suas riquezas sempre iguais: piscinas, fazendas, lanchões, 'miamis'. Todos têm amantes, todos com esposas desprezadas e tristes se consumindo em plásticas e murchando sob litros de botox, têm filhos paspalhões, deformados pelas doenças atávicas dos pais e avôs. Aprecio muito bigodões e bigodinhos. Nas oligarquias, os bigodes corruptos são poderosos, impositivos, bigodes que ocultam origens humildes criadas à farinha d'água e batata-de-umbu, camuflando ancestrais miscigenados com índios e negros, na clara dissimulação de um racismo contra si mesmos. Amo o vocabulário dos velhacos e tartufos. É delicioso ver as caras indignadas na TV, as juras de honestidade, ouvir as interjeições e adjetivos raros: "ilibado", "estarrecido", "despautério", "infâmias", "aleivosias"... Os corruptos amam a norma castiça da língua, palavras que dormem em estado de dicionário e despertam na hora de negar as roubalheiras. A estética da corrupção Arnaldo Jabor
A sociedade somente sobreviverá se conseguir cerceá-los. Mas é mais fácil, muito mais fácil, (e menos traumático) corrigir o vértice, do que convocar imensos exércitos para neutralizar vietcongs e iraquianos na selva de pedra e deserto de idéias em que se tornou não apenas a desvairada, mas o país inteiro. Até a Ilha da Magia virou da porfia. Criminosos fazem noite de terror na Grande Florianópolis Em cinco ataques, bandidos queimam ônibus e carros da polícia.