Quando a Lua estiver na sétima casa, e Jupiter alinhado com Marte,
então a paz conduzirá os planetas, e o amor orientará as estrelas.
Este é o início da Era de Aquarius
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Save the New Age
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Arcos dos tempos
O ano de 1905 assistiu dois estupendos e paradoxais eventos. Na Rússia houve a primeira pavorosa orquestração da massa, movida na faina materialista. Na vizinhança, um indivíduo demonstrava que a matéria era apenas um subproduto da energia; portanto, aquela empresa era sem fundamento, e pior, todo o conhecimento empilhado até então teria que ser completamente reformulado.Naquele lustro do XX, dois petardos fizeram ruir a torre do blá, blá blá.
Desnecessário aquilatar de que modo ambas manfestações balançaram, de modo indelével, a civilização.
O pontal da bestialidade foi arrombado na revolta do Encouraçado Potemkim. Para completar o desastre, o Czar promoveu o Domingo Sangrento, dia do massacre dos marinheiros comunistas, mas também da inocente, queixosa e sofrida população daquele pós/guerra com Japão. O governante acelerara o rastro de pólvora contra si mesmo. Logo se formou o criminoso comboio, e nem sequer aquela nova e ainda mais dantesca guerra internacional elidiu sua trajetória; pelo contrário, aproveitando-se da confusão reinante e da exaustão do conflito, em 1917 Lênin perfez o golpe.
Mas 1905 também via desmoronar a "ciência" (mal) calculada. .Em 1919 confirmaram-se os prenúncios. O mero eclipse do sertão nordestino eclipsou tudo o que se conhecia até então, quase de sopino.
O tempo não é único, porque depende do espaço. E o espaço não é estanque, porque depende da matéria nele inserido. Portanto, nada é igual, muito menos absoluto, em nenhum lugar. Não existe a passagem do Tempo. Ele é fixo, tanto quanto o espaço. Nos é que passamos por ele, tanto quanto a luz que cruza a atmosfera.
O primeiro approach já mudava radicalmente todos os conceitos da ciência. Através do discreto título Sobre a Eletrodinâmica dos Corpos em Movimento Albert Einstein elencava as anomalias aferidas nas medições da forma e velocidade de deslocamento da luz , além de especulações sobre as influências e potencialidades energéticas, de certo modo já assinaladas pela Teoria Quântica, de Max Planck (1828-1947).
O segundo tiro levou o nome de Teoria Especial da Relatividade, justamente cognominada Especial porque Einstein pensava não poder aplicá-la, num primeiro instante, ao geral, no completo, em tudo, pelo insólito motivo: a luz insistia, independentemente de qualquer movimento da fonte emissora, conservar exatamente a mesma velocidade de partida e de deslocamento. Em outras palavras, a velocidade da luz não é relativa ao corpo donde ela se despreende e isso a incompatibilizava com a hegemonia proposta. Intrigava-se o iluminado cientista. Que vetor, per se, transformar-se-ia em “estado da matéria” (1) e não matéria em si mesmo?
Lei do Movimento Browniano (a dança das partículas de pólen em suspensão na água, fato capaz de balançar os céticos do atomismo), Teoria Quântica dos Raios e a Identidade da Massa e da Energia foram trabalhadas na seqüência, sendo que a última saía à cata de algo que fosse responsável por aquele incrível deslocamento da luz, em “flutuações” que percorrem o campo eletromagnético com freqüências altíssimas e variadas, entre quatrocentos a setecentos trilhões de ondas por segundo (2). Einstein aceitou a exceção. E a Teoria Especial da Relatividade passou a ser chamada Teoria Geral da Relatividade; ou, simplesmente, Teoria da Relatividade, “a maior obra de síntese do engenho humano até os dias de hoje”. (BRIAN, D., Einstein: a ciência da vida: 473)
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O Fio-de-Ariadne
No meado do XIX, precisamente em 1845, o astrônomo Le Verrier (3) alarmara a comunidade científica com narração de estranho fato - o planeta Mercúrio apresentava sutil irregularidade em sua órbita elíptica, no periélio, alternando o momento de sua elipse em relação ao sol por vagarosos deslocamentos. A explicação contemplava uma eventual ação de uma imaginário produto de uma força, dialética pertinente à “guerra” do magnetismo interplanetário, o jogo de “atração/repulsão”, batida verificação dialética oriunda do obtuso pensamento platônico. O desvio apresentava 532 segundos de arco por século. O avanço medido, todavia, era de 574", restando 42" percorridos que não encontravam justificativa. Einstein veio com a resposta: sua lei de gravitação dava a chance à discrepância. O eclipse solar de 29 de maio de 1919 simplesmente confirmou o acerto da hipótese.
Coberto pelas fotografias, deleitou-se o espirituoso cientista:Agora que se demonstrou a exatidão da minha teoria da relatividade, a Alemanha vai proclamar que eu sou alemão e a França vai declarar que eu sou cidadão do mundo. Se se provasse a falsidade da minha teoria, a França diria que eu sou alemão e a Alemanha declararia que sou judeu.O tempo não é curto; é curvo
EINSTEIN, Albert, cit. THOMAS, Henry & THOMAS, Dana Lee, A Vida do Grande Cientista, TRATTNER, Ernest B.: 64--
Além de sublimar antagonismos, evitando as estéreis emulações dialéticas, Einstein fez retornar à constelação científica sua estrêla d´Alva, a “hipótese”, apagada nas nuvens desde Bacon. O carrasco da natureza especulava:
É preciso procurar se há uma espécie de força magnética, operando entre a Terra e as coisas pesadas, entre a Lua e o oceano, entre os planetas, etc..Einstein o satisfez, sem procurar, sem precisar enxergar, ou sequer medir. Aliás, não é a força que atrai os corpos à Terra. E o espaço é curvo. O que? O espaço é curvo nas vizinhanças da matéria. Quanto maior a massa, maior é a curvatura. É esta distorção, criada em volta da matéria, que forma o contínuo espaço-tempo.
BACON, Francis, cit. VOLTAIRE,
Vida e Obra, Cartas Inglesas: 19
John Wheeler (cit. ROHMANN, Chris: 345) bem sintetizou:
“A massa informa ao espaço como se curvar; o espaço informa à massa como se movimentar.”
Trattner (Einstein por ele mesmo - A vida do grande cientista: 43) comenta e explica:
Foi em conseqüência disto que Einstein predisse que os astrônomos verificariam uma curvatura dos raios estelares na proximidade do Sol, sendo ela maior junto à borda do grande orbe solar e diminuindo com o afastamento, até se tornar nula. É a curvatura do espaço, e não a suposta força da gravidade que faz o projétil cair no chão depois de descrever uma trajetória curva. A própria idéia da redondeza da Terra - e da curvatura de sua superfície - é um tanto recente. Foi preciso muito tempo para que a humanidade viesse a reconhecer esta verdade. Por que? Porque deslocando-nos sobre sua superfície numa direção qualquer, temos a impressão de que viajamos em linha reta. A realidade, como se sabe, é outra; e a prova é que se nos continuássemos a viajar na mesma direção, acabaríamos fazendo o circuito da Terra e regressando ao ponto de partida. Por aí se vê que a Terra é ilimitada, porém não infinita.Descreve-nos Asimov (Para Compreender a Relatividade, in TRATTNER, Ernest B.: 127) :
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Einstein elaborou um conjunto de equações para
demonstrar que se não houvesse matéria em parte alguma,
nem gravitação, um corpo em movimento se deslocaria
em linha reta. Havendo matéria, o espaço circundante se
deforma e o corpo em movimento segue uma trajetória curva...
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A Expansão (liberal) do Universo
Várias pesquisas demonstram que o caos consegue surgir até na mais simples das situações; por exemplo, quando só três partículas estão interagindo. Isso demole o mito secular da previsão e do determinismo e com ele a idéia de um universo de mecanismo de relógio. Se o passado é fixo, e o futuro permanece aberto, redescobriremos a flecha do tempo.
COVENEY & HIGHFIELD, A flecha do tempo: 31Todos os tempos permanecem abertos, na verdade. O Universo é expansionista, por isso necessariamente liberal, tecido na infinidade de partículas complementares. A redescoberta da flecha do tempo, portanto, é impossível: ela não existe! Ou por outra, não é única. Nós é que passamos pelo tempo. Da janela do trem você pode dizer que há uma sucessão de paisagens, mas elas estão lá, estáticas, enquanto o trem as ultrapassa. Por isso é que infelizmente somos nós, e não o tempo, que nos desgastamos, tanto quanto o trem, e não a paisagem, que é ilimitada. Vamos perdendo energia ao longo da travessia.Se ela não muda, nós, pelo menos, podemos. We can change. I hope!
Dessarte, são tantas flechas quanto o número de átomos siderais:
"Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)
Outrossim, no "espanto" da Gravidade a simples presença de qualquer corpo, ou massa, altera o ambiente; e, como tal, a flecha almejada.
O ultrapositivista Pontes de Miranda (cit. MOREIRA: 103) superou os próprios preconceitos, e conclamou:
O princípio da relatividade deve ser mais geral ainda - devemos procurar a diferença de tempo nas realizações biológicas e sociais, - o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas para conseguir tais fórmulas muito terá que lutar o espírito humano contra os preconceitos que o rodeiam e contra as obscuridades da matéria que irá estudar.Há oriente individual, mas no processo inflacionário não cabe uma direção, a proposta universal. Que me perdõem aqueles renomados pesquisadores, cujo best-seller me rendeu um manancial de subsídios. Como disse, não há flecha do tempo, mas arcos dos tempos. O futuro se expande em todas as direções, como a crosta de um balão submetido a enchimento. Sequer o passado pode ser considerado fixo: conforme a interpretação, a quantidade de dados coletados, de vetores observados, ele é alterado, e a própria História por isso se faz controversa. Como a verdade não pode ser una, porque não existe apenas um corpo, posto vários presentes, nem o álibi do engano, ou da deficiência, pode amenizar a rude parcialidade de qualquer retroprojeção. De todo modo, se entendermos o tempo como um percurso no espaço, e não dele, fica fácil supor a viabilidade de um tour, ao norte ou às pradarias, ainda que de restrita valia. Passado e futuro, pois, são apenas meras e arbitrárias demarcações, projetadas na presente necessidade do homem de dar sentido à própria existência. O tempo não passa, e esta é a razão da eternidade.
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Notas
1. "O movimento da onda, observado, é o de um estado de matéria e não matéria em si."
Einstein Albert e Infeld, Leopold, A evolução da Física, p. 87.
2. Fillipi, Marco Antônio, O maior cientista do Século XX, em Trattner, Ernest B.:115.
3. Urbain Jean Joseph Le Verrier (Saint-Lô, 11 de março de 1811 — Paris, 23 de setembro de 1877) matemático e astrónomo francês especializado em mecânica celeste. Tornou-se conhecido pela contribuição à descoberta do planeta Neptuno
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O erro metodológico de Darwin
O dialético degrada a inteligência de seu antagonista. Só se escolhe a dialética quando não se tem mais nenhuma saída. NIETZSCHE, 2000:20Nós somos céticos das afirmações da capacidade da mutação aleatória e da seleção natural explicarem a complexidade da vida. Um exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deve ser encorajado. www.dissentfromdarwin.orgTal qual Platão, e ultimamente Newton & Hegel, Darwin soube compactar vários preconceitos com formas mais ou menos coerentes, mas antes de tudo coincidentes. O talento interessava a coroa britânica. A rainha ainda era questionada sobre os passeios do Beagle, mormente os cinco anos do paradisíaco turismo, denunciados pelo próprio comandante Fritz Roy. Ademais, desde a Revolução Gloriosa a Inglaterra travava sério combate com o Vaticano. Naquela ocasião Newton foi oportuno, mas ora Vitória necessitava sedimentar o Reino Unido. No interior da Casa de Hanôver.o novo maestro poderia ensaiar o requiem da moralidade romanaA projeção darwinista se deu naturalmente; e a rigor, sem o menor questionamento. Até hoje, com exceção dos teimosos eclesiásticos, as publicações científicas e populares sóem glorificar a composição, mormente nesses aniversários terminados em zero. A faina não se descuida do imprescindível contraste metafísico, para lhe emprestar segurança:
Para muitas pessoas, a ideia da seleção natural é simplesmente repugnante, ameaçadora, assustadora. Sem falar, é claro, que ela derruba qualquer argumento razoável que alguém já teve para a existência de Deus. Não surpreende que tanta gente esteja sedenta por evidências que questionem a teoria. DENNETT, Daniel, da Universidade Tufts, Massachusetts. - Estadão, 11/2/2009Pretensão, calcada no mais pungente preconceito religioso, ainda que o refute:
Darwin e a evolução nos dominam, quaisquer que sejam as queixas dos cientistas criacionistas. Mas será correta essa tese? Melhor, ainda, será adequada? Acredito que não. Não é que Darwin tenha errado, mas sim, compreendido apenas parte da verdade.Não são poucos os elementos passíveis de contestações imiscuídos nos arrazoados darwineanos. Já encetei vários approaches divisando enorme gama de contradições, às raias das falsidades ideológicas. A rigor, nem se trata de novidade. Se por um lado o endeusamento dessa hipótese construída quando a vela era a rainha da noite ainda sensibiliza muitos artífices, não são poucos os pesquisadores que levantam sérias objeções à "seleção natural" sem apelar ao misticismo. Para arrasar a elucubração darwinista não é mister muito argumento, muito menos o religioso. Aliás, ambos, a religião e o darwinismo, recebem oxigênio pelo tronco platônico, e por isso ficam à mercê, falseáveis, para usar a terminologia predileta de Karl Popper.
KAUFFMAN, S.; cit. BEHE, M.: 38
* * *
Vivemos à base de idéias, de morais, de sociologias, de filosofias e de umaO costume da ciência, para desmontar o engano, é provar a existência do paradoxo. A teoria mais consistente, ou convincente, assume a pole-position. Não é meu intuito um exercício inovador, asseguro. Não tenho formação suficiente para elaborar um ordenamento dessa magnitude; ademais, o que dissesse, ainda que provido de alguma racionalidade, fatalmente seria improvável. Por fim, e o fundamental, é que costumo olhar para frente, porque o futuro é muito mais amplo e redime qualquer passado. E já tem muita gente olhando pelo espelhinho. Viso apenas assinalar o grave defeito metodológico da velha concepção. Retiro o entulho. Apraz-me o exercício profilático, o campo aberto para uma edificação mais compatível com essa complexidade e leveza cósmica que rege o sistema universal. Bem dizia Einstein:
psicologia que pertencem ao século XIX. Somos os nossos próprios bisavós.
BERGIER, Jacques e PAUWELS, Louis, O despertar dos mágicos: 31
"A imaginação é mais importante que o conhecimento."
Essas artes cabem aos grandes talentos. Sou mero faxineiro. Atenho-me a contribuir com a desconstituição da vigorosa tese da "sobrevivência dos mais aptos", até por que não pode haver paralelo na estupenda diversidade que apresenta o Universo, no qual se incluem não apenas os seres aparentemente animados, como até aqueles supostamente inanimados, porém de alta carga energética; portanto, jamais estagnados. Como prova do inusitado, recentemente se descobriu meteorito com vida e neve com bactérias.
"Há civilizações inteligentes fora da Terra e elas poderiam estar presentes em quase 40 mil planetas." (FORGAN, Duncan, astrofísico da Universidade de Edimburgo, Escócia. - BBC Brasil, 5/2/2009)
De que modo Darwin, a religião, quem sabe Freud, explicariam esses intrusos?
O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado.Como a ampla maioria dos ocidentais, Darwin nasceu impregnado pelo vírus grego. Seus primários estudos teológicos robustecem, de plano, a assertiva. Esses estudos são completamente desprovidos de racionalidade, posto calcados numa metafísica ardilosamente projetada, no fito de ludibriar, tornar a massa dócil ao comando. Começamos por aí. Mas de que modo isso pode assim ser implementado, de modo sutil, imperceptível, a ponto de dobrar não só aqueles contemporâneos da antiga Grécia, como todo o Ocidente, ou seja, bilhões e bilhões de seres humanos dotados de olhos, ouvidos e sentimentos, por todos os tempos, amém?
Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial como ele próprio.
NIETZSCHE, F., O livro do filosofo: 41
Pois afirmo que a estratégia se sobrepõe como tocha olímpica: em cada porto nasce um arqueiro para empunhar o archote.
A teoria da evolução ainda gera controvérsia por um motivo muito simples:Presunção de quem supõe realizar a tarefa mais importante do mundo.
ela trata da origem do homem.
Maria Isabel Landim, pesquisadora do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo) e uma das organizadoras do livro "Charles Darwin - Em um futuro não tão distante", lançado pelo Instituto Sangari esta semana. - UOL, 12/2/2009
A origem do homem não pode ser adstrita de modo isolado da Terra, tampouco do Universo, do conceito da passagem do tempo. São arbitrárias as demarcações entre futuro e passado. O tempo não é retilíneo, uniforme. Ele varia conforme as massas, nelas incluídas as locais e até remotas. Se tal seara é árdua até mesmo aos dedicados à física, que dirá aos antropologistas e zootécnicos. A plêiade se atém às evoluções biológicas, ou seja, com as consequências, não com as causas. Todavia, a controvérsia que a distinta pesquisadora salienta advém do falso paradigma físico-newtoniano, o jogo de forças, atração/repulsão, base platônica ainda não refutada de modo mais radical no estádio em que atua a respeitável professora. Porém, mesmo dentro de cátedra pertinente já se tem outras notícias:
A seleção natural de Darwin e Wallace é hoje complementada pela genética molecular. Quando uma célula se reproduz, precisa duplicar seu material genético. Esse material genético é codificado na sequência de genes que compõe o DNA da célula, como as contas coloridas de um colar muito longo. O processo de duplicação é extremamente complexo e é passível de erros. Existem mecanismos usados pela célula para evitar erros na duplicação, mas volta e meia eles ocorrem. As razões são várias: desde fatores exógenos, como radiação ultravioleta ou raios X, como endógenos, falhas bioquímicas. Quando ocorrem erros, o novo DNA não é uma cópia perfeita do original: é um mutante.Darwin não vislumbrou a evolução como fruto do acaso; pelo contrário. Ele atribuiu à conta das hostilidades circunstanciais, razão da propositura "do mais apto."
GLEISER, Marcelo, Creditar o acaso pela evolução foi "ousadia intelectual". - Folha de São Paulo, 12/9/2009
A evolução provavelmente não ocorre mesmo por acaso, mas isso não quer dizer que ela seja produto de combate, como postula a exclusiva teoria de Wallace apropriada por Darwin. O princípio científico apurado pelo DNA, e trazido à baila pelo renomado físico, atende a complementariedade, não ao choque de contrários*. O curioso é que o próprio Marcelo Gleiser (1997: 307) sabe disso até muito melhor do que eu, tanto que trouxe a palavra do excepcional J. Robert Oppenheimer, razão de Niels Bohr:
A riqueza e diversidade da física, a ainda maior riqueza e diversidade das ciências naturais como um todo, a mais familiar, embora estranha e muito mais ampla, vida do espírito humano, enriquecida por caminhos incompatíveis, irredutíveis uns aos outros, atingem uma profunda harmonia através de sua complementariedade. Estes são os elementos tanto das aflições como do esplendor do homem, de sua fraqueza e de seu poder, de sua morte, de sua passagem pela vida e de seus feitos imortais.Pois de fato, o homem cresce partir das informações transportadas pelo mencionado DNA; todavia, no componente, jamais há notícia do presente, muito menos sobre o futuro, pelas óbvias razões: o tempo transcorre a partir da transmissão; e, no caminho, há interferências de tantas variáveis quantas são as estrelas. Não obstante, o passado também se faz por conjeturas não assimiladas. Vejamos a impropriedade da clássica predisposição passado/futuro em se tratando de genes:
A própria genética solapou com severidade o neodarwinismo, que depende do DNA como o mais importante mecanismo para estabilidade e transformação evolucionárias. Descobertas recentes mostram que os próprios genes tem uma natureza fluida ou mutável. Na bactéria, o DNA pula para frente e para trás dos cromossomos, expandindo-se e contraindo-se, de modo que o próprio conceito de gen agora exige revisão. O Prêmio Nobel e descobridor da Vitamina C, Albert Szent-Gyorgi argumenta que a célula na verdade realimenta o DNA com informações e muda suas instruções. Em outras palavras, o DNA parece ser afetado por algumas próprias coisas que se supunha que ele controlasse. Isso levou Waddington e outros biólogos a sugerirem que os genes na verdade interagem com o ambiente.Como pinçar a lógica apregoada, neste universo tão amplo e atemporal, para sedimentar a ousada, mas predeterminada teoria, personalíssima metafísica de Wallace, encampada pelo turista do Beagle?
SMITH, Andrew P., Mutiny on The Beagle; cit. LEMKOW, A.: 169.
São extraordinárias as falhas e incongruências da teoria darwiniana. Há muito, ela deixou de ser unânime entre os pesquisadores, pois carece de métodos científicos e vem sendo desmentida por vários ramos da ciência. A paleontologia é atualmente o principal argumento contra tal teoria.Do erro metodológico
CORRÊA, Mauro. - http://www.lepanto.com.br/dados/Evolucion.html
A história das descobertas científicas e técnicas
revela-nos quanto o espírito humano carece de
idéias originais e de imaginação criadora.
EINSTEIN, Albert (1879-1955) Como Vejo o Mundo: 198Platão foi pioneiro, e verdadeiramente imbatível nas formulações dialéticas. A primeira e fundamental, foi a divisão contrabandeada do orfismo, entre o corpo e a alma, estendido às dicotomias matéria/espírito, realidade/ficção, entre várias outras:
"A terra, ou seja, a matéria, é contraposta à verdadeira natureza da alma, quer dizer, ao seu ‘ser boa’. A matéria representa o mal." (PLATÃO, cit. KELSEN, 1998: 3)
O amante dos espartanos aprimorou seus sofismas utilizando as formulações de Pitágoras, a ponto de convencer que os números representam a realidade, e não aquela que aparece em nossos olhos.
Apenas pela época de Darwin se começou a desmanchar a artimanha numeral, a má temática, como digo, ainda assim de modo bastante frágil, num crescente tão tênue que até hoje ainda não se desfez tal presunção. Leibniz já havia dado um toque, mas a coisa ficou mais séria diante do depoimento de Riemann** (cit. GEYMONET, L., Matematica ed esperienza; MINAZZI, F., in GEYMONET, L., e GIORELLO, G.,: 147):
"A linguagem matemática resulta demasiada pobre para captar a experiência.”
O esteio contém gelo escorregadio:
"As teses de matemática não são certas quando relacionadas com a realidade, e, enquanto certas, não se relacionam com a realidade." (EINSTEIN, A., 1997: 15)
"A matemática é incompleta; não pode, jamais, alcançar a certeza absoluta." (Matemático GÖDEL, Kurt, cit. STRATHERN: 243)
Com muito pesar Von Mises (1990: 112) identificou o pseudo-atalho, bem como o alto preço pago pela humanidade:
"As premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético."
A pergunta sobre como a vida funciona não era do tipo que podia ser respondida por Darwin, ou seus contemporâneaos. Eles sabiam que os olhos são feitos para ver – mas como, exatamente, ele vêem? De que modo o sangue coagula? De que maneira o corpo combate a doença?
BEHER, M.: 177Hoje a Antropologia não pode abster-se de uma reflexão sobre: o princípio de relatividade einsteniano; o princípio de indeterminação, de Heisenberg; a descoberta da ‘antimatéria’, desde o anti-elétron (1932) até o antinêutron (1956); a cibernética, a teoria da informação; a química biológica; o conceito de realidade.Deus não é o Relojoeiro; muito menos Arquiteto do Universo. A natureza faz-se por si, por efeitos atômicos. Mas isso já é para outra dimensão. Retomemos a trilha do Rei dos Macacos, para mim digno da coroa do embuste também..
MORIN, E.: 64.
Por séculos Platão permanecia no ostracismo; até serem descobertos seus manuscritos na invadida Constantinopla.
Pelo meado do XV, justo na adolescência secular, o gurú adentrou flamante na órbita ocidental, contrabandeado pelas mãos dos papas. Em Florença, assim florescia a Renascença. Por suas pétalas e mudas muitos se refastelaram. Eis como surgiram os filhotes: Da Vinci, Copérnico, Maquiavel, Galileu, Bacon, Descartes, Thomas Hobbes, Lamarck, Malthus, Newton, Rousseau, e Hegel, a mais candente brilhatura..Outra denominador os irmanava: todos preferiam as mordomias palacianas.
Darwin, além da moradia, logrou até a contribuição, a contragosto, da Royal Navy.
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Os monumentais obtinham justamente na dialética o trilho para condução de suas proposituras. Como disse, todas eram coerentes, coincidentes mesmo com a realidade, de modo que até hoje tais sumidades são reverenciadas, à desgraça da humanidade...Os conceitos que os norteavam eram sempre os mesmos: forças antagônicas produziriam um resultado, e este só poderia ser considerado científico, porque, afinal, todas as coisas da face da Terra e mesmo fora dela estariam dispostas em pares opostos. Logo se constataram as forças de atração/repulsão, ação/reação, centrífuga/centrípeda, e outras baboseiras, tudo se equilibrando num sistema melimetricamente calculado. O produto daí decorrente seria natural; portanto, quem conseguisse divisá-lo, ou pelo menos anunciá-lo, como Newton, obteria o galardão científico.
“No decorrer do século XIX, a orientação mecanicista tomou raízes mais profundas - na física, química, biologia, psicologia e nas ciências sociais.” (LEMKOW, A., p. 86)
Darwin (Autobiografia: 12) simplesmente transplantou o método:
“Um professor particular me explicou Euclides, e recordo claramente a intensa satisfação que me proporcionaram as claras demonstrações geométricas"
Bertrand Russell (cit. FADIMAN, C.: 266) condena a possibilidade, tantas vezes tornada realidade:
Surge um grave perigo quando esse hábito de manipulação com base em leis matemáticas é estendido ao nosso trato com seres humanos, uma vez que estes, diferentemente do cabo telefônico, são suscetíveis de felicidade e infortúnio, de desejo e aversão. Seria, portanto, lamentável que se permitisse que hábitos mentais apropriados e corretos para o trato com mecanismos materiais dominassem os esforços do administrador no plano da construção social.Emprestou-lhe um caráter mais dinâmico, mercê da inegável dinamicidade da vida frente aos corpos celestiais. E exatamente por causa da peculiaridade, o caráter dialético se tornou fundamental, condição sine qua non, única maneira plausível de suplantar o obsoleto. Jamais os próceres cogitaram do bizarro, a mais desconcertante possibilidade entre as ciências consideradas de maior densidade: a quântica e a relatividade simplesmente arrasaram com as concepções newtonianas, e por extensão, com suas congêneres, pelo mais prosaico motivo: o Universo evolui por complementariedade, digo por somalética, exatamente o oposto do que pretendia a teoria de Wallace, que o astuto Darwin apresentou como sua.
A realidade não é tão simplória; não existe esta linha do tempo, esta dimensão evolutiva determinística, mecânica, insofismável, fatal.
Sejam quais forem os atrativos das descrições dialéticas de certos períodos da história, não podemos deixar de pensar que a diversidade dos acontecimentos e dos homens não se ajusta assim tanto a este esquema. O salto da antítese para a síntese aparece muitas vezes como arbitrária."A teoria da evolução, de Darwin, de mutação acidental e de sobrevivência dos mais capazes, inevitavelmente tem se mostrado inadequada para responder a um grande número de observações biológicas.” (FERGUNSON, M.: 149
GRANGER, G.-G.,: 99
"Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade." (TOFFLER, Alvin e TOFFLER, Heidi: 20)
Não podem as bifurcações ajudar-nos a entender a inovação e a diversificação em áreas outras do que a física ou a química? Como resistir à tentação de aplicar essas noções a problemas da esfera da biologia, da sociologia e da economia? Demos alguns passos nesta direção e hoje muitas equipes de pesquisa em todo o mundo seguiram este caminho. Só na Europa, foram fundados nestes últimos dez anos mais de cinqüenta centros interdisciplinares especializado em estudo dos processos não-lineares.
PRIGOGINE, I.: 74
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O que governa a dinâmica da natureza, inclusive em seu aspecto mais material, na física, não é uma ordem rígida, predeterminada. Nem tampouco uma dialética entre contrários em luta, que leve a síntese, até que se produza uma nova antítese, como na visão dialética marxista rechaçada também pela genética, segundo diz MONOD. É precisamente uma interação - que já existe nos níveis materiais mais elementares entre o aspecto onda e o aspecto corpúsculo - o que impulsiona a dinâmica da natureza. Assim o mostram as relações de mecânica ondulatória, que explicou LOUIS DE BROGLIE, síntese genial que tornou possível, como diz RUEFF, uma filosofia quântica do universo, aplicável não somente às ciências físicas, senão também a todas as ciências humanas.
GOYTISOLO, Juan Vallet, InteraçõesDepois do livro do americano Edward O. Wilson, Sociobiology e dos ensaios do inglês Richard Dawkins, os geneticistas das populações, assim como os especialistas em insetos sociais, procuraram compreender a organização social a partir dos interesses individuais. Não existe o formigueiro; só existem as formigas. Não existe a espécie; só existe o indivíduo. Falar de um sacrifício pelo grupo é, portanto, uma impossibilidade - pelo menos se estudarmos a evolução darwiniana dos caracteres sociais. Era preciso repensar a sociedade animal como a resultante do cálculo dos indivíduos e não mais como um vasto sistema dentro do qual os animais nascem e morrem. Esta revolução entre os animais assemelha-se às revoluções que as ciências políticas conheceram duzentos anos antes.“Em resumo, a evolução é um desdobrar-se de uma ordem interna existente. Mas, por ser ela inteligente e não um processo mecânico, há espaço aberto para variações criativas e respostas individuais às circunstâncias ambientais." (LEMKOW, A.: 174)
LATOUR, BRUNO, Das Sociedades Animais às
Sociedades Humanas; cit. WITKOWSKI: 207
We can change. I hope!
200 anos de Darwin. Para inglês ver.
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Sobre a Bibliografia da Nav 's ALL
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Notas
*Niels Bohr, Atomic Physics and Human Knowledge; New York, 1963. David Bohm o interpreta em Wholeness and Implicate Order, London, 1980. .
** Georg Friedrich Bernhard Riemann (Breselenz, Reino de Hanôver, 17 de Setembro de 1826 — Selasca, Itália, 20 de Junho de 1866). Matemático alemão, com contribuições fundamentais para a análise e a geometria diferencial, algumas das quais abriram caminho para o desenvolvimento da relatividade geral.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
O modelo ditatorial da América Latina
Na Argentina, como no Brasil, na década de 20, há um esforço poderoso de definir a identidade nacional: estamos no momento da criação dos nacionalismos. Em ambos os países critica-se o modelo liberal conservador adotado no século anterior. O liberalismo e o democratismo são postos em xeque. O fantasma vermelho do bolchevismo é agitado para reivindicar a ordem autoritária e disciplinadora, formadora de um povo uniforme que, no caso argentino, identifica-se como não-nacional, estrangeiro, e freqüentemente judeu. Em ambos os países se afirma que a fórmula, inautêntica, inexpressiva, é cópia de instituições alienígenas que não correspondem ao país real. Foi nesta mesma época da visita de Einstein que se publicou a obra organizada por Licínio Cardoso, 'À Margem da História da República', na qual essas críticas são formuladas por O. Vianna e outros. Dez anos antes essa linha de argumentação tinha seu expoente em Korn na Argentina, e Torres no Brasil. Na construção do nacionalismo autoritário argentino prevalece uma perspectiva 'romântica' que procura na história nacional e ibérica, na sua continuidade, os fundamentos de uma identidade cultural e política que apela ao autoritarismo. No Brasil, a descrição sociológica, de raiz positivista e especialmente comtiana, é um fundamento importante de sua construção que, por certo, coexiste com outras fontes de fundamentos. LOVISOLO, H., , Einstein: Uma viagem, Duas Visitas, Estudos Históricos:55; MOREIRA, Ildeu de Castro e VIDEIRA, Antonio Augusto Passos Org. : Einstein e o Brasil: 234
Nada de novo no front (ocidental)
Há diferenças óbvias entre os países latino-americanos, mas as semelhanças são marcantes, por exemplo, com respeito as tradições de autoritarismo e envolvimento militar na política, de injustiça social e de sistemas econômicos 'mercantilistas' ou 'corporativistas' que tanto contribuíram para essa injustiça. No estadismo ibérico o cidadão acredita que o Estado - e não ele mesmo - deve resolver os problemas de sua vida. O simples complemento desta representação consiste em pensar que também o Estado (nacional ou outro) - e não o próprio cidadão - é responsável pelos malogros.
A diferencia de los otros, el movimiento justicialista era ideológicamente cristiano, y tanto lo era, que por diez años consecutivos el clero argentino, desde su más alta jerarquía, hasta el más humilde cura de campaña, apoyó al Peronismo, ta nto en sus campañas electorales como durante su gestión partidista en el gobierno. (JUAN DOMINGOS PERÓN, Perón y el justicialismo, Int.)
No Congresso América 92 - Raízes e Trajetórias, a Professora Marilena Chauí condenava a formação política de nosso continente, porque lastreada no fortalecimento repressivo e violento do Estado,“único sujeito histórico e político do país”. O curioso é que recém caminhávamos sem coturnos. Mas a conceituada catedrática citava a característica dos regimes despóticos, demonstrando como a mistura dos três poderes, veiculados originalmente em Montesquieu, enfeixam-se nas mãos de um pequeno grupo, mais moderno e mais “democrático”, substituto do déspota único, capaz de encarnar com maior eficácia uma arranjada “Vontade Geral”. Queixava-se: “Não se consegue desenvolver os ideais socialistas da justiça sócio-econômica, da liberdade e da felicidade, da cidadania participativa e da sociedade auto-organizada.” Tampouco qualquer arremêdo liberal: “A 'vontade geral' tem sempre razão e, enquanto tal, está sempre espreitando a vida privada do cidadão soberano, por sobre seus ombros.” (Koselleck, Reinhart: 144)
O continente tem, até hoje, uma relação debilitada com a modernindade. E as constituições têm, com freqüência, até hoje, um caráter meramente retórico, sem que haja uma identidade entre Constituição e realidade. É como uma cobertura sobre o bolo. O bolo é a herança cultural dos 400 anos. A modernidade é apenas a calda que cobre, mas não chega a adentrar o bolo. BARLOEWEN, Constantin von, professor de Antropologia Comparada da Escola Superior de Design e Artes de Karlsruhe - www.deutsche-welle.de/dw20.10.2008
A semelhança da "vontade geral" com o gosto dos chefes latinos já fora detectado por ninguém menos do que o próprio “libertador” Simon Bolívar: “Não podemos governar a América. Este país cairá infalivelmente nas mãos da multidão desenfreada, para passar em seguida às mãos de pequenos tiranos, quase imperceptíveis, de todas as cores e de todas as raças.” (cit. Minguet, Charles, Myrthes fondateurs chez Bolivar, 'Simon Bolivar', Cahiers de l'Herne, 1986, p. 117; cit. Gusdorf, G: 259)
A América Latina gosta de perder décadas e oportunidades. Aceita caudilhos, tiranos e tiranetes com razoável regularidade. Tolera que seus governantes confirmem as caricaturas feitas sobre a região. Usa, para se dividir, o que seria fator de união: a Amazônia, os rios comuns, a energia. A América Latina gosta de terceirizar suas culpas, achando que suas mazelas são imposições externas. LEITÃO, Mirian, O Globo, 19/4/2009
Foi sempre mais cômodo a esta América, dos escravos, silvícolas e bandidos extraditados, dos católicos espanhóis e portugueses, “copiar” os sentimentos da matriz: “O nacionalismo latino-americano é, como os cavalos e os jesuítas, ou como o Direito e o castelhano, uma importação européia.” (Mendoza, P. Montaner, C. Llosa, A.: 207) Junto, veio o molde centralizador:
O monopólio, os privilégios, as restrições a livre atividade dos particulares no domínio econômico e em outros são tradições profundamente arraigadas nas sociedades de origem espanhola. Diante dessa situação, a reação espontânea de um chefe de governo, herdeiro da tradição mercantilista espanhola, será sempre a de intensificar controles, multiplicar restrições e aumentar impostos.(Idem: 126)Richard Morse, (Entrevista a Carlos Eduardo Lins da Silva, Folha de São Paulo, 11/10/92) ex-professor da Universidade de Yale, ex-diretor do programa latino-americano do Woodrow Wilson Center, Washington, referenda a teoria de que a colonização inglêsa teve aspectos de modernismo não aplicados pelos ibéricos. Morse ainda enfoca a peculiaridade climática vivida por Espanha e Portugal na época dos grandes movimentos político-científicos e lembra a permanência intocada que ficou a região diante da Reforma ou do Renascimento. Constata, ainda, que naqueles domínios não houve nenhuma revolução científica importante, ninguém equivalente a Hobbes ou Locke, ou mesmo a Rousseau, ou a uma revolução industrial. Em outras palavras: a região ibérica destoou da aceleração político-cultural do resto do continente. (O célebre professor, todavia, crê ser possível uma metamorfose, advinda da nova observação, “de enfoque globalizante ou holístico do mundo na Íbero-América.”)
Faz 50 anos, o México era mais rico que Portugal. Em 1950, um país como o Brasil tinha uma renda per capita mais elevada que o da Coréia do Sul. Faz 60 anos, Honduras tinha mais riqueza per capita que Cingapura, e hoje Cingapura em questão de 35 a 40 anos é um país com $40..000 de renda anual por habitante. Bem, algo nós fizemos mal, os latino-americanos. Em 1950, cada cidadão norte-americano era quatro vezes mais rico que um cidadão latino-americano. Hoje em dia, um cidadão norte-americano é 10, 15 ou 20 vezes mais rico que um latino-americano. Como disse esta manhã, não pode ser que a América Latina gaste $50.000* milhões em armas e soldados. Eu me pergunto: quem é o nosso inimigo? Óscar Árias Presidente da Costa Rica
Gore Vidal atribui o desastre ao espírito de um rei católico,
totalmente beato e totalmente não inteligente de nome Felipe Segundo, seguido de um estúpido regime que suprimiu culturas regionais, florescentes naturais, preenchendo o vazio de sua falta com os piores elementos da cultura arcaica, de mausoléu.(Idem, ibidem)O grande Simon Bolívar (Carta a um cavalheiro que tinha grande interesse na causa repúblicana na América do Sul (1815), cit. Mendoza, Montaner & Llosa: 36) discernira e profetizara:
Enquanto nossos compatriotas não possuírem os talentos e as virtudes políticas que distinguem nossos irmãos do Norte, os sistemas inteiramente populares, longe de nos serem favoráveis, receio que virão a ser nossa ruína. Infelizmente essas qualidades parecem estar muito distantes de nós, na intensidade que se deseja; e, pelo contrário, estamos dominados pelos vícios que foram contraídos sob a direção de uma nação como a espanhola, que só sobreviveu em atrocidade, ambição, vingança e avidez.Vilela e Catão (O Monopólio do Sagrado; Correio do Povo, 5/11/1995: 21) completam o quadro.
No Terceiro Mundo e sobretudo na América Latina a social-democracia é adotada por quase todos os partidos políticos. Sendo liberal, democrática em política e socialista, intervencionista em economia, promete mais do que pode dar (comportamento típico do populismo). De frustração em frustração, vacilante e inoperante diante da realidade que não consegue entender, procura enfrentar os problemas apenas pela via retórica e acaba gerando o desejo de intervenção, a fim de 'por a casa em ordem' (regimes militares). Essa alternância de militares e populista, ambos intervencionistas, tem sido a saga da América Latina e a grande causa de sua má performance econômica.
Os problemas dos ditadores contemporâneos começaram aos 25 minutos do 25 de Abril português, em 1974, quando a rádio Renascença de Lisboa começou a tocar a canção senha para a revolução, e disparando um efeito dominó de derrubadas de regimes no sul da Europa, África, América Latina e no leste da Ásia. O boom democrático culminou em 2005, quando o mundo tinha triplicado o número de democracias. Algo mudou naquele ano. Até 2010, novos golpes militares na Ásia, populismo na América Latina e retrocesso russo sinalizaram um declínio da liberdade democrática no planeta. O que mudou foi a capacidade de adaptação dos regimes autoritários.
Essa tribo começa a expandir-se também no Brasil. Seus integrantes aprenderam que a ditadura militar é tão odiosa quanto a ditadura do proletariado. Aprenderam que dividir o mundo entre esquerda e direita é apenas uma simplificação malandra forjada para driblar distinções que devem precedê-la. Há os homens de bem e os desonestos, há os devotos do convívio dos contrários e a seita dos intolerantes. NUNES, AUGUSTO, revista Veja, SP, 29/5/2009
Não por acaso o Brasil se encontra completamente atolado :"A concentração dos poderes políticos, a hipertrofia do Estado e a centralização administrativa são maldições de regimes fechados que ainda não erradicamos. Práticas políticas degeneradas são o resultado da concentração de poderes e da centralização administrativa. " (A modernização institucional Paulo Guedes)
Bem ensina Ferguson (p. 210), e com ela encerramos a escala: "O poder de descentralização deriva do fluxo de novas idéias, imagens e energia para todas as partes do organismo político. Concentrações de poder são tão antinaturais e fatais como um coágulo de sangue ou um fio elétrico desencapado."
O grave dano social cartesiano
domingo, 8 de fevereiro de 2009
A queda da Babel
As instituições mecanicistas baseadas nas estruturas de comando e controle da era industrial dominaram durante quatro séculos o funcionamento das sociedades, determinando a vida econômica, social, cultural, política e demais áreas do conhecimento. Neste início de terceiro milênio, observamos um movimento crescente da diversidade e complexidade das sociedades em todo o mundo e parece estar brotando um consenso de que a atual estrutura hierarquizada de poder das organizações está bem próxima de atingir seu nível de saturação. RIOS, Antônio Salles, http://eracaordica.blogspot.comA TEORIA DA RELATIVIDADE e a mecânica quântica evidenciaram que as ciências haviam erigido uma Babel. Convocadas àquela inglória empreitada, as "humanas" haviam tornado o ser objeto de programação. No estupendo lapso o poder foi exercido ao gosto dos velhacos e tiranos:
"O poder de Estado, que parecia planar bem acima da sociedade, era todavia, ele próprio, o maior escândalo desta sociedade e, ao mesmo tempo, o foco de todas as corrupções." (Comuna de Paris, 1871).)
Maquiavel, Galileu, Bacon, Descartes, Newton, Hobbes, Rousseau, Bentham, Mill, Hegel, Malthus, Darwin, Freud, Comte, Sorel, Keynes e Marx foram as estrelas mais brilhantes da via láctea platônica. A montagem milenar, força concentrada de tamanhas brilhaturas, varou os tempos precipitando os povos à insanidade, desde as peripécias do Tirano de Siracusa* ao obscuro César Bórgia; do galante Cromwell, à sangrenta Revolução travestida democrática, daí ao Corso e às guerras civis e mundiais que se sucederam. Malgrado o linchamento de Mussolini, a bomba atômica, muitos suicídios e o colapso soviético, suas perfídias não se extinguiram; e até hoje impregnam quase a totalidade das constituições, sempre conservadas e até aprimoradas pelo poderoso de plantão.
O que estou tentando mostrar é que a ciência, por causa do seu método e de seus conceitos, projetou um universo no qual o domínio da natureza ficou ligado ao domínio do homem e que ela favoreceu esse universo – e esse traço de união tende a tornar-se fatal para esse universo e seu conjunto.
MARCUSE, Herbert, Uma ciência sem domínio?; Points Seuil, 1970; cit. CHRÉTIEN: 212Por isso não é de estranhar que muitos universitários ainda imaginem Einstein como uma espécie surrealista de matemático, e não como descobridor de certas leis cósmicas de imensa importância na silenciosa luta do homem pela compreensão da realidade física. Eles ignoram que a Relatividade, acima de sua importância científica, representa um sistema filosófico fundamental, que aumenta e ilumina as reflexões dos grandes epistemologistas - Locke, Berkeley e Hume. Em conseqüência, bem pouca idéia têm do vasto universo, tão misteriosamente ordenado, em que vivem.Isso já perfaz século, todavia. Aqueles falsos brilhantes paulatinamente vão perdendo o brilho emprestado pela própria ciência que outrora lhes oferecia guarida:
BARNETT, Lincoln: 12.
A civilização emergente estabelece um novo código de comportamento para nós e nos transporta para além da padronização, da sincronização e da centralização, para além da concentração de energia, dinheiro e poder. Essa nova civilização tem sua própria e distinta concepção de mundo, maneiras próprias de lidar com o tempo, o espaço, a lógica, e a relação de causa e efeito.“De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT, J., Paradoxo Global: 96)
ORMEROD, P: 194
Albert Einstein (cit. BRIAN: 253) apreciaria viver nesse espaço:
“A liberdade é uma necessidade fundamental para o desenvolvimento dos verdadeiros valores.”
A expansão é simplificadora:
“O fato significativo é que estamos, agora, deslocando-nos para futuras formas poderosas de processamento de conhecimento que são profundamente antiburocráticos.” (TOFFLER, A.: 199)
A velocidade das comunicações, e, por conseqüência, das alterações, as quais já não conhecem tempo, nem barreira, sequer distância, indica que o político tem que ser sua imediata expressão, sob pena de um fim profundamente lamentável, soterrado nos escombros de sua própria morada. Resta-lhe despir-se dos adereços e abandonar o palco ilusionista no qual florescem as ervas daninhas e o podre odor suavizado nas gotas dos falsos ideais.
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Nota
* Dionísio (405-367), "aluno" de Platão, "taxava tão pesadamente os cidadãos que, segundo Aristóteles, chegava a confiscar toda a propriedade deles." (PIPES: 281)
Fontes
BARNETT, Lincoln, O universo e o Dr. Einstein. São Paulo: Melhoramentos, s/d.
BRIAN, Denis, Einstein, a ciência da vida. Tradução de Vera Caputo.- São Paulo : Editora Ática, 1998.
NAISBITT, John, Paradoxo global. Tradução de Ivo Korytowski. - Rio de Janeiro : Ed. Campus, 1994.
ORMEROD, Paul, A morte da economia. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. - São Paulo : Companhia das Letras, 1996.
PIPES, Richard, Propriedade e liberdade. Tradução de Luiz Guilherme B. Chaves e Carlos Humberto Pimentel Fuarte da Fonseca.- Rio de Janeiro : Record, 2001.
TOFFLER, Alvin, Powershift: as mudanças do poder: um perfil da sociedade do século XXI pela análise das transformações na natureza do poder. Tradução de Luiz Carlos do Nascimento e Silva.- São Paulo : Ed. Record, 1992.
200 anos de Darwin: estórias de pernas longas
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.A idéia é originalmente devida a Platão, que, sem dúvida influenciado pelas concepções pitagóricas, foi o primeiro a afirmar que o círculo, cujas partes são todas iguais entre si, é por essa razão a mais perfeita figura geométrica, e, portanto, como os corpos celestes são eles mesmos perfeitos, o único movimento que lhes é possível é o movimento circular uniforme. A tarefa dos astrônomos a partir de então foi construir um modelo matemático que explicasse os dados observacionais da astronomia, e no qual os planetas seriam dotados de movimentos circulares uniformes.
BEN-DOV: 19
O homem só muito lentamente descobre como o mundo é infinitamente complicado. Primeiramente ele o imagina totalmente simples, tão superficial como ele próprio.
NIETZSCHE, F., O livro do filosofo: 41
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O marketing greco-romano coloca o ocidente nos trilhos. O ser humano percorre a dupla linha estendida, supondo que ao eliminar ou ao absorver um equívoco automaticamente logra o passaporte à verdade.Na França, desde 1789, ou se era vermelho ou branco, padre ou leigo, burguês ou socialista, reacionário ou progressista. E entre os dois grupos inimigos, as pessoas se estripavam, cortavam-se em pedacinhos, insultavam-se, desprezavam-se.A chaga fundamental é o caráter mundano. Para elidi-la, Platão criou a alma*. O ser falha, peca; logo, o paradoxal é perfeito. Desse modo, a civilização sói tudo julgar, não no sentido da absolvição, mas da condenação. Supõe que a primária dialética afaste o erro, e com isso a parca imaginação se satisfaz:
LAPOUGE, Giles
“Somente a Idéia Absoluta é ser, perene vida, verdade que se sabe a si mesma, e é toda a verdade.” (HEGEL, G.W., cit. HEIDEGGER, M., A constituição onto-teológica da metafísica: 190)
Niels Bohr (cit. DESCAMPS, C.: 103) há século advertiu:
“Uma verdade superficial é um enunciado cujo contrário é falso".
* * *A evolução cultural não é determinada nem geneticamente, nem de qualquer outra forma e sua conseqüência é a diversidade e não a uniformidade. Filósofos como Marx e Augusto Comte que afirmaram que nossos estudos podem levar a leis de evolução que permitem prever desdobramentos futuros inevitáveis estão errados.
HAYEK, F.Vejamos, pois, uma hipótese diversa, a da luminosa russa Madame Blavatsky (Helena Petrovna 1831-1891; The secret doctrine 1888; Escritos selecionados: 181; cit. LEMKOW, A.: 176):Desse modo, não pode haver uma verdade absoluta. Ela é formada, tecida por todos os átomos do Universo, passados, ou virtuais. A eliminação do polo do engano não assegura per se o acerto do conservado, ou da instituído. Como toda a verdade é apenas precária, aguardando apenas ser falseada, para usarmos o mais tradicional termo de Popper, fica trivial concluir que não devemos, por prudência e cientificidade, jogarmos todas as fichas em apenas um caminho. Se ele for o do rio, aparentemente belo e convidativo, pode ser a mesma preferência do lobo que lhe aguarda logo ali, na curva. Todavia, quem seria este senhor Niels Bohr frente a poderosa matilha formada por Platão, Maquiavel, Descartes, Hobbes, Newton, Hegel, Darwin, Marx e Freud?Há três vertentes de evolução, separadas mas entrelaçadas, no esquema terrestre das coisas: a espiritual, a intelectual e a física, cada qual com suas próprias regras ou leis internas. As três vertentes são representadas na constituição do homem, no microcosmo e no macrocosmo (a própria natureza) e é isso que faz de nos os seres complexos que somos. (12)
Bertrand Russell (Cit. FADIMAN, C.: 266) levantou sérias objeções a esse método científico, mormente quando estendido à sociedade:Surge um grave perigo quando esse hábito de manipulação com base em leis matemáticas é estendido ao nosso trato com seres humanos, uma vez que estes, diferentemente do cabo telefônico, são suscetíveis de felicidade e infortúnio, de desejo e aversão. Seria, portanto, lamentável que se permitisse que hábitos mentais apropriados e corretos para o trato com mecanismos materiais dominassem os esforços do administrador no plano da construção social.Na história das ciências e mesmo da filosofia podemos catar vários instantes nos quais a humanidade mergulhou mais profundamente na ignorância, justamente ao trocar uma percepção que era falha, por outra presunção decorrente, ainda mais nefasta:Agora demonstrarei a estrutura do Sistema do Mundo: todo o corpo continua no próprio estado de repouso ou de movimento uniforme numa reta, a não ser que seja impelido a mudar esse estado por forças que lhe forem aplicadas. A mudança de movimento é proporcional à força motriz aplicada e ocorre na direção da reta em que a força foi aplicada. Para toda ação existe sempre uma reação igual e oposta.A confusão é latente mercê da instituição de Deus. O paradigma desnorteia completamente a humanidade. Como Deus e justiça andam de mãos dadas contra o diabo, a injustiça, todos presumem que apenas identificando o maligno obteremos a paz que só a verdade pode oferecer: "A verdade vos libertará."
NEWTON, I., cit. ROHDEN, H.: 169
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Essa contradição de idéias reproduziu-se, infelizmente, na realidade dos fatos na França. E, apesar de o povo francês ter-se adiantado mais do que os outros na conquista de seus direitos, ou melhor dito, de suas garantias políticas, nem por isso deixou de permanecer como o povo mais governado, mais dirigido, mais administrado, mais submetido, mais sujeito a imposições e mais explorado de toda a Europa.
BASTIAT, Frèderic, A Lei: 63
A metonímia consiste no bizarro: ao supor que a verdade seja una, o ser humano despreza tudo o mais.
No aparecimento da dúvida o ser humano cogitou no livre-arbítrio. Neste caso a dialética fulgura solene, percorrendo a linha entre o bem e o mal, a verdade e a mentira, o preto e o branco, a matéria e o espírito, o consciente e o subconsciente, negativo/positivo, preto e branco. O fascismo e o comunismo monopolizaram as atenções do século da insanidade. Esquerda e direita assumiram tamanha gravidade que ninguém mais cogita em hipótese diversa. Hoje se fala em política mais à esquerda, ao centro, mas à direita todos se envergonham. Hipocrisia.
Quando o homem descobriu que a Terra não estava no centro do Universo, a lógica incitou-o a procurar o astro privilegiado. O Sol foi eleito. Deus não iria colocar a maior lanterna num canto qualquer. Pensar que o Universo não contém centro, nem pensar. Onde já se viu uma figura geométrica sem fronteiras, portanto, desprovido de centro?Nem a física de Newton nem a biologia de Darwin disseram muito que possa contribuir para um quadro coerente de nos mesmos dentro do Universo. A biologia darwinista, quer em sua versão original bruta é determinista (a sobrevivência do mais forte), quer na versão neodarwinista com ênfase na evolução aleatória tem pouco a nos dizer acerca do porque de estarmos aqui, de como nos relacionamos com o surgimento da realidade material e muito menos a cerca do propósito e significado de qualquer evolução da consciência além da conclusão muito simples e utilitária de que a consciência parece “conferir alguma vantagem evolutiva.A concepção heliocêntrica consubstanciada por Newton demoveu a hipótese de que éramos feito à imagem e semelhança de Deus. Se esse fosse o caso, qual a razão de habitarmos num simples planeta errante?
FEYNMAN, Richard P., cit. GLEICK, J.: 182
Pela certeza a humanidade mergulhou em tal ignorância que foram necessários quatro séculos para extraí-lo dessas entranhas, e ainda assim nem tanto assim: continuamos aprendendo nas escolas que a gravidade é produto de um jogo de forças entre as massas celestiais. E a dúvida se circunscreve de modo simplista: na defesa do criacionismo, ou da teoria da evolução:Embora as escolas evangélicas brasileiras procurem conciliar as ideias darwinistas com o criacionismo, a verdade é que, para os defensores da versão bíblica da criação do mundo, a teoria da evolução representa um inimigo a ser combatido a todo custo. Nos Estados Unidos, a oposição ao darwinismo se tornou uma guerra que frequentemente chega aos tribunais. Nos últimos anos, muitas escolas americanas de ensino fundamental e médio simplesmente subs–tituí-ram os ensinamentos de Darwin pelo criacionismo nas aulas de ciências e de biologia. Duas dezenas de estados americanos já criaram leis que obrigam os colégios a ensinar o criacionismo ao lado da teoria da evolução. O último deles foi a Louisiana, em junho do ano passado. A manobra é constantemente motivo de processos judiciais por parte de pais de alunos – que em geral são derrotados nas decisões dos juízes.
Revista Veja, ed. 12/2/2009Quanto a Darwin, ele se arranjou por meio de laboriosas ‘negociações’ teóricas, manipulando como podia as definições e os conceitos. O essencial é ver essas manobras como elas eram, em seu contexto, com seus lados bons e seus lados maus; e, depois disso, não procurar dissimulá-las com elogios superficiais ao 'gênio' darwineano'.No valão das conseqüências, bizarro se tornam todos diagnósticos. Na especificidade das ciências humanas, especialmente na política, por seu liame macroeconômico, o falso sentido dialético baconiano-darwineano ainda se presta a extenso aplicativo:
THUILLER, P.: 210A analogia sobre a crise financeira serve para mostrar que as teorias de Darwin - agrupadas no que se convencionou chamar de "darwinismo" - foram mais longe ainda: extrapolaram os limites da biologia e colonizaram outras áreas da ciência, influenciando várias esferas do pensamento humano. Mais até do que uma analogia, a evolução por seleção natural é um elemento crucial da teoria econômica moderna, segundo o economista José Eli da Veiga. 'A ideia é que qualquer sistema evolutivo obedece às leis do darwinismo. E a economia é certamente um sistema evolutivo', afirma Veiga, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP.O trilho, a tal dialética nos conduz ao labirinto. Se a estória de Adão e Eva é produto da imaginação, a de Darwin é da increpação:
Estadão,08 de Fevereiro de 2009
“A teoria da evolução, de Darwin, de mutação acidental e de sobrevivência dos mais capazes, inevitavelmente tem se mostrado inadequada para responder a um grande número de observações biológicas.” (FERGUNSON, M.: 149)
"Todas as etapas e estruturas anatômicas que Darwin julgou tão simples implicam, na verdade, processos biológicos imensamente complicados que não podem ser disfarçados por retórica.” (DOWNS, R. B.: 200) -
Veja:
As atochadas de Darwin
O erro metodológico de Darwin
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* Durante o século IV a.C., verificou-se, no mundo grego, uma revivescência da vida religiosa. Segundo alguns historiadores, um dos factores que concorreram para esse fenômeno foi a linha política adotada pelos tiranos: para garantir seu papel de líderes populares e para enfraquecer a antiga aristocracia, os tiranos favoreciam a expansão de cultos populares ou estrangeiros. Dentre estes cultos, um teve enorme difusão: o Orfismo (de Orfeu), originário da Trácia, e que era uma religião essencialmente esotérica. Os seguidores desta doutrina acreditavam na imortalidade da alma, ou seja, enquanto o corpo se degenerava, a sua alma migrava para outro corpo, por várias vezes, a fim de efetivar sua purificação. Dioniso guiaria este ciclo de reencarnações, podendo ajudar o homem a libertar-se dele. (Wikipédia)
Dioniso é apenas o tal Tirano de Siracusa, tirania que teve em Platão a presença e maestria. Imagine que beleza de administração.
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