sexta-feira, 4 de junho de 2010

A avó de Jesus Cristo


Quando moço, esse Deus do Oriente era ríspido e estava sedento de vingança: criou um inferno para deleite dos seus prediletos. Por fim, fez-se velho e brando e terno e compassivo, assemelhando-se mais a um avô do que a um pai, e até mais a uma avó decrépita. NIETZSCHE, F., Assim falou Zaratustra

FLAVIA IULIA HELENA, também conhecida como SANTA HELENA, HELENA AUGUSTA ou HELENA DE CONSTANTINOPLA (250330) foi a primeira mulher de CONSTÃNCIO I CLORO, e mãe do Imperador CONSTANTINO, O GRANDE,  Segundo Eusébio de Cesaréia,  primeiro historiador da igreja cristã, falecido em 341,  o próprio CONSTANTINO lhe confessou ter tido duas fantásticas visões.   Não havia dúvidas. Cristo  escolhera o psicopata para missões extraordinárias. Então para provar a santidade do filho lá se foi a avó para dar luz à JESUS CRISTO, isso mais de trezentos anos depois da propalada crucificação.
Minha desconfiança em relação a Platão robustece-se cada vez mais. Parece-me que ele se desviou de todos os instintos fundamentais dos gregos; encontro-o tão impregnado de moral, tão cristão antes do cristianismo - já apresenta a idéia do bem como idéia superior - que me sinto tentado a empregar, antes de qualquer outro qualificativo que abranja todo o fenômeno o seguinte epíteto: Platão, ou a mais elevada farsa, ou melhor ainda: Platão, ou o idealismo. NIETZSCHE, F: Crespúsculo dos Ídolos, “O Que Devo aos Antigos”, 2.
Em pleno XXI, como  pode alguém ainda acreditar nesta forja tão infantil, ainda mais uma civilização inteira? Mas pelamor dedeus.
Uma septuagenária HELENA resolveu enveredar à arqueologia. A anciã  tomou um barco,  e desceu o Mediterrâneo, rumo à Palestina. A felizarda não tinha mais tempo a perder, e logo descobriu os caminhos de CRISTO
Numa das escavações feitas no alto do Gólgota, em busca do sepulcro onde o corpo de Cristo teria sido colocado findo o suplício, encontraram três antigas cruzes bem próximas umas das outras. Foi a glória de Helena. O próprio lenho onde o Senhor fora sacrificado, a Santa Cruz, caíra em suas mãos. A augusta mãe sentiu-se então redimida. (A Igreja também, canonizando-a como Santa Helena). De alguma forma ela supôs que tal graça era sinal de que os crimes do filho estavam perdoados. E assim, resultado de batalhas vencidas, de crimes seguidos de arrependimentos, o cristianismo se afirmou como religião oficial do império romano e de parte considerável do mundo. SCHILLING, Voltaire, http://educaterra.terra.com.br/voltaire/antiga/2002/12/16/000.htm
"No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e neste um sepulcro novo … e por estar perto o túmulo, depositaram o corpo de Jesus." (Jo 19:41-42)  
Eleitos todos os points, a "santa" arrumou financiamento às construções da Igreja da Natividade em Belém e do Santo Sepulcro. em Jerusalém. Os recursos à magestosa empreitada foram retirados dos súditos bizantinos, claro, enviados pelo agradecido filho basileu. Ao regressar a Constantinopla, a mãe de CONSTANTINO faleceu. Missão cumprida.Ela está sepultada, todavia, em Roma, entre os herdeiros do estupendo acervo..
Pelo número e pela importância das descobertas a distinta senhora não merecia o maior Nobel?
* * *
Reduzir o sonho a dogma de escola metafísica, equivale a acabar com ele. Paulatinamente se diluem as forças, para imperar, enfim, o radical niilismo: ‘Crê que não és nada, pois o paraíso virá e salvar-te-á.’ Esta negação da vida, a negação do homem, foi a sortie de SÓCRATES. A pretensa moral socrática, apropriada pelo cristianismo, é a da culpa, do arrependimento, do desapego às coisas da vida. E a vida, que foi uma benesse criada por DEUS, deve ser rejeitada. O paradoxo emerge aqui. Pobre homem, enlouquecido.
A ideologia cria uma 'falsa consciência' sobre a realidade que visa a modo de suprir , morder e reforçar e perpetuar essa dominação. (Wikipédia)
Apuramos esta nossa civilização esquizofrênica, voltada à competição, onde não se persegue o poder ao aperfeiçoamento pessoal - afinal, não temos poder sequer sobre o próprio sono -  mas sim como fundamento à destruição do concorrente, "A estimativa é de que atualmente haja 35,6 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo. Este número deve subir para 65,7 milhões até 2030 e 115,4 milhões até 2050." BBC-Brasil, 21/9/2010
Amordaça-se a dignidade, e emudecem os parcos escrúpulos. Ocultam-se intenções, disfarçam-se sentimentos. Na íntima convicção a consciência assinala a discrepância. Sabe de antemão que as atitudes são reprováveis, e por isso tem que carregar no braço o guarda-chuva da imperfeição natural, para qualquer eventualidade. Desse modo as ações podem ser indignas, vergonhosas, banhada em torpeza de dezenas de quilates, nocivas mas compreensíveis, inerentes à fraqueza humana. Sua moral é dissolvente. Há que simular, e dissimular. E lá vai a gente a promover medições de força, à guerra, à obssessão pela matéria, ou por seu desprezo, à mais completa alienação, ou não? E o que dizer dos energúmenos de nossos dias, a se matarem por causa da tal Terra Santa? "Tudo que afrontar a Deus é impuro, e deve ser castigado, pois o demônio apossou-se de sua vida; deve ser expulso..."
Claro que não é bem isso. Hipócritas não são impelidos por fé alguma. É apenas subterfúgio. E como tal, inconfessável. Esquivam-se da responsabilidade, invocando o falso motivo.
"As Cruzadas não diziam respeito apenas à libertação do Santo Sepulcro, mas antes a saber qual dos dois venceria na terra." (SAID, EDWARD, Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente: 180)*
Em minhas investigações deparo-me com inúmeras trapaças, as quais levam de roldão um número astronômico de incautos. Vá lá que a história está cheia de estórias, e mesmo disparates, mas elas sempre se revelam. Mas e esta? Não há ninguém para puxar a saia do travestido, ou não convém enxergar as pernas cabeludas?
Para falar a verdade, olhando a religião como um modo de acorrentamento da caverna de Platão, não se pode deixar de pensar que a humanidade como um todo tem uma certa tendência a gostar de ser mantida acorrentada na ignorância. BELLI, M. O Mito da Caverna de Platão e o Paradigma da Representatividade
Bem, mas estamos no XXI, o da maioridadade. Verifiquemos melhor a trajetória, o alto desígneo, e os motivos daquela bem-aventurada criadora do personagem pelo qual a humanidade diz seguir, sem saber sequer para onde. Dizem que é ao Paraíso. Minha parca imaginação não pode suipor como tal seja. Mas a julgar pela falta de imaginação dos metafísicos, deve ser uma chatice.
HELENA nasceu numa família modesta de Drepanon, cidade na província de Bitínia, na Ásia Menor (atual Turquia). Quando conheceu CONSTÂNCIO CLORO era apenas uma serva e este ainda não tinha o título de CAER. Por esta razão, não existiu uma oposição à relação. De olho no trono do Império Romano, o pai de CONSTANTINO I divorciou-se de HELENA para se casar com FLAVIA MAXIMIANA THEODORA, filha natural ou adotiva do imperador MAXIMIANO e assim nomeado co-regente. O marido, genitor do crápula CONSTANTINO I, trocou uma casa por um palácio. Bom negócio. HELENA ficou lá, no ostracismo da periferia, era próxima do bispo EUSÉBIO, para aderir ao arianismo. A sorte lhe bateria na porta. Por certo, coisa de DEUS, sempre justo. Primeiro, ela converteu o filho para seguir os caminhos do pai, isto é, rumo ao trono. Para tanto, primeiro tinha que desposar a filhinha com de sete anos de MAXIMIANO. Quando o filhote se tornou imperador em 306, HELENA saiu da situação de penúria e marginalidade dos últimos treze anos. O que HELENA propos, e com total êxito, foi uma forma de complementar a aridez matemática de PLATÃO, com a perna que o proprio grego rejeitou por não admitir o suicídio do amado SÓCRATES, o buscador do conhecimento de si próprio, da alma, de HADES.
Para Platão, a ordem e a beleza que vemos no Cosmo resulta de uma intervenção racional, intencional e benigna de um divino artesão, um "demiurgo" (gr. δημιουργός), que impôs uma ordem matemática a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divinamente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável (Pl. Ti. 26a). www.greciantiga.org
Com o novo arranjo o Império Romano virou Bizantino, na cor pretensamente mais humana, porém ainda mais cruel.
Desenvolvido por Plotino (205/270) no início do século IV, em meio à decadência do Império Romano, o neoplatonismo tornou-se uma das mais importantes correntes filosóficas da época e foi a última contribuição do pensamento grego à filosofia Ocidental. O neopitagorismo, que sobrevivera desde o século - IV como um modo de vida verdadeiramente religioso, também acabou por se fundir com o neoplatonismo.
Idem
HELENA gostava muito do seu neto mais velho, CRISPUS CAESAR - filho de CONSTANTINO e MINERVINA, esta trocada posteriormente por FAUSTA, menina filha do Imperador em exercício, pela qual CONSTANTINO ascendeu ao poder, derrubando o novo sogro, depois mandando matá-lo, e por fim, liquidando o cunhado. Era pouco sangue. Por volta de 326 CONSTANTINO decretou a execução de CRISPUS, então com vinte anos, que "teria tentado seduzir a madrasta". Em vingança pela morte do neto,a santa HELENA mandou matar FAUSTA.
Um amor assim, mais divino, onde encontrar?
Mas o pior é que tem mais. Muito mais. De arrepiar! Até amanhã.
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Nota
* Chama-se cruzada a qualquer um dos movimentos militares, de caráter parcialmente cristão, que partiram da Europa Ocidental e cujo objetivo era colocar a Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e a cidade de Jerusalém sob a soberania dos cristãos. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcosmuçulmanos. (Wikipédia)

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