terça-feira, 28 de setembro de 2010

Brazilianista, pero muy amigo.

O Brasil precisa resolver o problema da desigualdade social e melhorar a qualidade da educação pública para poder atingir um nível de desenvolvimento de país rico, na avaliação de acadêmicos consultados pela BBC Brasil como parte da série 'O Que Falta ao Brasil?' que discute os desafios do país para se tornar uma nação desenvolvida. “A desigualdade é o maior problema, porque ela enfraquece o crescimento econômico, leva a altos níveis de criminalidade e insegurança, e força o país a gastar seus escassos recursos com polícia e prisões”, afirma o americano Barry Ames, diretor do departamento de ciência política da Universidade de Pittsburgh e especialista em Brasil no Centro de Estudos Latino-Americanos da instituição. “No atual clima econômico mundial, a organização sindical não é capaz de levar a aumentos significativos nos salários reais, e o Brasil ainda está muito atrasado nas melhorias na qualidade da educação de massa para fazer uma diferença verdadeira. O Brasil não pode resolver seus problemas de desigualdade pelas forças do mercado ou institucionais, então seu governo precisa aumentar sua capacidade burocrática ao mesmo tempo em que reduz a corrupção e o clientelismo.
O diagnóstico do catedrático norteamericano não apresenta nada original. Discurso populista, apropriado à década de 30. Coisa de quem prefere a tecnè, em vez da episteme. Visa o exercício  de poder sobre todos, e por isso todos tem que ser iguais - meros peões de um jogo cujo rei frequentemente é suicida. Não há, nem nunca haverá igualdade entre os homens, tampouco no reino animal, vegetal, ou até no mineral. Se a procurarmos na teia cósmica, sequer nos anéis de Saturno. "Um universo físico requer diversidade. A matéria não pode se formar sem diferenças." (SHELTON: 170.)
Igualdade de quê?
Prêmio Nobel de Economia
1998, AMARTYA SEN
O Universo é tecido com a mais estranha diversidade, e a riqueza da Terra aí reside. No entanto, pelo visto, até Patinhas agora arde de paixão pela igualdade, pela Justiça. Pois esta utopia, se realizada perfeitamente, tornaria tudo simplesmente estéril, tanto quanto foi o dantesco espetáculo levado à cabo por trás da Cortina de Ferro. O que todos alcançaremos de maneira absolutamente igual se reserva à última morada. Enquanto vivemos, o melhor é cada ser humano conservar e ampliar sua personalidade. Nossos nomes são escolhidos antes do governos designar os números de nossas identificações. Seres humanos valem mais do que qualquer conta, que sempre será restrita. A comunidade agradece sua preservação.
VILELA & CATÃO (O Monopólio do Sagrado;. - cit. Correio do Povo, 5/11/1995, p. 21) poderiam bem esclarecer ao renomado Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Pittsburgh:
No Terceiro Mundo e sobretudo na América Latina a social-democracia é adotada por quase todos os partidos políticos. Sendo liberal, democrática em política e socialista, intervencionista em economia, promete mais do que pode dar (comportamento típico do populismo). De frustração em frustração, vacilante e inoperante diante da realidade que não consegue entender, procura enfrentar os problemas apenas pela via retórica e acaba gerando o desejo de intervenção, a fim de 'por a casa em ordem' (regimes militares). Essa alternância de militares e populista, ambos intervencionistas, tem sido a saga da América Latina e a grande causa de sua má performance econômica.
O pioneiro e mais famoso brazilianista chama-se THOMAS SKIDMORE (1932, Ohio) Graças ao seviço de inteligência norteamericana, o expert delineou um quadro fidedigno do drama brasileiro vivido na ocasião. Seu detalhado approach se tornou emblemático. Agora a pátria da mais famosa estátua ora condena o mercado, porque não atende o social? E a mais famosa voz da liberdade repercute a todos os cantos do mundo os ideais socialistas, comunistas, fascistas e assemelhados? Pode me tirar o tubo. Prefiro acreditar que são fatos isolados, movidos por interesses restritos, não nacionais.
A desigualdade social é natural. Nenhum ser é igual a outro. Uns dão mais valor às posses, outros ao usufruto. Alguns preferem nobres profissões; outros se dedicam à política-partidária. Há quem opte pelo descômodo do campo, em lugar da balbúrdia da cidade. Nada é igual a nada. Nada pode ser assim estipulado, nem por decreto, tampouco por força de expressão. Por fim, embora a mais famosa conclamação francesa, liberdade e igualdade são antíteses, excludentes.
Por conhecer a História ocasionada pela estória, o tomado brazilianista bem condena a perfídia sindical, mas em seu lugar requer educação de massa, ou seja, dentro do mesmo método sindical, onde é a massa, a união que faz a força? No estádio olímpico campeão ainda é o italiano:
O Estado transcende a vida pública e abarca as mais diversas manifestações de atividade social: a vida familiar, econômica, intelectual, religiosa, etc. Sua indiscrição é completa. Penetra no interior das famílias e das empresas; desce até ao segredo das consciências; julga as intenções e abstenções; retira todo o sentimento ao qualitativo privado e arrasa alegremente o famoso 'muro' simbólico tão penosamente edificado pelo direito do século XX. Sendo controlador o Estado torna-se o único motor social. Dirige o trabalho, mas ocupa-se também dos tempos após o trabalho - dopo lavoro: proíbe certos espetáculos e incita a que assistam outros; são criadas colônia de férias para as crianças e viagens de núpcias para jovens casais; ordena que usem chapéu de palha e que desçam a bainha dos vestidos. Opõe a autonomia do indivíduo liberal, que ele julga irrisória às vantagens da poderosa solidariedade orgânica que ele realiza. Não se limita a enquadrar e apoiar a nação, confunde-se com ela. MUSSOLINI, Benito, Lo Estato Corporativo.
Quanto mais massificada a educação, mais restritas estarão as profissões. Custo a acreditar que os britânicos iriam fornecer receita de algo que eles jamais suportaram. A educação de massa até poderia ser apropriada à Revolução Industrial; não se coaduna, porém, com a Era do Conhecimento, da Criatividade.  
O poder de descentralização deriva do fluxo de novas idéias, imagens e energia para todas as partes do organismo político. Concentrações de poder são tão antinaturais e fatais como um coágulo de sangue ou um fio elétrico desencapado.
FERGUNSON, M.,:
. 210
O que se precisa no Brasil, e em muitos internacionais, é cercear o apetite dos governos sobre a produção, ainda mais por corromper a cadeia com seu gigantismo focado em temas pontuais, eleitoreiros. Cabem-lhe tarefas mais nobres, e que somente ele, por gigante, tem capacidade de instalar. São feitos à sua altura, à sua feição, Para esses, entretanto, Leviatthan tem se mostrado ainda mais imcompetente. se mostra imcompetente. Dos Andes vem a crítica ao modus operandi de anão:
O Brasil quer ser líder, mas não quer pagar os custos dessa liderança, Projetos de infraestrutura que poderiam ter aproximado mais o Brasil dos países andinos também acabaram ficando no papel nos últimos anos. Se há política ineficiente por parte do Brasil é a fronteiriça. Não houve cooperação na proteção da fronteira, e isso deve ser trabalhado pelo próximo governo. eles esperam "mudanças no estilo". BBC/Brasil, 28/9/2010
O Chile é competente com sua gente.
Parece óbvio que quanto mais controle burocrático houver, maior corrupção será instalada. O que pode produzir quem nada produz? Eis, com certeza, a mais flagrante desigualdade social. Infelizmente, ela não se corrige com pauladas, como usavam os frígios para o francês bem compreendê-los.
O país mantém uma população carcerária medalha-de-bronze, perdendo apenas aos populosos EUA e China. A corrupção não contaminaria todas as relações sociais do país mais burocrático do mundo, enquanto num de menor incidência normativa, sede da BBC, pouco se ouve falar dessas distorções às execráveis anomalias. Urge entre nós a prevalência da ética sobre a dialética; mais comércio, e menos direitos; mais relações, e não confrontos. Mais
DEMOCRITO, nada de PLATÂO.
Além dos americanos esmerados brazilianistas, e dos conscientes chilenos, a BBC poderia entrevistar alguns de seus entes queridos. Saber a razão da troca de LEVIATHAN por LOCKE. A Gloriosa preservou a liberdade, da qual a a emissora porta a voz. Isto sim, ainda precisamos saber como é que se faz.
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O BRASILIANISMO
Vera Bungartem
Alfred Stepan
ORIGEM DO TERMO: criado pelo historiador Francisco de Assis Barbosa, ao prefácio de Brasil: De Getúlio a Castelo, de Thomas Skidmore, original de 1969.
NÚMERO DE OBRAS PUBLICADAS: cerca de 500
LIVRO MAIS VENDIDO: Brasil: De Getúlio a Castelo, de Thomas Skidmore, com 70 000 exemplares
ASSUNTOS MAIS ABORDADOS: democracia, modernização econômica, relações raciais
PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO: mostrar como dois países com origens semelhantes, Brasil e Estados Unidos, se desenvolveram de forma diferente
AUTORES QUE ESCREVERAM OBRAS DE REFERÊNCIA: Thomas Skidmore (sobre democracia), Kenneth Maxwell (sobre Inconfidência Mineira), Robert Conrad (sobre escravidão), Alfred Stepan (sobre militares), John Dulles (sobre a esquerda brasileira) Fonte: Veja on line.




segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Ocaso liberal


O Príncipe moderno, o Príncipe mito, não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto - ele só pode ser uma organização. ANTONIO GRAMSCI
Como não há mais possibilidade de nenhuma famiglia ascender ao trono, e transmiti-lo aos herdeiros, os atuais príncipes se obrigam buscar efetivação sob os aplausos de pelo menos parte do povo, para impor sua vontade ao povo.

O segredo de um demagogo é parecer tão burro como os que o escutam, de maneira que essas pessoas se possam considerar tão espertas como ele. KRAUS, Jorn. KARL; cit. REBECCA, G., Incompletude – A demonstração e o paradoxo de Kurt Gödel, Gradiva, Lisboa, 2009: 75
O capricho do astuto sói prevalecer, ao tormento de todos.
O ególatra que alcança o poder pratica a sedução e a submissão das massas de modo espontâneo e masoquista. Seu egocentrismo desenfreado, seu hedonismo patológico o torna megalomaníaco. Entretanto, também sabe que paixões não são eternas. Tampouco existem deuses mortais.
BARBOSA, M. L. V., O poder é afrodisíaco - 7/2/2010..
Nada difere de nenhuma ditadura, seja mais ou menos dura, de proletariado, ou de algum viado:
Consciente ou inconscientemente o Mein Kampf, de Hitler, deve muito a Maquiavel, Darwin, Marx, Mahan, Mackinder e Freud.
DOWNS, R., cit JOHNSON: 4
O liberalismo é Alpha e Omega da democracia. Como é impossível coadunar o fito de um príncipe em esteio democrático, restam acachapantes derrotas da pretensão. Quanto maior sua consagração popular, com maior velocidade se espatifa no chão. Antes disso, contudo, a população se submete ao irreparável flagelo, ainda mais dramático mercê da esperança inicialmente projetada. "Nosso processo de desenvolvimento permite que a gente queira construir não só um País e uma sociedade desenvolvidos, mas que a gente queira também estruturar um projeto de nação." (Candidata à Presidência DILMA ROUSSEFF, não ROUSSEAU)
A história se repete por absoluta ignorância dela própria.
As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável. SKIDELSKI, Robert: 14
Algo que me preocupa un poco es que veo un poco de triunfalismo en el Partido de los Trabajadores'. Hay casi orgullo desmedido, la sensación de que ellos inventaron la rueda, una falta de voluntad para reconocer el rol que jugó el boom de las materias primas en el éxito del país en los últimos 16 años. ROETT, Prof, Johns Hopkins Riordan, The New Brazil, cit. OPPENHEIMER, Andrés, Brasil, ¿país del futuro? - www.elpais.com
"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita". (Jurista Hélio Bicudo, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Velloso, os cientistas políticos Leôncio Martins Rodrigues, José Arthur Gianotti, José Álvaro Moisés e Lourdes Sola,o poeta Ferreira Gullar, d. Paulo Evaristo Arns, os historiadores Marco Antonio Villa e Bóris Fausto, o embaixador Celso Lafer, os atores Carlos Vereza e Mauro Mendonça e a atriz Rosamaria Murtinho.)

Você tem paciência para esperar,
Até que a lama se assente e a água fique límpida?
Você consegue ficar imóvel,
Até que a ação certa ocorra espontaneamente?
TAO TE KING
Sento na praça, para dar milho aos pombos.

domingo, 26 de setembro de 2010

PanDemônio Macroeconômico


A longo prazo estaremos todos mortos. JOHN MAYNARD KEYNES
Quando Malthus morreu, alguns foram ao funeral para prantear, outros para se certificar de que ele realmente estava morto. BUCHLOZ, cit. STRATHERN: 114
O êxito do Plano Real se deve em respeito ao mais singelo princípio monetário: a nenhum país é dado emitir moeda para cumprir seus compromissos sem o lastro que assegure sua liquidez. Não pode mais qualquer moeda se ampliar porque o futuro lhe dará a sustentação. Por esta razão nenhum preço sobe, há mais de década. Isto é, com exceção dos impostos, ampliados espetacularmente, sem a menor causa que justifique impor tanto sacrifício ao povo;  do preço da gasolina, que, dizem, é nossa, e talvez por isso paguemos por ela um valor nunca praticado; e do preço pago pelo aluguel da moeda, já que não se pode emiti-la.. O povo aceitou, e aceita, porque vinha domesticado com juros de dois dígitos ao mes, dos impostos não tem a menor noção de quanto paga, e a gasolina... bem, que mal tem pagar tres litros de leite por um que faça o carro andar? 
Nos acréscimos financeiros antigamente se  incluia a famosa e azarada criação do Czar da Economia, em atenção ao operariado do ABC, pessoal prejudicado diretamente com as maracutaias cambiais levadas à cabo por este gorducho simpático, de fala mansa, pero incisiva. De modo que pagávamos uns 20% ao mês a título de correção monetária, porque o governo colocava a moeda ao rumo da lua, mais os juros convencionais de 1%,  Tal semântica agradava gregos e troianos, todos pelicanos, de modo que foi só manter os mesmos índices, embora nada haja mais para corrigir. A reversão deste descomunal embuste, desta espiral  que a história há de consignar como a maior extorsão já praticada sobre a economia popular, por todos os tempos, em todos os países, o retorno à civilização requer estupendo esforço contrário:
O processo de deflação ainda pode ser iniciado, ou agravado, pela baixa oferta de moeda. Quer dizer, falta dinheiro em circulação, seja por causa dos juros altos, que tornam o crédito proibitivo, seja pela falta de investimentos. Essa bola de neve costuma afetar todos os setores da economia, do agricultor aos fabricantes de, além de abalar a própria estrutura social. http://pt.wikipedia.org/wiki/Defla%C3%A7%C3%A3o_(economia)
"Na verdade, os interesses dos banqueiros têm sido contrários aos dos industriais: a deflação que convém aos banqueiros paralisou a indústria britânica." (RUSSELL, Bertrand)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou o resultado do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que apresentou deflação de 0,32% em agosto. 'Fiquei muito satisfeito com IGP-M de hoje que deu negativo, deu deflação, que significa que estamos desacelerando a inflação no mundo e no Brasil e, portanto, podemos dizer que a inflação está sob controle e deveremos ficar dentro da meta", disse o ministro.' Invertia
O ministro Guido Mantega, e o secretário, Arno Augustin, passaram meses e meses garantindo solenemente que a meta do superávit primário do setor público deste ano seria cumprida. Nesta terça-feira, candidamente, Mantega reconheceu que não conseguiria obter tal superávit e alegou que não podia responder pelos resultados dos Estados e dos municípios.Jorn. Econ. Celso Ming, Estadão, 29/12/2010
Seguramente o Real se encontra em precaríssima situação, sem vislumbre de escapar. As primeiras labaredas estão reservadas à entrada da segunda década.
Faz 24 anos da redemocratização e 21 da promulgação da Carta que restabeleceu o estado de direito democrático, e mesmo assim percebe-se que as instituições republicanas, base da democracia representativa, ainda padecem de investidas do autoritarismo e dão sinais de ainda não estar consolidadas. O Globo, História conhecida (Editorial)
Pois então se o Planalto mantém em cartaz o festival de pecados e incompetência, e a turma do caixa-forte apresenta uma ficha um tanto suja, o que mais se pode esperar além de um pandemônio macroeconômico?
Os cheques sem fundos apresentaram, de janeiro a novembro deste ano, um valor médio de 2.052,21 reais, com um crescimento de 24,3% comparado a 2009.
A moeda está esticada ao máximo. Para mim, prestes a estourar. Senão vejamos:
Pagamos a mais alta taxa de juros do mundo. Desde a Nova República conservamos um dos maiores índices de corrupção, inédito no país**.
Também ao governo cabe arrecadar o valor cobrado na gasolina, que é nossa, por isso pagamos o prelo mais caro do mundo, jamais cobrado nem quando ela não era assim, toda nossa.
Pagamos os mais altos impostos do mundo.
Multas, taxas e judiciários arrecadam como nunca.
Nenhum investimento em infraestrutura foi efetuado, em vinte anos de discursos em palanques.
Com Pulsório O Governo tira de circulação metade dos depósitos que a produção dispõe nos bancos, e desse modo diz refrear a inflação. Maior bobagem não há. O ato per se é condenável, porque se trata de uma apropriação indébita, consentida porque implantada por decreto militar, e ocultada através do AI 5. O Czar lograva o mágico autógrafo do sonolento COSTA E SILVA. E o país foi e ainda é solenemente passado para trás, sem nenhuma sentinela ou alto-coturno se dar conta. Leviathan ainda exige o pagamento antecipadodo imposto de renda referente ao exercício, mes a mes, para devolver o excedente no ano posterior. Nada, entretanto, parece bem, apesar das tantas medidas preventivas pouco recomendáveis.
Quando pagamos a gasolina mais alto do mundo, e ainda assim a Petrobrás se obriga a enxugar o mercado entrando com capitalização através de emissão de ações, e estupendo aporte do BNDES, o que isso significa senão emitir moeda com base em sonho, rigorosamente tentando reaplicar o conto de KEYNES, porque vislumbra em seguida o propalado pre-sal? Pois não convenceu. A iniciativa privada entrou com uma pífia participação, muito aquèm do pressuposto, obrigando o Ministério da Fazenda a carrear grosso aporte para fazer frente ao artifício, sangrando os cofrs públicos numa transferência por demais suspeita dos recursos da produção, em prol sabe-se lá do que será que virá.
O pré-sal sempre foi tratado com nacionalismo retrógrado e grandiloqüência idílica. Do anúncio à ridícula idéia do país integrar a OPEP, o assunto foi marcado mais por devaneios do que seriedade – pelo menos dentro do governo e da aparelhada ANP. O Brasil do pré-sal é Pasárgada. Mas cuidado, Bandeira: lá, Lula é que é o rei. LIMA, Renato,Indigestão de pré-sal
A publicidade é farta. Hitler adorava marketing. Morreu por isso.
Você, Gabrielli, vou lhe dizer uma coisa: eu sei que o pré-sal não tem todo o petróleo que eu penso que tem. (Presidente L. da Silva)
Outra estória por demais chocante protagonizam a Casa da Moeda, o Banco Central, e o Ministério da Fazenda. Refiro-me à retirada de circulação de vultosa quantia, a título de Fundo Soberano, depositados em troca de dólares em alguma caixa-forte da Wall Street.
Com US 195,849 bilhões em caixa, o Brasil é atualmente a oitava maior reserva internacional do mundo. Se por um lado este dado é bom para o País - pois reduz a vulnerabilidade do Brasil em relação às crises externas -, também traz uma conseqüência negativa: a baixa rentabilidade destes recursos, já que a maior parte está aplicada em títulos dos EUA, que rendem por volta de 4,5% ao ano.
Que razão econômica, ética, jurídica , moral, ou sociológica requer tomar dinheiro manu militaire da produção, para entregá-lo aos banqueiros internacionais? O que será que nos é dado em troca?
Há muito superamos a composição: a rigor, desde D. PEDRO II não há mais soberanos no Brasil. Aqui a soberania pertence à lei. Mas também é certo que permitimos que ela, a lei, ceda perante qualquer medida provisória, e assim vemos esta monumental e burra apropriação sobre um capital formado e pertencente à produção. Que a razão assiste o técnico para manter o que temos de mais caro na reserva?
O que não podemos é estar preocupados com a queda do dólar frente ao real e ao mesmo tempo estarmos preocupados com a subida do dólar, possível ou potencial, em função do aumento do déficit em conta corrente

No momento em que o dólar, em função do déficit em conta corrente começar a subir, se vier a subir, aí nós deixamos de nos preocupar com a conta corrente e aí passamos a nos preocupar com a inflação. MEIRELLES, Presidente do Banco Central, Doutor Henrique Meirelles, www.bcb.gov.br, 24/5/2008.
Coisa de mente bipolar, com certeza. O resultado de tão apurada política, malgrado o formidável marketing, emerge como m no mar:
Isso é a fotografia do momento. Não estou culpando o dólar pela redução de empregos. Estou dizendo que foi um dos fatores que influenciaram, frisou o ministro. Para Lupi, o dólar não deve influenciar negativamente nas contratações do próximo ano. Até porque o governo tem vários instrumentos para impedir que isso aconteça como é o caso de adotar uma sobretaxa no importado ou criar isenções de tributos a compra de produtos nacionais.Estadão, 16/12/2010
O quadro de diletantes, inexperientes, aprendizes irresponsáveis, semianalfabetos e mal-intencionados prefere trocar nossa moeda por dólar, que não nos pertence, em vez de usá-la em retorno produtivo, ou  financiar diretamente a produção, o real lastro que exige o Real. Dessarte o motivo excede a simples dialética inflação/deflação.
"O déficit em conta corrente a longo prazo é um fator importante na determinação do valor das moedas. Com o tempo, o mercado vai reagir a isso", disse Meirelles em palestra a empresários na Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep)"
A pergunta que se impõe é a seguinte: qual a razão assiste o técnico para manter o que temos de mais caro na reserva?
A notícia vem a publico em um momento em que o governo tem tomado diversas medidas para tentar conter, ainda que sem sucesso, a valorização do real em relação à moeda norte-americana. O ministro Mantega já havia, inclusive, declarado que usaria recursos do FSB para comprar dólares. Além disso, o Ministério da Fazenda e o Banco Central decidiram que vão realizar ‘leilões-surpresa’. Veja, 20/9/2010
Ou seja: apesar de todos os artifícios, e cálculos, e propaganda, e os grandes movimentos cambiais que andam pipocando até por leilões-supresa, engraçada esta, há quem já ouça até mesmo o tropel do dragão. A Folha (17/09/2010) apurou que entre economistas-chefes respeitados de grandes bancos, alguém vislumbra maior aperto monetário,  bem mais forte, pela frente. O ex-diretor do BC JOSÉ JULIO SENNA ainda participa, e justifica: "O país já se encontra bem perto da velocidade potencial, o que abre espaço para o surgimento de novos riscos inflacionários. Com isto, é mister uma taxa de juros mais elevada para 2011."..
O que é mister é um resquício de vergonha, até mesmo pelo pleito de aumentar a taxa campeã do mundo. Fosse por isso, o resto do mundo estaria na hiper-inflação, ou não?
O resumo dessa ópera é que, no campo da previsão econômica, tudo ainda se passa no mundo da chutometria. E não deixa de ser engraçado observar o estilo com que os argumentos que pretensamente sustentam os chutes são articulados para lhes dar um ar de ciência exata.  Jornalista-economista José Paulo Kupfe. Estadão, 21/12/2010
Infelizmente, nossa escola é a pior possível, inclusive aos professores:
Não se pode exemplificar melhor a abrangência do controle econômico sobre todos os outros aspectos da vida do que na área do câmbio. A primeira vista, nada parece afetar menos a vida privada do que o controle estatal das transações em moeda estrangeira, e a maior parte das pessoas olha com total indiferença a introdução dessa política. No entanto, a experiência de quase todos os países europeus ensinou-nos a considerar essa medida um passo decisivo no caminho do totalitarismo e da supressão da liberdade individual. Ela constitui, na verdade, o abandono completo do indivíduo à tirania do estado, a eliminação definitiva de todos os meios de fuga - não somente para os ricos, mas para todos. Quando o indivíduo já não tem liberdade de viajar nem de comprar livros e revistas estrangeiros, e quando todos os meios de contato com o exterior se limitam aos aprovados pela opinião oficial ou aos que esta considera necessários, o controle efetivo da opinião torna-se muito maior do que o exercido por qualquer governo absolutista dos séculos XVII e XVIII.  HAYEK, F., O caminho da servidão, cap. 7; Controle econômico e totalitarismo.
E, ainda que o fascismo e o nacional-socialismo tenham sido destruídos enquanto realidades políticas na Segunda Guerra Mundial, suas ideologias não desapareceram e, direta ou indiretamente, ainda se opõem ao credo democrático. KELSEN, H., A democracia: 140
Vero. Até hoje:
'LULA QUER PARTE DA MEMÓRIA DE VARGAS. Professora da USP analisa influência do modelo populista de Getúlio Vargas no atual governo. A historiadora Maria Lígia Coelho Prado, coordenadora do Seminário Internacional Perón e Vargas, Aproximações e Perspectivas, realizado no início do mês, vê Lula como administrador de uma contradição: busca se apresentar como 'pai dos pobres' e, ao mesmo tempo, atende aos interesses dos banqueiros e grandes empresários. Ela analisa o que há de herança varguista no atual governo. O Estado de São Paulo, 15/4/2008
SÃO PAULO - O Brasil caiu seis posições e ocupa a 47ª posição no ranking das democracias do mundo, elaborado pela Economist Intelligence Unit (EIU), braço da revista britânica The Economist. Na edição de 2008 da lista, o Brasil estava em 41º lugar. Agora, está atrás de países como Timor Leste (42º).
Os contadores esperam escapar ilesos do Monstro do Lago Ness porque vislumbram a praia, já chegando, ao desembarque. Quem tomar o navio rumo à próxima década que se dane! *
___________
* Na mosca: A presidente eleita, Dilma Rousseff, não terá dificuldade para encontrar a pobreza absoluta que ela prometeu erradicar até o fim do mandato, como um dos principais compromissos da campanha. Quase 5,3 milhões de famílias - a grande maioria dos brasileiros que permanecem na condição de miseráveis - já são beneficiárias do programa Bolsa-Família, de transferência de renda .Estadão, 5/12/2010
Gostaria de saber se pelo menos 10% dessa gente chega a receber a dádiva governamental extorquida de quem produz. No Programa do Leite do impostor  presidente Sarney o que se viu foram negócios de emissoras de montão, enquanto os pobres agnus dei**.,
** De novo, na mosca:

TCU vê indícios de pagamento
a 'fantasmas' em obra do PAC

sábado, 25 de setembro de 2010

Ignorância do Tribunal



Haverá uma nova classe, uma nova hirerarquia de verdadeiros e pretensos sábios e o mundo ficará dividido entre uma minoria que governará em nome da ciência, e uma enorme maioria ignorante. Então essa massa ignorante que tome cuidado!
BAKUNIN, MICHAEL, Obras, 1910; cit. WOODCOCK: 128
.
Os alto-coturnos becados se mostram independentes, pero divorciados da sociedade; portanto, da realidade.
Não quero falar da dúvida que acomete a mais alta corte, reunida há dias, para dar um óbvio veredicto. Seu dilema beira a hipocrisia. Põem-se os notáveis tal como Poder Moderador, mas um algodão não entre os poderes, e sim obstáculo ao povo? Este Tribunal tem apresentado relevantes prejuízos à Nação, especialmente por arquivar processos referentes às mais notáveis falcatruas, todas devidamente descritas, e provadas, Desta feita, ao abonar candidaturas sobejamente conhecidas, a turma colocada como guardiã do Direito, da Justiça, da Ética, toma frangos do interesse mesquinho,ordinário, vil e oportunista dos protegidos. Maior descrédito será impossível apurar.
A iniciativa popular do ano passado, que consagrou a Lei da Ficha-Limpa, vale para esta eleição, ou para a próxima, apenas, daqui há quatro anos? O que será que pensava o povo quando tratou de exigir tanto ? Deveremos nesta eleição ainda eleger os ladrões, para cumprir o trâmite normativista da propedêutica jurídica, ou, quem sabe, tentarmos evitar que nosso dinheiro se vá pelo ladrão?
Como alguém pode ter dúvida que candidaturas devam apresentar ficha-limpa antes de inscritas ao pleito? Basta conhecer a língua-pátria para definir o que significa candidato: o termo foi escolhido justamente para ser prerrogativa de cândido, isto é, quem não apresenta máculas em sua trajetória profissional, ou mesmo social! Ninguém obviamente é santo, mas a preocupação do povo é apenas não ser ludibriado, tapeado, espoliado, extorquido, como sói acontecer com a geração que se agadanhou do poder para forrar suas cuecas com dólares. Na dúvida, ninguém deve ultrapassar, mas se a ficha sinalizar, é óbvio que teremos acidentes pela frente. O impedimento de pretendentes já inscritos no "serasa" e SPC dos bens públicos não é castigo ou pena por culpa não julgada, mas prevenção, apenas, do povo contra os amigos-do-alheio.



O que a sociedade quer é ter uma política séria e quer dispor de um instrumento por meio do qual possa ser defendida de maus políticos. A Lei Ficha Limpa veio para isso. CAVALCANTI, O., Pres. da Ordem dos Advogados do Brasil, em 23/9/2010
E afinal, dentre os duzentos milhões de brasileiros, será que não dá para os partidos cavocarem alguém com conduta ilibada? O que querem? Instituir a República das Trapaças?

Não se pode ignorar a vontade do povo, que está claramente manifesta pela aplicabilidade da Ficha Limpa. Temos a convicção de que o Supremo Tribunal Federal fará valer a lei maior e atenderá aos anseios da sociedade MATTAR JR., César, Presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, em 23/9/2010

O alvo não é apenas o modelo político caduco em que Lula se compõe com Sarney, Collor e a escumalha do PMDB. É outro o alvo, para além dos tais índices de crescimento: o perigo de ainda maior esgarçamento do tecido da incipientíssima sociedade civil. Uma República de polichinelo, com o presidente fazendo graça com seus superpoderes (que nem eu nem ninguém lhe conferiu), do neopopulismo pobrista, neste quadro sociocultural em que florescem tiriricas e mulheres-pera.
MOTA, Carlos Guilherme, Catedrático da Universidade Presbiteriana do Brasil. Estadão, 25/9/2010
Tal qual seu Supremo, regionais eleitorais também apreciam um samba de criolo doido. Os abnegados zeladores da democracia detiveram um gerente de um supermercado Rede Economia, em Magé. O execrável elemento foi conduzido para se explicar à 66ª Delegacia de Polícia Civil neste sábado (25) pelos fiscais da 148ª Zona Eleitoral. "Também foram presas duas mulheres que entregavam panfletos do deputado estadual e candidato à reeleição Geraldo Moreira dentro do estabelecimento, que pertenceria à família do candidato".
Mas por qual razão não pode a clientela ser informada? Seria abuso de poder econômico? Mas então o que dizer das numerosas emissoras, propriedade de inúmeros candidatos, ou com ligação direta com os partidos, como denuncia o próprio Presidente?
"O artigo 37 da Lei 9504/97, a Lei das Eleições, proíbe a veiculação de propaganda eleitoral em bens de uso comum."
Ah tá. Dessarte é mister dimensionar o que se entende uso uso comum. Incluir-se-ia o ar?  E a publicidade nas ruas, esta sim, flagrantemente de uso comum? O que dizer do Palácio do Planalto, virado comitè eleitoral da Secretária, e mais ainda - com farta distribuição de dinheiro, à toda a Nação, há horas, sendo abençoado justamente por comprar os votos de todo mundo, desde a gente mais humilde até os cartolas internacionais, docinhos preparados com a montanha de açúcar que arrecada da produção, e altos spreads sobre intermediação de grandes negócios? Pelamor deDeus!
Seria verdadeiramente cômica a democracia portuguesa, com certeza, se não fosse trágica.

A gente fica frustrado, depois de uma longa luta em prol da democracia, ver o que estamos vendo. E acho que não temos democracia, até pela maneira pela qual se conduz a vida pública, onde um grupelho toma conta do governo, pondo nele seus parentes, seus amigos... Não é o governo do povo. Veja a própria constituição do Supremo Tribunal Federal, onde não se fez uma consulta maior para a escolha dos ministros. Ela foi pessoal, feita pelo próprio presidente. Leis passam na Câmara e no Senado, por atuação da presidência da República, que transformou o Legislativo em algo sem a menor expressão. [...] Quem manda no país, passa por cima das leis é ele, Lula. Vai eleger a presidenta que fará o que ele quiser.
BICUDO, Jurista Hélio, à
Gazeta’ de 26/9/2010
Os togados não tem o menor preparo, e pelo visto nem interesse em preservar a democracia. Ela é solenemente ignorada na academia que lhes fornece o galardão, porque voltada ao profissionalismo, que é prático, e não à filosofia, que exige pensar.
E como estamos num meio e num momento no qual ninguém mais precisa pensar, raciocinar, nem deliberar, e ainda assim é aclamado pelo mundo, vemos aí um festival de desmandos a expressar o caráter diminuto do anunciante.
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Cara, por que não te calas?

A América Latina gosta de perder décadas e oportunidades. Aceita caudilhos, tiranos e tiranetes com razoável regularidade. Tolera que seus governantes confirmem as caricaturas feitas sobre a região. Usa, para se dividir, o que seria fator de união: a Amazônia, os rios comuns, a energia. A América Latina gosta de terceirizar suas culpas, achando que suas mazelas são imposições externas. LEITÃO, Mirian, O Globo, 19/4/2009
Recitou-me senhor do século passado:
Quando alguém chegar no topo sem anel de doutor,
provará minha razão: o estudo pode até ser bom,
mas não tem tanta importância, e sim pouco valor.
Estaríamos diante de novo Milagre Brasileiro? Com certeza:
Lula avacalhou o Congresso e quer mais para Rousseff, elegendo também a maioria dos senadores. Avacalhou a Educação, a Saúde, o Enem, os Correios, a Petrobrás, a Receita Federal. Internacionalmente avacalhou nossa política externa apoiando ditadores, chamando dissidentes cubanos que morrem em greve de fome de criminosos comuns, se envolvendo em casos vergonhosos como o de Honduras, seguindo par e passo com Hugo Chávez e outros déspotas latino-americanos. BARBOSA, Prof. Socióloga Maria Lucia Victor, BRASIL AVACALHADO, 14/9/2010
Somos brasileiros, mas o cara já encheu.
Moisés Naim, editor da revista Foreign Policy, incluiu Lula entre os
maiores hipócritas de 2009, em artigo publicado no jornal espanhol El País. KUNTZ, Rolf, Entre o G-20 e a forca 6/2/2010
Há muito o gajo merece palmadas. Agora não pode mais, porque palmadas ficaram proibidas por lei.
Sem exagero, é possível afirmar que nunca na história presidencialista brasileira um presidente foi tão agressivo contra seus adversários. Faz ameaças, agride, acusa. É o verdadeiro Lula, é a cara do cara, sem maquiagem ou disfarce. Quando um presidente não tem freios, como agora, é a democracia que corre risco. VILLA, M.A., , www.imil.org.br/artigos/a-cara-do-cara, 24/9/2010
O cara é simplesmente intolerável. Mantém-se de pé porque a maioria prefere, digamos, fazer-de-conta que seu deplorável desempenho e as decepções que causa fazem parte da vida, que nunca foi mar-de-rosa. O que não pode é receber o jato de água fria do Brucutú. Nem o gato.
Atirar-se em precipício é menos sacrificoso do que morrer queimado. Então o povo que escolha.
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Não vê o incauto que lavra o próprio destino. O cara é suicida, um dos tantos mais ou menos psicopatas que a história se obriga a narrar. Está certo que não se precisa passar em exame de vestibular para exercer o mais alto cargo da Nação, mas também é certo que muitos não passariam, sequer, em exame psicotécnico, para mim mais importante do que a Ficha Limpa. Esta pode ser limpa em qualquer momento, com algum sabão; mas aquele, por patológico, é de difícil solução.
.O país teve tudo para apeá-lo do poder, mas, como seu líder máximo, fingiu não dar importância. Fatos, porém, não admitem tergiversações. Os mensalões foram distribuídos em frente à cadeia de TV. Era só mudar o endereço da cadeia, para seus beneficiários receberem os polpudos dividendos diretamente em suas residências, protegidos por guardas armados.
Na ocasião Foca Lisa encontrou um ferino e conceituado colega, anti-PT par excellence. Ele sorria soberbo, com um par de profissionais, em frente a sofisticadas lojas.
Com licença.
Pois não!
Desculpe a petulância. Por que ninguém fala em impeachment?

Aumentou a risada.
Lula tá morto, preciosa Foca. Não faz mais nada. Nem te preocupes.
Gostaria apenas de lembrar da advertência do criador do sistema democrático:
Se o governo se exceder ou abusar da autoridade
explicitamente outorgada pelo contrato político
torna-se tirânico e o povo tem então o direito de
dissolvê-lo ou se rebelar contra ele e derrubá-lo.

LOCKE, J., Second treatise of civil government: 184
Sempre com os afáveis sorrisos, eles se entreolharam, despediram-se, e se dirigiram às vitrines, uns ao norte, outro ao sul. Como nada mais falaram, o venezuelano agora quer toda a imprensa calada.
"A oposição errou", diz FHC. "Permitimos a mistificação de Lula. Mas Lula não é nenhum revolucionário. Ele saiu da classe trabalhadora e se comporta como se fosse parte da velha elite conservadora." BBC-Brasil/Financial Times, 25/9/2010
Por ironia, ora cabe ao Brucutú patrocinar a liberdade:
O Clube Militar está realizando no Rio um painel intitulado “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão”, da qual participarão os renomados jornalistas PAULO UEVEL, MERVAL PEREIRA, REINALDO AZEVEDO,, da Veja, e o diretor de assuntos legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), RODOLFO MACHADO MOURA.
Brasileiros subestimam todo mundo. Supomo-nos inatingíveis. Antepassados afiançam que em guerra o Brasil nunca foi derrotado.
Nossas cores mostram vários sabores. Deus é brasileiro. E seu filho mora no Rio de Janeiro. D. JOÃO XVI passou a ser, e também deixou seu filho na Cidade Maravilhosa. Como o L vem depois do J, nada melhor que um D. LUÍS para rimar com país. Pronto. L'Etad c'est moi. Aos festejos da Corte, teremos Copa-do-Mundo, Olimpiadas, Pré-sal, e tal! É classe d para c, também a e b para c, de modo que a igualdade é garantida. E ainda há quem reclame:

Os coletivistas tem o empenho de progresso, a simpatia pelos pobres, o ardente sentido do injusto, o impulso para os grandes feitos... Mas sua ciência se baseia num profundo mal-entendido; e suas ações, portanto, são intensamente destrutivas e reacionárias. Assim, os corações dos homens são destroçados, suas mentes divididas e são apresentadas alternativas impossíveis. LIPPMANN, Walter, cit. POPPER, K., Sociedade Democrática e Seus Inimigos: 88
Despeito. Para que serviriam as mentes? Uma crasse só, porque o Brasil é de todos.
O que pode ocorrer com a civilização perante essa visão utilitarista que leva a descambar no interesse puro e simples, desprovida de valores de alçada superior, sem aquele ideal que possa significar a civilização plena baseada nos valores do homem indivíduo, da sociedade individual, da sociedade em geral,como somatória das unidades sociais que a compõem?
BRAGA, Antonio Carlos, in NIETZSCHE, F., O livro do filósofo:8
Assistimos estupefatos o dantesco espetáculo do medíocre protagonista elevado a superstar, mero jardineiro muito além do jardim, cujo maior mérito consiste em misturar a sandice com a malvadeza, tornando impossível estabelecer qualquer fronteira entre a ignorância que orgulhosamente apresenta, e a má-fé que expressa..

Não é afinal tão grande a diferença entre a autocracia de um monarca hereditário, legitimada através da fórmula de representação, e a pseudodemocracia de um imperador eleito." KELSEN, Hans, La democrazia;il Mulino, Bologna, 1981; ed. 1998. - cit BOBBIO, Norberto, Teoria geral da política: a filosofia política e as lições dos clássicos: 373
"Metade JESUS CRISTO, metade AL CAPONE", divisa a lente diretora do Filho do Brasil." (BARRETO, Luiz Carlos, produtor do concorrente ao Oscar. - Revista Piauí)
Se verdade, o cara arrisca obter fim de Calvário, ou de Alcatraz. Nesta, tem epitáfio:
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Alphonse Capone, 1899-1947, My Jesus Mercy
(Misericórdia, meu Jesus)
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Jamais tivemos alguém tão pródigo em inspirar chacota. Proliferam-se piadas de toda contundência, a ponto de palhaços brilharem.

Humoristas são criaturas que não nasceram para organizar passeatas. Mas, diante de tamanha palhaçada no processo eleitoral brasileiro, alguém tinha que fazer alguma coisa. Mesmo que seja uma passeata de palhaços, o que não deixa de ser patético, mas animador. MARCELO TAS, apresentador do CQC, in O Globo, 21/8/2010
Assustaram tanto que foi necessário uma medida preventiva, digo provisória de censura, em seguida retirada por ridícula em demasia.
Na edição de hoje, 24/9, o jornal Extra permite escolher a manchete de sua preferência:
1) “Lula é bonito – Essa é a manchete para os que acham que o papel da imprensa
é bajular os donos do poder e, por isso, deve publicar apenas notícias positivas do
governo. Denúncias de falcatruas são um abuso, uma forma de conspiração.”
2) “Bonito, hein, Lula... – Essa é a manchete para os que acham que o dever da
imprensa é fiscalizar os atos de qualquer governo, denunciando os desvios e
lembrando aos donos do poder que eles não estão acima do bem e do mal.”
Sabe-se pela história os feitos daquela década dos gangsters. Nosso petiço brilhou, mas isso foi há umas quatro gerações! Naquela época era mais fácil. Parava-se rodeio pelo alto-falante da única rádio. Qualquer estória contada assumia ares de verdade. Por um microfone o americano anunciou uma invasão de marcianos, e o EUA inteiro tremeu.
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A imprensa agora fecha o cerco. Leitores e eleitores querem saber detalhadamente o montante que o jardineiro tem levado na mala, e para onde vai tanto dinheiro.
A história parece se repetir. Depois de aplaudir os arroubos nazistas, ela viu que o cabo tinha mais poder do que todos os generais reunidos do globo. Tarde demais.
A história se repete, mas o desfecho da ópera é adaptado ao EspaçoTempo em que ocorre. I hope.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Insano São Paulo


















Há fraudes de todos os tipos.

Edgard Camargo Rodrigues, presidente do
Tribunal de Contas do Estado (TCE/SP)
Estadão, 22/2/2009
Mercê do denodo da imigração, e apesar da dominação jesuíta, o Estado de São Paulo se tornou locomotiva da composição brasileira. Merece. Ocorre, porém, fato pitoresco, que inevitavelmente lhe acompanha: a Fumaça da Maria lhe turva a paisagem; e o barulho da furiosa não lhe deixa pensar. Almeja conduzir o destino de toda a Nação, em todos os segmentos, mas com os olhos voltados apenas para seus empreendimentos. Seguidamente encontra revolta nos embarcados. Não basta ser paulista, e bem vestido, ou atualmente qualquer herói - seja infantil ou mutilado.
O representante máximo da cidadela é ADHEMAR DE BARROS. O simpático líder tinha estupenda aclamação popular. "Ele rouba, mas faz!", diziam os entusiasmados industriais e os sofridos operários. Como dizer que São Paulo não gosta de fazer?
O eco foi forte. O gajo apareceu candidato à Presidência da República.
Parece não haver comunicação entre as gerações daquele rincão. Os pais já conheciam o filme. Revoltaram-se justamente contra um petiço que muito fez. Milhares pegaram em armas contra o malvado, e não poucos tombaram nas trincheiras, em massacres.
Tempos depois veio um professor aloprado lá das bandas do Mato Grosso para tentar recolocar o trem em ordem. Infelizmente, por estrábico, acabou deposto. O Exército Nacional heróicamente assumiu o controle, e por algum tempos todos puderam se dedicar às vocações. Todavia, é certo que alguém que nada produza, só porque tem o monopólio das armas mereça a todos comandar?
E com o decorrer do tempo, novamente os bravos trabalhadores e empresários paulistas formaram e apresentaram suas próprias lideranças - desta feita à granel. Impossível listá-las. Lembro de seu mais velho combatente, homem de aparência digna e vida ilibada, cuja foto que melhor expressava apresentava um pequeno livro na mão. Em torno de si formou-se o furacão, espiral que espalhou do Oiapoque ao Chuí os grandes nomes que no movimento pegaram carona.
O barulho foi estarrecedor, mas de tudo dito e feito, deu mineiro na cabeça!
E para completar, as diretas já surrupiaram o cetro diretamente às alagoas.
Quo Vadis?

São Paulo aprontou formidável esquadra de políticos, líderes sindicais, eclesiásticos, demagogos, intelectuais
mal-preparados, oportunistas, espertalhões para servir à Pátria. Expressa-lhe o portaviões.
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".
Decididamente, o tamanho da alma de São Paulo é simplesmente incalculável! E por isso sua gente vem de novo às ruas, desta feita em protesto contra o corrupto governo que se instalou condutor de todos nós.
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Há coisas que nunca imaginei que viveria para ver. Elas incluem assistir ao PT no comando da fisiologia nacional (sim, "mea culpa, mea maxima culpa", eu fui um dos trouxas que acreditaram que o partido era "diferente")
SCHWARTZMAN, H., Jorn. Folha de São Paulo: 23/9/2010
Se Lula olhar bem a lista de signatários do manifesto em defesa da democracia - Hélio Bicudo, d. Paulo Evaristo Arns, Ferreira Gullar, Paulo Brossard -, notará que há 30 anos era gente que sustentava o início de sua trajetória.
KRAMER, Jorn. D., O Estado de São Paulo, 23/9/2010
Ave Maria!
Haja santo para nos tirar de tanta enrascada.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Genebra assistiu inusitado show

Além da ONU e da Cruz Vermelha, várias organizações internacionais mantém presença na Capital da Paz. Hoje o tradicional reduto da diplomacia e da cooperação internacional assistiu rara performance. O artista chileno GONZALO CONCHA varou mais de cem metros entre dois prédios de 36 metros de altura do HUG - .Hôpitaux Universitaires de Genève equilibrando-se em cabo estendido. A única proteção era a divina.
Para a radical travessia, o expert aventureiro trajou pantalones con tirante negro e una camisa roja. Atraiu multidão. Até mesmo os pacientes do hospital melhoraram, indo às janelas aplaudir a peripécia. Ao meio-dia alguém providenciou uma ambulância, que chegou rasgando com sirene a pleno. O gajo andino parou um pouco, dirigiu o olhar para os anjos-de-branco, e seguiu tranquilo, firme na corda bamba. O suspense duraria ainda mais de dez minutos . Por fim o expert logrou o glorioso destino, levando ao êxtase a numerosa platéia, boquiaberta com tamanha  proeza. Jornais chilenos dão conta:
El equilibrista preparó durante cerca de un año su actuación de hoy,
y él mismo se encargó de elegir el lugar, de colocar el cable,
y de seleccionar a los voluntarios que le ayudaron.