quinta-feira, 8 de abril de 2010

A contestação da Teoria de Tudo


A Teoria de Cordas (ou Supercordas) unifica a descricão das interacões fundamentais. Em particular, acredita-se que ela representa um caminho para a descrição quântica da interacão gravitacional, possibilitando uma conciliação entre a Mecânica Quântica e a Relatividade Geral.  Na teoria de cordas as partículas elementares correspondem a diferentes formas de vibracão de cordas que se propagam no espaço. A interação entre partículas corresponde à interação entre cordas. http://omnis.if.ufrj.br/~braga/cordas
No afã de encontrar a Resposta pela construção de uma teoria unificada da Física, muitos cavaleiros dessa demanda laico-sagrada ultrapassaram as fronteiras da ciência e (re) ingressaram na fecunda criatividade do mito, da literatura e do misticismo religioso, como é o caso de Hoyle, de Capra, de Bohm, de Hawking e de muitos outros. VOGT, C., www.comciencia.br - 10/04/2001

Como uma criança que recebe o presente de Natal tão sonhado, mas não consegue fazê-lo funcionar porque não leu todo o manual de instruções, assim também os físicos de hoje têm nas mãos algo que pode ser o Santo Graal da ciência moderna, mas não conseguem utilizar plenamente seu poder de previsão porque ainda não acabaram de escrever o manual de instruções. GREENE, B., 235

A ciência, por outras palavras, é um sistema de relações. Portanto, só nas relações se deve procurar a objectividade:seria inútil procurá-las nos seres considerados isoladamente uns dos outros. HENRY POINCARÉ
A mais moderna e fascinante tese científica identifica o Universo movimentado por SuperCordas. Querem-na, entretanto, provada.
Sobre isto, Newton foi bastante claro: tudo que não é deduzido dos fenômenos deve ser chamado de hipótese; e as hipóteses, sejam as metafísicas ou físicas, digam respeito às qualidades ocultas ou às mecânicas, não têm lugar na filosofia experimental. THUILLER, P.:69
O curioso é que todo o sistema de Newton é baseado em duas hipóteses, ambas metafísicas, porém uma, por calculável, ganhou título de física. A chaga é bipolar:
No campo epistemológico, o positivismo é filho da lógica newtoniana. Ele estabelece para a ciência a intolerância teórica das disciplinas exatas da época, excluindo do campo da legitimidade científica tudo aquilo que não poderia ser conservado e verificado de acordo com o princípio platônico de separação radical sujeito-objeto. CIRO MARCONDES FILHO, www.eca.usp.br
No primeiro quarto do XX  ainda ecoava a presunção: “Não pode haver significado nas declarações referentes a uma suposta teoria atômica, já que não temos meios de verificar diretamente a existência de átomos e moléculas.” (OSWALD, W., cit. COVENEY, P. e HIGHFIELD, R.: 57)  Na geracao pòsterior, Hiroshima e Nagasaki foram sacrificadas.
As teorias de Newton lançaram-nos em um curso que desembocou no materialismo que ora domina a cultura ocidental. Esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. BERMAN, MORRIS, cit. GOSWAMI: 31
Não há quem não pense em Terra, Universo, sem cogitar a postulação primaz, esta sim, pior ainda, posto sequer a menor evidência, ou,  pelo menos, alguma coerência. Ou DEUS tudo fez, ou não.
Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência; mas fala que ela não faz mal, só bem. O mal para Platão é apenas a ignorância do bem, e ele procura demonstrar que o mal inexiste, e ninguém opta por ele de forma voluntária.
Cientistas sabem que o Paraíso é ficção; mas raro abandona a novela, aperfeiçoada com a alta dose de realismo no drama da Redenção.
Mas não devemos jamais esquecer que uma unificação final está fora de nosso alcance. GLEISER, Marcelo, 2010: 218
Com todo o respeito, a faina pela Ciência não é por crença, nem por descrença. Demanda "laico-sagrada", tal qual utiliza o respeitável  acadêmico de Campinas é  neologismo desproposital. Nenhuma ciência se ocupa do laico, muito menos de sagrado. A chaga bipolar é propriedade ocidental, enquanto a ciência tem amplitude universal. O conhecimento não se perde em ideais, mas tampouco se resigna. Já chega suportar a matemática, nada mais que projeção.
A viciosidade peculiar do racionalismo é que ele destrói o próprio conhecimento que possivelmente viria salvá-lo de si próprio, ou seja, o conhecimento concreto ou tradicional. O racionalismo serve apenas para aprofundar a inexperiência a partir do qual ele foi originalmente gerado. FRANCO, P., cit. GIDDENS, A.: 39.
A maior parte da natureza é muito, muito complicada. Como se poderia descrever uma nuvem? Uma nuvem não é uma esfera. É como uma bola, porém muito irregular. Uma montanha? Uma montanha não é um cone. Se você quer fala de nuvens, de montanhas, de rios, de relâmpagos, a linguagem geométrica aprendida na escola é inadequada.
É o que mais acontece. O fulgurante matemático RIEMANN (1826-1866; cit. MINAZZI: 147) reconheceu:"A linguagem matemática resultava demasiada pobre para captar a experiência.”

A mecânica quântica e a gravidade existem no mundo real e, por isso, existe a teoria da gravitação quântica^desprovida dos algoritmos convencionais. A teoria das supercordas tem as mesmas características. Outrossim, não cabe interpretar espíritos, ainda mais teleguiados na borderline entre o bem e o mal. O cientista pode e deve alimentar hipóteses, ainda que bizarras, e ir à cata das sustentações. É a função que distingue o profissional.
Como muitos cientistas desconsideram a primordial maluquice de PLATÃO, seja mesmo por DESCARTES ou NEWTON, sabem de antemão que não houve nenhum Relojoeiro responsável por tudo. E que, portanto, por ser tão imperfeito, não pode o Universo se manter por uma única batuta. Também acho. Qual razão teria um DEMIÚRGO para compor uma coisa tão complexa, e até paradoxal? Quantas espécies de vida podem ser contabilizadas? E de estrelas, e buracos-negros, e cometas, e planetas, e outros astros, para quê tudo isso? Mas é admirável que primeiramente tenha que se discutir Sua presença, ou não. Se não há um DEUS, nem por isso significa que não haja motivo, e que o Universo não necessite de processo. E se ninguém se ativer numa especificidade, que arrume uma. Por certo não pode haver uma vida mais insólita do que desprovida de sentido. Livres do Carma podemos mergulhar nesse oceano de possibilidades infinitas, nelas incluindo os desastres, conquanto identificações amenizam sua ascendência, como também as felizes sincronicidades. Na falta de uma melhor designação, intitula-se Teoria das Cordas, o que per se já é um alívio, por não encaixar nenhum prefixo grego, tampouco latino.
Einstein insinua que a ciência se deve ocupar, em primeiro lugar, não de noções que, na sua essência, estão marcadas por uma grande carga metafísica, como as de 'força' e 'matéria', mas antes daquilo a que agora chamamos 'intersecções’ no espaço-tempo de linhas do universo. HOLTON, G.: 127
A Teoria das Cordas é refratária a matemática por uma única razão: o Universo simplesmente não conhece números. Nao foi informado sobre cálculos!
A ordem implicada tem sua base no holomovimento, que é vasto, rico, e em um estado de fluxo infindável de envolvimento e desdobramento, cuja maioria das leis é vagamente conhecida, e que pode ser até incogniscível em sua totalidade. Logo, ela não pode ser apreendida como algo sólido, tangível, e estável aos nossos sentidos (ou aos nossos instrumentos). BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 192
Nem se pense em fotografias por algum hubble:
A proposta da teoria é que cordas são ingredientes ultramicroscópicos que formam as partículas que, por sua vez, compõem os átomos. As cordas da teoria das cordas são tão pequenas — elas têm em média o comprimento da distância de Planck — que parecem ser pontos, mesmo quando observadas com os nossos melhores instrumentos. Esta teoria propõe que toda a matéria e todas as forças provém de um único componente básico: cordas oscilantes. www.guia.heu.nom.br/teoria_das_cordas.htm
O que pode ser feito é verificar se em algum plano ela ofende, deforma ou reforma o conhecimento científico. Para mim ela desmonta a Teoria da Evolução, de DARWIN. Mas não reforma o conhecimento da física em geral; pelo contrário, complementa, coordena, e por isso amplia espetacularmente tudo o que foi alcançado até o presente.
A Teoria de Cordas (ou supercordas) é uma teoria que se propõe a unificar a descricão das interacões fundamentais. Em particular, acredita-se que ela representa um caminho para a descrição quântica da interacão gravitacional, possibilitando uma conciliação entre a Mecânica Quântica e a Relatividade Geral. Na teoria de cordas as partículas elementares correspondem a diferentes formas de vibracão de cordas que se propagam no espaço. A interação entre partículas corresponde à interação entre cordas. BRAGA, Nelson Ricardo de Freitashttp://omnis.if.ufrj.br/~braga/cordas
O segundo ponto que cabe avaliar é se algum de seus pressupostos são falseáveis, ou já foram falseáveis. Ou seja, se descoberto qualquer detalhe que inviabilize continuar com jornada. A criança já anda passou pela adolescência, cada vez mais encorpada e acompanhada; no entanto, nenhuma conjectura adversária lhe conseguiu ferir.
Desde sua origem no fim da década de 1960, a teoria das supercordas passou por inúmeras reviravoltas.Em vários momentos ganhou novas interpretações, até se tornar a mais bem-sucedida resposta, até hoje, para um dos maiores desafios da física contemporânea: unificar a teoria da relatividade geral e a mecânica quântica. Agência Fapesp - 24/02/2011
Como é a mais moderna Teoria da Física, a mater, e por não ser ainda refutada, embora salpiquem desconfianças, tomo como verdade.
Nossa penetração no mundo dos átomos, antes vedado aos olhos do homem, é de fato comparável às grandes viagens de descobrimento dos circunavegadores... Essa descoberta, com efeito, gerou uma novíssima base para que se compreenda a estabilidade intrínseca das estruturas atômicas, a qual, em última instância, condiciona as regularidades de todas experiências corriqueiras. BOHR, Niels, Física Atômica e conhecimento humano: 30
A Teoria das Cordas se encaixa com naturalidade em todas as concepções científicas mais modernas de qualquer segmento, inclusive no Direito, se lastreado Natural, na Economia, na Sociologia, na Medicina, e, quem sabe, poderia bem encaixar inclusive na Engenharia. Os geólogos podem encontrar na Teoria um excelente balcão para estender seus mapas.
Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada. A nova regularidade dos fenômenos deu origem a uma nova ciência, que tem o ‘caos’ como tema central e na qual, um dia, deve se enquadrar a teoria das ondas.  WITKOWSKI, Bergè: 275
A Teoria das Cordas explica como simples movimentos localizados se tornam proliferados. A ressonância dos filamentos de energia, vibrantes por diversos padrões, como as cordas de um violino, este instrumento curiosamente preferido de EINSTEIN, deve-se a Relatividade Geral ampliada além das quatro dimensões - altura, direção, tempo e outra. Entidades tocam e são tocadas através do gráviton, a partícula mensageira do campo gravitacional.
Se todas as partes do universo são solidárias numa certa medida, um fenômeno qualquer não será o efeito de uma causa única, mas a resultante de causas infinitamente numerosas; ele é, como se diz com freqüência, a conseqüência do estado do universo um momento antes. POINCARÉ, H., : 36
Diante dos efeitos ondulatórios das cordas ou da gravitacão, a Teoria da Evolução na forma proposta perde seu maior apelo. Talvez aí resida uma forte razão à  resistência - afinal, o que colocar no lugar?  Bem, esta fica para depois, ao encargo dos cockers mais pertinentes. Por enquanto, ouso afirmar: selvageria rima com melodia apenas por causa do sufixo.

. v.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A "Teoria de Tudo" aplicada na Economia

Não um único ideal para todos os homens, mas um ideal diferente para cada homem é o que deve ser alcançado, se possível. RUSSELL, B., Ideais Políticos: 10
O modo de produção dos países é ditado pela ideologia em vigor; entretanto, muito antes de ser política, opinativa, ou meramente uma questão de eleger prioridades, a Economia possui lastro epistemológico. A desconsideração científica acarreta resultado fatalmente inverso ao prometido.
As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável. SKIDELSKY: 140.
Das dezenas de postulações científicas vasculhadas, destaco duas mais fascinantes. De certo modo, ambas possuem o mesmo padrão, e mutuamente se fortalecem. Na falta de uma designação mais específica, a última utiliza a metáfora de supercordas para intitular a noção de um Universo resplandecente por espontânea complementariedade, numa orquestração desprovida de regência. A primeira foi lavrada ainda no XVIII, quando a civilização atingia a centenária maioridade "penal". A concepção social tecida por meio da iniciativa individual contempla todos os princípios da Relatividade e da Quântica; e portanto, coaduna-se perfeitamente com a Teoria da Supercordas, que é a evolução de ambas, ou de todas. A "Teoria de Tudo." ADAM SMITH acreditava que bastaria uma Mão Invisível para desenvolver e equalizar a produção e o consumo, o trabalho e seus frutos, desde que as pessoas fossem livres para agir.
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade. SMITH, A. cit. DOWNS: 56
Em ciências humanas o homem não é apenas objeto mas também o seu sujeito. Por mais plausível ou lógica que ofereça qualquer disposição, o selo cientifico só é alcançado na experiência, e o resultado de um teste empírico à corroboração teórica humanística apenas pode ser obtido após longo período. Somente uma trajetória histórica é capaz de lhe emprestar a valia. Ademais, por de antemão contrariar o determinismo cartesiano-newtoniano em voga, a Mão Invisível teve que aguardar os séculos para ser divisada. E o que nos diz a ciência de ponta?
A ordem implicada tem sua base no holomovimento, que é vasto, rico, e em um estado de fluxo infindável de envolvimento e desdobramento, cuja maioria das leis é vagamente conhecida, e que pode ser até incogniscível em sua totalidade. Logo, ela não pode ser apreendida como algo sólido, tangível, e estável aos nossos sentidos (ou aos nossos instrumentos). BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 192
Já no limiar, entretanto, os efeitos da ação da Mão Invisível se tornaram patentes: os dois países que mais se aproximaram da doutrina escocesa. Imediatamente ambos imprimiram um desenvolvimento muito superior a todos os demais. Onde a teimosia greco-romana prevaleceu, todavia, além de se perderem em questiúnculas de massa, ardilosas dialéticas e tervigersações circunstanciais, oportunistas, o que se vê é o descalabro de corrupção generalizada, cabendo ao próprio mundo pagar o mais alto preço pelo apreço ao carma. Sem provas, SMITH foi de plano desconsiderado pelo mundo afora, em prol do encadeamento puxado pela concepção de um Universo regido por forças conflitantes, rumo que angariou simpatizantes de todas as origens. Num dos vagões da insensatez se alojaram HEGEL, MALTHUS, DARWIN, MARX, e o atrasado KEYNES. O tamanho do barulho logrou ofuscar a eficácia da sutileza humanista.
Para Lukács, o liberalismo – que se inspirava na doutrina econômica clássica; que supunha suficiente a garantia de liberdade jurídico-formal para ação do homo economicus engendrar automaticamente um estado social e cultural de felicidade – foi desmoralizado, na prática, pela intervenção do Estado na vida econômica, pelo contrôle alfandegário, pelo protecionismo e sobretudo pelos monopólios. KONDER, 1980: 80
Pois esses recalcitrantes experimentaram um retrocesso sócio-político-científico da mais alta gravidade, cujo desfecho foram os trágicos desmoronamentos nazi-fascistas, marxistas e comunistas, pela mais singela razão:“Os sinais de informação fornecidos pelo sistema de preços em condições econômicas competitivas não podem ser gerados por autoridades centrais.” (HAYEK, F., 1995: 135/6)
Ainda antes desses mais nefastos episódios protagonizados pela civilização ocidental, a Física se emendava, desconstituindo seu edifício platônico-cartesiano-newtoniano, tanto quanto aquele pioneiro relativista. Embora sequer imaginado na ocasião, SMITH entendia que o sistema spcio-político-econômico poderia se desenvolver naturalmente. RICHARD DAWKINS (p.369) concordaria com o iluminista:  "Ter mais liberdade melhora o potencial das pessoas para cuidar de si mesmas e para influenciar o mundo, questões centrais para o processo do desenvolvimento."

A metáfora da Mão Invisível bem se consagra pelas teorias de Campo, e do Caos, esteios das Supercordas:
A teoria do caos não só fornece uma explicação para as flutuações de uma economia de mercado, mas também demonstra que o Estado não tem o conhecimento necessário para adotar as medidas anticíclicas corretas. Na medida em que é extremamente baixa a probabilidade de se alcançar um estado final desejado em um mundo caótico, é difícil enxergar como o governo poderia especificar uma política para atingir esse objetivo, a não ser por acaso. ROSSER, J.B. Jr., Chaos Theory and New Keynesian Economics, The Manchester School, Vol. 58, n. 3: 265-291, 1990; cit. PARKER & STACEY, : 95
A Riqueza das Nações depende da observância aos princípios da Relatividade, da Quântica, e do  potencial atômico que daí advém, e pode ser constatado:
Cada qual tem seus próprios matizes, mas estão conectados por suas implicações gerais. O que se precisa é de uma economia nova, orgânica, com um toque leve, suficientemente sofisticado para permitir a interação - que, para os propósitos deste livro, chamo de 'O efeito borboleta'. ORMEROD, P. 2000: 16
É precisamente uma interação - que já existe nos níveis materiais mais elementares entre o aspecto onda e o aspecto corpúsculo - o que impulsiona a dinâmica da natureza. Assim o mostram as relações de mecânica ondulatória, que explicou LOUIS DE BROGLIE, síntese genial que tornou possível, como diz RUEFF, uma filosofia quântica do universo, aplicável não somente às ciências físicas, senão também a todas as ciências humanas. Interações 
O Universo em fractais, célebre postulação de MANDELBROT*, o Movimento Browniano, a Entropia, o trickle-down e o bootstrap, essas outras facetas das Supercordas igualmente são pontes entre a pobreza e a riqueza:“Os ricos obrigam-se, pelas leis naturais da economia e pelos ditames morais da natureza, a difundir sua riqueza às camadas menos favorecidas.” (PRIESTLEY, cit. FALCON: 73) Elas produzem as ondas mensageiras da informação à interação generalizada. O homem, e suas relações, razão e conseqüência disso tudo, não teria porque ser diferenciado. A auto-organização, em outras palavras, a complementariedade é constatada em vários andares: no nível das células (HUMBERTO MATURANA, FRANCISCO VARELA) no nível da família (a escola da terapia familiar de Milão) e no nível da sociedade (NIKLAS LUHMANN):
De acordo com o 'novo paradigma luhmanniano', na construção de sistemas sociais, a complexidade opaca dos sistemas pessoais aparece como indeterminabilidade e contingência. Não sobrando para o sistema social outra alternativa que não seja 'interiorizar a complexidade' irredutível, emergente da pessoa. O que bem justificara a pretensão de apresentar a nova teoria de Soziale Systeme (1984) como uma Zwang zur Autonomie.
ANDRADE, M.: 26
A Economia preconizada por ADAM SMITH há muito contemplara a obviedade.
Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada. A nova regularidade dos fenômenos deu origem a uma nova ciência, que tem o ‘caos’ como tema central e na qual, um dia, deve se enquadrar a teoria das ondas.
WITKOWSKI, Bergè: 275

Malgrado a insistência dos atuais condutores, a Economia tende a se amoldar às inefáveis circunstâncias. Nosso poder é absolutamente limitado, conquanto a natureza não é só ilimitada, como também infinitamente mais sábia. Cabe-nos, pois, em vez de visar dominá-la de acordo com nossas parcas metafísicas, apenas observar seus fluxos e refluxos, para usufruir de suas possibilidades."De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT, J., Paradoxo Global: 96)
Há, no entanto, uma postulação incrivelmente incólume, ainda que de flagrante arquitetura delineada com aqueles velhos padrões. Por coincidência, mas não por acaso, foi esta a responsável maior pela condução da humanidade ao precipício do mútuo extermínio. Refiro-me à faina pela sobrevivência como justificante da matança à granel, levada à cabo desde então. A Evolução das Espécies não pode ser concebida no simplório jogo de forças ou de aptidões, sob pena de restar apenas uma delas, e desta, um único exemplar. Por tão selvagem, faremos seu reparo com o auxílio das Supercordas.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sobre a "Teoria de Tudo"



De acordo com a teoria da evolução,
não existe qualquer plano ou propósito para a vida; o drama da existência ocorre à medida que criaturas lutam para sobreviver em ambientes diversos. Portanto, seria muito difícil resistir à tentação de relacionar algum tipo de imperativo cósmico com senso de propósito, com a existência de uma qualidade universal divina que favorece e mesmo recria a vida. GLEISER, M., 2010:328.
O engraçado é que a Teoria da Evolução parece ser a única teoria que não evolui.  E para as coisas acontecerem, o que menos precisa é algum imperativo cósmico - basta elas próprias quererem!
O choque, a ação de um átomo sobre o outro, pressupõe também a sensação. Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro.. Esses complexos de sensações, maiores ou menores, deve ser chamados 'vontades'.NIETZSCHE, F, O livro do filósofo: 45
No afã de encontrar a Resposta, pela construção de uma teoria unificada da Física, muitos cavaleiros dessa demanda laico-sagrada ultrapassaram as fronteiras da ciência e (re)ingressaram na fecunda criatividade do mito, da literatura e do misticismo religioso, como é o caso de Hoyle, de Capra, de Bohm, de Hawking e de muitos outros.
VOGT, Carlos, www.comciencia.br - 10/04/2001
Não há uma única resposta, mas sim um número indescritível.
A ordem implicada tem sua base no holomovimento, que é vasto, rico, e em um estado de fluxo infindável de envolvimento e desdobramento, cuja maioria das leis é vagamente conhecida, e que pode ser até incogniscível em sua totalidade. Logo, ela não pode ser apreendida como algo sólido, tangível, e estável aos nossos sentidos (ou aos nossos instrumentos). BOHM, David, Totalidade e ordem implicada: 192
As duas ilações preambulares, elaboradas por conceituados cientistas, o primeiro com cartaz internacional,  e o segundo liderando uma equipe paulista de grande prestígio, vem do carma metafísico. Até mesmo um EINSTEIN sofreu com o vírus greco-romano, introjetado naquele longínquo estádio olímpico, e encorpado por milhares de gerações. Tornou-se uma Hydra!  Todavia e felizmente o número de insatisfeitos com tão prosaicos preconceitos vem paulatinamente aumentando. Já não são poucos os que descortinam maior extensão e harmonia dos elementos constituintes do cosmos, não se detendo apenas no acelerado desenvolvimento tecnológico que a nova visão científica proporciona.
Mas, dizia, o cérebro do próprio gênio também veio impregnado pelo carma. EINSTEIN lutou muito de modo bipolar. Bateu cabeça que não foi pouco. Por um lado sua decisiva explicação e demonstração do efeito foto-elétrico* indicava que a luz cumpria movimento corpuscular e também ondulatório, através de discretos feixes de energia denominados fótons. Por outro lado, EINSTEIN refutaria completamente a Teoria Quântica, de PLANCK, a mesma que lhe ensejou o pioneiro feito, em seguida magistralmente desenvolvida por NIELS BOHR, e  LOUIS DE BROGLIE, consubstanciada no princípio da incerteza, de WERNER HEISENBERG. Ao Grande Relativo, DEUS não jogava dados. Mas então o que seria sua Relatividade, esta que exatamente demoliu com o determinismo do Grande Relojoeiro? Ao cabo, todavia, o gênio acabou reconhecendo:
O ser humano é parte do todo, chamado Universo, uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experimenta seus pensamentos e sentimentos como algo separado do restante - numa espécie de ilusão ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma espécie de prisão para nós, e nos restringe às nossas decisões pessoais e aos afetos por algumas pessoas mais próximas de nós. EINSTEIN, Albert, cit. LASZLO, Ervin, A Ciência e o Campo Akáshico: 56
* * *
O Universo não é perfeito. A perfeição não admite, sequer, uma variação de matiz, que dirá uma expansão. Mas ele é consistente, e mantém sua coesão pela ética. Se dialético, desintegrar-se-ia frente a qualquer alteração no jogo de forças. Universo deriva de uno; de outro modo, seu nome tem que mudar para Diverso!
Na falta de uma designação mais apropriada, os físicos mantém a força como responsável e mantenedora da gravidade e do eletromagnetismo, adicionando-se ainda a fraca, e a forte, estas nucleares.
A partir de um único princípio - o de que no nível mais microscópico tudo consiste de combinação de cordas que vibram - a teoria das cordas oferece um esquema explicativo capaz de englobar todas as forças e toda a matéria. GREENE, B.: 30
Com todo respeito, admitir regência de forças me parece anacrônico. O Universo flui por relações ondulatórias, vibracionais, como infere o autor, e não por contundência de vetores. Por adequações, não por queda-de-braços. Por informações, não por determinações. Ele é o máximo que pode alcançar a inteligência, por espontaneamente todo ligado. O Universo é democrático. Nada pode ser imperativo.
Tal qual o arco faz vibrar as cordas do violino produzindo sons típicos, as excitações térmicas promovem transições eletrônicas e assim os átomos emitem espectros específicos de radiação (não sonoras mas) de ondas eletromagnéticas, em uma grande gama de freqüências tais como rádio, microondas, infravermelho, luz visível, raios X, etc. COHEN, Aba, Listening to the atoms
Busca-se melhor discernir a desenvoltura desses dinâmicos elementos, o modo e o alcance de seus enlaces, dependentes de intersecções no EspaçoTempo.
O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros. FOUCAULT, Michel, Microfísica do Poder: 5
A Teoria Perfeita
Patinamos sobre uma formulação composta quando a vela era a rainha da noite. Ainda muito poucos se debruçam examinar os fundilhos da Teoria da Evolução em cartaz, que dirá propor alguma reformulação. Será que um espetacular cruzeiro de cinco anos em iate real, algumas quinquilharias embarcadas, cálculos projetados à densidades populacionais, a chaga imperativa da sobrevivência, esta aviltada pela época de carências e parcos recursos, fortes para dar asas às assombrações malthusianas, outras coincidências arroladas, e gotas de imaginação seriam assim tão decisivas para assegurar a perfeição do trabalho, de modo que ele próprio não necessite no mínimo evoluir, contrariando até mesmo seu trunfo?
O caso desta teoria parece ser o único na história de todas as ciências.
Há uma grande lacuna na teoria neodarwiniana da evolução, e acreditamos que deva ser de tal natureza que não possa ser conciliada com a concepção corrente da biologia. Concluímos – inesperadamente – que há poucas provas que sustentem a teoria neodarwineana; seus alicerces teóricos são fracos, assim como as evidências experimentais que a apoiam. COYNE, Jerry, do Depto. Ecologia e Evolução. Universidade de Chicago. cit. BEHE: 37
O pior é que a contraposição criacionista é por completo estapafúrdia, às raias do irreparável.
A cultura medieval superior floresceu porque o povo seguia a visão da cidade de Deus. A sociedade moderna floresceu porque o povo foi vitalizado pela visão do crescimento da Cidade Terrena do Progresso. Em nosso século, porém, esta visão deteriorou-se no que foi a Torre de Babel, que está agora começando a ruir e em última análise sepultará a todos em suas ruína. Se a Cidade de Deus e a Cidade Terrena foram tese e antítese, a única alternativa para o caos é uma nova síntese. FROMM, E., Ter ou ser: 195
Se juntarmos imprestáveis, obteremos uma inutilidade ao quadrado. Ambas concepções das cidades arroladas por FROMM tem algo em comum: suas predisposições são impossíveis, porque afetadas pela dramática síndrome dialética.

A interação
Quantum & Relatividade compõem o sistema do Universo.
Sendo geradora de energia, a partícula cria, em torno de si, um campo em que essa energia se manifesta. Aliás, todos os corpos geram campos de energia. A Terra, por exemplo, tem seu campo de energia magnética, que claramente se manifesta no comportamento da agulha da bússula. Os campos não devem ser consideradas como espaços vazios. Os campos são objetos físicos, pois é por meio deles que as partículas agem umas sobre as outras. É por meio deles, que os corpos, enorme multidão de partículas, se influenciam reciprocamente. Embora físicos, os campos não são objetos mecânicos. Um campo é imperceptível pelos sentidos. É imponderável. Não pode ser utilizado como sistema de referência. Mas é observável nos seus efeitos. É identificável nas perturbações que causa no comportamento das partículas ou dos corpos nele situados. Não somos capazes de ver a força de gravidade, mas a observamos na queda da maçã. GOFFREDO TELLES JR., O Direito Quântico: 54
Não há antagonismo, sequer paradoxos; ao contrário, o que persiste é a complementariedade:
A teoria quântica de campos é a aplicação conjunta da mecânica quântica e da relatividade aos campos que fornece uma estrutura teórica usada na física de partículas e na física da matéria condensada. Em particular, a teoria quântica do campo eletromagnético, conhecida como eletrodinâmica quântica (tradicionalmente abreviada como QED, do inglês 'Quantum EletroDynamics', é a teoria provada experimentalmente com maior precisão na Física. Resumidamente, pode-se dizer que a teoria quantica dos campos é uma teoria que, na denominação mais antiga, se chama segunda quantização, isto é, realiza a quantização dos campos, ao passo que a mecânica quântica apenas realiza a quantização da matéria. A teoria quântica dos campos considera tanto a matéria (hadrons e leptons) quanto os condutores de força (bosons mensageiros) como excitações de um campo fundamental de energia mínima não-nula (vácuo).
Em parte, concordo com EINSTEIN. Deus não joga dados. Sequer participa do jogo. Ele é perfeito; portanto, não precisa de nada. Este prazer é reservado para nós mesmos. Nós é que podemos jogar dados; ou escolher direto o que melhor nos convém, dentre as infinitas potencialidades carreadas pelas energias cósmicas, em consonância com a nossa consciência.
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*Os elétrons que giram à volta do núcleo são aí mantidos por forças de atração. Se a estes for fornecida energia suficiente, eles abandonarão as suas órbitas. O efeito fotoelétrico implica que, normalmente sobre metais, se faça incidir um feixe de radiação com energia superior à energia de remoção dos elétrons do metal, provocando a sua saída das órbitas: sem energia cinética (se a energia da radiação for igual à energia de remoção) ou com energia cinética, se a energia da radiação exceder a energia de remoção do elétrons. (Wikipédia)

domingo, 4 de abril de 2010

A ideologia da fé e do conhecimento



Onde o homem nada encontra para ver e pegar, nada tem para fazer.
NIETZSCHE

Uma grave patologia congênita assola a filosofia, as ciências e até a religião, nesta de modo gritante. Elas nasceram e se desenvolveram por única ideologia: privilegiar o egoísmo. A primeira lição é:
"Conhece-te a ti mesmo!..." A gratificação é imediata: ... "e conhecerás o Universo de Deus."  Isso acontece geralmente na adolescência. Tomamos consciência que precisamos saber e fazer muito mais do que brincar. Carências e limitações tem proporções aritméticas; e nossos desejos, pior ainda, geométricas. Como proceder?
O Deus cartesiano nos dá algumas idéias claras e precisas que nos permite encontrar a verdade, "desde que nos atenhamos a elas e não nos deixeis cair no erro". "O erro, o Mal entra pelo corpo, transforma o divino Bem da alma", e isso já ensinara Platão: “A terra, ou seja, a matéria, é contraposta à verdadeira natureza da alma, quer dizer, ao seu ‘ser boa’. A matéria representa o mal.” (Cit. Kelsen, 1998: 3) 
A epistemologia hegemônica aplicada no cotidiano da atenção à saúde origina-se no paradigma mecanicista e analítico de René Descartes, aliado ao empirismo de Francis Bacon, reforçado pelo positivismo de Augusto Comte, no qual o todo é dado pela soma das partes e a noção de causalidade linear é prevalente, apesar das recentes mudanças ocorridas nas teorias científicas, principalmente provindas da física. Ediara Rabello Girão Rios , Senso comum, ciência e filosofia - elo dos saberes necessários à promoção da saúde.)
SÓCRATES ensinou PLATÃO e o mundo a pensar, antes de tudo, em si mesmo. PLATÃO ensinou ao mundo como satisfazer a si próprio.
Nossos cérebros foram calibrados para atender este nosso exclusivo  interesse. A ciência nasceu para cumprir a nobre missão.
Em algum ponto perdido deste universo cujo clarão se estende a inúmeros sistemas solares, houve uma vez um astro sobre o qual animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o instante da maior mentira e da suprema arrogância da história universal. NIETZSCHE, F., cit. MATOS, Olgária, A polifonia da razão, 1997: 134 
Cabia ela descobrir os segredos de DEUS, para aplicá-lo em tecnologia. Duas bananas foram colocadas à frente do burro, para ele andar: a guerra, e a fartura.
A culpa inicial cabe a Descartes. Ele foi o primeiro a negar a sabedoria inconsciente, persuadindo-nos de que só o que era demonstrável, era verdadeiro. Rousseau substituiu-o, imaginando que não havia leis fora das desejadas pelo homem. Finalmente veio Augusto Comte, que instalou de vez a universidade no positivismo, fez as ciências humanas oscilarem para a sociologia e eliminou todo o ensinamento sério da economia. SORMAN, Guy
Nada pior do que nações massacradas por outras retro massacradas. Uma tecnologia que ponha os inimigos o mais longe possível coroa a ciência com o mais nobre motivo. Pode se constituir, todavia, numa ameaça maior, dependendo de seu detentor, de modo que não poucos culpam a própria ciencia pelo dantesco de Hiroshima. Mas todos são unânimes em chamar pela polícia quando invadidos. Eliminada a grande ameaça, todos precisam se alimentar, dormir, vestir-se, locomover-se, divertir-se mesmo, porque não, cuidar da saúde, e de preferência, serem educados. Uma tecnologia que avance na solução dessas carências mais elementares consagra a ciência fundamental a qualquer ser humano. No que mais a ciência poderia se ocupar? O resto cabe à religião.
Para a Religião é mais fácil. Ela garante a todos que DEUS nos guarda, desde que façamos exatamente como Ele diz - não mate, não roube, não traia, honre pai e mãe. Ame o próximo. Como a ti mesmo. Se alguma coisa não der certo - afinal ninguém é perfeito - DEUS compreende, e perdõa. Se seguir estes simples preceitos, você sentará em trono, em vez da cadeira dos réus do Juízo-Final.
As doutrinas de Agostinho sobre o pecado e redenção do homem são de uma clareza diáfana e foram aceitas quase universalmente, com algumas modificações pela Igreja cristã do Ocidente, até aos nossos dias. ROHDEN, H, Filosofia Contemporânea: 23
Como vemos, sair atrás da ciência, da pesquisa, cerrar esforços no sentido de avançar o conhecimento e utilizarmos o máximo de objetos, evoluir toda a tecnologia se constitui em motivo relevante, por certo o mais relevante, porque não deveria ser exclusivo. A tecnologia psicológica empregada na religião igualmente cotempla exclusivamente a clientela, pelo viés "espiritual". DEUS é uma entidade totalmente indefinida.
Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência; mas fala que ela não faz mal, só bem. O mal para Platão é apenas a ignorância do bem, e ele procura demonstrar que o mal inexiste, e ninguém opta por ele de forma voluntária.
A religião, embora se diga religar, tem sua atenção voltada exclusivamente ao homem. Ela foi montada em prol do ser humano. Atendê-lo em suas necessidades, de preferência por milagres.
Ambas posturas, como vemos, tem o objetivo comum: servir ao ser humano. Vai ver por isso até mesmo o gigante EINSTEIN reconheceu: A religião sem a ciência é cega; e a ciência, sem a religião, manca.
Pois me atrevo proclamar, em letras garrafais: a ciência enxerga apenas de acordo com os olhos do ser humano. Ainda que equipados com HUBBLE, sua produção é irrisória, tão medíocre quanto o homem por ela responsável. Da religião, minha nossa, não posso supor como uma atividade que teve como primeiro objetivo tornar o conhecimento pecado, depois o amor também pecaminoso, hipótese ou experimento diverso tal coisa do diabo, e tantas metonímias pode se sustentar assim, sem praticamente nenhuma contestação. Essas infundadas pregações garantem que podem todos continuar ignorantes, desde que obedientes. É admirável isso ser permitido, e pior, acatado como a mais pura verdade, a solução definitiva!
Pois a Ciência recentemente descobriu a inexorável interação do ser humano com o Universo. Somos, pois, um fractal da Eternidade, em waveform. Cada personalidade excede, e muito, o que seus olhos ou braços alcançam. Mas isso não quer dizer que alguém possa ser sócio-proprietário, sequer de algum lote do EspaçoTempo. Não há como cercar o Espaço. Muito menos o Tempo nos pertence. O que nos cabe, isto sim, é nos adequarmos a esta indescritível relação, onde ele, o EspaçoTempo tem uma dimensão infinita, e nós, ínfimo sinal numa constelação periférica.
Ainda que possamos de certo modo comandar,por alguma coisa influir,  tudo leva a crer que dentre tudo o que existe, somos apenas os mais  insignificantes.
Ao eleger o homem como exclusivo beneficiário, como único ideal, e o resto que se dane, inclusive a natureza e os animais, a civilização cometeu seu pecado capital. Tornou-se cega ao magestoso usufruto, em troca de um impossível e pífio poder sobre tudo.

sábado, 3 de abril de 2010

Sobre o modo de evolução das espécies

Toda a teoria darwineana da luta pela existência é simplesmente a transferência, da sociedade à natureza viva, da teoria de Hobbes sobre a guerra de todos contra todos e da teoria econômica burguesa da concorrência, bem como da teoria da população de Malthus.
WALLACE, A.R. & YOUNG, R., Sciences studies, 1971
Tanto quanto seus predecessores PLATÃO e NEWTON, MARX apresentava lógicas premissas, e conclusões aparentemente justas, razoáveis. Muitas de suas preposições já podiam ser verificadas na experiência histórica. O materialismo marxista abalou metade da Terra, durante mais de século, até quedar-se por absoluta inanição. Era muito intrincado para um enfrentamento teórico. Ademais, postulações jurídicas, econômicas, sociológicas e mesmo filosóficas requerem um tempo enorme para sua confirmação, ou invalidação.
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Somente após cumprida uma longa trajetória é que são plausíveis as críticas, seja para aperfeiçoá-la, ou rechaçá-la por completo..Todavia, a pretensão comunista estava fadada ao malogro ainda antes de se efetivar. No raiar do XX já se tinha evidenciado: E=Mc2. O materialismo não possuia, como não tem, sequer, objeto.
Não foram poucas as formulações científicas pegas em flagrante delito. O fenômeno desvendado por EINSTEIN obrigou todos os vagões reformularem suas bases e suas metas. Alguns partiram de imediato, e há muito já vem colhendo admiráveis frutos.
Um dos pilares do materialismo, contudo, permanece intacto. Tribute-se à enorme dificultade de enfrentar suas coincidências de modo apenas teórico, conquanto a experiência histórica deste peculiar sustentáculo remonta a um passado no qual a rigor não temos o menor acesso.
Quando os olhos não conseguem divisar, a imaginação toma o lugar. A primeira história dá conta de um ser humano imediatamente perfeito, mas por causa de querer ser mais-que-perfeito, regrediu à condição animal. A segunda diz ao contrário - lentamente saímos da fase animalesca para tornarmo-nos gente, por certo quando perdemos o rabo. Há quem diga que viemos até através de meteoros, e outros juram que eram astronautas.
"Há civilizações inteligentes fora da Terra e elas poderiam estar presentes em quase 40 mil planetas." (FORGAN, Duncan, astrofísico da Universidade de Edimburgo, Escócia. - BBC Brasil, 5/2/2009)
Aí é demais. Povoar a Terra com tanta diversidade, de onde viriam os elementos? E que motivo os teria empurrado à emigração? Segundo nossa concepção de inteligência, haveria guerras naqueles planetas, também?
A vida em outros planetas ainda não está no mapa.
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Pelo fato da primeira história não encontrar o menor respaldo racional, a segunda se impôs com bastante facilidade, e sem oposição nem mesmo no campo científico. A maior resistência vinha da fé, concepção mais desproposital impossível.
Darwin e a evolução nos dominam, quaisquer que sejam as queixas dos cientistas criacionistas. Mas será correta essa tese? Melhor, ainda, será adequada? Acredito que não. Não é que Darwin tenha errado, mas sim, compreendido apenas parte da verdade.
KAUFFMAN, S.; cit. BEHE, M.: 38
Com o soberano título de On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life (A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, ou A Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida) DARWIN assinou o trabalho originalmente esboçado por WALLACE, e entregou à uma Rainha Vitória sedenta para cortar o insistente cordão umbilical com a Santa Madre. A Avó da Europa se orgulhava-se de ser a chefe-de-estado do mais vasto império multirracial e multi-religioso do mundo. Sua honestidade, patriotismo e devoção à vida familiar tornaram-na o símbolo máximo de uma era, mas o sucesso do emissário vara todos os tempos:
É claro que é uma emoção enorme ter sido premiado com uma medalha com nome de Charles Darwin, o maior evolucionista de todos nós. A medalha foi concedida a muitas pessoas eminentes no campo, com os quais eu dificilmente me compararia em termos de realização.
CHARLESWORTH, BRIAN, Ganhador do prêmio de 2000, (http://royalsociety.org/Darwin-Medal)
Ambas proposições necessitam da metafísica para justificar suas dialéticas. A primeira atribui a DEUS a criação das espécies, selecionando o homem à sua imagem e semelhança. A segunda contempla a natureza como selecionadora, mas uma natureza vista selvagem, onde o favorecimento das raças era por dotação de forças à sobrevivência.
MENDEL foi o primeiro geneticista conhecido, ao comprovar que geneticamente (termo ainda não referido por DARWIN) muitos fatores e características passavam de pais para filhos. Esta explicação calhava ma teoria evolucionista de DARWIN. Eis como uns “evoluíam” e outras se extinguiam. Todavia, ao mesmo tempo que DARWIN afirmava que os seres podiam “evoluir” para outros seres, MENDEL demonstrava que características individuais mantinham-se constantes.
"Enquanto as ideias de Darwin se baseavam em fundamentos erróneos e não testados sobre hereditariedade, as conclusões de Mendel foram fundadas em experimentação cuidada.” (Wikipédia)
Através de ampla pesquisa juntei um arsenal para meia-dúzia de raids ao edifício darwineano, de modo a arrasá-lo dos pés à cabeceira. Atendi a convocação:
Nós somos céticos das afirmações da capacidade da mutação aleatória e da seleção natural explicarem a complexidade da vida. Um exame cuidadoso da evidência a favor da teoria darwinista deve ser encorajado.
www.dissentfromdarwin.org
Muito bem. Mas e agora? O que colocar no lugar? Existe ou não a evolução?
Se não é por confronto, por desafios que se aperfeiçoam as raças, ou as espécies, por qual razão tudo evolui? Seria possível extrair uma síntese de ambas posturas, per se excludentes em ferozes combates? E que nível de pesquisa demandaria tamanha empresa? Onde colher de antemão alguns fatos que lhes sejam pertinentes?
Pois se a evolução nos domina, o que parece óbvio, não há razão para permanecemos com corte e costura vitoriana, mormente se considerarmos os graves prejuízos morais, econômicos, políticos, sociais e até epistemológicos precipitados pela primata e escusa articulação que lhe sustenta.
Como não encontrei nenhum Beagle que redima o original, boto minha prancha mesmo na água, no fito de estabelecer alguns cabos mais coerentes com uma evolução geral, não arbitrariamente seletiva, não às custas de regressões setoriais.
Encaminho o xeque-mate. Antes, o último movimento, para colocar o rei dos macacos nas cordas. Xeque, com a Teoria das Cordas. Na lagoa seca, jacaré não escapa.
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sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Páscoa .da Civilização


A humanidade em geral sente-se inclinada a pôr os pés sobre as pegadas e imitar as ações dos outros. Um homem inteligente deve sempre seguir no rastro desses ilustres personagens cujas ações são dignas de serem imitadas: assim, se não puder igualá-las, pelo menos, em certa medida, assemelhar-se-á a elas.
MAQUIAVEL, N., O Príncipe-

A ciência, a ética, a politica, a economia, a filosofia, quem sabe até mesmo a medicina, a observação ecológica, a sociedade, enfim, depois de mais de dois mil anos, podem obter a sua total Redenção. Aleluia! Finalmente o carma manca na perna direita também. Divina Providência! A verdade nos libertará!
A civilização gastou todo este tempo para começar a descobrir o óbvio, talvez por medo do desconhecido. É preferível acompanhar a trilha do imenso rebanho, ainda que ninguém saiba o destino. "Quem puxa os seus, não degenera". Vá para onde for, de algum modo chegará num ponto pelo menos razoável, posto em risco toda a civilização.
Desde a Renascença os pastores se deliciam com a fartura da lã. Apesar deles, a civilização vem descobrindo que cabe ao próprio homem buscar ser DEUS, até porque todos precisamos conhecer onde estamos, e ter mais ou menos cristalino o que nos diferencia dos animais, inclusive do macaco, que apregoam à nossa infância. Somente adquirindo a consciência, mesmo em caráter evolutivo, pode o ser humano se aperfeiçoar, e assim parar com tanta bestialidade. Alguns de nossos filhos até logram êxito na confusão impregnada, mas, por paradoxo, neste êxito buscado, ali começa o declínio! Ou será que alguém se considera tão perfeito que se evoluir estraga? E nem me venha com paixão. É por ela, pela evolução da consciência que aos poucos a civilização diminui o ritmo de sua extinção, desta feita com chances até de ampla e rápida reversão.
Os meios de comunicação tem se multiplicado em função proporcional ao conhecimento, não à intensidade da fé. Ela pode até remover montanha, mas os pastores se utilizam do conhecimento e trabalhos humanos para hoje em dia oferecer o pasto em tempo real, instantâneo, e totalmente massificado, à todas ovelhinhas do globo. Ninguém mais precisa mais pastorear - basta um contrato comercial, numa empresa de TV, o megafone. As dóceis ovelhinhas ouvem os sinais, e se dirigem ao brete dos tickets que lhe darão direito ao mais belo de seus sonhos, e assim embarcam cantarolantes em qualquer compartimento do mais comprido trem da face da Terra. Tudo em nome do amor.
A pergunta que se impõe, de imediato, é a seguinte: não acha que amar alguém sem sequer conhecê-lo pessoalmente não é um exagero?
A data assinala o sacrifício de um ser humano em piores condições do que cordeiros, ou ovelhas, estas simplesmente degoladas em apenas um golpe, de cabeça para baixo. A personalidade, certamente a mais popular de todos os tempos, foi linchada e torturada, dizem, sem o menor motivo, ao contrário. Muito estranho esse procedimento social. Fotos e mais fotos estão espalhadas pelo globo, mas, claro, nenhuma foi tirada na ocasião, não preciso nem dizer porque. O livro que narra sua história mais parece de poesia, tal quantidde de metáforas. É disparada obra mais conhecida, de maior tiragem de todos os tempos, mas não há uma linha sequer do próprlo Mestre. Sabe-se que na época se pensava a Terra plana, localizada no centro do Universo, e não há nenhuma informação que elida o mais famoso erro de percepão humana. Mas não há quem não conheça o desfecho do episódio do Calvário. Vemos imagens, slogans, e nomes agregados. Tudo tem nome de santo, inclusive e bastante, empresas comerciais. Até o porta-aviões que nosso brincalhão presidente ganhou de presente da França depois que o Brasil lhe entregou a Copa do Mundo, aquele vaso-de-guerra tem nome de santo: São Paulo! Graças à DEUS. Dir-se-á coincidência, porque a homenagem é para o Estado no qual o brincalhão se fez, porque me parece, pelo sotaque, que nasceu nas cercanias de Copacabana. Pois bem. Então é isso. Um país que reza na Constituição ser laico, tem nomes de santos em várias unidades federativas! Não quero nem ficar a contá-las, fora cidades, e escolas, e ruas, e tudo o mais. Avassalador! Dificilmente haverá um marketing ordenado com tamanha capacidade. Mas nem um por cento. Levaria meu voto, direto, talvez fizesse campanha também, mesmo à distância. Mas como afirmar um amor sem nenhum elemento concreto, palpável, visível, inodor, isto é, sem odor, sem ouvir sua modulação de voz, ou apreciar seu shape - afinal, estamos tratando de ser humano, ou não?
Não posso declarar um amor que não conheço. O que farei com os que conheço?
Pior, ainda, este sim, muito pior, mais decisivo, é falar com quem não se tem a menor referência, a não ser que tudo rege, e que está em todo lugar. Teríamos que fazer um duo, então. O coração rege, e o átomo se encarrega de estar em todo lugar para dar o seu tom. Neste caso temos que escolher muito bem o coração, sob pena de sermos levados por alguma correnteza para além das Colunas de Hércules. Os que se supõem em condições, que falem com ele, para resolver diretamente. Desta maneira evitará uma escala celeste, digo cósmica, porque celeste era naquele tempo, hoje se tem idéia da imensidão da coisa. Imagine uma viagem que sabe-se lá onde vai dar, e ainda assim tem que retornar.
Definitivamente não há que se falar de amor desse modo. Ademais, ele é sublime - nada exige, muito menos sugere regras. O amor é ético.
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Coincidentemente, mas por certo não por acaso, porque a natureza, esta perversa, conhece muito bem as sincronicidades, a natureza, dizia, anda pregando inúmeros cataclismas, tragédias mesmo, sinto muito pelos chilenos, também pelo caribenhos, o que per se coloca em xeque a questão do Regente do mundo. Não pode haver.
Há pouco tempo houve um tremor de terra quando se descobriu a farsa do nada santo sudário.
Nesta semana, precipitou-se o terremoto no subsolo de Roma, com epicentro no Vaticano. O portal de seu calvário anuncia pedofilia! A Igreja desmorona espetacularmente.
A Igreja Católica, acuada por escândalos de pedofilia, celebra um Sábado de Aleluia marcado por uma nova polêmica. Grupos judeus de todo o mundo reagiram negativamente após um pregador do Vaticano ter comparado as críticas recebidas pelo Vaticano pelos casos de abusos sexuais de crianças ao 'antissemitismo' sofrido pelos judeus.
Folha de São Paulo, 3/4/2010
Para mim, nada disso é novidade. No primário tinha alguns coleguinhas que se prestavam para ganhar boas notas. Mais tarde, bem mais tarde, recentemente, até, verifiquei os fundilhos dos farsantes. O produto é grego, do país que apresenta a maior crise da Europa; depois, foi tingido na costa leste do Mediterrâneo, exatamente onde agora reina a maior confusão do globo; por fim, apenas industrializado na Itália, a sala do deplorável espetáculo que hoje está em cartaz, anunciado por todos os pórticos. Desde aquela época, sentei na praça para dar milho aos pombos, enquanto os românticos enamorados entravam no cinema, digo no show. Ora o pessoal começa a se dar conta da enormidade:
A maioria dos alemães não confia na Igreja Católica, e um quarto dos católicos do país pensa em deixar a instituição após os escândalos de abuso sexual, mostrou uma pesquisa de opinião. A pesquisa, a ser publicada na revista Focus na segunda-feira, apurou que 56% dos alemães não confia na Igreja. Somente 18% dos alemães têm fé na Igreja, mostrou a pesquisa feita pela Focus. Uma pesquisa semelhante feita em março pela revista Stern mostrou que 19% dos católicos alemães pensavam em deixar a Igreja. Milhares deixaram a Igreja no mês passado. Um disque-denúncia apresentado na semana passada por Stephan Ackermann, bispo de Trier e especialista da Igreja nos casos de abuso, foi inundado com 12.293 ligações e ficou brevemente fora do ar. Apenas 2.670 ligações puderam ser respondidas.
REUTERS
, 11/4/2010
Hoje assisti mais um desses aviões-pirueta quando tentam horizontalizar sua aeronave tarde demais. O infeliz piloto levou o avião a se espatifar diante das câmeras, explodindo em chamas. Condolências à família enlutada. Tenho experiência da maior dor através de meu próprio filho, partido em semelhantes condições.
O ser humano tem limites. Dificilmente os seguidores do Ressuscitado continuarão repetindo a proeza do Phoenix. O ápice do Superstar prenuncia seu declínio. Todas estrelas poderão brilhar.
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As ondas do Cristalino

A luz pode ser definida como uma transmissão de energia entre corpos materiais à distância.
BOHR, Niels, Física atômica e conhecimento: 6

Qualquer manancial é transmissor, mas o Cristalino é inusitado. Ele recebe inúmeros afluentes com características tão díspares quanto o Negro e Solimões. Em uma curva, todavia, opera-se uma fantástica mutação. Na passagem entre rochas e pedras, ele reaparece multicolorido, em caleidosópio variável conforme almeja o observador...Seus meandros não são exclusividades de um continente. É incontinenti. Percorre todos os quadrantes do interior da Terra, porém não é captado por nenhuma sonda, sonar, ou sismógrafo. Seu atributo máximo é o silêncio de seus meandros. Foi depois de muito bater cabeça, apenas recentemente, que pesquisadores mais atilados saíram tentando identificar a fonte geradora de um estranho vapor. Nunca foi tão fácil. Por permear ponto por ponto as placas tectônicas, e ainda vir quase à superfície em serpentina que avança por todos os lugares, um lugar-comum, pois, jamais suas peculiaridades tinham sido enaltecidas. "Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)
Ora milhares de peregrinos, de todas as idades e nacionalidades acessam o local através de um grande elevador. Voltam extasiados, maravilhados com as potencialidades, infinitamente maiores do que o riquíssimo poço de petróleo, porquanto este se restinge à movimentar máquinas, apenas, enquanto o Cristalino, dizem, pode proporcionar a realização mais completa que um homem pode desejar. Quando perguntei para um daqueles felizardos se por acaso também havia chance de sereia, ele me respondeu que isso não lhe interessava. Seriamente disse-me que habitava em Terra, e gostava de caminhar na areia da praia, de modo que a companhia a ambos seria inapropriada. Minha curiosidade ficou redobrada. Liguei o rádio. O narrador transcrevia a exuberância infinita daquelas águas, mas cada um interpretava de uma maneira diferente, de modo que não podia fazer uma descrição mais completa, um retrato fiel do oceano de possibilidades contidas no rio Cristalino. Fui direto para destrinchar o enigma. No caminho encontrei um que parecia ter acertado na Mega-Sena.
-Mas o que tem esse rio de tão mágico?
-As ondas, tio. Basta eu pensar no tipo de onda que me apraz surfar, pronto - ela aparece e só falta baixar um estribo para eu embarcar na crista!
-Bem, mas isso tem no Havaíi. E o que diferente tem esse rio?
-Se tiver mais, estraga, tio. Para mim a perfeição são as ondas.
Vi um de chapéu de palha, e calça arregaçada. Saí lascando:
- Não me fale de surf!
- Que peixe é esse? Só pesquei os que gostava. À vontade. E variado. Era pensar no peixe, e pronto. Só faltava ele pular no meu colo!
Bem, fui vendo se tratar de um rio comum, apenas com atributos mais salientes. Cheguei na beira, lotada de gente. Uma família se banhava; outra bebia sua água! A garotada de jetsky, windsurf, abonados com iates. Mergulhadores nem precisavam arpões. Caçadores de pérolas içavam baús. E era gente preocupada em batizados, em nadar, se refrescar, até lavar roupa. Um engenheiro quis fazer uma represa, mas foi admoestado: a água deste rio se aprisionada perde todas suas características. Havia gente fazendo sexo na água, mas, incrível, o rio neste ponto turvava, de modo que nenhum atentado ao pudor foi cometido.
Gente que pegava a água e esquentava um pouco para fazer chá, café, sopas e outras mandingas tinha aos montes. Para quem precisasse de cura, bastava o vapor, que dirá um banho. Às peles ressecadas tinham a redenção. A produção de gelo triplicou. Ficar ao largo dourava a pele. O espelho d'água auxiliava e até sugeria mirabolantes penteados. É certo que houve quem se afogasse, também, diga-se a bem da verdade. A rigor, o que se esperasse daquelas miraculosas águas, elas atendiam, sem requerer nenhuma súplica. Apenas pelo jeito do visitante ela já sabia, de antemão, o dote que combinava com a expectativa.
Talvez por causa disso, pela tamanha inteligência desse rio, também por estar em quase todo o lugar, e permitir que o homem usufruísse de todo este esplendor, sem a menor discriminação, cogitou-se chamá-lo Rio SUPERDEUS. Amparava a distinção do prefixo um fortíssimo argumento: o DEUS conhecido, o DEUS dos homens tem muitas vontades, e por isso prescreve suas leis e condições. Ao expressar Sua vontade, automaticamente demonstra carência. Deseja-se apenas o que falta. Ademais, Ele condiciona o suplicante.ao impor seus mandamentos.  Deus concede o milagre, desde que em contrapartida o requerente assine um termo de rendição. Ao SUPERDEUS nada falta. Ele não cultua nenhuma vontade. Se perfeito, que outra aspiração ainda poderia manter? Dessarte, o Cristalino se coloca totalmente à disposição de todos, seja beato, ou gaiato,  freira, ou prostituta, saciados, ou sedentos, tudo de acordo com cada necessidade, ou preferência, ou sonho do visitante. Basta prestar um pouco de atenção, e escolher a onda que melhor lhe convier, ao rumo que se quiser. Pessoal nem sabe mais, sequer, o que venha a ser a tal Justiça. A onda sempre se volta à direção que o aproar. "Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)
"O vácuo quântico é o 'mecanismo de informação holográfica que registra a experiência histórica da matéria'." (LASZLO, E., A ciência e o campo Akáshico - Uma teoria integral de tudo: 72)
O corpo que dele usufrui torna indelével seu próprio delinear.
Nesse caso, os neutrinos que criamos em nosso organismo podem ter a nossa marca e podem estar fazendo a nossa interação com o universo. Podem estar levando nossa mensagem, mostrando nossa existência e o que somos, do mesmo modo que a luz das estrelas nos faz tomar conhecimento de sua existência. ANDREETA, José Pedro e ANDREETA, Maria de Lourdes, Quem se atreve a ter certeza? A realidade quântica e a filosofia: 162.
Em algum meandro do infinito trajeto, todos estarão presentes, cada qual conservando suas nuances, assim realizando a memória de acordo com o rio Cristalino.
Acredito que quem estiver entrando no caminho da iluminação será absolutamente impecável em tudo o que fizer. E por causa do medo da condenação? Não. Ou de punição de Deus, ou porque pequei e não alcancei o perdão? Não, não, não. Os verdadeiros iluminados verão que toda a ação tem uma reação com a qual eles terão de lidar, e se formos sábios, não faremos coisas que nos levarão a ter de enfrentar resolver e equilibrar isso em nossa alma mais tarde. Esse é o verdadeiro critério.
LEDWIN, M., cit. ARNTZ, W.: 203