sábado, 7 de fevereiro de 2009

200 anos de Darwin. Para inglês ver.

O princípio da relatividade deve ser mais geral ainda - devemos procurar a diferença de tempo nas realizações biológicas e sociais, - o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas para conseguir tais fórmulas muito terá que lutar o espírito humano contra os preconceitos que o rodeiam e contra as obscuridades da matéria que irá estudar.
MIRANDA, Pontes de, cit. MOREIRA: 103
Não poucos contemplam Newton e Darwin como os cientistas mais importantes de todos os tempos. Até parece profissão de fé, perigosa quanto mais se dissimula, e, muitas vezes, para si mesma. Respeitáveis cientistas desempenham papel de cúmplices do folklore cumulando o senso comum com clichês. 
Nascido no século 19, Charles Robert Darwin é o cientista mais conhecido e reconhecido no século 21, superando em notoriedade gigantes como o físico inglês Isaac Newton (1643-1727), o filósofo alemão Karl Marx (1818-1883), o neurologista austríaco Sigmund Freud (1856-1939) e o físico alemão Albert Einstein. 
RIOS, R. I., Depto. de Ecologia - Inst. Biologia - UFRJ - www.cienciahoje.uol.com.br
Nas últimas décadas, a biologia se transformou numa Galápagos intelectual, em que darwinistas das mais variadas espécies competem entre si, apresentando teorias extravagantes para se adaptar ao ambiente editorial e televisivo. Os mais bem-sucedidos divulgadores do darwinismo vendem livros como se fossem larvas de cupim e ganham documentários produzidos pela National Geographic Society. MAINARDI, D., Macacos, sexo e Michelangelo
O Reino Unido comemora o aniversário do autor, e os 150 anos da publicação de A Origem das Espécies.* .O festival agrava a mácula.
Darwin e a evolução nos dominam, quaisquer que sejam as queixas dos cientistas criacionistas. Mas será correta essa tese? Melhor, ainda, será adequada? Acredito que não. Não é que Darwin tenha errado, mas sim, compreendido apenas parte da verdade. KAUFFMAN, S.; cit. BEHE, M.: 38
Darwin sequer foi original.  Era empirista, calcado em dialéticas platônicas, exclusivistas.
São extraordinárias as falhas e incongruências da teoria darwiniana. Há muito, ela deixou de ser unânime entre os pesquisadores, pois carece de métodos científicos e vem sendo desmentida por vários ramos da ciência. A paleontologia é atualmente o principal argumento contra tal teoria. CORRÊA, Mauro. - http://www.lepanto.com.br/dados/Evolucion.html
Como Newton, Darwin se valeu de uma enorme gama de precedentes, meros preconceitos,, por tudo eivados de equívocos epistêmicos e metodológicos, encadeamento que não pode prescindir da metafísica, cujo ápice deve ser alcançado em linha de tempo predisposta,
Nem a física de Newton nem a biologia de Darwin disseram muito que possa contribuir para um quadro coerente de nos mesmos dentro do Universo. A biologia darwinista, quer em sua versão original bruta é determinista (a sobrevivência do mais forte), quer na versão neodarwinista com ênfase na evolução aleatória tem pouco a nos dizer acerca do porque de estarmos aqui, de como nos relacionamos com o surgimento da realidade material e muito menos a cerca do propósito e significado de qualquer evolução da consciência além da conclusão muito simples e utilitária de que a consciência parece 'conferir alguma vantagem evolutiva'. FEYNMAN, Richard P., cit. GLEICK, J.: 182
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Tome-se por exemplo Charles Darwin antes da publicação de The Origin of Species (A Origem das Espécies). Mesmo depois dessa publicação ele foi o que se poderia descrever como um 'revolucionário relutante', para usarmos a bela descrição de Max Planck feita pelo Professor Pearce Williams; antes dela, Darwin não tinha nada de revolucionário. Nada se assemelha a uma atitude revolucionária consciente em sua descrição de The Voyage of the Beagle (A Viagem do Beagle). Mas ela está cheia de problemas; problemas autênticos, novos e fundamentais, e engenhosas conjeturas — conjeturas que competem freqüentemente umas com as outras — a respeito de possíveis soluções. POPPER, Karl, A CIÊNCIA NORMAL E SEUS PERIGOS 
Tudo isso já deveria ser o bastante para afastá-lo das crianças, mas qual nada, o mito permanece atraindo incautos. Feynman era americano; e Popper, um desconhecido. Nenhum vem ao caso, nem James Gleick, muito menos um dinamarquês, de nome Niels, ou um polaco, de sobrenome Mandelbrot. Editoras, hotéis, universidades e museus, pelo mundo afora, andam faturando como nunca. E os estudantes? Algum não gosta de festa?
A exposição dos 200 anos de Darwin na Gulbenkian está espectacular. A inauguração estava cheia de gente: centenas de pessoas acotovelaram-se para entrar na exposição. O elenco de visitantes parecia uma reunião de evolucionistas de Portugal pois estavam lá todos os "cromos" da nossa praça: todos aqueles 'clássicos' professores universitários, autores de livros de evolução, biólogos evolucionistas, jovens e menos jovens investigadores, etc. É com grande agrado que vejo o entusiasmo à volta desta festa da evolução. Parabéns aos organizadores!www.lusodinos.blogspot.com
Malgrado produzir grandes estrelas, especialmente nas ciências humanas, aquele rincão também é pródigo em oferecer ilusão. Além de Newton e Darwin, Hobbes, Bacon, Malthus, Bentham, Austin, Mill e Keynes igualmente nasceram no pujante Country. Esses britânicos tinham muito mais em comum, tanto quanto seus nparentes continentais - Leonardo da Vinci, Padre Copérnico, Galileu e Nicolau Maquiavel: todos apreciavam morar em palácios; e faziam qualquer negócio para satisfazer este intento.
Galileu era um ótimo marqueteiro. As luas de Júpiter que descobriu ele até chamou de astros mediceus, em homenagem ao grão-duque da Toscana, Cosimo de Medici, a quem pretendia pedir um emprego. NAPOLEÃO, Tasso, Astrônomos querem 1 milhão de brasileiros olhando para o céu. - Estadão, 17/1/2009
Dessarte, antes de tudo, os artífices visavam e souberam se valer de reais benesses.
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É certo que vivemos espetacular evolução, flagrante do próprio Hubble. Desde o Big-bang, tudo evolui; mas nada, em nenhum momento, se dá por jogo de forças, por combate, iou dialética. O Universo é uno; senão, seria o Diverso, pois não?

O conto do pacote


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O globo aguarda com grande expectativa a promulgação do anunciado pacote.
O Congresso americano titubeia.
Obama pressiona, enquanto as bolsas oscilam. Elas fazem questão de assinalar concordância com o novel mosqueteiro, e discordância com virtual negativa.
Sosseguem. Espetáculos pirotécnicos emocionam. O pacote será aprovado, lá e alhures.
O
passe-de-mágica debelará a crise de liquidez, tal qual na década de trinta, a dos debilóides.
No rescaldo apuraremos uma inflação mundial.
Resta saber se ao cabo eclodirá a III Guerra,
a fim de que os despojos dos vencidos dêem lastro ao dinheiro antecipadamente emitido.



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Diretas, Já!

Internautas defendem voto nulo 
Revoltados com os políticos, alguns leitores defenderam o voto nulo nas eleições. É o caso de Olegario Silva. 'É difícil admitir, mas o voto nulo é a única arma constitucional que podemos utilizar para virar o jogo político em nosso país', diz Olegario, desiludido com os políticos.'Que vontade de rasgar o meu título de eleitor. Votar para quê?', completa Rubens Lima. O Globo, 5/2/2009
Ocorre que em nenhum país do mundo, seja comunista, fascista ou clonado, democrata, socialista ou travestido, há eleições diretas. A propalada festa da eleição, a tal "arma do voto" é uma metonímia, uma farsa monumental. A democracia está completamente subvertida em todos os lugares. A população é refém da classe política.
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TODA ELEIÇÃO É INDIRETA. Ninguém pratica a democracia  e sim   particracias . O fenômeno se dá pelo prosaico motivo: nenhum eleitor pode escolher em quem votar, exceto nas chapas apresentadas pelos caciques partidários com exercício vitalício. Ademais, há flagrantes indícios que os concorrentes já vem até combinados. Como se escolhe sparrings para lutadores de box. Entram na contenda apenas para legitimar o adversário. É o que acontecerá nas próximas, à Presidente, por isso o destacamento de uma inexpressiva funcionária para concorrer. Assim fica combinado um pouco pra ti, outro pouco pra mim, e tudo bem*. 
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Os homens do FHC são os homens do Lula. Geddel é um caso típico, era o homem de mais absoluta confiança do FHC e hoje é o homem do Lula. Não existe diferenças entre ex e atual presidente. Nada é mais igual que o PSDB do Fernando Henrique e o PT do Lula no governo.SIMON, Sen. Pedro, Terra Magazine, 16/2/2009..
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A maior prova que não é o povo coisa nenhuma que detém o poder, é a elevação do impostor nordestino à testa do salão superior do Congresso Nacional, eleito por seus pares mediante arranjos e destacamento de verbas orçamentárias. É de se recordar que o distinto mentor daquele plano cruzado que prostrou a Nação de joelhos, na lona, chegou no Senado "eleito" através de um estado nortista que jamais visitou, porque no próprio foi corrido a pau, pedras e cusparadas, pela torpeza no exercício ilegítimo de uma eleição indireta, levado à cabo pelo líder das diretas, que pagou com a própria vida a aventura. Ah, e não esquecendo de sua dileta filha, pego com a boca na botija de milhões de dólares, não nas cuecas, por se tratar de uma dama, mas sobre a mesa, como sobremesa, como convém às altas negociações.
Getúlio foi cognominado Pai dos Pobres e Mãe dos ricos. Para manipulá-los, criou respectivamente o PTB e o PSD, hegemônicos até a chegada do Homem da Vassoura.
Ora temos o PT e o PSDB. Nada mudou de lugar. Exceto o prosaico B.
Já é tempo de alguma Nação acordar. Nem precisa mais espetáculos pirotécnicos. A Internet mostrou sua força ao eleger um sujeito que nada tinha de quaker, e muito pouco de americano, posto ter nascido mais no oriente do que no ocidente, e com pais na África.
We can change. I hope!
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*O atual número da revista norte-americana Foreign Affairs traz 10 páginas de anúncio sobre o Brasil nos quais o princípio constitucional que veta a aparição de autoridades em publicidade oficial foi totalmente esquecido. Financiado pelo BNDES, Petrobras, Embratur e um grupo de entidades e empresas privadas, a propaganda traz fotos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Henrique Meirelles, mas tem como estrela a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentada como provável candidata às eleições presidenciais de 2010.
O texto lembra que Dilma também é presidente do Conselho de Administração da Petrobras e cita frases da ministra sobre o programa de biocombustíveis do governo Lula. O titular da pasta de Minas e Energia, Edson Lobão, é a única outra autoridade federal a aparecer no anúncio, que fala de maneira extremamente elogiosa do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso.
Os bancos brasileiros são sólidos e lucrativos graças à estabilidade criada pelo antecessor de Lula, Fernando Henrique Cardoso. De maio de 1993 a abril de 1994, FHC (como ele é conhecido) foi ministro da Fazenda do Brasil e introduziu o Plano Real para acabar com a hiperinflação. Embalado pelo sucesso de seu plano, ele foi eleito presidente em 1994 e reeleito quatro anos mais tarde. Cardoso foi sucedido em 2003 por Lula, que também foi reeleito; o mandato atual de Lula vai terminar em 2011”, diz a propaganda, apresentada em formato de reportagens sobre distintos temas com o título 'Brazil, um gigante acorda'.” (Cláudia Trevisan, Estadão, 5/2/2009)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sobre inteligência

Não é pelos sentidos que podemos chegar ao infinito, assim como não é através dos olhos que podemos ver a substância ou essência. Não é pelos sentidos que chegamos a esta conclusão, porque o infinito não pode ser objeto dos sentidos. E quem nega o infinito por não ser sensível, nega o próprio ser. Por isso resta apenas ao intelecto julgar e dar razão sobre aquilo que é afastado do tempo e do espaço.
GIORDANO BRUNO
 É na inteligência, cada vez mais disseminada, que devemos buscar a solução das doenças de que nosso mundo sofre. RUSSELL, B., Ensaios céticos: 53
O campo da inteligência consciente é o manancial do cosmo.
CHOPRA, Deepak, A realização espontânea do desejo: 131
Inteligência (Mainstream Science on Intelligence -1994): Uma capacidade mental bastante geral que, entre outras coisas, envolve a habilidade de raciocinar, planejar, resolver problemas, pensar de forma abstrata, compreender idéias complexas, aprender rápido e aprender com a experiência. Não é uma mera aprendizagem literária, uma habilidade estritamente acadêmica ou um talento para sair-se bem em provas. Ao contrário, o conceito refere-se a capacidade mais ampla e mais profunda de compreensão do mundo à sua volta - 'pegar no ar', 'pegar' o sentido das coisas ou 'perceber'.
Intelligence: Knowns and Unknowns (Assoc. Americana de Psicologia) reforça:
Os indivíduos diferem na habilidade de entender idéias complexas, de se adaptar com eficácia ao ambiente, de aprender com a experiência, de se engajar nas várias formas de raciocínio, de superar obstáculos mediante pensamento. Embora tais diferenças individuais possam ser substanciais, nunca são completamente consistentes: o desempenho intelectual de uma dada pessoa vai variar em ocasiões distintas, em domínios distintos, a se julgar por critérios distintos. Os conceitos de 'inteligência' são tentativas de aclarar e organizar este conjunto complexo de fenômenos.
NUTRIMOS admiração por pessoas inteligentes, que dirá se animais. É comum valorizar raridades. Ademais, parece haver consenso: o simples reconhecimento "eleva o avaliador" a quase mesmo patamar, pelo menos naquele instante.
Seria possível, assim, um progenitor ou mágico dotar  alguém por passe, um passe-de-mágica, um abre-te-sésamo repentino, uma lâmpada acesa? Seria a inteligência uma prerrogativa  composta no DNA? Estaria ela sujeita ao desenvolvimento, ou à atrofia? Existe algum método para despertá-la e/ou desenvolvê-la, além da tradição familiar, da cultura ou da educação ministrada nas escolas? E qual a diferença entre inteligência e conhecimento? Como podemos diferenciar cultura de sabedoria? A massa cefálica de uma pessoa inteligente diverge de uma outra qualquer? Pessoal abriu o cérebro de EINSTEIN, e examinaram, e pesaram, e mediram com lupa e à distância, concluindo que não havia nada de mais na cabeça do gênio. A enxurrada de dúvidas e definições apontam para a obviedade: nenhuma satisfaz. Arrisco concisa, a comparti-la:.
Inteligência é a capacidade de processar relações 
O termo me garante a certeza da definição. Inter significa entre, a relação; e ligência, provêm de lig, liga, ligação, mesma raiz pela qual pretende a religião, ato de religar. Michel Foucault em |Microfísica do poder desafia:
O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos, diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros.
Apreciemos  os parcos conceitos publicados na valiosa Wikipédia:
Embora pessoas leigas geralmente percebam o conceito de inteligência sob um âmbito maior, na Psicologia, o estudo da inteligência geralmente entende que este conceito não compreende a criatividade, o caráter ou a sabedoria.
  • Latim intellectus[1], de intelligere = inteligir, entender, compreender. Composto de íntus = dentro e lègere = recolher, escolher, ler (cfr. intendere[2]).
  • Faculdade que a alma tem de formar ideias gerais, após tê-las criticado e distintiguido por meio do juízo; mais concretamente, "modo de entender". Figurativamente: espírito, conceito, significado de algo, particularmente de um vocábulo ou de um escrito.
  • Latim intelligentia[3], de inteligens = inteligente. Intelecção: intus legere actionem = ler dentro da ação, compreender dentro[4].
  • Faculdade exclusivamente psíquica e, portanto, espiritual, para compreender em evidência a ordem causal da ação ou do fato. Faculdade que conhece e identifica as formas essenciais e causais de qualquer coisa ou evento.[4]
Essas definições são pouco inteligentes, por excludentes. São parciais, meramente platônicas. Tecnológicas, mas não epistemológicas. "Um conhecimento mais profundo é sempre acompanhado de uma abundância de razões coordenadas.” (BACHELARD PhD., Gaston, 1991: 21) Ao desdenharem a incidência da "criatividade", do caráter, e da sabedoria. aquelas conceituações cortam importantes vetores, com isso obtendo um apanhado obtuso, apenas coincidentes com a realidade apreciada. Se restrita ao exame das formas, olvida o que lhe informa. Todo juízo peca por isso. É praticamente impossível a coleta de todos os dados, muitos remotos mas também produtores da ação, ou reação que se busca identificar. Apenas pelas evidências jamais se conceberia a estrutura atômica da matéria, A alma é inseparável do corpo, exceto na morte, de modo que buscar a pureza através desta arbitrariedade conduz ao contrário do que se objetiva. Como bem diz o parágrafo posterior, entender significa acordo, união, enquanto a separação.entre corpo e alma rompe com o fito, já no âmago do ser humano, produzindo apenas esquizofrenias,
No último canto do XIX assim falava Henry Poincaré (cit. Abbagnano: 100), antecipando-se a Einstein por frações de segundo:
A ciência, por outras palavras. é um sistema de relações. Portanto, só nas relações se deve procurar a objectividade: seria inútil procurá-las nos seres considerados isoladamente uns dos outros.
O cosmos, e tudo mais, se integram em relações. As melhores decisões vem pela mais ampla consciência ou especulação que se puder alcançar,  de modo mais integrado possível. Tentemos, pois, seu exercício, respondendo as indagações supra elencadas.
Seria possível receber uma inteligência, assim  passe-de-mágica, um abre-te-sésamo repentino, uma lâmpada acesa?
Não. O ser humano nasce dotado da possibilidade, mas diferentemente do sangue, por exemplo, que pode até ser trocado, ou dos sentidos, que variam em direção e intensidade, tanto quanto as emoções, a inteligência é como dominar outro idioma, que per se já é manifestação de inteligência, ou os fortalecer os músculos. Todos dependem do exercício.. Contrariu sensu, atrofiam. São conserquências, não pontos de partida, embora existam marcos, divisórias, obstáculos, epistemológicos,  entroncamentos, encruzilhadas, também não poucos labirintos.  Especialistas concordam perfeitamente:  Meditação reforça conexões elétricas no cérebro inteiro
São inúmeros os benefícios que os exercícios mentais podem proporcionar para o cérebro e para a saúde como um todo. Eles melhoram a capacidade de atenção, memória, linguagem e raciocínio. Esse tipo de atividade ajuda a prevenir e combater o declínio cognitivo e mesmo proteger contra doenças degenerativas, como o Alzheimer”, explica o neurologista. Leandro Teles,

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Ela não é uma prerrogativa da personalidade, composta pelo DNA?
É certo que o código genético porta as informações fundamentais à vida de cada ser, e por isso define alguns traços; porém, o fenômeno se reporta às origens, e a história sempre é limitada, enquanto o futuro é aberto, amplo, por isso infinitamente maior. Desse modo a inteligência se desenvolve em parte pelo passado, sim, mas sua utilidade é presente, em potencialidade futura. Portanto, a participação do DNA se limita a acender a chama-piloto, se é que assim podemos simplificar, e com esta chama-piloto todos somos aquinhoados. Cabe-nos incrementá-la, até dessarte constituindo a ponte  às gerações futuras,  a evolução do ser humano,  refrão de  NIETZSCHE.  
Não depende de combinações genéticas?
Grosso modo pode-se afirmar que a inteligência independe dessas combinações, mas elas podem ser facilitadoras. Veja o caso dos japoneses, hábeis em operar miniaturas, por exemplo. Ou do brasileiro, artista do futebol. São combinações genéticas. Conhecimento inato: Nós já nascemos sabendo À cada ser corresponde algumas medidas predispostas em fractais que não podem ser transpostas, a maioria  físicas, como no caso da igualdade do olho japonês, embora ainda assim  de alguma forma possam sofrer alterações de acordo com o ambiente, com aumento ou retração de massa. A inteligência, é mais generosa. Pelo fato dessas ligações não ocorrerem no campo físico, senão que nas abstrações, seus limites não são preestabelecidos tal qual o complexo corporal, por exemplo mencionado. Todavia, como o DNA, antes de tudo, é uma formulação atômica com vistas à expressão material, ela  é capaz de transportar a centelha, apta a reativar o talento  pelas gerações posteriores.O cérebro humano (Arquivo/ BBC)
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Ela é sujeita ao desenvolvimento, ou à atrofia? Ela pode variar até no dia, conforme o cansaço, o nervosismo, a ansiedade, o medo, o estado de saúde ou felicidade do sujeito. Pesquisadores de Yale mostram como estresse diminui o cérebro Goethe costumava afirmar que o xadrez é a ginástica da inteligência. Equivale-se ao exercício da musculatura. Veja bem: o Universo se desenvolve por informações. Se você esticar seus músculos em demasia, eles ficarão prejudicados. Se deixá-los parados, significa que não precisa deles. Então, eles, respeitosamente, somem. Isso também é devido à informação, mas não significa que o desenrolar da viagem pelo EspaçoTempo aumente na mesma proporção. Uma expansão é inexorável, porém seu destino é incerto, ainda que sempre haja alguém para predizer  um turning point. Com a inteligência acontece quase o mesmo, desde nossa concepção,  mas há componentes psíquicos que vão se agregando, e alguns potenciais obstáculos à franca desenvoltura mental. Um fato inesperado, um acontecimento marcante, doloroso, pode turvar a consciência, e o indivíduo preferirá solapar a dor, nem que com isso perca a hígida capacidade relacional. Por isso os complexos, geralmente oriundos dos conceitos de poder e moral, são tão danosos aos indivíduos, envoltos em conceitos de culpa.  Disso se ocupa a psiquiatria, no afã de dirimi-los, mas ela própria costuma se restringir aos trilhos lavrados pelos antepassados, de modo que na maioria das vezes em vez da inteligência usa de macaquices às, maluquices. Uma patologia mental pode subverter de tal modo a inteligência individual que ela tenderá a extrapolar a fronteira do sentimento pessoal, atingindo até as circunstâncias, o meio social. Alguém que sofreu uma humilhação inventa uma estória de reencarnação na qual passa a ser um Rei. Ele desenvolve uma engenharia discursiva, no fito de resgatar o respeito que seu status exige. Mas se os vizinhos não compartilharem  de sua idéia, eles o encarceram.  Vemos assassinos e terroristas dotados de luzes, porém inversamente focalizadas. Como exemplos mais fulgurantes da inteligência à serviço da estupidez podemos oferecer os nomes de Hitler e Mussolini, além de seus clones mais ou menos fiéis.  Tenho num rol imenso de brasileiros na ponta da língua,  mas  minha inteligência,à serviço da prudência manda eu me calar. O que existe de mentiroso não está escrito. Deus só falou com Moisés, mas alguns dizem que podem falar com Ele também. Uns se dizem o próprio. Outros, Napoleão. Todos portamos um pouco de tudo, mas daí a inferirmos tais predicados evidentemente são exaltações que correspondem a uma atrofia cognitiva. Por outro viés, a inteligência pode ser atrofiada pelo desuso, como no caso do preguiçoso, indolente sempre cansado. Este preferirá aproveitar os holofotes vizinhos, seja de um salvador eleito, ou pregado. Corre muito risco, e o preço da desídia pode ser o infortúnio - basta o vizinho não ter pago a conta de luz. O que quero dizer é que uma lanterna, uma vela que seja, é mais confiável do que um farol estranho, que pode ser deslumbrante, mas tanto quanto inapropriado, em especial quando projeta a metafísica do faroleiro.  Como cada um possui um telos, um conceito de felicidade, é óbvio e patente que servir-se da inteligência alheia pode até lhe encaminhar a alguma rampa de vôo, mas jamais o fará voar. É o exercício das próprias asas que determinará seu desenvolvimento, e a viagem em si. Um criativo exercício: http://www.lumosity.com/landing_pages/42oethe
A inteligência não depende do conhecimento, ou da cultura?
Do conhecimento, não. O cabo Hitler me consagra. A inteligência é capaz de elaborar ou refutar um conhecimento; portanto, não depende dele. O conhecimento é sempre precário, sujeiro a ser falseado. A Idade Média jurava que a Terra era o centro do Universo. Talvez por isso EINSTEIN tenha apregoado que "a imaginação é mais importante que o conhecimento".   O Caos na Rede e a Ruptura das Hierarquias", de ENTLER, destaca a interdisciplinaridade como virtude de um novo padrão desconstrutivo do conhecimento que vem se acumulando há milênios.em modo bastante obtuso. Mas cultura é fundamento. A inteligência só pode evoluir em terreno propício. O start pode ser dado pelo DNA, que é a informação da cultura. Se  fértil, naturalmente propiciará  respectivos frutos. Caso inexista, coisa praticamente impossível, a inteligência será desprovida de razão; por conseguinte, sem sentido.

A memória compõe a inteligência?
Como referi, o DNA é a memória primordial, ainda que inconsciente. A máxima de Sócrates - "Conhece-te a ti mesmo" é o melhor indício da importância da conscientização, que é um processo escultural. Sua desenvoltura se faz sob a égide da memória e pela especulação, pelo elencar de probabilidades, pela intuição, e até pela imaginação. Darwin apregoou nosso parentesco com os símios. A mais notável e decisiva diferença, contudo, ele não pôde, ou não quis assinalar: trata-se justamente da capacidade de memória. Como você pode estabelecer relações desprovido da memória? Os pobres animais a cada manhã esquecem quase tudo que viveram no dia anterior, e seu intelecto tem de trabalhar sobre um mínimo material de experiências. O desenvolvimento de seu intelecto, por isso, é não só limitado, como impossível, exceto se submetido a intenso treinamento. Semelhantemente, o rinoceronte de hoje é idêntico ao de seis mil anos, porque cada um tem de começar de novo, como se não houvesse outro antes. O homem, pelo contrário, mercê da recordação, acumula seu próprio passado, possui-o e o aproveita. O homem nunca é um primeiro homem: começa desde logo a existir sobre certa altitude de pretérito amontoado. Embora os cachorros, especialmente, sejam providos de alguma memória, fato que os tornou diversificado numa impressionante série de raças, conforme as ciorcunstâncias vividas e queridas pelos próprios, o certo é que o tesouro da memória e da inteligência pertence ao homem.  É seu privilégio e sua marca, ainda que não poucas vezes ele se afogue justamente na prancha que julga salvadora.  É óbvio que toda velha cultura arrasta no seu avanço tecidos caducos, resíduos tóxicos que podem estorvar a vida, por carentes de sentido, ou por demais complicadas. O procedimento exige simplificá-las, deixá-las em "mangas de camisa", por higiene. Aqui, a simplificação é higiene e melhor gosto; portanto, uma solução mais perfeita. A riqueza menor desse tesouro consiste no que dele pareça acertado e digno de conservar-se: o importante é a memória dos erros, que nos permite não cometer os mesmos sempre. O verdadeiro tesouro do homem, "o ser de memória mais desenvolvida", é o acúmulo dos seus erros, a extensa experiência vital decantada gota a gota, pelos milênios de sua existência.
De que modo a especulação pode ser encarada como exercício de inteligência?
Assim como o Tempo e o Espaço, nossa mente, e por conseqüência os recursos que ela dispõe são infinitos. Uma viagem ao infinito não se faz pelos sentidos, que são limitados, de alcance restrito, tanto quanto não são pelos olhos que divisamos a essência, a energia que compõe a matéria. Ao mesmo tempo, não há porque negar o infinito, apenas por não podermos divisá-lo. Deste modo podemos contar apenas com a intuição, que a rigor é uma manifestação intelectual que desponta em prováveis conjecturas,  assim lastreando com alguma razão o que nos é distante no EspaçoTempo.  O instinto, a intuição  requerem especulação, porquanto per se não são certeiras. Virtualidades se antecipam à realidade, para que possamos melhor escolhê-la. Repare na Internet: a inteligência resplandece geométricamente multiplicada. pelo número de cérebros e antas participantes.
A rede oferece acesso a diferentes assuntos, todos interligados, em ordens que não obedecem necessariamente aos catálogos das bibliotecas e aos processos de pesquisa convencional. Na vitualidade as informações não estão necessariamente arquivadas como nas estantes de uma livraria. Na busca por um dado, esbarra-se ao acaso em uma série de informações correlatas, muitas vezes capazes de enriquecer o estudo em curso.
Pois não é justamente o que nosso TriPulante receitou, há quase século? Desculpe rememorar.
O remédio não está em nenhum cataclisma heróico, mas nos esforços individuais em direção a uma visão mais sã e equilibrada de nossas relações com nossos vizinhos e com o mundo. É na inteligência, cada vez mais disseminada, que devemos buscar a solução das doenças de que nosso mundo sofre. RUSSELL, B., Ensaios céticos: 53


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Confira o vídeo da Royal Society :
 Plasticity of the brain

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A Santa Atômica

Como? O homem seria somente um equívoco de Deus? Ou então Deus seria um equívoco do homem? NIETZSCHE, Friedrich, Crespúsculo dos ídolos: 18
Ela se renova, assim como as gerações, graças a uma atividade que constitui o melhor jogo do 'homo ludens': A ciência é, no mais estrito e melhor dos sentidos, uma gloriosa diversão. BARZUN, Jacques, cit. BERNSTEIN, Jeremy, Observación de la Ciencia. México: Fondo de Cultura Económica, 1988: 11. -

Circulam por várias capitais européias cartazes sugerindo que Deus não existe, e que portanto as pessoas devem parar de procurá-lo.
Eis uma oração verdadeira e falsa ao mesmo tempo. É certo que a figura de Deus-pai foi um artifício vitorioso. O prolelitismo angariou enorme contingente a colaborar com algumas castas. E lá se foram muitas riquezas, e vidas, em prol do ardil construído na mitológica Grécia. Mas também é verdade que estamos todos envoltos em uma teia espetacular, cujas ramificações se estendem às fronteiras do Universo, de modo que se pode inferir que um poder muito especial a tudo permeia:
No espaço aparentemente vazio há um nexo, uma vida eterna,
que une tudo quanto existe no
Universo - tanto animado quanto
inanimado -
uma onda de vida que flui através de tudo o que existe.
PARAMAHANSA YOGANANDA, Onde Existe Luz.
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Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada. A nova regularidade dos fenômenos deu origem a uma nova ciência, que tem o ‘caos’ como tema central e na qual, um dia, deve se enquadrar a teoria das ondas.
WITKOWSKI, Bergè: 275

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Pelo fato da homogênea imensidão na qual estamos submetidos na espetacular viagem pelo EspaçoTempo, é praticamente impossível discernir a presença de Deus. Provavelmente esta é a razão da assertiva européia. Não há a menor referência, sequer em imagem, a qual cada um trata de projetá-la de acordo com sua própria imaginação. Ademais, humanos só logram compô-la segundo parâmetros racionais. Quando se trata do sobrenatural, nenhum arrazoado poderá lhe alcançar, de modo que é mesmo prudente esquecer da aventura.
O mesmo não acontece, todavia, com as figuras projetadas de Jesus, de Santa Maria e, enfim, de todos os santos. Nada disso faria diferença, mas nestes casos nossa ciência pode oferecer uma guarida, uma explicação de como os fenômenos miraculosos são alcançados por milhares de fiéis.
Só conhecemos uma realidade - a dos pensamentos. Como?
Se isso fosse a essência das coisas?
Se a memória e a sensação fossem os materiais das coisas?
NIETZSCHE, Friedrich, O livro dos filósofos: 45

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A pesquisa atual se volta para a incorporação de elementos aleatórios em um número cada vez maior. Isso é verdade tanto para a cosmologia de Hawking quanto para o estudo dos insetos sociais tão qualificados como Pierre Paul Grassé ou Rèmy Chauvin, que insistem sobre o papel do aleatório no comportamento social. PRIGOGINE, I., cit. PESSIS-PASTERNAK: 39
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Depois que se descobriu que a matéria é apenas energia concentrada, e que ela não é intrínsecamente estática, posto a energia per se requerer dinamismo, e que o Universo, por tudo, flui pelo movimento, os conceitos de separação entre espírito e matéria, entre o abstrato e o concreto se tornaram desprovidos da base fática. Do macro ao microcosmo observamos o mesmo fenômeno. Para o acesso ao detalhe os quânticos estenderam a freeway: o átomo que compõe qualquer objeto se movimenta. Eletrons trocam de órbita de modo aleatório, mas também podem ser induzidos. Pois o agnóstico Bertrand Russel foi pioneiro em perceber o desdobramento. Vale a pena apreciá-lo, a quase século de distância:
O pedaço de matéria nada mais é senão uma série de eventos que obedece a certas leis. A concepção de matéria surgiu em uma época em que os filósofos não tinham dúvidas sobre a validade da concepção 'substância'. A matéria era a substância no espaço e no tempo; a mente, a substância que estava só no tempo. A noção de substância tornou-se mais vaga na metafísica no decorrer dos anos, porém sobreviveu na física porque era inóqua - até a relatividade ser inventada. A substância, tradicionalmente, é uma noção composta de dois elementos. Primeiro, tinha a propriedade lógica de ocorrer apenas como sujeiro em uma proposição, mas não como predicado. Segundo, era algo que persistia ao longo do tempo, ou no caso, de Deus, que era totalmente atemporal. Essas duas propriedades não tinham necessariamente conexão, contudo, isso não era percebido, visto que os físicos ensinavam que pequenos pedaços de matéria eram imortais e a teologia ensinava que a alma era imortal. ambos, portanto, pensavam ter duas caracter[isticas de substância. Agora, entretanto, a física nos força a considerar os eventos evanescentes como substâncias no sentido lógico, ou seja, como sujeitos que não podem ser predicados. Um pedaço de matéria, que tomávamos como uma entidade persistente única, é na verdade uma cadeia de entidades, como os objetos aparentemente contínuos em um filme. E não há razão pela qual não possamos dizer o mesmo quanto à mente: o ego persistente parece tão fictício quanto o átomo permanente. Ambos são apenas uma cadeia de eventos que têm certas relações interessantes uns com os outros. A física moderan nos permite dar corpo à sugestão de Mach e de James de que a 'essência' do mundo mental e do mundo físico é a mesma.
RUSSELL, Bertrand, Ensaios céticos: 74

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Tudo interage com tudo, mas a incerteza é nossa sina. Não sabemos porque o eletron, diante da presença do simples olhar, muda a trajetória. O elétron não tem olhos, nem ouvidos, nem faro, nem dor, mas ele é "sensível". O átomo capta e emite energia, e por isso é a liga fundamental.
"O choque, a ação de um átomo sobre o outro,pressupõe também a sensação.Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro." (NIETZSCHE, F. , O livro do filósofo: 45)
Ao descobrir essas propriedades, o homem construiu a bomba atômica, que nada mais é do que uma ordem efetuada para apenas um átomo, que por sua vez transmite ao vizinho, e assim por diante, provocando a fissão generalizada:
Sendo uma energia que se comunica, pode ser cognominada tal qual difusora de informação; no mínimo, predispõe a existência de um emissor, e a própria direção. Por tudo, sempre causa reação:
A partícula ao se propagar pelo espaço emite um campo que informa esse seu movimento no sentido de um 'abre-alas que eu quero passar' (como se fosse um empurrar a distância). Literalmente falando, ela empurra a distância tudo o que está a sua frente, e certamente receberá uma reação dinâmica conveniente (o que pode até mesmo provocar uma reflexão total)
MESQUITA FILHO, Adroaldo, Debates 'Ciencialist 2003' a respeito de uma Nova Teoria a propor as bases para o entendimento da Natureza Íntima da Matéria www.ecientificocultural.com/ECC2
No entrelaçamento transcorre a mensagem, ou a luz.
Na verdade, nem o corpúsculo, nem o campo é a coisa fundamental. Ambos, em igual medida, são aspectos da matéria. São as duas formas fundamentais e primárias da matéria como tal. A estrutura da partícula é um reflexo de suas interações.
TELLES JR. Goffredo, O Direito Quântico,
p. 56
Naturalmente um núcleo atômico dotado com uma elevada carga energética vai produzir um efeito compatível, e o que determina a concentração é a quantidade de vetores incidentais, ou seja, uma intensa afluência energética de input, que corresponderá de outra sorte ainda maior potencialidade de output. Em palavras mais corriqueiras: uma bateria bem carregada pode iluminar uma cidade inteira.
A ciência sem a religião é manca;
e a religião sem a ciência é cega.
EINSTEIN, Albert
Pego uma carona, e especulo:
Matéria sem espírito não tem sentido; e espírito sem matéria não é sentido.
A imagem da Santa
per se não teria maior eficácia; mas ao se tornar lar imaginário da convergência de nossas determinações, catalizando a atenção de milhares de mentes humanas, torna-se ícone poderosíssimo, capaz de proceder os milagres nessas próprias mentes, e, por extensão, nos corpos que as sustentam. A explicação pode ser científica, mas a condição é ter fé, para poder captá-los.
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Complemente:

Primeiro Ato
Uma égide científica ao poder da Santa

Segundo Ato
Em busca da cientificidade religiosa



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Em busca da cientificidade religiosa

A ciência sem a religião é manca;
e a religião sem a ciência é cega.
EINSTEIN, Albert
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Pego uma carona, e especulo:

Matéria sem espírito não tem sentido; e espírito sem matéria não é sentido.
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Sempre houve curiosidade sobre o que nos cerca. Alguns supõem um Invisível por trás de tudo, e vasculham a imensidão na procura da Causa. Para outros a faina é infrutífera, desnecessária. O que importa é usufruir dos efeitos. A esmagadora maioria, pressupõe que durante a vida dificilmente encontraremos as respostas, mas concorda: pelo conhecimento científico ela pode tornar menos sacrificosa a estada, ainda que não poucas vezes esses próprios conhecimentos tenham nos levado ao descalabro. .
Grosso modo, a humanidade dessa maneira se divide: .de um lado, os espiritualistas de toda a espécie - filósofos, alquimistas, magos e pastores, padres e os iogues, ideológicos e sonhadores, poetas, românticos, muitos humanistas, também muitos ingênuos e não poucas vítimas; do outro, perfilam-se pragmáticos, os especialistas, profissionais, materialistas, cientistas, técnicos, atletas, políticos, generais, muitos alienados, e não poucas vítimas também. Ambas correntes almejam encontrar o manancial; porém cada qual sai para um lado praticamente antagônico. Restam muitos vitoriosos, por todos os lados; e mesmo número de derrotados, alhures. Como a Terra é redonda, ainda que cada um saia para um lado, fatalmente os dois grupos volta-e-meia, ou melhor, a cada volta se cruzam. Nada melhor do que o Dia de Iemanjá e da Nossa Senhora dos Navegantes para promover o reencontro desses circunavegadores, concorda?
* * *
O homem busca incessantemente a compreensão religiosa. Religião quer significar o ato de o homem tentar uma religação com a Divindade Criadora. Uma vez expulso do Paraíso, segundo a tradição ocidental, ou por causa da alienação diversionista, no espírito orientalizado, o homem tem consagrado e até condicionado sua existência em prol da procura desse abstrato, o mais importante elixir, extrato estratosférico eternamente invocado, dificilmente alcançado, mas não seus efeitos. A razão primordial de tantas peregrinações infrutíferas não será por causa da presunção estratégica, metodológica, objetivante?
Naquela antigüidade havia povos que acreditavam no Uno, não a lata ambulante, óbvio, mas a Centelha Piloto que acenderia tudo o mais, conservando tudo sob seu calor. A maioria dos povos, contudo, viu nisso uma possibilidade admitida só pela falta de discernimento. Quem não poderia enxergar a distinção entre os quatro elementos - terra, água, fogo e ar? De que modo se pode confundi-los, tanto que, se estreitados, levam a extinção de um ou de outro?
E pelas manifestações, lá se foi o homem a querer identificar as diferentes fontes. Tinha Deus para tudo, e ainda maior quantidade de santos. Da água, do mar, do fogo, da bebida, do trovão, da epidemia, da orgia, do trabalho, da guerra, do consolo. Também do amor. Curiosamente este era o menor; mas era armado. O do mal tomava uma coloração mais vibrante. Cada situação exigia o autor especialista, e isto era por demais óbvio para ser negado, só experimentado; e, geralmente, correspondia, assim fortalecendo o fervor por retroalimentação.
Nas ciências não seria diferente. Nossos antepassados nos legaram vários tipos. Tem deuses em todos os campos. Iniciaram-se pela especulação, mas o cálculo lhes empresta razão:
A ciência ocidental tornou-se matematizada. A linguagem matemática da ciência, que causa tanto desânimo ao leitor de outras áreas, implantou-se como resultado do conflito entre as visões de mundo eclesiástica e leiga e seu propósito era justamente causar o afastamento do público comum.
SCHWARTZ: 18
Assim vão se especializando, e cada qual pode criar seu elemento. Hoje temos uma produção em massa, graças ao pujante e diversificado parque.
Apesar de tudo, por milênio e meio a unidade básica ainda manteve a harmonia social, repleta de querubins e serafins, mas quando a presunção geocêntrica foi cabalmente descartada, por um lapso o mundo ficou meio à deriva. Não era o Céu que rodeava, que nos vigiava. Com a necessidade de novo arranjo, os polos se reaproximaram. Ambos encontraram a solução para atender o mútuo interesse, sem prejuízo de ninguém, ao contrário: do episódio saíram revigorados, mais atuantes do que nunca:
E no meio repousa o Sol. Com efeito, quem poderia no templo esplêndido colocar essa
luminária num melhor lugar do que aquele donde pode iluminar tudo ao mesmo tempo?Em verdade, não foi impropriamente que alguns lhe chamaram a pupila do mundo,outros o Espírito, outros ainda o seu reitor. (CHÂTELET,: 49)
Só um burro não iria conceber que Deus, por não ser egoísta, fez o mundo pensando na gente. Ele colocara o Sol no centro para iluminar nossos passos, e só depois sentenciou: crescei e multiplicai-vos, e submeteis a Terra! Se nós não soubéssemos como isso fazer, e rumássemos ao descalabro, a culpa não era Dêle. A pista estava plenada. Ao desenvolver a matemática alguém fatalmente descobriria os segredos do Grande Arquiteto. Enquanto isso, o negócio era assumir o que nos fora tão gentilmente ofertado.
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Os orientais são os que mais se aproximam das possibilidades, em vista da disciplina filosófica, e da persistência depurativa. Os amarelos desenvolveram a postura, de modo que o ser é mais livremente induzido a navegar na caça do ideal. A corrente asiática, todavia, é de difícil identificação, às vezes de maneira fugaz, logrado zen, de modo que cada vez mais se aprimoram as técnicas; portanto, demonstram que a faina permanece fora do alcance.
De todo modo, a milenar civilização chinesa, e todos mais não se preocupavam com o intento. Bastava-lhes apreciar a natureza, conquanto dela retirasse o seu sustento.
Paulatinamente, todavia, nossa parca condição foi sendo elevada ao patamar superior, de modo que o simples prazer de viver passou para uma relação de poder. Invasões e chacinas se fizeram decorrências.
O homem se voltou à ascendência divina; porém nada havia de resposta. As tragédias se precipitavam ao arrepio do Grande Arquiteto. Onde Ele estaria metido? Onde ficava Sua morada?
Platão veio com a resposta. Contínhamos a divindade, sim, mas ela era solapada por nossas prementes necessidades. Haveria a alma; porém, ela era apenas componente de um corpo frágil e limitado no EspaçoTempo, cuja existência exigia alimento, e descanso, teto e razão. Poderíamos continuar filosofando; mas a ciência se fazia mister:
Ciência é uma maneira específica de se aproximar a 'realidade' e de adquirir conhecimento sobre ela. De acordo com o princípio de divisão de trabalho, ciências diferentes têm seus enfoques particulares, ou seja, elas são especializadas em investigar certos segmentos da 'realidade'.
USARKI, Dr. Frank, www.espacoacademico.com.br
Não são poucos os mestres que tentam nortear os obscuros caminhos.
Os "pastores" do ocidente demonstram a simplicidade, a obviedade, mas, gozado, quanto mais tentam as simplificações, sejam com exemplos ou metáforas, mais desanimam o carente. Mentes populares, e até bem iniciadas, consideram Deus um imperador, o Super-homem dono do céu:
"Existe algo transcendental, algo extra-empírico, algo maior, mais fundamental ou mais poderoso do que a esfera que nos é imediatamente acessível através do instrumentário sensorial humano." (Idem)
Eles falam em Pai Nosso, de modo que automaticamente nos colocam como filhos; portanto, diferentes. Eles falam no Celeste, e dessa maneira nos induzem a supor inalcançável, exceto na morte. Ao Lhe taxarem Superior, nos colocam na posição de inferioridade. Ao mostrá-Lo Senhor, só nos resta a escravidão. Se necessitamos aquele Vosso Reino, por certo não passamos de meros súditos. Pedido de misericórdia? Não é mais apropriado a réu do que a comum vivente? E caso o desejo se restrinja "agora, e na hora de nossa morte amém", não persiste a confissão da incredulidade na eternidade? Seriam estes os motivos pelos quais a humanidade é sedenta da religião? Estaria ela embarcada em tão estéril quanto ineficaz motivação? Porventura, ou melhor, por desventura o receio do Juízo Final já seria o bastante? Neste caso o livre-arbítrio não seria uma armadilha para a prisão de mais um? Poderíamos ser criados para servi-Lo?
Não. Se Deus é considerado perfeito, não há nenhuma razão para Ele algo desejar; muito menos servos, ou adorações. Tampouco ele serve de guardião, sempre pronto a interferir em favor de seu eleitorado.
Esta relação não foi proposta no objetivo de religar, posto que de fato é impossível estarmos desligados: fazemos parte do Universo, queiramos ou não. No entanto, a humanidade, mercê da chicana cisória, ansia, em primeiro plano, sua reaglutinação. Para tanto, dizem aqueles mentores, é mister abandonar a miserável condição corpórea, mundana, a fim de que a alma possa readquirir a supremacia, e, como tal, ser a emissária da ansiada religação.
Se pensarmos o Universo, o EspaçoTempo como um estupendo oceano, fica trivial perceber que não precisamos sair do lugar, sequer a mente, ou a alma, para com ele interagir.
O que governa a dinâmica da natureza, inclusive em seu aspecto mais material, na física, não é uma ordem rígida, predeterminada. Nem tampouco uma dialética entre contrários em luta, que leve a síntese, até que se produza uma nova antítese, como na visão dialética marxista rechaçada também pela genética, segundo diz MONOD. É precisamente uma interação - que já existe nos níveis materiais mais elementares entre o aspecto onda e o aspecto corpúsculo - o que impulsiona a dinâmica da natureza. Assim o mostram as relações de mecânica ondulatória, que explicou LOUIS DE BROGLIE, síntese genial que tornou possível, como diz RUEFF, uma filosofia quântica do universo, aplicável não somente às ciências físicas, senão também a todas as ciências humanas.
GOYTISOLO, Juan Vallet,
Interações
"Sabemos que o universo manifestado, que parece ser formado por objetos sólidos, é na verdade composto por vibrações, com os diferentes objetos vibrando em frequências distintas." (CHOPRA, DEEPAK, A realização espontânea do desejo: 124)
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Por estar em todos os lugares, portanto difuso, Deus não é capaz de concentrar as atenções. Santa Maria, seu filho Jesus, e todos os santos são localizados. Portanto, podem catalizar as aspirações e os desejos da humanidade. Essas imagens, por catalizarem as atenções, dispõem de capacidade energética suficiente para virar qualquer jogo. É o que investigaremos no próximo approuch desta microtrilogia.

Uma égide científica ao poder da Santa

Porto Alegre, celebra o dia de N. S. dos Navegantes; Salvador, de Iemanjá.
Existe um sincretismo entre a santa católica e a orixá Africana.
Iemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta.
Jorge Amado

No afã de denegrir as rivais, como é comum entre empresas concorrentes, entidades religiosas também se utilizam de marketing e meios escusos. Tornou-se célebre uma tal evangélica: para marcar sua presença, chutou a imagem da venerada Nossa Senhora. Chamado às explicações, seus autores tentaram se valer da aparente realidade: na verdade estavam chutando uma pedra, uma construção artística na melhor das hipóteses, não uma pessoa. De todo modo, para a instituição Jesus Cristo é o único caminho; e os demais, alienações. Trocam todos os símbolos por um, o que dá praticamente no mesmo.
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Em Porto Alegre milhares de pessoas saem em procissão fluvial. O Guaíba fica apinhado como nunca, em suas margens acompanham milhares de fiéis, todos atrás da santa de pedra. Mas a questão é a seguinte: teriam as imagens de fato capacidade para algum milagre? Afinal, no que podem contrubuir, além da confraternização em torno desse amontoado de cores e ornamentos, tudo criado pela mão do próprio homem, sedento em ilusões, como diz a evangélica? Nossa Senhora se valeria de um delinear de concreto para imiscuir seu espírito?
A religião sem a ciência é cega;
a ciência sem a religião é manca.
EINSTEIN, Albert
Além da procissão deste dia, a capital gaúcha mantém uma capela de outra Nossa Senhora, localizada no bairro da Glória, repleta de placas de agradecimentos. O mesmo se dá no túmulo de Padre Reus, em São Leopoldo, cidadela universitária. N.S. de Caravaggio canaliza milhares de descendentes italianos em peregrinação pela serra gaúcha. Pr. Cícero é patrimônio nordestino. N.S. Aparecida protege o Brasil, tanto quanto o carioca Cristo.
Por que será que esses "cabos eleitorais" atraem tantos devotos? Não poderiam os "eleitores" endereçarem suas preces diretamente a Deus, o Pai-de-todos, supremo Arquiteto do Universo?
Se é custoso admitir que meros ornamentos possuam tanto poder, então o que pode levar o destacamento de tantas placas e agradecimentos, e orações nesses redutos onde se alojam as estátuas e fotografias dos santos e santas veneradas, entre as quais a mais candente em diversas versões? Seria pura ilusão, ou teriam estas construções algum poder miraculoso? Seria esse poder fruto apenas de um pensamento positivo, um restaurador efeito psicológico advindo da crença? Pode ser só isso, e já seria um bom motivo; mas também pode ser algo mais.
Como não aceito as milhares de estórias que nos vão sendo passadas, na boa intenção, evidentemente, da maioria dos estoriadores, mas que se revelam infantis, perante nossa capacidade crítica e de estabelecer motivos e circunstâncias, costumo me socorrer de dados científicos. E eles apontam para uma coincidência: todas as imagens, e até as abstrações podem conter todas as capacidades. Tudo depende apenas de nós! Ou, como dizem os pregadores, nem tanto de nossos parcos conhecimentos, mas de nossa fé.
No caso de Iemanjá e de Nossa Senhora dos Navegantes a capacitade difusora se amplia mercê da condutividade das águas.

Veja
Segundo Ato

Em busca da cientificidade religiosa

Terceiro Ato:
A Santa atômica