terça-feira, 30 de junho de 2009

Ex Presidente Itamar Franco volta à cena política

Do jeito que as coisas vão, FHC vende a Bandeira Nacional até 2002.* ITAMAR FRANCO. -(www.frazz.com.br)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elogiou nesta sexta-feira a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de permitir um aumento de participação do capital estrangeiro no Banco do Brasil (BB). O limite subiu de 12,5% para 20%: 'Acho que está bem, aliás foi ele que aumentou (anunciou) vender lá fora, então por que está reclamando da Petrobras? O Globo, 18/9/2009
Estava fazendo falta a presença do ex-presidente Itamar Franco no momento em que o Brasil não consegue se dar conta de tudo que está em jogo. FIGUEIREDO, W., Jornal do Brasil, 8/8/2009
S. Exa. deixou o fisiológico PMDB em 2006. Permanecia três anos sem partido. O introdutor do austero Real filiar-se-á no PPS, em ato público programado para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, a 6 de julho. O período do Topete à testa da Nação fez-se praticamente isento de deslizes éticos ou administrativos.
Itamar Franco deixa um traço inconfundível, sua marca pessoal na vida pública brasileira, marca na qual é possível distinguir três componentes principais. Em primeiro lugar, a honradez pessoal, a probidade e o extremo sentido de responsabilidade no trato da coisa pública, a traduzir seu respeito pela esperança do povo. Em segundo, a simplicidade pessoal, a recusa da promoção e do "marketing" político, como que a indicar um desejo de pedagogicamente desmistificar a figura do governante. Finalmente—e mais sutil—, a habilidade na costura política, a capacidade de administrar crises, a pertinácia na construção das condições que ensejam ao brasileiro reecontrar-se com seus melhores sentimentos.http://www.vivabrazil.com/vivabrazil/itamar_franco.htm
Para fazer uma gestão tranqüila, sem turbulências, procurou o apoio de partidos mais à esquerda. Itamar Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade. Uma prova disso foi o seu bem-sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso na sucessão presidencial. TIAGO DANTAS, Equipe Brasil Escola
A nova moeda brecou a espiral inflacionária simplesmente vetando novas emissões... Sem nada inventar, muito menos corromper, ITAMAR FRANCO estabeleceu uma harmonia generalizada, levando o país à estabilidade econômica e política.
Com o principal objetivo de controlar a hiperinflação, o Plano Real completa 15 anos com a missão cumprida. A economia foi reaquecida com a entrada das classes C e D no mercado consumidor, aumento da oferta de crédito e prestações sem aumento todo mês. O PIB cresceu 5,67% em 1994, com o setor industrial apresentando expansão de 7%. O principal objetivo do Plano Real era conseguir a estabilização dos preços. O mérito do Plano foi ter conseguido alcançar a estabilidade. Invertia, 29/6/2009 *
Manobrando com maestria um engenhoso plano de transição da antiga moeda para o Real, a equipe econômica do governo Itamar Franco conseguiu convencer a sociedade de que a inflação podia ser controlada e de que era possível voltar a viver com estabilidade monetária. DELFIM NETTO, Antônio, UOL Economia - 1/7/2009

O resultado ao final do governo FHC todos conhecem: um déficit nas contas externas de US$ 180 bilhões que nos obrigou a fazer vultosos empréstimos no Fundo Monetário Internacional. Idem, ibidem.
O impostor e seu "associados" se apropriaram, inclusive, da criação. ITAMAR nem vem ao caso:
Esses 15 anos do Real têm que ser celebrados juntos pelo Lula e Fernando Henrique. Faz falta a presença do presidente Lula hoje aqui com Fernando Henrique. Vocês dois deveriam começar a conversar mais - ressaltou o líder petista. O presidente Lula está em Paris. Sen ador eco nomista ALOÍSIO MERCADANTE

Talvez, senador Mercadante, as suas palavras tenham sentido, mas não deveriam ser dirigidas a mim. Devem ser ditas a quem pode (ao Lula). E até agora não disse uma palavra de reconhecimento dos benefícios que o Real - e tudo que fizemos no meu governo - trouxeram para o país. Mas ele fez também a parte dele.
Ex-presidente, socio logo
F. CARDOSO O Globo, 7/7/2009

Hoje, no Estadão, FHC foge do assunto, porque não consegue mais – quinze anos depois do lançamento do Real – apropriar-se do Plano, como se fosse dele e de mais ninguém. www.paulohenriqueamorim.com.br - 5/7/2009
FHC foge de tudo, como sói acontecer com tal tipo.
Em que pese por muitos ridicularizado, até por sua simplicidade, tomada como simploriedade, o tom do seu governo foi a eficácia conjugada com a ética, onde a corrupção teve reduzido espaço para se espraiar. Seu demérito, contudo, foi coroar aquele ministro para fazê-lo sucessor, supondo retornar em seguida, fato frustrado pelo golpe da reeleição da mediocridade, às custas de mensalão..
O Brasil vivia um dos momentos mais difíceis de sua história: recessão prolongada, inflação aguda e crônica, desemprego, etc. Em meio a todos esses problemas e o recém Impeachment de Fernando Collor de Mello, os brasileiros se encontravam em uma situação de descrença geral nas instituições e de baixa auto-estima. O novo presidente se concentrou em arrumar o cenário que encontrara. Itamar procurou realizar uma gestão transparente, algo tão almejado pela sociedade brasileira.
Infelizmente a experiência vivida a partir daí, do miraculoso 1995, atesta: o crime, que percorria trajetória "apenas" uniformemente acelerada, em ritmo aritmético, diante da incidência desenfreada da corrupção tomou velocidade geométrica.
O momento mais dramático do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso ocorreu no dia 13 de janeiro de 1999... O então presidente do Banco Central, o economista Francisco Lopes, vendia informações privilegiadas sobre juros e câmbio – e uma parte de sua remuneração saía da conta número 000 018, agência 021, do Bank of New York. A conta pertencia a uma empresa do Banco Pactual, a Pactual Overseas Bank and Trust Limited, com sede no paraíso fiscal das Bahamas. Veja, 23/5/2001
Com aproximadamente 48 mil mortes por ano, o Brasil é um dos países que detém uma das maiores taxas de homicídios no mundo, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira pelo relator especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre Execuções Arbitrárias, Sumárias ou Extrajudiciais, Philip Alston. Folha de São Paulo, 15/9/2008
Quando governador, Itamar afiançava que José Serra, presidenciável do PSDB, mentia ao dizer que criou os medicamentos genéricos, porque isso teria ocorrido durante seu mandato, através de um decreto. 'Ele deveria ter a decência de dizer que os genéricos surgiram no governo Itamar, não pelo Itamar, mas pelo grande ministro da Saúde que foi o Jamil Hadad'. www.paulohenriqueamorim.com.br. - 2/7/2009
"Pois quem pariu Matheus, que o embale." O retorno de ITAMAR faz-se oportuno, e imperativo.
Itamar Franco inaugurou o presidencialismo congressual no país, dando início à consolidação da democracia brasileira. "Itamar foi o primeiro grande nome a honrar os compromissos da Constituição de 1988 e foi pai e mãe da democracia participativa. Sua capacidade de diálogo com o poder legislativo e com a própria população perimitiu a formação de um governo brilhante que deu o pontapé inicial de políticas públicas que foram se aperfeiçoamento ao longo dos anos, como é o caso dos programas sociais, da implantação do Plano Real e do decreto de criação dos genéricos. www.aspasiacamargo.com.br
ITAMAR bem conhece o ninho dos ratos, e até a solução:
Logo na cerimônia de filiação criticou duramente o presidente Lula, pelo que chamou de 'culto à personalidade, a certeza messiânica e a incontinência verbal'. Quanto ao PT, disse que 'corre perigo a democracia com um partido que quer a manutenção do poder a qualquer custo'. http://politicaecidadania.atarde.com.br/?p=3168
"Chegou a hora de pensar em candidatos independentes para acabar com a ditadura dos partidos" (ITAMAR FRANCO)
Contrário à política de privatizações, o governador ITAMAR FRANCO retomou judicialmente o controle acionário da estatal geradora de energia elétrica de Minas Gerais CEMIG, parcialmente vendida por seu antecessor, o então governador Eduardo Azeredo, que somente conseguiu fechar as contas estaduais em seus dois últimos anos de governo desfazendo-se de parte do patrimônio público mineiro, que foi privatizado, em um processo de reorganização das estatais mineiras que estaria na gênese do chamado "esquema Marcos Valério" cuja "origem dos recursos" seriam "as empresas públicas de Minas Gerais"
Itamar se opôs a atividades típicas da política tradicional, como as vinculadas ao clientelismo político. Extinguiu as subvenções sociais distribuídas por deputados e não negociou emendas parlamentares, deixando de exercer a habitual dominação que o Executivo exerce sobre o Legislativo. Em décadas, foi o governador com maior número de projetos rejeitados na Assembléia mineira, retaliado pelo rompimento com o pacto clientelista http://pt.wikipedia.org/wiki/Itamar_Franco
Ora S. Exa preside o Conselho de Administração do BDMG.
Microficha: presidiu o País de 1992 a 1994.
Engenheiro, foi prefeito de Juiz de Fora por dois mandatos e senador, também por dois mandatos. Foi também embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA) e na Itália. Diante do arranjo da reeleição, fato que o impediu a disputa pela presidência, concorreu e venceu para governador de Minas Gerais, de 1999 a 2002.
Acompanham-lhe na filiação os ex-ministros Henrique Hargreaves (Casa Civil) e Djalma Morais (Comunicações); atual presidente da Cemig, além do ex-deputado Marcelo Siqueira e da ex-secretária estadual de Justiça de Minas Gerais Ângela Pace.
_________

O Diretório Nacional do PPS, reunido neste fim de semana em Fortaleza (CE), elegeu Itamar Franco o novo vice-presidente da legenda. Filiado ao partido desde o início de julho, o ex-presidente da República ocupará o segundo cargo mais importante do partido, enquanto Roberto Freire continua na presidência do PPS, em mandato válido para o biênio 2009-2011. A secretaria-geral será comandada por Rubens Bueno, reeleito para o cargo.
Folha, 25/10/2009

O 18° aniversário do Plano Real, ocorrido neste domingo, não animou a oposição oficial a soltar um único rojão, um só buscapé , sequer um traque de festa junina. A chegada à maioridade da ousadia econômica que domou a inflação só serviu para reafirmar que Fernando Henrique Cardoso, o grande protagonista da façanha, foi vítima de outra molecagem consumada em parceria por adversários boçais e aliados bisonhos.
O governo Dilma-Lula fingiu esquecer a data para que o país nem lembrasse as cafajestagens promovidas pelo PT para enterrar o Real. A oposição oficial só esqueceu outra vez o que jamais valorizou. Se os herdeiros presuntivos do legado de FHC fossem menos idiotas, usariam repetidamente a TV para contar, no horário eleitoral e no espaço reservado aos partidos, a história que milhões esqueceram e outros tantos ignoram.
Os incontáveis brasileiros que hoje tem 30 anos ou menos tinham no máximo 12 em 1° de julho de 1994, quando o Plano Real nasceu. Não são muitos os que sabem o que efetivamente aconteceu, como aconteceu, quem fez acontecer e quem procurou impedir que acontecesse. Como atestam os textos e ilustrações que se seguem, não seria difícil contar o caso como o caso foi.
Em 28 de fevereiro de 1986, acuado pela escalada da inflação, o governo do presidente José Sarney não se limitou a cortar três zeros do cruzeiro, como fizeram vários antecessores. Também aposentou a velha moeda e criou o cruzado.

Três anos depois, ainda no governo Sarney, novamente sumiram três zeros e o cruzado foi substituído pelo cruzado novo.

Em 1990, dois meses depois da posse, o presidente Fernando Collor repetiu o truque: matou o cruzado novo e ressuscitou o cruzeiro ─ com três zeros a menos.

Em agosto de 1993, já com Itamar Franco no lugar de Collor, o governo amputou três zeros do cruzeiro e criou o cruzeiro real.

Em 1° de julho de 1994, último ano do governo Itamar, o real nasceu no bojo do plano com o mesmo nome concebido por uma equipe de economistas comandada por Fernando Henrique Cardoso, nomeado ministro da Fazenda em maio do ano anterior. Passados 18 anos, a moeda continua  exibindo a excelente saúde que faltou às versões anteriores, todas fulminadas pela inflação descontrolada.
Instados a lidar com a maldição cinquentenária, Itamar Franco e FHC dispensaram-se de lamúrias, enfrentaram sem hesitações o inimigo aparentemente invencível e enjaularam a inflação que parecia indomável. Herdeiro de um país financeiramente estabilizado, Lula foi o único presidente, além do antecessor, que não precisou encomendar à Casa da Moeda cédulas com outro nome, zeros a menos ou zeros a mais. Desde 1994, da menor fração em centavos à cédula de 100 reais, nada mudou.
“Recebi um país em péssima situação”, mentiu Lula durante oito anos. “Nós assumimos um país com a inflação descontrolada”, continua mentindo Dilma Rousseff. A permanência, a longevidade e a solidez da moeda são a prova mais contundente de que Lula, beneficiário da herança bendita, tratou a verdade a pontapés para expropriar de FHC a paternidade do histórico ponto de inflexão. O colecionador de fraudes e falácias faz de conta que foi ele que livrou o Brasil do convívio com a inflação mensal acima de dois dígitos.
Em nações mais altivas, pais-da-pátria que assassinam a verdade em público se arriscam a ter a discurseira interrompida por chuvas de dinheiro metálico. Graças a FHC, Lula e Dilma seguem desfiando lorotas sem se expor a tal perigo: desde 1994, ninguém joga fora sequer moedas de 5 centavos. A dupla que inventou o Brasil Maravilha adoraria assumir a paternidade do Plano Real. A família que participou dos trabalhos de parto finge que mal reconhece a criatura admirável.
A performance dos candidatos do PSDB nas campanhas presidenciais de 2002, 2006 e 2010 grita que a oposição oficial ainda não enxergou com nitidez a importância histórica do Plano Real. O que não houve neste 1° de julho avisa que nunca enxergará. A oposição oficial insiste em esconder dos milhões de brasileiros desinformados a história do plano que acabou com a inflação

 leceu em 2/7/2011



segunda-feira, 29 de junho de 2009

Honduras: exemplo de Estado de Direito

Se o governo se exceder ou abusar da autoridade explicitamente outorgada pelo contrato político torna-se tirânico e o povo tem então o direito de dissolvê-lo ou se rebelar contra ele e derrubá-lo. 
LOCKE, J., Second treatise of civil government: 184
Talvez por causa da falta de tradutores, mas também pelo interesse eclesiástico, até recentemente ninguém tinha ouvido falar desse inglês, casualmente o  mentor da democracia, este hábito governamental praticado pelo mundo afora, na Inglaterra desde 1689, e no Eua exato século posterior. E por causa desse lapso, não poucas ditaduras deitaram e rolaram em cima dos povos, completamente inertes ao descalabro. Depois de decapitarem reis e imperadores, os ditadores tomaram conta de preciosos salões. França, Itália, Espanha, Portugal, Romenia, toda a América Latina, boa parte da África, e também da Ásia quedaram-se escravizadas por impostores, geralmente em conluiu internacional. Os danos impingidos excederam essas fronteiras, atingindo praticamente o globo inteiro. Malgrado Mussollini ter sido trucidado pelo próprio povo por  ele humilhado, e dezenas tomarem o mesmo destino, o fito exclusivo de viver às custas de todos ainda leva seus aspirantes a buscar  as mais criativas soluções. Não poucas vezes obtém sucesso, e isso encoraja que outros incautos também tentem a jornada. Atualmente veta-se o uso das armas, apenas, isto é, apenas para ascender ao poder, porque para mantê-lo as nações, por medo, ou desídia,  frequentemente toleram até mesmo massacres populares.  O Oriente Médio é o caso mais flagrante. Casualmente, também é lá que a moral religiosa senta praça, e em nome dela qualquer protesto leva chumbo. Como enfrentar baionetas e metralhadores? Pois com Honduras se sucedeu ao contrário. No entanto, pelo fato do oportunista não contar com as forças armadas para satisfazer seus exclusivos interesses, e, claro, por extensão os interesses escusos dos demais participantes nacionais e internacionais, os atrelados buscaram confundir a opinião pública internacional.  Tendo em vista a reduzida participação financeira no contexto mundial, o motivo da maioria desses apoiadores foi justamente o receio de que o glorioso exemplo fosse capaz de emular o pessoal de seus respectivos potreiros. Suas ações e declarações até obtiveram relativo êxito, porém não o suficiente para dobrar o próprio povo hondureño. Honduras se manteve consciente,  fiel aos princípios que consagraram sua bem formatada Carta Magna. Infelizmente a ombriedade demonstrada não foi forte para atingir a América do Sul. 
De acordo com os parlamentares hondurenhos, a deposição de Zelaya foi aprovada por suas 'repetidas violações da Constituição e da lei' e por 'seu desrespeito às ordens e decisões das instituições'. Folha de São Paulo, 29/6/2009
Não poucos distintos  governantes estrangeiros criticam o que chamam de Golpe Militar:
O ditador aposentado Fidel Castro, que nomeou seu irmão sucessor, sem eleição, reapareceu em artigo condenando o golpe em Honduras.
Para nosso jardineiro muito além do jardim o ato hondurenho é deplorável, pois "pode até virar moda", no que é acompanhado pelo intrépido venezuelano, que ameaça com invasão, por OBAMA, exímio diplomata, e de resto pelos retransmissores.

Zelaya foi derrubado do poder, neste domingo (28), em um golpe orquestrado pela Justiça e pelo Congresso e executado por um grupo de militares, que o expulsaram para a Costa Rica, provocando uma condenação mundial unânime. O golpe foi realizado horas antes do início de uma consulta popular sobre uma reforma na Constituição que tinha sido declarada ilegal pelo Parlamento e pela Corte Suprema. Folha de São Paulo, 29/6/2009
Perfilo-me incontinenti aos que ousam afirmar: Honduras promove a menina-dos-olhos da razão democrática, e tomara, mesmo, que sirva de exemplo, posto estarmos totalmente cegos, e por isso por demais necessitados:
Às vezes, o mundo todo prefere uma mentira à verdade. A Casa Branca, a ONU, a Organização dos Estados Americanos (OEA), e grande parte da mídia condenaram a deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya, no domingo, como um golpe de Estado. Isso é um absurdo. Na realidade, o que aconteceu aqui é simplesmente o triunfo da lei. SANCHEZ, OCTÁCIO, in Terra, 5/7/2009
Se formos falar em "moda", foi mesmo um bem trajado e bem-sucedido sociólogo e ex-presidente brasileiro que adotou o prêt-à-porter legalizante, ao alterar nossa constituição para seu proveito pessoal, às custas de mensalões. O engraçado é que todos os presidentes juram obedecer suas constituições. Mais bizarro, ainda, tem sido a paradoxal posição norteamericana contra seus próprios preceitos:
Durante grande parte da história da humanidade, governante e lei foram sinônimos — a lei era simplesmente a vontade do governante. Um primeiro passo para se afastar dessa tirania foi o conceito de governar segundo a lei, incluindo a idéia de que até o governante está abaixo da lei e deve governar através dos meios legais.
www.embaixada-americana.org.br/democracia/law.htm

O propalado golpe, se militar, não deveria vir "orquestrado" por comando militar, e o poder exercido por líder fardado? Não é o caso. Os militares foram convocados, como a justiça convoca as forças públicas para fazer valer a lei, ora! No diminuto rincão o poder permanece nas mãos civis, em caráter interino, até se restabelecer a normalidade eleitoral. O novo governante não se apresentará como candidato nas eleições gerais de 29 de novembro e entregará o poder ao ganhador em 27 de janeiro de 2010.

Dos pilares da democracia
Ela se sustenta pelo tripé Legislativo, Executivo e Judiciário:
A separação dos poderes é pré-requisito essencial para o funcionamento tranquilo do Estado baseado no preceito do Estado de Direito. Ela age como um mecanismo protetor, que previne que o poder seja concentrado nas mãos de poucos e erroneamente usado. Em tal Estado, ninguém está acima da lei e toda ação estatal é balizada por ela. http://ffn-brasil.org.br/novo/Temas%202008-2011/Tema3-2008.htm
Uma ação, ainda que radical, de dois poderes contra um pode refletir justamente a preservação do sistema:
A continuação da autoridade num mesmo indivíduo freqüentemente tem sido o fim dos governos democráticos. As repetidas eleições são essenciais nos sistemas populares, porque nada é tão perigoso como deixar permanecer um mesmo cidadão por muito tempo no poder. O povo se acostuma a lhe obedecer, e ele se acostuma a mandar, de onde se origina a usurpação e a tirania. BOLIVAR, S., Discurso de Angostura, de 1819.
A êxito da fórmula encontrada por LOCKE no fito de quebrar a hegemonia absolutista recebeu o reconhecimento dos franceses, e ampliada por MONTESQUIEU:::

A Nação inglêsa é a única da terra que chegou a regulamentar o poder dos reis resistindo-lhes e que de esforço em esforço, chegou, enfim, a estabelecer um governo sábio, onde o príncipe, todo-poderoso para fazer o bem, tem as mãos atadas para fazer o mal; onde os senhores são grandes sem insolência e sem vassalos, e onde o povo participa do governo sem confusão.
VOLTAIRE, cit. CHEVALLIER, tomo II: 67
O Estado Absolutista virou Estado Democrático, Liberal, ou de Direito, critério tão bem explicado por MABLY (Doutes Proposes aux Philosophes Economistes sur l'Oredre Naturel et Essentiel des Societes Politiques; cit. Bobbio, 1992:144):
Em política, os contrapesos são instituídos não para privar o poder legislativo e o executivo da ação que lhes é própria e necessária, mas para que seus atos não sejam convulsos, nem irrefletidos, apressados ou precipitados. Criam-se dois poderes rivais para que as leis tenham poder superior ao dos magistrados, e para que todas as ordens da sociedade tenham protetores com quem possam contar. Forma-se um governo misto a fim de que ninguém se ocupe só com seus próprios interesses; para que todos os membros do Estado, obrigados a ajustar-se aos interesses alheios, trabalhem para o bem público, a despeito das suas próprias conveniências.
Das artimanhas totalitaristasInfelizmente entre venezuelanos, bolivianos, e nosotros, macaquitos brasileños, não há distinção entre os poderes constituídos. Provavelmente Mr. OBAMA desconhece a sutileza.
A democracia fala de um governo comandado pelo povo e sujeito às suas leis; na realidade, entretanto, os regimes democráticos são dominados por elites que planejam maneiras de moldar e dobrar a lei a seu favor. O totalitarismo aspira ao extremo oposto da democracia: ele luta para pulverizar a sociedade e estabelecer um controle completo sobre esta [...] PIPES, R., 2001:251
Dir-se-á: mas no caso hondureño, tal como foi proposto na Bolívia e na Venezuela, o presidente visava permanecer dentro da lei, mercê de referendum popular. Portanto, sua iniciativa foi democrática, e não poderia ser deposto. Nada mais falso.
A facilidade que se tem de mudar as leis e o excesso que se pode fazer do poder legislativo parecem-me as doenças mais perigosas a que nosso governo está exposto.
MADISON, J., Federalist, n. 62. cit. TOCQUEVILLE, A., A Democracia na América, Leis e Costumes: 237
Eis a receita de todas as tiranias e ditaduras: "Através da vontade geral, o povo-rei coincide, miticamente, de agora em diante, com o poder; essa crença é a matriz do totalitarismo." (COCHIN, AUGUSTE, cit. FURET: 1989: 191)
A capacidade legislativa, especialmente em se tratando de alteração constitucional, não pode ser levada á maniqueísmos, a simples manifestação pelo sim pelo não, ainda mais se proposto por quem detém o poder executivo. É trivial concluir que a massa pode ser facilmente emocionada, porque passional, quando não obter resultados fraudados, como evidentemente aconteceu na Bolívia e na Venezuela. E no Brasil, que a instituição do mensalão foi forte para levar todos de roldão.
Nem sequer um doutrinário da democracia como Rousseau, com a concepção organicista da volonté générale, princípio tão aplaudido por Hegel, pode forrar-se a essa increpação uma vez que o poder popular assim concebido acabou gerando o despotismo de multidões, o autoritarismo do poder, a ditadura dos ordenamentos políticos. BONAVIDES, P. : 56
Igualmente não cabe ao Executivo produzir nenhuma lei. Aliás, já no berço da democracia, na Revolução Gloriosa de 1688, a lei foi instituída justamente para barrar os abusos, o apetite do Executivo. E como tampouco pode ser tarefa do povo, diretamente, produzi-la, a democracia é representativa. O Governo, ao desprezar a contrária posição do Congresso, age ao arrepio da lei, do Estado de Direito, e da própria democracia, e neste caso, nada mais justo do que destituí-lo. O que lhe importa, de fato e tão-somente, é o usufruto do poder, às custas de todos..
.
O sistema de Honduras
Poder executivo: Presidente eleito por votação popular para um período de quatro anos, sem possibilidade de reeleição. Em assessoria ao presidente existe um gabinete de ministros.
Poder legislativo: Unicameral, com 128 deputados eleitos por sufrágio direto.
Poder Judiciário : Composto pelo Tribunal Supremo de Justiça, 9 tribunais de recurso, 66 tribunais de primeira instância e 325 de paz. Integram o Tribunal Supremo 9 magistrados eleitos pela Assembleia para um período de quatro anos, podendo ser reeleitos.


sábado, 27 de junho de 2009

O Carma Ocidental - 48. Exorcismo

.
.
A história do poder político nada mais é do que a história do crime internacional e do assassínio de massa.
Karl Popper
.
.
É essa configuração de coletivismo extremado que,
desde o século V, é vista na Grécia como um modelo perfeito de Estado, com a coletividade assim rigidamente aparelhada e destinada à defesa do Estado. CASTRO, P.P. www.fflch.usp.br/dh/heros/pcastro/grecia
A sociedade grega e romana se fundou baseada no princípio da subordinação do indivíduo à comunidade, do cidadão ao Estado. Como objetivo supremo, ela colocou a segurança da comunidade acima da segurança do indivíduo. Educados, desde a infância, nesse ideal desinteressado, os cidadãos consagravam suas vidas ao serviço público e estavam dispostos a sacrificá-las pelo bem comum; ou, se recuavam ante o supremo sacrifício, sempre o faziam conscientes da baixeza de seu ato, preferindo sua existência pessoal aos interesses do país.
TOYNBEE, Arnold J.: 196
Maquiavel, Galileu, Bacon, Descartes, Newton, Hobbes, Rousseau, Bentham, Mill, Hegel, Malthus, Darwin, Sorel, Freud, Comte, Marx & Keynes são as estrêlas mais brilhantes da via láctea do inolvidável Platão.
A crença fundamental dos metafísicos é a crença na oposição de valores.
Nietzsche, F., Além do bem e do mal: 10;
Essa montagem milenar, força concentrada pelas candentes brilhaturas, vara os tempos precipitando os povos à insanidade, desde as peripécias do Tirano de Siracusa ao obscuro César Bórgia; do galante Cromwell, à sangrenta Revolução travestida democrática, daí ao Corso e às guerras civis e mundiais que se sucederam.
Mussolini, Hitler, Mustafá Kemal Pacha, Roosevelt e Salazar. Todos eles para mim são grandes homens, porque querem realizar uma idéia nacional em acordo com as aspirações das coletividades a que pertencem.
VARGAS, GETÚLIO,
Cit. MONTEIRO, Gen. GOIS, A Revolução de 30 e a Finalidade Política do Exército: 187
Malgrado o linchamento do Duce, a bomba atômica, muitos suicídios e o colapso soviético, suas perfídias não se extinguiram; e até hoje impregnam quase a totalidade das constituições, sempre conservadas, muitas incrementadas através de sofisticados disfarces, assim aprimoradas pelo poderoso de plantão.
Assim como Newton formulou as leis fundamentais da realidade física, os filósofos e sociólogos, viajando na sua esteira, esperavam descobrir os axiomas e princípios básicos da vida social. Seu universal maquinismo de relógio converteu-se em modelo a partir do qual comparava-se o Estado com um mecanismo preciso, sujeito a leis, e retratavam-se os seres humanos qual máquinas viventes.
ZOHAR, D., 2000: 23.
A mesquinhez e o egoísmo orientam os passos de desvirtuantes talentos, e conduzem a humanidade às covas comuns, massacres coletivos logrados por convocações realizadas não só para tal defesa, ou de preconceitos morais, mas oriundos dos interesses escusos, imediatistas, devidamente envoltos pela cultura disseminada, fé quase religiosa que os hábeis condutores sabem incutir para captarem seguidores de suas doutrinas de dominação total:
Após ter então agarrado cada membro da comunidade e tê-los moldado conforme a sua vontade, o poder supremo estende seus braços por sobre toda a comunidade. Ele cobre a superfície da sociedade com uma teia de normas complicadas, diminutas e uniformes, através das quais as mentes mais brilhantes e as personalidades mais fortes não podem penetrar, para sobressaírem no meio da multidão. A vontade do homem não é destruída, mas amolecida, dobrada, guiada; os homens raramente são forçados a agir, mas constantemente impedidos de atuar; tal poder não destrói, mas previne a existência; ele não tiraniza, mas comprime, enerva, ofusca e estupefaz um povo, até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o govêrno.
SMITH, ADAM, cit. Pioneiro, Caxias do Sul, 17 /10/1996
Evidentemente não podemos tolerar a permanência dos impostores. Tampouco, porém, nos cabe julgar os precursores. Condenaríamos o próprio o passado pelo qual emergimos. Ademais, penas post mortem são inócuas. Antes de tudo temos o dever de tentar compreender motivações e peculiares circunstâncias, até de tempo e lugar, realidade e crenças predominantes. A faina serve para enquadrar costumeiros clones, gente presente, ávida à utilização das velhas cadeiras; ou melhor, caldeiras, porque depenam patos:
O poder de Estado, que parecia planar bem acima da sociedade, era todavia, ele próprio, o maior escândalo desta sociedade e, ao mesmo tempo, o foco de todas as corrupções.
Comuna de Paris, 1871
Quando se perfilam lógicas e razões condicionantes dos movimentos das massas, sobressaem-se os grandes equívocos, bem como a caducidade dos arquétipos e suas artimanhas, por bizarro ainda utilizados.
Mais de dois mil anos já se passaram desde o dia em que Platão ocupava o centro do universo espiritual da Grécia e em que todos os olhares convergiam para a sua Academia, e ainda hoje se continua a definir o caráter da filosofia, seja ela qual for, pela sua relação com aquele filósofo.
JAEGER, Werner. Paidéia. A formação do homem grego
: 581

O painel detetor da insensatez permanece aceso, e acusa inúmeras situações críticas, todas oriundas dos malfadados projetos:
Lia-se Marx, Weber, Dobb, Mannheim, Lukács, Heller e, em 1968, muito Marcuse. Também Gramsci começava a ser estudado. De início, no curso de História das Idéias, foram introduzidos os seus escritos sobre Maquiavel, mas nos anos 70, tornou-se um dos autores mais trabalhados, a ponto de, no princípio dos anos 80, ter sido tema de tese de livre-docência de um dos professores da Cadeira.
.
Nos cursos de Instituições Políticas Brasileiras discutia-se desde as questões referentes ao escravismo, ao feudalismo e ao capitalismo na formação do estado brasileiro, debate que foi uma constante durante certo período, até os aspectos mais atuais do país, ou seja, a revolução brasileira, o populismo e o autoritarismo. Caio Prado e Celso Furtado eram leituras obrigatórias...
QUIRINO, Célia, Departamento de Pós-graduação em Ciências Políticas da USP
A permanência desses pré-fabricados platônicos é que se torna indesculpável.
As corporações centralizadas e autoritárias têm fracassado pela mesma razão que levou ao fracasso os estados centralizados e autoritários: elas não conseguem lidar com os requisitos informacionais do mundo cada vez mais complexo que habitam.
FUKUYAMA, F., 2002: 205
Curiosamente, nessa época, enquanto atrelávamos nosso futuro, que hoje é presente, e um presente grego, e negro, os estudantes da Sorbonne e do mundo inteiro balançavam o globo exigindo que a imaginação chegasse ao poder, e às escolas. Pouco adiantou, infelizmente, como ora experimentamos. Não temos mais tempo a perder.
Chegaremos mais próximos da reorganização e de um acomodamento natural, paradoxalmente, lançando um cocktail desintegrativo no desenrolar sócio-político-histórico. Parando ou rompendo com o determinismo oriundo deste pretérito mecanicista, estéril e opressor, poderemos alcançar mais rapidamente a readaptação, arejada e transparente, a perfazer um tecido social condigno com a época e as aspirações de cada um de nós.
Voltando-nos ao real, por que acontecido, restar-nos-á explicá-lo e abandoná-lo, para tomarmos os tapetes mágicos de nossos próprios sonhos, permitidos e queridos por uma nova ordem (ou desordem), múltiplo anseio de ver e viver de modo mais harmônico, integrados com a natureza, sim, mas especialmente com o principal ator, o próprio semelhante. Estacionado o velho trem ideológico, podemos atirá-lo ao ferro-velho, junto com seus trilhos estendidos à esquerda e à direita. No fim-da-linha aguardam pequenas, ágeis, versáteis e ecológicas naves, individuais ou não, mas definitivamente em consonância com a complexidade e leveza cósmica:
Há infinitos universos paralelos formando ramificações. Em cada um se atualiza uma realidade." (Toffler, Alvin e Toffler, Heidi: 20)
Ortega Y Gasset me advertiu sobre o custo do resgate:
“O homem que descobre uma nova verdade científica precisou, anteriormente, despedaçar em átomos tudo o que aprendera, e chega à nova verdade com as mãos sujas de sangue do massacre de mil superficialidades”. (Rebelião das massas, cit. Rohmann, Cris, p. 298.)
Orgulho-me dos crimes cometidos - dezenas de exumações e ataques ininpterruptos; porém, nem uma gota me caiu nos dedos. Ao mirar a obsoleta arquitetura das oxidadas plataformas econômico-jurídicas institucionalizadas, apelo por francos bisturis demistificadores, mas a laser, (light amplification by stimulated emission of radiation), no fito primordial de total profilaxia, aragem preparatória ao plantio de um novo tronco, suficientemente oxigenado, sustentáculo efetivo, motriz do amplo desenvolvimento, sem requerer pervertê-lo.
As informações, outrora truncadas, esparsas, herméticas, enfeixadas, censuradas por perigosas ou de difícil acesso, nos dias de hoje são desvendadas ao mundo dos normais por uma avalanche de razões perfeitamente ordenadas; e o cidadão comum pode ver despontar, apesar de uma infinidade de mitos e obstáculos dogmáticos, a majestosa reversão propiciada pelos luminares da ciência.

Na frente aguarda o caminhão da "grande mudança" aclamada por Polanyi e Kraemer. Capra qualifica como "momento da mutação", Pawells e Bergier, de "despertar dos mágicos", Naisbitt, de “paradoxo global”, Kuhn de "novo paradigma", Toffler de “powershift" (Mudança de poder), Ferguson da tal “era de aquarius”, Bobbio, a “dos direitos”, muitos da reengenharia, e o que Popper propugnava, há mais de meio século, o advento da "sociedade aberta".
O desiderato se impõe independentemente de números ou códigos comportamentais (posto que infinitamente mais amplo), mas se faz também legal e legítimo, cientificamente correto e apreciado, em reversão por convergência, sem dialética, mas por somalética, dialógica na qual a ética não se fratura.
.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

País de tolos?


.
O estudo da sociedade é tão precioso
porque o homem é muito mais ingênuo
como a sociedade do que como indivíduo.

NIETZSCHE, F., Vontade de Potência,
Parte 2 : 276
.
.
.Nenhuma gota d'água passa pelo
esgoto sem se tornar poluída.
Roberto Jefferson, presidente do PTB
;
São Paulo, 25 de janeiro de 1984:
O povo se aglomera na Praça da Sé.
Encanta-lhe alegorias, flautas mágicas, cânticos e cantorias.
Palmas e coros embalam o show protagonizado pelos trovadores.
Os artistas prometem liberdade a um povo naturalmente livre, mas a
promessa é atraente. Quem não gosta de aumentar a satisfação?
O movimento abarca toda a "oposição" e "dissidentes", desconformes com
o regime ditatorial.
No palanque, de mãos dadas, se jactam Tancredo Neves,
ex-ministro da "justiça" do introdutor do fascismo no Brasil,
e portador da famosa Carta-Testamento, (Fundação Getúlio Vargas) único depoimento de um suicida completado com máquina de escrever; Ribamar Costa, o Zé do Sarney, ferrenho colaborador do regime militar; Fernando Cardoso, ironicamente filho de General, mero papagaio-de-pirata, diletante de socio logia; e Luís da Silva, sindicalista preservado da cassação graças à sua função de carneiro-guia. Na primeira fila vê-se ainda Dante de Oliveira, já de cabeça baixa, futuro governador do MT a ser desmascarado por corrupção.
O que me assusta não são as ações e os gritos das pessoas
más, mas a indiferênça e o silêncio das pessoas boas.
Martin Luther King

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dr. Carlos Ayres Britto, disse à Folha Online (23/1/2009) que o movimento pelas Diretas-Já desencadeou um "processo sem volta" no caminho da democracia. Ayres Britto afirmou ainda que a partir deste movimento a trinca de valores democracia, ética e ecologia entrou no rol de valores obrigatórios da sociedade brasileira.
Onírico.
Nos anos 80, Ayres Britto era procurador-geral do Estado de Alagoas e professor universitário. Logo das Alagoas? Será que conheceu Collor & PC Farias? Segundo ele, participou "ativamente" do movimento das Diretas-Já, mas como intelectual e não na linha de frente. "Sempre atuei mais no campo teórico. Acho que tenho mais vocação para isso", disse ele, com um suave sorriso.

E cá estamos, ovelhinhas com quantidade de lã jamais por ninguém auferida, material que serve de cobertor para o resto das vidas não só dos pastores, mas também de seus parentes e descendentes, dos prosélitos engajados, e da cachorrada que lhes serve:
"Há fraudes de todos os tipos." (Edgard Camargo Rodrigues, novo presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Estado de São Paulo. Estadão, 22/2/2009)
.
Eis nosso martírio, já por quarto secular, um quarto deveras escuro, sombrio como convém a gatuno:

O 'trem da alegria' foi promovido às vésperas do Colégio Eleitoral que escolheu Tancredo Neves. Os senadores beneficiados pelo 'trem' juraram que 'tudo foi feito dentro da legalidade' e como manda 'a tradição da Casa'. Também foram nomeados na ocasião aliados políticos e jornalistas amigos de senadores.
www.claudiohumberto.com.br - 25/6/2009
Desde a redemocratização do Brasil, em 1985, peemedebistas e democratas (antigos pefelistas) se revezam no comando dos principais cargos do Senado. Nos últimos 15 anos, uma aliança entre o PMDB e o ex-PFL bancou a gestão de Agaciel Maia na direção-geral do Senado. Gestão que é um caso de polícia
KENNEDY ALENCAR, Folha de São Paulo, 28/6/2009

Não são poucos os que lamentam a estupenda vigarice:
Revoltados com os políticos, alguns leitores defenderam o voto nulo nas eleições. É o caso de Olegario Silva. 'É difícil admitir, mas o voto nulo é a única arma constitucional que podemos utilizar para virar o jogo político em nosso país', diz Olegario, desiludido com os políticos.'Que vontade de rasgar o meu título de eleitor.
Votar para quê?', completa Rubens Lima.
O Globo, 5/2/2009 .

sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Mão Invisível & Dia do Meio-Ambiente


Abandonar a busca da realidade e do valor absoluto e imutável pode parecer um sacrifício. Mas esta renúncia é a condição requerida para se empenhar numa vocação mais vital - a procura dos valores que podem ser assegurados e compartilhados por todos, porque estão vinculados aos fundamentos da vida social. É uma busca em que a filosofia não encontrará rivais mas sim colaboradores em todos os homens de boa vontade.
DEWEY, JOHN (1859-1952)
Nesta data, precisamente em 1723, nascia o Sol-Maior da Economia. Desde então, não poucas nuvens sóem pairar sob seus raios. As intrusas precipitam densas tempestades. Feito o serviço, elas se vão; ele reaparece, e com seu brilho refaz todos os danos..
O cenário
A grande epopéia das Luzes incluía no mesmo movimento o justo e o belo. Organizava um afresco tranquilizador da natureza e da sociedade. Os romances de aprendizagem diziam como se conduzir e se comportar. Ora, as indicações foram se desagregando nas sociedades industriais contemporâneas. Como poderiam ter consciência? DESCAMPS, C., As Idéias Filosóficas Contemporâneas na França:  27.
Diante da fraticida espanhola, ORTEGA Y GASSET constatou:"Eu sou eu e minhas circunstâncias." Como o mundo vem, já há séculos, marchando ora direita, ora esquerda, a difusão da obra sempre foi dificultada, de modo que apenas ressonâncias ecoam pelos ouvidos dos sobreviventes. Assim, não poucos invocam a famosa oração do modo supra, no sentido de se desculparem por alguma intempérie, por um fato aleatório que venha a solapar melhores expectativas. Revelam um conhecimento por demais empírico, e ainda parcialmente assimilado, fatores que per se levam-no ao rumo inverso do que pretende o recado de Ortega. Ei-lo completo:
Eu sou eu e minhas circunstâncias. Se não as salvo, não me salvo.

Do poder
"A filosofia mecânica forneceu uma resposta para o problema da ordem cósmica e, portanto, da ordem social, mas ao fazê-lo indicou a necessidade de poder e domínio sobre a natureza.". (HENRY, JOHN: 101)


A partir de Bacon, o objetivo da ciência passou a ser aquele conhecimento que pode ser usado para dominar a natureza. A natureza, na opinião dele, tinha que ser ‘acossada em seus descaminhos’, ‘obrigada a servir’, ‘escravizada’. Devia ser ‘reduzida à obediência’ e o objetivo do cientista era ‘extrair da natureza, sob tortura, todos os seus segredos’.
As desmedidas ações do homem para "dominar a natureza, o mundo a seus pés, como pregavam BACON e as tais Sagradas Escrituras tem agravado todos os problemas. De nutriente, participativa, ela virou alvo, adversária subjugada. “Assim, foi abandonada a filosofia natural como um traste inútil e o vazio, produzido pelo seu abandono, pretendeu o homem enchê-lo com a ciência.” MARX (O que Marx realmente disse; décima-primeira das Teses sobre Feuerbach: 22) soube bem apreciar a originalidade baconiana:“Os filósofos tem se limitado a interpretar o mundo de maneiras diversas; trata-se de transformá-lo.” “O ser que já iniciou a apropriação da natureza por meio do trabalho de suas mãos, do intelecto e da fantasia, jamais deixará de fazê-lo e, após cada conquista, vislumbra já seu próximo passo.” (MARX, KARL, posfácio à segunda edição alemã do primeiro volume de O Capital; cit. Konder, L.: 10)
As teorias de Newton lançaram-nos em um curso que desembocou no materialismo que ora domina a cultura ocidental. Esta visão realista materialista do mundo exilou-nos do mundo encantado em que vivíamos no passado e condenou-nos a um mundo alienígena. BERMAN, MORRIS, cit. GOSWAMI: 31
Sir BERTRAND RUSSELL (cit. FADIMAN, C.: 266) condenava a possibilidade, tantas vezes tornada realidade:
Surge um grave perigo quando esse hábito de manipulação com base em leis matemáticas é estendido ao nosso trato com seres humanos, uma vez que estes, diferentemente do cabo telefônico, são suscetíveis de felicidade e infortúnio, de desejo e aversão. Seria, portanto, lamentável que se permitisse que hábitos mentais apropriados e corretos para o trato com mecanismos materiais dominassem os esforços do administrador no plano da construção social.
O resultado não poderia ser mais trágico:
Na medida em que o poderio da ciência e da técnica é não somente poderio do homem, mas poderio sobre o homem, a ciência é mediadora da dominação do homem pelo homem; e talvez por isso que vivemos numa agressão e numa agressividade permanentes: porque o nosso meio ambiente é considerado como imputável. PH ROQUEPLO, Oito Teses Sobre o Significado da Ciência, in DEUS, J. D. Organizador: 151
Os graves danos ecológicos
O que estou tentando mostrar é que a ciência, por causa do seu método e de seus conceitos, projetou um universo no qual o domínio da natureza ficou ligado ao domínio do homem e que ela favoreceu esse universo – e esse traço de união tende a tornar-se fatal para esse universo e seu conjunto. MARCUSE, Herbert, Uma ciência sem domínio?; P. Seuil, 1970; cit. CHRÉTIEN: 212
Embora a mágica de esporádicos trechos incólumes, o retilíneo, desrespeitoso e por tudo grosseiro trem da civilização passou por cima de tudo. A má temática de Platão & Pitágoras abalou todos os sistemas, sejam vegetais, minerais ou animais, e mormente os políticos, jurídicos, econômicos, científicos, filosóficos, sociais e pessoais.
Por isso não é de estranhar que muitos universitários ainda imaginem Einstein como uma espécie surrealista de matemático, e não como descobridor de certas leis cósmicas de imensa importância na silenciosa luta do homem pela compreensão da realidade física. Eles ignoram que a Relatividade, acima de sua importância científica, representa um sistema filosófico fundamental, que aumenta e ilumina as reflexões dos grandes epistemologistas - Locke, Berkeley e Hume. Em conseqüência, bem pouca idéia têm do vasto universo, tão misteriosamente ordenado, em que vivem. BARNETT, O universo e o Dr. Einstein: 12
Ao examinarmos teorias e fatos, idéias e formas, para tomar o jargão da perfídia grega, elemento que impulsionou o insensato tour ocidental, delineamos o leitmotiv da torpeza. Precedeu-lhe o medo injetado, do trovão e da epidemia, da extinção da propriedade privada em prol do abstrato coletivo, gerado e gerido por um único artífice, invasões e chacinas, guerras frias e quentes, estratégias, ações e reações. As aventuras “ferrocarris-ideológicas” conduziram a humanidade no rumo de Marte, digo, da morte, às covas comunitárias, massacres coletivos logrados por convocações realizadas pretensamente na defesa de ideais, mas efetivadas na mera ambição do alheio, vileza camuflada na fé quase religiosa que hábeis condutores bem sabem incutir, no fito de captar seguidores de suas doutrinas de espoliação total...
A permanência desses pré-fabricados é que se torna indesculpável. Chegaremos mais próximos da reorganização e de um reacomodamento natural, paradoxalmente, lançando um cocktail desintegrativo nesse desenrolar pseudocientífico, ferros da direita e da esquerda que compuseram os trilhos à passagem da loco motiva sócio-política. Parando ou rompendo com o determinismo oriundo deste pretérito mecanicista, egoísta e opressor, poderemos alcançar mais rapidamente a readaptação, arejada e transparente, a perfazer um tecido social condigno com a época e as aspirações de cada um de nós. Voltando-nos ao real, por que acontecido, restar-nos-á explicá-lo e abandoná-lo, para tomarmos os tapetes mágicos de nossos próprios sonhos, permitidos e queridos por uma nova ordem (ou desordem), múltiplo anseio de ver e viver o mundo mais harmonicamente integrado e desenvolvido. Estacionado o velho trem, retirada a carga, optamos por pequenas, ágeis, versáteis e ecológicas naves, individuais ou não, mas definitivamente em consonância com a complexidade e leveza cósmica.
O imperativo da melhor convivência do habitante com o meio ambiente não pode olvidar, por óbvia extensão, o semelhante. Isto condiciona, pois, o aprimoramento das relações pessoais; por conseguinte, sociais. Em outras palavras: pelo respeito e consideração ao indivíduo (só por ele), chegamos ao resultado social. A economia faz-se, apenas, expressão numérica, e por convenção; portanto, há que ser integrada, mero complemento, e não pauta destinatória.
.
A ReVerSão
Onde quer que haja organismos, o que mais importa conhecer é o complexo 'organismo x meio'. Os próprios elementos dos organismos estão sempre e necessariamente em relação mediata ou imediata com o conjunto de outros elementos. A interação é o fato perene do mundo. Como, pois, limitar a aplicação do relativismo? Nem o Universo, nem o futuro, nem nada está por acaso.
Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada. A nova regularidade dos fenômenos deu origem a uma nova ciência, que tem o ‘caos’ como tema central e na qual, um dia, deve se enquadrar a teoria das ondas. WITKOWSKI, Bergè: 275or bizarro, mas felizmente, as forças não são acionadas por força:
"O choque, a ação de um átomo sobre o outro, pressupõe também a sensação. Algo de estranho em si não pode agir sobre o outro." (NIETZSCHE, F. , O livro do filósofo: 45)  "O núcleo do novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga - a idéia de que consciência, e não matéria, é o substrato de tudo que existe." (GOSWAMI, A. )
Nesse caso, os neutrinos que criamos em nosso organismo podem ter a nossa marca e podem estar fazendo a nossa interação com o universo. Podem estar levando nossa mensagem, mostrando nossa existência e o que somos, do mesmo modo que a luz das estrelas nos faz tomar conhecimento de sua existência. ANDREETA, José Pedro e ANDREETA, Maria de Lourdes, Quem se atreve a ter certeza? A realidade quântica e a filosofia: 162.
"Essa nova civilização tem sua própria e distinta concepção de mundo, maneiras próprias de lidar com o tempo, o espaço, a lógica e a relação de causa e efeito." (ORMEROD,Paul, 1996: 194)
Conclamava LAO-TZÈ: "Pela não-ação tudo pode ser feito."  ADAM SMITH garantia que pela Mão INvisível tudo tende à equalização.Em nosso caso, diante de tantos feitos, há que ser tudo refeito, especialmente o pensamento, cingido pela astúcia platônica. A preocupação com o cenário obviamente não pode olvidar o principal ator:
O que governa a dinâmica da natureza, inclusive em seu aspecto mais material, na física, não é uma ordem rígida, predeterminada. Nem tampouco uma dialética entre contrários em luta, que leve a síntese, até que se produza uma nova antítese, como na visão dialética marxista rechaçada também pela genética, segundo diz MONOD. É precisamente uma interação - que já existe nos níveis materiais mais elementares entre o aspecto onda e o aspecto corpúsculo - o que impulsiona a dinâmica da natureza. Assim o mostram as relações de mecânica ondulatória, que explicou LOUIS DE BROGLIE, síntese genial que tornou possível, como diz RUEFF, uma filosofia quântica do universo, aplicável não somente às ciências físicas, senão também a todas as ciências humanas. Juan Vallet de Goytisolo Interações
Do lado da sociologia, sabe-se que mesmo um autor como Luhmann acabou por se ver compelido a introduzir uma mudança radical no paradigma das relações entre a pessoa e o sistema social. Deixando de ser categorizada como mero ambiente do sistema social, a pessoa passa a valer, também ela própria, como sistema. A pessoa vê-se, assim, chamada - e legitimada - a desafiar permanentemente o sistema social, como fonte de 'contingência', 'irritação', mesmo desordem. De acordo com o 'novo paradigma luhmanniano', na construção de sistemas sociais, a complexidade opaca dos sistemas pessoais aparece como indeterminabilidade e contingência. Não sobrando para o sistema social outra alternativa que não seja 'interiorizar a complexidade' irredutível, emergente da pessoa. O que bem justificara a pretensão de apresentar a nova teoria de Soziale Systeme (1984) como uma Zwang zur Autonomie. ANDRADE, M.: 26
O notável ANATOLY GROMIKO (Breakthrough: 8; cit. LEMKOW: 382) não se furtou em saudar a New Age:
A humanidade está emergindo de uma reação em cadeia de causa e efeito que se estende por bilhões de anos no passado. Agora a espécie tem o poder de afetar sua própria evolução através da escolha consciente. As pessoas hoje sabem mais do que nunca. Rádios, televisores, computadores, telefones, copiadoras se espalharam pelo globo em um século. Nenhuma geração pode acrescentar essas coisas aos jornais, revistas e as artes. O nosso é um tempo de possibilidades ilimitadas para intercâmbio, interação entre culturas, viagens e aprendizado. Pensar globalmente exige a descoberta da relação certa entre indivíduo e a comunidade global. Nenhum deles é insignificante. Deve haver uma relação saudável entre comunidade, ordem social, o todo e o indivíduo.
"Isto faz dos seres vivos elementos numa vasta rede de inter-relações que abarca a bioesfera de nosso planeta – que em si mesma é um elemento interligado dentro das conexões mais amplas do campo psi que se estende pelo cosmos." (LASZLO: 198)
O conceito de um mundo sutilmente interligado, um oceano cósmico no qual estamos intimamente ligados uns aos outros e à natureza, assimilado por nosso intelecto e abraçado por nosso coração, poderá talvez inspirar novos modos de pensar e de agir que transformem o espectro de uma derrocada global no triunfo de uma renovação global – uma renovação para uma era mais humana e sustentável. (Idem: 205)
Esta organização não pode ser abandonada à iniciativa dos governos: será alcançada quando os povos tiverem uma vontade firme e ativa, porque é renovação radical de todas as antiquadas tradições politicas. A compreensão e a vontade de resolver o problema estão-se generalizando. Acredito na influência de um individuo sobre outro e acredito no processo de seqüência e encadeamento entre os homens. EINSTEIN, A., Fala Einstein sobra o futuro da humanidade, Folha da Manhã, 4/3/1949
Somente pela ação da Mão Invisível é que tudo pode ser feito. Como preconizava ADAM SMITH, o Sol-Maior, aniversariante do dia: "De fato, a vida no espaço cibernético parece estar se moldando exatamente como Thomas Jefferson gostaria: fundada no primado da liberdade individual e no compromisso com o pluralismo, a diversidade e a comunidade.” (NAISBITT, J., Paradoxo Global: 96)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O Carma Ocidental - 47. Tempo é dinheiro?


O homem ocidental civilizado vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas- de-uva. E pelo simples fato de que, se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria contnuado a explorar os trabalhadores, o relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina. WOODCOCK, A ditadura do relógio, In A rejeição da política, 1972 
Como convém ao mito.
O efeito da "filosofia" grega é o domínio. Ao contraste, o efeito da filosofia oriental é o usufruto. Não por acaso, ainda que por paradoxo, a religião ocidental tudo fragmentou, despedaçou. Corpo e alma. céu, inferno, e, por fim, esquerda e direita. Não sobrou sequer o tempo, dividido em quarto sobre quarto, ad infinitum, mas desse modo tornando tudo totalmente limitado.
Religiosos não acreditam na eternidade.

Foi a tradição judaico-cristã que estabeleceu o tempo linear (irreversível) de uma vez por todas na cultura ocidental... O tempo irreversível influenciou profundamente o pensamento ocidental. Preparou a mente humana para a idéia de progresso, para o conceito de tempo profundo, para a surpreendente descoberta dos geólogos de que a evolução humana é apenas um episódio recente e curto na história da Terra. Preparou o caminho para a evolução de Darwin, que fala de nossa união com criaturas mais primitivas através dos tempos. Em resumo, o advento da idéia de tempo linear e da evolução intelectual desencadeada por essa idéia corroborou a ciência moderna e a promessa de melhoria da vida na Terra.
COVENEY: 22
Era (de de todo modo ainda é) o previsível (e monótono) tique-taque que orientava as previsões: "A confecção de relógios, por exemplo, é certamente delicado e trabalhoso, de tal modo que as suas rodas parecem imitar as órbitas celestes ou o movimento contínuo e ordenado do pulso dos animais." (BACON, F.: 67 Sir NEWTON (Principia, II, art. 37) aproveitou a carona:

O espaço absoluto, em sua própria natureza, sem levar em conta qualquer coisa que lhe seja externa, permanece sempre inalterado e imóvel... O tempo absoluto, verdadeiro e matemático, de si mesmo e por sua própria natureza, flui uniformemente, sem depender de qualquer coisa externa.
Lêdo engano, o mais crasso dos equívocos:

O verdadeiro tempo (o que Bergson chama de 'duração') consiste propriamente na experiência vivencial da própria vida, e, por conseguinte, radicalmente intuitiva. Entretanto, para a maioria de nós, esse tempo verdadeiro foi inapelavelmente deslocado pelo ritmo do tempo marcado pelo relógio. Aquilo que constitui fundamentalmente o fluxo vital de experiência torna-se então um gabarito externo, arbitrariamente graduado, a que nossa existência é subordinada - e sentir o tempo de qualquer outra maneira torna-se 'místico ou louco'. Se a sensação do tempo pode ser assim coisificada, porque não haverá de ser tudo o mais? Por que não inventarmos máquinas que coisifiquem o pensamento, a criatividade, a tomada de decisões, o julgamento moral?
ROSZAK, T.:230
Mais do que isso, se presume que a quantidade de tempo, e não como se lhe usa é que constitui seu valor. Bobagem. De nada adianta dispor de tempo, e não bem usá-lo. Pode-se ter todo o tempo do mundo, que se mal empregado, torna-se desvalorizado. Portanto, não é o número, e sim a qualidade o maior distintivo do tempo de cada ser.
* * *
Falam de nossa união com criaturas mais primitivas, através dos tempos. Quantos seriam? E se for apenas uma, pelo critério da seleção natural não são os macaquinhos mais equipados do que gente, porque tem até rabo, que ainda não temos? E nosso parentes, seriam descendentes do quê? DARWIN (cit. THUILLER: 199), todavia, para desespero do Cap. FRITZ ROY, curtiu o cruzeiro por longo tempo, e de graça; depois esperou, por dezenas de anos, a chegada de WALLACE. Só então apresentou "seu" trabalho, por sinal, idêntico. Nada perdeu, só ganhou. No casar, contudo, sim:

“O casamento acarreta uma terrível perda de tempo!”

PROUST foi em busca do tempo perdido. Na sepultura deve ter achado.

Não são poucos os que perdem o avião. Como ontem ainda vimos, pode ser a sobrevida. Outros, perdem o cinema, e até o bonde da história. Às vezes passa o cavalo encilhado, sem montaria. Diz-se que ao lento recai o vento.
Na falta de outro parâmetro, a marcha vem batida no cronograma: rush da manhã, do almoço, da happy hour. Ela nem pode durar a unidade; senão, o incauto leva um rolo de massa na cabeça. Em casa, depois do jantar, todos na TV. Acompanham a novela de enredo invariável, e de horário impecável. Ela é tão forte que desloca até o Maracanã lotado para mais tarde. A torcida que espere o beijo.
Hora-extra? Quem logra o fenômeno leva vantagem. Só não atrase o pagamento. Ele custará muito mais caro, principalmente por aqui. Coisa de “apenas” uns 200% ao ano.
Mas se o atraso recair na audiência, justiça não vem ao caso. Pronto: lá se foi o capital!
Trabalho à noite ganha adicional, mas vôo noturno à capital tem desconto. Durma-se com um barulho desses!

Um semialfabetizado demora um ano para ler o livro. Outro faz o percurso em dia. Àquele o tempo urge. Pela leitura dinâmica, há tempo para tudo.
Quem tem tempo não carece. Quem não tem, pega a primeira condução que aparece, comumente ônibus. Se parado ficasse, ainda assim poderia ser mais rápido: era só estar no saguão do aeroporto.

Mesmo dentro do ônibus há discrepâncias de tempo: um vai dormindo, e o tempo lhe passa sem sentir. Ao preocupado, o tempo varia. Para quem visita a namorada, o ônibus não chega nunca! Apreciando boa música, ainda mais se acompanhado, tudo finda muito rápido.

O tempo flui em taxas diferentes. Cabe ao agente definir a dilatação temporal. Sua ausência acarreta a contração espacial.

O tempo é elástico até para quem dorme. O rico sonha, e assim tem tempo dobrado. O carente, pesadelo. É sofrido, ninguém quer, mas o tempo também para ele se expande. Se ao acordar nada lembram, lá se foi o tempo em vão.

Quem possui a mulher nota 10, junto dela o tempo voa. Ao marido de mulher feia o feriado é interminável.

A Hora do Brasil demora mais do que noventa minutos de futebol, vai dizer que não. Mas quando o placard assinala um a zero, maldito relógio que não anda!
E o que dizer do caranguejo, que anda para trás? Pode-se dizer que seu futuro está no passado?
Se o trem percorre ao norte, numa velocidade de cem, e alguém dentro dele atira uma bola ao sul, na velocidade de cincoenta, pergunto: a bola está se dirigindo para o norte ou para o sul? Ela percorre o futuro, ou se dirige ao passado? Boa essa não? Posso responder facilmente. Qualquer resposta pode ser correta. Depende, apenas, do ponto do observador. Para quem atira a bola, ela se dirige para o passado. Para quem aprecia da plataforma, ela viaja ao futuro.
O tempo por tudo é relativo. Quando um carro anda a 180 km por hora, é incrível. No entanto, se ficasse parado daria quase no mesmo: é que a Terra por onde ele anda viaja a 180, mas a 180 mil km. por hora ao redor do Sol, que por sua vez viaja sei-lá a quantas, ao redor de nossa galáxia, que por último voa a bilhões, na expansão do Universo.

Era uma enorme cebola de ouro, suíço, pedras preciosas nos ponteiros, o tampo em filigranas, uma jóia, uma antigüidade, uma relíquia, uma preciosidade.
FESTER, R., O relógio do avô,in O mar tem várias cores. - São Paulo, Liv. Duas Cidades, 1979
No fito de pretensamente melhorar nossa estada na Terra, a linha do tempo marca o compasso das gentes como gado embretado. Tudo mentira, e fatal, como sói acontecer..

A órbita planetária nos remete a um parque de diversões. Estações climáticas corroboram a infantil noção do carrossel. Ao operador, e para quem usa o brinquedo, o tempo acarreta dinheiro ganho, ou gasto.. Mas se a Terra e nossa vida se restringem no incessante circular, nada faz sentido: seríamos meros passageiros do gigantesco disco-voador sem destino? Digo, de trem-voador, pela falta de mobilidade lateral? Não vai levar!.
O ponteiro do relógio não imita a cabeça de um cão correndo atrás do próprio rabo? Convenhamos: para quem isso é negócio?
.
Obviamente a retrógada postura sequer pressupõe onde vai dar. Prometem o céu. Como papel, o celeste aceita tudo..Vá lá.
A Nova Era é que não suporta mais as primárias e limitadas dialéticas:
.
"O fato de o tempo ser próprio de cada corpo, não uma ordem cósmica única, envolve mudanças nas noções de substância e causa." (RUSSEL, cit. FADIMAN: 165)
O ultrapositivista PONTES DE MIRANDA (cit. MOREIRA: 103) superou os próprios preconceitos, e conclamou:

O princípio da relatividade deve ser mais geral ainda - devemos procurar a diferença de tempo nas realizações biológicas e sociais, - o tempo local das espécies e dos grupos humanos. Isto nos poderá explicar muitos fenômenos que resistem às explicações atuais. Mas para conseguir tais fórmulas muito terá que lutar o espírito humano contra os preconceitos que o rodeiam e contra as obscuridades da matéria que irá estudar.
Não mais cabe o sofístico apelo trabalhista: "Como o valor do trabalho depende cada vez mais do conhecimento, não podemos mais vender ou padronizar o tempo de trabalho como se ele fosse igual para todos."(TOFFLER, A.: 86)  Ciao MUSSOLINI:

Uma coisa é certa, a hora uniforme do relógio não é mais pertinente para a medida do trabalho. Essa inadequação há muito era flagrante para a atividade dos artistas e dos intelectuais, mas hoje se estende progressivamente ao conjunto das atividades. Compreende-se porque a redução do tempo de trabalho não pode ser uma solução a longo prazo para o problema do desemprego: ela pereniza, com um sistema de medida, uma concepção de trabalho e uma organização da produção condenadas pela evolução da economia e da sociedade. Só se pode medir – e portanto remunerar – legitimamente um trabalho por hora quando se trata de uma força de trabalho-potencial (já determinado, pura execução) que se realiza. Um saber alimentado, uma competência virtual que se atualiza, é uma resolução inventiva de um problema numa situação nova. Como avaliar a reserva de inteligência? Certamente não pelo diploma. Como medir a qualidade em contexto? Não será usando um relógio. No domínio do trabalho, como alhures, a virtualização nos faz viver a passagem de uma economia das substâncias a uma economia dos acontecimentos. Quando irão as instituições e as mentalidades acolher conceitos adequados? Como aplicar os sistemas de medida que acompanham esta mutação?
LÈVY, PIERRE: 61
* * *
Todo sistema natural, quando deixado livre, evolui para um estado de máxima desordem, correspondente a uma entropia máxima'. A entropia representa a perda de energia do universo, que ocorre a todo instante, razão pela qual os cientistas dizem que o universo caminha para a morte térmica. Ela é irreversível. Por isso, essa energia perdida jamais será recuperada. Esse sentido único da entropia fez com que os físicos a chamassem de 'a flecha do tempo'. Entropia - a flecha do tempo
Não creio correta tal divisa. Se o sistema natural caminha para desordem é justamente oposto da flecha, ordenada a um único sentido. O que caracteriza a desordem, por óbvio, é a falta de direção, do determinismo, do oriente. A flecha tem que ser precisa; viver, não é preciso. O que desejam realçar refere-se à expansão do movimento, que naturalmente é equalizado à anarquia, que significa ausência de hierarquia, mas não desordem, que é o inverso da ordem e mesmo do caos.  A entropia produz um ordenamento natural; ,portanto, contrário do apregoado.
Assim, descobriu-se recentemente que na natureza tudo está subordinado a uma ordem, até mesmo os fenômenos confusos, sem nexo, totalmente imprevisíveis. Esta ordem ‘superior’ é capaz de explicar eventos aparentemente randômicos - não importa se se trata de bolsa de valores, da mudança na temperatura de nosso planeta, ou da maneira que nós formulamos nossos pensamentos – e que podem ser expressos tanto em fórmulas matemáticas e físicas, quanto em belas imagens (os chamados fractals) disformes, mas com uma atraente irregularidade. Todos esses eventos têm algo em comum: o fato de serem atraídos a certos estados da natureza, o que lhes dá unidade, se bem que disfarçada. A nova regularidade dos fenômenos deu origem a uma nova ciência, que tem o ‘caos’ como tema central e na qual, um dia, deve se enquadrar a teoria das ondas.  WITKOWSKI, Bergè: 275

Entre os corpos há  troca de energia, e não propriamente perda, e a Teoria das Cordas sustenta há década, sem reparo, a vida em um universo de um total de dez,. Os buracos-negros nada mais são do que uma ponte, buraco de minhoca, como dizem, aos outros mundos. O que os  pesquisadores objetivavam afirmar na entropia é  seu caráter irreversível. Uma vez deflagrada,  não há volta - automaticamente ela dispõe a anarquia. Não há uma flecha do tempo, mas uma infinidade de vetores, em múltiplas direções., até suscetíveis de medida, mas restrita, relativa ao ponto do observador. A descontinuidade é manifesta nos instantes e nas diversidades vividas. O tempo vive sob o signo das diferenças: "Cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específico." (LÈVY, Pierre, cit. PELLANDA e PELLANDA: 118)
* * *
Por enquanto, milhões cultivam a ansiedade. Sentem-se atrasados, cansados, stressados, resultado da enorme pressão do tempo. E tome buzina, grita nas filas. Em véspera de Natal, cruzes. O fim-do-ano já está aí!!! É gente fechando, animal xingando:

"Sai da frente que atrás vem gente!"
“Tempo é dinheiro!”.
Sim, pode ser. Mas com tempo, porque a pressa pelo dinheiro? E sem tempo, como fazer dinheiro? Francamente!
"Quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro!"
Já ouvi essa outra aberração. Tal conceito deve ter vindo da Bobonne. Lá ensinavam maravilhas ao pessoal de cá. Houve um especial. Retornou à Pátria empertigado. Como chegava da Europa, bem vestido, de fatiota, ninguém percebeu a lorota. Deram-lhe a chave do cofre. O bon-vivant confirma o ditado, mas tem outro que deve ter esquecido:
"Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe!"
Aguardo.
Quando se aposentar, não faça como o tipo, que não sabe o que fazer com o tempo furtado de todos lá atrás. Não se perturbe. Se nada se dispuser a fazer, também nada há de perder, e não precisa tomar de ninguém. Orienta-nos Lao-Tzè:
"Pela não-ação tudo pode ser feito."
GOETHE, MIESTÓFOLIS, HEISENBERG e mesmo SÊNECA que me desculpem. Prefiro esta vera amarela.

APESAR DA CRISE GLOBAL, a China não abranda. Em todos os domínios se pode dizer que acelera o seu desenvolvimento. Das suas universidades saem centenas de milhares de cientistas e engenheiros e os melhores destes fazem cursos de pós- graduação nas escolas ocidentais onde se vão apropriando e desenvolvendo o conhecimento de ponta.
LETRIA, Joaquim, www.sorumbatico.blogspot.com - 14/5/2009
Se porventura nesse meio-tempo alguém necessitar qualquer auxílio, por favor, acuse. Boa-vontade não me falta.
O banco do “ú” também deve conhecer nosso precursor asiático. O estabelecimento não tem disponibilidade de tempo. De dinheiro, está farto. Ita demora no mínimo dez dias para abrir uma conta, na melhor das hipóteses. Na pior, não abre. Pela não-ação, fica com um dinheirão.

Nos EUA, a Nextcard limpa seu nome, histórico de crédito, e ainda aprova seu cartão em 35 segundos. É gente que faz; contudo, não falta quem reclame da demora.
A Bolsa opera com horário, mas aceita after-market. Não deveria fechar. Deus teve o privilégio de descansar no sétimo, depois de usar seis para criar o Universo, mas no céu o cair do Sol encerra o dia. Não temos tal regalia. No mundo ele nunca se põe. Se estamos no fim da semana, no Japão recém começa. Ien não é bemvindo também?
Os astrônomos determinaram um segundo extra ao ano passado. (Folha de São Paulo,10/12/2008). Isso é timidez. O Brasil troca tres mil e seiscentos, de uma vez, por conta do verão. "Neste país" basta um decreto para obrigar até o cuco. Não sei do galo. Como informá-lo? Meu relógio, todavia, não se mexe, não. Nele quem manda sou eu. No do povo, mandava o finado Zé Bedeu.
Certos segmentos não fecham. Acompanham nossos corações. Hospitais, bombeiros, postos, rádios e táxis amparam a comunidade sem parar. A Internet é oásis. A propósito: por ela podemos ter a noção exata da eternidade, em confronto com o tempo linear arbitrado. Se arrolássemos todos os sites nela inseridos, a partir do primeiro ao último, teríamos uma extensão inimaginável. Para ir do primeiro ao último levaria quanto tempo? No entanto estão todos ao alcance, ao mesmo tempo, no toque mágico da tecla.
Estou para ver a Cidade 24 horas. Não haveria insônia, nem garçon de cara feia.