quarta-feira, 9 de junho de 2010

A má temática



A sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas os homens podem desejá-la ou amá-la tornando-se filósofos. PITÁGORAS
Se desejássemos retraçar a história do Determinismo, seria preciso retomar toda a história da Astronomia. É na imensidão dos Céus que se delineia o Objetivo puro que corresponde a um Visual puro. É pelo movimento regular dos astros que se regula o Destino. Se alguma coisa é fatal em nossa vida, é porque uma estrela nos domina e nos arrasta. Há, portanto, uma filosofia do Céu estrelado. Ela ensina ao homem a lei física em seus caracteres de objetividade e de determinismos absolutos. Sem esta grande lição de matemática astronômica, a geometria e o número não estariam provavelmente tão estreitamente associados ao pensamento experimental; o fenômeno terrestre tem uma diversidade e uma mobilidade imediatas demasiado manifestas para que se possa neles encontrar, sem preparo psicológico, uma doutrina do Objetivo e do Determinismo. O Determinismo desceu do Céu à Terra. GASTON BACHELARD
Ele nasceu na ilha de Samos, (Magna Grécia, hoje costa turca) para morrer no sul da Itália, em Metaponto, por volta do ano de 497 a.C. Seu nome homenageia PÍTIA. A mãe consultara a pítonisa: o filho seria um fenômeno! Então mama colocou a marca do sucesso no rebento, já lavrando o destino da capital, precisamente à ágora: PITÁGORAS.
Havia duas correntes religiosas: de um lado, os ritos dionisíacos, degenerados pela perda do sentido sagrado; de outro, ritos órficos, caracterizados por uma ascese rigorosa. O afilhado da pitonisa se encantou logo com a lenda de ORFEU.
Onde mas poderíamos parar?
"A separação metafísica da alma e do corpo teve efeitos desastrosos sobre a filosofia." (RUSSELL, B., Por que não sou cristão: 43)
Não somente sobre a filosofia, senão à ciência, à política, ao convívio social, e ao próprio Universo, porque não?

Sim, pois na base da criação da necessidade de aniquilamento está a afirmação de que há um 'nós' e, consequentemente, um 'eles'. Esse processo se dá de forma lenta, cotidiana e concorrem para ele ações no campo da política, da cultura e da religião. Leis que separam e restringem os homens por sua ascendência ou cor, exacerbação de sentimentos nacionalistas e crenças religiosas usadas para a segregação são os caminhos para semear o infortúnio e transformar o medo em ódio
GÓES, Moacyr, A divisão que segrega, 11/03/2010.
Enquanto visitava o Egito, impressionado com as pirâmides, o predestinado desenvolveu o famoso Teorema: é possível calcular o lado de um triângulo retângulo, conhecendo os outros dois. E não foi só isso. Ele conseguiu provar ainda que a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Fenômeno!
Sua mais criativa proposição:
"Todas as coisas são números."
Mas emendou:
"A Evolução é a Lei da Vida, o Número é a Lei do Universo, a Unidade é a Lei de Deus. "
E deu o caminho:
"A melhor maneira que o homem dispõe para se aperfeiçoar, é aproximar-se de Deus."
Os próprios termos Filosofia (amor a sabedoria) e Matemática (o que é aprendido) foram suas criações. Juntar prefixos e sufixos era especialidade maiêutica e assim PITÁGORAS pode descrever suas modestas atividades intelectuais.
Pitágoras apreciava a tal ponto a teologia órfica que dela fez modelo para plasmar a própria filosofia. Em decorrência disso, as sentenças de Pitágoras passam a ser chamadas sacras na medida em que são derivadas dos esquemas órficos.
PICO DELLA MIRÀNDOLA, A dignidade do homem:73
O matemático designava Deus pelo número 1, a Matéria pelo 2; exprimia o Universo pelo número 12 resultante da multiplicação de 3 por 4, ou seja, concebia o universo composto por três mundos particulares que, encaixando-se uns nos outros através dos quatro princípios ou elementos da Natureza, desenvolviam-se em 12 esferas concêntricas. Ao Ser inefável que inundava estas 12 esferas sem ser captado por nenhuma delas, o filósofo de Samos chamava-lhe Deus. O homem espelharia o Universo em escala reduzida e, no Universo, ele via o Grande Homem - o Microcosmos e Macrocosmos. O homem, célula contida no Todo, seria um reflexo do ternário universal constituído de Corpo, Alma e Espírito. Tudo encaixou com a doutrina órfica. A instituição do Zodíaco com seus 12 signos é a demonstração cabal deste conhecimento.

É todo esse número geométrico que comanda os melhores e os piores nascimentos. Se os guardiões não o conhecem, juntarão os jovens às noivas na época errada, fazendo com que seus filhos não sejam nem de boa índole nem felizes.
PLATÂO concordava com tudo:
"Assim trava conhecimento com o Pitagorismo, que veio a exercer uma duradoura influência sobre todo o seu pensamento e a sua atividade: na sua doutrina da pré-existência das almas." (Apresentação da biografia e livros de Platão – História da Filosofia Antiga – Hirschberger)
O flagrante traço pitagórico, a oposição do par e do ímpar desempenha ainda um papel essencial na concepção acadêmica do número. Ele resplandece em diversos texto platônicos, e em particular no Górgias. No tal Epinomis, prescreve:
"A ciência dos números, dentre todas as artes liberais (?!) e ciências contemplativas, (ou seja, apenas especulações, isentas de responsabilidade porque improváveis) é a mais nobre e excelsamente divina."
Ao ser questionado porque o homem se diferenciava doa animais, a sapiência foi categórica: "Porque sabe lidar com números."
O grego suspendera a alma, ou melhor, desconsiderara o malvado especialista da recepção aos mortos, para invocar, direto, o Presidente do sistema - o Pai de HADES. Timeu (26a) professa:
A ordem e a beleza que vemos no Cosmo resulta de uma intervenção racional, intencional e benigna de um divino artesão, um 'demiurgo' (gr. δημιουργός), que impôs uma ordem matemática a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divinamente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável (Pl. Ti. 26a). A visão platônica da origem do Universo também teve enorme influência na filosofia, especialmente na neoplatônica, no ocultismo e na teologia desde o século -IV até nossos dias.
www.greciantiga.org
PLATÃO agradou em cheio:
Desenvolvido por Plotino (205/270) no início do século IV, em meio à decadência do Império Romano, o neoplatonismo tornou-se uma das mais importantes correntes filosóficas da época e foi a última contribuição do pensamento grego à filosofia Ocidental. O neopitagorismo, que sobrevivera desde o século -IV como um modo de vida verdadeiramente religioso, também acabou por se fundir com o neoplatonismo.
www.greciantiga.org
Questionado de onde ele tirara um ZEUS assim calculista, o astuto formulador minimizou. Eram os fins que estavam em jogo.

Platão admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência; mas fala que ela não faz mal, só bem. O mal para Platão é apenas a ignorância do bem, e ele procura demonstrar que o mal inexiste, e ninguém opta por ele de forma voluntária.
A idéia é originalmente devida a Platão, que, sem dúvida influenciado pelas concepções pitagóricas, foi o primeiro a afirmar que o círculo, cujas partes são todas iguais entre si, é por essa razão a mais perfeita figura geométrica, e, portanto, como os corpos celestes são eles mesmos perfeitos, o único movimento que lhes é possível é o movimento circular uniforme. A tarefa dos astrônomos a partir de então foi construir um modelo matemático que explicasse os dados observacionais da astronomia, e no qual os planetas seriam dotados de movimentos circulares uniformes.
BEN-DOV: 19
A má tese, ou a má temática ,a "quantofrenia", conforme Sorokin, ou a "aritmomania", como aduz GEORGESCU-ROEGENS, coroou o homo faber tal homo mathematicus. O universo que até a reencarnação platônica abrigava alguma alma, passou a ser visto como ‘um vasto sistema matemático de matéria em movimento’,um ‘universo material (onde) tudo funciona mecanicamente, segundo as leis matemáticas.’
Viajamos em picada por demais pedregosa:

A ciência ocidental tornou-se matematizada. A linguagem matemática da ciência, que causa tanto desânimo ao leitor de outras áreas, implantou- se como resultado do conflito entre as visões de mundo eclesiástica e leiga e seu propósito era justamente causar o afastamento do público comum.
O mundo se mantém atolado na ficção:"O Demiurgo de Platão, o grande arquiteto cósmico, transformou-se no Deus cristão de Copérnico." (GLEISER, Marcelo, Criação Imperfeita: 54)
Seguindo o douto princípio crítico-pitagórico levado pelo crivo platônico, a reforma foi precedida por muito estudo matemático. DANTE delineou a nova penintenciária de modo cartesiano - andares em progressão horrenda ao rumo da profundeza. (A Geografia do Inferno de Dante Tratada Matematicamente, 1588; GEYMONET, Ludovico, Galileu Galilei: 10)
NEWTON tomou a maçã na cabeça, e elevou seus olhos:

Este sistema do Sol, planetas, e cometas, só poderia vir da vontade e domínio de um Ser inteligente e poderoso ... Ele governa todas as coisas, não como alma do mundo, mas como Senhor de tudo; e por causa de Seu domínio ele é digno de ser chamado Senhor Deus
NEWTON, I., Principia
Como se processava a magnífica força gravitacional apurada pelo reverendo NEWTON, ainda mais nas grandes distâncias? Não vinha ao caso. Coisa do Patrão-Véio lá de cima.
Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental. Preparou a mente humana para a idéia de progresso, para o conceito de tempo profundo, para a surpreendente descoberta dos geólogos de que a evolução humana é apenas um episódio recente e curto na história da Terra. Preparou o caminho para a evolução de Darwin, que fala de nossa união com criaturas mais primitivas através dos tempos. Em resumo, o advento da idéia de tempo linear e da evolução intelectual desencadeada por essa idéia corroborou a ciência moderna e a promessa de melhoria da vida na Terra.
COVENEY: 22
SHAFSTESBURY (carta a THOMAS POOLE; cit. BRETT: 109) não hesitou imediatamente registrar sua discordância, algo que sequer seu famoso pupilo JOHN LOCKE ousou:
"Newton é um mero materialista. Em seu sistema o espírito é sempre passivo, espectador ocioso de um mundo externo há motivos para suspeitar que qualquer sistema que se baseie na passividade de espírito deve ser falso como sistema."
Quem seria esse SHAFSTESBURY para numa cartinha confrontar o internacional e incomparável NEWTON, mas não só ele, e sim todo o enorme trem vindo da Grécia, varrendo a Europa e até o Médio-Oriente otomano?
O Farol Iluminista não convinha aos serviços de terra.
"Na tradição intelectual do mundo ocidental, o misticismo matemático de Pitágoras transformou-se na ponte entre a razão humana e a inteligência divina." (GLEISER, M., 2010: 51)
"A Escola Pitagórica ensejou forte influência na poderosa verve de Euclides, Arquimedes e Platão, na antiga era cristã, na Idade Média, na Renascença e até em nossos dias com o Neopitagorismo." (Wikipédia)
“A natureza toda se transformou em um palco de impulsos e atrações, de dentes e alavancas, de movimentos de partes ou de elementos aos quais eram diretamente aplicadas as fórmulas de movimentos produzidos por bem conhecidas máquinas.” (DEWEY, John: 87)
"O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético.” (LEONI, B.: 66)
"Pois séculos de dominação absoluta Cristã nos fizeram perder de vista que o mundo é muito mais iluminado do que ela quis fazer pensar. A Igreja foi a porta para o Absolutismo." (LIMA, M., O OCIDENTE: DA RELIGIOSIDADE AO ATEÍSMO NIILISTA)
O numerário subverte a sociedade. A ética se torna dialética; e a política, espoliação.
_______________

terça-feira, 8 de junho de 2010

A desmoralização do Estado

;

Uma concepção adequada de desenvolvimento deve ir muito além da acumulação de riqueza e do crescimento do Produto Nacional Bruto e de outras variáveis relacionadas à renda. Sem desconsiderar a importância do desenvolvimento econômico, precisamos enxergar muito além dele. SEN, Amartya: 28
..
O Estado patrocina enxurrada de notícias alvissareiras, mas paulatinamente vem perdendo credibilidade. Não há nenhum setor, nenhum segmento administrativo que produza algo de útil à sociedade. Pior do que inútil, o Estado sói apresentar sua faceta mais perversa - um veículo oficial à serviço de seus motoristas. Nada de novo no fromt ocidental. Desde sempre esta foi sua principal função, tolerada em qualquer ideologia.. Primeiro, os motoristas só podiam ser representantes de DEUS. Quando se demonstrou a falácia do argumento, o Estado paradoxalmente se revigorou. À sombra do pragmatismo da Revolução Industrial, Leviathan reforçou o alistamento militar, e impôs a ordem que quis. A revolução da igualdade, da fraternidade, e da liberdade precipitou o fascismo, o nazismo e o comunismo. Restou o famigerado liberalismo, com corte mais modernizado. A solução bretã era mais sensata. Diluir o poder para propiciar o desenvolvimento acelerado que a própria Revolução Industrial oferecia. O Estado, se não era útil, agora pelo menos não prejudicaria - ao contrário - permitiria e até ansiava pelo desenvolvimento generalizado, não apenas o enriquecimento exclusivo de seus hóspedes. O livre-comércio, todavia, tem sido estimulado, às custas de concorrências. O clima de competição facilmente se degenera em vitória a qualquer preço, porque se trata de matar ou morrer. Crescer, ou ser engolido pelo maior. As nações permanecem enredadas no ideal permanece enredado no ideal apolónio, ironicamente o responsável pelo declínio.
A ideia é que qualquer sistema evolutivo obedece às leis do darwinismo.
E a economia é certamente um sistema evolutivo.
VEIGA, Prof.
Econ. José Eli, Fac. Econ. & Admin. da USP. - Estadão, 8/2/ 2009
Maior bobagem não há. Primeiro, porque no darwinismo há uma seleção, descartando-se o mais fraco. Se a economia se desfizer do mais fraco, jamais formará algum capital. Por outro lado, a teoria de evolução darwineana exige uma linearidade temporal, enquanto a economia obedece padrões multilaterais.  Mas diante desses costumes, em vez do povo requerer o guarda-chuva do Estado, ora são os empresários que para lá acorrem, e quem chegar primeiro levava enorme vantagem. Eles controlam tudo, sentando no banco de trás. O garboso motorista vai muito-além-do-jardim. As empresas que mais crescem apresentam vínculos diretos com os detentores do Estado. Em vez da praça de comércio, elas negociam diretamente na Praça dos Três Poderes.
A arrecadação do PT, PSDB, DEM e PMDB explodiu em 2008 com doações recebidas de empresas que exacerbaram, no ano passado, o mecanismo usado para ocultar a identificação dos reais financiadores dos candidatos a cargos públicos. Folha, 3/5/2009
O resultado de tão brilhante solução fulgura nas mansões de Brasília e nos casebres da baixada fluninense:

Quando visitei o Brasil há dois anos, a polícia executava suspeitos de crimes e cidadãos inocentes durante suas operações em favelas. Policiais fora de serviço operando em esquadrões da morte e em milícias também assassinavam civis. ALSTON, Philip, ONU - BBC-Brasil, 1/6/2010
O capitalismo parece incitar meios escusos, mas ao mesmo tempo as soluções fascistas, nazistas, ou comunistas já demonstraram ser ainda piores. "O que ocorreu foi que as premissas tecnocráticas quanto à natureza do homem, da sociedade e da natureza, deformaram-lhe a experiência na fonte, tornando-se assim os pressupostos esquecidos de que se originam o intelecto e o julgamento ético.” (LEONI, B.: 66)
Um meio-termo? Impossível. Coadunar liberdade com qualquer viés fascista? "Resultado disso é que nas últimas eleições presidenciais, assim como na atual, as opções que se apresentaram foram de centro-esquerda." (ROSENFIELD, D., Descompasso 10/6/2010) Eis a pior emenda. O governo arrecada como capitalista, enquanto a comunidade é tratada comunista, massa empacotada, explorada:
Trabalhador solteiro, em situação regular, com carteira assinada, com R$ 2 mil mensais de salário, entre os descontos a que é submetido e os custos impostos ao empregador, resultará em R$ 837 que passam para os cofres públicos. Ora, a mim parece extorsiva essa contribuição a que o trabalhador e o empregador estão sujeitos inexoravelmente, sem ter a quem apelar, quando os serviços públicos devolvidos à sociedade são defectivos, não são bons e em geral são maus, especialmente os mais vitais, como os referentes à saúde, à assistência médico-hospitalar, à educação, à segurança pessoal do trabalhador e de sua família. Por isto já foi dito que, entre nós, as contribuições são de padrão escandinavo, enquanto os serviços públicos são de escala africana. O outro assunto que também me impressionou, vivamente, conhecidas as condições históricas do serviço, tradicionalmente reumático, é referente aos serviços portuários. Só no porto de Santos, o maior da América do Sul, na entrada ou saída de navios, exigem-se 17 toneladas de papel por ano; para cada navio são necessários 112 formulários, em diversas vias, com 935 informações a serem encaminhadas a seis diferentes entidades da administração! BROSSARD, P.,Peleguismo eleitoral 8/6/2010
E para onde se dirigem nossos parcos recursos?

Lula foi também o mentor do perdão de dívidas de outros países com o Brasil, ignorando carências internas gritantes. São cenas cotidianas o nosso sistema viário abandonado, hospitais inoperantes, escolas desamparadas, prisões comandadas por prisioneiros, barracos de papelão servindo de moradia a trabalhadores que pagam os impostos que vão financiar metrôs e armamentos na Venezuela, hotéis em Cuba, casas de alvenaria na Bolívia e empregos no Paraguai, no Equador, em Moçambique, na Nigéria, em Cabo Verde, na Nicarágua e no Gabão. O total das dívidas perdoadas desses países foi de R$ 1,62 bilhão, quantia suficiente para atender ao reajuste dos aposentados, que o governo afirma não ter recursos para honrar. Está também doando como ajuda à Grécia mais de R$ 567 milhões, além de emprestar R$ 17 bilhões ao FMI sem haver sido convidado a fazê-lo. DANON, J, Ave Lula. Estadão, 11/6/2010
Maior traira vai ser difícil. O crime vem sendo não só tolerado, como estimulado. As páginas informativas dão conta de exitosas barbaridades. A bandidagem tripudia o Estado. Invadem-se terras e prédios prédios públicos. Policiais são metralhados, sequestram-se parentes de políticos, enquanto secretários e assessores são simplesmente eliminados. Morrer passou a ser banal. Rumo inevitável - assim tanto faz. E o pior: crescer com a repressão, com leis mais severas, aparelhar a justiça, engrossar contigentes e adquirir armamentos apenas recrudescem os crimes, tal qual a época dos alcapones.

A Nação permanece perplexa, dividida. De um lado, um número cada vez maior de pessoas e instituições usufruem do trabalho alheio: "Mais de 40 mil candidatos às eleições de 2006 e 2008 eram beneficiários do programa Bolsa-Família, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União." (www.claudiohumberto.com.br - 5/5/2009)
De outro, uma população desnorteada.
A carga fiscal brasileira é infame. Não podemos mais nos enganar com meras suposições. A carga fiscal atual – quando somados os tributos (projeção de 36% do PIB) ao déficit público (mais 3 a 4%) nos aponta para 40% do PIB brasileiro, cerca de 140 dias por ano, em média, dedicados, por cada brasileiro, apenas para sustentar a máquina pública.
CASTRO, Econ. Paulo Rabello ,Brasil, País dos Impostos. - 8/6/2010
Candidato deriva de cândido, imaculado, mas os partidos sóem apresentar gente mui enlameada.

Os políticos acercam-se dos cofres das estatais para desviar verbas públicas. Em português claro: para roubar. Todo o nosso esforço deve se voltar para o combate à corrupção e às práticas políticas nocivas. É preciso desnudar diante dos olhos da nação esse esquema nefasto dos partidos para alcançar os cofres do Estado.
Sen. J. Vasconcelos PMDB. Folha São Paulo, 25/2/2009
Foi preciso levante nacional para expressar uma lei que vete a disputa de réus. Terá pouca serventia.

A grande incógnita dos Novos Tempos é... como fica o ordenamento político-jurídico-institucional (e/ou se promove o seu reordenamento) de um país em que a vulgarização das instituições não é mais o objeto de comentários 'à boca pequena', mas sim 'às escâncaras'? LESSA, Cláudio, Relativização da conduta, www.diretodaredacao.com, 30/8/2009
Infelizmente o sinal está fechado para nós.

O jornal espanhol El País repercutiu em sua edição desta terça-feira 3/3/2009 a investigação de 378 políticos, entre deputados, senadores e ministros. Entre os investigados, estão os 40 réus do caso do mensalão, escândalo em que parlamentares foram acusados de receber dinheiro em troca de apoio político ao governo. O El País comenta ainda que no Brasil a corrupção tem características especiais, como estar 'incrustada' nos Três Poderes e na polícia e pelo País ser "onde existe maior impunidade" em relação à criminalidade. 'Há mais de 10 anos que não é condenado ou preso um só político'.
Como sair desse imbroglio?
Eu sei. Mas direi outro dia.
____________

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A lição da maçã

O essencial é invisível para os olhos.
SAINT-EXUPÉRY, O Pequeno Príncipe

Todo o mito vem de alguma inspiração, no fito de orientar inexperientes. O Paraíso foi uma forma de conjecturar um local ideal para usufruir a vida, e a eternidade. ADÃO & EVA, contudo, não estavam satisfeitos. Queriam saber o segredo de DEUS. Qual a razão da idiotice ninguém soube melhor explicar. A dupla também desejava produzir paraísos, mera reprodução da espécie, ou os dois? DEUS cortou o barato, e despejou o ingrato casal. Até hoje descendentes não entendem:
O ser humano tende a surtar, pirar ou nem sei que nome dar quando se sente desse jeito, afinal somos complexos, somos feitos a imagem e semelhança de Deus, somos trinos como Ele, não na exuberância de sua Santidade mas sim na composição de corpo, alma e espírito. CAJADO, S., Ritmo interior
Será que alguém pode surtar curtindo um cruzeiro por ilhas gregas? Pois SÓCRATES morava por lá, mas também não estava satisfeito. Queria conhecer a si próprio. A maiêutica o levou aos braços de HADES. O "mais sábio dos homens" preferiu o cabo  definitivo. Foi sua própria e já extremada curiosidade, ou melhor, a superstição que o traiu, arrebatando-lhe a vida."... Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos." (http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates)  O primata topou abreviar a partida porque a viagem implicaria de plano conhecer sua parte mais sublime - para ele, completamente estranha, mas excitante, qual convencida alma:
Eis a razão porque, quem quer que leia seriamente as obras de Platão, nelas encontrará, evidentemente, tudo, mas em particular essas duas verdades eternas: o culto reconhecido de um deus conhecido e a divindade das almas, onde reside toda a compreensão das coisas, toda a regra de vida e toda a felicidade. E tanto o mais que, sobre estes problemas, a maneira de pensar de Platão é tal que, de entre outros filósofos, foi a ele que Agostinho escolheu para modelo, como sendo o mais próximo da verdade cristã, afirmando que, com pequenas alterações, os platônicos seriam cristãos.’
Pois mesmo sabendo de antemão que seria automaticamente expulso do Paraíso das ilhas gregas, ainda assim, agravado por egoísmo, SÓCRATES preferiu ingerir a cicuta. Morreu na ignorância para dar parto à sabedoria. Por certo hoje ele muito sabe. Eu também. Nenhum MERCÚRIO pintou na minha frente, mas eu sei: o preço pago não demonstra ser bom investimento. Custa a própria integridade do que estipulamos como ser humano - a sucumbência do corpo para o exclusivo usufruto da alma. Inevitável, mas imprudente o atalho. Por ser precisamente filho CRONOS & RÉIA, HADES tem tudo cronometrado. Não adianta querer enganá-lo.
Mais do que SAINT EXUPÉRYque mergulhou precocemente, por certo acidentado, embora  não descarte a vontade implícita, SÓCRATES não foi sábio. Nota zero na Física, e duplo zero na Metafísica. Não maior nota para quem se julga apto para interpretar, compreender, fazer a vontade ou querer ler a mente de DEUS. Ele não vem ao caso. E se o caso for até Ele, será o fim.
Carpe Diem. Sapere Audi.
___________

domingo, 6 de junho de 2010

A teologia da Bíblia

 Durante o século IV a.C., verificou-se, no mundo grego, uma revivescência da vida religiosa. Segundo alguns historiadores, um dos factores que concorreram para esse fenômeno foi a linha política adotada pelos tiranos para garantir seu papel de líderes populares e para enfraquecer a antiga aristocracia, os tiranos favoreciam a expansão de cultos populares ou estrangeiros. Wikipédia
Para Platão, (Timeu. 26a) a ordem e a beleza que vemos no Cosmo resulta de uma intervenção racional, intencional e benigna de um divino artesão, um 'demiurgo' (gr. δημιουργός), que impôs uma ordem matemática a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divinamente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável. Ele admite que a crença em Deus não pode ser demonstrada, nem sua existência; mas fala que ela não faz mal, só bem. O mal para Platão é apenas a ignorância do bem, e ele procura demonstrar que o mal inexiste, e ninguém opta por ele de forma voluntária.
Minha desconfiança em relação a Platão robustece-se cada vez mais. Parece-me que ele se desviou de todos os instintos fundamentais dos gregos; encontro-o tão impregnado de moral, tão cristão antes do cristianismo - já apresenta a idéia do bem como idéia superior - que me sinto tentado a empregar, antes de qualquer outro qualificativo que abranja todo o fenômeno o seguinte epíteto: Platão, ou a mais elevada farsa, ou melhor ainda: Platão, ou o idealismo. NIETZSCHE, F: Crespúsculo dos Ídolos, “O Que Devo aos Antigos”, 2.
O script platônico só não contava com o DEMIÚRGO* humanizado no Concílio à Constantino:
Se o justo aparecer na terra, será açoitado, atormentado, posto em cadeias, cegado de ambos os olhos, e, finalmente, depois de todos os martírios, pregado numa cruz, para chegar á compreensão que o importante neste mundo não é o ser justo, mas parecê-lo. PLATÃO, República: 361
O pragmatismo espartano consubstanciou a República de Roma, e os impérios Romano e Bizantino.
E como se desce, desse mundo de ironia e razão e veridicidade, ao reinado do sábio de Platão, cujos poderes mágicos o elevam muito acima dos homens comuns, embora não tão alto que dispense o uso de mentiras ou despreze o triste mercado de cada curandeiro, a venda de feitiços, de encantamento e criadores de raça, em troca de poder sobre seus concidadãos! PEREIRA, J.C., Epistemologia e Liberalismo - Uma Introdução a Filosofia de Karl R. Popper: 153
ZENON, o fundador do estoicismo, frequentara a já famosa Academia, para depois apresentar suas lições em plena ágora. Houve quem apelasse para a "solução" socrática:
No ano 65 d.C., Séneca foi acusado de ter participado na conspiração de Pisão, na qual o assassínio de Nero teria sido planejado. Sem qualquer julgamento, foi obrigado a cometer o suicídio. Na presença dos seus amigos cortou os pulsos, com o ânimo sereno que defendia em sua filosofia.
A visão imperial tinha que mirar a matéria. Todos preferiam acreditar que as realidades corpóreas existiam por sopro divino.
O pneuma ou espírito é a força ou o poder criativo e princípio racional que ordena todas as coisas, e dá-lhes os recursos que correspondem à sua maior perfeição. Aos romanos, e a CÍCERO, interessava a tècne:
Em 87 a.C., Filão de Larissa, o chefe da Academia fundada por Platão em Atenas 300 anos antes, chegou a Roma. Cícero, 'inspirado por um extraordinário zelo pela filosofia', sentou-se entusiasticamente aos seus pés e absorveu a filosofo de Platão, chegando a dizer que Platão era o seu deus. Admirava especialmente a seriedade moral e política de Platão, mas também respeitava a sua imaginação. Mesmo assim, Cícero rejeitou a teoria das Ideias dele.
O dèbacle do império exigiu a retomada do viés teológico.
 Não puderam (os homens), com efeito, tendo considerado as coisas (da natureza), como meios, supor que elas tivessem sido produzidas por elas mesmas, mas, tirando a sua conclusão dos meios que se acostumaram a obter, tiveram que persuadir-se de que existiam um ou mais diretores da Natureza, dotados de liberdade humana, que tivessem provido todas as necessidades deles e tivessem feito tudo para seu uso (dos homens). Não tendo jamais recebido (a) respeito do propósito destes seres informação alguma, tiveram também de julgar segundo o seu próprio, e assim admitiram que os deuses dirigem todas as coisas para uso dos homens, a fim de que esses se lhes liguem e para que sejam tidos por esses na maior honra. Do que resulta que todos, referindo-se ao seu próprio propósito, inventaram diversos meios de render culto a Deus, a fim de que fossem amados por ele acima de todos, e para que obtivessem que dirigisse a Natureza inteira em proveito de seu desejo cego e de sua avidez insaciável. SPINOZA, B,, Ética, Prop. XXVI, Apêndice
Com o surgimento dos imperadores romanos o curso dos tempos se torna ainda mais tormentoso e os homens interiormente ainda mais inquietos e angustiados. E chegamos então a um ponto, verdadeira e secularmente crítico, de profunda decadência, quando, subitamente, aparece a figura de Cristo, anunciando-se como a luz do inundo, a ressurreição e a vida. O Cristianismo, ainda jovem, entra em cena e aos poucos arranca, à Filosofia, a direção do homem. HIRSCHEBERGER, J., História da Filosofia na Antiguidade. www.portalsaofrancisco.com.br
 A pretensa episteme socrática poderia reforçar a malfadada tecnè platônica:
Desenvolvido por Plotino (205/270) no início do século IV, em meio à decadência do Império Romano, o neoplatonismo tornou-se uma das mais importantes correntes filosóficas da época e foi a última contribuição do pensamento grego à filosofia Ocidental. O neopitagorismo, que sobrevivera desde o século - IV como um modo de vida verdadeiramente religioso, também acabou por se fundir com o neoplatonismo.
www.greciantiga.org
O "espírito religioso" provinha do encantamento de PITÁGORAS ao devaneio de ORFEU. Se o céu era inalcançável, e o subsolo insondável, existia uma ordem oculta, onde só a alma poderia desvendar.
A interpretação religiosa assenta nessa mesma biguidade: una est religio in rituum varietate, proclama Ficino, que, na Teologia Platônica – título revelador – desenvolve o acordo entre o platonismo e o cristianismo.
Perfilando-se aos consagrados precursores, PLOTINO ( Enéada VI, 9º tratado) imagina um unico DEUS, o UNO. "É em virtude do Uno [unidade] que todas as coisas são coisas." Neste particular, o parceiro estóico PORFÍRIO* resolveu montar uma estrutura lógica sobre a realidade aferida, ao gosto da escola.
  A Árvore de Porfírio parte de qualquer conceito ou gênero amplo, divide esse gênero em outros tantos gêneros subordinados, mutuamente excludentes e coletivamente exaustivos, por meio de pares opostos, chamado "diferenças". O processo de divisão pelas diferenças segue até que a espécie mais baixa seja alcançada, espécie essa que não pode ser mais dividida. O ser humano, e esta concepção, encarada até hoje, na conservação dessa pura ignorância, surge dividido em corpo e alma, esta produto divino, e aquele, produto terráqueo..
A alma . . . se ela partir pura, não arrastando consigo nada do corpo, . . . parte para o que é como ela mesma, para o invisível, divino, imortal e sábio, e quando chega ali, ela é feliz, liberta do erro, e da tolice, e do medo . . . e de todos os outros males humanos, e . . . vive em verdade por todo o porvir com os deuses. PLATÃO. Phaedo (Fédon), 80, D, E; 81, A.
Por acreditar nesta sandice, e por querer conhecer o dark side of the moon é que SÓCRATES antecipou a partida ao reino de  HADES.
PORFÍRIO (c.232- c.304),decisivo discípulo de PLOTINO. Organizou e publicou 54 tratados do mestre na obra As Enéadas. Escreveu A Vida de Plotino e comentou as obras de PLATÃO e ARISTÓTELES . Seu livro Introductio in Praedicamenta foi traduzido para o latim por Boécio e transformou-se num texto padrão nas escolas e universidades medievais, possibilitando desenvolvimentos na filosofia, teologia e lógica durante a Idade Média
PLOTINO, dizia,  reavivou a douta disposição órfica apenas retirando de HADES a primazia da recepção aos mortos. Pela importância da função, o hall cabia diretamente ao Presidente da organização, mas nesse campo preferiu aguardar. PLOTINO passou 10 anos apenas ministrando lições, sem nada escrever, por respeito a um pacto que fizera com ORÍGENES. CELSUS (em grego: Κέλσος) atacara a forma encontrada para o nascimento de JESUS, que alegou ter sido adulterina, mas ORÍGENES tratou de afastá-lo, em manuscrito Contra Celsum. Pelos rastros até aqui apurados, PLOTINO omitiu-se da crítica a ORÍGENES no fito do exercício de poder, do pragmatismo que as tragédias evidenciadas estavam a reclamar. Qualquer alternativa de especular além-túmulo era escolha pessoal, de qualquer governante, mas fosse qual fosse não era certo. As atenções deveriam se restringir ao concreto, à confusa realidade vivida, e segundo os preceitos de PLATÃO, descontente com HADES, porque o guardião do submundo havia lhe roubado a parceria de forma antecipada.
O plano de carreira se resumia em matar o detentor do posto almejado. Por outro lado, não poderia todo mundo resolver as coisas com a solução socrática. Medidas de prevenção tinham que ser tomadas, ainda mais no meio daqueles milhões de desesperados, onde a água da chuva vinha com a marca do coração. Porém, daqui da enorme distância de seu EspaçoTempo, é fácil aquilatar a grande falha de PLOTINO.
Orígenes como é comum nos escritores cristãos influenciados pelas doutrinas derivadas de Platão coloca as Idéias platônicas na Mente Divina, na Sabedoria de Deus. O Filho de Deus, Segunda Pessoa da Trindade, é a Sabedoria biblica: Mente de Deus, substancialmente subsistente:
Orígenes afirma que Cristo é Filho por natureza, 'o Filho unigênito do Pai'. (Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5).
[…] Deus sempre foi Pai, e sempre teve o Filho unigênito, que, conforme tudo o que expusemos acima, é chamado também de sabedoria (…) nesta sabedoria que sempre estava com o Pai, estava sempre contida, preordenada sob a forma de idéias, a criação, de modo que não houve momento em que a idéia daquilo que teria sido criado não estivesse na sabedoria…(Orígenes. Os princípios, livro I, 4, 4-5.)
O pensamento de Orígenes chama bastante atenção no que diz respeito a esse tema, pois alem de afirmar a virgindade perpétua de Maria, o que foi praticamente uma unanimidade nos primeiros séculos do cristianismo, realça os olhos com que naturalidade afirma também a imaculada conceição de Maria: "Desposada com José, mas não carnalmente unida. A Mãe deste foi Mãe imaculada, Mãe incorrupta, Mãe intacta. A Mãe deste, de qual este? A Mãe do Senhor, Unigênito de Deus, do Rei universal, do Salvador e Redentor de todos. ORÍGENES, Homilia inter collectas ex variis locis. - http://pt.wikipedia.org/wiki/Or%C3%ADgenes#A_produ.C3.A7.C3.A3o_teol.C3.B3gica
Os neoplatônicos se dividiram. PORFÍRIO tomou consciência do alcance do quadro pintado por ORIGENES e não titubeou, intitulando sua mais famosa obra: Contra os cristãos. Tarde demais. A Septuaginta, já estava em circulação, ganhando lá numerosos adeptos, para formar o grande delta ao escritor SANTO AGOSTINHO.
Está escrito que Caim fundou uma comunidade; mas Abel não fez o mesmo, fiel ao seu caráter peregrino e de hóspede temporário. É que a Comunidade dos Santos não é deste mundo, embora aqui tenha dado origem a cidadãos através dos quais se realiza sua peregrinação até que chegue o tempo de seu reino, quando todos se congregarão.  Santo Agostinho: De Civitae Dei, Livro XV, cap. I.

Para MARIA BAKER EDDY, a cristandade é "o sistema científico de cura divina." Ela descobriu o fenômeno a partir de si própria, em 1866, quando milagrosamente se restabeleceu de grave doença graças à leitura do Evangelho segundo S. MATEUS (IX, 1-38). A fé curava. Se em seguida ela morresse atropelada seria contingência da vida, não falta de fé. De qualquer sorte ela poderia contar com uma espécie de revanche:
Se acreditamos em um Deus justo, acima de qualquer outro atributo, só podemos vislumbrar essa justiça via reencarnação. Se não, como explicar essa justiça divina dentro de um mundo de contrastes e desigualdades abismais? Como entender o gênio e a besta criados ao acaso, por mero capricho, e conciliar sua existência com a justiça do Criador? LIMA, M.C.A., Afinal, quem somos nós? : 116
 EINSTEIN & INFELD (A Evolução da Física), contudo, bem compreenderam a faina milenar: "O cientista nunca dialoga com a natureza pura, mas com um certo estado de relação entre a natureza e a cultura, definível pelo período da história no qual ele vive, sua civilização, os recursos materiais dos quais dispõe."
Por primar pela diversidade e pela interatividade, o Universo ignora o que venha a ser Justiça
__________
Notas
*
No cristianismo, isso se dá a partir da Bíblia. O teólogo suíço Karl Barth definiu a Teologia como um "falar a partir de Deus". O termo teologia foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo A República, para referir-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em oposição à compreensão literária própria da poesia, tal como era conduzida pelos seus conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados:
  • Teologia como o ramo fundamental da filosofia, também chamada filosofia primeira ou ciência dos primeiros princípios, mais tarde chamada de Metafísica por seus seguidores;
  • Teologia como denominação do pensamento mitológico imediadamente anterior à Filosofia, com uma conotação pejorativa, e sobretudo utilizado para referir-se aos pensadores antigos não-filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

A avó de Jesus Cristo


Quando moço, esse Deus do Oriente era ríspido e estava sedento de vingança: criou um inferno para deleite dos seus prediletos. Por fim, fez-se velho e brando e terno e compassivo, assemelhando-se mais a um avô do que a um pai, e até mais a uma avó decrépita. NIETZSCHE, F., Assim falou Zaratustra

FLAVIA IULIA HELENA, também conhecida como SANTA HELENA, HELENA AUGUSTA ou HELENA DE CONSTANTINOPLA (250330) foi a primeira mulher de CONSTÃNCIO I CLORO, e mãe do Imperador CONSTANTINO, O GRANDE,  Segundo Eusébio de Cesaréia,  primeiro historiador da igreja cristã, falecido em 341,  o próprio CONSTANTINO lhe confessou ter tido duas fantásticas visões.   Não havia dúvidas. Cristo  escolhera o psicopata para missões extraordinárias. Então para provar a santidade do filho lá se foi a avó para dar luz à JESUS CRISTO, isso mais de trezentos anos depois da propalada crucificação.
Minha desconfiança em relação a Platão robustece-se cada vez mais. Parece-me que ele se desviou de todos os instintos fundamentais dos gregos; encontro-o tão impregnado de moral, tão cristão antes do cristianismo - já apresenta a idéia do bem como idéia superior - que me sinto tentado a empregar, antes de qualquer outro qualificativo que abranja todo o fenômeno o seguinte epíteto: Platão, ou a mais elevada farsa, ou melhor ainda: Platão, ou o idealismo. NIETZSCHE, F: Crespúsculo dos Ídolos, “O Que Devo aos Antigos”, 2.
Em pleno XXI, como  pode alguém ainda acreditar nesta forja tão infantil, ainda mais uma civilização inteira? Mas pelamor dedeus.
Uma septuagenária HELENA resolveu enveredar à arqueologia. A anciã  tomou um barco,  e desceu o Mediterrâneo, rumo à Palestina. A felizarda não tinha mais tempo a perder, e logo descobriu os caminhos de CRISTO
Numa das escavações feitas no alto do Gólgota, em busca do sepulcro onde o corpo de Cristo teria sido colocado findo o suplício, encontraram três antigas cruzes bem próximas umas das outras. Foi a glória de Helena. O próprio lenho onde o Senhor fora sacrificado, a Santa Cruz, caíra em suas mãos. A augusta mãe sentiu-se então redimida. (A Igreja também, canonizando-a como Santa Helena). De alguma forma ela supôs que tal graça era sinal de que os crimes do filho estavam perdoados. E assim, resultado de batalhas vencidas, de crimes seguidos de arrependimentos, o cristianismo se afirmou como religião oficial do império romano e de parte considerável do mundo. SCHILLING, Voltaire, http://educaterra.terra.com.br/voltaire/antiga/2002/12/16/000.htm
"No lugar onde Jesus fora crucificado, havia um jardim, e neste um sepulcro novo … e por estar perto o túmulo, depositaram o corpo de Jesus." (Jo 19:41-42)  
Eleitos todos os points, a "santa" arrumou financiamento às construções da Igreja da Natividade em Belém e do Santo Sepulcro. em Jerusalém. Os recursos à magestosa empreitada foram retirados dos súditos bizantinos, claro, enviados pelo agradecido filho basileu. Ao regressar a Constantinopla, a mãe de CONSTANTINO faleceu. Missão cumprida.Ela está sepultada, todavia, em Roma, entre os herdeiros do estupendo acervo..
Pelo número e pela importância das descobertas a distinta senhora não merecia o maior Nobel?
* * *
Reduzir o sonho a dogma de escola metafísica, equivale a acabar com ele. Paulatinamente se diluem as forças, para imperar, enfim, o radical niilismo: ‘Crê que não és nada, pois o paraíso virá e salvar-te-á.’ Esta negação da vida, a negação do homem, foi a sortie de SÓCRATES. A pretensa moral socrática, apropriada pelo cristianismo, é a da culpa, do arrependimento, do desapego às coisas da vida. E a vida, que foi uma benesse criada por DEUS, deve ser rejeitada. O paradoxo emerge aqui. Pobre homem, enlouquecido.
A ideologia cria uma 'falsa consciência' sobre a realidade que visa a modo de suprir , morder e reforçar e perpetuar essa dominação. (Wikipédia)
Apuramos esta nossa civilização esquizofrênica, voltada à competição, onde não se persegue o poder ao aperfeiçoamento pessoal - afinal, não temos poder sequer sobre o próprio sono -  mas sim como fundamento à destruição do concorrente, "A estimativa é de que atualmente haja 35,6 milhões de pessoas vivendo com demência no mundo. Este número deve subir para 65,7 milhões até 2030 e 115,4 milhões até 2050." BBC-Brasil, 21/9/2010
Amordaça-se a dignidade, e emudecem os parcos escrúpulos. Ocultam-se intenções, disfarçam-se sentimentos. Na íntima convicção a consciência assinala a discrepância. Sabe de antemão que as atitudes são reprováveis, e por isso tem que carregar no braço o guarda-chuva da imperfeição natural, para qualquer eventualidade. Desse modo as ações podem ser indignas, vergonhosas, banhada em torpeza de dezenas de quilates, nocivas mas compreensíveis, inerentes à fraqueza humana. Sua moral é dissolvente. Há que simular, e dissimular. E lá vai a gente a promover medições de força, à guerra, à obssessão pela matéria, ou por seu desprezo, à mais completa alienação, ou não? E o que dizer dos energúmenos de nossos dias, a se matarem por causa da tal Terra Santa? "Tudo que afrontar a Deus é impuro, e deve ser castigado, pois o demônio apossou-se de sua vida; deve ser expulso..."
Claro que não é bem isso. Hipócritas não são impelidos por fé alguma. É apenas subterfúgio. E como tal, inconfessável. Esquivam-se da responsabilidade, invocando o falso motivo.
"As Cruzadas não diziam respeito apenas à libertação do Santo Sepulcro, mas antes a saber qual dos dois venceria na terra." (SAID, EDWARD, Orientalismo: o oriente como invenção do ocidente: 180)*
Em minhas investigações deparo-me com inúmeras trapaças, as quais levam de roldão um número astronômico de incautos. Vá lá que a história está cheia de estórias, e mesmo disparates, mas elas sempre se revelam. Mas e esta? Não há ninguém para puxar a saia do travestido, ou não convém enxergar as pernas cabeludas?
Para falar a verdade, olhando a religião como um modo de acorrentamento da caverna de Platão, não se pode deixar de pensar que a humanidade como um todo tem uma certa tendência a gostar de ser mantida acorrentada na ignorância. BELLI, M. O Mito da Caverna de Platão e o Paradigma da Representatividade
Bem, mas estamos no XXI, o da maioridadade. Verifiquemos melhor a trajetória, o alto desígneo, e os motivos daquela bem-aventurada criadora do personagem pelo qual a humanidade diz seguir, sem saber sequer para onde. Dizem que é ao Paraíso. Minha parca imaginação não pode suipor como tal seja. Mas a julgar pela falta de imaginação dos metafísicos, deve ser uma chatice.
HELENA nasceu numa família modesta de Drepanon, cidade na província de Bitínia, na Ásia Menor (atual Turquia). Quando conheceu CONSTÂNCIO CLORO era apenas uma serva e este ainda não tinha o título de CAER. Por esta razão, não existiu uma oposição à relação. De olho no trono do Império Romano, o pai de CONSTANTINO I divorciou-se de HELENA para se casar com FLAVIA MAXIMIANA THEODORA, filha natural ou adotiva do imperador MAXIMIANO e assim nomeado co-regente. O marido, genitor do crápula CONSTANTINO I, trocou uma casa por um palácio. Bom negócio. HELENA ficou lá, no ostracismo da periferia, era próxima do bispo EUSÉBIO, para aderir ao arianismo. A sorte lhe bateria na porta. Por certo, coisa de DEUS, sempre justo. Primeiro, ela converteu o filho para seguir os caminhos do pai, isto é, rumo ao trono. Para tanto, primeiro tinha que desposar a filhinha com de sete anos de MAXIMIANO. Quando o filhote se tornou imperador em 306, HELENA saiu da situação de penúria e marginalidade dos últimos treze anos. O que HELENA propos, e com total êxito, foi uma forma de complementar a aridez matemática de PLATÃO, com a perna que o proprio grego rejeitou por não admitir o suicídio do amado SÓCRATES, o buscador do conhecimento de si próprio, da alma, de HADES.
Para Platão, a ordem e a beleza que vemos no Cosmo resulta de uma intervenção racional, intencional e benigna de um divino artesão, um "demiurgo" (gr. δημιουργός), que impôs uma ordem matemática a um caos preexistente e, assim, produziu um Universo divinamente organizado, a partir de um modelo eterno e imutável (Pl. Ti. 26a). www.greciantiga.org
Com o novo arranjo o Império Romano virou Bizantino, na cor pretensamente mais humana, porém ainda mais cruel.
Desenvolvido por Plotino (205/270) no início do século IV, em meio à decadência do Império Romano, o neoplatonismo tornou-se uma das mais importantes correntes filosóficas da época e foi a última contribuição do pensamento grego à filosofia Ocidental. O neopitagorismo, que sobrevivera desde o século - IV como um modo de vida verdadeiramente religioso, também acabou por se fundir com o neoplatonismo.
Idem
HELENA gostava muito do seu neto mais velho, CRISPUS CAESAR - filho de CONSTANTINO e MINERVINA, esta trocada posteriormente por FAUSTA, menina filha do Imperador em exercício, pela qual CONSTANTINO ascendeu ao poder, derrubando o novo sogro, depois mandando matá-lo, e por fim, liquidando o cunhado. Era pouco sangue. Por volta de 326 CONSTANTINO decretou a execução de CRISPUS, então com vinte anos, que "teria tentado seduzir a madrasta". Em vingança pela morte do neto,a santa HELENA mandou matar FAUSTA.
Um amor assim, mais divino, onde encontrar?
Mas o pior é que tem mais. Muito mais. De arrepiar! Até amanhã.
__________
Nota
* Chama-se cruzada a qualquer um dos movimentos militares, de caráter parcialmente cristão, que partiram da Europa Ocidental e cujo objetivo era colocar a Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e a cidade de Jerusalém sob a soberania dos cristãos. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcosmuçulmanos. (Wikipédia)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O pai de Jesus Cristo

Se é difícil olhar, por um instante, para o semblante da morte que ameaça paralizar o nosso braço, mais difícil ainda é resistir, durante toda uma vida, aos prejuízos e rotinas que ameaçam asfixiar a nossa inteligência.
OS VALORES MORAIS - O Homem medíocre, de José Ingenieros
O grego FLAVIUS VALERIUS CONSTANTINUS, latinizado CONSTANTINO I, CONSTANTINO MAGNO, ou CONSTANTINO, O Grande (272 -337) ganhou título de AUGUSTO em 306 à missão de recuperar a hegemonia do Império Romano.
Constantino teve uma boa educação - especialmente por ser filho de uma mulher de língua grega e haver vivido no Oriente grego, o que facilitou-lhe o acesso à cultura bilingue própria da elite romana - e serviu no tribunal de Diocleciano depois do seu pai ter sido nomeado um dos dois Césares, na altura um imperador júnior, na Tetrarquia em 293.
O que ele fez foi levar o trono para casa. O Grande trocou Roma por Bizâncio, decretou o grego além do latim como língua oficial, e alterou a designação de imperador. Queria ser chamado de basileu, doçura em remessa à basílica, não ao quartel. O primeiro Papa. Pronto.
O Primeiro Concílio de Niceia (cidade da Anatólia, hoje İznik, parte da Turquia) durante o reinado do imperador romano Constantino I, o primeiro a aderir ao cristianismo. Considerado como o primeiro dos três foi a primeira conferência de bispos ecuménica (do Grego oikumene, mundial) da Igreja cristã. Lidou com questões levantadas pela opinião Ariana da natureza de Jesus Cristo: se uma Pessoa com duas naturezas (humana e Divina) como zelava até então a ortodoxia ou uma Pessoa com apenas a natureza humana.
Embora algumas obras afirmem que no Concílio de Niceia discutiu-se quais evangelhos fariam parte da Bíblia não há menção de que esse assunto estivesse em pauta, nem nas informações dos historiadores do Concílio, nem nas tres Atas do Concílio - o Símbolo dos apóstolos, os cânones, e o decreto senoidal. O Cânone Muratori, do ano 170, portanto cerca de 150 anos anterior ao Concílio, já mencionava os evangelhos que fariam parte da Bíblia. Outros escritores cristãos anteriores ao Concílio, como Justino, Ireneu, Papias de Hierápolis, também já abordavam a questão dos evangelhos que fariam parte da Bíblia.*
A nova figura levava grande vantagem sobre o primitivo HADES. CRISTO poderia ser aferido, por visível, ainda em vida. Não necessitava a morte do corpo para o ser humano conhecer sua alma, como pretendeu SÓCRATES ao cair no conto de HADES. 
A Igreja Católica Romana utilizou , a partir do ano 400 d.C., isto é, desde que "conheceu" a mitologia grega através de PLATÃO, a versão chamada Septuaginta. O Novo Testamento (do grego: Διαθήκη Καινὴ, Kaine Diatheke)Bíblia cristã, arquitetada a partir de uma suposta tradução de escritos hebraicos para o grego, feita antes mesmo do fechamento do cânone hebraico na tradição judaica. Assim, a segunda parte da Septuaginta inclui material estranho à Bíblia Hebraica, fontes diferentes e divergentes, inclusive do original já talhado em grego.
O problema era justamente encontrar um modo de conciliar a divindade de Jesus Cristo com o dogma preferencial de um único DEUS, e ao mesmo tempo humano, compondo uma Trindade Santíssima. Eis a razão do concílio.
Não é incomum o vêzo de simular aptidões e qualidades consideradas vantajosas, para colorir a sombra do cenário querido. Qualquer ideologia** busca mascarar, pintar a realidade de acordo com o interesse, com a conveniência do pintor. E para tanto, valem todos os recursos - números, arranjos estatísticos, publicidades, sistemas educativos, elaboração de contrastes, terrorismos, ameaças e seduções, aglutinação e apresentação de prosélitos, metáforas e variados jogos de cena. A história registra, contudo, sempre se abater algum vento inesperado, forte para levantar a saia do travestido. Pois este exíguo engenho está na hora de perder o seu vestal de tecido palimpsesto, plágio estendido em requintados artifícios, subterfúgios e defesas, na esperança de salvo-conduto. A criativa solução foi de encontro aos anseios dos novos dominadores. A votação final foi 300 votos a favor da divindade de CRISTO, contra 2 desfavoráveis.
Como poderia o primeiro cristão desconhecer que seu estandarte subira aos céus, ressuscitado às vistas de algumas testemunhas, sem vestígio na sepultura há apenas tres dias de sua morte? Subsiste a resposta: era a única maneira do Primeiro Concílio de Niceia conciliar a natureza humana com a divina, a excepcional, a única. Dessarte o "pai de Jesus" estipulou também a Páscoa, celebrada no domingo seguinte aos plenilúnios após os equinócios da primavera.
CONSTANTINO leu a obra completa de PLATÃO (República: 361) e recuperou o estandarte: "Se o justo aparecer na terra, será açoitado, atormentado, posto em cadeias, cegado de ambos os olhos, e, finalmente, depois de todos os martírios, pregado numa cruz, para chegar á compreensão que o importante neste mundo não é o ser justo, mas parecê-lo." 
"Segundo Eusébio de Cesaréia, o primeiro historiador da igreja cristã, falecido em 341, foi o próprio imperador CONSTANTINO, O Grande, quem lhe confessou ter tido as duas visões que o convenceram de que Cristo o escolhera para missões extraordinárias." Mimoso. A coincidência do primeiro historiador surgir somente depois de tres séculos, no local e no tempo de CONSTANTINO, e ainda assim não muni-lo já não digo com o Novo, porque ainda não elaborado, mas sequer com o Velho Testamento, já seria mais do que suficiente para falsear essa estória. O que me diz a Wiki sobre este notável coadjuvante?
Tornou-se amigo de Pânfilo, com quem teria estudado a Bíblia, com a ajuda da Hexapla de Orígenes e de comentários compilados por Pânfilo, na tentativa de escrever uma versão crítica do Antigo Testamento.
Sim, "teria estudado a Bíblia" ainda com ajuda, e somente o Velho Testamento? Mas e o Novo, motivo pelo qual se debatia como Cristão, e que elevou e manteve CONTANTINO no trono? Só se o Novo ainda não existisse...
"Efectivamente, parece que um dos manuscritos da Septuaginta, preparado por Orígenes, terá sido trabalhado e revisto pelos dois, a crer em Jerónimo."
Ah tá. Mas a julgar pelo estilo dialético, de ponta a ponta, sugerindo mesmo uma costura, e considerando o amigo de HEXAPLE semi-analfabeto, não vejo heresia em incluir SANTO AGOSTINHO como roteirista preponderante da novela bíblica. É duro, mas fazer o quê? Há muito mais. De antemão cogito a óbvia heurística: JESUS CRISTO não passa da diabólica invenção, ao fito de satisfazer os torpes caprichos inpunemente, irresponsavelmente, porquanto esta responsabilidade só é exigível post mortem. À la SÓCRATES. Ironicamente, o que PLATÃO nunca quis.
Para cumprir suas elevadas missões, o iluminado CONSTANTINO não se furtou em promover incontáveis crimes, entre registrados e incontáveis não descritos, mas presumível pelas batalhas. O contador da estória da cruz primeiro se desvencilhou da mulher; em seguida, casou com a filha de sete anos de idade do Imperador em exercício, obteve apoios no usurpador africano LÚCIO DOMÍCIO ALEXANDREA, cortou o suprimento de trigo à Roma, mandou matar o novo sogro, liquidou com o cunhado,e por fim também destinou a garota já adulta ao condomínio familar, à sete-palmos de fundura.
E assim se despachou o credo das trezentas sumidades, o novo ícone romano, forte para receber o apoio quase unânime de todos que jamais ouviram falar nisso tudo:
Cremos em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis; E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho de Deus, gerado do Pai, unigênito, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial do Pai, por quem todas as coisas foram feitas no céu e na terra, o qual por causa de nós homens e por causa de nossa salvação desceu, se encarnou e se fez homem, padeceu e ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e virá para julgar os vivos e os mortos; E no Espírito Santo. Mas quantos àqueles que dizem: 'existiu quando não era' e 'antes que nascesse não era' e 'foi feito do nada', ou àqueles que afirmam que o Filho de Deus é uma hipóstase ou substância diferente, ou foi criado, ou é sujeito à alteração e mudança, a estes a Igreja Católica anatematiza.
O exemplo ainda mais fulgurante dessa falsidade ideológica viria sob os auspícios da Renascença, encenação que vemos repetida diariamente, a todo instante, em cadeias de rádios, televisões e jornais, tudo sob concessão governamental:
O mundo barroco pode ser descrito também como um grande teatro, onde cada homem deve ocupar o seu lugar. O mais belo dos teatros é o centro do mundo católico romano: a praça de São Pedro em Roma. A literatura, as artes, a filosofia giram em torno de Deus, de suas exigências e da salvação.
JAPIASSÚ, H., 1997: 81
Não é frequente o caso em que a manipulação ideológica da religião com fins políticos é o catalisador real de tensões e divisões e, às vezes, da violência na sociedade?
PAPA BENTO XVI.
Folha de São Paulo, 9/5/2009
Bidú. A participação eclesiástica na sociedade, portanto na política, é de sua função primordial:
A interpretação religiosa assenta nessa mesma biguidade: una est religio in rituum varietate, proclama Ficino, que, na Teologia Platônica – título revelador – desenvolve o acordo entre o platonismo e o cristianismo. ‘Eis a razão porque, quem quer que leia seriamente as obras de Platão, nelas encontrará, evidentemente, tudo, mas em particular essas duas verdades eternas: o culto reconhecido de um deus conhecido e a divindade das almas, onde reside toda a compreensão das coisas, toda a regra de vida e toda a felicidade. E tanto o mais que, sobre estes problemas, a maneira de pensar de Platão é tal que, de entre outros filósofos, foi a ele que Agostinho escolheu para modelo, como sendo o mais próximo da verdade cristã, afirmando que, com pequenas alterações, os platônicos seriam cristãos.’
Que sentença penal merecem esses que ludibriam gerações e mais gerações, per seculum ad seculorum?
_______
Nota
* É improvável que este trio formulasse algo ligado a JESUS CRISTO.
Justino, nasceu em Flávia Neápolis (atual Nablus), na Síria Palestina ou Samaria. A educação infantil de Justino incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo.
JUSTINO, nascido um século depois de CRISTO, "foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre Jesus. Ele falou a Justino sobre os profetas que vieram antes dos filósofos, ele disse, e que falou "como confiável testemunha da verdade". Eles profetizaram a vinda de Cristo e suas profecias se cumpriram em Jesus. JUSTINO, convencido de que a filosofia grega tende para Cristo, abraça a causa.
Ora, a filosofia grega tinha até estipulado, por
PLATÃO, a vinda do justo. Seria este o profeta?
Ou seja - até agora, pelo menos, nada havia de Sagrada Escritura, pelo menos o Novo Testamento.
De Santo Ireneu de Lião há escassa informação e muitas coisas são pouco exatas. Teria nascido na Asia proconsular, pelo menos em alguma província em seu limite, na primeira metade do século II. Não se sabe a data certa de seu nascimento. Está entre os anos 115 e 125, ou entre 130 e 142 segundo outros autores. Fora de questão, pois.
E de Papias de Hierápolis (c.e 65 - 155 d.C), então, nem falar. "Infelizmente restaram apenas as citações de Eusébio da obra de Papias, que desapareceu por volta de 1341 dos catálogos da Biblioteca de Estames, um mosteiro cisterciense."

**
Para Karl Marx a ideologia é instrumento de dominação que age através do convencimento (e não da força), de forma prescritiva, alienando a consciência humana e mascarando a realidade. Os pensadores adeptos da Teoria Crítica Frankfurtiana consideram a ideologia como uma ideia, discurso ou ação que mascara um objeto, mostrando apenas sua aparência e escondendo suas demais qualidades. Por isso, a ideologia cria uma “falsa consciência” sobre a realidade que visa a modo de suprir , morder e reforçar e perpetuar essa dominação. (Wikipédia)