quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Bandidagem Superstar I

A tendência geral de todos os homens é um perpétuo e irriquieto desejo de poder e mais poder que cessa apenas com a morte... Numa situação de conflito as pessoas sábias e sutis estão em desvantagem em relação aos que usam a força, já que estes agem e atacam imediatamente, sem perder tempo com planos. HOBBES, T., The Leviathan, ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil, Um irriquieto desejo de poder em todos os homens
Lula é homenageado em evento da Pirelli 
As emissoras de televisão brasileiras foram implementadas por hipercentralismo. O dano é irreparável. Levada pelos mais modernos equipamentos eletrônicos,  a moda de Ipanema, e o estilo da Augusta eram apreciados pelos cantões do país. O divertido Beto Rockfeller tomou conta do salão. Como não encantar índios, jecas, sertanejos, paus-de-arara, caboclos e outros quetais?  Que senso crítico ou personalidade podem adquirir 20 % dos adultos analfabetos, somados a uns 30 semialfabetizados? O Brasil precisava de um up-grade social - nada melhor do que ensinar à massa como ela deveria agir.  Um galã foi colocado na ribalta. Do Oiapoque ao Chuí se conheceu  casas-de-dindas, jetskies, reluzentes ferraris.  Custou caro à matriz: o Caçador de Marajás simulou sociedade com o emergente Macedo,  para compra da TV Record.. (Folha de São Paulo, 30/12/95). O "bispo" se dispunha para reapresentar Jesus Cristo Superstar, de indiscutivel eficácia. A volúpia da emissora de fato atinge record, dificilmente superável. A preço promocional comprou um partido inteiro, e lhe vendeu ao PT, emplacando até mesmo seu vice-presidente. Além de acentuada bancada no Congresso, o partideco comercial se vê ainda mais valorizado na presença do sobrinho de Macedo, discípulo eleiro senador pelo Rio por pregar a fé noutro mundo, hoje Ministro da Pesca,, neste caso linkado com as estórias de peixes bíblicos. O líder da gang, mais um caipira recém condenado, mantém exuberante endereço de frente ao Parque Ubirapuera, tudo coberto, claro, pelo suor do brasileiro. Costa Neto paga mansão do PR com verba pública
Quando apareceram os fundilhos do artista, a moçada se revoltou, dando mostras que era capaz de sobrepujar a propaganda, vista tardiamente enganosa. Mas superá-la pelo quê?
A ideia é que qualquer sistema evolutivo obedece às leis do darwinismo. E a economia é certamente um sistema evolutivo. VEIGA, Prof. Econ. José Eli, Fac. Econ. & Admin. da USP. - Estadão, 8/2/ 2009
Após breve hiato, trocávamos o falso malandro nordestino, meteoro das Alagoas, por verdadeira estrela, professor internacional, sofisticado paulistano, conhecedor profundo da essência darwineana, e muito mais. O Projeto Sivam logo veio à tona. O país seria entregue aos grandes trustes internacionais.
Cogitava-se que o mal pudesse ser extirpado até pela impossibilidade constitucional, mas diante da esperança, apenas esperamça popular, o astuto maquiavélico acabou subornando metade do Congresso, e consagrou vitoriosa a maior falcatrua já assistida em telinhas de lares e bares, depois das novelas. 
Adonado completamente do tenro aparato democrático, foi-lhe bastante simples proceder a cobertura do maior saque em contas privadas do país. O público não se interessou pela enormidade. Muitos a defendiam como "medida de ordem"; e a turba, sequer ficou ligada: a tecnocracia sempre lhe foi inacessível à compreensão. Mas quando o ousado balconista se colocou a vender o país inteiro, a ponto de Itamar Franco temer a venda até mesmo do Pavilhão Nacional, milhares voltaram as ruas para protestar contra a insanidade. Nada adiantou. Medidas Provisórias garantiam a "legitimidade" da liquidação, enquanto o lado político se contentava com bombons.
Ambos, Collor e FHC demonstravam, por todas as telas e meios de comunicação, que o crime no Brasil compensava, sim senhor, e muito.  Como querer que o pessoal do chão-de-fábrica não largasse seus afazeres em prol desta atividade tão rentável quanto emocionante? A corrupção assumia escala geométrica; e os crimes na sociedade, modo geométrico. 
A sensação que tenho é de que a violência vai crescendo como uma doença letal, uma verdadeira epidemia, que vai contaminando todos, aos poucos. As notícias de crime chegam diariamente, sem dó nem piedade. E, se a gente descuida, vira tudo número, estatística. BARROS, J.A, 4/3/2009 http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/#165335
O que vemos, todos os dias, é uma sucessão jamais experimentada por nenhum país civilizado. Gente denunciada, e condenada, não tem receio nem escrúpulos sequer para esbravejar contra a Justiça, esta amarrada em  formalismosUm caipira desocupado decifrou o mapa gramsciano, e assim ainda encanta os semianalfabetos obcecados pelo poder, pelo dinheiro.  Dispensado dos serviços ministeriais, cassado em seus direitos políticos, livre pode angariar as mais criativas vantagens políticas, não sem antes passar por uma proveitosa temporada pelas praias de Miami.
A sem-cerimônia com que se comportaram os já famosos "bebês de Rosemary", isto é, os funcionários apadrinhados por Rosemary Noronha, a antiga chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, seria, de si, suficiente para causar estupor. "Eles não paravam de cometer crimes. É o tempo inteiro, é o modus operandi deles, está na vida deles, eles só fazem isso o tempo inteiro", disse a procuradora Suzana Fairbanks'Mel na chupeta'
Carência de altivez jamais preocupa o corrupto. Sua hipocrisia atinge o esplendor no servilismo, na venal e vil adulação da companheirada, no meio de eventuais inocentes e mais que tolas aclamações populares, até em  ninhos dos sabidões. "Lula é o maior economista do Brasil. O Lula é o único economista que presta no Brasil porque é o único que está falando a verdade.” (Economista e Professor Catedrático. Antônio Delfim Netto, responsável direto pelo Ato Institucional N. 5, e ministro de vários ditadores que se sucederam, em primorosa. entrevista para Ag. Estado - www.avozdavitoria.blogspot.com - 31/12/2008)
Torcendo para que o bota-fora do Lula não coincida com o dos traficantes da Penha, o governador Sérgio Cabral prepara uma grande festa de despedida para o presidente no sambódromo carioca. A ideia é expulsar a bandidagem do Rio antes de 20 de dezembro, data já acertada com Zeca Pagodinho para comandar o show de agradecimento do balneário à parceria com o governo federal no mandato que se encerra sob fogo cruzado na cidade.   
Show de grande audiência veio protagonizado por Lula e Paulo Maluf.  O par avalizava o último modelo, o mais moderno candidato à administração da maior cidade do continente, no magnífico jardim, não grade, que cerca o querido pela Interpol.  Os números lhe encheram de júbilo.
FHC foi condecorado pelo mundo afora. 
Confirmado: a Polícia Federal realmente blindou Lula, para não haver divulgação dos 122 telefonemas entre o ex-presidente e Rosemary Noronha  Lula será homenageado em Nova Iorque, em abril, pelo International Crisis Group, no jantar anual do prêmio Em Busca da Paz.
Enquanto tudo rola e se enrola, tome recepções em noites cariocas, nababescas festas em Paris, castelos no meio do mato, mansões à beira do lago, ilhas afrodisíacas no melhor litoral, memoráveis cruzeiros marítimos, fantásticas viagens internacionais. 
Rubens Vieira escreveu a Paulo dizendo que Solange Vieira e o então diretor da Anac – e atual presidente – Marcelo Guaranys iriam para Chile e Austrália para visitar aeroportos. Depois, esticariam algumas semanas de férias na Oceania, com suas respectivas famílias.
 Lula levou Rose a  24 países.  entre os anos de 2003 e 2010.
 Lula e Rosemary, eram amantes desde 1993

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Onde estão wallies?

Dirigentes do PT tentam acalmar Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, para que enfrente a crise sem se desesperar e recorrer à delação premiada. A ordem é impedir que jornalistas se aproximem dela.  Enquanto isso, em Brasília, o governo arma sua estratégia no Congresso para evitar envolvimento da presidente Dilma Rousseff nesse novo escândalo de corrupção. No Palácio do Planalto, o esquema já está armando para reduzir danos políticos e abafar o mais novo escândalo de corrupção. Mas até quando o PT poderá seguir evitando que os jornalistas se aproximem da Rose, que era tão íntima do então presidente Lula que o chamava de “tio”.  Um tio que não sabia de nada e foi novamente traído e apunhalado pelas costas…PT esconde Rose em São Paulo, enquanto o governo evita que ela seja convidada a depor no Senado

 Ex-presidente participou de apresentação de calendário da Pirelli. Lula chegou ao Píer 2 cercado de forte esquema de segurança. Lula foi homenageado com um troféu, dado pela atriz Sophia Loren. Lula foi um dos últimos convidados a chegar à festa. Lula chegou acompanhado do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Logo depois chegaram o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), e o vice-governador, Luiz Fernando Pezão.  Ficou acertado com os promotores do evento que o ex-presidente não falaria com a imprensa. Havia dezenas de jornalistas na entrada da festa. Lula passou rápido, sem responder aos pedidos de entrevista. Lula foi embora antes de o prato principal do jantar ser servido. Cabral e Pezão deixaram o evento junto com o ex-presidente, combinando um encontro com Lula para esta quarta-feira Lula é homenageado em evento da Pirelli

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Lula & Sheakspeare

Para negócio assim, que é só maldade, qualquer traição é honestidade. SHEAKSPEARE 
"Ao todo, são 8.110 investigações sobre desvios de recursos públicos em andamento (10% do total de inquéritos da PF), concentradas em verbas geridas principalmente pelos ministérios da Educação, da Saúde, dos Transportes e de Cidades - ou repassadas pelos órgãos para os Estados e municípios. " (Corrupção)
 Lula reage ao novo escândalo: ‘Fui apunhalado’
Eis a pérfida inversão, em rasgo par excellence..
A corrupção é a mais danosa das formas criminais, porque ela, além de subtrair recursos públicos, que devem ser usados para o benefício comum, contribui para o descrédito das instituições políticas e compromete a reputação nacional no exterior. Trata-se de um crime de traição ao país e ao seu povo. Uma insidiosa traição, por Mauro Santayana
Lula em nada cuidou do Brasil.  Gastou os oito anos preocupado somente  em viver como ninguém jamais viveu neste país. Aquele falso malandro que preferiu cortar a ponta do dedo minguinho da mão esquerda oferecendo o acidente como redenção ao trabalho largou a política econômica no colo dos tecnocratas formados pelos bancos, e se foi curtir as férias mais extensas de todos os tempos da face da Terra. Metade do exercício do "exemplar" operário foi dedicado às viagens turísticas internacionais à bordo do luxuiso avião presidencial, com um séquito  pronto a servi-lo, e dinheiro à vontade para gastar, sem precisar prestar contas a ninguém.
Lula desenvolveu com Rosemary Noronha, a Rose, uma intimidade que ultrapassou as fronteiras do mero relacionamento funcional entre chefe e subordinada. Conversavam sobre temas pessoais, alheios às atribuições da chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, exonerada por Dilma Rousseff após a deflagração da Operação Porto Seguro. Ministros e petistas próximos a Lula temem que relação dele com ‘Rose’ gere constrangimentos
Ao lado de Lula Rose conheceu 24 países entre os anos de 2003 e 2010. Sequer a lista de passageiros, obrigatória, foi respeitada. A razão era trivial: a ex-primeira-dama Marisa Letícia detestava  a presença de Rose. A lista da comitiva das viagens do ex-presidente Lula passou para as suas mãos; e Rose nunca mais subiu a bordo do AeroLula
Desligada da tomada por Dilma Rousseff, Rosemary Novoa de Noronha, a Rose, ameaça produzir um curto-circuito. A ex-servidora do escritório da Presidência em São Paulo distribui, em privado, um aviso: “Não vou cair sozinha”. Bom, muito bom, ótimo. Em estado de choque, madame tornou-se é um arquivo de alta voltagem. Situada no terceiro escalão da engrenagem federal, Rose emplacava até diretores de agências reguladoras. Decerto tem muito a dizer. Ah, fala logo Rose. Rose, o grande silêncio e os pequenos ruídos
A gentalha se esbaldava nas super-suites das nuvens. Facillidades em embarques e desembarques eram garantidas por especiais passaportes e cartões corporativos de gastos ilimitados, assim envergonhando o país pelo mundo afora.
‘Volta ao mundo’ de Rosemary teve gastos de quase R$ 60 mil em diárias
A Presidência da República concedeu um passaporte que prevê tratamento especial a Rosemary Nóvoa de Noronha em viagens internacionais para acompanhar Luiz Inácio Lula da Silva, então titular do Palácio do Planalto. Entre 2007 e 2010, ela viajou com o então presidente para 23 países, em virtude de pelo menos 30 eventos --de posses de presidentes a encontros de chefes de Estado. Em janeiro de 2010, a Folha revelou que filhos e netos de Lula haviam recebido, a pedido do ex-presidente, passaportes diplomáticos, também "por interesse do país"  
PSDB quer que Lula explique na Câmara seu envolvimento com ex-chefe de gabinete, “sua mulher” em São Paulo Rose teria exigido vantagens financeiras em troca de ajudar o esquema dentro do governo. Segundo reportagem do jornal Metro, do grupo Bandeirantes, a PF gravou 122 conversas entre Lula e a ex-funcionária ocorridas nos últimos dezenove meses.
Governo monta estratégia para blindar Planalto
Governo barra convite do Senado para ouvir ex-chefe de gabinete Avaliação do governo é de que a ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo não suportaria a pressão da oposição. E se ela resolver abrir a boca...
A entrada em campo de Okamoto avisa que o caso Rose é de altíssima periculosidade
Lula será homenageado em Nova Iorque, em abril, pelo International Crisis Group, no jantar anual do prêmio Em Busca da Paz. 
"Há tantos burros mandando em homens de inteligência que, às vezes,fico pensando que a burrice é uma ciência." (RUY BARBOSA)
Meio mundo ficou rico ao seu redor - do filho ao estrangeiro.  E o Brasil, malgrado o insistente e exitoso marketing,  incomensurávelmente mais pobre. Uns R$10 milhões foram enterrados na Faixa de Gaza, na esperança de um apoio à tão acalantada cadeira do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Com o vultoso investimento lá onde o diabo perdeu as botas o falso malandro almejava dar continuidade à fantasia quando fosse despejado do Alvorada, uma vez que a ONU é refratária a mensalões. Diante da impossibilidade, aproveitou a maré de fama e colocou a subalterna em eleição plebiscitária,  para que a destemida funcionária ocupasse o lugar de modo interino até a volta do ciclo, e se mandou cantarolante, crente que continuaria patrão do CTG. A conta do mensalão ficava por conta do Planalto, mas Lula prometeu redimi-la
Quando eu desencarnar da presidência, vou resgatar essa questão do mensalão no Brasil com profundidade. Presidente do Brasil, sr. L.I. da Silva
Operação Porto Seguro e o Mensalão - tudo a ver, no grande esquema da corrupção do PT 
"Suas principais lideranças nunca admitiram a existência de qualquer obstáculo às suas pretensões de exercer o poder sem qualquer prurido. A máxima petista é a de que o bom poder é aquele que é exercido sem qualquer limitação legal." (Para o PT a história sempre se repete MARCO ANTONIO VILLA)
Apesar do excepcional esforço protelatório, aos poucos, como outono,  a companheirada vem sendo pilhada em flagrante delito, e daí defenestrada, Entenda outras suspeitas no governo Dilma Foram feitos mal-feitos. Somente mal-feitos bem feitos podem ser acatados. O inverno bate na porta. A permanência da inadimplência com a conta pendurada agora está sujeita ao martelo desalmado da cega justiça. A cigarra tilinta de frio. A onça quer beber água.
O assassínio, a pilhagem, as correrias dos mercenários, a descida dos oltramonti, a espionagem e o conluio, as conspirações e as traições formavam-se em elementos do quadro cotidiano da Itália no Cinquento. MAQUIAVEL, NICOLAU, O Príncipe, introdução
O clima no Planalto é de forte apreensão com os desdobramentos da Operação Porto Seguro. As atividades da ex-chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, não são conhecidas. Além disso, ela é considerada uma “despreparada” e não se sabe o que fará se for muito pressionada. A tendência no governo ontem era impedir sua convocação para depor no Congresso. Os funcionários do Planalto descrevem Rosemary Noronha como “arrogante” e que usava bordão de madame em reuniões com servidores para preparar idas da presidente Dilma a São Paulo: “Aqui, tudo é chique”.Para tentar agradar à equipe da presidente Dilma, ela organizava ida às compras em shoppings e na Rua 25 de Março. Pânico no Planalto, por Ilimar Franco
"Tido como gênio da arte da política, Lula revela-se, a cada novo escândalo, um precário formador de equipes. Vivo, o cronista Nelson Rodrigues l diria que, nessa matéria, Lula é um débil mental de babar na gravata." (Lula reage ao novo escândalo: ‘Fui apunhalado’)
Enquanto a glória parece lhe abraçar, o traíra tem sua imaginação aviltada. E vê a negra e podre realidade avançar em sua direção, pronta a atacá-lo também pelas costas, justamente de acordo com seu predileto intento. Neste caso, tem razão. É que Maquiavel, o diretor da peça, programou-a sem variação, reservando um final melancólico, senão trágico, ao seu astro principal, justamente ao deleite da platéia, esta, que ao final das contas, lhe garante o sucesso de bilheteria por todos esses séculos.
A via-crucis de Lula
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sábado, 24 de novembro de 2012

Constituição vilã

Os niveladores… rapazes bonzinhos e desajeitados… mas que são cativos e ridiculamente superficiais… O que eles gostariam de perseguir com todas as suas foras é a universal felicidade do rebanho em pasto verde, com segurança, ausência de perigo, bem-estar e facilidade para todos; suas doutrinas e cantigas mais lembradas são ‘igualdade de direitos’ e ‘compaixão pelos que sofrem’ – e o sofrimento mesmo é visto por eles como algo que se deve abolir. NIETZSCHE, F., Além do Bem e do Mal: 45
Reputo ao arremedo constitucional a emulação de todos os crimes que vem sendo cometidos ao nosso redor, ora em escala geométrica. Toca-me trabalhar
Dono de medíocre técnica jurídica, sequer alguma coerência política, o diploma é conseqüência do estupendo golpe cruzado sofrido pela Nação. Seu rosto foi esculpido com fisionomia republicana, o corpo democrata, e braços fascistas. As mãos são por demais visíveis. Na direita o indicador aponta para a esquerda, à metonímia socialista. E a sinistra empunha uma metralhadora carregada de Medidas Provisórias, equipamento mil vezes mais eficaz do que qualquer decreto ou ato institucional de fuzil. Os lábios são parlamentaristas, claro, mas o shape da língua é apropriado ao sotaque das fasces. Os dentes seguem o modelito de Constantinopla¹, um amor. Por via das dúvidas no pescoço da vilã lhe impingiram colar de cidadã. Nesta bizarra integração somente se desintegra o cidadão. A precária e sofrível engrenagem passou a girar justamente quando o executivo brasileiro, não o português, propiciava que o boi magro valesse mais do que o gordo, e o carro usado, mais caro do que 0 Km. O único artigo que defendia a Nação, foi considerado enxêrto, por isso maculado de imediato sem a menor cerimônia: a limitação dos juros à taxa de doze por cento ao ano, não ao mês, como sói acontecer nesta terra de símios e aves bicudas. De fato, taxas de juros não devem compor constituições, mas regramentos trabalhistas e sociais, também não. E a divisão de tarefas e prerrogativas oficiais deve ocupar apenas um acento, ou mesmo ir de pé, deixando vagos os demais lugares aos infortunados passageiros.
Para completar, o pelego-mor,  na condição de relator, não teve escrúpulos em confessar perante a Nação ter levado os palimpsestos para casa, alterando o que convinha à sua grei, para em seguida colher as assinaturas dos patos, que sequer olharam o que assinavam. Aos convivas, virtuais dirigentes, o que interessava já estava garantido.
Não existe tirania mais cruel do que a exercida à sombra da lei e com uma aparência de justiça, quando, por assim dizer, os infelizes são afogados com a própria prancha em que tinham sido salvos. MONTESQUIEU, Do Espírito das Leis: 109
A tal Medida Provisória, sempre permanente, e emitida no exclusivo interesse do Executivo, em nosso caso não tem nada de medida, que significa ação, mas de decreto, que significa determinação, ordem, obrigação de cumprir sem discussão, seja ético ou não, racional ou no intuito de corrupção. O macete veio contrabandeado do sistema parlamentarista italiano, e aqui adulterado como expressão de "direito divino". A prevalência deste instrumento, tornado flagrantemente ditatorial, denota a parcimônia, a anemia, a ignorância social, o mínimo conhecimento de como se assenta um regime que se quer democrático.  A prerrogativa pressupõe, também,  a ignorância do Executivo, posto não precisar pensar, nem raciocinar, tampouco se explicar – basta mandar. O Direito assim tornado hiperpositivista e formalista, repleto de salvaguardas à atuação presidencial.
No que toca à gente é apenas programática, metafísica jamais alcançada pelo cidadão comum. Não é sem razão que a imprensa norte-americana tenha tratado com descrédito e até humor esta constituição brasileira de 1988. Um texto que desce a níveis bem específicos e se prolonga por centenas de artigos é, na tradição americana, uma piada. Ela se presta a oferecer gigantesca faixa de irresponsabilidade ao governante, na certeza de que sua vontade sempre encontrará guarida no legítimo respaldo do corpo jurídico.  Imagine Obama tomando atitudes ou empurrando regulamentações ao povo americano ao arrepio do Capitólio. Não é o caso de uma republiqueta, nascida e mantida na base do sabre e da traição.
O Brasil tem o modelo federativo mais centralizador do mundo. Mais de 70% de tudo o que os brasileiros pagam de taxas e impostos vão parar nos cofres da União, que por sua vez os distribui por mensalões às deltas e cachoeiras que lhe circundam.
O maior dos cientistas teve o desprazer de assistir as peripécias de Bismarck, Lenin, Satálin, Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Perón, Getúlio, Tito, e tantos: 
O mais importante tipo de tolerância é aquele da sociedade e do Estado para com o indivíduo. Quando o Estado se transforma na coisa principal, e o homem no seu instrumento frágil e sem vontade, os valores mais altos estão perdidos. EINSTEIN, Albert, cit. BRIAN:50
Ora lhe consagra a plêiade que toma conta do país.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Entre os treinadores de clubes e o técnico da seleção brasileira

Tendo em vista o claudicante desempenho do outrora respeitado  scratch, o treinador canarinho acaba de ser defenestrado. Como pode a Seleção de Ouro apresentar tão pífios resultados, notadamente ao enfrentar esquadrões nacionais de semelhante envergadura? 
Uma equipe de futebol exige disciplina, preparação física, psicológica, e tática de atuação. Nenhum treinador escapa dessas tarefas a serem ministradas ao elenco. Os melhores, os treinadores campeões são aqueles que conseguem harmonizar essas características dentro do grupo. Mano Meneses se alinha entre os cinco mais competentes treinadores com atuação no Brasil. Até a pouco estava à serviço da CBF. O clube que lhe contratar, com certeza, tem na personalidade um passaporte às maiores conquistas.
Didi e N. Santos comandaram 58, assim permitindo 
que o gorducho Vicente Feola curtisse suas pestanas
Diversamente dos treinadores  de clubes, sempre limitados à capacidade dos contratantes,  o da seleção brasileira pode escolher entre aqueles que entende mais perto da perfeição. Com raríssimas exceções, esses jogadores já chegam  consagrados por suas performances nos correspondentes campeonatos. O técnico do selecionado recebe o jogador já preparado por treinadores muitas vezes até mais competentes do que ele próprio. Ele pode escolher o de melhor drible, o mais rápido, melhor lançamento, o mais eficiente na defesa, o de melhor forma, o que entende com inteligência acima da média, o maior goleador, o que reúne a maior quantidade desses atributos, enfim, formar uma esquadra de fazer inveja a qualquer colega clubístico.
Os jogadores selecionados assim o são justamente pelo alto grau de preparo que apresentam. Quando um treinador de seleção quer mudar as características do jogador, seja querendo aperfeiçoar seu desempenho atlético, técnico, ou tático, exigir demasiadamente, ou mesmo inventar alguma estratégia diferente,  corre o risco não apenas de estragar o atleta, como principalmente contar com sua antipatia, e até má-vontade . Daí a qualquer boicote basta apenas uma reunião de pauta. Nesta perpectiva lembro das raras  exceções - Cláudio Coutinho, que apresentou ao mundo o genial over-lapping, e um estrangeiro, Rinus Michel, que ofereceu o Carrossel Holandês. Nenhum desses capacitados coaches logrou a Jules Rimet., mas suas inovações até hoje são praticadas.  Depois deles, nada de novo pintou no front.
Vicente Feola foi o primeiro treinador brasileiro campeão do mundo. Dormia no banco. Coube ao Enciclopédia  Nilton Santos e ao magistral Didi escalarem Pelé e Garrincha. Feola sequer conhecia Garrincha.
Aymoré Moreira somente veio a ser o treinador campeão de 1962 graças à seu irmão Zezé Moreira, este sim um profissional já testado nos campos brasileiros. Aymoré não era acostumado a treinar time algum. Pegou o time pronto de 58,  e confirmou a supremacia sem maior esforço. O Possesso Amarildo, e novamente Garrinha garantiram o bicho para todo mundo.
Quando Feola voltou, em 66, requisitou quarenta atletas para colocar no jogo aqueles que obedecessem ao padrão necessário. Maior fiasco não se viu.
Ao sortudo Zagallo tocou as Feras de Saldanha. Mandou-lhes jogarem. Gerson foi o maestro.
Parreira aprendeu o dobrado, e apenas sorria
Já presumivelmente testadas, e aprovadas, numa seleção brasileira, são os craques as grandes estrelas,  Se qualquer treinador almejar brilho maior do que os protagonistas, neste momento tenderá ser apagado. E, ainda que dono da maior competência, denodo e conduta ilibada, merecidamente.
Não se deveria fazer testes, nem experiências com jogadores na seleção. Arrisco até a afirmar: ela nem precisa treinador, mas apenas um técnico, expert em identificar os verdadeiros craques. Um selecionador, para o selecionado.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sra. Dilma, por que não te calas? - 3/3

Só conseguimos sair de uma situação de crise e modificar a situação do Brasil quando combinamos robustez fiscal, ou seja, controle dos gastos públicos com crescimento; quando combinamos controle da inflação com distribuição de renda; quando apostamos no nosso mercado interno e desenvolvemos também uma política de exportações. Presidenta Dilma,  em coletiva no Palácio Moncloa, Espanha
Economia brasileira tem pior crescimento desde o governo Collor
Que renda pode distribuir S.Exa se o Estado nada produz?
Arrecadação cai pelo 5º mês seguido e soma R$ 90,5 bi em outubro
A alavanca das frustradas tentativas de manutenção de padrões de vida irrealistas em meio à guerra mundial por empregos é o evangelho do brilhante Keynes, o manual de combate às crises das sociedades em declínio, que imaginam ter apenas problemas de curto prazo. Paulo Guedes A linguagem do declínio.
"O Brasil gosta de espertos e mandões com cara de pau. O teste, aqui, não é dizer a verdade, é saber mentir." Esboços imprecisos da vida pública Roberto DaMatta
Dona Dilma insiste em "instruir" os presidentes dos 27 países que constituem a União Européia. Tal qual avestruz, que ao esconder a cabeça presume que nenhum predador lhe enxergue, ela entende mesmo ser muito esperta, e a platéia, tola: Todos os fatos desmentem categoricamente a retórica estereotipada, ao tempo em que espelham o grau de inépcia que assola o comando nacional:
Polícia Federal faz busca e apreensão no escritório da Presidência em SP Chefe-de-gabinete da Presidência da República em São Paulo comandava a corrupção. nas agências  de Águas (ANA), de Avião Civil (Anac), e na de Transportes Aquaviários (Antac); ainda na Advocacia-Geral da União, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), no Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Educação e Cultura (MEC).
Escuridão na política energética  Ações da Eletrobras têm maior queda da história
A política comercial brasileira parece ter pelo menos três patronos: o Barão de Itararé, Stanislaw Ponte Preta e Nelson Rodrigues. É uma mistura do Febeapá, de Ponte Preta (o 'festival de besteiras que assola o País'), com o 'de onde menos se espera, é daí mesmo que não sai nada', de Itararé, gerando as 'lágrimas de esguicho', de Nelson Rodrigues. Política comercial deplorável  
Com protecionismo e crise, país terá pior superávit em 10 anos  O comércio exterior brasileiro terá retrocesso de dez anos em 2012, com superávit abaixo de US$ 20 bilhões, conforme projeções de várias consultorias. A última vez em que a diferença entre exportações e importações ficou abaixo dessa cifra foi em 2002 — o saldo foi de US$ 13,2 bilhões. Para o ano que vem, os resultados comerciais esperados são ainda piores, de no mínimo US$ 12 bilhões, o correspondente a menos da metade do registrado em 2011, de US$ 29,7 bilhões.
O pífio crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,7% em 2011 é resultado da equivocada política econômica do governo.  Esse “pibinho”, aquém das expectativas, é decepcionante para toda a sociedade brasileira.  Como podemos alavancar a economia sendo campeões mundiais em taxa de juros e praticando uma nefasta política de incentivo às importações e à desindustrialização? Paulo Pereira da Silva (Paulinho) – presidente da Força Sindical
No vermelho
Ou S. Exa anda no mundo da lua, ou então supõe que os espanhois lá estejam. Não cogita a palestrante que tão medíocre performance é de conhecimento dos ouvintes? Será mesmo que a intrépida ex-guerrilheira busca liderança internacional, tipo presidenta mundial, na base da mais pura demagogia, daquela que colhe o infortúnio alheio para vender gato por lebre? Mas para tanto não há como prosseguir subestimando as platéias como se todos fossem meros sindicalistas, de chão-de-fábrica, do agreste nordestino, ou "mães dos homens".
A presidente da República está longe de ser a única a dar aulas de 'boa governança', como se diz hoje, aos países ricos – e só a eles, claro, porque dar conselho a país pobre não tem graça nenhuma. O que há em comum entre eles é que pouco ou nada de útil resulta de todo o seu palavrório pelo mundo afora. (10/10/2011‘Aulas para o mundo’, um artigo de J. R. Guzzo)
Impressionante a pretensão, não menor do que a flagrante necessidade de afirmação pessoal, onde quer que esteja. Quê conceito não devem ter os europeus por um povo que elege sucessivos blefes.
Brazil's greatest fear is to be trapped between two choices: for slow growth or high inflation. This is what worries Dilma, as everyone in Brazil calls President Roussef; unfortunately, the only way to avoid the trap may be to make exactly the kind of policy choices (spending cuts, labor market deregulation, privatization) that Dilma's electoral base doesn't like. Brazil: The Country of the Future, Again?*
"O desempenho argentino pode se repetir aqui se continuar a deterioração de nossa política econômica", alerta Alexandre Schwartsman 
Dólar se aproxima de R$ 2,10; Mantega cita alta global e feriados
Dólar atinge R$ 2,11
O Primeiro-ministro espanhol,  Mariano Rajoy  respondeu à freguesa guardando a elegância: "Temos que controlar o deficit público. Não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo. Não há varinha mágica."
Chineses atacam o Brasil por propor debate sobre desequilíbrio cambial- Jamil Chade - Proposta brasileira, considerada 'extremista', é criar tarifa de importação e compensar valorização do real
Países ricos atacam na OMC a redução do IPI no setor automotivo no Brasil
Em longínquo século assim falava Adam Smith:
O esforço natural de cada indivíduo para melhorar suas própria condição constitui, quando lhe é permitido exercer-se com liberdade e segurança, um princípio tão poderoso que, sozinho e sem ajuda, é não só capaz de levar a sociedade à riqueza e prosperidade, mas também de ultrapassar centenas de obstáculos inoportunos que a insensatez das leis humanas demasiadas vezes opõe à sua atividade. SMITH, Adam, cit. DOWNS: 56
Passaremos por mais quantas gerações para assimilar o óbvio?
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* O maior dilema do Brasil é  ser preso entre duas opções:  crescimento lento ou inflação alta. Isto é o que preocupa Dilma, como todo mundo no Brasil chama a presidente Roussef, mas, infelizmente, a única maneira de evitar a armadilha pode ser a de fazer exatamente o tipo de escolhas políticas (cortes de gastos, a desregulamentação do mercado de trabalho, a privatização) que a base eleitoral de Dilma não admite. 
Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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“Temos que controlar o déficit público, não se pode viver gastando o que não se ganha, como a Espanha vinha fazendo”. Ele disse ter convicção de que o pior momento da economia do país já passou.
Rajoy disse ainda que a Europa trabalha pela união fiscal, econômica e política. “Estamos trabalhando para que todos na Europa possam se financiar em termos razoáveis. Não há varinhas mágicas, é preciso reduzir o déficit, fazer reforma estrutural”.


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Sra. Dilma. por que não te calas? - 2/3

As políticas mundiais de crescimento induzido pelo Estado tiveram exatamente o efeito oposto do que pretendiam: tinham aumentado, e não reduzido, o custo da produção de bens e serviços e tinham abaixado, e não aumentado, a capacidade das economias de conseguirem uma produção vendável. SKIDELSKI: 14  
O Estado de bem-estar era um ardil político: uma criação artificial do Estado, pelo Estado, para o Estado e seus funcionários. É um eco irônico da democracia de Lincoln de, por e para ‘o povo’. Quando seus bem escondidos, porém crescentes, excessos e abusos no governo central e local foram revelados recentemente, havia se passado um século de defesa falaciosa. SELDON: 60  
Dona Dilma insiste em "instruir" os presidentes dos 27 países que constituem a União Européia.. Receita cicuta: “Os estados de bem-estar atualmente são diretamente responsáveis por 2 grandes crises econômicas que dominam o mundo: a crise financeira global e a crise de débito,” (PALMER, Tom, em coletânea de ensaios sobre o bem-estar social de cinco nações. As editoras Atlas e SFL distribuíram 100.000 cópias do livro na América do Norte e 25.000 cópias na Europa.)
O prof. Aristides Hatzis, da University of Athens, mostra justamente a raiz da atual crise grega: o populismo agregado ao estado de bem-estar: "A Grécia é o típico caso de livro-texto de uma geração de ‘direitos insustentáveis."
Essa descrição se aplica à atual recessão econômica nos EUA e na Europa, bem como aos esforços de se revertê-la por meio do uso de "políticas fiscais" e de "pacotes de estímulos". O significado desses termos é 'mais gastos governamentais" e 'menos impostos voltados especificamente para estimular o consumismo'. Isso inclui dar dinheiro de restituição de imposto de renda para pessoas que não pagam imposto de renda e as quais compreensivelmente, justamente por causa de sua baixa renda, saíram correndo às compras, consumindo mais à medida que mais dinheiro foi lhes sendo repassado pelo governo Explicando alguns conceitos básicos de economia por George Reisman,
O jornalista e pesquisador italiano Piercamillo Falasca, enaltece o milagre italiano realizado pelas reformas ao livre mercado na década de 1950,  posteriormente debilitado pelo bem-estar estatal dos últimos anos. 
David Green do Reino Unido, fornece informações históricas do que existiu antes do estado de bem-estar, e como estes governos destruíram  as organizações voluntárias.
O economista sueco Johan Norberg explica o papel das políticas do estado de bem-estar na criação da bolha imobiliária dos EUA, e que levou à crise financeira mundial.
O expert Michael Tanner identifica o crescimento de passivos sem lastro, os gastos em pensões e planos de saúde, aos quais não existe receita que chegue.
Inúmeros ensaios tratam do papel dos programas de bem-estar que aprofundaram e institucionalizaram a pobreza e a política de bem-estar social como um sistema de controle político.
O Brasil, como estamos fartos de saber, está atrasado em quase tudo. Repetimos dramas que não deveriam mais ser vistos com uma insistência que causa vergonha e não os aplausos que conferimos com gosto no teatro. Shakespeare no Brasil Roberto DaMatta
Em nosso sítio quase dobrou o número de ministros e secretários com status de ministros.  A Esplanada abrigava 21 ministros e secretários em 2002;  termina 2012 com 38 titulares e com o 39º ministério, o da Pequena e Micro Empresa, prestes a ser ocupado. À leva ministerial o contingente de servidores passou de 809,9 mil para 984,3 mil. Já os salários, que consumiam R$ 59,5 bilhões em 2002 (ou R$ 115,9 bilhões em valores já corrigidos), chegaram a R$ 154,5 bilhões até agosto deste ano. (Fonte: O Globo)
Para 'Economist', salários de servidores no Brasil são 'roubo' ao contribuinte
Senado ratifica ato que livra do Imposto de Renda 14º e 15º salários dos parlamentares
A Câmara dos Deputados (513 membros) e o Senado (81 membros) reservam para si, no Orçamento 2012, R$ 5,4 bilhões; e o programa de Gestão e Manutenção da Presidência da República, abocanha R$ 4,7 bilhões. (http://www8a.senado.gov.br/dwweb/abreDoc.html?docId=202054).
Dívida Pública sobe em outubro e se aproxima de R$ 2 trilhões Em um mês, DPF subiu 2,04%, Tesouro emitiu R$ 20 bi em títulos públicos
O professor da Faculdade de Economia da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), Roberto Macedo, sugeriu cautela,  acendendo o alerta para o grau de “endividamento” do governo federal.”
Embora seja muito difícil para qualquer pessoa de bom senso entender como é possível que aumentos absurdos de gastos públicos ou endividamentos constantes e progressivos possam ser sadios ou benéficos, o que se vê atualmente é o mais absoluto desprezo às virtudes da prudência e da parcimônia, tão caras aos economistas clássicos. O "Zeitgeist" Keynesiano  
De acordo com Ludwig von Mises ,é preciso enfatizar o fato óbvio de que um governo somente pode gastar ou investir aquilo que tira dos cidadãos, e que os gastos e investimentos adicionais diminuem, na mesma medida, os gastos e os investimentos que seriam feitos pelos cidadãos. Disso, podemos concluir que, sendo o governo um ente que não gera riquezas, ele consequentemente não pode fazer a economia crescer em termos reais. Contrariamente à crença popular, quanto mais o governo gastar, pior será para a saúde da economia e, por conseguinte, para o crescimento econômico. 
O governo tem dificuldade tanto para diagnosticar os problemas (como indica o fiasco econômico de 2011 e 2012) quanto para definir seus objetivos e, portanto, suas estratégias. Nestes dois anos, o País nem cresceu nem conseguiu elevar seu potencial de expansão, mas seus fundamentos macroeconômicos ficaram um pouco piores. Um fiasco superfaturado Rolf Kuntz 
Mesmo com todos os estímulos, o Brasil crescerá pouco este ano. É isso que mais chama atenção na nossa economia. O Banco Central reduziu os juros em 5,25 pontos desde setembro do ano passado. O governo anunciou esta semana que não cumprirá a meta de superávit primário, e a tradução disso é que, ao invés de economizar para pagar dívidas, o Tesouro gastará mais. Segurar para não cair Alvaro Gribel e Valéria Maniero, O Globo
Brasil fica 'na lanterna' do crescimento
Depois de 20 anos, cai em SP a população economicamente ativa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Sra. Dilma. por que não te calas? - 1/3

Eu queria dar bom dia pra todas as mulheres aqui. E também pros homens. Afinal de contas, as mulheres são mães de todos os homens. Então tá todo mundo em casa. Presidenta Dilma, em discurseira pelo Nordeste.
E me diga se essa semana não bateu recorde, e se o número de sandices ditas pelas autoridades não ultrapassou os limites. Mais do que isso já poderemos decretar calamidade pública! Enchente de saco! Salvem-nos desses governantes! Artigo de Marli Gonçalves.
Nélson Rodrigues observou que o século XX introduzia o idiota na vida pública.  “O Óbvio Ululante” (1968) já informava: “Os idiotas estão por toda a parte – na política como nas letras, nas finanças como no cinema, no teatro como na pintura (...), liderando povos, fazendo História e fazendo Lendas”. Vero.   Gente com os mais rudimentares conhecimentos passaram a influir e decidir em questões políticas complexas, a partir de slogans e palavras de ordem, a ponto de assumirem até mesmo governos de nações. Montaner e Vatgas Llosa escreveram o best-seller - Manual do perfeito idiota latino-americano.
O festival de besteiras não tem fim (Denis Rosenfield)
A presidenta desponta:
As políticas de ajuste por si próprias não resolvem nada, sem investimento e estímulos ao crescimento. As políticas que estão sendo aplicadas na Europa levarão a uma recessão brutal. O Euro é um projeto inacabado e na realidade hoje não é uma moeda única.
"Não é possível falar da Europa como um todo. As regiões realmente problemáticas são Itália, Espanha e Grécia, onde há níveis surreais de corrupção, clientelismo e ineficácia fiscal. Isso não é a Europa toda." (Francis Fukuyama) Oara, ora, não são justamente comunidades hipercatólicas, greco-romanas?. Sócrates e Platão se divertem no inferno. Só falta a França, já na espreita.
O canto latino-americano ecoa do mesmo buraco-negro:  "No Brasil, os números provam que a existência de corruptos anda de mãos dadas com a regulamentação econômica. O país é o 73º colocado no ranking mundial da percepção popular da corrupção".(Brasil tem baixa liberdade econômica e alta percepção de corrupção )
Folha.com - Poder - Ouça trechos das conversas gravadas pela PF
Nº de ligados ao PCC quase triplica em 6 anos
"Empresários, banqueiros, políticos, advogados manifestam seus receios traçando um quadro de pré-barbárie jurídica." (Inversão de valor, por Dora Kramer)
"Nosso continente está infestado por quadrilhas armadas, narcotraficantes, milícias, sequestradores, assassinos por encomenda e exploradores do tráfico de pessoas."  (Aritmética da violência, por Luiz O. Coimbra)
"Há pouco tempo, levamos um puxão de orelhas da OCDE, acompanhado da ameaça de uma recomendação a empresas dos seus países-membros, no sentido de que suspendessem seus negócios com o Brasil. É de envergonhar. Será preciso que o povo volte às ruas, para cobrar decência de seus representantes?" (Vergonha nacional, por Luiz Garcia)
Então que tipo de moral, que noção de desenvolvimento social tem alguém que preside favelas, ruas e palácios tomados pelo crime organizado, país de esquálido PIB, há lustro em declínio?
"O que as pessoas precisam compreender cada vez mais é que, quanto pior a situação dentro dos presídios, mais violência nós teremos nas ruas. Há uma conexão.",informa a abnegada ministra Maria do Rosário. Mas o que as pessoas tem a ver com a situação dos presídios, tarefa precípua, razão do Leviathan
"As prisões brasileiras estão lotadas de presos, mas são pessoas comuns. Desta vez são pessoas graduadas do ponto de visto político, econômico e social." (Joaquim Barbosa, presidente do STF, sobre o Mensalão)
“Em qualquer lugar do mundo, o crime organizado está sempre dentro do Estado, e não fora”, apontava o deputado carioca Marcelo Freixo, ao relatar a dificuldade na instituição da CPI neste depoimento.
"A conta pode chegar por meio do incremento de gastos com saúde, com assistência básica de sobrevivência às vítimas e também de uma maneira mais cruel, o vergonhoso abandono à própria sorte. Torço por saída mais honrosa." (Entre mortos e feridos)
"... Esses males têm raízes solidamente fincadas na persistência entre nós de um enorme déficit de consciência política sobre o qual é enorme a responsabilidade de um governo que prefere botar a culpa de todos os males nas "elites", onde hoje tem seus principais aliados." (Sobre a era medieval - Editorial)
Específicamente quanto ao criticado desenrolar econômico, o que se passa na cidadela que cabe a S. Exa. resguardar?  
A presidente Dilma Rousseff aproveitou a viagem à Espanha para oferecer aos governantes europeus, mais uma vez, lições de política econômica. Nenhuma autoridade local perguntou à visitante por que a economia brasileira deve crescer tão pouco neste ano - talvez nem 2% -, depois do fiasco dos 2,7% em 2011. Enquanto ela completava suas lições e propunha maior autonomia para o Banco Central Europeu, em Brasília a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, divulgava mais um constrangedor balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).  As lições de Tia Dilma Rolf Kuntz
A política econômica tem atendido a emergências, quando deveria ter um rumo; ameaça com arsenal de medidas quando deveria implementar reformas que tirassem do caminho os obstáculos ao crescimento; distribui favores quando deveria melhorar o ambiente de negócios... O BNDES pensa estar fazendo política industrial despejando volumes extravagantes dos recursos no projeto de formação de grandes conglomerados. Tudo isso dá a impressão de que há um projeto. Não há. Falta projeto
Que manual orienta sua assessoria econômica? O que ensinam nossas pouco criativas academias? Nada além do esteréotipo:
O modelo keynesiano acabou sendo totalmente assimilado pela corrente principal do pensamento econômico. Em sua maioria, os economistas tentam hoje fazer uma 'sintonia fina' da economia, aplicando os remédios propostos por Keynes: imprimir dinheiro, aumentar ou baixar as taxas de juros, cortar ou aumentar impostos, e assim por diante. HEDERSEN, HAZEL, cit. CAPRA, F., 1995: 206 
"O governo Dilma imagina que os obstáculos relevantes ao investimento privado fossem apenas o câmbio fora do lugar e os juros escorchantes, suficiente e definitivamente removidos... Este é um governo excessivamente intervencionista. Tão intervencionista que prejudica até mesmo o setor público - como se vê na condução das políticas do petróleo e da energia elétrica." (E os investimentos? Celso Ming)
A distorção mais visível começou com o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), concebido como instrumento de reativação econômica. Lançado em 2009, quando o Brasil já começava a sair da recessão, deveria ter sido extinto em pouco tempo, mas foi prorrogado e continua em vigor. Por meio desse programa, o Tesouro tem transferido recursos ao BNDES, para reforçar sua capacidade de empréstimo. A advertência logo soou: o novo esquema era muito parecido com a famigerada conta movimento, extinta no fim dos anos 80, depois de grandes danos às políticas monetária e fiscal. Confusão entre Tesouro e banco
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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O lucro líquido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recuou 48 por cento no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2011,

Lucro líquido do BNDES cai 21% no terceiro trimestre

Lucro do BNDES cai 21% no terceiro trimestre



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Lucro do BNDES cai 21% no terceiro trimestre

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 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou lucro líquido de R$ 2,043 bilhões no terceiro trimestre, com queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.

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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

República privada

Do original A Rês ex-Pública (27/10/2007) 
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O mito final da República é uma mentira útil que se deve contar a essas crianças, a fim de que se submetam à autoridade paterna da ordem estabelecida  KELSEN,  H., 1998: 323
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Datas festivas são apropriadas para serem coloridas com a cor que se quiser.  Das mais devotadas são  7 de setembro & XV de Novembro. Ambas deveriam ser motivo de vergonha, jamais de jactância. A primeira assinala um brado retumbante disparado aqui, do outro lado do Atlântico, contra um pai que finalmente dormia sossegado em sua varanda. E a segunda não passou de simples traição da própria guarda imperial. Reverenciam-se os atos quiçá por distantes, e cercados de intensa divulgação, mas uma publicidade enganosa que certamente não passaria por um órgão de defesa do consumidor se revelados motivo, método e consequências que os rótulos píntados heróicos de antemão esconderam. 
"O fato de, no Brasil, o Estado ter se organizado antes da sociedade, impondo-se sobre esta, teria sufocado processos autônomos de organização cujo resultado se via na debilidade da sociedade civil." (COSTA, V.: 33) 
A República ainda está para ser conquistada, justamente por ter sido usurpada.
Inspirados pelo positivismo francês adotaram na nossa bandeira o lema favorito de Auguste Comte 'Ordem e Progresso' como um ideal a ser seguido. O recado estava claro, Progresso sim mas com o controle das Forças Armadas... A reforma eleitoral aprovada pelos republicanos foi marcada pela exclusão da grande maioria do povo brasileiro. A adoção do preceito de que analfabeto não tem direito a votar marginalizou a maioria da nossa população, especialmente os escravos recentemente alforriados que eram em número de um milhão e meio numa população de dez milhões de habitantes. Além desta exclusão, os republicanos criaram um sistema eleitoral que terminava por estimular a fraude visto que o voto não era secreto e o próprio governo se encarregava de contar os votos. Rapidamente o poder real e concreto resvalou para os coronéis do interior, para os mandões locais que manipulavam os resultados eleitorais visto que controlavam os seus currais eleitorais com mão-de-ferro. Não demorou muito para que o processo eleitoral se tornasse sinônimo de farsa. Um jogo de cartas marcadas onde todos os resultados eram previsíveis de antemão. (Sobre História por conteudo@algosobre.com.br)
Em 1899 um velho militante, desiludido com os rumos do regime, escreveu que a República não tinha sido proclamada naquele mesmo ano, mas somente anunciada. Dez anos depois continuava aguardando a materialização do seu sonho. Era um otimista. Mais de cem anos depois, o que temos é uma República em frangalhos, destroçada. Constituições, códigos, leis, decretos, um emaranhado legal caótico. Mas nada consegue regular o bom funcionamento da democracia brasileira. Ética, moralidade, competência, eficiência, compromisso público simplesmente desapareceram. Temos um amontoado de políticos vorazes, saqueadores do erário. Vivemos numa República bufa. República destroçada
A Constituição
"Não é sem razão que a imprensa norte-americana tenha tratado com descrédito e até humor a nova constituição brasileira, de 1988. Um texto constitucional como o brasileiro, que desce a níveis bem específicos e se prolonga por centenas de artigos é, na tradição americana, uma piada."
A Lei Maior não esconde o desvio de caráter no qual permanecemos submetidos. A digital identifica a voracidade do lobo que invadiu o pavilhão..Apesar de roupa nova, desenhada e costurada por famosos estilistas, ela é mais emendada do que macacão de pobre. Está mais para corvo, do que para colibri. Seu estilista: o famoso estelionatário do Plano Cruzado. Quanto pior o povo estiver, mais fácil espoliá-lo.  O banquete, cujo prato é Zé Carioca ao molho bárbaro, permanece na mesa, à disposição.
Dona de precária técnica jurídica, sequer alguma coerência política, o arremedo constitucional é conseqüência do estupendo golpe cruzado sofrido pela Nação. A parca engrenagem passou a girar justamente quando o executivo brasileiro, não o português, propiciava que o boi magro valesse mais do que o gordo, e o carro usado mais caro do que 0 Km. O único artigo que defendia a Nação, foi considerado enxêrto, por isso maculado de imediato sem a menor cerimônia: a limitação dos juros à taxa de doze por cento ao ano, não ao mês, como sói acontecer nesta terra de símios e aves bicudas. De fato, taxas de juros não devem compor constituições, mas regramentos trabalhistas e sociais, também não. E a divisão de tarefas e prerrogativas oficiais deve ocupar apenas um acento, ou mesmo ir de pé, deixando vagos os demais lugares aos infortunados passageiros. Para completar, o relator não teve escrúpulos em confessar perante a Nação que levou o texto para casa, alterando os artigos que convinha à sua grei. 
Ainda que contenha argumentos sociais e até econômicos, (estes são apenas isso mesmo, argumentos, mas não ações, sequer deliberações), nossa Lei Maior é como um travesti marciano. Perdõe a despudorada comparação. Nada contra travestis, muito menos se de outro planeta, mas o realce é mister: tal corpo é esculpido com traços socialistas, braços fascistas, lábios parlamentaristas, abraços às causas sociais, alcunhada cidadã. Tudo integrado. A gente se desintegra.
Na ocasião caia o muro, de podre. A constituinte colheu o ensejo, e se apresentou com o mais moderno figurino, extraído da bandeira do cidadão, do indivíduo. A função maior, todavia, a defesa do indivíduo, do eleitor, encontra-se ao máximo reduzida. É só bandeira, mesmo. Slogan. Rótulo. Por dentro ela se auto-anula. Invoca extenso rol de composições burocráticas, reservando um diminuto espaço aos estados e menor ainda aos municípios. Apresenta-se democrática, mas deixa as pernas fascistas à mostra. A Cidadã, é uma constituição vilã.
Os feitores tinham a consciência do mal. Pediram expressas desculpas, nas disposições transitórias. Não eram sinceras. Para "reparar" a atrocidade, contrabandearam da Itália, (de novo!) um dispositivo chamado provisório. Mais uma vez enganaram, e continuam, descaradamente. Quase todas as milhares de medidas são permanentes. O país é provisório, porém permanentemente provisório, vê se pode. Também quase todas (aliás não sei de nenhuma que não o seja) são de interesse exclusivo do titular do poder executivo, um disparate consentido na Inglaterra, mas só até 1689, e até ao século XVIII nos Estados Unidos e alhures.
O país da Sorbonne marchou com Napoleão. A Terra que se diz do Galo, como o Brasil, fez um monte de constituições. Todas demonstram o apreço à ficção. Eis a razão do paradoxal lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade: "me engana que eu gosto". É para inglês ver. Ele vê, e ri. Até o vizinho da frente sabe: liberdade, per se, exclui a igualdade, ora pois! Franceses, como de resto latinos, adoram cantos de galo, e de sereia. E, ultimamente até de símios e aves bicudas.
Enquanto nossos compatriotas não possuírem os talentos e as virtudes políticas que distinguem nossos irmãos do Norte, os sistemas inteiramente populares, longe de nos serem favoráveis, receio que virão a ser nossa ruína. SIMON BOLÍVAR, em Carta a um cavalheiro que tinha grande interesse na causa repúblicana na América do Sul, 1815
Pois continuamos atrelados a um Leviathan mais faminto do que qualquer reinado, por isso impondo contratos sociais, positivismos e tal, tudo dentro da "ordem" para haver "progresso", só não se sabe de quem. Alienamos nossas existências ao sabor de medíocres interesses de exércitos partidários, ou melhor, de generais sem farda.
A Medida Provisória é mais eficaz do que qualquer baioneta. Atos institucionais foram meros trombadinhas. Tanto quanto os decretos tão repudiados, a MP é instrumento vil, completamente apartado do princípio da democracia. É avessa à divisão de poder. Como se não bastasse, os líderes das “diretas já” de fato pregaram e cumpriram: enfiaram uma série de golpes por sobre a face do povo que os elegeu. (Se é que de fato os elegeu, posto as eletrônicas não permitirem nenhuma conferência.) Tantas maracutaias impunes só poderiam desaguar no que se vê: nossas leis, já há mais de uma década, espelham votos vendidos, pagos à prestação, em polpudo mensalão.
Nosso texto constitucional prima por tosca caricatura humanista. Pelo espelho se vê o rabo do macaco. Pela frente, o grande bico, para abiscoitar esquálidos.
Volta, Geraldo Vandré. Vem, vamos embora, que esperar não é saber!