quinta-feira, 19 de junho de 2008

O beco da estagflação



Define-se como situação de recessão, ou seja, diminuição das actividades econômicas e aumento dos índices de desemprego, além da inflação. A palavra tem origem durante a crise económica que assolou o mundo durante a década de 1970, de um lado por superaquecimento das economias dos 'países desenvolvidos', a partir da excessiva expansão de procura agregada, o que levou a pressões inflacionistas; do outro, pela redução da oferta agregada, a partir das restrições impostas pelos países produtores de petróleo, perdas de safras e redução das actividades em sectores que dependem do petróleo como matéria-prima, ou simplesmente como complemento, levando ao desemprego."(wikipédia)
Vejamos outro exemplo de vagueza e ambiguidade:

Estagflação é um termo criado nos anos 70 para definir uma situação em que se verifica a coexistência de elevado desemprego de factores (estagnação) e de elevadas taxas de inflação. A explicação para uma situação deste tipo encontra-se no facto do processo inflacionário ser caracterizado por alguma inércia, ou seja, a partir do momento em que é despoletado o processo inflacionário verifica-se uma resistência para que este termine.
INÚMEROS SITES conceituam estagflação mais ou menos dessa forma. No caso da Wiki, a vagueza terminológica de "procura agregada" e "oferta agregada" pouco elucida. De fato a estagflação pode levar ao desemprego, mas apenas nisto concordamos.
O adicional do preço do petróleo foi um álibi, apenas, para livrar a responsabilidade do timoneiro. Não contém aquele produto, como nenhum outro específico, a capacidade de inviabilizar o processo econômico, posto este ser infinitamente mais amplo.
O mesmo vale para a propalada crise imobiliária americana*, e até à anunciada crise de alimentos. Ainda que reunidos, e importantes, não passam de três vetores, apenas, em centenas. Os anúncios visam apenas encobrir outros interesses, não refletindo a realidade, ou pelo menos a expondo de modo parcial. Por fim, admitindo a prevalência, esses fenômenos tem causa. Não nascem de modo espontâneo. O vírus que desencadeia o aumento de preços e refreia a produção procede de um único porto.** Mais compreensível é a abordagem do Prof. Alcides Domingues Leite Junior:
A estagflação, que pode ser considerado o pior dos mundos, era uma novidade na época. Durante décadas a teoria econômica indicava que havia uma necessária correlação direta entre inflação e crescimento econômico. Quando a economia estava superaquecida, com índice de desemprego muito baixo a inflação crescia, e quando a economia recuava para o nível de recessão, com aumento do desemprego, a inflação cedia. Pela primeira vez, então, os Estados Unidos enfrentaram uma situação inusitada. Crescimento da inflação com aumento do desemprego. Isto ocorria devido à necessidade de aumento das taxas de juros, reflexo do encarecimento do dinheiro no mercado internacional, somado ao forte choque de oferta do petróleo, que era, e ainda é, o principal insumo das economias desenvolvidas.
www.relatoriobancario.com.br/noticias/noticias
O mundo passava a perceber que manipulações monetárias não tornam ninguém mais rico. Mas o que ocorre, afinal? O que ocasiona este novel fenômeno? Seria apenas o valor elevado do preço do petróleo? Quem sabe dos alimentos? Neste caso não estaríamos exatamente à mercê deste fantasma?

Forte razão à estagflação

Certo dia, Vossa Excelência, o senhor criará um imposto para uso disso.
Michael Faraday, ao chanceler britânico, sobre o uso da eletricidade; cit. Zeilenger, Anton, A face oculta da natureza, p. 131
Tirante alguns remanescentes socialistas, nenhum governo se ocupa da produção; ela está à cargo da iniciativa privada. É o sistema produtivo que enseja a riqueza necessária para o lastro da moeda. Se a produção padece, a moeda, naturalmente, adoece, perde o valor. De outra parte, a escassez de dinheiro leva ao crash, fórmula já adotada, com êxito, nos EUA da fatídica década de 1929: a falta de circulação monetária arrastou a produção até à inércia, consubstanciada pela incidência de crescentes custos sociais e criação de impostos das mais variadas rubricas.
Nestes casos, ora somos campeões mundiais.
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 A volúpias só pode levar todo mundo ao precipício:
As empresas de capital aberto, em especial, estão gastando grandes somas com advogados tributaristas para se resguardarem no que se refere ao pagamento de impostos. Não podemos sonegar impostos, mas também não queremos pagar a mais. Por isso, temos de recorrer a verdadeiros cientistas em tributos, de tão complicada que é a legislação.
Tantos motivos inclinam profissionais a reclames:
Desde 1990, por 'Planos do Governo', as empresas brasileiras foram arrastadas em um processo de descontinuidade e endividamento fiscal e financeiro, que perdura até hoje: Plano Collor (1990) pelo confisco do capital de giro e abertura brusca e desorganizada do mercado interno aos produtos internacionais, com menores preços graças a baixa carga tributária. Plano Real (1994), pela política recessiva, com elevação de juros a patamares falimentares, aumento de já gigantesca carga fiscal e 'criação' de multas confiscatórias e do famigerado juro Selic. Agonizando em dívidas, vê o passivo da sua empresa multiplicar-se 300% ao ano, enquanto o lucro não ultrapassa 5% no mesmo período. Cobrando impiedosamente, Estado e Bancos vão expropriando tudo: lucro, capital, patrimônio. Estamos em regime de Ditadura fiscal e bancária, onde não há respeito pelas leis e Constituição Federal. Princípios como capacidade contributiva, juros legais, do não confisco e do sigilo bancário são violados.
(Muller, Heitor José, País vive o caos tributário, Jornal do Comércio, 9/12/1996.)
A burocracia, o avanço fiscal e previdenciário a todos empobrecem. Celso C. Giacometti, Presidente da Arthur Andersen (Ponto de Vista, Instituto Liberal, Rio de Janeiro, n. 2 - Outubro de 94) mediu a incidência:
Os encargos sociais obrigatórios para as indústrias também são, no Brasil, os mais elevados do planeta: 37,4% de encargos diretos, contra 10,3% no bloco asiático e do Pacifico, 27% na Europa e América do Norte e 19,2% na América Latina. O empregado brasileiro custa para a empresa praticamente o dobro do que ele recebe como salário.
Para Ricard Epstein (cit. Pipes, R., p. 283), isso é compreensível:
Com um imposto, o governo toma a propriedade no sentido mais restrito do termo, acabando com a propriedade e a posse daquilo que esteve uma vez em mãos dos particulares. A taxação é antes de mais nada uma apropriação indébita da propriedade privada.
Não é novidade. O tal tirano de Siracusa, Dionísio (405-367), "aluno" de Platão, "taxava tão pesadamente os cidadãos que, segundo Aristóteles, chegava a confiscar toda a propriedade deles." (Idem, p.281)
Há mais de duzentos anos atrás, um cidadão escocês disse (e predisse) como agem (e como agiriam) governos desenfreados:
“Não existe arte que os governantes aprendem mais rapidamente uns com os outros do que aumentar impostos” (Smith, Adam, cit. Pioneiro, 17/10/1996)
De que vale tanta escola?

O ilusionista de Cambridge
Para sair do crash que ele mesmo contribuiu, John Maynard Keynes ensinou que se o governo espalhasse dinheiro à produção, ainda que sem lastro, o girar da moeda em rotação mais elevada na mesma proporção traria o progresso, que por sua vez imediatamente cobriria o saque. A tese é ousada, mas factível, tanto que a comunidade internacional adotou freneticamente o golpe genial. Todavia, a equalização, a quantidade de dinheiro colocada como alavanca é facilmente desvirtuada, proporcionando subversões e corrupções de todos calibres, de modo que a economia logo se enfraquece, e a produção padece. Keynes foi abandonado justamente pela incidência da estagflação no lugar da recessão, ou seja, pela drenagem de moeda desconectada da produção para financiar os gastos escolhidos pelo político titular do poder. Esses gastos se consubstanciaram de modo elevado com a produçãõ de benesses sociais, eleitoreiras, inflacionando todas as moedas da década de trinta. Para sair do brete nada melhor do que uma guerra. E foi por ela, exclusivamente, que os EUA puderam escapulir da notável armadilha. Os despojos cobriram a emissão monetária em larga escala. Ademais, como é uma moeda internacionalizada, ninguém mais sabe ao certo quantidade de dólares que circula no mundo, muito menos se teria correspondência com a produção que lhe enseja.
Todos os outros países, contudo, que adotaram a artimanha keynesiana, colheram os mesmos resultados - a produção diminuiu em trocada ficção. A lírica Itália,  a pouco franca  França, e a arrazoada Alemanha,  reerguidas com Adenauer e e Breton Woods, cumpriram rigorosamente duas décadas para recuperarem a malfadada aventura inflacionária, cumprindo, pois, este imenso período de estagflação..
* * *
A estagflação se torna preponderante por ação do governo, e jamais pela alteração de preços do comércio, ainda mais internacional, e setorial. Ela se desenvolve através dos mecanismos de financiamento social, seja pela construção de obras de infraestrutura, ou concessão de bolsas, auxílios, etc. etc, gastos governamentais sem o menor cunho de investimento. Ou seja - pior do que a inflação, que se lança mão para catapultar a economia, a estagflação é a inteferência do Estado sem nenhuma justificativa. Inflaciona o meio, sem incrementar a produção. Os primeiros preços que lhe acompanham, naturalmente, são os administrados, os prefixados pelo próprio governo, conjugados com aumentos de impostos, na vã tentativa de enxugar o leite derramado.O remédio prolonga a estada na UTI: em seguida a majoração atinge os insumos, daí aos alimentos, para se espraiar de modo incontrolável por toda sociedade. Pela ignorância geral, o receio e o traumatismo das desastrosas experiências, a economia passa a conjugar vozes dissonantes, acompanhadas por intrumentistas que tocam de ouvido.
Daqui de cima a Nav's ALL pode ver o despenhadeiro.
Quem sabe um pequeno grito não ecoe na ponte de comando do hermético Banco Central?

Veja:

Da Escola Austríaca de Economia

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Notas
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A atual crise americana
** "Para evitar levar a culpa pelas conseqüências nefastas da inflação, o governo e seus seguidores recorrem a um truque semântico. Eles tentam mudar o significado dos termos. Eles chamam de "inflação" aquilo que é justamente a conseqüência inevitável da inflação: o aumento dos preços. Eles ficam ansiosos para relegar ao esquecimento o fato de que esse aumento dos preços é produzido justamente pelo aumento da quantidade de dinheiro e de substitutos monetários na economia. E eles nunca mencionam esse aumento. Eles culpam as empresas e os empresários por esse aumento do custo de vida. Esse é o caso clássico do ladrão gritando 'pega ladrão!'. O governo, que é quem produziu a inflação ao multiplicar a oferta monetária, incrimina os produtores e os mercadores, e se jacta de ser o grande paladino dos preços baixos." (Ludwig von Mises, www.mises.org.br)



quarta-feira, 18 de junho de 2008

Inflação e deflação

A liberdade consiste em conhecer os cordéis que nos manipulam. 
Baruch Spinoza (1632-77) 
É um fenômeno indesejado, principalmente quando a deflação é provocada pelo excesso de capacidade produtiva. BELLUZZO, Luiz Gonzaga, Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, em Wikipédia, Deflação.
Ouso confrontar o ilustre professor. Tirante o caso do café, virado moeda mas  encrencada sua exportação por causa da crise de 1929, a história não registra superprodução deflacionária, que significa redução de preços nominais.  A definição do ex-Ministro, renomado Economista, e ex-presidente de clube de futebol (S.E. Palmeiras/SP) é sofística, ainda que empírica; platônica, e radicalmente cartesiana; meia própria de catedrático, mas não de comerciante. De "senso comum", comum a meros retransmissores. Talvez de político, não de pesquisador. Bronzeador de pílulas. Seu diagnóstico é "para inglês ver." Carece de objeto; e, por conseqüência, de cientificidade. "Não há erro mais perigoso do que confundir a conseqüência com a causa: chamo-a de a verdadeira corrupção da razão." (NIETZSCHE, F., Crepúsculo dos Ídolos: 49) Assim como a febre é consequência, não a causa da patogênese, índices de preços apenas indicam a higidez ou desequilíbrio monetário. Não são causas, mas consequências de uma gestão mais ou menos honesta. Os termos inflação, deflação e mesmo estagflação se referem ao valor da moeda, não ao valor dos bens produzidos, e comercializados; tampouco é diapasão para seu preço nominal:
A inflação, como dizia Milton Friedman, é sempre e em todo lugar um fenômeno monetário. O que isso quer dizer, basicamente, é que a alta generalizada de preços é causada pelo aumento da oferta monetária e creditícia, fazendo com que mais moeda procure a mesma quantidade de bens e serviços. Portanto, a inflação será sempre resultado de uma política deliberada de quem controla a emissão de moeda e o crédito dos bancos. Uma boa ideia no combate à inflação
O que aquela Exa se refere é lei de oferta e procura comercial. Esta é composta por uma infinidade de fatores econômicos, políticos, sociais, psicológicos e sazonais. A vazão da produção não se deve tanto à oferta/demanda dos produtos quanto à oferta/demanda da moeda, e/ou crédito à disposição: Vamos a definição mais precisa: "A inflação, para resumir, é o aumento no volume de dinheiro e do crédito bancário em relação ao volume de bens." HAZLITT, Henry A relação é direta; e as conseqüências, óbvias: :
LONDRES, 5 mar (EFE).- O Banco da Inglaterra (autoridade monetária) recorreu hoje à emissão de dinheiro para aumentar a liquidez nos mercados e impulsionar a concessão do crédito, diante da forte recessão pela qual o Reino Unido atravessa.
http://economia.uol.com.br/ultnot/2009/03/05/ult1767u141522.jhtm

LONDRES (Reuters) 24/3/2009 - Os preços ao consumidor da Grã-Bretanha inesperadamente aumentaram em 3,2 por cento em fevereiro na comparação com igual mês de 2008.
* * *
A moeda dá direito a uma parcela correspondente da riqueza nacional, representada pela produção, alcunhada PIB (Produto Interno Bruto). Caso haja apenas uma dezena de níqueis em circulação, quem detiver um tem direito a 10% do Tesouro. Se o governo resolver fabricar mais dez moedas, sem aumentar a riqueza, o detentor daquela moeda teria que repartir o quinhão com as novas colocadas no mercado. Neste caso, apuramos uma inflação de 100%.

Essa enxurrada de dinheiro no sistema econômico faz com que o primeiro grupo que o receba tenha o privilégio de poder comprar itens a preços basicamente inalterados. À medida que esse dinheiro recém-criado vai perpassando a economia, os preços vão aumentando. Quando esse dinheiro finalmente chega ao último grupo da economia (o grupo de mais baixa renda), todos os preços já subiram. Portanto, os primeiros recebedores do dinheiro recém-criado se beneficiaram à custa dos últimos recebedores ("Efeito Cantillon"). Houve uma redistribuição de renda às avessas.
No entanto o governo, mercê de impostos, retiradas através de compulsórios, taxas, multas e várias rubricas que cria, pode cercear a circulação. Se a que cada ano o governo retirar uma moeda, incinerá-la ou enviá-la a um paraíso fiscal, a que permanece comprará cada vez mais, na mesma proporção. O fenômeno é justamente o contrário da inflação, e leva o nome de deflação.
Esta anomalia pode ser detetada através da relação com as moedas de outros países. Quando nosso dinheiro se valoriza, frente aos demais, isto quer dizer que há menos moeda em circulação, portanto, incita à deflação. É o que tem acontecido no Brasil, já desde a implantação do real, com exceção de um curto período de uma maxidesvalorização muito mais elaborada para enriquecer os amigos da Pasárgada, do que em função dos súditos, ou de uma natural variação cambial.
Se a inflação é tida como dragão a ser vencido, a deflação tem um efeito ainda mais nefasto, dantesco, deletério, pernicioso, devastador porque subliminar, dissimulada como a cobra:


O processo de deflação ainda pode ser iniciado, ou agravado, pela baixa oferta de moeda. Quer dizer, falta dinheiro em circulação, seja por causa dos juros altos, que tornam o crédito proibitivo, seja pela falta de investimentos. Essa bola de neve costuma afetar todos os setores da economia, do agricultor aos fabricantes de, além de abalar a própria estrutura social.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Defla%C3%A7%C3%A3o_(economia)
A quantidade de dinheiro exigida para efetuar, de um modo livre e fluente, as transações de um país em determinada proporção; se for superior às necessidades, não haverá nisso vantagens para o comércio; se for inferior, muito inferior, ser-lhe-á extremamente prejudicial, A escassez de dinheiro reduz o preço daquela parte da produção que é usada no comércio, pois o desestímulo que daí resulta para o comércio restringe a demanda da produção a ele destinada. A escassez de dinheiro num país desestimula o trabalhador e os artífices (que são a principal força e sustentáculo de um povo).
FRANKLIN, Modesta Investigação Sobre a Natureza e Necessidade do Papel-Moeda; Economistas políticos: 177/9.
O que tem de mais dantesco é ver nossa Economia entregue a meros contadores financeiros, desprovidos que qualquer cultura política, social, histórica, humanística, comercial, industrial, ou produtiva:

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, comemorou nesta quarta-feira o resultado do Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e que apresentou deflação de 0,32% em agosto. 'Fiquei muito satisfeito com IGP-M de hoje que deu negativo, deu deflação, que significa que estamos desacelerando a inflação no mundo e no Brasil e, portanto, podemos dizer que a inflação está sob controle e deveremos ficar dentro da meta", disse o ministro.' Invertia
O que de certo modo é reconfortante é que pela primeira vez há a confissão da anomalia, adiantada com exclusividade a você, e com bastante antecedência, pelos radares da Nav's ALL.
Como a capacidade gerencial das nações tem se restringido apenas a percorrer tal eixo, e como nada no mundo é estático, a humanidade é levada a buscar o equilíbrio neste movimento bipolar. Não são poucos os institutos com vistas às medições, a fim de proporcionar aos meios produtivos os parâmetros necessários aos projetos que implementam. Tudo à tôa, tudo em vão. Os institutos apenas acusam efeitos de ações já acontecidas; suas informações serão sempre obsoletas.
Assim como para medir a febre no corpo existe um ponto específico, para identificar a temperatura da moeda é mister colocar o termômetro na cabeceira, isto é, na casa da moeda.
No caso do valor do dinheiro, contudo, por sua relação direta com a quantidade de bens produzidos, sua aferição requer o balanço do que se tem. Embora esta foto também se refira a um passado, é através da conjunção que se pode mais ou menos aquilatar em que ponto do eixo nos encontramos, bem como sua direção.
Ensina a história que os períodos de inflação são antecedidos pela incidência da deflação. O exemplo mais fulgurante encontramos na horrososa década de 1920 americana, que culminou com o maior desastre econômico que se tem notícia, a fim de encontrar o salvador:

Aumentos rápidos da quantidade de moeda provocam inflação. Quedas acentuadas provocam recessão. Esta é uma proposição igualmente bem documentada. Não está diretamente documentada neste livro, embora sejam mencionados alguns tópicos: a depressão de 1873-79 nos Estados Unidos, os anos deprimidos do início da década de 1890, a grande retração de 1929-33 que levou Franklin Delano Roosevelt à Casa Branca e armou o palco para o programa de compra de prata da década de 1930." FRIEDMAN, M. 242
Em qualquer país ou sociedade, em qualquer tempo, a inflação ou a deflação, o desenvolvimento ou a recessão só podem ser calibrados pela mão, bem visível, do titular governamental. Para recuperar aquele paciente, o remédio foi a inflação acelerada, a partir de um programa de gastos governamentais, através do pomposo nome de New Deal.
Em nosso meio John tornou-se João, e levou o nome de
Estado Novo.
Em 1945 a inflação já tinha cumprido o papel, e
Tio Sam estava mais sadio do que nunca, nem tanto pela manipulação monetária envolvida, mas pelo usufruto dos despojos proveniente da vitoriosa Guerra. Na efeméride a participação brasileira foi insignificante, de modo que continuamos com a doença bipolar.
-
A interferência do FMI
A demanda de moeda depende da taxa de juros!
O palco está armado para o Sr. Keynes.

Hicks, O Sr. Keynes e os Clássicos: uma Sugestão de Interpretação; cit. Hilferding: 149
O Fundo Monetário Internacional teve que intervir nas irresponsáveis políticas das republiquetas, tendo em vista o incremento da globalização e do comércio internacional.
O Brasil viu sua Casa da Moeda lacrada, impedida de fabricar a moeda sem a correspondência com o que produzia. Os impostos, as taxas, os compulsórios, o enxugamento monetário, e principalmente as taxas de juros aplicados no período inflacionário, contudo, não foram reduzidos, de modo que o expediente refreou de modo abrupto a quantidade de dinheiro em circulação:


Antes de Keynes os governos liberais temiam, com razão, perturbar os equilíbrios econômicos se manipulassem a moeda, o orçamento, o imposto, as taxas de juros. A partir de então, tendo justificativas para atuar nesta direção, a estatização se torna “científica”, intelectualmente respeitada.
SORMAN, G. 1989: 54.
Ora, como bem sabemos, a moeda tem a função oxigenar a produção; caso haja escassez, é trivial concluir o estrangulamento. A moeda, contudo, por mais escassa, valerá mais, de modo que quem a detém estará, fatalmente, mais rico, justamente na proporção de sua escassez. Eis a razão da deflação contemplar, especialmente, os bancos e as empresas públicas.
A partir dos anos setenta, com o aumento vertiginoso dos preços do petróleo e da primeira manifestação de escassez dos alimentos, o mundo conheceu o fenômeno da estagflação, o misto de inflação com recessão, algo totalmente impensado pelo grande formulador do macête inflacionário. Pretendo amanhã abordar este efeito, fantasma maior do que todos, o qual muitos economistas tem vislumbrado sua silhueta.
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Notícias
O presidente do BC insistiu nesta quarta-feira que a autoridade monetária não faz previsões para a inflação. "Não fazemos nossa própria previsão. Isso compete aos mercados."
Ou seja: cabe ao mercado, através dos incontáveis institutos, tentar elucidar o quanto foi retirado de moeda da circulação através dos impostos, compulsórios e afins, o quanto deixou de circular pelo preço proibitivo dos juros, o que foi fabricado e ao mercado devolvido, o quanto foi desviado aos paraísos fiscais, quais os preços de varejo e atacado que sofreram variações, bem como de serviços, e até de salários, cuidando de expurgar preços alterados por variações sazonais, sem esquecer da variação cambial sobre um período que julgar conveniente. Com base nesses incontáveis e aleatórios vetores, "cabe ao mercado" tentar se aproximar de um número de taxa de inflação ou deflação, para então, de posso desse vago e amplo pretérito, tentar adivinhar o futuro. Só pode ser gozação.
Folha de São Paulo, hoje: "A inflação vem se mostrando mais 'resistente', e diante disso o BC (Banco Central) terá que continuar elevando a taxa de juros, afirmou nesta quarta-feira o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Salomão Quadros. Ele calcula que há espaço para que os juros subam de 3 p.p. (pontos percentuais) a 3,5 p.p. em um período mais longo, com dosagens de 0,5
p.p a cada reunião, como o BC vem fazendo."
Evidentemente a sumidade é paga para dizer o disparate. Seus colegas conhecem a história:

"Não obstante, o que se observou no sistema financeiro internacional foi o surgimento de uma brecha entre as duas taxas: os juros incidentes sobre empréstimos bancários mantiveram-se elevados enquanto o retorno esperado de investimentos produtivos declinava." (Hilferding: 101).

Sabe-se que ganha com a deflação quem estiver com as cédulas na mão; neste caso, os bancos, que nada produzem. Hayek antecipadamente lamentou:

Essa perda da compreensão dos fatores que determinam tanto o valor do dinheiro como os efeitos dos eventos monetários sobre o valor de bens específicos é um dos principais danos que a avalanche keynesiana causou ao entendimento do processo econômico. (1986: 73)
 Em abril
Desde 1995 mantemos a maior taxa de juros de mundo. Quanto mais ela deverá avançar para "segurar a inflação"?
]
Veja, ainda:

O caminho da estagflação
A atual crise americana
Os aliados da crise
Banco Central, agente comercial?

Sobre a Bibliografia da Nav 's ALL


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terça-feira, 17 de junho de 2008

Meteorito com vida - Neve com bactérias

link
No memorável  movimento social de 1968 houve a participação de pelo menos um ET. A notícia ficou reprimida, sonegada, mas ora tomamos conhecimento da sensacional visita:
SÃO PAULO - O meteorito Murchison, uma rocha espacial descoberta na Austrália em 1969, contém xantina e uracila, duas substâncias necessárias para a formação de DNA e RNA, moléculas essenciais para a vida na Terra, dizem cientistas dos EUA e Europa na edição de 15 de junho da revista especializada Earth and Planetary Science Letters. Além disso, dizem eles, os átomos de carbono encontrados nas substâncias detectadas no meteorito são de um tipo raro na Terra, o que praticamente garante que elas se formaram no espaço.--
"Estes resultados demonstram que compostos orgânicos, que são componentes do código genético na bioquímica moderna, já estavam presentes nos primórdios do sistema solar e podem ter desempenhado um papel na origem da vida", diz o texto que descreve a descoberta.
Esse resultado soma-se a outros que dão apoio à hipótese de que a vida pode ter começado a partir do encontro, na Terra, de moléculas originadas no espaço. A formação dessas moléculas no ambiente espacial também é objeto de estudo - a Nasa, por exemplo, mantém um Laboratório de Gelo Cósmico que tenta recriar as reações químicas que acontecem a baixas temperaturas, pressões e na presença de radiação.
O próprio Murchison já revelou diferentes moléculas orgânicas no passado. E, em fevereiro deste ano, outra equipe de pesquisadores havia anunciado que outro meteorito, achado na Antártida, apresentava uma predominância de aldeídos - os elementos formadores dos aminoácidos, que por sua vez formam proteínas - com o mesmo tipo de conformação visto nas proteínas usadas pelos seres vivos. O trabalho foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
 Além de estabelecer uma relação possível entre moléculas do espaço e a origem da vida na Terra, a descoberta de moléculas orgânicas complexas em meteoritos traz a possibilidade de que outros planetas tenham sido "semeados" com o mesmo tipo de matéria-prima, dizem cientistas.
Atualmente, a Nasa procura por matéria orgânica em Marte, com a sonda Phoenix, e tem planos de sondar Europa, uma lua de Júpiter que, acredita-se, tem um oceano de água salgada sob a superfície, em busca de sinais de vida. (Estadão, 17.6.2008)
Os impactos de meteoritos nos oceanos da Terra podem ter sido os causadoras da formação de complexas moléculas orgânicas que mais tarde originaram a vida, segundo um artigo publicado neste domingo pela revista científica britânica "Nature Geoscience". Uma equipe pesquisadora da Universidade de Tohoku, no Japão, explica que os impactos desses corpos sobre os mares primitivos, muito freqüentes na época, podem ter gerado alguma das complexas moléculas orgânicas necessárias para a vida. (Folha de São Paulo, 7/12/2008)
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Vai ver o DNA pertence ao biólogo:
Romance Interestelar
Seremos todos descendentes de marcianos?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O retorno do 68

Nav's ALL mais uma vez antecipou o futuro para você, desta feita com tres anos de vantagem às maiores sumidades:  "É como em 1968", diz diretor de Conselho Europeu

Cessa tudo quanto a musa canta quando um poder mais alto se levanta. Camões
É cada vez mais claro que uma revolução filosófica se encontra em marcha. Um sistema abrangente está se desenvolvendo com rapidez, como uma árvore que começa a dar frutos em todos os seus galhos ao mesmo tempo. Abraham Maslow
AS CHICANAS PLATÔNICAS enredaram a humanidade em reboliços. O século passado vivenciou o ápice da estupidez. O mecanicismo levou a civilização de roldão, mas no meado duas atômicas acabaram com a escuridão. A nova geração veio por outro norte, mais consistente. O discurso político perdeu seu privilégio. "O explosivo ano de 1968 começou luminoso", relata o jornalista Flávio Tavares. (ZH, 4/12/2007, p. 21.)
Paulatinamente a ética veio  se impondo à armação dialética:
"O ano de 1968 talvez haja constituído um divisor de águas: desde então assistimos ao progressivo refluxo da maré, o qual se acentuou em 1989/91. O século XXI poderá conhecer, após calamidades imprevisíveis - guerras, novas revoluções e catástrofes ecológicas - o princípio da reconstrução da ordem internacional, uma reorganização em escala mundial do Estado de Direito Liberal." (Penna, J. O. de Meira, O Espírito das Revoluções, p. 46.)
Tudo parecia muito claro, e fatal:
"A consciência humana está transpondo um limiar tão importante como o que transpôs da Idade Média para a Renascença. O homem está faminto e sedento após tanto trabalho fazendo o levantamento de espaços externos do mundo físico começa a ganhar coragem para perguntar por aquilo que necessita: interligações dinâmicas, sentido de valor individual, oportunidades compartilhadas, efeitos. Nosso relacionamento com os símbolos de autoridade do passado está se modificando, porque estamos despertando para nós mesmos como seres, cada qual dotado de governo interior. Propriedades, credenciais e status não são mais intimidativos. Novos símbolos estão surgindo: imagens de unidade. A liberdade canta não só dentro de nós, como em nosso mundo exterior. Sábios e videntes previram esta segunda revolução. O homem não quer se sentir estagnado, o que deseja é ser capaz de mudar."
(Richards, M.C., The Crossing Point; cit. Ferguson: 57)
"A sociedade da alienação tem que desaparecer da história. Estamos inventando um mundo novo e original. A imaginação está tomando o poder", anunciavam os artífices.
O laser do Quartier Latin de fato logrou alguma mudança. Muros ruíram, o congraçamento se fez iminente, mas o que ora temos? Com o arquinimigo prostrado, e as atômicas vetadas, resplandece flamante o leviathan, com corte modernizado. Ele não mais se põe de farda. Engalana-se com cartola. Tampouco prosperará. Sequer os coelhos estão dispostos à patos.

O poder da força bruta
A maior parte da trajetória humana pautou a força em detrimento da razão. Quando explodiram as atômicas, contudo, ela constatou que uma menor poderia sobrepujar a união de todas. Doravante, a força deveria ser mais sutil.
-
O poder do dinheiro
Não há dúvidas da capacidade geradora do dinheiro, mas, até o limiar do século passado, nem era assim, tão considerado. Afinal, o que adquirir com cartões corporativos, numa sociedade que desconhecia até mesmo a luz elétrica? Aos poucos, contudo, sorrateiramente, foi a força da pecúnia carreando o incremento acelerado da indústria de chaminé. Hoje as crianças usufruem de pujante parque, repleto de quinquilharias.
Ligando as atômicas com a riqueza de quem as detinha, a humanidade obteve a certeza: era a abundância, e não a mendicância, era o capitalismo, e não o socialismo, era a força do rico que deveria comandar o rebanho. Então voltaram os pastores, desta feita não mais prometendo acabar com os diabos, posto já liquidados, mas acenando com pasto-verde para todos, no fundo do corredor. Nem assim.

O precipício
Supondo estarem de posse de todos os prerequisitos ao exercício do poder, ou seja, com os inimigos esmagados, com a força bruta do Estado concentrada, e a captura da chave do cofre, inúmeros incautos ascenderam e permanecem usufruindo de seus parcos e inconfessáveis ideais. Julgam-se incólumes, e para eles o melhor era o mundo se cristalizar. Lêdo engano.

2008
Vemos no globo revoltas generalizadas. Seja na Itália, na França; na Ásia ou no Oriente Médio.
Nos EUA uma reversão espetacular se anuncia, sob o comando de uma estirpe nada anglosaxã.
A pacata América Latina acende suas tochas. Não há mais lugar para os Chávez, os Kirchners, os Bachelets. A Bolívia se divide. A Colômbia balança. O Paraguai se modifica. O Perú correu com o japonês, e seu sucessor.
No Brasil, jamais houve uma catarse tão formidável, uma expurgação alastrada. Governo Federal e governos estaduais são pilhados diariamente em flagrante delito, mas ainda resistem.
A teimosia é inóqua, destinada ao completo fracasso. Desta feita o efeito atômico é quase imperceptível; porém, ainda mais decisivo:

Depois do ano 2000, aproximadamente por volta do ano 2014, dizer que este eixo passa para a constelação de Aquário, dando assim início a uma nova Era da História da Humanidade. Ela anuncia um estado superior da evolução humana - um estado de esclarecimento individual - iluminação ou lucidez da consciência. O homem da Era de Aquário é o homem independente. É o homem que elabora o processo da liberação total. (Martha Pires Ferreira (1972))
Alvin Toffler foi capaz de perceber, e adiantar:
“A aceleração da mudança na nossa época é, ela própria, uma força elementar, fundamental. Este impulso de aceleração oferece conseqüências pessoais e psicológicas, assim como sociológicas.” (Toffler, Alvin, O choque do futuro, Introdução.)
As mudanças serão no seio do poder, em esplêndida powershift. Ele já acusa o abalo.
A responsável pela façanha é a capacidade cognitiva.
O conhecimento sobrepuja a força bruta e até mesmo a do dinheiro, e ambas juntas:
"O núcleo do novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga - a idéia de que consciência, e não matéria, é o substrato de tudo que existe." (Amit Goswami)
Tudo isto havia sido predito logo após a II Guerra, por um astrólogo muito diferenciado:

Esta organização não pode ser abandonada à iniciativa dos governos: será alcançada quando os povos tiverem uma vontade firme e ativa, porque é renovação radical de todas as antiquadas tradições politicas. A compreensão e a vontade de resolver o problema estão-se generalizando. Acredito na influência de um individuo sobre outro e acredito no processo de seqüência e encadeamento entre os homens.
(Fala Einstein sobra o futuro da humanidade, Folha da Manhã, 4/3/1949.)
A tábula está rasa:

Os sintomas desta Era da Intuição já se fazem presentes - em pequenos núcleos - nos mais diferentes setores da atividade humana. A crise é cultural, moral, política, econômica, religiosa, sociológica. E esta crise entrará num crescente enorme - a fome aumentará cada dia mais -, o descontrole geral chegará às vias do absurdo!!! Velhas tradições, velhas convicções, velhos ideais e costumes, velhas leis éticas e metafísicas sofrerão assombrosas modificações antes do surgimento do Novo Ciclo da Raça Humana.
(www.constelar.com.br/constelar/04_outubro98/memoria1.php)
É apenas quando a casualidade é levada aos seus limites que se descobre que o contexto real no qual os eventos ocorrem precisa se estender indefinidamente. Em outras palavras, tudo o que acontece no nosso universo é causado por tudo o mais. Sem dúvida, o universo inteiro podia ser pensado como se desdobrando ou se expressando em ocorrências individuais. E dentro dessa visão global que se torna possível acomodar as sincronicidades como eventos significativos que emergem do coração da natureza. (Gleick, James, Chaos, cit. Lemkow, Anna, p. 216)
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Notícias
Londres, 17/6/2008 - "Enfrentamos uma combinação global de desafios que ameaçam causar ainda mais deslocamentos no futuro", afirmou em Londres o comissário da Acnur, António Guterres. "[Os desafios] são diversos: emergências relacionadas a novos conflitos em algumas áreas, má governança, degradação ambiental relacionada ao clima que provoca um aumento na competição por recursos escassos e o aumento dos preços, que atingiu os mais pobres de maneira mais forte e que está gerando instabilidade em diversos locais."
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Buenos Aires, 17/6/2008 - Os argentinos realizaram, na noite desta segunda-feira, panelaços e buzinaços em vários pontos do país. Desta vez, o protesto durou mais de uma hora e não ocorreu somente nos bairros de classe alta de Buenos Aires, como no fim de semana, mas também nos bairros de classe média, como Almagro, e baixa, como La Matanza, na capital do país, e em diferentes cidades da Argentina.Thailândia, 20/6/2008 - Milhares de pessoas protestam pacificamente pela deposição do Primeiro-ministro. Quase 2000 se quedaram presos pela repressão governamental.
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Brasil, Rio Grande do Sul - 13/junho/2008 - Milhares de agricultores, operários, campesinos e estudantes de caras-pintadas exigem a renúncia da Governadora; inspetores de polícia, delegados e integrantes de diversos órgãos policiais efetuaram uma pomposa faxina na rua e na calçada de acesso ao Palácio Piratini, na mais completa desmoralização já assistida pela população a um governante.
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Brasil, 20/6/2008: Caminhoneiros do país inteiro paralizarão suas atividades neste fim-de-semana, em protesto contra a impostura dos pedágios, o alto preço do diesel cobrado pela Petrobrás, e a insignificância dos valores dos fretes estipulados.

Coréia do Sul, 20/6/2008 - Toma gigantesco corpo o protesto da Nação frente às políticas de importação implementadas naquele país, notadamente ao que se refere à carne americana.

São Paulo, 20/6/2008: Manifestação de professores bloqueia a Avenida Paulista.
Índia, 23/6/2008: "Queremos nossas terras de volta" e "Queremos a independência da Índia".
Filipinas, 23/6/2008: Milhares nas ruas protestam pelo preço dos combustíveis.

Bolívia, 23/6/2008 : Centenas de estudantes de Santa Cruz de La Sierra queimam várias viaturas do poder central. Propugnam pela confirmação do plebiscito. Querem autonomia.

domingo, 15 de junho de 2008

As estréias de Garrincha, Vavá & Pelé


É Jubileu de Ouro. Há quem bem lembre, e quem detenha apenas uma silhueta; outros só ouviram falar, alguns leram, muitos esqueceram, mas a maioria do povo brasileiro, pela obviedade temporal, não presenciou aqueles instantes mágicos, lúdicos, marcantes.
A estréia da dupla Garrincha- Pelé ocorreu no dia 18 de maio de 1958, em amistoso realizado no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, preparação para a Copa do Mundo daquele ano, na Suécia. A seleção bateu a Bulgária por 3 a 1. Pelé marcou dois gols. No mes seguinte o público se aglomeraria nas praças, de ouvidos nos auto-falantes. Eles transmitriam a performance dos canarinhos lá daquele longínquo mundo, onde também havia seres humanos,, e dizem, ainda, mais desenvolvidos, vê só!
Havia apenas oito anos que o Brasil decepcionara o povo, em sua própria casa.
A delegação partiu sem muito crédito, malgrado recheada de craques., e com as novas e vistosas camisetas. As brancas de 50 vestiam jogadores de grande quilate técnico, mas o fracasso dizia que algo mais era necessário, além do talento. Se isso existia, ninguém sabia. A torcida rezava. O ceticismo promovia o catecismo.

15 de Junho: comunistas à vista!
Reputo esta data quiçá a mais importante do futebol brasileiro.
O jogo era contra os soviéticos, a melhor defesa do mundo, comandada pelo lendário Lev Yaschin, o maior goleiro do mundo.
Ainda que tivesse nas vésperas convencido, a seleção iria mudar meio time.
O centro-médio (center-half) Dino Sani, do São Paulo F.C, excelente orientador de campo, porém um tanto estático, machucara o joelho numa brincadeira. Zito, do Santos F.C., espreitava a oportunidade.
Na frente, contudo, é que se procederiam as decisiva alterações à vitória da Seleção de Ouro.
O centroavante era Mazzola, uma revelação do Palmeiras. A Itália não perdera tempo, e no meio da competição ofertara uma proposta milionária para levá-lo à Milão. Pronto. O que restaria ao craque, a não ser se preservar? Para ele, tudo de bom. Para a Seleção, contudo, não. Vavá, do Vasco da Gama foi chamado à ação. O Peito-de-Aço cruzmaltino possuia excelente presença de área. Se tivesse algum cruzador, estaria liquidada a fatura. Joel, agudo ponta-direita do Flamengo não tinha essa característica, mas um irresponsável no banco de reservas as detinha de sobra. Nilton Santos, o grande companheiro do Botafogo F.R., garantiu:
-Seu Feola, ele joga muito. Lá no Rio, quando estamos meio cansados, largamos a bola para ele, e pronto. Bicho garantido!
Joel estava com o joelho inchado, mas o doutor Hilton Gosling, atendendo ao maquiavélico pedido dos jogadores, concedeu-lhe licença para treinar. O resultado foi o agravamento da contusão. Garrincha iria estrear.
O meia-esquerda era outro flamenguista, Dida, até meio parecido com o recente Bebeto. Com Joel barrado, Mané na ponta e Vavá no meio, ainda assim Pelé ameaçava ir embora, com medo do ferrolho soviético, Feola decidiu: Pelé estréia hoje, querendo ou não!
Pelé, na ocasião com apenas dezesseis anos, nem tinha o corpo formado. Era franzino, e receoso de pontapés. Vavá sequer o conhecia, mas Zito, que desde a Vila Belmiro comandava o Rei dentro de campo, chamou para si a responsabilidade.
Com a equipe formada, pronta para entrar nas quatro linhas, Feola chamou Garrincha:
- Você fica lá na linha lateral, no meio-campo. O Didi (célebre armador do Botafogo, criador da folha-sêca, depois treinador da Seleção Peruana) o Didi quando pegar a bola tem ordens de mandá-la para você. Seu trabalho é muito simples: você primeiro dribla o ponta, que deve estar junto a você. Quando vier o lateral, passe por ele. Vai chegar a cobertura do quarto-zagueiro. Aí é só puxar a bola para a direita, como você sabe bem, e cruzar para a área. Se Pelé não alcançar, Vavá não vai deixar passar.
Garrincha lhe respondeu:
- Mas seu Feola, o senhor já comunicou isso aos russos?
* * *
O começo do jogo foi arrasador. Não são poucos os que se referem aos minutos mais empolgantes já presenciados por todas as torcidas. De fato, na primeira bola, a um minuto, Garrincha passou por dois e desferiu um torpedo que balançou a trave do Aranha-Negra, logo atordoado. No minuto seguinte, Vavá inaugurava o placar.
O desenrolar do jogo foi um festival de tabelinhas entre Vavá e Pelé, secundados pelo show à parte, na ponta-direita.
O resultado foi dois a zero, com facilidade, e a revelação dos dois maiores craques que já pisaram os gramados do mundo.
* * *
Com o prêmio pela conquista da batalha, Garrincha adquiriu um radinho à pilha, novidade desconhecida no Brasil. O massagista Mário Américo lhe aplicou o golpe:
- Mané, você foi comprar um rádio logo aqui? O que há de servir um rádio que só fale sueco? Vou te salvar. Compro ele pela metade do preço, para dar de presente a um chato.
Garrincha concordou, mas foi reclamar com o chefe-da-delegação:
- "Seu" Paulo, como é que me deixaram comprar essa porcaria, que só fala sueco?
- Calma, Garrincha. Sei de loja que vende um que fala em todas as línguas, até em português.
À noite Garrincha ganhou seu novo rádio.
* * *
"A Taça do Mundo é nossa. Com brasileiro, não há quem possa!" era o refrão nas avenidas.
Com Garrincha e Pelé no time, jamais a Seleção perdeu.
Infelizmente, isso faz parte desse distante passado.
No lugar de Pelé, hoje temos Josué.
No lugar de Zito, temos três volantes, e não chega.
Na ponta-direita, ninguém.
Na época, contávamos com flamante JK. Hoje tem mula lá.
Na ocasião, surramos a poderosa U.R.S.S..
Hoje sucumbimos, mansamente, perante apenas dez paraguaios.
Nesses dias, até jogadores de basebol venezuelanos tem no prato canarinho.
* * *
Por ironia, Garrincha faleceu quase abandonado, vítima do álcool; e graças a Pelé, e sua lei, nossos maiores craques foram alegrar inúmeros países, menos o nosso.
O Brasil tem mesmo avançado. Como rabo-de-cavalo. Em país de todos, portanto de ninguém, todo mundo mete a mão.
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Ficha do jogo:
Brasil 2 x 0 União Soviética
Data
: 15/06/1958
Local: Nya Ullevi, em Gotemburgo
Público: 50 mil torcedores
Juiz: Maurice Guigue (FRA)
Gols: Vavá, aos 2 minutos do primeiro tempo; Vavá aos 20 minutos do segundo tempo.
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.
Técnico: Vicente Feola
URSS: Yashin; Kesarev, Kuznetsov, Voinov, e Krijevski; Tsarev e Alexander Ivanov: Valentin Ivanov, Simonian, Netto e Ilyin.
Técnico: Gravil Katchaline
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Veja:
Meu amigo Mané
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sábado, 14 de junho de 2008

Ciência de Viver: estar de acordo

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9ª Aula - Estar de Acordo (Tempo: 03:57)
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Apresentaçăo de Lauro Raful

Textos de Paulo e Lauro Raful
Grupo Gurdjieff - São Paulo

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Da 13

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Sexta Feira 13 é considerado popularmente como um dia de azar.
Como azar ou sorte só depende do lado em que se está no tabuleiro,
há quem veja nesta data motivo de grande júbilo.

Os jornais, por exemplo, atraem milhares de extracuriosos.
É gente ávida para saber o significado, a história, e
as possibilidades que pode o dia oferecer.

Cartomantes, horoscopistas e astrólogos, desde ontem são muito solicitados.
A turma do Divino cataliza ainda maior ibope.
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Invoca-se Santo Antônio mercê de suas atribuições de cupido:
"Conhecido como santo casamenteiro, nascido em Lisboa em 1195, este é o santo certo se o que você quer é que o namoro vire casamento ou simplesmente quer saber se vai para o altar algum dia. Seu dia é comemorado em 13 de junho e é o campeão das simpatias."
Não falta, entretanto, quem se arrependa da oportunidade ensejada pelo auxiliar.
Neste caso, o incauto apelará por São Jorge.
* * *
Quem tem receio do dia é suscetível aos maus agouros.
O risco é
precipitar o infortúnio só para se dizer com razão.

As oficinas se vêem assim repletas de carrões.

Lojas de amuletos, umbandas e até igrejas tem no 13 a sagração.
Ao brasileiro, contudo, tem sido mesmo perdição.
Muitos acreditam que o treze dá sorte.
Casas lotéricas com o número são mais de 13 mil.

Com Zagallo e seu 13, ganhamos 70.
Mas com ele, trocamos uma copa por um porta, logo denominado São Paulo.
Desse modo, merece o retorno a Saulo.

O 13 é uma boa desculpa. Tudo o que hoje acontecer, nada é de nossa culpa.
* * *
O número do tempo
A idéia de um tempo linear vem desde Platão.
Todas suas alegorias, ainda levam a humanidade de roldão.
Em que pese de toda noite nascer novo dia, entretanto, não é mister condicionar nossa
própria existência na contagem desse trânsito. Alías, nem é ele quem passa.
Nós é que passamos por ele.

O pretérito é definido, pode até ser contabilizado, mas até ele é mutante:
depende da interpretação. E o futuro é infinito:
"Pois o chamado ‘fim da história’ nada mais é do que a emancipação da multiplicidade dos horizontes de sentido. Um desses desafios é o de repensar o pensamento científico, libertando-o de sua ganga positivista, de sua mania contábil, a fim de instalar em seu seio a argumentação filosófica capaz de regular as relações do conhecimento científico com as demais modalidades de pensamento e ação. Outro, não menos importante, é o de pensar a modernidade. Porque esta não é um momento datado da história, definindo uma época. É o nome de uma ruptura, de uma crise relativamente à tradição. Estamos diante de uma nova episteme: da indeterminação, da descontinuidade, do deslocamento, do pluralismo (teórico e ético), da proliferação dos projetos e modelos, da ampliação de todas as perspectivas e do tempo da criatividade." (Japiassú:10)
Na Divina Comédia, o castigo do inferno para quem tenta prever é ser preso com uma corda no pescoço, com a cabeça sempre voltada para trás.
O folclórico Dante tinha premonição. Não há
flecha do tempo preponderante, ou a todos comum. O maior castigo é querer identificá-la. São bilhões os vetores imprimidos! É experiência pessoal.
Hoje pode ser dia 13, em relação ao mês de junho; mas o décimo-quarto, ou mais, para quem nasceu em maio.
De todo modo, o tempo não se faz, pois, tão toscamente engrenado como o relógio.
Isto é apenas acordo, lavrado quando a vela era a rainha da noite.
Como no mundo o Sol nunca se põe, podemos viver uma nova aurora, a cada segundo.
Só depende de onde quisermos estar, para tudo mudar.
"O fato de o tempo ser próprio de cada corpo, não uma ordem cósmica única, envolve mudanças nas noções de substância e causa." (Russell, cit. Fadiman: 165)
O tempo é delineado a cada instante, por cada um de nós, na unidade cósmica.
Beba com moderação.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Romance Interestelar

O biólogo conhecia tudo que era vida; menos a dela. Ela conhecia inúmeras vidas; menos a dele. No entanto, se amavam!-
O CLARÃO DO SIAMÊS punha o Sol a correr, envergonhado. Cabelos esvoaçantes, negros como as asas da graúna (essa é velha). Numa palavra, então, estonteantes. Coração de ouro, gigante;passo compassado, voz de veludo. Os CDs quebram a barreira do som. Até disco-voador quer gravar. No disco, ao tempo, à novo sentido, ímpar. Líder nata; pop. Era ella, não havia dúvida. Pérola no mar, tempestade no deserto. Completa. Inesquecível. Meiga, carinhosa, esperta. Escorpiã do mais doce-veneno.Inteligente, perspicaz, solidária. Às vezes desconfiada. Certo: não se entra em canoa furada; tampouco em nave arrasada. Rápida como cometa, não permite que alguém cometa o menor dos desatinos. Tomada como lesma? Nunca foi. É a mesma a cuidar do destino, fiel a um passado que insiste em acompanhá-la, tal corrimão de escada-rolante. Não se espante: nela o esforço é menor.Nada de pior, mas como condenar?
-
Ele já apresentava profundos sulcos, visíveis pelo Endeavour. Se até a inanimada Lua é riscada, como pretender que se passe pela vida sem risco?Muito arriscara. A cada revés, um risco tornado real. Estômago embrulhado por tantas travessuras.Sua cabeça era um planeta a girar ao redor de um sol errante.Perdido na noite, iludido no dia. Enxergava as estrelas, mas não por onde voava. Como o amor que é cego, nunca acertou o alvo. Pela cegueira, não percebem as tolices que cometem.
Bio vagava ao léo, à cata das borbos. Em 11 de setembro vislumbrou os gêmeos. Resplandeciam verdes-azulados, azuis-esverdeados. Cometa à proa! Terra fora da vista! Splash! E lá se foi o tonto, na cauda do deslumbrante luminoso.
-
O cometa olhava à frente, para não cometer o erro do caroneiro. O biólogo mirava o passado. Sentia saudades de semelhantes episódios, misturado com receio de perseguição. Não era receio. Era vero. Um esquadrão de borbos lhe ameaçava com vinganças. Iam salpicá-lo de perfumes.
O cometa descortinava o espaço sideral. Nada sentia.O carona nada usufruia, só temia.
Na viagem interestelar o cometa sentiu peso na cauda. Foi ver, tinha vida! Pronto. Agora era um cometa com alma. Um astro vibrante, único.
Mas era só mais um desalmado.Muito amado, na caça cósmica empenhara tudo que tinha. Desprovido, agora era apenas componente de um rabo-de-foguete. Ainda que fosse cola, não podia chegar a leme. Não era responsável pelo rumo, pela nova trajetória que ambos mergulhavam. Nem o cometa.
Quinhentas horas de diabruras haveria de findar. Eram outros, os quinhentos. Às 19hrs, 12min e 17seg do paralelo Greenwich, exatamente onde aguardava o ponto G, tudo se desfez. A gravidade os engolfou.
Pluft
, o fantasminha*, foi quem sorriu outra vez.
Amor cruel: a vontade é infinita, mas depende da execução.
O desejo é ilimitado, mas o ato se atém a parco limite.
Cometas anunciam prenúncios, e se vão.
Na noite de novo escura, o biólogo se fez poeta.
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* Famosa peça infantil criada por Maria Clara Machado

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Automóveis antigos


O Museu de Automóvel de São Paulo vem encantando paulistanos e turistas há 10 anos, na iniciativa do colecionador Romeu Siciliano.
Os visitantes além de apreciarem as raridades que vão de carros antigos até motocicletas, lambretas, vespas, triciclos, caminhões, podem conhecer a história e a evolução do automóvel.-
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O MUSEU oferece exposições rotativas, no fito de expor maior quantidade de carros.
Toda família Siciliano está envolvida com automóveis antigos.
O acervo contém 70 raridades, divididos na avenida dos Bandeirantes e no Ipiranga.
Na Bandeirantes há cerca de 15 veículos, além de motos, lambretas e bombas de gasolina.
Estão expostos o Le zebre 1909, que pertenceu a Família de Santos Dummont; o Benz 1911 do Cardeal Arco Verde; ainda: Fiat 1930, Ford 1925, Opel 1954, Ford Hot 1915, Cord 1937, Dkw 1962, Carro de Corrida década de 30,Carro Bar Ford Fairlaine 1960, o Ford 1937 que participou do filme o Castelo Rá tim bum, Mercedes Táxi, o Hupmobile 1926 que participou da Novela Chocolate com Pimenta, Jeep Crosley, Carruagem Francesa e Triumph 1949, inseridos em peculiar decoração.
* * *
Museu da ULBRA
Chamava-se Museu da Tecnologia da Universidade Luterana do Brasil.
Curiosamente apresentava um avião de caça, não um automóvel, na fachada.
Localizava-se no campus sede da ULBRA, em Canoas, Rio Grande do Sul.
Era propalado dos maiores do mundo. Certamente, a maior exposição entre-paredes da América Latina, mercê da quantidade e diversidade da coleção.
A área de quase um hectare abrigava cerca de 270 veículos, entre carros de passeio, utilitários e motos, desde o Oldsmobile 1904, pertencente ao acervo da General Motors do Brasil, atualmente o modelo mais antigo em exposição, até modelos de grande apelo popular, como as Corvettes.
Raridades de marcas famosas da indústria mundial, como Rolls-Royce, Mercedes, BMW, Cadillac e Jaguar, eram expostas, juntamente com veículos que foram verdadeiros marcos da história da indústria automobilística nacional, como Chevrolet, Ford, VW e Fiat. Carros poucos conhecidos, como Amílcar, Marmon, Franklin, Packard e La Salle, entre outros, também fazem parte deste grande acervo antigomobilístico.
Ele contava ainda com generoso espaço destinado a preservar a história de Émerson Fittipaldi.
No local, estavam expostos alguns dos carros pilotados por Émerson ao longo de sua vitoriosa carreira, os dois Penske com os quais ele conquistou suas duas vitórias na tradicional prova das 500 milhas de Indianópolis em 1989 e 1993. O público ainda poderá ver capacetes, macacões, luvas e outros equipamentos por ele utilizados. No stand, o Pontiac Trans Am e o Chevrolet Camaro Z28, os carros-madrinha das duas conquistas de Emerson em Indianápolis.
O Museu era freqüentado por muitos estudantes, mas carecia de maior divulgação.
Seu site pecava pela economia de fotos, e não se atualizava - mantinha a agenda do ano passado.
O empreendimento situava-se na periferia da capital. Seria conveniente, pelo menos, inserir um mapa de acesso ao visitante.
Alguns outros serviços de apoio poderiam tornar o passeio mais confortável.
Tratava-se, sem dúvida, de um ícone turístico, e bem merecia um melhor aproveitamento. Antes que isso acontecesse, o museu foi fechado em abril de 2009. Era um primeiro de abril. Os carros estão em leilão, tendo em vista a temerária e corrupta administração da Universidade.
* * *
Museu de Gramado
O Hollywood Dream Cars
assenta-se numa área de aproximadamente 1000 m2.
Localiza-se na estrada que liga Gramado a Canela, na serra gaúcha.
Por lá encontram-se cadillacs, o Ford Victória 1956 conversível, sendo este único existente no Brasil.
Outras raridades:
Buick 1951, Roadmaster, Pontiac 1951, Ford modelo A do ano 1929.
Destaque são as quinze motos Harley-Davidson.
Horário de Visitação:
Aberto a visitação das 9h às 18h todos os dias
Ingressos Adulto........R$ 15,00
Criança......R$ 12,00
Idoso.........R$ 7,50
* * *
Museu do Paraná
Fundado em 1976 o Museu expõe mais 150 veículos pertencentes aos sócios do
Clube de Automóveis e Antiguidades Mecânicas do Paraná - CAAMP.
Merecem destaque entre outros: o FORD T Sport Runabout 1926, ERSKINE, FIAT 520 e STUDEBACKER 1928, HUPMOBILE Sport Roadster 1930, FORD Roadster e CHEVROLET Sedan Máster 1933, JEEP Anfíbio e PEUGEOT 202B 1942, CHEVROLET Style Line Station 1950, CADILLAC Presidencial 1952 e Eldorado 1953 único modelo existente no Brasil.
Destacam-se ainda, uma caleça francesa Rotschil de 1910, clássicos como o LINCOLN Continental 1947, e o McLaren M23 (doado pela Philip Morris) com o qual Emerson Fittipaldi sagrou-se campeão mundial de Fórmula 1 em 1974.
( de Quarta a Sexta das 14:00 às 17:30hs.)
( Sábados e Domingos das 10:00 às 12:00hs. e das 14:00 às 17:30hs.)
Av. Cândido Hartmann, 2300.
http://www.museuautomovel.com.br/
* * *
Museu Virtual
O Museu do Anhangüera do Automóvel
é bem completo.
* * *
Festival de Araxá
Exemplo de organização turística envolto na mística do automóvel promove de dois em dois anos a bela e hospitaleira Araxá, MG. Destaque é a coleção de Ferraris.
São milhares de visitantes que participam da magníficas festividades.
Praças e pavilhões ficam repletos de curiosos, colecionadores, e empresários de todo calibre.
Não perca:

terça-feira, 10 de junho de 2008

Soluções gloriosas

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“Assentamos em que um príncipe não pode deixar de cumprir as leis sancionadas nas Cortes por ser maior o poder da república que o dos reis;
e dizemos agora que se, apesar das nossas instituições e da força
do direito, chegasse a violá-las, se poderia castigá-lo. Destroná-lo
e até,exigindo-se as circunstâncias, impor-lhe o último suplício.”

Baruch Spinoza

NAQUELE DISTANTE e obscuro século a riqueza tinha pouca serventia.
Todos eram pobres, inclusive os reinos. Nos palácios não havia, sequer, água encanada. Não se dispunha de rede elétrica, muito menos automóvel. Prescindiam de detrans, daers e varigs. Cinco estrelas, só depois de uma paulada. Ninguém tinha nada; portanto, nada havia para adquirir.
O que fazer com cartões-corporativos?
O poder do monarca sobre o cidadão se fundava na quantidade de armas.
Especialmente depois de Maquiavel, qualquer mentecapto poderia assumir o poder, um poder completamente estéril, infrutífero, desprovido de sentido, a não ser satisfazer torpes ambições pessoais.
"Não há mal que sempre dure", mas a Inglaterra há muito não mantém tal esperança. Ela simplesmente extirpou o mal, precisamente em 1689, portanto há séculos:
“A separação de poderes foi uma fórmula encontrada para passar do Estado Absolutista para o Estado Liberal. Ninguém poderia mais ter em suas mãos todo o poder do Estado.”
(Scaff, Fernando Facury, A Responsabilidade do Estado, p. 288)
Locke foi clean:

“Sem liberdade, o entendimento seria em vão; e sem o entendimento, a liberdade (se possível) não significaria nada. O primeiro, portanto, e grande uso da liberdade é impedir a precipitação cega; o principal exercício da liberdade é resistir (to stand still), abrir os olhos, olhar em torno, e examinar a conseqüência do que faremos, tanto quanto o peso que o assunto exija.” (
Jorge Filho, Edgard José, p. 48)
As conseqüências melhor podem ser melhor aquilatadas através de vários pontos de vista, e não apenas pela vista do castelo, que é sempre deslumbrante:
"Assinalando o triunfo final do parlamento sobre o Rei, punha a termo definitivo a monarquia absoluta na Inglaterra. Nunca mais uma cabeça coroada desafiaria o legislativo daquele País."
(Burns, Edward McNall, Lerner, Robert E. e Standish, Meacham: 529)

Os ingleses tomavam as rédeas do seus próprios destinos:
“O homem não poderia ser livre, se sua vontade fosse determinada por algo que não o seu próprio desejo guiado pelo seu próprio julgamento”. (Jorge Filho, Edgard José, p. 197)
Esta liberdade consistia (como consiste) em dispor e ordenar a própria pessoa, ações, posses e toda a espécie de propriedades, desde que permitido (within the Allowance) na lei vigente, sem estar, portanto, sujeito a circunstanciais arbitrariedades. A harmonia é o produto daí decorrente.
A lei inglesa, nem toda expressa, não é abolir ou restringir, mas preservar e ampliar a liberdade.
Como não há mais o mal a perdurar, nada resta mais aos ingleses esperar; somente usufruir.
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A cobra leviatânica bem que tentou retornar à ilha, desembarcada na carona de um estrangeiro chamado Marx, dono do prefixo que per se anuncia o que se passava na mente. Porém, se má era a intenção de Má rx, não podia prosperar.
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Os ingleses nem perceberam a perfídia.
Não tinham rádio, ou qualquer mídia.
Na praça até houve um reboliço,
a Poor Law, de resto algum ouriço.
Nada de mais, além disso.
Eram apenas tagarelices,
a voar em pés-de-vento.
Tais "altivos" intentos
não passavam de tolices.
Canto telúrico,
a algum transeunte seduzir.
Incita-o à revolta, para lhe permitir
sentar-se à mesa, onde servem o jantar.
No Palácio é que está o manjar.
Era parco o objetivo,
e pouco tinha de liso:
como ganhar dinheiro é preciso,
o melhor é ter cargo público.
O público se dispersou, na noite fria,
ressentido pela demagogia.
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O barbudo teve que se mudar para a França, onde ali sim, no meio dos crentes de fé mais impregnada, pode aplicar seu conto de vigário, e introjetou o veneno que logo subiria à Alemanha, e à Rússia, para levar a humanidade ao descalabro recrudescido do século XX.
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Até o fulgurante momento iluminista, os ingleses também viviam apenas para satisfazer o governante. O reino se tornava cada vez mais armado; porém, a cada dia menos amado.
O árduo trabalho do cidadão se destinava à própria submissão. Isso haveria de findar.
O procedimento foi simples, prosaico, óbvio: o povo desarmou o rei, e dividiu as armas.
Não por acaso a elementar solução tomou o nome de Revolução Gloriosa, uma revolução na qual não houve derramamento de sangue, mas, ao contrário, nunca mais se viu sangue por lá:
“A estruturação da comunidade política sugerida por Locke é a solução viável para garantir a paz, a segurança e a propriedade. Ela suprime o estado de guerra e impede a recaída nele, que seria fatal (como o foi) caso estes homens egoístas não fossem governados por um poder superior comum, mandatário da comunidade.”
(Voltaire,Os Pensadores,Cartas Inglesas, p.20)

Paz na Terra aos de boa-vontade
No decorrer do século subseqüente, os esforços foram canalizados no sentido da prosperidade. A Inglaterra começava a sentir seu poder não mais pelas armas, mas pela força do dinheiro que a dormência das armas pode ensejar à produção.
Sua filha, modernizada, vislumbrou o novo perigo. O dinheiro tomava o lugar das armas, era mais civilizado, mas também poderia ser muito letal. Que princípio poderia ser forte para inibir a novidade?
O mesmo - dividir as armas num primeiro plano; e no segundo, o próprio dinheiro, a riqueza, o patrimônio, a terra. Ela não deveria ser restrita a apenas um senhor - o território era de todos.
Destarte, além da Separação dos Poderes, os EUA dividiram as competências territoriais, fracionando o Estado em vários pequenos estados, algo que tomou um nome quase "anônimo", praticamente compondo uma sociedade anônima, ora fulgurante Estados Unidos da América.

De plano, por que sem tradição ou serventia, os americanos suprimiram a personalidade do Rei. A moldura da novel democracia foi desenhada para um sistema de governo peculiar às suas condições. Isento de costume monárquico, não há sequer a necessidade de que alguém, representando o povo pelo Parlamento, seja o executor dos programas governamentais. Não.
O americano elege, diretamente e sem obedecer vínculos genéticos, seu “Rei”, também responsável pela condução dos negócios de Estado.
Para a viabilidade deste regime, estipulou-se um “contrato social” por termo certo, não muito longo, quatro anos, a fim de permitir constantes consultas a população (a contratante), para que esta confirme ou retifique o gerenciamento escolhido às suas coisas. Como todo contrato, este “social por termo certo” gera às partes direitos e obrigações recíprocas, traduzidos por condições mínimas estipuladas em enxuta Constituição.
Para
a “contratante”, a sociedade, recai a obrigação de amparar o “contratado”, fornecendo-lhe os elementos pecuniários para a consecução das finalidades pré-estipuladas. Inúmeras sanções lhe recaem ao eventual descumprimento.
Ao “contratado”, o Executivo, cabem-lhe não só prerrogativas, mas obrigações; e caso não honre o Grande Pacto, balizado pelas disposições constitucionais, assume a figura jurídica do inadimplente contratual, momento propício para o encaminhamento da rescisão por esta inadimplência ou coisa que o valha, através da prerrogativa de Impeachment.
O procedimento nada mais é do que isto mesmo- uma rescisão judiciosa, porque efetivada entre povo e governante, pela insatisfação do primeiro à incúria do segundo. Como não se trata de uma questão inerente ao Judiciário, sequer há necessidade de provas, e de mais formalidades, o que protelaria a solução. Bastam evidências.
Coincidentemente, mas não por acaso, jamais tiveram essas nações nenhum aventureiro no comando. Nunca experimentaram o amargor de ditaduras. E se constituem, quer queiram ou não, os países de maior desenvolvimento ético-científico-econômico-social da face da Terra.
Já que gostamos de bananas, porque não imitar o que dá certo?