segunda-feira, 22 de março de 2010

Desnorteio


Meios de comunicação social parecem perdidos no espaço.

Só que hoje não sou eu que estou sem assunto - é o Brasil. O governo nos surrupiou, entre outras coisas, o 'assunto'.
JABOR, Arnaldo, cineasta, investido na função de jornalista de rede nacional.
O Sul, 23/3/2010
É verdade que o público acolhe romances policiais, dramas cinematográficos, novelas de TV, até gente encerrada em casa. Quiçá apenas por isso, pela potencialidade de audiência, sofríveis diretores se esmeram à produção artística sobre um fato banal. Este se distinguiu pelo modo inusitado da morte da criança - caída de um alto andar de um edifício. Quedas nem surpreendem, mas se tratando de tão doce criatura, ainda mais se por culpa de quem lhe cabia proteger, reconheço que é tão ou mais chocante do que o impacto que a vitimou. Mas querer transformá-lo em bomba atômica, de efeito interminável, este despropósito sim, é do tamanho que almeja. Na ocasião a cobertura da imprensa já foi avassaladora, de tal sorte que em seguida ao inédito evento houve uma onda de semelhantes atentados. Ora telas e impressos, e ondas de rádio, e todos veículos disponíveis à comunicação de massa resgatam o lamentável episódio, para a Nação voltar a participar.
Pois não. Interrompo minha programação, e atendo a besteira.
Que diferença fará minha opinião, ou a de vários, aos atentos jornalistas? O que pretendem medir? Grau de confiança oferecido ao pretenso protetorado, ou número de clicks?
Como se trata de um julgamento, é óbvio que mais uma vez o país se dividirá apaixonado, de novo por assunto totalmente mórbido, porém desta feita ainda completamente estranho a seu respeito. Exceto ao casal réu, que também duvido atingir, seja qual for a sentença de nada servirá para ninguém mais, nem mesmo aos parentes da inocente vítima, que dirá a mais de cem milhões que são empurrados ao acompanhamento da lamentável peça de roteiro tão real quanto medíocre, ainda que trágico. Será por satisfazer o alcunhado sadismo?
Informantes confessam a falta de assunto. Claro. O maciço deslocamento das focas para cobrir episódios particularizados, em detrimento à razão que lhes cabe, implica em desdém à sua própria matéria-prima. Ou seja: carecem de informação.
Se são anormais, não têm então nada a ver com o povo?
Não é assim: o povo tem necessidade das anomalias,
embora não exista por causa delas.

NIETZSCHE, F.
, O livro do filósofo: 74
O atual oferece o mesmo surreal:
"No caos não há eventos. Para haver acontecimentos tem de haver uma normalidade a ser rompida. Mas nada acontece, pois a normalidade ficou normal." (Idem)
Se precisam adicionar molho de sangue para causar impacto; tendo em vista que o governo "surrupiou" até o assunto; e por não contarmos com nenhum jornalista da estatura de um LACERDA, sugiro requentar aquele há muito derramado, mas que misturado pode satisfazer, preencher todas as expectativas elencadas. Que tal série comparativa entre o desempenho de GETÚLIO VARGAS e a performance do atual clone, dando ênfase à escolha derradeira feita pelo original? Poderia iniciar à moda de isenta e despretensiosa enquete:
A popularidade de LULA comparada a de GETÚLIO VARGAS é


Semelhante
Maior
Menor


A forma de LULA tratar os trabalhadores comparada com o proselitismo de GETÚLIO VARGAS é


Idêntica
Mais eficaz
Menos eficaz


LULA voltará em 2014, como GETÚLIO VARGAS voltou?


sim
não


Depois de passar a presidência, qual será o destino de LULA?


Secretário da ONU
Guarujá
Outro rumo
Certamente será coroada de intensa participação, além de alarmar os insonsos.
* * *
Francamente. Já não chega enorme contingente requisitado para atuar diretamente no processo em epígrafe, dezenas com "notável saber jurídico", e outras tantas ignorantes. Mister bombardeio midiático. O custo, ainda que diluído, recairá à própria sociedade na qual os órgãos se inserem. Não vem ao caso. Igualmente pouco importa o que sente a família enlutada: interessa sua mais comovida expressão. Pouco importa tumultuar o procedimento, aliás de preferência. Tampouco se acarretar afrontoso prejuízo à defesa dos acusados, condicionando o júri e demais integrantes por pressão popular. Comoção geral! Isso é o que interessa. E o que consagra.
A cobertura, de Oscar, de celebridade, tal qual fosse estupendo feito, exige fotos, e vídeos, e batalhões de repórteres, e câmeras, e flashes aos depoimentos de peritos, testemunhas, e parentes, e vizinhos, pesquisas de opinião, enquetes, apostas, sorteios, pedidos de comentários, entrevistas com experts jurídicos, psicólogos, psiquiatras, até padres. Como se fosse típico emblemático, caso de definir o rumo nacional, sujeito a desfecho de graves conseqüências aos brasileiros, e que por isso todos devem prestar atenção, de preferência se manifestando.
Maior absurdo jamais presenciei. Rodeio de hienas a versificarem em túmulo?
O êxito da gigantesca mobilização já está garantido. Vitória de Pirro.
A sensação que tenho é de que a violência vai crescendo como uma doença letal, uma verdadeira epidemia, que vai contaminando todos, aos poucos. As notícias de crime chegam diariamente, sem dó nem piedade. E, se a gente descuida, vira tudo número, estatística.
BARROS, Jorge Antônio, em 4/3/2009. - http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/#16533.
Pois esta ação não deveria correr por segredo de justiça, assim evitando a contaminação?
Responde-nos o criador da metonímia:
Se o justo aparecer na terra, será açoitado, atormentado, posto em cadeias, cegado de ambos os olhos, e, finalmente, depois de todos os martírios, pregado numa cruz, para chegar á compreensão que o importante neste mundo não é o ser justo, mas parecê-lo.
PLATÃO, República: 361c
Ah, tá. Adivinhão, ou projetista? Exemplo ao povo? Belo exemplo, especial à infância. Mostrar que a Justiça existe? Impossível. Nenhum veredicto compensa a morte.
A insistência chega na borderline à vingança. Submeter os já por demais apenados não tem a menor serventia. Ao contrário. Se absolvidos, traduzirá a injustiça de tê-los presos; e se condenados à longa prisão, à vista da sociedade e dos entes queridos, aplacará a fúria, mas a obrigatória recordação assim forçada aumentará o sofrimento de todos, inclusive do círculo íntimo à vítima. Nesta semana o sepulcro da pequenina criatura se tornou terminal de imensa romaria. Aviltam-se emoções à contrapartida ineficaz, e até prejudicial. Tudo leva a um climax de difícil reversão, especialmente aos mais próximos.
Por outro lado, se atendido o pleito generalizado de condenação, a própria sociedade arcará com o preço, ainda que inexpressivo, de manter indivíduos impedidos de cuidar da própria subsistência. Por fim, se a Justiça, neste caso, apenas pode se limitar à prisão, de novo qualquer julgamento será precipitado. Alguma jurisdição condenatória não atenderá, sequer, a um sentimento vingativo. Os réus já se encontram presos, tremendamente humilhados, e até pediram para não serem agora julgados. Preferem permanecer na cela.
Mas o povo, de fato, anda sedento pela Justiça. Quando se poderá julgá-la?
Tudo indica se tratar de argumento apropriado à promoção dos incontáveis agentes, em caleidoscópio, oportuno à comercialização publicitária. Pela quantidade de tempo e de profissionais envolvidos, até parece consagrar a Teoria da Conspiração. São inúmeras grades de massa que apresentam casts e scripts caprichosamente alocados em torno dos que por um ou outro motivo se desvirtuam. Vai ver, PLATÃO, NIETZSCHE e JABOUR tem razão. Meu espectro diverge. Alienando o povo em viés por completo negativo, a mesa de hoje até pode abundar; porém, de onde os comensais tirarão o sal de amanhã?

sábado, 20 de março de 2010

O resgate da unidade



O Estado forte deveria impor coercitivamente a ordem social e política, para depois educar compulsoriamente o cidadão na nova mentalidade, ilustrada pela ciência positiva.
A SAGA DA FILOSOFIA BRASILEIRA NOS SÉCULOS XVIII E XIX, 20/3/2010
O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético. LEONI, B.: 66
.E assim despenca a humanidade: 
Durante longo tempo o ideal do conhecimento científico foi aquele que Laplace havia formulado com sua idéia de universo totalmente determinista e mecanicista.
Segundo ele, uma inteligência excepcional dotada de uma capacidade sensorial, intelectual e computacional suficiente poderia determinar qualquer momento do passado e qualquer momento do futuro. É essa visão pueril e talvez louca do mundo que está prestes a desmoronar, mas ela ainda reina, e efetivamente excluiu todo o problema da reflexividade.
MORIN, Edgar 2000:32
"Ainda reina"? Cruzes! O farol de alerta data da mesma época de Laplace. A postulação eletrodinâmica de FARADAY e MAXWELL, consubstanciada pelas experiências de HERTZ, emprestou consciência à ciência, forte para emendar toda gente: a matéria inserida no espaço provoca fenômenos nunca dantes cogitados. O campo traduz efeitos da fonte passante. E o próprio campo oscila com a passagem. O que se supunha vazio, e por isso a razão daquela "ponte" greco-romana, na verdade carrega um conteúdo repleto de energia.
O ocidente vem contornando a própria realidade,
suporte de infinitas informações, dinâmica de eventos inter-relacionados. Todos compomos o tecido cosmológico. Qualquer distinção se faz arbitrária, ignorante, se me permite, para ser mais enfático. É mesmo de arrepiar: além do desrespeito à ecologia, foi pela mesma ignorãncia que enormidades sócio-políticas foram ao cúmulo. E o programa permanece em cartaz, como informa, direto da França, nosso esperançoso TriPulante MORIN? De fato, por lá, aqui, e alhures, continuam as reverberações do insano comboio. Abala-nos uma espécie de radiação cósmica de fundo, restrita às duas ondas constantemente entrecruzadas. A sociedade não se livra do drama bipolar, cujo norte é o bem, e o sul nem precisa dizer, mas não falta quem o saliente:
"Olhe para o passado e aprenda com ele, para que você não seja mais um imbecil que serviu como intrumento do diabo no passado para propagar o medo e fazer o marketing pessoal de satanás." (www.dihitt.com.br/barra/o-final-dos-tempos-e-agora-)
O providencial surgimento de algum integrante da fabulosa orquestração aplaca a desesperada luta intestina, e assim a gente se mantém enredada no script da Renascença:
"Notei que havia homens na luz e outros na escuridão. E todos seriam julgados. Com meu talento, faço o bem e sou instrumento de Deus." (CARLOS ARAÚJO, pintor. - Estadão, 21/3/2010)
As esquálidas e mareadas mentes dos governantes oscilam naquele pêndulo dos '30, também na balada renascentista, genuinamente maquiavélica. Promovem ameaças, e precipitam anacrônicas crises através de palimpsestos.
Infelizmente o Estado* e a parceira religiosa ministram a educação e administram a cultura. Interessa-lhes incrementar fluxos e refluxos, promotores das ondas, para seus artífices surfarem:
Uma grande antropóloga inglesa escreveu um livro capital, intitulado Pureza e Perigo. A tese é que quanto mais puro e inocente, mais sujeito a despudores, pecado e sujeira. Há, como sugere Mary Douglas, uma complementaridade entre essas oposições, de tal sorte que quanto mais se salienta um lado, mais o seu contrário adquire força como pano de fundo ameaçador e potencialmente intrusivo. O povo escolhido é, como o cordeiro de Deus, o mais perseguido. O mais pobre é, como diz a demagogia nacional, o mais honesto: a única categoria que precisa de governo!...
DAMATTA, Roberto, Cinismo & indignação , 21/03/2010
A redenção
A ciência dos campos livrou os investigadores científicos do milenar maniqueísmo. A espetacular reversão, verdadeira redentora, constituiu a chave para as descobertas da relatividade, e dos pontos que entrelaçam o Universo. JOHN WHEELER (cit. ROHMANN, Chris: 345) sintetiza a primeira:
“A massa informa ao espaço como se curvar; o espaço informa à massa como se movimentar.”
NIELS BOHR (Física Atômica e conhecimento humano: 30)
completa:
Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras.
Ao largarem de mão a exuberrante carga metafísica, o obstáculo epistemológico acarretado pelas estanques disposições de força e matéria, os pesquisadores se dedicaram às "intersecções" do EspaçoTempo, liames e vetores escalares da estupenda teia. Nas "experiências corriqueiras" brotou o surreal:
Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada.
WITKOWSKI, Bergè: 275

Em linguagem técnica trata-se do caos, entropia somente viável por anarquia, ou seja, despida de hierarquia, esta necessariamente elitista, centralizadora, preferencial de NEWTON, COMTE, HEGEL, HITLER, STALIN, e estereotipados.
“A racionalidade jurídica é uma imagem ideológica para legitimar o sistema jurídico positivo a partir de uma aparência de racionalidade, cujo fundamento é mais mítico do que racional, ou seja 'mitológico'.” (LENOBLE, J., e OST, François, Droit, Mythe e Raison, cit. COELHO, L. F., cit. Teoria Crítica do Direito: 128)
Pois a dinâmica natural, inclusive em seu aspecto palpável, de modo algum se realiza por ordem rígida, predeterminada.
“Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade”. (TOFFLER & TOFFLER : 20)
"A manutenção da organização na natureza não é - e não pode ser - realizada por uma gestão centralizada, a ordem só pode ser mantida por uma auto-organização." (BIEBRACHER, C. K.,; NICOLIS, G., SCHUSTER, R., cits. PRIGOGINE, I.: 75)
Uma colméia é a perfeita imagem de uma ‘anarquia cósmica’, isto é, uma perfeita ordem e harmonia sem nenhum governo externo; o sem governo (anarquia) se refere a um fator extrínseco, mas o governo (autarquia) está dentro de cada abelha. É a consciência apiária que governa e, por isto, não há necessidade de uma organização externa.
ROHDEN, H.: 81
MICHEL SERRES (cit. DESCAMPS, Christian: 101) corrobora:
Consideremos uma colônia de formigas cujo movimento, aparentemente browniano, vai aparecer agora, após longo tempo, ordenado na construção de um formigueiro. Esse último é uma obra gigante com relação a dimensão dos indivíduos, e uma obra bastante regular com relação a desordem do vaivém deles.
A massa circunscrita, ou melhor, o conteúdo da energia do passageiro é que dispõe, define rumo e ritmo que lhes são mais apropriados:
"Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)

JAMES GLEICK (Chaos- the making of a new science, 1987, ou Caos: o Nascimento de Uma Nova Ciência, 1991) chama atenção às atuais preocupações:
Cientistas de hoje procuram saber como os sistemas se comportam na turbulência, como a ordem evolui de condições caóticas e como os sistemas de desenvolvimento alcançam níveis elevados de diversidade. Essas indagações são extremamente pertinentes para as companhias e a economia. Livros sobre gerenciamento falam como 'prosperar no caos'. **
Francamente! Dever-se-ia instruir como prosperar sob crivo ideológico, isto sim. Se impossível crescer sob vara, cerrar forças para extingui-la. Pronto. A natureza de cada um se encarregará de enriquecer o todo, sem requerer manual:
Elimine moral e leis, e as pessoas farão o certo.
TAO TE KING: 19
O fenômeno tende a se realizar de modo ético, pelo respeito:
A partícula ao se propagar pelo espaço emite um campo que informa esse seu movimento no sentido de um 'abre-alas que eu quero passar' (como se fosse um empurrar a distância). Literalmente falando, ela empurra a distância tudo o que está a sua frente, e certamente receberá uma reação dinâmica conveniente (o que pode até mesmo provocar uma reflexão total)
MESQUITA FILHO, Adroaldo, Debates 'Ciencialist 2003' a respeito de uma Nova Teoria a propor as bases para o entendimento da Natureza Íntima da Matéria www.ecientificocultural.com/ECC2/Dialogos/
.

O pedaço de matéria nada mais é senão uma série de eventos que obedece a certas leis. A concepção de matéria surgiu em uma época em que os filósofos não tinham dúvidas sobre a validade da concepção 'substância'. A matéria era a substância no espaço e no tempo; a mente, a substância que estava só no tempo. A noção de substância tornou-se mais vaga na metafísica no decorrer dos anos, porém sobreviveu na física porque era inóqua - até a relatividade ser inventada. Um pedaço de matéria, que tomávamos como uma entidade persistente única, é na verdade uma cadeia de entidades, como os objetos aparentemente contínuos em um filme. E não há razão pela qual não possamos dizer o mesmo quanto à mente: o ego persistente parece tão fictício quanto o átomo permanente. Ambos são apenas uma cadeia de eventos que têm certas relações interessantes uns com os outros. A física moderna nos permite dar corpo à sugestão de Mach e de James de que a 'essência' do mundo mental e do mundo físico é a mesma.
RUSSELL, Bertrand, Ensaios céticos: 74
"Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)
Esta sociedade da informação está começando a introduzir essencialmente uma transferência de foco: da força física para o poder da mente, do capital financeiro para o capital intelectual, do homem extrativista para o ser integrado com a natureza.
RIO NETO, Antônio Sales,
Complexidade e transformação organizacional: construindo novas percepções na administração judiciária sob a luz da Nova Ciência. Revista de Doutrina da 4ª Região, Porto Alegre, n. 23 , abr. 2008.
Isso decide:
Toda a fala, toda a ação, todo o comportamento são flutuações da consciência. Toda a vida emerge e é mantida na consciência. O universo inteiro é expressão da consciência. A realidade do universo é um oceano ilimitado de consciência em movimento.
MAHARISHI MAHESH YOG
Veremos, pois, como a moderna Teoria das Cordas se encaixa, a meu ver praticamente impecável, com toda essa realidade outrora invisível, ora emergente pela farta evolução e aplicação tecnológica. Mas antes, já que é fim-de-semana, exercito meu físico junto ao predileto e resistente saco-de-pancadas. Mostrarei seu estado, deplorável, com certeza!
________
Notas
*
A teoria do caos não só fornece uma explicação para as flutuações de uma economia de mercado, mas também demonstra que o Estado não tem o conhecimento necessário para adotar as medidas anticíclicas corretas. Na medida em que é extremamente baixa a probabilidade de se alcançar um estado final desejado em um mundo caótico, é difícil enxergar como o governo poderia especificar uma política para atingir esse objetivo, a não ser por acaso.
ROSSER, J.B. Jr., Chaos Theory and New Keynesian Economics, The Manchester School, Vol. 58, n. 3: 265-291, 1990; cit. PARKER & STACEY: 95


**
A coqueluche desencadeada pela Teoria do Caos se originou no famoso MIT. O meteorologista EdWARD LORENTZ, no início da década de 1960, ao desenvolver um protótipo para computador que simulava variações metereológicas, percebeu que as menores alterações poderiam produzir drásticas conseqüências. Para radicalizar o quadro: bater asas em Chicago pode desencadear uma chuva torrencial em Caracas. A partir daí, o fenômeno passou as ser descrito como 'efeito borboleta'. Cientistas de diversos outros campos, entre eles o destaque ao premiado Nobel de Química Ilya Prigogine, começaram a investigar se havia 'efeitos borboleta' em outros domínios também. E havia.


sexta-feira, 19 de março de 2010

A unidade perdida


No espaço aparentemente vazio há um nexo, uma vida eterna, que une tudo quanto existe no Universo - tanto animado quanto inanimado - uma onda de vida que flui através de tudo o que existe. PARAMAHANSA YOGANDA, Onde Existe Luz.
Pois desde as mais priscas eras o homem sonha conhecer o que seus parcos sentidos não logram divisar. Enquanto raiava o sol oriental, na escuridão do lado de cá, diante da impossibilidade de enxergar a origem de tudo, houve a decisão de separá-la da realidade.
O mundo platônico não é um mundo de unidade, e o abismo que, de diversas formas, resulta dessa bifurcação, surge em inúmeras formas.
KELSEN, H., 2001: 81
O conhecimento fundamental pertenceria exclusivamente ao DEMIURGO*. O primeiro que tentou desvendá-lo, foi expulso do Reino. Uma coisa era Céu, inacessível em vida; e outra, a precária condição humana, "criada à sua imagem e semelhança", mas apenas isso - uma semelhança que precisa ser constantemente lembrada para ser aperfeiçoada ao Perfeito. Contemplar efeitos, e daí inferi-los em matemáticas era tudo que podiam fazer.
Os homens tinham a teoria de que a matéria celestial era fundamentalmente diferente da matéria terrestre e que era natural que os objetos assim caíssem, enquanto era natural que os objetos celestiais, tais como a Lua, permanecessem parados no céu.
BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 20
BACON fora enfático:"A investigação das causas finais é estéril e, como uma virgem consagrada a Deus, não engendra nada." A civilização veio traída justamente pela falta de imaginação.

O dualismo cartesiano, ao criar a bifurcação mente-matéria, observador-observado, sujeiro-objeto, moldou o pensamento ocidental, poucos filósofos discordando dele, cujos mais notórios foram Spinoza e Schopenhauer.
GOTTSCHALL: 189
A sociologia, que pretendeu ser científica ao trabalhar com amostras de população e de acordo com métodos matemáticos, fracassou até no campo da cientificidade. Seus resultados não têm nenhum valor cognitivo ou de prognóstico. Por isso é que estamos numa crise de sociologia.
BRIAN,
D: 28
Ela, e todas mais.

O raciocínio quantitativo tornou-se sinônimo de ciência, e com tal sucesso que a metodologia newtoniana foi transformada na base conceitual de todas as áreas de atividade intelectual, não só científica, como também política, histórica, social e até moral.
GLEISER, M.: 164.
Tudo se resumia no que se podia ver a olho nú, e dessarte medir.

A tradição filosófica do Ocidente, em todo caso desde o século XVII, foi profundamente influenciada pelo desenvolvimento da física matemática e das ciências naturais fundamentadas na experiência, na medição, na pesagem e no cálculo. Tudo quanto não era redutível a grandezas quantificáveis foi, por isso mesmo, considerado vago e confuso, alheio ao conhecimento claro e distinto.
PERELMAN, Chaïm,
Ética e Direito: 672
Era uma forma de tentar reascender, respeitosamente, desta feita sem traição, ao Reino Celestial.
"No começo do século XVII, os matemáticos e astrônomos jesuítas do Collegio Romano eram reconhecidos entre as mais altas autoridades científicas." (FORTI, AUGUSTO, cit. MAYOR: 36)
"Na tradição intelectual do mundo ocidental, o misticismo matemático de Pitágoras transformou-se na ponte entre a razão humana e a inteligência divina." (GLEISER, M., 2010: 51)
Na verdade, quem esticou esta ponte foi PLATÃO, uma ponte totalmente fora de propósito, estendida num plano homogêneo, por tomado truncado. E o que é pior, uma ponte voltada como plataforma de lançamento, por onde se despacharam as milhares de gerações, com destino, de fato, ao Além.

A matemática pura, mais do que qualquer outra disciplina,
tornou-se aquele discurso vivo que Platão considerou
a única forma de conhecimento.

FEYERABEND, P., 1991: 13
"O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético.” (LEONI, B.: 66)
Vero. Especialmente a partir do saudado mentor:
"Newton vai mudando os dados, em suas várias edições sob sua supervisão, de modo a encaixar cada vez melhor a teoria. Físicos contemporâneos demonstraram a manipulação no limite da desonestidade." (LENTIN, J.P., Penso, logo me engano : grandes gênios, pequenas trapaças; Veja: 20/3/1996)
A matemática é um artifício intelectual que permite aos homens explorar possibilidades de manipulação dos objetos. Não é interessante que até mesmo a adição, a subtração, a multiplicação e a divisão, as coisas mais simples da aritmética, sejam chamadas de operações?
ALVES: 60

As operações lavraram imenso buraco-negro, ainda não cicatrizado:
"A natureza toda se transformou em um palco de impulsos e atrações, de dentes e alavancas, de movimentos de partes ou de elementos aos quais eram diretamente aplicadas às fórmulas de movimentos produzidos por bem conhecidas máquinas." (DEWEY: 87)



.
Esse foi campo da manipulação (ou de “concentração”, pelo que tem de sujo e cruel) do tcheco que passa por austríaco, de origem judaica, o renomado SIGMUND FREUD (1856-1939), ao arrepio de DAVID BOHM :
"É urgente que compreendamos o perigo de continuar com o processo de fragmentação do pensamento. Seria como procurar sempre o caminho mais difícil e doloroso para se chegar ao mesmo destino."

É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles.
BOHM, D., Totalidade e ordem implicada: 17
Após impressionante seqüência de catástrofes provocadas por essa farsa ideológico-determinista, felizmente um novo horizonte já pintou há muito. Ainda que persistam ameaças, especialmente nas cercanias daquela região, o trem do desatino já chegou no fim-da-linha.
A situação envolve uma imagem diferente da natureza e, portanto, também da ciência. Não acreditamos mais na imagem do mundo como uma imensa peça de relojoaria. Chegamos ao fim das certezas. Estava implícita na visão clássica da natureza a idéia de que, sob condições bem definidas, um sistema seguiria um curso único e de que uma pequena mudança nos parâmetros produziria igualmente uma pequena mudança nos resultados. Hoje sabemos que isso só é verdade no caso de situações simplificadas e idealizadas.
MAYOR: 12
O pessoal aos poucos vai se acordando.

Tanto o Direito como a Política jamais poderão ser reduzidos aos esquemas axiomáticos-dedutivos, expressos pelas ciências exatas, as quais se caracterizam por conter um elemento interno de coerção, que as torne indiscutíveis - mas sim, com um repertório de topoi, ou seja, certas fórmulas de procura - para usar as palavras de Viehweg, pontos de vistas universalmente aceitos e utilizados, empregados tanto a favor como contra e parecem conduzir a verdade.
FARIA, José Eduardo, Justica e Conflito, Os juizes em face dos novos movimentos sociais: 87.
Veremos quando e como se dá a reintegração do ser humano com ele próprio, e com o sistema da natureza em geral, no próximo approach.
__________
*Para Platão, a ordem e a beleza que vemos no Cosmo resulta de uma intervenção racional, intencional e benigna de um divino artesão, um 'demiurgo' (gr. δημιουργός), que impôs uma ordem matemática a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divinamente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável (Pl. Ti. 26a). A visão platônica da origem do Universo também teve enorme influência na filosofia, especialmente na neoplatônica, no ocultismo e na teologia desde o século -IV até nossos dias. (www.greciantiga.org)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Ao baile da vida

A teoria das cordas proporciona uma mudança profunda e renovadora na nossa maneira de sondar teoricamente as propriedades ultramicroscópicas do universo — mudança essa que, como aos poucos foi se vendo, altera a relatividade geral de Einstein de maneira tal que a torna integralmente compatível com as leis da mecânica quântica. Permite que um esquema harmônico único incorpore ambas as teorias (Relatividade geral e Mecânica quântica) www.guia.heu.nom.br/
teoria_das_cordas.htm

Curiosamente um algoz reconhece:  "Quando a energia passa, a matéria dança".  A ressonância dos filamentos de energia, vibrantes por diversos padrões, como as cordas de um violino, deve-se a Relatividade Geral ampliada além das tres dimensões.
Não quero enfrentar conceitos neste day escape. Deixo as críticas ao largo, mormente a interminável demolição do dogma primordial. Se os melhores mosqueteiros da Ciência e da Filosofia não logram cumprir a façanha, tarefa que se transparece lógica, necessária, mas também elementar, trivial, singela, alvo divisável no prolongamento do braço, mas o qual nem centena de raids consegue extinguir, não seria um apenas denodado espadachim que deceparia o carma tornado Hydra. Enchi.
As sete cabeças produziram os momentos mais terríveis aos nossos antepassados; mesmo assim, muitos se safaram. Mantiveram a serenidade, e usufruíram até mesmo da felicidade, em meio às catástrofes provocadas pelos insanos maestros das bandas ocidentais. Embora o precário conhecimento vigente, e escassas pistas à nossa mercê, não penso que os afortunados tenham logrado o sucesso através de salva-vidas. Náufragos que não sucumbem afogados sóem logo morrer de fome, sede, frio, doença, ou engolidos por algum tubarão à espreita. A ilusão da esperança sem causa é a última que morre, mas tem pouca serventia. O curso do milagre prolonga o calvário. Por certo foi a intuição, o amor ao ser humano, que lhes permitiu le sortie, flagrante nos construtores e moradores das ciências políticas relativistas, cujos pioneiros anteciparam o futuro já no adolescente XVIII. Quando a ética não se fratura, a dialética nada tem a fazer. Nosso cruzeiro se manterá livre por esta Rosa dos Ventos. De resto, não poucos ainda permanecem encantados com aquelas mais antigas metonímias, fetiches e malabarismos verbarrógicos greco-romanos, cujas funções se apresentam justamente contrárias ao apregoado.
Grande parte da moderna sociologia, da pedagogia e toda a psicologia da pessoa derivam desta linha de pensamento, assim como nossa violência característica do século XX, uma reação natural diante de tamanha impotência. Foi igualmente afetada nossa atitude em relação à natureza e ao mundo material. Se nossa mente, nosso consciente é totalmente diferente de nosso ser material, como argumentou Descartes, e se a consciência não tem nenhum papel a desempenhar no Universo, como sugere a física de Newton, que relacionamento podemos ter com a natureza ou com a matéria? Somos alienígenas num mundo alienígena, situados à parte dele e em oposição a ele, nosso ambiente material. ZOHAR, DANAH: 191
.
É uma questão que atualmente deve ser reconsiderada, tendo em vista que a fragmentação já se espalhou completamente, não apenas na sociedade, mas especialmente em cada indivído; e isso conduz a um tipo de confusão generalizada da mente, que por sua vez cria uma série infinita de problemas, interferindo com a nossa clareza de percepção de maneira tão grave a ponto de bloquear nossa capacidade de resolver a maioria deles. BOHM, D., Totalidade e ordem implicada: 17
O ser humano é parte do todo, chamado Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experimenta seus pensamentos e sentimentos como algo separado do restante - numa espécie de ilusão ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma espécie de prisão para nós, e nos restringe às nossas decisões pessoais e aos afetos por algumas pessoas mais próximas de nós. EINSTEIN, Albert, cit. LASZLO, Ervin, A Ciência e o Campo Akáshico: 56
Nem por isso me parece confortável a mais perfeita realidade pintada pelos gateados. LAO-TZÈ bendisse: "Pela não-ação tudo pode ser feito". Neste caso não precisamos sequer existir. De que vale nosso corpo, se inerte? Por qual razão somos dotados de mãos, pernas, estômago e desejos, se nada nos resta a fazer, exceto boiarmos na imensidão do cosmos para simplesmente ser conduzido sei lá para onde, ao gosto do TAO?
A cultura milenar, todavia, oferece uma concepção que se encaixa não só no entendimento da quântica, e mesmo do eletromagnetismo, como realça a importância de se ver a integração em polos aparentemente contraditórios. Assim como os chineses não encaram dia e noite, sombra e luz como paradoxais, mas sim complementares, a máxima disposta em yin e yang, pelo mesmo princípio aquilatamos o grave erro de cingir o homem, o equívoco ótico que levou ao conceitos de corpo e alma, aquele mundano, esta divina.
É necessário que a ciência mostre por fim sua utilidade!
Ela se tornou nutricionista a serviço do egoísmo: o Estado e a
sociedade a tomaram a seu serviço para explorá-la segundo seus fins.

NIETZSCHE, F., O livro do filósofo: 30
Tanto quanto aquele importante detalhe, mais fruto de postura, não propriamente da ciência, da filosofia chinesa, praticamente vedada ao ocidente até poucos anos atrás, as nossas próprias receitas igualmente foram por demais empíricas, parciais, portanto incompletas, muito difusas, tênues, por demais abstratas para produzirem algum efeito de luz na premência de nossa jornada. Mas contamos com magnífico intrumental tecnológico e mesmo alguns mapas epistemológicos, facilidades sequer sonhadas pelo mais felizardo daqueles antigos viandantes.
O presente em expansão é maior do que o limitado passado. Nosso EspaçoTempo obviamente é o mais indicado para escoar as milenares vicissitudes; e em contrapartida, receber e usufruir pertinentes sopros.
A própria respiração - os contínuos, complementares atos de expiração e inspiração - produz a energia vital, garantidora de nossa sobrevivência. O equilíbrio de sua equalização constitui seu fundamento, singelo segredo perfeitamente realizável. Jogar fora as traças, a profilaxia ao novo amanhã se faz mister, mas não resume a realização. Per se tal ato não tem sentido se não for complementado pelo advento final. Por qual motivo expiaríamos os pecados se não fosse para dar espaço à virtude?
Pois os pecados estão por demais expiados. Espiemos, pois, as virtudes que nos sobraram, em combinação com a fartura cósmica, manancial inesgotável de energia e satisfação, e inalcançável pela mais drástica poluição que se produza. A Orquestra do Universo, sem maestria por perfeita em sua própria imperfeição, fato que propicia e determina a natureza evolutiva, encarrega-se dos acordes à dança que compreendamos mais compatível com nossas aspirações, cada qual com o passo que lhe aprouver, escolhido no multicompasso que ela oferece.
Se todas as partes do universo são solidárias numa certa medida, um fenômeno qualquer não será o efeito de uma causa única, mas a resultante de causas infinitamente numerosas; ele é, como se diz com freqüência, a conseqüência do estado do universo um momento antes.
POINCARÉ, H., : 36
Afinal, se tudo fosse tão calibrado, ordenado, codificado, ou planejado de modo que nada precisasse mudar, o próprio tempo nem teria razão de existir. Dizem que vale a pena o baile da vida.
A busca de segurança é uma ilusão. Para a tradicional sabedoria ancestral, a solução deste dilema está na sabedoria da insegurança, ou na sabedoria da incerteza. Isso quer dizer que a busca de segurança e de certeza é na verdade, um apego ao conhecido. E o que é ele, afinal? O conhecido é nosso passado. O conhecido nada mais é que a prisão dos velhos condicionamentos. Não há nenhuma evolução nisso - absolutamente nenhuma. E quando não há evolução, há estagnação, desordem, ruína.
CHOPRA, Deepak, As Sete Leis Espirituais do Sucesso: 77
À maravilhosa experiência, mister a consciência ouvir e interagir, para o corpo, feliz, usufruir. O ser humano de fato é apenas uma configuração em waveform, .uma perturbação ondulatória no infinito mar da energia primordial, e que portanto nada lhe é definitivo, tudo se faz em movimento, pelo qual ele se sujeita a ser ator, mas também se impondo como o próprio autor.
"A ciência está passando por uma mudança radical de paradigma. Em vez de pensar na matéria como base da existência, sabemos atualmente que a base de tudo é a consciência - e é isso que leva à causação descendente." (GOSWAMI, Amit, Rev. Planeta, dezembro de 2007)
É a informação - a informação como um fator real e efetivo que estabeleceu os parâmetros do universo em seu nascimento, e, portanto, governou a evolução de seus elementos básicos em sistemas complexos.
LASZLO, Erwin: 21
Cabe-nos identificar as invisíveis, porém sensíveis ondas, e então sintonizarmo-nos com as freqüências que nos parecem mais aprazíveis.
O choque, a ação de um átomo sobre o outro, pressupõe também a sensação. Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro. Se tudo possui uma sensação, teremos uma confusão de centros de sensações muito pequenos, maiores e muito grandes. Esses complexos de sensações, maiores ou menores, deve ser chamados 'vontades'.
NIETZSCHE, Friedrich, O livro do filósofo: 45
Ainda faremos uma rápida escala, para em seguida mudarmos a orientação de nosso precário Hubble. Em vez de apenas rastrear o passado, no afã de reestabelecer o fio-de-Ariadne, e assim por constância ficar à deriva, tornaremos na direção das milhares de linhas e acordes que jorram na proa de nosso próprio EspaçoTempo. Eles são infinitamente mais abundantes e apropriados não só para ALLmirantes, como a qualquer outro passageiro, ventura que o ralo apreciado à popa pelo almirante de plantão o torna incapaz de vislumbrar.
Depois do pit-stop, o cruzeiro deixará o Mar da Agonia pelo esplendor do Harmonia. Podem soltar seus cintos, e os salva-vidas.
_________

terça-feira, 16 de março de 2010

A calamidade do Estado

Mas o Estado mente em todas as línguas do bem e do mal, e em tudo quanto diz mente, tudo quanto tem roubou-o. Além onde acaba o Estado começa o homem que não é supérfluo.
NIETZSCHE, F., Assim falava Zaratustra: 38

O estado deseja, antes de tudo,
fazer-nos sentir que somos incompetentes.
CHOMSKY, Noam

Apreciei obras de LOCKE, MONTESQUIEU, ADAM SMITH, TOCQUEVILLE, BAKUNIN, ROSSELI, entre vários outros;
também as de
SPINOZA, PAINE, KELSEN, POPPER, BERGSON, BOBBIO, ORTEGA Y GASSET, de certo modo até de MARX, por vislumbrar além-fronteira..
E NIETZSCHE. Embora utilizado para alavancar os germânicos ao rumo do precipício, o irmão de ELIZABETH estava mais perto do marxismo do que do nacionalismo apregoado. ZARATUSTRA não teve meias palavras para designar o Estado como um ente abjeto, vil por todos os meandros, só comparável à perfídia religiosa. Curiosamente a genuína contundência levou à desconfiança dos propósitos, a presumir insanidade. Ficou apenas o fragilizado registro, e depois até subvertido. BISMARCK arregimentou o II Reich para retaliar os descendentes de NAPOLEÃO. Milhares de famílias dos operários que acreditaram no intuito assistencialista e marcharam felizes aos campos talados de canhões, receberam as homenagens e reconhecimento com alguma pensão compensatória ao infausto provocado.
EINSTEIN (cit. ALMEIDA, M. O., A Ação Humana e Social de Einstein: 65; TRATTNER: 75) fez questão de protestar:
Para mim, o elemento precioso nas engrenagens da humanidade não é o Estado, é o indivíduo, criador e sensível, a personalidade; é só ela que cria o nobre e o sublime, enquanto a massa permanece estúpida de pensamento e estreita nos sentimentos.
Tampouco foi de alguma serventia o estardalhaço de SPENGLER, ao vaticinar o Declínio do Ocidente no clamor dos distúrbios berlinenses que antecederam o nazismo. A resposta foi a enxurrada de reiches - nazistas, fascistas, soviéticos, socialistas e tudo o mais.
A multidão, de repente, tornou-se visível, e instalou-se nos lugares preferentes da sociedade. Antes, se existia, passava inadvertida, ocupava o fundo do cenário social; agora adiantou-se até às gambiarras, ela é o personagem principal. Já não há protagonistas: só há coro.
ORTEGA Y GASSET, A rebelião das massas: 20
Nos planaltos da Economia, concordei plenamente com as disposições da escola austríaca, mas de resto os economistas sóem reservar ao Estado a prerrogativa da organização social, além da territorial-administrativa, e policialesca. Na ótica platônico-hobbesiana, revigorada pelo pragmatismo de ROUSSEAU e pela confusão de MARX, remonta ao Leviathan a defesa e promoção da vontade do povo, como se ele, povo, pudesse ter uma vontade apenas, em vez dos peculiares desejos de cada uma das milhões de cabeças que o compõe. Mas a ideologia reza que eles podem ser enfeixados em torno da maior importância, e assim logra seu êxito. Eis o maior mito pelo qual padece a civilização.
A democracia fala de um governo comandado pelo povo e sujeito às suas leis; na realidade, entretanto, os regimes democráticos são dominados por elites que planejam maneiras de moldar e dobrar a lei a seu favor.
PIPES, R.:251
.
Ou na mais antiga percepção:
"A verdade é que não só nos países autocráticos, como naqueles supostamente mais livres - como a Inglaterra, a América, a França e outros - as leis não foram feitas para atender a vontade da maioria, mas sim a vontade daqueles que detêm o poder."
(TOLSTÓI, Leon, A escravidão de nosso tempo, 1900, cit. WOODCOCK, G.:106)
O princípio da maioria democrática chancela o igualitarismo, fenômeno paradoxal à Ética e mesmo ao Estado de Direito:
"A idéia de igualdade é contrariada por diversidades de dois tipos distintos: 1) a heterogeneidade básica dos seres humanos e 2) a multiplicidade de variáveis em cujos termos a igualdade pode ser julgada." (SEN, Amartya, 2001: 29)
A capacidade de avaliar e respeitar essas complexidades, peculiaridades, é o que menos vem ao caso. Dessarte o precioso zenith da democracia se faz turvado no berço, no prevalecimento da força numérica sobre o singular. Tudo repousa no singelo preconceito: vox populi vox dei, a ilusão de que “há mais cultura e mais sabedoria em muitos homens reunidos do que num só”, exceto em raríssimos casos, estes circunscritos aos cientistas. O Direito assim é docilmente envergado - não depende de qualificação, de sapiência, de reflexão, mesmo de cientificidade, até de viabilidade fática, de preservar algum costume ou tradição. O número é suficiente para superar qualquer letra, ou presunção.
As repúblicas existem em grande número nos jovens civis que acreditam que as leis fazem a cidade. Para eles, graves modificações da política, dos modos de vida e trabalho da população, do comércio, da educação e da religião podem ser feitas e desfeitas por meio do voto. Acham que, desde que se obtenham as vozes necessárias para torná-la lei, qualquer medida, mesmo absurda, pode ser imposta às pessoas. Mas o sábio entende que a legislação tola é como um nó de areia que se desmancha ao ser feito. Entende que o Estado deve seguir, não liderar o caráter e o progresso do cidadão, e que a forma de governo que prevalece expressa o refinamento cultural da população que a permite. A lei é apenas um memorando.
EMERSON, Ralph Waldo, Politics

DEAN RAPPARD chamou a atenção à faina por justiça, cacoete disseminado que enseja o gigantismo estatal:

O eleitor britânico, por exemplo, apóia a taxação confiscatória das altas rendas basicamente na esperança que isto irá se reverter em vantagens materiais, ou na certeza de que isto tende a reduzir indesejadas e irritantes desigualdades sociais? No geral, a ânsia por igualdade em nossas democracias modernas não é frequentemente mais forte do que o desejo de aumentar a própria fortuna material? Tanto quanto é impossível estabelecer parâmetros à noção de Justiça, ou brecar o crescimento da criança, não há como limitar o poder do Estado.
RUSSELL (Ensaios céticos: 121) já oferecera mordazes críticas ao método eleitoral e a representação daí proveniente:

Uma das peculiaridades do mundo de língua inglesa é seu imenso interesse e crença nos partidos políticos. Uma grande percentagem de seus habitantes acredita realmente que todos os males dos quais padecem seriam curados se um determinado partido político estivesse no poder. Esta é a razão do balanço do pêndulo. Um homem vota em um partido e permanece infeliz; ele conclui que era o outro partido que traria um período de felicidade e prosperidade. No momento em que estivesse desencantado com todos os partidos, já seria idoso à beira da morte. Seus filhos teriam a mesma crença na juventude e a oscilação contínua.
Dono de peso, alcance e força incomensuráveis, o panzer jurássico tomado pela politicalha vencedora ao simples rodar esmaga, sem-cerimônia, qualquer formigueiro:
Quanto mais os poderes coercitivos do Estado são expandidos além dos limites apreciados pelos teóricos do laissez-faire, maior o poder e a riqueza que se acumulam para a casta dominante que opera o aparato estatal. Conseqüentemente, a casta dominante, ansiosa por maximizar seu poder e sua riqueza, irá expandir o poder do Estado e irá encontrar apenas uma oposição pífia, dada a legitimidade que ele e os seus aliados intelectuais estão ganhando, e dada a falta de qualquer canal institucional de livre-mercado de resistência ao monopólio governamental de coerção e de tomada de decisão final.
ROTHBARD, Murray, A ética da liberdade, cap. 23:
As contradições inerentes do Estado
"Um monopolista não tem incentivos para melhorar a qualidade de seus serviços nem para reduzir seus preços, pois não tem competidores." (BOTER, Albert Esplugas, É viável o anarcocapitalismo? 16/3/2010)
Cada ponto do planeta é dominado por uma organização estatal, na prerrogativa exclusiva do exercício compulsório sobre os habitantes. Obtemos a mistura da tolice com a estupidez:
"Não é a timidez - ou mesmo a ausência - do governo o que permite que a violência prolifere em bairros pobres infestados de traficantes. O que permite esse desvario é justamente o exercício governamental do seu monopólio sobre o uso legítimo da força." ( O problema com as favelas do Rio é o excesso de estado. www.mises.org.br, 16/3/2010)
O que se faz evidente é o conluiu, a repartição da pizza monopolista:
Sempre que penso nas alianças e disputas na política libanesas, me lembro do filme 'O Poderoso Chefão'. Inimigos se tornam aliados, antigos amigos passam a se matar e, após inúmeras baixas, todos se sentam à mesa para definir a nova divisão do poder.
CHACRA, G., Diário do Oriente Médio http://blog.estadao.com.br/blog/chacra
Teimar com o desmanche da arataca, o afã de convencer pela lógica, pela ciência, ou por qualquer apelo humanístico, entretanto, parece não possuir o menor fundamento. Quiçá por isso, até a ciência é tomada como utopia; e a metafísica, sabedoria.
“A guerra significa o Estado no seu mais efetivo crescimento e elevação; significa política.” (SCHELER, Max, cit. POPPER, K., A sociedade aberta e seus inimigos: 78)
De fato, basta passar os olhos nas notícias de hoje para se obter a confirmação do fiel cumprimento desse magnífico ideal.
Em
Common Sense, (The Complete Writings of Thomas Paine, P. Foner, ed. New York: Citadel Press, 1945, vol. 1: 13) TOM PAINE identifica:
Se pudéssemos retirar a cobertura turva da antiguidade e rastrear o princípio de suas origens, não encontramos nada melhor que o principal rufião de alguma quadrilha turbulenta cujos modos selvagens ou a astúcia superior lhe valeram o título de chefe entre os saqueadores e que, ao aumentar seu poder e estender o campo de suas depredações, intimidou as pessoas pacíficas e indefesas a comprar sua salvação em troca de tributos freqüentes. A pele não mudou nem com o tempo.
Tal precisão pode ser bem aquilatada entre nós. O Brasil continua avançando, sobre o dorso e no bolso do cidadão. A evolução da carga tributária brasileira pula de 27,47% em 1997, para 35,84% em 2002 e a 36,2% em 2008, num salto exorbitante de 16 pontos percentuais.
Tanzi foi feliz ao vincular os problemas econômicos aos sociais, resultantes da alta participação do estado e da exorbitante carga tributária. Não há como ignorar que acabem desandando em custos sociais de monta, em que o desemprego é o menor deles. A população fica num estado ebulitivo, pronta a explodir em situações aparentemente normais ou insignificantes, seja no lar, no trânsito, no futebol ou junto a amigos.
PERINGER, Alfredo Marcolin, O impostômetro e o caos social
Assim retroalimentadas as justificativas, amplia-se paulatinamente a produção de leis, decretos, contra-decretos, medidas e desmedidas ações e atuações. Multas, autos-de-infração, processos de toda ordem recaem sobre o povo e a produção. O Direito, outrora balizado pela natureza e pela tradição, vira objeto de esperteza e meio de pungar ainda mais o cidadão. Inventa-se códigos de menor, de mulher, de consumidor, de futebol, de trabalho, de trânsito, de aviação, de comunicações, consolidações, portarias, pacs, proers, promer, etc., fora a esdrúxula constituição, engenharias legitimadoras de veladas intenções, as quais não requerem pudor para violar costumes, vontades, princípios éticos, jurídicos, econômicos, comerciais e filosóficos encerrados por séculos de estudos e hábito social. Não é nosso privilégio. Seja na Venezuela ou na Bolívia, na Argentina, ou Paraguai, até no EUA, França ou Itália, e alhures, onde quiser constatar, a razão de Estado é por demais irracional:
Torna-se communis opinio que quem detém o poder e deve continuamente resguardar-se de inimigos externos e internos tem o direito de mentir, mais precisamente de ‘simular’, isto é, de não fazer aparecer aquilo que existe, e de ‘dissimular’, isto é, de fazer aparecer aquilo que não existe.
BOBBIO, N.: 372
O Estado é desumano; e por isso, imbatível. Cristaliza-se, pois, o enorme dilema:
"Quanto mais as economias mundiais se integram, menos importantes são as economias dos países e mais importantes são as contribuições econômicas dos indivíduos e das empresas particulares." (NAISBITT: 264)
Nesta perspectiva, os problemas de relação entre o homem e o Estado revestem um significado completamente novo. Não se trata mais de saber se a ditadura é preferível à democracia, se o fascismo italiano é superior ou não ao hitlerismo. Uma questão muito mais vital se coloca, então, a nós: o governo político, o Estado, será proveitoso à humanidade e qual é a sua influência sobre o indivíduo?
GOLDMAN, Emma, O Indivíduo na Sociedade .
Como criar organizações que continuem vivas? Como criar organizações que não nos sufoquem com seus ditames de controle e obediência? A resposta é clara e simples. Precisamos confiar no fato de que nós temos a capacidade de organizar a nós mesmos e precisamos criar condições que favoreçam o florescer da auto-organização.
WHETLAY, Kellner-Rogers, Um caminho mais simples: 58
Doravante cogito divagar apenas pelas nuvens,

domingo, 14 de março de 2010

Viagem sem volta

Não tenho dúvidas de que o Brasil evoluiu positivamente ao longo dos últimos 15 anos (...) Se o que realmente importa não são tanto os fatos, mas as versões sobre eles, por vezes muito distintas e conflitantes, segue-se que as versões que tendem a predominar... Afinal, todos aprenderam com Goebbels que uma versão, se mil vezes repetida com convicção e eloquência, pode acabar assumindo foros de verdade. MALAN, Pedro, Ex-Ministro da Fazenda do Governo FHC. Estadao, 14/3/2010
PAUL JOSEPH GOEBBELS, 1897 — 1945 e família
Os personagens mais psicopatas da História são constantemente lembrados, e assim seus métodos também sobrevivem tal qual catequese à glória almejada. Na faina de obter semelhante êxito, o incauto olvida o inexorável: copiando o original, seu sucesso se constituirá em prelúdio de lamentável desfecho.
Se há alguém com direito a mentir,
este só pode ser o governante da cidade;
mais nenhum outro deve gozar desse privilégio.

PLATÃO, cit. PEREIRA,
J.C.: 153
Ah tá. Maior êxito, evolução mais espetacular do que a espartana Alemanha dos 30 ninguém tinha visto. No caso, por incrível que pareça, a propaganda nem era assim tão falsa:
"O New Deal de Hitler era muito mais coerente do que o de Roosevelt e muito mais bem-sucedido quanto a acabar com o desemprego." (SKIDELSKI, R.: 118)
Vimos o epílogo da façanha; em especial, o fim do sempre admirado Propagandaminister. Depois dos quinze anos coincidentes com a cifra mencionada pelo amoral ex-ministro brasileiro*, sob cuja batuta ocorreu O maior golpe do mundo, o nazista viu seus filhinhos covardemente envenenados pela mãe, enquanto dormiam. Em lapso o distinto casal se suicidou, assim como uma leva daqueles gênios políticos.
* * *
"Platão, sonhando com uma retórica digna do filósofo, queria que os discursos deste pudessem convencer os próprios deuses”. (Fedro, 273e, cit. PERELMAN, C.: 536)
Convencido pelo carma, DIONISO, o Tirano de Siracusa, foi o primeiro a perder seu reduto, e a própria vida. E posso listar uma centena de astros que se extinguiram no buraco-negro por eles próprios criados, quase todos sucumbindo graças ao fictício farol grego, ainda mais elevado pelo retransmissor florentino.

A humanidade em geral sente-se inclinada a pôr os pés sobre as pegadas e imitar as ações dos outros. Um homem inteligente deve sempre seguir no rastro desses ilustres personagens cujas ações são dignas de serem imitadas: assim, se não puder igualá-las, pelo menos, em certa medida, assemelhar-se-á a elas.
MAQUIAVEL, N., O Príncipe-
Como luz à mariposa, eles atraem às suas órbitas desmedidos ambiciosos, até a queda fatal.
A fim de melhor compreender a arte da propaganda, Hitler estudou as técnicas propagandistas dos marxistas, a organização e os métodos da Igreja Católica, a propaganda britânica da Primeira Guerra Mundial, a publicidade norte-americana e a psicologia freudiana.
DOWNS: 147
Jamais cogitam os virtuais náufragos que a cada virtude e a cada trapaça a natureza oferece precisamente a recompensa ou o castigo mais adequado para encorajar aquela, e refrear a outra. No episódio nazista ela pareceu não ter atuado; mas a fuga de seus melhores cientistas, as heróicas resistências de britânicos e franceses, o traiçoeiro ataque japonês sobre o colosso, o tenebroso inverno russo, e as condições atmosféricas do Dia D decidiram a sorte do III Reich.
E são mesmo filósofos, e cientistas, e padres, e falsos empresários, e políticos que modernizam a ponte ao infortúnio, pressupondo que eles próprios estejam isentos, que não serão puxados pelo tremendo vácuo da lacuna propiciada.

A "evolução" do Brasil.
Torna-se communis opinio que quem detém o poder e deve continuamente resguardar-se de inimigos externos e internos tem o direito de mentir, mais precisamente de ‘simular’, isto é, de não fazer aparecer aquilo que existe, e de ‘dissimular’, isto é, de fazer aparecer aquilo que não existe.
BOBBIO, N.: 372
Ah tá. E o maquiavélico ainda se rejubila:

A política é a arte da repetição', disse Fernando Henrique Cardoso repetidas vezes. Como todo bom político de palanque, Lula domina essa técnica e, mudando a roupagem, vende sempre a mesma mensagem, com eficiência.
TOLEDO, J.R., Estadão, 15/3/2010
O bom de palanque pode estar sendo sendo instruído pelos sobrinhos do capitão:

Os homens do FHC são os homens do Lula. Geddel é um caso típico, era o homem de mais absoluta confiança do FHC e hoje é o homem do Lula. Não existe diferenças entre ex e atual presidente. Nada é mais igual que o PSDB do Fernando Henrique e o PT do Lula no governo.
SIMON, Senador Pedro, Terra Magazine, 16/2/2009..

O fator que talvez mais tenha agravado a situação do setor privado no governo FHC foi a combinação entre juros altos, déficits orçamentários e gastos em constante crescimento. Além de os juros altos do governo FHC terem privado as pessoas do consumo presente, o governo - com seus déficits e gastos crescentes - ainda as impedia de colher os benefícios futuros dessa poupança, inibindo investimento, e impossibilitando uma maior abundância de bens e serviços futuros. Tendo herdado um estado paquidérmico, Lula nem precisou pôr em prática a cartilha que o PT sempre pregou: o homem da Sorbonne já havia feito todo o serviço, dando um chapeu em seu colega ideológico.
Leandro Roque As falácias sobre o PIB brasileiro (revisado e atualizado),
www.mises.org.br, 15/3/2010

No terreno macroeconômico, o governo petista preservou as linhas mestras traçadas por Fernando Henrique Cardoso...
Para o ex-procurador e atual conselheiro da CNC, o governo Lula avança perigosamente pelo caminho do constrangimento inconstitucional ao contribuinte, tratando-o como inimigo da República... No campo das políticas educacionais, prevalece o norte das decisões ideológicas tomadas à luz do gramscismo tupiniquim.
RODRIGUÉZ, R.V., GRAMSCISMO E LULOPETISMO EM AÇÃO
Pois desde o mestre FHC pagamos pela gasolina o preço mais caro do mundo; a taxa-de-juros mais agiota do mundo; a carga tributária desde então a mais pesada do mundo, pulando ela ainda de 27,47% do PIB de 1997, para 35,84% em 2002, e a 36,2% em 2008, num salto exorbitante de 16 pontos percentuais, e continua ascendente:

A arrecadação federal registrou um novo recorde para os meses de abril. Foram R$ 70,9 bilhões de impostos, contribuições federais e demais receitas como os royalties. Segundo a Receita Federal, na comparação com o mesmo mês de 2009, o crescimento da arrecadação foi de 16,7%. Até agora, em 2010, foram arrecadados R$ 256,88 bilhões em impostos.
www.claudiohumberto.com.br, 19/5/2010
Outrossim, mantemos a maior burocracia do mundo; o maior número de canais de tvs e concessões de rádio isentas de impostos, porque à serviço de uma cínica pregação evangélica; a maior promiscuidade entre os três poderes; e muito mais - milhões de reais jogados no ladrão, entregues à companheirada do exterior, a rigor uma traição à Pátria sem precedentes. E o pior é tudo encontrar respaldo e participaçao de lideranças que se põem empresariais, mas que apenas gravitam em torno de benesses oficiais.
No mundo empresarial há três tipos marcadamente diferenciados de personalidades: aqueles que aderem incondicionalmente aos poderosos do dia, aqueles que recusam qualquer adesão e tentam viver sua vida ao largo da política e aqueles que são pragmáticos, fazem negócios com os poderosos mas mantêm o discernimento sobre o que está acontecendo no poder. No primeiro grupo identifico todos os grupos monopolistas ou oligopolistas que dependem do poder como os pulmões do ar para manter seus negócios e sua riqueza. O setor bancário será talvez o maior deles, seguido pelo de Telecom. Mas nesse comboio hoje em dia está praticamente toda a plutocracia nacional, uma vez que todos, de uma maneira ou de outra, são os sócios grandes do Tesouro Nacional. São os grandes beneficiários dos elevados impostos que são cobrados no país, ao lado dos funcionários públicos e dos aposentados.
NIVALDO CORDEIRO: um espectador engajado
, 14/3/2010
O Instituto Brasileiro do Consumidor (Brasilcom) iniciou nesta terça (18) o X Congresso Brasileiro de Direito do Consumidor, em Florianópolis. Até o dia 21 de maio, representantes e estudiosos do Código de Defesa do Consumidor (CDC) se reunirão para discutirem sobre o consumo sustentável, inovações do Código Civil incidentes no CDC e sobre os direitos dos clientes de telecomunicações.
www.claudiohumberto.com.br, 18/5/1010
Muito mais do que o vice-campeão, e do mais imprescindível segmento à produção, porque em país paupérrimo o financiamento assume verdadeira importância capital, não poucas "empresas" privadas tem direito à chapas-brancas, em distribuição proporcional às quantias auferidas diretamente, de modo pessoal, sob a rubrica de "investimentos de campanhas", pelos candidatos à Presidência. Suborno antecipado. Só isso!
Quase todos os meios de comunicação são aquinhoados com inéditas verbas publicitárias, mensalões para sempre cuidarem de divulgar números condizentes com a essencial popularidade, ou então calarem-se. Esbaldam-se empreiteiras, montadoras de veículos, seguradoras, e incontáveis instituições corporativas, com destaque a milhares de sindicatos, esses que até de patrão existe!
A "máquina pública" está completamente exaurida por apodrecimento:

Embora pouco comentada pela mídia, a evolução da Dívida Pública Bruta do governo brasileiro tem sido inquietante. Para se ter uma ideia, em dezembro de 2006, a Dívida Pública Bruta era de 55% do PIB. No terceiro trimestre de 2009, ela já havia pulado para 66,5% do PIB. Prevê-se que em 2010 o valor supere os 70%.
Thorsten Polleit , 12/3/2010

A Polícia Federal investiga 29.839 crimes contra a administração pública, aponta relatório da corporação enviado ao Ministério da Justiça e à Casa Civil. Os delitos detectados são corrupção, peculato, tráfico de influência, fraudes em licitações, emprego irregular de verbas públicas, prevaricação e concussão (extorsão praticada por funcionário público).
Estadão,
14/3/2010
A Nação padece como nunca antes na "história deste país":
Com aproximadamente 48 mil mortes por ano, o Brasil é um dos países que detém uma das maiores taxas de homicídios no mundo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston.
Folha de São Paulo
, 15/9/2008
E sabe o que o cara se pretende? Uma cadeira no Conselho de Segurança das Nações Unidas! Como tipificar tão formoso intento? O pior é que temos que nos preparar para o pior:
É com muita tristeza que vejo hoje o conteúdo programático do que se ensina nas escolas brasileiras à juventude. Propaganda socialista da pior espécie. E foi no governo FHC que esse veneno ganhou corpo. Desde o berço as nossas crianças estão programadas para serem militantes 'progressistas' e FHC é o responsável direto pelo que está ocorrendo há pelo menos uma geração. O PT e Lula apenas levaram às últimas conseqüências essa pedagogia do revolucionário. Nossas escolas não formam cidadãos, mas imbecis. NIVALDO CORDEIRO O DESALENTO DE FHC, 06/04/2008

Quando jovens e famílias nacionais falam em deixar o país, é porque estão enojados de assistir à mesmice dos velhos truques de políticos carreiristas. CARDOSO, Júlio Cesar, O povo brasileiro está cansado da velha política, O Globo, 7/3/2009

Em que ponto, exatamente, aquela Exa. vê "evolução positiva no Brasil dos últimos 15 anos"? De que adianta ao vendedor empurrar uma escada à ilusão se ele próprio, depois de ver todas as desgraças, e até se jactar pela façanha, se ela mesmo lhe cairá na cabeça? O viandante será tragado pela própria genialidade que propôs..
___________
.
.
Notas

* Contando, ninguém acredita. Uma montanha de cinco mil páginas contendo os documentos originais do maior escândalo do sistema financeiro brasileiro, a quebra do Banco Nacional, sumiu durante 20 dias nas barbas daquele que deveria dar o exemplo de responsabilidade ao mercado, o Banco Central. Rumores sobre desaparecimento do dossiê do Banco Nacional já circulavam entre os funcionários do BC duas semanas antes do anúncio oficial do sumiço.
Revista Isto É Dinheiro - 29/9/2009


* Malan deu provas de grande competência nas privatizações, no na cobertura do rombo dos bancos, e finalmente no engavetamento do processo sobre improbibade no qual figurou como réu juntamente com Gustavo Franco e Pedro Parente. (Estadão, especial, em 13/7/2008.)

* Ninguém menos do que DANIEL DANTAS negociou a solução para o Banco Econômico, em conjunto com
PEDRO MALAN, Min. da Fazenda, e GUSTAVO LOYOLA, presidente do Banco Central.

* Os recursos referentes aos processos do Proer foram parar, por sorteio, na mesa de Gilmar Mendes. De saída, ele concedeu uma liminar, sustando a condenação que havia sido imposta a Serra, Malan e Parente até que o processo fosse julgado no mérito, em termos definitivos.


* Na véspera de assumir a cadeira de presidente do STF, o ministro Gilmar Mendes julgou um processo que repousava sobre sua mesa havia mais de dois anos. A causa envolvia duas ações judiciais contra ex-ministros do governo FHC. Entre eles José Serra (Planejamento e Saúde), Pedro Malan (Fazenda) e Pedro Parente (Casa Civil).Gilmar Mendes, ele próprio um ex-ministro da gestão tucana (Advocacia-Geral da União), mandou ao arquivo o par de ações que pesavam sobre os ombros dos ex-colegas de governo. Escorou-se num precedente aberto noutra sentença do Supremo. Sentença da lavra de Nelson Jobim, outro ex-ministro de FHC (Justiça), que passou pelo STF antes de assumir, sob Lula, o ministério da Defesa.
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/
, 29/04/2008

* Segundo Gilmar Mendes, em se tratando de ministros de Estado, 'é necessário enfatizar que os efeitos de tais sanções em muito ultrapassam o interesse individual dos ministros envolvidos'. Nesse sentido, ele chamou atenção para o valor da condenação imposta aos ex-ministros e ex-dirigentes do BC pelo juiz da 20ª Vara Federal do DF, de quase R$ 3 bilhões, salientando que este valor, 'dividido entre os 10 réus, faz presumir condenação individual de quase R$ 300 milhões'. Segundo ele, 'estes dados, por si mesmos, demonstram o absurdo do que se está a discutir'.
Revista Consultor Jurídico, 29 de abril de 2008